
{"id":11120,"date":"2017-10-04T00:46:50","date_gmt":"2017-10-04T03:46:50","guid":{"rendered":"http:\/\/www.oarcanjo.net\/site\/?p=11120"},"modified":"2017-07-31T16:09:37","modified_gmt":"2017-07-31T19:09:37","slug":"sao-francisco-de-assis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.oarcanjo.net\/site\/sao-francisco-de-assis\/","title":{"rendered":"S\u00e3o Francisco de Assis"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-52397\" src=\"http:\/\/www.oarcanjo.net\/site\/wp-content\/uploads\/Sao-Francisco-Assis.jpg\" alt=\"S\u00e3o Francisco de Assis\" width=\"298\" height=\"250\" \/><\/p>\n<p>04 de Outubro<\/p>\n<p>Fundou a Ordem dos Franciscanos a Ordem dos Capuchinhos e a Ordem dos Franciscano Conventuais<\/p>\n<h3>A vida de S\u00e3o Francisco de Assis<\/h3>\n<h3>Nascimento e vida familiar de um cavaleiro<\/h3>\n<p>Francisco nasceu em Assis, cidade de \u00dambria, no ano 1182.<\/p>\n<p>Seu pai, Pedro Bernardone, era comerciante. O nome de sua m\u00e3e era Pia e alguns autores afirmam que pertencia a uma nobre fam\u00edlia da Proven\u00e7a. Tanto o pai como a m\u00e3e de Francisco eram pessoas ricas. Pedro Bernardone comerciava especialmente na Fran\u00e7a. Como muitos falavam nisso quando nasceu seu filho, as pessoas lhe apelidara &#8220;Francesco&#8221; (em franc\u00eas), por mais que no batismo recebeu o nome de Jo\u00e3o. Em sua juventude, Francisco era muito dado as rom\u00e2nticas tradi\u00e7\u00f5es cavalerescas que propagavam os trovadores.\u00a0Dispunha de dinheiro em abund\u00e2ncia e o gastava prodigamente, com ostenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Nem os neg\u00f3cios de seu pai, nem os estudos lhe interessavam muito, mas sim o divertir-se em coisas v\u00e3s que comumente se chama &#8220;gozar da vida&#8221;. Sem d\u00favida, n\u00e3o era de costumes licenciosos e costumava ser muito generoso com os pobres que lhe pediam por amor de Deus.<\/p>\n<h3>Acha de um tesouro<\/h3>\n<p>Quando Francisco tinha uns vinte anos, iniciou a disc\u00f3rdia entre as cidades de Perugia e Assis e na guerra, o jovem caiu prisioneiro. A pris\u00e3o durou um ano, e Francisco a suportou alegremente. Sem d\u00favida, quando refez a liberdade, caiu gravemente enfermo. A enfermidade, na que o jovem provou uma vez mais seu paci\u00eancia, fortaleceu e madurou seu esp\u00edrito.\u00a0Quando se sentiu com for\u00e7as suficientes, determinou ir a combater no ex\u00e9rcito de Galterio e Briena no sul de It\u00e1lia. Com esse fim, se comprou uma custosa armadura e um lindo manto. Mas um dia em que passeava ataviado com seu novo traje, se topou com um cavaleiro mal vestido que havia ca\u00eddo na pobreza; movido \u00e0 compaix\u00e3o ante aquele infort\u00fanio, Francisco mudou seus ricas roupas pelos de cavaleiro pobre. Essa noite viu em sonhos um esplendido pal\u00e1cio com salas cheias de armas, sobre as qual \u00e9 se tinha gravado o sinal da cruz e lhe pareceu ouvir uma voz que lhe dizia que essas armas lhe pertenciam e a seus soldados.<\/p>\n<p>Francisco partiu a Apulia com a alma ligeira e a seguridade de triunfar, mas nunca chegou ao frente de batalha.\u00a0Em Espoleto, cidade de caminho de Assis a Roma, caiu novamente enfermo e, durante a enfermidade, ouviu uma voz celestial que lhe exortavam a &#8220;servir ao amo e no ao servo&#8221;. O jovem obedeceu. Ao principio voltou a sua antiga vida, ainda que a tomando menos a ligeira. As pessoas, ao v\u00ea-lo silencioso, lhe diziam que estava enamorado. &#8220;Sim&#8221;, replicava Francisco, &#8220;vou casar-me com uma jovem mais bela e mais formosa que todas as que conheceis&#8221;. Pouco a pouco, com a muita ora\u00e7\u00e3o, foi concebido o desejo de vender todos seus bem \u00e9 e comprar a p\u00e9rola preciosa de que fala o Evangelho. Ainda ignorava o que tinha que fazer para elo, uma serie de claras inspira\u00e7\u00f5es sobrenaturais lhe fez compreender que a batalha espiritual come\u00e7a pela mortifica\u00e7\u00e3o e a vit\u00f3ria sobre os instintos. Passando em certa ocasi\u00e3o a cavalo pela vila de Assis, encontrou a um leproso. As chagas de mendigo aterrorizaram a Francisco; mas, em vez de fugir, se acercou ao leproso, que lhe estendia a m\u00e3o para receber uma esmola. Francisco compreendeu que havia chegado o momento de dar o passo ao amor radical de Deus. A pesar de seu repulsa natural ao leproso, venceu seu vontade, se lhe acercou e lhe deu um beijo. Aquilo mudou sua vida. Foi um gesto movido pelo esp\u00edrito Santo, pedindo a Francisco uma qualidade de entrega, um &#8220;sim&#8221; que distingue aos santos dos med\u00edocres. &#8220;Francisco, repara minha Igreja, pois e a v\u00eas que est\u00e1 em ru\u00ednas&#8221; \u00b7<\/p>\n<p>A partir de ent\u00e3o, come\u00e7ou a visitar e servir aos enfermos nos hospitais. Algumas vezes presenteava aos pobres seus vestidos, outras, o dinheiro que levava.\u00a0 Em certa ocasi\u00e3o, enquanto orava na Igreja de S\u00e3o Dami\u00e3o nas aforas de Assis, lhe pareceu que o crucifixo (hoje chamado crucifixo de S\u00e3o Dami\u00e3o) lhe repetia tr\u00eas vezes: &#8220;Francisco, repara minha casa, pois olhas que est\u00e1 em ru\u00ednas&#8221;. O santo, vendo que a Igreja se achava em muito mal estado, crendo que o Senhor queria que a reparasse; assim, pois, partiu imediatamente, tomou uma boa quantidade de vestidos da tenda de seu pai e os vendeu junto com seu cavalo. Em seguida levou o dinheiro ao pobre sacerdote que se encarregava da Igreja de S\u00e3o Dami\u00e3o, e lhe pediu permiss\u00e3o de estar e viver com ele. O bom sacerdote consentiu em que Francisco ficasse com ele, mas se negou a aceitar o dinheiro.<\/p>\n<p>O jovem o depositou na janela. Pedro Bernardone, ao inteirar-se do que havia feito seu filho, se dirige indignado a S\u00e3o Dami\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas Francisco havia tido cuidado de ocultar-se.<\/p>\n<h3>Renuncia a heran\u00e7a de seu pai<\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ao cabo de alguns dias passados em ora\u00e7\u00e3o e jejum, Francisco voltou a entrar na povoado, mas estava t\u00e3o desfigurado e mal vestido, que as pessoas riam dele como se fosse um louco. Pedro Bernardone, muito desconcertado pela conduta de seu filho, lhe conduziu a sua casa, lhe golpeou furiosamente (Francisco tinha ent\u00e3o vinte e cinco anos), lhe p\u00f4s correntes nos p\u00e9s e lhe encerrou em uma casa. A m\u00e3e de Francisco se encarregou de p\u00f4-lo em liberdade quando seu marido se achava ausente e o jovem retornou a S\u00e3o Dami\u00e3o. Seu pai foi de novo a busca-lo ali, lhe golpeou na cabe\u00e7a e lhe mandou voltar imediatamente a sua casa ou a renunciar a sua heran\u00e7a e pagar o pre\u00e7o das roupas que lhe havia tomado. Francisco no teve dificuldade alguma em renunciar a heran\u00e7a, mas disse a seu pai que o dinheiro das roupas pertencia a Deus e aos pobres. Seu pai lhe obrigou a comparecer ante o Bispo Guido de Assis, quem exortou ao jovem a devolver o dinheiro e a ter confian\u00e7a em Deus: &#8220;Deus n\u00e3o deseja que sua Igreja aproveite de bens que s\u00e3o injustamente adquiridos&#8221;.<\/p>\n<p>Francisco obedeceu \u00e0 ordem do Bispo e acrescentou: &#8220;As roupas que levo pertencem tamb\u00e9m a meu pai, tenho que devolve-los&#8221;. Em seguida se desnudou e entregou suas roupas a seu pai, dizendo-lhe alegremente: &#8220;at\u00e9 agora tu tem sido meu pai na terra, mas em adiante poderei dizer: Pai nosso, que est\u00e1s nos c\u00e9us.&#8221;&#8216; Pedro Bernardone abandonou o pal\u00e1cio episcopal &#8220;tremendo de indigna\u00e7\u00e3o e profundamente aborrecido&#8221;. O Bispo regalou a Francisco um velho vestido de lavrador, que pertencia a um de seus servos.\u00a0Francisco recebeu a primeira esmola de sua vida com grande agradecimento, tra\u00e7ou a sinal da cruz sobre a roupa e se o foi.<\/p>\n<h3>Chamado a renuncia e a nega\u00e7\u00e3o<\/h3>\n<p>Em seguida, partiu em busca de um lugar conveniente para ficar. Ia cantando alegremente as gl\u00f3rias divinas pelo caminho, quando topou com uns bandoleiros que lhe perguntaram quem era.\u00a0O respondeu: &#8220;Sou o arauto de um grande Rei&#8221;. Os bandoleiros lhe golpearam e lhe atiraram em um fosso coberto de neve. Francisco prosseguiu seu caminho cantando as divinas gl\u00f3rias. Em um monast\u00e9rio obteve esmola e trabalho como se fosse um mendigo.\u00a0Quando chegou a Gubbio, uma pessoa que lhe conhecia lhe levou a sua casa e lhe deu uma t\u00fanica, um cintur\u00e3o e umas sand\u00e1lias de peregrino.\u00a0Para reparar a Igreja, foi a pedir esmola em Assis, donde todos lhe haviam conhecido rico e, naturalmente, houve de suportar as brincadeiras e o desprezo de mais de um mal intencionado. O mesmo se encarregou de transportar as pedras que faziam falta para reparar a Igreja e ajudou no trabalho.\u00a0Uma vez terminadas as repara\u00e7\u00f5es na Igreja de S\u00e3o Dami\u00e3o, Francisco empreendeu um trabalho semelhante na antiga Igreja de S\u00e3o Pedro.<\/p>\n<p>Depois, se trasladou a uma capela chamada Porci\u00fancula, que pertencia \u00e0 abadia beneditina de Monte Subasio. Provavelmente o nome da capela aludia ao feito de que estava constru\u00edda em uma reduzida parcela de terra. A Porci\u00fancula se achava a uns quatros kil\u00f4metros de Assis e, naquela \u00e9poca, estava abandonada e quase em ru\u00ednas. A tranq\u00fcilidade do lugar agradou a Francisco tanto como o titulo de Nossa Senhora dos Anjos, em cuja honra havia sido erigida \u00e0 capela. Francisco a reparou e fixou nela sua resid\u00eancia.\u00a0Ali lhe mostrou finalmente o c\u00e9u o que esperava por ele, no dia da festa de S\u00e3o Matias de ano 1209. Naquela \u00e9poca, o evangelho da Missa da festa dizia: &#8220;Ide a pregar, dizendo: o Reino de Deus tinha chegado. Dai gratuitamente o que haveis recebido gratuitamente.\u00a0N\u00e3o possuas ouro, nem duas t\u00fanicas, nem sand\u00e1lias. Aqui que vos envio como Cordeiros em meio dos lobos&#8221;. Estas palavras penetraram at\u00e9 o mais profundo no cora\u00e7\u00e3o de Francisco e este, aplicando-as literalmente, tirou seus sand\u00e1lias, e seu cintur\u00e3o e ficou somente com a pobre t\u00fanica cingida com um cord\u00e3o. Tal foi o h\u00e1bito que deu a seus irm\u00e3os um ano mais tarde: a t\u00fanica de l\u00e3 dos pastores e camponeses da regi\u00e3o. Vestido dessa forma come\u00e7ou a exortar a penit\u00eancia com tal energia, que suas palavras enchiam os cora\u00e7\u00f5es de seus ouvintes. Quando se topava com algu\u00e9m no caminho, lhe saudava com estas palavras: &#8220;A paz de Senhor seja contigo&#8221;.<\/p>\n<h3>Dons Extraordin\u00e1rios<\/h3>\n<p>Deus lhe havia concedido e a o dom de profecia e o dom de milagres. Quando pedia esmola para reparar a Igreja de S\u00e3o Dami\u00e3o, costumava dizer: &#8220;ajudai-me a terminar esta Igreja.\u00a0 um dia haver\u00e1 ali um convento de religiosas em cujo bom nome se glorificar\u00e3o o Senhor e a universal Igreja&#8221;.<\/p>\n<p>A profecia se verificou cinco anos mais tarde em Santa Clara e seus religiosas. Um habitante de Espoleto sofria de um c\u00e2ncer que lhe havia desfigurado horrivelmente o rosto. Em certa ocasi\u00e3o, ao cruzar com S\u00e3o Francisco, o homem tentou jogar-se a seus p\u00e9s, mas o santo teve piedade e lhe beijou no rosto. O enfermo ficou instantaneamente curado. S\u00e3o Boas Ventura comentava a este prop\u00f3sito: &#8220;N\u00e3o se h\u00e1, que admirar mais o beijo ou o milagre &#8220;.<\/p>\n<h3>Nova ordem religiosa e visita ao Papa<\/h3>\n<p>Francisco teve numerosos seguidores e alguns queriam fazer se disc\u00edpulos seus.\u00a0O primeiro disc\u00edpulo foi Bernardo de Quintavale, um rico comerciante de Assis.\u00a0Ao principio Bernardo via com curiosidade a evolu\u00e7\u00e3o de Francisco e com freq\u00fc\u00eancia lhe visitava a sua casa, donde lhe tinha sempre preparado um leito. Bernardo se fingia dormido para observar como o servo de Deus se levantava silenciosamente e passava largo tempo em ora\u00e7\u00e3o, repetindo estas palavras: &#8220;Meu Deus e meu tudo&#8221;. Ao fim, compreendeu que Francisco era &#8220;verdadeiramente um homem de Deus e em seguida lhe suplicou que lhe admitisse como disc\u00edpulo. Desde ent\u00e3o, juntos assistiam a Missa e estudavam a Sagrada Escritura para conhecer a vontade de Deus. Como as indica\u00e7\u00f5es da B\u00edblia concordavam com seus prop\u00f3sitos, Bernardo vendeu quanto tinha e repartiu o produto entre os pobres. Pedro de Cataneo, c\u00f4nego da catedral de Assis, pediu tamb\u00e9m a Francisco que lhe admitisse como disc\u00edpulo e o santo lhes &#8220;concedeu o h\u00e1bito&#8221; aos dois juntos, o 16 de abril de 1209.<\/p>\n<p>O terceiro companheiro de S\u00e3o Francisco foi o irm\u00e3o Gil, famoso por seu grande sensatez e sabedoria espiritual. Em 1210, quando o grupo contava e a com doze membros, Francisco relatou uma regra breve e informal que consistia principalmente nos conselhos evang\u00e9licos para alcan\u00e7ar a perfei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Com ela se foram a Roma apresenta-la para aprova\u00e7\u00e3o de Sumo Pont\u00edfice. Viajaram a p\u00e9, cantando e rezando, cheios de felicidade, e vivendo das esmolas que as gentes lhes davam. Em Roma n\u00e3o queriam aprovar esta comunidade porque lhes parecia demasiado r\u00edgida quanto a pobreza, mas ao fim um cardeal disse: &#8220;N\u00e3o lhes podemos proibir que vivam como mandou Cristo no evangelho&#8221;. Receberam a aprova\u00e7\u00e3o, e voltaram a Assis a viver em pobreza, em ora\u00e7\u00e3o, em santa alegria e grande fraternidade, junto a Igreja da Porci\u00fancula.<\/p>\n<p>Inoc\u00eancio III se mostrou adverso ao principio. Por outra parte, muitos cardeais opinavam que as ordens religiosas e a existentes necessitavam de reforma, n\u00e3o de multiplica\u00e7\u00e3o e que a nova maneira de conceber a pobreza era impratic\u00e1vel. O cardeal Jo\u00e3o Colonna achegou em favor de Francisco que sua regra expressava os mesmos conselhos com que o Evangelho exortavam a perfei\u00e7\u00e3o. Mais tarde, o Papa relatou a seu sobrinho, quem a sua vez o comunicou a S\u00e3o boa ventura, que havia visto em sonhos uma palmeira que crescia rapidamente e depois, havia visto a Francisco sustentando com seu corpo a bas\u00edlica que estava a ponto de cair. Cinco anos depois, o mesmo Pont\u00edfice teria um sonho semelhante a prop\u00f3sito de Santo Domingo. Inoc\u00eancio III mandou, pois, chamar a Francisco e aprovou verbalmente sua regra; em seguida lhe imp\u00f4s o corte dos cabelos, assim como aos seus companheiros e lhes deu por miss\u00e3o pregar a penit\u00eancia.<\/p>\n<h3>A Porci\u00fancula<\/h3>\n<p>S\u00e3o Francisco e seus companheiros se mudaram provisoriamente a uma cabana, fora de Assis, de donde saiam a pregar por toda a regi\u00e3o. Pouco depois, tiveram dificuldades com um campon\u00eas que reclamava a cabana para usa-la como est\u00e1bulo de seu asno. Francisco respondeu: &#8221; Deus n\u00e3o nos tinha chamado a preparar est\u00e1bulos para os asnos&#8221;, e em seguida abandonou o lugar e partiu para ver o abade de Monte Subasio. Em 1212, o abade deu a Francisco a capela da Porci\u00fancula, na condi\u00e7\u00e3o de que a conservasse sempre como a Igreja principal da nova ordem. O santo se negou a aceitar a propriedade da capela e apenas a admitiu emprestada. Em prova de que a Porci\u00fancula continuava como propriedade dos beneditinos, Francisco lhes enviava cada ano, a maneira de recompensa pelo pr\u00e9stimo, uma cesta de pescados colhidos no riacho vizinho. Por seu parte, os beneditinos correspondiam enviando-lhe um tonel de azeite. Tal costume ainda existe entre os franciscanos de Santa Maria dos Anjos e os beneditinos de S\u00e3o Pedro de Assis.<\/p>\n<p>Ao redor da Porci\u00fancula, os frades constru\u00edram v\u00e1rias cabanas primitivas, porque S\u00e3o Francisco n\u00e3o permitia que a ordem em geral e os conventos em particular, possu\u00edssem bens temporais. Havia feito da pobreza o fundamento de sua ordem e seu amor a pobreza se manifestava em sua maneira de vestir-se, nos utens\u00edlios que usava em cada um de seus atos. Costumava chamar a seu corpo &#8220;o irm\u00e3o asno&#8221;, porque o considerava como feito para transportar carga, para receber golpes e para comer pouco e mal.<\/p>\n<p>Quando via ocioso a algum frade, lhe chamava &#8220;irm\u00e3o mosca&#8221; porque em vez de cooperar com os demais atrapalhava o trabalho dos outros.<\/p>\n<p>Pouco antes de morrer, considerando que o homem est\u00e1 obrigado a tratar com caridade a seu corpo, Francisco pediu perd\u00e3o ao seu corpo por ter o tratado talvez com demasiado rigor. O santo se havia oposto sempre as austeridades indiscretas e exageradas. Em certa ocasi\u00e3o, vendo que um frade havia perdido o sono por causa de excessivo jejum, Francisco lhe levou alimento e comeu com ele para que se sentisse menos mortificado.<\/p>\n<h3>Deus lhe outorga sabedoria.<\/h3>\n<p>A principio de sua convers\u00e3o, vendo se atacado de violentas tenta\u00e7\u00f5es de impureza, saia a deitar-se desnudo sobre a neve. Certa vez em que a tenta\u00e7\u00e3o foi todavia mais violenta que de costume, o santo se disciplinou furiosamente; como isso n\u00e3o bastasse para acabar com ela, acabou por rolar sobre as sar\u00e7as e os abrolhos. Sua humildade n\u00e3o consistia simplesmente em um desprezo sentimental de si mesmo, mas sim na convic\u00e7\u00e3o de que &#8220;ante os olhos de Deus o homem vale pelo que \u00e9 e n\u00e3o mais&#8221;. Considerando se indigno do sacerd\u00f3cio, Francisco apenas chegou a receber o diaconato.<\/p>\n<p>Detestava de todo cora\u00e7\u00e3o as singularidades. Assim quando lhe contaram que um dos frades era t\u00e3o amante do sil\u00eancio que apenas se confessava por sinais, respondeu com desgosto: &#8220;Isso n\u00e3o procede do Esp\u00edrito de Deus mas sim do dem\u00f4nio; \u00e9 uma tenta\u00e7\u00e3o e n\u00e3o um ato de virtude &#8220;. Deus iluminava a intelig\u00eancia de seu servo com uma luz de sabedoria que n\u00e3o se encontra nos livros. Quando certo frade lhe pediu permiss\u00e3o de estudar, Francisco lhe contestou que, se repetisse devo\u00e7\u00e3o o &#8220;gl\u00f3ria Patri&#8221;, chegaria a ser s\u00e1bio aos olhos de Deus e ele mesmo era o melhor exemplo da sabedoria adquirida dessa forma.<\/p>\n<h3>A Natureza<\/h3>\n<p>Seus contempor\u00e2neos falam com freq\u00fc\u00eancia do carinho de Francisco pelos animais e do poder que tinha sobre eles.<\/p>\n<h3>Aventura de amor com Deus<\/h3>\n<p>Os primeiros anos da ordem em Santa Maria dos anjos foram um per\u00edodo de treinamento na pobreza e a caridade fraternas. Os frades trabalhavam em seus of\u00edcios e nos campos vizinhos para ganhar o p\u00e3o de cada dia. Quando n\u00e3o havia trabalhou suficiente, saiam a pedir esmola de porta em porta; mas o fundador lhes havia proibido que aceitassem dinheiro. Estavam sempre prontos a servir a todo o mundo, particularmente aos leprosos. S\u00e3o Francisco insistia em que chamassem aos leprosos &#8220;meus irm\u00e3os crist\u00e3os&#8221; e aos enfermos n\u00e3o deixavam de prestar esta profunda delicadeza.<\/p>\n<h3>Santa Clara<\/h3>\n<p>Clara havia partido de Assis para seguir a Francisco, na primavera de 1212, depois de ouvi-lo pregar. O santo conseguiu estabelecer a Clara e suas companheiras em S\u00e3o Dami\u00e3o, e a comunidade de religiosas chegou a ser, para os franciscanos, o que as monjas de Prouile haviam de ser para os dominicanos.<\/p>\n<h3>Evangeliza aos maometanos<\/h3>\n<p>No outono desse ano, Francisco, n\u00e3o contente com tudo o que havia sofrido e trabalhado pelas almas na It\u00e1lia, resolveu ir evangelizar aos maometanos.<\/p>\n<p>Assim pois, se embarcou em Ancona com um companheiro rumo a S\u00edria; mas uma tempestade fez naufragar a nave na costa de Dalmacia. Como os frades n\u00e3o tinham dinheiro para prosseguir a viajem se viram obrigados a esconder se furtivamente em um navio para voltar a Ancona. Depois de pregar um ano no centro de It\u00e1lia, S\u00e3o Francisco decidiu partir novamente a pregar aos maometanos em Marrocos.\u00a0Mas Deus tinha disposto que n\u00e3o chegasse nunca a seu destino: o santo caiu enfermo na Espanha e, depois, teve que retornar a It\u00e1lia.<\/p>\n<h3>A humildade e Obedi\u00eancia<\/h3>\n<p>S\u00e3o Francisco deu a sua ordem o nome de &#8220;frades Menores&#8221; por humildade, pois queria que seus irm\u00e3os fossem os servos de todos e buscassem sempre os lugares mais humildes. Com freq\u00fc\u00eancia exortava a seus companheiros ao trabalho manual e, se bem lhes permitia pedir esmola, lhes tinha proibido que aceitassem dinheiro. Pedir esmola n\u00e3o constitu\u00eda para ele uma vergonha, era uma maneira de imitar a pobreza de Cristo. O santo n\u00e3o permitia que seus irm\u00e3os pregassem em uma diocese sem permiss\u00e3o expressa do Bispo. Entre outras coisas, disp\u00f4s que &#8220;se algum dos frades se apartava da f\u00e9 cat\u00f3lica em obras ou palavras e n\u00e3o se corrigia, deveria ser expulsado da irmandade&#8221;. Todas as cidades queriam ter o privil\u00e9gio de albergar aos novos frades, e as comunidades se multiplicaram na Umbria, Toscana, Lombardia e Ancona.<\/p>\n<h3>Cresce a ordem<\/h3>\n<p>Se conta que em 1216, Francisco solicitou do Papa Hon\u00f3rio III a indulg\u00eancia da Porci\u00fancula o &#8220;perd\u00e3o de Assis &#8220;. No ano seguinte, conheceu em Roma a Santo Domingo, quem havia pregado a f\u00e9 e a penit\u00eancia no sul da Fran\u00e7a na \u00e9poca em que Francisco era &#8220;um gentil homem de Assis &#8220;. S\u00e3o Francisco tinha tamb\u00e9m a inten\u00e7\u00e3o de ir pregar na Fran\u00e7a. Mas, como o cardeal Ugolino (quem foi mais tarde Papa com o nome de Greg\u00f3rio IX) lhe dissuadiu disso, enviou em seu lugar aos irm\u00e3os Pacifico e Agnelo. Este \u00faltimo havia de introduzir mais tarde a ordem dos frades menores na Inglaterra.<\/p>\n<p>O s\u00e1bio e bondoso cardeal Ugolino exerceu uma grande influ\u00eancia no desenvolvimento da ordem. Os companheiros de S\u00e3o Francisco eram t\u00e3o numerosos, que se imponha for\u00e7osamente certa forma de organiza\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica e de disciplina comum. Assim pois, se procedeu a dividir a ordem em prov\u00edncias, a frente de cada uma das quais se p\u00f4s um ministro, encarregado do bem espiritual dos irm\u00e3os;se algum deles chegasse a perder se pelo mal exemplo de ministro, este teria que responder por ele ante Jesus Cristo&#8221;.<\/p>\n<p>Os frades haviam cruzado os Alpes e tinham miss\u00f5es na Espanha, Alemanha e Hungria. O primeiro capitulo geral se reuniu na Porci\u00fancula, em Pentecostes do ano de 1217. Em 1219, teve lugar o capitulo &#8220;das esteiras&#8221;, assim chamado pelas cabanas que constru\u00edram precipitadamente com esteiras para albergar aos que chegavam. Se conta que se reuniram ent\u00e3o cinco mil frades. Francisco lhes insistia em que amassem muit\u00edssimo a Jesus Cristo e a Santa Igreja Cat\u00f3lica, e que vivessem com o maior desprendimento poss\u00edvel, e n\u00e3o se cansava de recomendar-lhes que cumprissem o mais exatamente poss\u00edvel tudo o que manda o Santo Evangelho. Recorria campos e povos convidando as pessoas a amar mais a Jesus Cristo, e repetia sempre: &#8216;O Amor n\u00e3o \u00e9 amado&#8221;.<\/p>\n<p>As pessoas lhe escutavam com especial carinho e se admiravam muito que seus palavras influ\u00edam nos cora\u00e7\u00f5es para entusiasma-los por Cristo e sua Verdade. Propuseram que pedisse ao Papa permiss\u00e3o para que os frades pudessem pregar em as todas partes sem autoriza\u00e7\u00e3o do Bispo, Francisco respondeu: &#8220;quando os Bispos verem que vives santamente e que n\u00e3o tens inten\u00e7\u00f5es de atentar contra sua autoridade, ser\u00e3o os primeiros em pedir que trabalheis pelo bem das almas que lhes tem sido confiadas. Considerai como o maior dos privil\u00e9gios o de n\u00e3o gozar de privil\u00e9gio algum&#8230;&#8221; ao terminar o capitulo, S\u00e3o Francisco enviou alguns frades a primeira miss\u00e3o entre os infi\u00e9is de T\u00fanis e Marrocos e se reservou para si a miss\u00e3o entre os sarracenos do Egito e S\u00edria. Em 1215, durante o Conc\u00edlio de Letram, o Papa Inoc\u00eancio III havia pregado uma nova cruzada, mas tal cruzada se havia reduzido simplesmente a refor\u00e7a o Reino Latino do Oriente. Francisco queria empunhar a espada de Deus. S\u00e3o Francisco, foi a terra Santa a visitar em devota peregrina\u00e7\u00e3o os Santos Lugares donde Jesus nasceu, viveu e morreu: Bel\u00e9m, Nazar\u00e9, Jerusal\u00e9m, etc. Em lembran\u00e7a desta piedosa visita sua, os franciscanos est\u00e3o encarregados desde s\u00e9culos de custodiar os Santos Lugares da Terra Santa.<\/p>\n<h3>Mission\u00e1rio ante o Sult\u00e3o<\/h3>\n<p>Em junho de 1219, embarcou em Ancona com doze frades. O navio os conduziu a desembocadura do Nilo. Os cruzados haviam posto s\u00edtio a cidade, e Francisco sofreu muito ao ver o ego\u00edsmo e os costumes dissolutos dos soldados da cruz. Consumido pelo zelo da salva\u00e7\u00e3o dos sarracenos, decidiu passar ao campo do inimigo, por mais que os cruzados lhe dissessem que a cabe\u00e7a dos crist\u00e3os estavam postas a pr\u00eamio. Havendo conseguido a autoriza\u00e7\u00e3o, Francisco e o irm\u00e3o Iluminado se aproximaram ao campo inimigo, gritando: &#8221; Sult\u00e3o, sult\u00e3o!&#8221; quando os conduziram a presen\u00e7a de Malek-al-Kamil, Francisco declarou ousadamente. &#8220;N\u00e3o s\u00e3o os homens quem me tem enviado, mas sim Deus todo poderoso. Venho a mostrar, a ti e a teu povo, o caminho da salva\u00e7\u00e3o; venho a anunciar as verdades do Evangelho.&#8221;<\/p>\n<p>O sult\u00e3o ficou impressionado e rogou a Francisco que permanecesse com ele. O santo replicou: &#8220;Se v\u00f3s e teu povo estais dispostos a ouvir a palavra de Deus, com gosto estarei com voc\u00eas. E se todavia vacilais entre Cristo e Maom\u00e9, manda acender uma fogueira. Eu entrarei nela com vossos sacerdotes e assim vereis qual \u00e9 a verdadeira f\u00e9. O sult\u00e3o contestou que provavelmente ningu\u00e9m dos sacerdotes queria entrar na fogueira e que n\u00e3o podia submete-los a essa prova para n\u00e3o sublevar o povo. Contam que o Sult\u00e3o chegou a dizer: \u00a8se todos os crist\u00e3os fosse como ele, ent\u00e3o valeria a pena ser crist\u00e3o\u00a8.<\/p>\n<p>Mas o sult\u00e3o, Malek-al-Kamil, mandou que Francisco voltasse ao campo dos crist\u00e3os. Desalentado ao ver o reduzido \u00eaxito de sua prega\u00e7\u00e3o entre os sarracenos e entre os crist\u00e3os, o santo passou a visitar os Santos Lugares. Ali recebeu uma carta na qual seus irm\u00e3os lhe pediam urgentemente que retornasse a It\u00e1lia.<\/p>\n<h3>A crises de acomodamento leva a clarificar a regra<\/h3>\n<p>Durante a aus\u00eancia de Francisco, seus dois vig\u00e1rios, Mateo de Narnem e greg\u00f3rio de N\u00e1poles, haviam introduzido certas inova\u00e7\u00f5es que pretendia uniformizar os frades menores com as outras ordens religiosas e a enquadrar o esp\u00edrito franciscano no r\u00edgido esquema da observ\u00e2ncia mon\u00e1stica e das regras asc\u00e9ticas.<\/p>\n<p>As religiosas de S\u00e3o Dami\u00e3o tinham uma constitui\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria, relatada pelo cardeal Ugolino sobre a base da regra de S\u00e3o Bento. Ao chegar a Bolonha, Francisco teve a desagrad\u00e1vel surpresa de encontrar a seus irm\u00e3os hospedados em um espl\u00eandido convento. O santo se negou a por os p\u00e9s nele e viveu com os frades pregadores. Em seguida mandou chamar ao guardi\u00e3o do convento franciscano, lhe repreendeu severamente e lhe ordenou que os frades abandonassem a casa. Tais acontecimentos tinham aos olhos do santo as propor\u00e7\u00f5es de uma verdadeira trai\u00e7\u00e3o: se tratava de uma crise da qual teria que sair a ordem sublimada ou destru\u00edda. S\u00e3o Francisco se trasladou a Roma onde conseguiu que Hon\u00f3rio III nomeasse o cardeal Ugolino protetor e conselheiro dos franciscanos, pois ele havia depositado uma f\u00e9 cega no fundador e possu\u00eda uma grande experi\u00eancia nos assuntos da Igreja. Ao mesmo tempo, Francisco se entregou ardentemente a tarefa de revisar a regra, para o que convocou a um novo capitulo geral que se reuniu na Porci\u00fancula em 1221.<\/p>\n<p>O santo apresentou aos de longe a regra revisada. O que se referia a pobreza, a humildade e a liberdade evang\u00e9lica, caracter\u00edstica da ordem, ficava intacto. Ele constitu\u00eda uma esp\u00e9cie de direito de fundador aos dissidentes e legalistas que, escondidos tramavam uma verdadeira revolu\u00e7\u00e3o do esp\u00edrito franciscano. O chefe da oposi\u00e7\u00e3o era o irm\u00e3o Elias de Cortona. O fundador havia renunciado a dire\u00e7\u00e3o da ordem, de sorte que seu vig\u00e1rio, frei Elias, era praticamente o ministro geral. Sem d\u00favida, n\u00e3o se atreveu a opor-se ao fundador, a quem respeitava sinceramente.<\/p>\n<p>Na realidade, a ordem era demasiado grande, como o disse o pr\u00f3prio S\u00e3o Francisco: &#8220;Se tivesse menos frades menores, o mundo os veria menos e desejaria que fossem mais&#8221;. Ao fim de dois anos, durante os quais houve de lutar contra a corrente cada vez mais forte que pretendia modificar a ordem em uma dire\u00e7\u00e3o que ele n\u00e3o havia previsto e que lhe parecia comprometer o esp\u00edrito franciscano, o santo empreendeu uma nova revis\u00e3o da regra.<\/p>\n<p>Depois a comunicou ao irm\u00e3o Elias para que este a passasse aos ministros, mas o documento se extraviou e o santo houve de ditar novamente a revis\u00e3o ao irm\u00e3o Le\u00e3o, em meio ao clamor dos frades que afirmavam que a proibi\u00e7\u00e3o de possuir bens em comum era impratic\u00e1vel.<\/p>\n<p>A regra, tal como foi aprovada por Hon\u00f3rio III em 1223, representava substancialmente o esp\u00edrito e o modo de vida pelo qual havia lutado S\u00e3o Francisco desde o momento em que se despojou de suas ricas vestes ante o Bispo de Assis.<\/p>\n<h3>A Terceira Ordem<\/h3>\n<p>Uns dois anos antes S\u00e3o Francisco e o cardeal Ugolino haviam relatado uma regra para a confraria de leigos que se haviam associado aos frades menores e que correspondia ao que atualmente chamamos terceira ordem, fincada no esp\u00edrito da &#8220;Carta a todos os crist\u00e3os &#8220;, que Francisco havia escrito nos primeiros anos de sua convers\u00e3o.<\/p>\n<p>A confraria, formada por leigos entregados a penit\u00eancia, que levavam uma vida muito diferente da que se acostumava ent\u00e3o, chegou a ser uma grande for\u00e7a religiosa na idade Media.<\/p>\n<p>No direito can\u00f4nico atual, os terci\u00e1rios das diversas ordens gozam, todavia de um estatuto especificamente diferente da dos membros das confrarias e congrega\u00e7\u00f5es marianas.<\/p>\n<h3><\/h3>\n<h3>A representa\u00e7\u00e3o de Nascimento de Jesus<\/h3>\n<p>S\u00e3o Francisco passou o Natal de 1223 em Grecehio, no vale de Rieti. Em tal ocasi\u00e3o, havia dito a seu amigo, Jo\u00e3o da Velita- &#8220;Quisera fazer uma esp\u00e9cie de representa\u00e7\u00e3o vivente do nascimento de Jesus em Bel\u00e9m, para presenciar, por dizer assim, com os olhos do corpo a humildade da Encarna\u00e7\u00e3o e v\u00ea-lo recostado no casebre entre o boi e o burrinho&#8221;. Em efeito, o santo construiu ent\u00e3o na ermita uma esp\u00e9cie de cova e os camponeses dos arredores assistiram a Missa da meia noite, na qual Francisco atuou como di\u00e1cono e pregou sobre o mist\u00e9rio do Natal. Lhe atribui ter come\u00e7ado naquela ocasi\u00e3o a tradi\u00e7\u00e3o de &#8220;Bel\u00e9m&#8221; o &#8220;nascimento &#8220;.<\/p>\n<p>Nos disse Tomas Celano em sua biografia do santo: &#8220;A Encarna\u00e7\u00e3o era um componente chave na espiritualidade de Francisco. Queria celebrar a Encarna\u00e7\u00e3o de forma especial. Queria fazer algo que ajudasse a gente a recordar ao Cristo menino e como nasceu em Bel\u00e9m&#8221;. S\u00e3o Francisco permaneceu v\u00e1rios meses no retiro de Grecehio, consagrado a ora\u00e7\u00e3o, mas ocultou zelosamente aos olhos dos homens as gra\u00e7as especial\u00edssimas que Deus lhe comunicou na contempla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O irm\u00e3o Leon, que era seu secret\u00e1rio e confessor, afirmou que lhe havia visto v\u00e1rias vezes durante a ora\u00e7\u00e3o elevar-se t\u00e3o alto sobre o solo, que apenas podia alcan\u00e7ar-lhe os p\u00e9s e, em certas ocasi\u00f5es, nem sequer isso.<\/p>\n<h3>Os Estigmas<\/h3>\n<p>Perto da festa da Assun\u00e7\u00e3o de 1224, o santo se retirou ao Monte Alvernia e construiu ali uma pequena cela. Levou consigo ao irm\u00e3o Leon, mas proibiu que fossem visitar-lhe at\u00e9 depois da festa de S\u00e3o Miguel. Ali foi onde teve lugar, pr\u00f3ximo de dia da Santa Cruz de 1224, o milagre dos estigmas, de que falamos no 17 de setembro. Francisco tratou de ocultar aos olhos dos homens os sinais da paix\u00e3o de Senhor que tinha impressas no corpo; Por ele, a partir de ent\u00e3o levava sempre as m\u00e3os dentro das mangas do h\u00e1bito e usava meias e sapatos. Sem d\u00favida, desejando o conselho de seus irm\u00e3os, comunicou o sucedido ao irm\u00e3o Iluminado e alguns outros, mas escondeu que lhe haviam sido reveladas certas coisas que jamais descobriria homem algum sobre a terra.<\/p>\n<p>Em certa ocasi\u00e3o em que se achava enfermo, algu\u00e9m prop\u00f4s que se lhe lesse um livro para distrair. O santo respondeu: &#8220;Nada me ajudai tanto como a contempla\u00e7\u00e3o da vida e paix\u00e3o do Senhor. Ainda que tivesse que viver at\u00e9 o fim de mundo, com somente esse livro me bastaria. Francisco havia se enamorado da santa pobreza enquanto contemplava a Cristo crucificado e meditava na nova crucifica\u00e7\u00e3o que sofria na pessoa dos pobres. O santo n\u00e3o desapreciava a ci\u00eancia, mas n\u00e3o a desejava para seus disc\u00edpulos. Os estudos apenas tinham raz\u00e3o de ser para Deus como um fim e apenas podiam aproveitar aos frades menores, se n\u00e3o lhes impe dizem de consagrar a ora\u00e7\u00e3o um tempo.<\/p>\n<p>Francisco se aborrecia dos estudos que alimentavam mais a vaidade que a piedade, porque impediam a caridade e secavam o cora\u00e7\u00e3o. Sobre todo, temia que a senhora ci\u00eancia se convertesse em rival da dama Pobreza. Vendo com quanta ansiedade que acudiam as escolas e buscavam os livros seus irm\u00e3os, Francisco exclamou em certa ocasi\u00e3o: &#8220;Impulsionados pelo mal esp\u00edrito, meus pobres irm\u00e3os acabaram por abandonar o caminho da sensatez e da pobreza&#8221;. Antes de sair de Monte Alvernia, o santo comp\u00f4s o &#8220;Hino de adora\u00e7\u00e3o ao Alt\u00edssimo &#8220;. Pouco depois da festa de S\u00e3o Miguel desceu finalmente ao vale, marcado pelos estigmas da paix\u00e3o e curou aos enfermos que sa\u00edram atr\u00e1s dele.<\/p>\n<h3>A irm\u00e3 morte<\/h3>\n<p>As quentes areias do deserto do Egito afetaram a vista de Francisco at\u00e9 o ponto de estar quase completamente cego. Os dois \u00faltimos anos da vida de Francisco foram de grandes sofrimentos. Fortes dores devido ao deteriora\u00e7\u00e3o de muitos de seus \u00f3rg\u00e3os (est\u00f4mago, f\u00edgado e o ba\u00e7o), conseq\u00fc\u00eancias da mal\u00e1ria contra\u00edda no Egito. Nas mais terr\u00edveis dores, Francisco oferecia a Deus tudo como penit\u00eancia, pois se considerava grande pecador e para a salva\u00e7\u00e3o das almas. Era durante sua enfermidade e dor onde sentia a maior necessidade de cantar. Sua sa\u00fade ia piorando, os estigmas lhe faziam sofrer e lhe debilitavam e quase havia perdido a vis\u00e3o. No ver\u00e3o de 1225 esteve t\u00e3o enfermo, que o cardeal Ugolino e o irm\u00e3o Elias lhe obrigaram a por-se em m\u00e3os do m\u00e9dico do Papa em Rieti. O santo obedeceu com sensatez. No caminho a Rieti foi a visitar a Santa Clara no convento de S\u00e3o Dami\u00e3o.<\/p>\n<p>Ali, em meio dos mais agudos sofrimentos f\u00edsicos, escreveu o &#8220;C\u00e2ntico do irm\u00e3o sol&#8221; e o adaptou a uma toada popular para que seus irm\u00e3os pudessem canta-lo. Depois se trasladou a Monte Rainerio, onde se submeteu ao tratamento brutal que o m\u00e9dico lhe havia prescrito, mas a melhora que ele lhe produziu foi apenas moment\u00e2nea. Seus irm\u00e3os lhe levaram ent\u00e3o a Siena a consultar a outros m\u00e9dicos, mas o santo estava moribundo.<\/p>\n<p>No testamento que ditou para seus frades, lhes recomendava a caridade fraterna, os exortava a amar e observar a santa pobreza e a amar e honrar a Igreja. Pouco antes de sua morte, ditou um novo testamento para recomendar a seus irm\u00e3os que observassem fielmente a regra e trabalhassem manualmente, n\u00e3o pelo desejo de lucro, mas sim para evitar a ociosidade e dar bom exemplo. &#8220;Se n\u00e3o nos pagam nosso trabalho, acudamos a mesa do Senhor, pedindo esmola de porta em porta&#8221;.<\/p>\n<p>Quando Francisco voltou a Assis, o Bispo lhe hospedou em sua pr\u00f3pria casa. Francisco rogou aos m\u00e9dicos que lhe dissessem a verdade, e estes confessaram que apenas lhe restava umas semanas de vida. &#8221; Bem vinda, irm\u00e3 Morte!&#8221;, exclamou o santo em seguido, pediu que lhe transportassem a Porci\u00fancula. Pelo caminho, quando a comitiva se achava no cume de uma colina, da qual se via o panorama de Assis, pediu aos que portavam a cama que se detivessem um momento e ent\u00e3o voltou seus olhos cegos em dire\u00e7\u00e3o a cidade e implorou as ben\u00e7\u00f5es de Deus para ela e seus habitantes.<\/p>\n<p>Depois mandou aos irm\u00e3os que se apressassem a leva-lo a Porci\u00fancula. Quando sentiu que a morte se aproximava, Francisco enviou um mensageiro a Roma para chamar a nobre dama Giacoma di Setesoli, que havia sido sua protetora, para rogar lhe que trouxesse consigo alguns c\u00edrios e um pano para a amortalha, assim comeu uma por\u00e7\u00e3o de um pastel que ele gostava muito. Felizmente, a dama chegou a Porci\u00fancula antes que o mensageiro partisse.<\/p>\n<p>Francisco exclamou: &#8221; Bendito seja Deus que nos tinha enviado a nossa irm\u00e3 Giacoma! a regra que pro\u00edbe a entrada das mulheres n\u00e3o afeta a nossa irm\u00e3 Giacoma. Diga-lhe que entre&#8221;. O santo enviou uma \u00faltima mensagem a Santa Clara e a suas religiosas e pediu a seus irm\u00e3os que entoassem os versos do &#8220;c\u00e2ntico de Sol&#8221; enquanto esperava a morte. Em seguida rogou que lhe trouxessem um p\u00e3o e o repartiu entre os presentes em sinal de paz e de amor fraternal dizendo: &#8220;Eu tenho feito quanto pude de minha parte, que Cristo os ensine a fazer o que est\u00e1 da vossa&#8221;.<\/p>\n<p>Seus irm\u00e3os lhe estenderam por terra e lhe cobriam com um velho h\u00e1bito. Francisco exortou a seus irm\u00e3os ao amor de Deus, da pobreza e do Evangelho, &#8220;por encima de todas as regras&#8221;, e bendisse a todos seus disc\u00edpulos, tanto aos presentes como aos ausentes. Morreu no dia tr\u00eas de outubro de 1226, depois de escutar a leitura da Paix\u00e3o do Senhor segundo S\u00e3o Jo\u00e3o. Francisco havia pedido que lhe sepultassem no cemit\u00e9rio dos criminosos de Cole d&#8217;lnferno. Em vez de fazer assim, seus irm\u00e3os levaram no dia seguinte o cad\u00e1ver em solene prociss\u00e3o a Igreja de S\u00e3o Jorge, em Assis. Ali esteve depositado at\u00e9 dois anos depois da canoniza\u00e7\u00e3o. Em 1230, foi secretamente trasladado a grande bas\u00edlica constru\u00edda pelo irm\u00e3o Elias. O cad\u00e1ver desapareceu da vista dos homens durante seis s\u00e9culos, at\u00e9 que em 1818, ap\u00f3s cinq\u00fcenta e dois dias de busca, foi descoberto sob o altar mor, a v\u00e1rios metros de profundidade. O santo n\u00e3o tinha mais que quarenta e quatro ou quarenta e cinco anos ao morrer.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/4.bp.blogspot.com\/_1m_eDaoLpPI\/S_p-DNP7iDI\/AAAAAAAAAng\/dwaQ6tyBIO0\/s1600\/assis+basilica+de+sao+francisco.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p>Basilica de S\u00e3o Francisco de Assis<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.pime.org.br\/imagens\/out2001-f94.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p>Tumulo de S\u00e3o Francisco<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/idgnow.uol.com.br\/idgimages\/ilustras_reutilizaveis_idgnow\/technoscience\/Tunica%20Sao%20Francisco.JPG\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p>Tunica de S\u00e3o Francisco<\/p>\n<div id=\"themify_builder_content-11120\" data-postid=\"11120\" class=\"themify_builder_content themify_builder_content-11120 themify_builder themify_builder_front\">\n\t<\/div>\n<!-- \/themify_builder_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>04 de Outubro Fundou a Ordem dos Franciscanos a Ordem dos Capuchinhos e a Ordem dos Franciscano Conventuais A vida de S\u00e3o Francisco de Assis Nascimento e vida familiar de um cavaleiro Francisco nasceu em Assis, cidade de \u00dambria, no ano 1182. 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