
{"id":10690,"date":"2018-08-27T08:44:50","date_gmt":"2018-08-27T11:44:50","guid":{"rendered":"http:\/\/www.oarcanjo.net\/site\/?p=10690"},"modified":"2018-06-25T08:15:36","modified_gmt":"2018-06-25T11:15:36","slug":"a-historia-da-biblioteca-de-alexandria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.oarcanjo.net\/site\/a-historia-da-biblioteca-de-alexandria\/","title":{"rendered":"A hist\u00f3ria da Biblioteca de Alexandria"},"content":{"rendered":"<p>\u00a0<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.portalsaofrancisco.com.br\/alfa\/biblioteca-alexandria\/imagens\/ancientlibraryalex.jpg\" alt=\"Biblioteca de Alexandria\" width=\"350\" height=\"343\" \/><\/p>\n<p>&#8230;Justi\u00e7a seja feita a S\u00e3o Te\u00f3filo!<\/p>\n<p>Destrui\u00e7\u00e3o da Grande Biblioteca de Alexandria<\/p>\n<p>A Biblioteca de Alexandria foi uma das maiores bibliotecas do mundo e se localizava na cidade eg\u00edpcia de Alexandria que fica ao norte do Egito, situada a oeste do delta do rio Nilo, \u00e0s margens do Mar Mediterr\u00e2neo.<\/p>\n<p>A biblioteca de Alexandria \u00e9 uma lenda. N\u00e3o um mito, mas uma lenda. A destrui\u00e7\u00e3o da biblioteca do mundo antigo foi recontada muitas vezes. Muita tinta foi derramada, antiga e moderna, sobre os 40.000 volumes abrigados nos dep\u00f3sitos perto do porto, que foram supostamente queimados quando Julius Caesar incinerou a frota do irm\u00e3o de Cleopatra. A figura de Hypatia, uma matem\u00e1tica, sendo arrastada de sua carruagem \u00a0por uma multid\u00e3o de monges pag\u00f5es e queimada viva em cima dos restos da biblioteca encontram seu lugar na lenda tamb\u00e9m. Contudo quando n\u00f3s soubermos de muitos boatos da destrui\u00e7\u00e3o &#8220;da biblioteca&#8221; (na verdade, havia ao menos tr\u00eas bibliotecas diferentes que coexistiam na cidade), e se sabe hoje de escolas inteiras em Alexandria e o scholarship, existem poucos dados sobre as localiza\u00e7\u00f5es, disposi\u00e7\u00f5es, terras arrendadas, organiza\u00e7\u00e3o, administra\u00e7\u00e3o, e estrutura f\u00edsica do lugar.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria \u00e9 bonita, mas, como toda hist\u00f3ria, diz apenas parte da Hist\u00f3ria. Em termos mais objetivos, o mais prov\u00e1vel \u00e9 que a Biblioteca tenha sucumbido a v\u00e1rios inc\u00eandios, e muitos deles foram apontados por renomados eruditos como os que causaram a destrui\u00e7\u00e3o da Biblioteca. O iniciado por Amr a pedido do califa Omar teria sido o \u00faltimo dos \u00faltimos e tamb\u00e9m o mais cred\u00edvel, a confiar em Canfora.<\/p>\n<p>Outro inc\u00eandio freq\u00fcentemente citado \u00e9 o que teria sido provocado por J\u00falio C\u00e9sar em 48 a.C., quando o general romano decidiu ajudar Cle\u00f3patra, que travava ent\u00e3o uma esp\u00e9cie de guerra civil com seu irm\u00e3o Ptolomeu 13, e ateou fogo \u00e0 esquadra eg\u00edpcia. O inc\u00eandio teria consumido entre 40 mil e 400 mil livros. Uma outra vers\u00e3o diz que o que sobrara da Biblioteca foi destru\u00eddo em 391 da Era Crist\u00e3.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: center\"><strong>Depois que o imperador Teod\u00f3sio baixou decreto proibindo as religi\u00f5es pag\u00e3s, o bispo de Alexandria Te\u00f3filo (385-412 d.C.) determinou a elimina\u00e7\u00e3o das se\u00e7\u00f5es que haviam sido poupadas por inc\u00eandios anteriores, pois as considerava um incentivo ao paganismo<\/strong>.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Na verdade, todas essas vers\u00f5es merecem alguma considera\u00e7\u00e3o e n\u00e3o s\u00e3o necessariamente incompat\u00edveis, pois a Biblioteca, ao longo de mais de dez s\u00e9culos de exist\u00eancia, foi se espalhando por v\u00e1rios edif\u00edcios e dep\u00f3sitos da cidade. O fogo em um deles teria poupado os demais, e vice-versa. (O inc\u00eandio provocado por C\u00e9sar, por exemplo, ocorreu no porto. S\u00f3 poderia, segundo Canfora, ter destru\u00eddo livros rec\u00e9m-chegados ou prontos para ser embarcados, pois os edif\u00edcios principais da Biblioteca, o Museum e o Serapeum, ficavam longe do porto).<\/p>\n<p>A destrui\u00e7\u00e3o da grande biblioteca de Alexandria foi rematada pelos \u00e1rabes em 646 da era crist\u00e3. Mas essa destrui\u00e7\u00e3o fora precedida de outras , e o furor com que essa fant\u00e1stica cole\u00e7\u00e3o de saber foi aniquilada \u00e9 particularmente significativo.<\/p>\n<p>A biblioteca de Alexandria parece ter sido fundada por Ptolomeu ou por Ptolomeu II . A cidade foi fundada , como seu pr\u00f3prio nome diz, por Alexandre, o Grande , entre 331 e 330 a.C. Escoou-se quase mil anos antes de a biblioteca ser destruida.<\/p>\n<p>Alexandria foi, talvez, a primeira cidade do mundo totalmente construida em pedra, sem que se utilizasse nenhuma madeira. A biblioteca compreendia dez grandes salas , e quartos separados para os consultatntes. Discute-se , ainda , a data de sua funda\u00e7\u00e3o e o nome de seu fundador, mas o verdadeiro fundador , no sentido de organizador e criador da biblioteca, e n\u00e3o simplesmente do rei que reinava ao tempo de seu surgimento, parece ter sido um personagem de nome Dem\u00e9trios de Phal\u00e8re.<\/p>\n<p>Desde o come\u00e7o , ele agrupou setecentos mil livros e continuou aumentando sempre esse n\u00famero . Os livros eram comprados \u00e0s expensas do rei. Esse Dem\u00e9trios de Phal\u00e8re , nascido em 354 e 348 a.C. , parece ter conhecido Arist\u00f3teles . Apareceu em 324 a.C. como orador p\u00fablico , em 317 foi eleito governador de Atenas e governou-a durante dez anos, de 317 a 307 a.C.<\/p>\n<p>Imp\u00f4s um certo n\u00famero de leis , notadamente uma, de redu\u00e7\u00e3o do luxo nos funerais. Em seu tempo , Atenas contava 90.000 cidad\u00e3os , 45.000 estrangeiros e 400.000 escravos. No que concerne \u00e0 pr\u00f3pria figura de Dem\u00e9trios, a Hist\u00f3ria no-lo apresenta como um juiz de elegancia em seu pa\u00eds; foi o primeiro ateniense a descolorir os cabelos , alourando-os com \u00e1gua oxigenada.<\/p>\n<p>Depois foi banido de seu governo e partiu para Tebas . L\u00e1 escreveu um grande n\u00famero de obras , uma com t\u00edtulo estranho : Sobre o feixe de luz no c\u00e9u , que \u00e9 , provavelmente , a primeira obra sobre os disco voadores. Em 297 a. C., o fara\u00f3 Ptolomeu persuadiu Dem\u00e9trios a instalar-se em Alexandria. Fundou, ent\u00e3o , a biblioteca.<\/p>\n<p>Ptolomeu I morreu em 283 a.C. e seu filho Ptolomeu II exilou Dem\u00e9trios em Busiris, no Egito. L\u00e1, Dem\u00e9trios foi mordido por uma serpente venenosa e morreu. Dem\u00e9trios tornou-se c\u00e9lebre no Egito como mecenas das ciencias e das artes , em nome do Rei Ptolomeu I, Ptolomeu II continuou a interessar-se pela biblioteca e pelas ciencias, sobretudo pela zoologia. Nomeou como bibliotec\u00e1rio a Zenodotus de \u00c9feso , nascido em 327 a.C. , e do qual ignoram as circunstancias e data da morte. Depois disso, uma sucess\u00e3o de bibliotec\u00e1rios , atrav\u00e9s dos s\u00e9culos , aumentou a biblioteca, a\u00ed acumulando pergaminhos, papiros, gravuras e mesmo livros impressos, se formos cre em certas tradi\u00e7\u00f5es. A biblioteca continha portanto documentos inestim\u00e1veis. Colecionou, igualmente , documentos dos inimigos, notadamente de Roma.<\/p>\n<p>Pela documenta\u00e7\u00e3o de l\u00e1, poder-se-ia constituir uma lista bastante veross\u00edmil de todos os bibliotec\u00e1rios at\u00e9 131 a.C.<\/p>\n<p>Depois disso , as indica\u00e7\u00f5es se tornam vagas ,Sabe-se que um bibliotec\u00e1rio se op\u00f4s , violentamente, a primeira pilhagem da biblioteca por J\u00falio Cesar, no ano 47 a.C. , mas a Hist\u00f3ria n\u00e3o tem o seu nome. O que \u00e9 certo \u00e9 que j\u00e1 na \u00e9poca de J\u00falio cesar a biblioteca de Alexandria tinha a reputa\u00e7\u00e3o corrente de guardar livros secretos que davam poder praticamente ilimitado.<\/p>\n<p>Quando Julio C\u00e9sar chegou a Alexandria a biblioteca tinha pelo menos setecentos mil manuscritos. Quais ? E por que se come\u00e7ou a temer alguns deles?<\/p>\n<p>Os documentos que sobreviveram d\u00e3o-nos uma id\u00e9ica precisa. Havia l\u00e1 livros em grego. Evidentemente, tesouros : toda essa parte que nos falta da literatura grega cl\u00e1ssica. Mas entre esses manuscritos n\u00e3o deveria aparentemente haver nada de perigoso. Ao contr\u00e1rio , o conjunto de obras de B\u00e9rose \u00e9 que pode inquietar. Sacerdote babil\u00f4nico refugiado na Gr\u00e9cia , B\u00e9rose nos deixou de um encontro o relato com os extraterrestres : os misteriosos Apkaluus , seres semelhantes a peixes , vivendo em escafrandos e que teriam trazido aos homens os primeiros conhecimentos cient\u00edficos. B\u00e9rose viveu no tempo de Alexandre , o Grande , at\u00e9 a \u00e9poca de Ptolomeu I. Foi sacerdote de Bel-Marduk na Babil\u00f4nia. Era historiador , astr\u00f3logo e astr\u00f4nomo. Inventou o rel\u00f3gio de sol semicircular.<\/p>\n<p>Fez uma teoria dos conflitos entre os raios do Sol e da Lua que antecipa os trabalhos mais modernos sobre a interferencia da luz . Podemos fixar as datas de sua vida em 356 a.C. , nascimento , e 261 , na sua morte. Uma lenda contemporanea diz que a famosa Sybila , que profetizava , era sua filha. A Hist\u00f3ria do Mundo de B\u00e9rose , que descrevia seus primeiros contatos com os extraterrestres , foi perdida. Restam alguns fragmentos , mas a totalidade desta obra estava em Alexandria . Nela estavam todos os ensinamentos dos extraterrestres.<\/p>\n<p>Encontrava-se em Alexandria, tamb\u00e9m , a obra completa de Manethon . Este , sacerdote e historiador eg\u00edpcio , contemporaneo de Ptolomeu I e II , conhecera todos os segredos do Egito. Seu nome mesmo pode ser interpretado como &#8220;o amado de Thot &#8221; ou &#8220;detentor da verdade de Toth&#8221;. Era o homem que sabia tudo sobre o Egito , lia os hieroglifos, tinha contato com os ultimos sacerdotes eg\u00edpcios. Teria ele mesmo escrito oito livros , e reuniu quarenta rolos de pergaminho , em Alexandria , que continham todos os segredos eg\u00edpcios e provavelmente o Livro de Toth . Se tal cole\u00e7\u00e3o tivesse sido conservada , saber\u00edamos , quem sabe , tudo o que seria preciso saber sobre os segredos do Egito. Foi exatamente isto que se quis impedir. A biblioteca de Alexandria continha obras de um historiador fen\u00edcio, Mochus, ao qual se atribui a inven\u00e7\u00e3o da teoria atomica.<\/p>\n<p>Ela continha , ainda , manuscritos indianos extraordin\u00e1riamente raros e preciosos. De todos esses manuscritos n\u00e3o resta nenhum tra\u00e7o. Conhecemos o n\u00famero total dos rolos quando a destrui\u00e7\u00e3o come\u00e7ou: quinhetos e trinta e dois mil e oitocentos. Sabemos que existiu uma se\u00e7\u00e3o que se poderia batizar de &#8220;Ci\u00eancias Matem\u00e1ticas &#8221; e outra de &#8220;Ci\u00eancias Naturais&#8221;. Um catalogo geral igualmente existia . Tamb\u00e9m este foi destru\u00eddo. Foi C\u00e9sar quem inaugurou estas destrui\u00e7\u00f5es. Levou um certo n\u00famero de livros , queimou uma parte e gradou o resto . Uma incerteza persite ainda em nossos dias sobre esse epis\u00f3dio, e 2.000 anos depois da sua morte, Julio C\u00e9sar tem ainda partid\u00e1rios e advers\u00e1rios. Seus partid\u00e1rios dizem que ele jamais queimou livros na pr\u00f3pria biblioteca; ali\u00e1s um certo n\u00famero de livros prontos a ser embarcados para Roma , foi queimado num dos dep\u00f3sitos do cais do porto de Alexandria , mas n\u00e3o foram os romanos que lhe atearam fogo.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/4.bp.blogspot.com\/_22CS1x-Dqxc\/ShRnV5tSOxI\/AAAAAAAAAoU\/tIIZAFc9Dtc\/s320\/2nd_century_Hebrew_decalogue.jpg\" border=\"0\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio, certos advers\u00e1rios de Cesar dizem que grande n\u00famero de livros foi deliberadamente destru\u00eddo. A estimativa do total varia de 40.000 a 70.000. Uma tese intermedi\u00e1ria afirma que as chamas provenientes de um bairro onde se lutava , ganharam a biblioteca e destruiram-na acidentalmente. Parece certo , em todo caso, que tal destrui\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi total. Os advers\u00e1rios e os partid\u00e1rios de Cesar n\u00e3o d\u00e3o refer\u00eancia precisa , os contemporaneos nada dizem e os escritos mais pr\u00f3ximos do acontecimento lhe s\u00e3o posteriores de dois s\u00e9culos. C\u00e9sar mesmo, em suas obras , nada disse .<\/p>\n<p>Parece mesmo que ele se &#8220;apoderou&#8221; de certos livros que lhe pareciam especialmente interessantes. A maior parte dos especialistas em hist\u00f3ria eg\u00edpcia pensa que o edificio da biblioteca deveria ser de grandes dimens\u00f5es para conter setecentos mil volumes , salas de trabalho , gabinetes particulares , e que um monumento de tal importancia n\u00e3o pode ser totalmente destru\u00eddo por um principio de incendio . \u00eb possivel que o inc\u00eandio tenha consumido estoques de trigo , assim como rolos de papiro virgem. N\u00e3o \u00e9 certo que tenha desvastado grande parte da livraria , n\u00e3o \u00e9 certo que ela tenha sido totalmente aniquilada. \u00c9 certo , por\u00e9m , que uma quantidade de livros considerados particularmente perigosos , desapareceu. A ofensiva seguinte , a mais s\u00e9ria contra a livraria , parece ter sido feita pela Imperatriz Zen\u00f3bia. Ainda desta vez a destrui\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi total , mas livros importantes desapareceram. Conhecemos a raz\u00e3o da ofensiva que lan\u00e7ou depois dela o Imperiador Diocleciano ( 284-305 d.C.) . Documentos contemporaneos est\u00e3o de acordo a este respeito.<\/p>\n<p>Diocleciano quis destruir todas as obras que davam os segredos de fabrica\u00e7\u00e3o do ouro e da prata . Isto \u00e9 , todas as obras de alquimia . Pois ele pensava que se os eg\u00edpcios pudessem fabricar \u00e0 vontade o ouro e a prata , obteriam assim meios para levantar um ex\u00e9rcito e combater o imp\u00e9rio. Diocleciano mesmo, filho de escravos, foi proclamado imperador em 17 de setembro de 284.<\/p>\n<p>Era , ao que tudo indica , perseguidor nato e o ultimo decreto que assinou antes de sua abdica\u00e7\u00e3o em maio de 305 , ordenava a destrui\u00e7\u00e3o do cristianismo. Diocleciano foi de encontro a uma poderosa revolta do Egito e come\u00e7ou em julho de 295 o cerco a Alexandria. Tomou a cidade e nessa ocasi\u00e3o houve massacres inomin\u00e1veis. Entretanto , segundo a lenda , o cavalo de Diocleciano deu um passo em falso ao entrar na cidade conquistada,e Diocleciano interpretou tal acontecimento como mensagem dos deuses que lhe mandavam poupar a cidade. A tomada de Alexandria foi seguida de pilhagens sucessivas que visavam acabar com os manuscritos de alquimia .<\/p>\n<p>E todos os manuscritos encontrados foram destruidos. Eles continham, ao que parece , as chaves essenciais da alquimia que nos faltam para compreens\u00e3o dessa ciencia , principalmente agora que sabemos que as transmuta\u00e7\u00f5es met\u00e1licas s\u00e3o possiveis . N\u00e3o possu\u00edmos lista dos manuscritos destruidos , mas a lenda conta que alguns dentre eles eram obras de Pitagoras , de Salom\u00e3o ou do pr\u00f3prio Hermes. \u00c9 evidente que isto deve ser tomado com relativa confian\u00e7a. Seja como for, documentos indispens\u00e1veis davam a chave da alquimia e est\u00e3o perdidos para sempre : mas a biblioteca continuou. Apesar de todas as destrui\u00e7\u00f5es sistem\u00e1ticas que sofreu , ela continuou sua obra at\u00e9 que os \u00e1rabes a destrtu\u00edssem completamente. E se os \u00e1rabes o fizeram , sabiam por que o faziam . J\u00e1 haviam destruido , no pr\u00f3prio Isl\u00e3o &#8212; como na Persia &#8212; grande n\u00famero de livros secretos de magia , de alquimia e de astrologia.<\/p>\n<p>A palavra de ordem dos conquistadores era &#8220;n\u00e3o h\u00e1 necessidade de outros livros , sen\u00e3o o Livro&#8221; , isto \u00e9, o Alcor\u00e3o. Assim , a destrui\u00e7\u00e3o de 646 d.C. visava n\u00e3o propriamente os livros malditos , mas todos os livros . O historiador mu\u00e7ulmano Abd al-Latif ( 1160-1231 ) escreveu : &#8220;A biblioteca de Alexandria foi aniquilada pelas chamas por Amr ibn-el-As, agindo sob as ordens de Omar , o vencedor&#8221;.<\/p>\n<p>Esse Omar<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/3.bp.blogspot.com\/_22CS1x-Dqxc\/ShRnVuC6f-I\/AAAAAAAAAoE\/XrMH_KbbLUU\/s320\/516px-Alexandria_Library_Inscription.jpg\" alt=\"\" width=\"275\" height=\"320\" \/>se opunha ali\u00e1s a que se escrevessem livros mu\u00e7ulmanos , seguindo sempre o principio : &#8220;o livro de Deus \u00e9-nos suficiente&#8221;. Era um mu\u00e7ulmano rec\u00e9m-convertido , fan\u00e1tico , odiava os livros e destruiu-os muitas vezes porque n\u00e3o falavam do profeta. \u00c9 natural que terminasse a obra come\u00e7ada por Julio C\u00e9sar , continuada por Diocleciano e outros. Se documentos sobreviveram a esses autos-de-f\u00e9, foram cuidadosamente guardados desde 646 d.C. e n\u00e3o mais reapareceram .<\/p>\n<p>E se certos grupos secretos possuem atualmente manuscritos provenientes de Alexandria , dissimulam isto muito bem. Retomemos , agora, o exame desses acontecimentos \u00e0 luz da tese que sustentamos : a existencia desse grupo que chamamos de Homens de Negro e que constitui uma organiza\u00e7\u00e3o visando a destrui\u00e7\u00e3o de determinado tipo de saber. Parece evidente que tal grupo se desmascarou em 391 depois que procurou , sistematicamente , sob Diocleciano , e destruiu as obras de alquimia e magia. Parece evidente , tamb\u00e9m , que tal grupo nada teve a ver com os acontecimentos de 646 : o fanatismo mu\u00e7ulmano foi suficiente. Em 1692 foi nomeado para o Cairo um consul frances chamado M. de Maillet . Ele assinalou que Alexandria \u00e9 uma cidade praticamente vazia e sem vida.<\/p>\n<p>Os raros habitantes , que s\u00e3o sobretudo ladr\u00f5es , se encerram em seus esconderijos. As ruinas das constru\u00e7\u00f5es est\u00e3o abandonadas. Parece prov\u00e1vel que , se livros sobreviveram ao incendio de 646 , n\u00e3o estavam em Alexandria naquela \u00e9poca; trataram de evacua-los. A partir da\u00ed, fica-se reduzido a hip\u00f3teses. Fiquemos nesse plano que nos interessa, isto \u00e9, o dos livros secretos que dizem respeito \u00e0s civiliza\u00e7\u00f5es desaparecidas , \u00e0 alquimia , \u00e0 magia ou \u00e0s t\u00e9cnicas que n\u00e3o mais conhecemos. Deixaremos de lado os cl\u00e1ssicos gregos , cuja desapari\u00e7\u00e3o \u00e9 evidentemente lament\u00e1vel. mas escapa a nosso assunto. Voltemos ao Egito. Se um exemplar do Livro de Toth existiu em Alexandria, C\u00e9sar apoderou-se dele como fonte possivel de poder .<\/p>\n<p>Mas o Livro de Toth n\u00e3o era certamente o unico documento eg\u00edpcio em Alexandria. Todos os enigmas que se colocam ainda sobre o Egito teriam , talvez , solu\u00e7\u00e3o , se tantos documentos eg\u00edpcios n\u00e3o tivessem sidos destruidos. E entre esses documentos, eram particularmente visados e deveriam ser destru\u00eddos , no original e nas c\u00f3pias, depois os resumos : aqueles que descreviam a civiliza\u00e7\u00e3o que precedeu o Egito conhecido. \u00eb possivel que alguns tra\u00e7os subsistam , mas o essencial desapareceu e essa destrui\u00e7\u00e3o foi t\u00e3o completa e profunda que os arqueologos racionalistas pretendem , agora , que se pode seguir no Egito o desenvolvimento da civiliza\u00e7\u00e3o do neol\u00edtico at\u00e9 as grandes dinastias , sem que nada venha a provar a existencia de uma civiliza\u00e7\u00e3o anterior.<\/p>\n<p>Assim tamb\u00e9m a Hist\u00f3ria , a ciencia e a situa\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica dessa civiliza\u00e7\u00e3o anterior nos s\u00e3o totalmente desconhecidas. Formulou-se a hip\u00f3tese que se tratava de uma civiliza\u00e7\u00e3o de Negros. Nessas condi\u00e7\u00f5es , as origens do Egito deveriam ser procuradas na \u00e4frica .<\/p>\n<p>Talvez tenham desaparecido em Alexandria , registros , papiros ou livros provenientes dessa civiliza\u00e7\u00e3o desaparecida. Foram igualmente destruidos tratados de alquimia os mais detalhados , aqueles que permitiriam , realmente obter a transmuta\u00e7\u00f5es dos elementos. Foram destruidas obras de magia. Foram destruidas provas do encontro com extraterrestres do qual B\u00e9rose falou, citando os Apkallus. Foram destruidos . . . mas como prosseguir enumerando tudo o que ignoramos ! A destrui\u00e7\u00e3o t\u00e3o completa da biblioteca de Alexandria \u00e9, certamente, o maior sucesso dos Homens de Negro<\/p>\n<h2>A Biblioteca de Alexandria<\/h2>\n<p>Na sexta-feira da lua nova do m\u00eas de Moharram, no vig\u00e9simo ano da H\u00e9gira (isso equivale a 22 de dezembro de 640), o general Amr Ibn al-As, o emir dos agareus, conquistava Alexandria, no Egito, colocando a cidade sob o dom\u00ednio do califa Omar. Era um dos come\u00e7os do fim da famosa Biblioteca de Alexandria, constru\u00edda por Ptolomeu Filadelfo no in\u00edcio do terceiro s\u00e9culo a.C. para &#8220;reunir os livros de todos os povos da Terra&#8221; e destru\u00edda mais de mil anos depois.<\/p>\n<p>A id\u00e9ia de reerguer a mais formid\u00e1vel biblioteca de todos os tempos surgiu no final dos anos 70 na Universidade de Alexandria. Em 1988, o presidente eg\u00edpcio, Hosni Mubarak, assentou a pedra fundamental, mas foi s\u00f3 em 1995 que as obras realmente come\u00e7aram. O suntuoso edif\u00edcio de 11 andares, que custou US 212 milh\u00f5es, boa parte dos quais pago pela Unesco, foi conclu\u00eddo no ano passado. S\u00f3 a sala de leitura da biblioteca principal tem 38.000 m2, a maior do mundo. O acervo, que ainda n\u00e3o foi inteiramente reunido, dever\u00e1 contar com 5 milh\u00f5es de livros. Ser\u00e1 interessante ver como o governo eg\u00edpcio, que n\u00e3o \u00e9 exatamente um entusiasta das liberdades de informa\u00e7\u00e3o e express\u00e3o, administrar\u00e1 as coisas. Haver\u00e1, por exemplo, um exemplar dos &#8220;Versos Sat\u00e2nicos&#8221; (obra de Salman Rushdie, tida como ofensiva ao Isl\u00e3)? E quanto a livros que critiquem o pr\u00f3prio governo eg\u00edpcio? Todos os cidad\u00e3os ter\u00e3o acesso a todas as obras? Mas n\u00e3o \u00e9 tanto a nova biblioteca que me interessa, e sim a velha, mais especificamente a sua destrui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Na verdade, seria mais correto falar em destrui\u00e7\u00f5es. Como nos mitos, h\u00e1 na extin\u00e7\u00e3o da Biblioteca de Alexandria uma s\u00e9rie de componentes pol\u00edticos. A historieta com a qual iniciei esta coluna \u00e9 uma das vers\u00f5es. \u00c9 contra os \u00e1rabes. Existem outras, contra os crist\u00e3os, contra os pag\u00e3os. Nenhum povo quer ficar com o \u00f4nus de ter levado ao desaparecimento da biblioteca que reunia &#8220;os livros de todos os povos&#8221;. \u00c9 curioso, a esse respeito, que o site oficial da biblioteca (http:\/\/www.bibalex.gov.eg) s\u00f3 registre as vers\u00f5es anticrist\u00e3 e antipag\u00e3. A contr\u00e1ria aos \u00e1rabes \u00e9 descartada sem nem mesmo ser mencionada. Utilizo aqui principalmente informa\u00e7\u00f5es apresentadas pelo italiano Luciano Canfora, em seu excelente &#8220;A Biblioteca Desaparecida&#8221;.<\/p>\n<p>Voltemos \u00e0 velha Alexandria. Amr Ibn al-As n\u00e3o era uma besta inculta, como se poderia esperar de um militar. Quatro anos antes da tomada de Alexandria, em 636, ao ocupar a S\u00edria, Amr chamara o patriarca e lhe propusera quest\u00f5es bastante sutis acerca das Escrituras e da suposta natureza divina de Cristo. Chegou a pedir que se verificasse no original hebraico a exatid\u00e3o da &#8220;Septuaginta&#8221;, a tradu\u00e7\u00e3o grega do Antigo Testamento, em rela\u00e7\u00e3o a uma passagem do &#8220;G\u00eanesis&#8221; que surgira na discuss\u00e3o.<\/p>\n<p>Logo que chegou a Alexandria, Amr passou a frequentar Jo\u00e3o Filop\u00e3o, um ent\u00e3o j\u00e1 avan\u00e7ado em anos comentador de Arist\u00f3teles, crist\u00e3o, da irmandade dos &#8220;filop\u00f5es&#8221;. Era tamb\u00e9m um quase her\u00e9tico, que defendia teses monofisistas, mas essa \u00e9 outra hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>No curso de uma das longas e eruditas discuss\u00f5es que travavam, Filop\u00e3o falou a Amr da Biblioteca, contou como ela surgiu, que chegou a reunir quase 1 milh\u00e3o de manuscritos e pediu a libera\u00e7\u00e3o dos livros remanescentes, que, como tudo o mais na cidade, estavam sob poder das tropas do general. O militar afirmou que n\u00e3o poderia dispor dos c\u00f3dices sem antes consultar o califa e prontificou-se a escrever para o soberano.<\/p>\n<p>Algum tempo depois (estou relatando a vers\u00e3o curta da hist\u00f3ria), o emiss\u00e1rio de Omar chegou com a resposta, que n\u00e3o poderia ser mais clara: &#8220;Quanto aos livros que mencionaste, eis a resposta; se seu conte\u00fado est\u00e1 de acordo com o livro de Al\u00e1, podemos dispens\u00e1-los, visto que, nesse caso, o livro de Al\u00e1 \u00e9 mais do que suficiente. Se, pelo contr\u00e1rio, cont\u00eam algo que n\u00e3o est\u00e1 de acordo com o livro de Al\u00e1, n\u00e3o h\u00e1 nenhuma necessidade de conserv\u00e1-los. Prossegue e os destr\u00f3i&#8221;.<\/p>\n<p>\u00c9 o que fez Amr. Dizem que ele distribuiu os livros entre todos os banhos p\u00fablicos de Alexandria, que eram em n\u00famero de 4.000, para que fossem usados como combust\u00edvel. Pelos relatos, foram necess\u00e1rios seis meses para queimar todo aquele material. Apenas os trabalhos de Arist\u00f3teles teriam sido poupados.<\/p>\n<p>A nova biblioteca<\/p>\n<p>\u00a0Biblioteca Alexandrina, integra, para al\u00e9m da principal, quatro bibliotecas especializadas, laborat\u00f3rios, um planet\u00e1rio, um museu de ci\u00eancias e um de caligrafia e uma sala de congresso e de exposi\u00e7\u00f5es. A institui\u00e7\u00e3o pretende ser um dos centros de conhecimento mais importantes do mundo assim com sua antecessora.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.portalsaofrancisco.com.br\/alfa\/biblioteca-alexandria\/imagens\/biblioteca-alexandria-004.jpg\" alt=\"Biblioteca de Alexandria\" width=\"350\" height=\"258\" \/><br \/>\n<strong>O edif\u00edcio da atual biblioteca de Alexandria<\/strong><\/p>\n<p>O projeto da biblioteca \u00e9 da autoria de uma firma de arquitectos noruegueses, a Snohetta. A constru\u00e7\u00e3o demorou sete anos, mas a ideia nasceu em 1974. Os principais financiadores da institui\u00e7\u00e3o foram a UNESCO (Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Educa\u00e7\u00e3o, Ci\u00eancia e Cultura) e o governo eg\u00edpcio e o custo total da obra rondou os 200 milh\u00f5es de euros.<\/p>\n<p>Inicialmente, a ideia era dotar a biblioteca de oito milh\u00f5es de livros, mas como foi imposs\u00edvel angariar essa quantidade ficou pela metade. Assim, foi dada prioridade \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de uma biblioteca cibern\u00e9tica. No local est\u00e3o ainda guardados dez mil livros raros, cem mil manuscritos, 300 mil t\u00edtulos de publica\u00e7\u00f5es peri\u00f3dicas, 200 mil cassetes \u00e1udio e 50 mil v\u00eddeo.<\/p>\n<p>No total podem trabalhar na Biblioteca de Alexandria cerca de 3500 investigadores, que t\u00eam ao dispor 200 salas de estudo<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.ufrgs.br\/fotografia\/port\/apollonia\/caderno_07\/images\/biblioteca%20de%20Alexandria%20(interior).jpg\" alt=\"\" width=\"520\" height=\"391\" \/><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.veja.it\/wp-content\/uploads\/2009\/02\/alexandria-cosmosreconstruction1.jpg\" alt=\"\" width=\"685\" height=\"447\" \/><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.cbc.ca\/pei\/features\/egyptianjourney\/images\/biblioteca_alexandria_2.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.arguscaruso.com.br\/site_images\/relatorios\/etapa_4\/rel_02\/IV-02-Foto%2011%20dentro%20da%20biblioteca%20de%20Alexandria.jpg\" alt=\"\" width=\"245\" height=\"197\" \/><\/p>\n<div id=\"themify_builder_content-10690\" data-postid=\"10690\" class=\"themify_builder_content themify_builder_content-10690 themify_builder themify_builder_front\">\n\t<\/div>\n<!-- \/themify_builder_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0 &#8230;Justi\u00e7a seja feita a S\u00e3o Te\u00f3filo! 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