Seminário Arquidiocesano das Pastorais Sociais

Roberval Freire

Com o lema “Eu vim para servir” , aconteceu o Seminário das Pastorais Sociais da Arquidiocese de São Paulo, dia 04 de junho, na FAPCOM, Vila Mariana, com cerca de 140 participantes. Pelo SPM estiveram 9 pessoas, inclusive de dioceses vizinhas (Rosa, de Campo Limpo, Ilda e Marcos, imigrantes, Ir. Isabel, do Cami, Dora, Roberval, Maria do Carmo – Carapicuíba, Joaquim, Nelson –Grajaú, Francisca – Rincão. Na mística inicial, coordenada pela Pastoral da Juventude, os quadros de Dom Luciano e Dom Oscar Romero entraram juntamente com os cartazes de cada pastoral ali presente. O avental simbolizou o serviço das Pastorais na cidade de São Paulo, junto ao povo excluído. Dom Milton, bispo da Região Brasilândia e responsável pelas Pastorais Sociais, lembrou que a paróquia deve ser espaço de acolhida de todos, como “comunidade de comunidades”, sobretudo dos que sofrem.

O assessor do seminário, Pe. Alfredinho, já conhecido por atuar no Setor Social da CNBB, apontou cinco janelas que “descortinam horizontes”: 1. A Pastoral Social como uma dimensão sócio-política do Evangelho, de responsabilidade de toda a Igreja, e as Pastorais Sociais, no plural, que são respostas específicas a situações específicas de grupos ameaçados na vida ou na dignidade; 2. A memória da Pastoral Social na Arquidiocese de São Paulo nos últimos 30 anos. Lembrou o tempo das mobilizações populares, quando nasceram algumas pastorais a partir de desafios bem concretos. Lembrou a criação do PT e CUT que, no poder, trouxeram melhoras mas não mudanças, se enredando em  vícios políticos já conhecidos. Elegemos um presidente da senzala mas a nave brasileira entrou no piloto automático do capital; 3. Encruzilhada – é o lado positivo da crise. Paramos de lamentar o passado para nos lançarmos à fronteira. Percebemos que não dá para jogar todas as nossas energias num partido ou igreja. O Reino é mais amplo. Cada pastoral não pode se fechar em torno de si. É preciso fortalecer as organizações para além dos partidos e eleições; 4. A grande metrópole é uma multidão solitária no mundo urbano, marcado pelo individualismo. Jesus não apenas transmitiu uma boa notícia. Ele era a Boa Notícia. Como as Pastorais Sociais são ou podem ser esta Boa Notícia hoje? As Pastorais possibilitam espaços para que as pessoas sejam de fato acolhidas, através de pequenas comunidades onde elas se organizam. Pessoas com nome, história, dignidade. Acolher é também “ir ao encontro” do pobre. A pastoral de Jesus é itinerante e não feita de espetáculos. As verdadeiras mudanças tem suas raízes nas dores e sofrimentos do povo. Estamos na encruzilhada: é  tempo de semear. Quem semeia nem sempre é o que colhe. As mudanças ocorrerão do acúmulo de gestos solidários e nenhum destes gestos se perdem na história; 5. O Avental, símbolo do serviço. A caridade na bíblia está associada à justiça e a política é a melhor forma de fazer caridade. A sociedade nos conhece pelos gestos e não pelos discursos. A caridade é a ponte entre Deus e o pobre. É a linguagem das primeiras comunidades cristãs: “vejam como eles se amam”. Jesus usa a linguagem do toque. Ele toca e se deixa tocar. Esta é a linguagem de quem muito sofre e quem muito ama. Caridade é descer aos infernos do sofrimento humano para o contato amigo. Boa Nova é marcar presença. Montanha e Rua são as duas dimensões desta prática. Oração e ação. Uma sem a outra pode comprometer a proposta do Evangelho.

Após estas reflexões, aconteceu o trabalho em grupos, com o levantamento de “desafios e perspectivas da encruzilhada”. Vários compromissos foram elencados para a Comissão da Caridade, Justiça e Paz. Após o almoço, duas experiências de atuação junto aos pobres foram trazidas: a da Igreja da Achirupita, da Bela Vista e a do Vicariato do Povo da Rua. Em seguida, o Cardeal Dom Odilo SCherer, fez uma reflexão resgatando um conjunto de documentos que integram a Doutrina Social da Igreja e deu palavra de ânimo ao trabalho que está sendo fei to e desafiando as pastorais e entidades para ampliar sua  ação no social. Em breve será divulgada a síntese das propostas elencadas pelos grupos. No final, no palco, num momento emocionante, dezenas de pessoas levaram os cartazes  e símbolos de suas pastorais, e Dom Milton, tomando em suas mãos a imagem de Nossa Senhora Aparecida, convidou a todos para um minuto de silêncio em memória das cinco lideranças rurais assassinadas no norte do pais e, em seguida, invocou a benção final.

Publicado em www.provinciasaopaulo.com