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Tempo de Advento

Tempo de Advento

No dia 30 de novembro começamos a vivenciar o tempo litúrgico do advento, o novo ano da Igreja, tempo de esperança, tempo de gestação e confiança. Não cansamos de esperar, pois quem nós esperamos vai chegar.

O tempo do advento fala para nós das três vindas de Cristo: – a do passado, sua vinda histórica; – a do presente. Cristo vem hoje no povo que o celebra, presença misteriosa, na palavra, na liturgia, na eucaristia; – a do futuro. Cristo será visível e glorioso.

O mesmo acontecimento, ontem histórico e visível, hoje sacramento e realidade oculta, amanhã manifestação gloriosa. Os cristãos fazemos visível e perene a natividade de Deus no mundo. Deus se faz natividade nos cristãos para que nós nos façamos natividade de Deus para os irmãos.

Os que têm fé e a vivem são o seu corpo, sua presença, sua visibilidade histórica, fermento de transformação de um mundo hostil para um mundo fraterno. O advento significa vinda. A natividade, nascimento; esse tempo nos coloca em expectativa ativa, de quem constrói o que espera, vive já a alegria da vinda e da chegada de quem se espera.

Esperar com alegria e discernimento, vigilância e cuidado, lendo os sinais dos tempos, percebendo os vestígios de esperança que tornam a vida mais humana. O tempo do advento nos ensina a atitude de espera e não de entorpecimento, espera criativa e amorosa, que aplaina os caminhos, superando a injustiça, a impostura, a corrupção que fabricam a injustiça e o desalento, deixando o povo sem perspectiva.

O advento nos chama a levantar a cabeça, a olhar para o horizonte, enxugar as lágrimas e a viver a novidade que virá. A novidade que nos convida a partilhar o pão e o coração, a superar o ódio e a vingança, a não querer destruir o difícil e o diferente, o louco, o pobre, o importuno. A vinda de Cristo vem no inesperado, no empobrecido e no evitado, em quem Deus faz sua morada.

No tempo do advento, alheia a tudo isso, a cidade se enfeita, às vezes enfeite sem conteúdo, só para fazer brilhar, ainda mais, o consumo; luz que ilumina e não faz enxergar os esquecidos, os marginalizados e que foram os primeiros a saber da notícia do primeiro Natal.

O povo da rua, que dorme, anda, deita, come nas ruas da cidade, vê, sente e percebe a mudança no seu mundo habitual, a rua. Mas muitos continuam a não vê-los, ou a não querer vê-los, ou aqueles que os enxergam se irritam e se sentem incomodados com sua presença. Jesus veio ao mundo e é o vínculo do Pai conosco, nosso medidor na força amorosa do Espírito Santo. O povo da rua não será entendido e aceito por aqueles que com eles não estabelecerem vínculo, que respeita, que escuta e acolhe.

Outro dia um senhor me perguntou: como se faz vínculo com uma pessoa de rua? Pergunta interessante, difícil e fácil de responder. Penso que é necessário tempo, disponibilidade, empatia, capacidade de compreender e aceitar, dialogar, sem invadir, sem pressa, como se faz com qualquer outra pessoa de quem queremos nos aproximar, e com uma dose de boa vontade a mais.

A resposta fica difícil ou fácil de ser dada conforme a dificuldade ou a facilidade de fazê-la a si mesmo. O tempo do advento é tempo maior de oração, feita de muita confiança, como a oração de Carlos de Foucauld: “Pai, ponho-me em tuas mãos. Faz de mim o que quiseres, seja o que for, eu te dou graças. Estou disposto a tudo. Aceito tudo, contanto que a tua vontade seja feita em mim e em todas as criaturas. Não desejo mais nada, Pai. Te confio minha alma e a dou, com todo o amor de que sou capaz, porque te amo e tenho necessidade de dar-me, colocar-me em tuas mãos sem medida, com infinita confiança, porque sois meu Pai”.

Quem confia assim não se decepciona, transforma a dor em amor, não tem medo de entregar a sua vida em oblação e de partilhar o seu coração. O tempo do advento nos renove e transforme, nos faça embaixadores da paz que com a justiça se abraçará para anunciar que o Reino de Deus não tarda e logo vai chegar!

O advento nos convida à conversão, a mudar a maneira de pensar, agir e sentir. A conversão nos prepara para celebrar o Natal com coerência e de quem acolhe o Deus feito homem, o Emanuel, o Deus-conosco, a luz que veio a esse mundo e que muitos não quiseram receber.

Façamos do advento um tempo de gestação e não tenhamos medo de nascer de novo para o amor!

Um Comentário

  1. ivoprata
    dez 14, 2009 @ 17:41:33

    gostei imensso e pude aprender bastante sobre o advento