
{"id":1104,"date":"2009-01-01T00:00:30","date_gmt":"2009-01-01T03:00:30","guid":{"rendered":"http:\/\/www.oarcanjo.net\/site\/?p=1104"},"modified":"2009-01-01T12:24:00","modified_gmt":"2009-01-01T14:24:00","slug":"bento-xvi-combater-a-pobreza-construir-a-paz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.oarcanjo.net\/site\/bento-xvi-combater-a-pobreza-construir-a-paz\/","title":{"rendered":"Combater a pobreza, construir a Paz*"},"content":{"rendered":"<p>* Mensagem de Sua Santidade Bento XVI para a celebra\u00e7\u00e3o do Dia Mundial da Paz, 1\u00ba de janeiro de 2009 <br \/><em>Leia tamb\u00e9m: <a href=\"\/site\/index.php\/reflexao\/pobreza-e-paz\/\">artigo de D. Dem\u00e9trio Valentini, bispo de Jales<\/a> e o <a href=\"\/site\/index.php\/blog\/amanheceu-2009\/\">coment\u00e1rio do Pe. J\u00falio sobre o assunto<\/a>.<\/em><\/p>\n<p>1. Desejo, tamb\u00e9m no in\u00edcio deste novo ano, fazer chegar os meus votos de paz a todos e, com esta minha Mensagem, convid\u00e1-los a refletir sobre o tema: Combater a pobreza, construir a paz. J\u00e1 o meu venerado antecessor Jo\u00e3o Paulo II, na Mensagem para o Dia Mundial da Paz de 1993, sublinhara as repercuss\u00f5es negativas que acaba por ter sobre a paz a situa\u00e7\u00e3o de pobreza em que versam popula\u00e7\u00f5es inteiras. De fato, a pobreza encontra-se freq\u00fcentemente entre os fatores que favorecem ou agravam os conflitos, mesmo os conflitos armados. Estes \u00faltimos, por sua vez, alimentam tr\u00e1gicas situa\u00e7\u00f5es de pobreza. &#8220;Vai-se afirmando (&#8230;), com uma gravidade sempre maior &#8211; escrevia Jo\u00e3o Paulo II -, outra s\u00e9ria amea\u00e7a \u00e0 paz: muitas pessoas, mais ainda, popula\u00e7\u00f5es inteiras vivem hoje em condi\u00e7\u00f5es de extrema pobreza. A disparidade entre ricos e pobres tornou-se mais evidente, mesmo nas na\u00e7\u00f5es economicamente mais desenvolvidas. Trata-se de um problema que se imp\u00f5e \u00e0 consci\u00eancia da humanidade, visto que as condi\u00e7\u00f5es em que se encontra um grande n\u00famero de pessoas s\u00e3o tais que ofendem a sua dignidade natural e, conseq\u00fcentemente, comprometem o aut\u00eantico e harm\u00f4nico progresso da comunidade mundial&#8221;.(1)<\/p>\n<p>2. Neste contexto, combater a pobreza implica uma an\u00e1lise atenta do fen\u00f4meno complexo que \u00e9 a globaliza\u00e7\u00e3o. Tal an\u00e1lise \u00e9 j\u00e1 importante do ponto de vista metodol\u00f3gico, porque convida a p\u00f4r em pr\u00e1tica o fruto das pesquisas realizadas pelos economistas e soci\u00f3logos sobre tantos aspectos da pobreza. Mas a evoca\u00e7\u00e3o da globaliza\u00e7\u00e3o deveria revestir tamb\u00e9m um significado espiritual e moral, solicitando a olhar os pobres bem cientes da perspectiva que todos somos participantes de um \u00fanico projeto divino: chamados a constituir uma \u00fanica fam\u00edlia, na qual todos &#8211; indiv\u00edduos, povos e na\u00e7\u00f5es &#8211; regulem o seu comportamento segundo os princ\u00edpios de fraternidade e responsabilidade.<\/p>\n<p>Em tal perspectiva, \u00e9 preciso ter uma vis\u00e3o ampla e articulada da pobreza. Se esta fosse apenas material, para iluminar as suas principais caracter\u00edsticas, seriam suficientes as ci\u00eancias sociais que nos ajudam a medir os fen\u00f4menos baseados sobretudo em dados de tipo quantitativo. Sabemos por\u00e9m que existem pobrezas imateriais, isto \u00e9, que n\u00e3o s\u00e3o conseq\u00fc\u00eancia direta e autom\u00e1tica de car\u00eancias materiais. Por exemplo, nas sociedades ricas e avan\u00e7adas, existem fen\u00f4menos de marginaliza\u00e7\u00e3o, pobreza relacional, moral e espiritual: trata-se de pessoas desorientadas interiormente, que, apesar do bem-estar econ\u00f4mico, vivem diversas formas de transtorno. Penso, por um lado, no chamado &#8220;subdesenvolvimento moral&#8221; (2) e, por outro, nas conseq\u00fc\u00eancias negativas do &#8220;superdesenvolvimento&#8221;.(3) N\u00e3o esque\u00e7o tamb\u00e9m que muitas vezes, nas sociedades chamadas &#8220;pobres&#8221;, o crescimento econ\u00f4mico \u00e9 entravado por impedimentos culturais, que n\u00e3o permitem uma conveniente utiliza\u00e7\u00e3o dos recursos. Seja como for, n\u00e3o restam d\u00favidas de que toda a forma de pobreza imposta tem, na sua raiz, a falta de respeito pela dignidade transcendente da pessoa humana. Quando o homem n\u00e3o \u00e9 visto na integridade da sua voca\u00e7\u00e3o e n\u00e3o se respeitam as exig\u00eancias duma verdadeira &#8220;ecologia humana&#8221;,(4) desencadeiam-se tamb\u00e9m as din\u00e2micas perversas da pobreza, como \u00e9 evidente em alguns \u00e2mbitos sobre os quais passo a deter brevemente a minha aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Pobreza e implica\u00e7\u00f5es morais<\/p>\n<p>3. A pobreza aparece muitas vezes associada, como se fosse sua causa, com o desenvolvimento demogr\u00e1fico. Em conseq\u00fc\u00eancia disso, realizam-se campanhas de redu\u00e7\u00e3o da natalidade, promovidas a n\u00edvel internacional, at\u00e9 com m\u00e9todos que n\u00e3o respeitam a dignidade da mulher nem o direito dos esposos a decidirem responsavelmente o n\u00famero dos filhos (5) e que muitas vezes &#8211; fato ainda mais grave &#8211; n\u00e3o respeitam sequer o direito \u00e0 vida. O exterm\u00ednio de milh\u00f5es de nascituros, em nome da luta \u00e0 pobreza, constitui na realidade a elimina\u00e7\u00e3o dos mais pobres dentre os seres humanos. Contra tal presun\u00e7\u00e3o, fala o dado seguinte: enquanto, em 1981, cerca de 40% da popula\u00e7\u00e3o mundial vivia abaixo da linha de pobreza absoluta, hoje tal percentagem aparece substancialmente reduzida a metade, tendo sa\u00eddo da pobreza popula\u00e7\u00f5es caracterizadas precisamente por um incremento demogr\u00e1fico not\u00e1vel. O dado agora assinalado p\u00f5e em evid\u00eancia que existiriam os recursos para se resolver o problema da pobreza, mesmo no caso de um crescimento da popula\u00e7\u00e3o. E n\u00e3o se h\u00e1 de esquecer que, desde o fim da segunda guerra mundial at\u00e9 hoje, a popula\u00e7\u00e3o da terra cresceu quatro mil milh\u00f5es e tal fen\u00f4meno diz respeito, em larga medida, a pa\u00edses que surgiram recentemente na cena internacional como novas pot\u00eancias econ\u00f4micas e conheceram um r\u00e1pido desenvolvimento gra\u00e7as precisamente ao elevado n\u00famero dos seus habitantes. Al\u00e9m disso, dentre as na\u00e7\u00f5es que mais se desenvolveram, aquelas que det\u00eam maiores \u00edndices de natalidade gozam de melhores potencialidades de progresso. Por outras palavras, a popula\u00e7\u00e3o confirma-se como uma riqueza e n\u00e3o como um fator de pobreza.<\/p>\n<p>4. Outro \u00e2mbito de preocupa\u00e7\u00e3o s\u00e3o as pandemias, como por exemplo a mal\u00e1ria, a tuberculose e a SIDA, pois, na medida em que atingem os sectores produtivos da popula\u00e7\u00e3o, influem enormemente no agravamento das condi\u00e7\u00f5es gerais do pa\u00eds. As tentativas para travar as conseq\u00fc\u00eancias destas doen\u00e7as na popula\u00e7\u00e3o nem sempre alcan\u00e7am resultados significativos. E sucede al\u00e9m disso que os pa\u00edses afetados por algumas dessas pandemias se v\u00eaem, ao querer enfrent\u00e1-las, sujeitos a chantagem por parte de quem condiciona a ajuda econ\u00f4mica \u00e0 atua\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas contr\u00e1rias \u00e0 vida. Sobretudo a SIDA, dram\u00e1tica causa de pobreza, \u00e9 dif\u00edcil combat\u00ea-la se n\u00e3o se enfrentarem as problem\u00e1ticas morais associadas com a difus\u00e3o do v\u00edrus. \u00c9 preciso, antes de tudo, fomentar campanhas que eduquem, especialmente os jovens, para uma sexualidade plenamente respeitadora da dignidade da pessoa; iniciativas realizadas nesta linha j\u00e1 deram frutos significativos, fazendo diminuir a difus\u00e3o da SIDA. Depois h\u00e1 que colocar \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m das popula\u00e7\u00f5es pobres os rem\u00e9dios e os tratamentos necess\u00e1rios; isto sup\u00f5e uma decidida promo\u00e7\u00e3o da pesquisa m\u00e9dica e das inova\u00e7\u00f5es terap\u00eauticas e, quando for preciso, uma aplica\u00e7\u00e3o flex\u00edvel das regras internacionais de prote\u00e7\u00e3o da propriedade intelectual, de modo que a todos fiquem garantidos os necess\u00e1rios tratamentos sanit\u00e1rios de base.<\/p>\n<p>5. Terceiro \u00e2mbito, que \u00e9 objeto de aten\u00e7\u00e3o nos programas de luta contra a pobreza e que mostra a sua intr\u00ednseca dimens\u00e3o moral, \u00e9 a pobreza das crian\u00e7as. Quando a pobreza atinge uma fam\u00edlia, as crian\u00e7as s\u00e3o as suas v\u00edtimas mais vulner\u00e1veis: atualmente quase metade dos que vivem em pobreza absoluta \u00e9 constitu\u00edda por crian\u00e7as. O fato de olhar a pobreza colocando-se da parte das crian\u00e7as induz a reter como priorit\u00e1rios os objetivos que mais diretamente lhes dizem respeito, como por exemplo os cuidados maternos, o servi\u00e7o educativo, o acesso \u00e0s vacinas, aos cuidados m\u00e9dicos e \u00e0 \u00e1gua pot\u00e1vel, a defesa do ambiente e sobretudo o empenho na defesa da fam\u00edlia e da estabilidade das rela\u00e7\u00f5es no seio da mesma. Quando a fam\u00edlia se debilita, os danos recaem inevitavelmente sobre as crian\u00e7as. Onde n\u00e3o \u00e9 tutelada a dignidade da mulher e da m\u00e3e, a ressentir-se do fato s\u00e3o de novo principalmente os filhos.<\/p>\n<p>6. Quarto \u00e2mbito que, do ponto de vista moral, merece particular aten\u00e7\u00e3o \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o existente entre desarmamento e progresso. Gera preocupa\u00e7\u00e3o o atual n\u00edvel global de despesa militar. \u00c9 que, como j\u00e1 tive ocasi\u00e3o de sublinhar, &#8220;os ingentes recursos materiais e humanos empregados para as despesas militares e para os armamentos, na realidade, s\u00e3o desviados dos projetos de desenvolvimento dos povos, especialmente dos mais pobres e necessitados de ajuda. E isto est\u00e1 contra o estipulado na pr\u00f3pria Carta das Na\u00e7\u00f5es Unidas, que empenha a comunidade internacional, e cada um dos Estados em particular, a \u2018promover o estabelecimento e a manuten\u00e7\u00e3o da paz e da seguran\u00e7a internacional com o m\u00ednimo disp\u00eandio dos recursos humanos e econ\u00f4micos mundiais para os armamentos&#8221; (art. 26)&#8221;.(6)<\/p>\n<p>Uma tal conjuntura, longe de facilitar, obstaculiza seriamente a consecu\u00e7\u00e3o dos grandes objetivos de desenvolvimento da comunidade internacional. Al\u00e9m disso, um excessivo aumento da despesa militar corre o risco de acelerar uma corrida aos armamentos que provoca faixas de subdesenvolvimento e desespero, transformando-se assim, paradoxalmente, em fator de instabilidade, tens\u00e3o e conflito. Como sensatamente afirmou o meu venerado antecessor Paulo VI, &#8220;o desenvolvimento \u00e9 o novo nome da paz&#8221;.(7) Por isso, os Estados s\u00e3o chamados a fazer uma s\u00e9ria reflex\u00e3o sobre as raz\u00f5es mais profundas dos conflitos, freq\u00fcentemente ati\u00e7ados pela injusti\u00e7a, e a tomar provid\u00eancias com uma corajosa autocr\u00edtica. Se se chegar a uma melhoria das rela\u00e7\u00f5es, isso dever\u00e1 consentir uma redu\u00e7\u00e3o das despesas para armamentos. Os recursos poupados poder\u00e3o ser destinados para projetos de desenvolvimento das pessoas e dos povos mais pobres e necessitados: o esfor\u00e7o despendido em tal dire\u00e7\u00e3o \u00e9 um servi\u00e7o \u00e0 paz no seio da fam\u00edlia humana.<\/p>\n<p>7. Quinto \u00e2mbito na referida luta contra a pobreza material diz respeito \u00e0 crise alimentar atual, que p\u00f5e em perigo a satisfa\u00e7\u00e3o das necessidades de base. Tal crise \u00e9 caracterizada n\u00e3o tanto pela insufici\u00eancia de alimento, como sobretudo pela dificuldade de acesso ao mesmo e por fen\u00f4menos especulativos e, conseq\u00fcentemente, pela falta de um reajustamento de institui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e econ\u00f4micas que seja capaz de fazer frente \u00e0s necessidades e \u00e0s emerg\u00eancias. A m\u00e1 nutri\u00e7\u00e3o pode tamb\u00e9m provocar graves danos psicof\u00edsicos nas popula\u00e7\u00f5es, privando muitas pessoas das energias de que necessitam para sair, sem especiais ajudas, da sua situa\u00e7\u00e3o de pobreza. E isto contribui para alargar a dist\u00e2ncia angular das desigualdades, provocando rea\u00e7\u00f5es que correm o risco de tornar-se violentas. Todos os dados sobre o andamento da pobreza relativa nos \u00faltimos dec\u00eanios indicam um aumento do fosso entre ricos e pobres. Causas principais de tal fen\u00f4meno s\u00e3o, sem d\u00favida, por um lado a evolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, cujos benef\u00edcios se concentram na faixa superior da distribui\u00e7\u00e3o do rendimento, e por outro a din\u00e2mica dos pre\u00e7os dos produtos industriais, que crescem muito mais rapidamente do que os pre\u00e7os dos produtos agr\u00edcolas e das mat\u00e9rias primas na posse dos pa\u00edses mais pobres. Isto faz com que a maior parte da popula\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses mais pobres sofra uma dupla marginaliza\u00e7\u00e3o, ou seja, em termos de rendimentos mais baixos e de pre\u00e7os mais altos.<\/p>\n<p>Luta contra a pobreza e solidariedade global<\/p>\n<p>8. Uma das estradas mestras para construir a paz \u00e9 uma globaliza\u00e7\u00e3o que tenha em vista os interesses da grande fam\u00edlia humana.(8) Mas, para guiar a globaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 preciso uma forte solidariedade global (9) entre pa\u00edses ricos e pa\u00edses pobres, como tamb\u00e9m no \u00e2mbito interno de cada uma das na\u00e7\u00f5es, incluindo ricas. \u00c9 necess\u00e1rio um &#8220;c\u00f3digo \u00e9tico comum&#8221;,(10) cujas normas n\u00e3o tenham apenas car\u00e1ter convencional mas estejam radicadas na lei natural inscrita pelo Criador na consci\u00eancia de todo o ser humano (cf. Rm 2, 14-15). Porventura n\u00e3o sente cada um de n\u00f3s, no \u00edntimo da consci\u00eancia, o apelo a dar a pr\u00f3pria contribui\u00e7\u00e3o para o bem comum e a paz social? A globaliza\u00e7\u00e3o elimina determinadas barreiras, mas isto n\u00e3o significa que n\u00e3o possa construir outras novas; aproxima os povos, mas a proximidade geogr\u00e1fica e temporal n\u00e3o cria, de per si, as condi\u00e7\u00f5es para uma verdadeira comunh\u00e3o e uma paz aut\u00eantica. A marginaliza\u00e7\u00e3o dos pobres da terra s\u00f3 pode encontrar v\u00e1lidos instrumentos de resgate na globaliza\u00e7\u00e3o, se cada homem se sentir pessoalmente atingido pelas injusti\u00e7as existentes no mundo e pelas viola\u00e7\u00f5es dos direitos humanos ligadas com elas. A Igreja, que \u00e9 &#8220;sinal e instrumento da \u00edntima uni\u00e3o com Deus e da unidade de todo o g\u00eanero humano&#8221;,(11) continuar\u00e1 a dar a sua contribui\u00e7\u00e3o para que sejam superadas as injusti\u00e7as e incompreens\u00f5es e se chegue a construir um mundo mais pac\u00edfico e solid\u00e1rio.<\/p>\n<p>9. No campo do com\u00e9rcio internacional e das transa\u00e7\u00f5es financeiras, temos hoje em a\u00e7\u00e3o processos que permitem integrar positivamente as economias, contribuindo para o melhoramento das condi\u00e7\u00f5es gerais; mas h\u00e1 tamb\u00e9m processos de sentido oposto, que dividem e marginalizam os povos, criando perigosas premissas para guerras e conflitos. Nos dec\u00eanios posteriores \u00e0 segunda guerra mundial, o com\u00e9rcio internacional de bens e servi\u00e7os cresceu de forma extraordinariamente r\u00e1pida, com um dinamismo sem precedentes na hist\u00f3ria. Grande parte do com\u00e9rcio mundial interessou os pa\u00edses de antiga industrializa\u00e7\u00e3o, vindo significativamente juntar-se-lhes muitos pa\u00edses que sobressa\u00edram tornando-se relevantes. Mas h\u00e1 outros pa\u00edses de rendimento baixo que est\u00e3o ainda gravemente marginalizados dos fluxos comerciais. O seu crescimento ressentiu-se negativamente com a r\u00e1pida descida verificada, nos \u00faltimos dec\u00eanios, nos pre\u00e7os dos produtos prim\u00e1rios, que constituem a quase totalidade das suas exporta\u00e7\u00f5es. Nestes pa\u00edses, em grande parte africanos, a depend\u00eancia das exporta\u00e7\u00f5es de produtos prim\u00e1rios continua a constituir um poderoso fator de risco. Quero reiterar aqui um apelo para que todos os pa\u00edses tenham as mesmas possibilidades de acesso ao mercado mundial, evitando exclus\u00f5es e marginaliza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>10. Id\u00eantica reflex\u00e3o pode fazer-se a prop\u00f3sito do mercado financeiro, que toca um dos aspectos prim\u00e1rios do fen\u00f4meno da globaliza\u00e7\u00e3o, devido ao progresso da eletr\u00f4nica e \u00e0s pol\u00edticas de liberaliza\u00e7\u00e3o dos fluxos de dinheiro entre os diversos pa\u00edses. A fun\u00e7\u00e3o objetivamente mais importante do mercado financeiro, que \u00e9 a de sustentar a longo prazo a possibilidade de investimentos e conseq\u00fcentemente de desenvolvimento, aparece hoje muito fr\u00e1gil: sofre as conseq\u00fc\u00eancias negativas de um sistema de transa\u00e7\u00f5es financeiras &#8211; a n\u00edvel nacional e global &#8211; baseadas sobre uma l\u00f3gica de brev\u00edssimo prazo, que busca o incremento do valor das atividades financeiras e se concentra na gest\u00e3o t\u00e9cnica das diversas formas de risco. A pr\u00f3pria crise recente demonstra como a atividade financeira seja \u00e0s vezes guiada por l\u00f3gicas puramente auto-referenciais e desprovidas de considera\u00e7\u00e3o pelo bem comum a longo prazo. O nivelamento dos objetivos dos operadores financeiros globais para o brev\u00edssimo prazo reduz a capacidade de o mercado financeiro realizar a sua fun\u00e7\u00e3o de ponte entre o presente e o futuro: apoio \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de novas oportunidades de produ\u00e7\u00e3o e de trabalho a longo prazo. Uma atividade financeira confinada no breve e brev\u00edssimo prazo torna-se perigosa para todos, inclusivamente para quem consegue beneficiar dela durante as fases de euforia financeira.(12)<\/p>\n<p>11. Segue-se de tudo isto que a luta contra a pobreza requer uma coopera\u00e7\u00e3o nos planos econ\u00f4mico e jur\u00eddico que permita \u00e0 comunidade internacional e especialmente aos pa\u00edses pobres individuarem e atuarem solu\u00e7\u00f5es coordenadas para enfrentar os referidos problemas atrav\u00e9s da realiza\u00e7\u00e3o de um quadro jur\u00eddico eficaz para a economia. Al\u00e9m disso, requer est\u00edmulos para se criarem institui\u00e7\u00f5es eficientes e participativas, bem como apoios para lutar contra a criminalidade e promover uma cultura da legalidade. Por outro lado, n\u00e3o se pode negar que, na origem de muitos falimentos na ajuda aos pa\u00edses pobres, est\u00e3o as pol\u00edticas vincadamente assistencialistas. Investir na forma\u00e7\u00e3o das pessoas e desenvolver de forma integrada uma cultura espec\u00edfica da iniciativa parece ser atualmente o verdadeiro projeto a m\u00e9dio e longo prazo. Se as atividades econ\u00f4micas precisam de um contexto favor\u00e1vel para se desenvolver, isto n\u00e3o significa que a aten\u00e7\u00e3o se deva desinteressar dos problemas do rendimento. Embora se tenha oportunamente sublinhado que o aumento do rendimento pro capite n\u00e3o pode de forma alguma constituir o fim da a\u00e7\u00e3o pol\u00edtico-econ\u00f4mica, todavia n\u00e3o se deve esquecer que o mesmo representa um instrumento importante para se alcan\u00e7ar o objetivo da luta contra a fome e contra a pobreza absoluta. Deste ponto de vista, seja banida a ilus\u00e3o de que uma pol\u00edtica de pura redistribui\u00e7\u00e3o da riqueza existente possa resolver o problema de maneira definitiva. De fato, numa economia moderna, o valor da riqueza depende em medida determinante da capacidade de criar rendimento presente e futuro. Por isso, a cria\u00e7\u00e3o de valor surge como um elo imprescind\u00edvel, que se h\u00e1- de ter em conta se se quer lutar contra a pobreza material de modo eficaz e duradouro.<\/p>\n<p>12. Colocar os pobres em primeiro lugar implica, finalmente, que se reserve espa\u00e7o adequado para uma correta l\u00f3gica econ\u00f4mica por parte dos agentes do mercado internacional, uma correta l\u00f3gica pol\u00edtica por parte dos agentes institucionais e uma correta l\u00f3gica participativa capaz de valorizar a sociedade civil local e internacional. Hoje os pr\u00f3prios organismos internacionais reconhecem o valor e a vantagem das iniciativas econ\u00f4micas da sociedade civil ou das administra\u00e7\u00f5es locais para favorecer o resgate e a integra\u00e7\u00e3o na sociedade daquelas faixas da popula\u00e7\u00e3o que muitas vezes est\u00e3o abaixo do limiar de pobreza extrema mas, ao mesmo tempo, dificilmente se consegue fazer-lhes chegar as ajudas oficiais. A hist\u00f3ria do progresso econ\u00f4mico do s\u00e9culo XX ensina que boas pol\u00edticas de desenvolvimento s\u00e3o confiadas \u00e0 responsabilidade dos homens e \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de positivas sinergias entre mercados, sociedade civil e Estados. Particularmente a sociedade civil assume um papel crucial em todo o processo de desenvolvimento, j\u00e1 que este \u00e9 essencialmente um fen\u00f4meno cultural e a cultura nasce e se desenvolve nos diversos \u00e2mbitos da vida civil.(13)<\/p>\n<p>13. Como observava o meu venerado antecessor Jo\u00e3o Paulo II, a globaliza\u00e7\u00e3o &#8220;apresenta-se com uma acentuada caracter\u00edstica de ambival\u00eancia&#8221;,(14) pelo que h\u00e1- de ser dirigida com clarividente sabedoria. Faz parte de tal sabedoria ter em conta primariamente as exig\u00eancias dos pobres da terra, superando o esc\u00e2ndalo da despropor\u00e7\u00e3o que se verifica entre os problemas da pobreza e as medidas predispostas pelos homens para os enfrentar. A despropor\u00e7\u00e3o \u00e9 de ordem tanto cultural e pol\u00edtica como espiritual e moral. De fato, tais medidas det\u00eam-se freq\u00fcentemente nas causas superficiais e instrumentais da pobreza, sem chegar \u00e0s que se abrigam no cora\u00e7\u00e3o humano, como a avidez e a estreiteza de horizontes. Os problemas do desenvolvimento, das ajudas e da coopera\u00e7\u00e3o internacional s\u00e3o \u00e0s vezes enfrentados sem um verdadeiro envolvimento das pessoas, mas apenas como quest\u00f5es t\u00e9cnicas que se reduzem \u00e0 prepara\u00e7\u00e3o de estruturas, elabora\u00e7\u00e3o de acordos tarif\u00e1rios, atribui\u00e7\u00e3o de financiamentos an\u00f4nimos. Inversamente, a luta contra a pobreza precisa de homens e mulheres que vivam profundamente a fraternidade e sejam capazes de acompanhar pessoas, fam\u00edlias e comunidades por percursos de aut\u00eantico progresso humano.<\/p>\n<p>Conclus\u00e3o<\/p>\n<p>14. Na Enc\u00edclica Centesimus annus, Jo\u00e3o Paulo II advertia para a necessidade de &#8220;abandonar a mentalidade que considera os pobres &#8211; pessoas e povos &#8211; como um fardo e como importunos ma\u00e7adores, que pretendem consumir tudo o que os outros produziram&#8221;. &#8220;Os pobres &#8211; escrevia ele &#8211; pedem o direito de participar no usufruto dos bens materiais e de fazer render a sua capacidade de trabalho, criando assim um mundo mais justo e mais pr\u00f3spero para todos&#8221;.(15) No mundo global de hoje, resulta de forma cada vez mais evidente que s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel construir a paz, se se assegurar a todos a possibilidade de um razo\u00e1vel crescimento: de fato, as conseq\u00fc\u00eancias das distor\u00e7\u00f5es de sistemas injustos, mais cedo ou mais tarde, fazem-se sentir sobre todos. Deste modo, s\u00f3 a insensatez pode induzir a construir um pal\u00e1cio dourado, tendo por\u00e9m ao seu redor o deserto e o degrado. Por si s\u00f3, a globaliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o consegue construir a paz; antes, em muitos casos, cria divis\u00f5es e conflitos. A mesma p\u00f5e a descoberto sobretudo uma urg\u00eancia: a de ser orientada para um objetivo de profunda solidariedade que aponte para o bem de cada um e de todos. Neste sentido, a globaliza\u00e7\u00e3o h\u00e1 de ser vista como uma ocasi\u00e3o prop\u00edcia para realizar algo de importante na luta contra a pobreza e colocar \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a e da paz recursos at\u00e9 agora impens\u00e1veis.<\/p>\n<p>15. Desde sempre se interessou pelos pobres a doutrina social da Igreja. Nos tempos da Enc\u00edclica Rerum novarum, pobres eram sobretudo os oper\u00e1rios da nova sociedade industrial; no magist\u00e9rio social de Pio XI, Pio XII, Jo\u00e3o XXIII, Paulo VI e Jo\u00e3o Paulo II, novas pobrezas foram vindo \u00e0 luz \u00e0 medida que o horizonte da quest\u00e3o social se alargava at\u00e9 assumir dimens\u00f5es mundiais.(16) Este alargamento da quest\u00e3o social \u00e0 globalidade n\u00e3o deve ser considerado apenas no sentido duma extens\u00e3o quantitativa mas tamb\u00e9m dum aprofundamento qualitativo sobre o homem e as necessidades da fam\u00edlia humana. Por isso a Igreja, ao mesmo tempo que segue com aten\u00e7\u00e3o os fen\u00f4menos atuais da globaliza\u00e7\u00e3o e a sua incid\u00eancia sobre as pobrezas humanas, aponta os novos aspectos da quest\u00e3o social, n\u00e3o s\u00f3 em extens\u00e3o mas tamb\u00e9m em profundidade, no que se refere \u00e0 identidade do homem e \u00e0 sua rela\u00e7\u00e3o com Deus. S\u00e3o princ\u00edpios de doutrina social que tendem a esclarecer os v\u00ednculos entre pobreza e globaliza\u00e7\u00e3o e a orientar a a\u00e7\u00e3o para a constru\u00e7\u00e3o da paz. Dentre tais princ\u00edpios, vale a pena recordar aqui, de modo particular, o &#8220;amor preferencial pelos pobres&#8221;,(17) \u00e0 luz do primado da caridade testemunhado por toda a tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3 a partir dos prim\u00f3rdios da Igreja (cf. At 4, 32-37; 1 Cor 16, 1; 2 Cor 8-9; Gal 2, 10).<\/p>\n<p>&#8220;Cada um entregue-se \u00e0 tarefa que lhe incumbe com a maior dilig\u00eancia poss\u00edvel&#8221; &#8211; escrevia em 1891 Le\u00e3o XIII, acrescentando: &#8220;Quanto \u00e0 Igreja, a sua a\u00e7\u00e3o n\u00e3o faltar\u00e1 em nenhum momento&#8221;.(18) Esta consci\u00eancia acompanha hoje tamb\u00e9m a a\u00e7\u00e3o da Igreja em favor dos pobres, nos quais v\u00ea Cristo,(19) sentindo ressoar constantemente em seu cora\u00e7\u00e3o o mandato do Pr\u00edncipe da paz aos Ap\u00f3stolos: &#8220;Vos date illis manducare &#8211; dai-lhes v\u00f3s mesmos de comer&#8221; (Lc 9, 13). Fiel a este convite do seu Senhor, a Comunidade Crist\u00e3 n\u00e3o deixar\u00e1, pois, de assegurar o seu apoio \u00e0 fam\u00edlia humana inteira nos seus impulsos de solidariedade criativa, tendentes n\u00e3o s\u00f3 a partilhar o sup\u00e9rfluo, mas sobretudo a alterar &#8220;os estilos de vida, os modelos de produ\u00e7\u00e3o e de consumo, as estruturas consolidadas de poder que hoje regem as sociedades&#8221;.(20) Assim, a cada disc\u00edpulo de Cristo bem como a toda a pessoa de boa vontade, dirijo, no in\u00edcio de um novo ano, um caloroso convite a alargar o cora\u00e7\u00e3o \u00e0s necessidades dos pobres e a fazer tudo o que lhe for concretamente poss\u00edvel para ir em seu socorro. De fato, aparece como indiscutivelmente verdadeiro o axioma &#8220;combater a pobreza \u00e9 construir a paz&#8221;.<\/p>\n<p>Vaticano, 8 de Dezembro de 2008.<br \/>\nBENEDICTUS PP. XVI<\/p>\n<p>Notas:<\/p>\n<p>(1) Mensagem para o Dia Mundial da Paz de 1993, 1.<br \/>\n(2) Paulo VI, Carta enc. Populorum progressio, 19.<br \/>\n(3) Jo\u00e3o Paulo II, Carta enc. Sollicitudo rei socialis, 28.<br \/>\n(4) Jo\u00e3o Paulo II, Carta enc. Centesimus annus, 38.<br \/>\n(5) Cf. Paulo VI, Carta enc. Populorum progressio, 37; Jo\u00e3o Paulo II, Carta enc. Sollicitudo rei socialis, 25.<br \/>\n(6) Bento XVI, Carta ao Cardeal Renato Rafael Martino por ocasi\u00e3o do Semin\u00e1rio Internacional organizado pelo Conselho Pontif\u00edcio \u00ab Justi\u00e7a e Paz \u00bb sobre o tema \u00ab Desarmamento, desenvolvimento e paz. Perspectivas para um desarmamento integral \u00bb, 10 de Abril de 2008: L&#8217;Osservatore Romano (13\/IV\/2008), p. 8.<br \/>\n(7) Carta enc. Populorum progressio, 87.<br \/>\n(8) Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta enc. Centesimus annus, 58.<br \/>\n(9) Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Discurso na Audi\u00eancia \u00e0s Associa\u00e7\u00f5es Crist\u00e3s de Trabalhadores Italianos [ACLI] (27 de Abril de 2002), 4: Insegnamenti di Giovanni Paolo II, XXV\/1 [2002], 637.<br \/>\n(10) Jo\u00e3o Paulo II, Discurso \u00e0 Assembl\u00e9ia Plen\u00e1ria da Academia Pontif\u00edcia das Ci\u00eancias Sociais (27 de Abril de 2001), 4: Insegnamenti di Giovanni Paolo II, XXIV\/1 [2001], 802.<br \/>\n(11) Conc\u00edlio Ecum. Vaticano II, Const. dogm. Lumen gentium, 1.<br \/>\n(12) Cf. Conselho Pontif\u00edcio \u00ab Justi\u00e7a e Paz \u00bb, Comp\u00eandio da Doutrina Social da Igreja, 368.<br \/>\n(13) Cf. ibid., 356.<br \/>\n(14) Discurso na Audi\u00eancia a Dirigentes de Sindicatos de Trabalhadores e de grandes Empresas, (2 de Maio de 2000), 3: Insegnamenti di Giovanni Paolo II, XXIII\/1 [2000], 726.<br \/>\n(15) N. 28.<br \/>\n(16) Cf. Paulo VI, Carta enc. Populorum progressio, 3.<br \/>\n(17) Jo\u00e3o Paulo II, Carta enc. Sollicitudo rei socialis, 42; cf. Carta enc. Centesimus annus, 57.<br \/>\n(18) Le\u00e3o XIII, Carta enc. Rerum novarum, 45.<br \/>\n(19) Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta enc. Centesimus annus, 58.<br \/>\n(20) Ibid., 58.<\/p>\n<div id=\"themify_builder_content-1104\" data-postid=\"1104\" class=\"themify_builder_content themify_builder_content-1104 themify_builder themify_builder_front\">\n\t<\/div>\n<!-- \/themify_builder_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>* Mensagem de Sua Santidade Bento XVI para a celebra\u00e7\u00e3o do Dia Mundial da Paz, 1\u00ba de janeiro de 2009 Leia tamb\u00e9m: artigo de D. Dem\u00e9trio Valentini, bispo de Jales e o coment\u00e1rio do Pe. J\u00falio sobre o assunto. 1. 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