
{"id":13184,"date":"2011-02-22T08:38:13","date_gmt":"2011-02-22T11:38:13","guid":{"rendered":"http:\/\/www.oarcanjo.net\/site\/?p=13184"},"modified":"2011-02-22T23:44:40","modified_gmt":"2011-02-23T02:44:40","slug":"paroquia-torna-te-o-que-tu-es-carta-pastoral-a-arquidiocese-de-sao-paulo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.oarcanjo.net\/site\/paroquia-torna-te-o-que-tu-es-carta-pastoral-a-arquidiocese-de-sao-paulo\/","title":{"rendered":"&#8220;Par\u00f3quia, torna-te o que tu \u00e9s&#8221; &#8211; Carta Pastoral \u00e0 Arquidiocese de S\u00e3o Paulo"},"content":{"rendered":"<p>Aos Excelent\u00edssimos Bispos Auxiliares,<br \/>\nAos Padres, Di\u00e1conos e Religiosos\/as,<br \/>\nAos Leigos e Leigas da Arquidiocese de S\u00e3o Paulo<\/p>\n<p>Queridos irm\u00e3os,\u00a0filhos e filhas da Igreja que est\u00e1 em S\u00e3o Paulo:<\/p>\n<p>Com a celebra\u00e7\u00e3o de nosso Patrono, o Ap\u00f3stolo S\u00e3o Paulo, iniciamos mais um ano pastoral em nossa Arquidiocese. Nesta ocasi\u00e3o, \u00e9 minha alegria saud\u00e1-los e aben\u00e7o\u00e1-los, fazendo os melhores votos para que este ano seja enriquecido por muitos frutos na a\u00e7\u00e3o evangelizadora; conforme \u00e9 prop\u00f3sito expresso em nosso 10\u00b0 Plano de Pastoral, queremos ser disc\u00edpulos mission\u00e1rios de Jesus Cristo em S\u00e3o Paulo, testemunhando a presen\u00e7a e a a\u00e7\u00e3o salvadora de Deus e a for\u00e7a vital do Evangelho para o conv\u00edvio social nesta grande cidade.<\/p>\n<p>Convido, pois, a todo o povo da Arquidiocese a acolher este ano como um dom de Deus  e uma tarefa posta em nossas m\u00e3os, para a realiza\u00e7\u00e3o de nossa miss\u00e3o, como membros da Igreja e da comunidade humana em que vivemos; cada um \u00e9 convidado a colocar o seu dom e carisma a servi\u00e7o do bem de todos e da edifica\u00e7\u00e3o do Reino de Deus.<\/p>\n<p>Nesses \u00faltimos anos, ao mesmo tempo em que leva avante sua miss\u00e3o no dia a dia da vida da Igreja, nossa Arquidiocese tem dado destaque, a cada ano, a algum tema ou quest\u00e3o eclesial relevante. A prepara\u00e7\u00e3o da visita do Papa e da Confer\u00eancia de Aparecida, em 2006-2007, mobilizou muito nossa Igreja; veio, a seguir, o ano centen\u00e1rio da cria\u00e7\u00e3o da Arquidiocese, no qual procuramos tomar nova consci\u00eancia sobre nossa realidade hist\u00f3rica e nossa presen\u00e7a nesta cidade; em 2009-2010 tivemos o Ano Paulino e, ao mesmo tempo, o Ano sacerdotal, eventos que nos fizeram olhar especialmente para a figura do Ap\u00f3stolo S\u00e3o Paulo e os sacerdotes, que receberam o dom especial de servir a Cristo na sua Igreja e de servir a Igreja em nome de Cristo.<\/p>\n<p>Durante o ano de 2010, nossa Arquidiocese realizou o seu 1\u00b0 Congresso de Leigos; foi uma experi\u00eancia eclesial enriquecedora e ajudou muitos leigos e leigas a aprofundarem a consci\u00eancia sobre sua identidade, sua dignidade e sua parte na vida e na miss\u00e3o da Igreja; como fruto do Congresso, houve tamb\u00e9m a percep\u00e7\u00e3o de quantas organiza\u00e7\u00f5es de leigos j\u00e1 existem e atuam na nossa Igreja e de quanto ainda d\u00e1 para fazer para uma a\u00e7\u00e3o mais din\u00e2mica e eficaz dos leigos! Muitas propostas sobre a organiza\u00e7\u00e3o, a forma\u00e7\u00e3o e a a\u00e7\u00e3o dos leigos em nossa Arquidiocese foram elaboradas e dever\u00e3o agora ser implementadas pelas pr\u00f3prias organiza\u00e7\u00f5es do laicato e por toda a nossa Igreja em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p><strong>1. Destaque pastoral para 2011-2012<\/strong><\/p>\n<p>Quais foram os avan\u00e7os reais na evangeliza\u00e7\u00e3o em sua par\u00f3quia nesses \u00faltimos 5 anos?<\/p>\n<p>No ano pastoral de 2011 queremos colocar em destaque uma express\u00e3o fundamental de nossa Igreja, a par\u00f3quia, \u201ccomunidade de comunidades\u201d, como vem identificada no Documento de Aparecida. A escolha deste destaque pastoral foi fruto de reflex\u00f5es feitas na Assembl\u00e9ia Arquidiocesana de Pastoral, em 30.10.2010, e no Conselho de Pastoral da Arquidiocese (CAP), em 4.11.2010. Queremos perguntar-nos, seriamente: como est\u00e1 a par\u00f3quia, a nossa par\u00f3quia? Conhecemos bem a realidade, pelo menos a realidade religiosa, de nossa par\u00f3quia? H\u00e1 nela vazios, espa\u00e7os ou situa\u00e7\u00f5es n\u00e3o atendidas pela a\u00e7\u00e3o da nossa Igreja? Nossa par\u00f3quia chega ao final de cada ano, com as mesmas pessoas, ou pode constatar com alegria que novos sinais de vida foram despertados e foram integrados novos membros na fam\u00edlia de Deus? Existem iniciativas para a forma\u00e7\u00e3o do povo na f\u00e9, das crian\u00e7as aos adultos? Nossa par\u00f3quia \u00e9 animada por verdadeiro ardor mission\u00e1rio?<\/p>\n<p>A par\u00f3quia \u00e9, na express\u00e3o local e concreta, aquilo que a Igreja \u00e9 no seu todo. Na par\u00f3quia, a Igreja manifesta de maneira pr\u00f3xima e percept\u00edvel sua vida e sua miss\u00e3o; ela \u00e9 uma comunidade organizada de batizados, de bens espirituais, simb\u00f3licos e materiais, de organiza\u00e7\u00f5es e iniciativas que fazem a Igreja acontecer num determinado espa\u00e7o e contexto. No 10\u00ba Plano de Pastoral da Arquidiocese (2009-2012), ela recebeu uma aten\u00e7\u00e3o especial (cf. pp. 92ss), que queremos agora aprofundar.<\/p>\n<p>Se a par\u00f3quia vai bem, a Igreja ali tamb\u00e9m vai bem; se a par\u00f3quia vai mal, ali a Igreja vai mal. A Igreja corre o risco de \u201crodar no vazio\u201d e de ser reduzida a uma s\u00e9rie de estruturas, institui\u00e7\u00f5es e organiza\u00e7\u00f5es, sem chegar \u00e0s pessoas concretas, se as par\u00f3quias n\u00e3o vivem bem sua identidade e miss\u00e3o e n\u00e3o s\u00e3o a express\u00e3o de comunidades vivas e din\u00e2micas, ou se carecem de objetivos e organiza\u00e7\u00e3o pastoral.<\/p>\n<p>Vale, pois, a pena que demos uma aten\u00e7\u00e3o especial \u00e0 par\u00f3quia, realizando nela e atrav\u00e9s dela o processo de \u201cconvers\u00e3o pastoral e mission\u00e1ria\u201d, pedido pela Igreja em Aparecida, na 5\u00aa Confer\u00eancia Geral do Episcopado da Am\u00e9rica Latina e do Caribe.<\/p>\n<p>A renova\u00e7\u00e3o da par\u00f3quia \u00e9 essencial para que nossa Arquidiocese, grande comunidade de muitas comunidades de disc\u00edpulos mission\u00e1rios de Jesus Cristo, possa realizar bem sua miss\u00e3o na cidade de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Em vista da import\u00e2ncia do tema e da necessidade de trat\u00e1-lo com mais tempo, para alcan\u00e7ar melhores frutos, \u00e9 conveniente que a tem\u00e1tica da par\u00f3quia se estenda para os 2 anos pastorais: 2011 e 2012, com oportunas indica\u00e7\u00f5es metodol\u00f3gicas dadas ao longo deste per\u00edodo pelo Secretariado Arquidiocesano de Pastoral.<\/p>\n<p>Quero lembrar ainda que, em 2012, a Igreja estar\u00e1 lem\u00acbrando os 50 anos do in\u00edcio do Conc\u00edlio Vaticano II, ocasi\u00e3o em que ser\u00e1 de grande proveito retomar as grandes intui\u00e7\u00f5es e Documentos do Conc\u00edlio, para estudar, aprofundar, confrontar com o caminho feito de l\u00e1 at\u00e9 hoje. Este olhar sobre as par\u00f3quias j\u00e1 poder\u00e1 ser parte desse processo e ser\u00e1, certamente, muito proveitoso para nossa Arquidiocese.<\/p>\n<p><strong>2. Par\u00f3quia, torna-te o que tu \u00e9s<\/strong><\/p>\n<p>Olhando atentamente para a realidade de sua par\u00f3quia, que imagem voc\u00ea consegue fazer dela?Vai tudo bem?<\/p>\n<p>A meta do 10\u00ba Plano de Pastoral, inspirado na Confer\u00eancia de Aparecida, \u00e9 trabalhar para que nossa Arquidiocese, no seu todo e em suas muitas express\u00f5es particulares, seja uma Igreja verdadeiramente disc\u00edpula e mission\u00e1ria de Jesus Cristo na grande cidade de S\u00e3o Paulo. E isso requer uma profunda \u201cconvers\u00e3o pastoral e mission\u00e1ria\u201d dos membros da Igreja, mas tamb\u00e9m de suas institui\u00e7\u00f5es e organiza\u00e7\u00f5es pastorais, para ir al\u00e9m de uma pastoral voltada mais para a conserva\u00e7\u00e3o daquilo que temos. \u00c9 preciso adotar uma nova atitude e preocupa\u00e7\u00e3o pastoral, que traduza um claro objetivo mission\u00e1rio em todos os n\u00edveis e \u00e2mbitos da vida eclesial.<\/p>\n<p>Concentremos nossa aten\u00e7\u00e3o sobre a par\u00f3quia. Para come\u00e7ar, tomemos uma nova consci\u00eancia sobre o seu significado teol\u00f3gico, m\u00edstico e pastoral, superando uma vis\u00e3o apenas burocr\u00e1tica ou jur\u00eddica. Ela \u00e9 o rosto mais vis\u00edvel e concreto do Mist\u00e9rio da Igreja, \u201cSacramento da salva\u00e7\u00e3o\u201d no mundo; \u00e9 uma comunidade de batizados, congregados em nome do Pai, do Filho e do Esp\u00edrito Santo, vivendo a f\u00e9, a esperan\u00e7a e a caridade. Ela est\u00e1 reunida em torno de Cristo, presente sacramentalmente na Eucaristia e nos demais Sacramentos, na Palavra de Deus proclamada e acolhida com f\u00e9, nos pobres, doentes, sofredores e toda pessoa acolhida em nome de Cristo e servida na comunidade com amor. A assembl\u00e9ia eucar\u00edstica \u00e9 a express\u00e3o mais vis\u00edvel e sacramental da Igreja. Ela se re\u00fane ainda hoje em torno de Jesus Cristo Salvador, Senhor e Pastor da Igreja, representado visivelmente pelo Ministro ordenado, que est\u00e1 no meio dela e \u00e0 sua frente para servi-la e conduzi-la na caridade.<\/p>\n<p>Muitas s\u00e3o as imagens usadas pelo Vaticano II para falar daquilo que \u00e9 a Igreja, e que se aplicam tamb\u00e9m \u00e0 par\u00f3quia (cf. LG 6-8). Ela \u00e9 \u201ccasa de Deus\u201d no meio das casas dos homens, templo de Deus edificado com pedras vivas, que s\u00e3o todos os batizados; \u00e9 o \u201ccorpo de Cristo\u201d, atrav\u00e9s do qual Ele continua a se expressar, a ir ao encontro das pessoas e a realizar sua tr\u00edplice miss\u00e3o entre os homens; \u00e9 o concreto e vis\u00edvel \u201cpovo de Deus\u201d, que irradia no mundo a luz de Cristo, difunde o sal e o fermento ben\u00e9fico do Evangelho e vai fazendo aparecer os sinais do Reino de Deus, anunciado e j\u00e1 presente no meio de n\u00f3s (cf. LG 9). Na par\u00f3quia, a Igreja inteira se expressa e realiza a miss\u00e3o recebida de Cristo: anunciar e acolher a Palavra de Deus; testemunhar a vida nova recebida no Batismo, buscando a santidade; viver a caridade pastoral, a exemplo e em nome de Jesus, Bom Pastor.<\/p>\n<p>As defini\u00e7\u00f5es da par\u00f3quia poderiam ser diversas. Cabe-lhe bem o conceito de \u201ccomunidade mission\u00e1ria dos disc\u00edpulos de Cristo\u201d no meio do mundo. \u00c9 comunidade de pequenas comunidades, fam\u00edlias, pessoas, grupos, organiza\u00e7\u00f5es e institui\u00e7\u00f5es, que testemunham a variedade, a riqueza e a beleza dos dons de Deus e est\u00e3o a servi\u00e7o da miss\u00e3o recebida de Cristo; esta mesma miss\u00e3o se expressa na diocese, confiada ao bispo, sucessor dos Ap\u00f3stolos, e na universalidade da Igreja, confiada ao pastoreio do Sucessor de Pedro.<\/p>\n<p>A par\u00f3quia \u00e9 tamb\u00e9m o conjunto de organiza\u00e7\u00f5es, estruturas e iniciativas pastorais a servi\u00e7o da vida e da miss\u00e3o da Igreja. Ela \u00e9 o \u00edcone vis\u00edvel daquilo que a Igreja de Jesus Cristo \u00e9 na sua totalidade e no seu mist\u00e9rio humano-divino. Evidentemente, nenhuma par\u00f3quia se basta a si mesma, nem realiza sozinha e autonomamente a sua miss\u00e3o, mas o faz na comunh\u00e3o da Igreja particular, reunida em torno do bispo (a diocese), e na comunh\u00e3o universal da Igreja, reunida em torno do Papa. Contudo, a par\u00f3quia \u00e9 a Igreja \u201cna base\u201d, onde a vida e a miss\u00e3o da Igreja acontecem; \u00e9 a c\u00e9lula viva da Igreja, lugar privilegiado no qual a maioria dos batizados tem a possibilidade de fazer uma experi\u00eancia concreta do encontro com Cristo e da comunh\u00e3o eclesial.<\/p>\n<p><strong>3. Vida e miss\u00e3o da par\u00f3quia<\/strong><\/p>\n<p>Para que existe mesmo a par\u00f3quia? Sua par\u00f3quia consegue atender, de maneira adequada, a tr\u00edplice miss\u00e3o da Igreja?<\/p>\n<p>Para qu\u00ea existe a par\u00f3quia? Com o passar do tempo, talvez foram sendo criadas imagens e posturas nem sempre adequadas, que n\u00e3o traduzem bem o que a Igreja entende por \u201cpar\u00f3quia\u201d. A par\u00f3quia tem um territ\u00f3rio e uma igreja-m\u00e3e, ou matriz, que s\u00e3o confiados aos cuidados pastorais de um sacerdote. H\u00e1 tamb\u00e9m par\u00f3quias \u201cpessoais\u201d e \u201cambientais\u201d, sem um territ\u00f3rio definido, mas igualmente confiadas a um sacerdote. O Direito Can\u00f4nico define a par\u00f3quia como \u201cuma determinada comunidade de fi\u00e9is, constitu\u00edda estavelmente na Igreja particular, e seu cuidado \u00e9 confiado ao p\u00e1roco como a seu pastor pr\u00f3prio, sob a autoridade do bispo diocesano\u201d (cf. c\u00e2n. 515).<\/p>\n<p>De fato, por\u00e9m, a par\u00f3quia n\u00e3o pode ser identificada simplesmente com a \u201cigreja matriz\u201d, ou com algum ponto de atendimento para servi\u00e7os religiosos, ou com uma inst\u00e2ncia burocr\u00e1tica e organizativa da Igreja. A par\u00f3quia \u00e9, acima de tudo, uma comunidade de pessoas, uma por\u00e7\u00e3o do Povo de Deus, que se congrega concretamente e de forma organizada em nome de Cristo, confiada aos cuidados pastorais de um Ministro ordenado (Padre); ele a re\u00fane e serve nas coisas de Deus e da Igreja, forma na f\u00e9, anima e conduz na esperan\u00e7a e na caridade. A par\u00f3quia, com suas muitas comunidades menores e organiza\u00e7\u00f5es eclesiais, \u00e9 a verdadeira \u201cIgreja-na-base\u201d, onde a vida e a miss\u00e3o da Igreja acontecem de maneira concreta.<\/p>\n<p>Na par\u00f3quia torna-se presente e se realiza a tr\u00edplice miss\u00e3o de Cristo \u2013 o an\u00fancio da Boa Nova, a santifica\u00e7\u00e3o da humanidade e o servi\u00e7o pastoral \u2013 que \u00e9 a raz\u00e3o de ser da vida e da a\u00e7\u00e3o de toda a Igreja e tamb\u00e9m de cada par\u00f3quia. Jesus Cristo continua vivo e presente no meio daqueles que est\u00e3o congregados em seu nome; e entre eles continua a exercer sua miss\u00e3o no mundo; n\u00e3o sozinho, mas contando com a participa\u00e7\u00e3o de todos os seus disc\u00edpulos mission\u00e1rios, aos quais concede a assist\u00eancia do seu Esp\u00edrito.<\/p>\n<p><strong>3.1. Par\u00f3quia e Palavra de Deus.<\/strong><\/p>\n<p>Anunciar a Palavra de Deus e testemunh\u00e1-la pela vida \u00e9 a primeira e mais importante miss\u00e3o da par\u00f3quia; \u00e9 Jesus Cristo que, atrav\u00e9s da Comunidade paroquial, e nela, quer continuar a ser o anunciador e mestre da Boa Nova. A Igreja vive da Palavra de Deus, como vive da Eucaristia, P\u00e3o da Vida. O an\u00fancio da Palavra desperta e alimenta a f\u00e9 e a viv\u00eancia da Palavra frutifica nas boas obras e no bom testemunho crist\u00e3o no mundo. Sem um servi\u00e7o constante e amoroso \u00e0 Palavra de Deus, a f\u00e9 esfria, a moral se desvia, as organiza\u00e7\u00f5es eclesiais perdem seu sentido e a comunidade fica desorientada. Seria como uma \u00e1rvore que n\u00e3o recebe mais \u00e1gua&#8230; De S. Jer\u00f4nimo aprendemos que \u201cignorar as Escrituras, \u00e9 ignorar a Cristo\u201d.<\/p>\n<p>O papa Bento XVI recordou toda a Igreja, na recente Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica p\u00f3s-sinodal sobre a Palavra de Deus na Vida e na Miss\u00e3o da Igreja (novembro de 2010), que a Palavra de Deus deve ter lugar central na Igreja, dando orienta\u00e7\u00f5es importantes sobre como isso deve acontecer. Portanto, vale tamb\u00e9m para a par\u00f3quia. Toda a pastoral paroquial deve ser motivada, animada e impregnada pela Palavra de Deus (cf. Verbum Domini &#8211; VD nn. 72-89).<\/p>\n<p>A par\u00f3quia precisa proporcionar ao povo muitas oportunidades de forma\u00e7\u00e3o crist\u00e3 na f\u00e9. Antes de tudo, \u00e9 na par\u00f3quia que deve ser proclamado constantemente, e integralmente, o querigma crist\u00e3o e n\u00e3o se poderia supor que isso j\u00e1 acontece em outro lugar ou inst\u00e2ncia da vida da Igreja. O an\u00fancio e a acolhida da Palavra de Deus acontecem de modo privilegiado na Liturgia, com a proclama\u00e7\u00e3o das leituras b\u00edblicas e a homilia (cf. VD nn. 52-71); os pr\u00f3prios textos lit\u00fargicos est\u00e3o impregnados pela Palavra de Deus. Mas tamb\u00e9m s\u00e3o vivamente recomendadas a leitura e estudo b\u00edblico pessoal ou em grupos, e a pr\u00e1tica da leitura orante da Palavra de Deus (cf. VD nn.86-87); a forma\u00e7\u00e3o crist\u00e3 deve acontecer tamb\u00e9m na catequese sistem\u00e1tica e permanente, nas prega\u00e7\u00f5es, retiros e outros encontros e momentos de forma\u00e7\u00e3o crist\u00e3, bem como no estudo da teologia. O Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica precisa ser a refer\u00eancia constante para a forma\u00e7\u00e3o do povo na f\u00e9 cat\u00f3lica.<\/p>\n<p>A par\u00f3quia seja a \u201ccasa da Palavra de Deus\u201d, onde ela ressoa constantemente, \u00e9 acolhida com f\u00e9 e testemunhada de muitas formas pelas obras da f\u00e9, esperan\u00e7a e caridade. Por isso, devem ser muitas as iniciativas paroquiais a servi\u00e7o do an\u00fancio da Palavra de Deus, voltadas para quem ainda n\u00e3o recebeu o primeiro an\u00fancio, ou tamb\u00e9m para quem j\u00e1 est\u00e1 num processo de inicia\u00e7\u00e3o \u00e0 vida crist\u00e3, ou est\u00e1 precisando e querendo se alimentar sempre de novo na Palavra da Vida. A forma\u00e7\u00e3o e alimenta\u00e7\u00e3o na f\u00e9, nas diversas etapas da vida dos fi\u00e9is, s\u00e3o a primeira e mais indispens\u00e1vel miss\u00e3o da par\u00f3quia.<\/p>\n<p><strong>3.2 Par\u00f3quia e santifica\u00e7\u00e3o do povo.<\/strong><\/p>\n<p>Pelo Batismo, recebemos o dom da gra\u00e7a santificante, a vida de Deus em n\u00f3s, que nosso Salvador nos trouxe pela sua santa encarna\u00e7\u00e3o e mereceu pela sua paix\u00e3o, morte e ressurrei\u00e7\u00e3o; e pela efus\u00e3o do Esp\u00edrito Santificador, fomos feitos filhos e filhas de Deus j\u00e1 neste mundo. Por isso, somos chamados a viver vida santa, como \u00e9 santo Aquele que nos chamou. Isso requer de n\u00f3s viver a comunh\u00e3o constante com Deus, na sintonia com sua vontade e seus mandamentos; significa tamb\u00e9m honrar o nome de Deus em n\u00f3s mediante uma vida digna da voca\u00e7\u00e3o \u00e0 qual fomos chamados. A Igreja \u00e9 a comunidade dos \u201csantificados\u201d pela gra\u00e7a de Deus, chamados a viver vida santa e a santificar o mundo com sua presen\u00e7a, sua a\u00e7\u00e3o e testemunho.<\/p>\n<p>O Conc\u00edlio Vaticano II ensina que todos s\u00e3o chamados \u00e0 santidade; na Igreja, realizamos de diversos modos esta voca\u00e7\u00e3o e encontramos tamb\u00e9m os meios adequados para viver a santidade (cf. LG 39-42). A par\u00f3quia tem a miss\u00e3o de proporcionar a todos os fi\u00e9is os meios para a santifica\u00e7\u00e3o, mediante a celebra\u00e7\u00e3o dos Sacramentos, especialmente a Eucaristia e a Penit\u00eancia, o cultivo da ora\u00e7\u00e3o pessoal e comunit\u00e1ria, o incentivo \u00e0 escuta atenta e \u00e0 pr\u00e1tica da Palavra de Deus e das virtudes humanas e crist\u00e3s, em particular, a caridade. \u00c9 Jesus Cristo que continua a atrair todos a si e a saciar a fome e a sede daqueles que nele cr\u00eaem com o p\u00e3o vivo e a \u00e1gua da vida.<\/p>\n<p>A esse prop\u00f3sito, \u00e9 preciso recuperar a centralidade da celebra\u00e7\u00e3o dominical para a vida da par\u00f3quia. Domingo \u00e9 o dia em que o Senhor Ressuscitado quer encontrar seus disc\u00edpulos e se manifestar a eles; \u00e9 dia de Missa e de encontro alegre com os irm\u00e3os. Domingo \u00e9 tamb\u00e9m o dia da grande manifesta\u00e7\u00e3o da Igreja, dia de buscar o alimento da f\u00e9, esperan\u00e7a e caridade. Apesar das mudan\u00e7as culturais, que transformaram o domingo num dia \u201c\u00fatil\u201d para tantas coisas, precisamos insistir com os fi\u00e9is para que n\u00e3o percam o sentido crist\u00e3o do domingo e participem da celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica dominical. Cada par\u00f3quia valorize devidamente a Liturgia, com toda a sua riqueza espiritual e for\u00e7a evangelizadora. Haja nas par\u00f3quias a celebra\u00e7\u00e3o di\u00e1ria da Santa Missa; promovam-se o culto eucar\u00edstico e as demais devo\u00e7\u00f5es populares, conforme orienta\u00e7\u00e3o da Igreja. Sejam devidamente respeitadas as normas lit\u00fargicas prescritas pelo Magist\u00e9rio da Igreja.<\/p>\n<p>A par\u00f3quia \u00e9 o lugar da celebra\u00e7\u00e3o dos Sacramentos, \u201cMist\u00e9rios da Salva\u00e7\u00e3o\u201d. Sem cair na tenta\u00e7\u00e3o da dicotomia entre \u201cevangeliza\u00e7\u00e3o e sacramentaliza\u00e7\u00e3o\u201d, \u00e9 preciso dar renovado valor a todos e a cada um dos Sacramentos da Igreja, celebrados com a devida f\u00e9 e prepara\u00e7\u00e3o do povo. Destaque especial merece o Sacramento do Perd\u00e3o, grande dom de Cristo \u00e0 Igreja. As par\u00f3quias precisam ter e divulgar claramente os hor\u00e1rios para o atendimento das confiss\u00f5es, como pede a disciplina da Igreja; cuidado especial h\u00e1 que se ter para evitar que alguns sacramentos da Igreja (Batismo, 1\u00aa Comunh\u00e3o, Casamento) sejam absorvidos pela l\u00f3gica do mercado consumista.<\/p>\n<p><strong>3.3. Par\u00f3quia e caridade pastoral.<\/strong><\/p>\n<p><strong> <\/strong> A Igreja \u00e9 o povo de Deus, o rebanho do Bom Pastor, que continua indo \u00e0 frente de suas ovelhas, conhece cada uma pelo nome, nutre, defende, conduz e acarinha cada uma de suas ovelhas. Ele \u00e9 o Pastor bom, que conhece as ovelhas, caminha \u00e0 frente delas, d\u00e1 a vida pelas ovelhas e tamb\u00e9m vai atr\u00e1s daquela que se perdeu. Agora Ele faz isso, sobretudo, atrav\u00e9s da caridade da Igreja, sua comunidade pastoral no mundo.<\/p>\n<p>Por isso, a par\u00f3quia deve ser o lugar da acolhida de todos, do interesse alegre pelas pessoas e da aten\u00e7\u00e3o delicada em rela\u00e7\u00e3o a todos os que sofrem; deve ser o lugar da busca daqueles que est\u00e3o distantes, enfim, da pr\u00e1tica de todas aquelas belas qualidades do Bom Pastor, que re\u00fane, conhece, chama pelo nome, conduz, defende, corrige, procura, ama at\u00e9 entregar a vida pelas ovelhas (cf. Ez 34; Jo 10). Por isso, existem na par\u00f3quia, e devem existir, as diversas \u201cpastorais\u201d, como express\u00e3o concreta da caridade de Cristo e da Igreja. S\u00e3o servi\u00e7os organizados da caridade do povo, voltados especialmente para os pobres, os doentes, as pessoas que mais sofrem, e que se parecem com aquela ovelha que o Bom Pastor toma nos ombros e carrega com todo o cuidado e compaix\u00e3o.<\/p>\n<p>A caridade deve ser pessoal, mas tamb\u00e9m comunit\u00e1ria e organizada; por isso, n\u00e3o devem faltar obras sociais e outras iniciativas de solidariedade social e de voluntariado, atrav\u00e9s das quais as pessoas tenham a oportunidade de colaborar e sejam incentivadas a faz\u00ea-lo. A caridade precisa tamb\u00e9m estar atenta \u00e0 promo\u00e7\u00e3o da dignidade da pessoa e dos direitos humanos. Por isso, \u00e9 importante que na par\u00f3quia seja promovido o conhecimento da Doutrina Social da Igreja, especialmente para preparar pessoas de lideran\u00e7a social com forma\u00e7\u00e3o crist\u00e3 s\u00f3lida.<\/p>\n<p>Faz parte da vida da par\u00f3quia a responsabilidade pastoral partilhada com toda a comunidade e tamb\u00e9m a boa administra\u00e7\u00e3o dos bens materiais de que a par\u00f3quia precisa para viver e para cumprir sua miss\u00e3o. Por isso, a Igreja pede que em cada par\u00f3quia haja, al\u00e9m de um Conselho de Assuntos Econ\u00f4micos (cf. c\u00e2n. 537), tamb\u00e9m um Conselho de Pastoral (cf. c\u00e2n. 536).<\/p>\n<p><strong>4. Muitos membros, mas um s\u00f3 corpo<\/strong><\/p>\n<p>Que papel desempenham na par\u00f3quia os leigos e os religiosos, ou os consagrados, nos diversos carismas?<\/p>\n<p>Como a Igreja inteira, assim tamb\u00e9m cada par\u00f3quia poderia ser comparada ao corpo, com uma s\u00f3 cabe\u00e7a, uma \u00fanica vida, mas muitos membros, \u00f3rg\u00e3os e fun\u00e7\u00f5es: todos a servi\u00e7o da vida e da miss\u00e3o do \u00fanico organismo (cf. Gl 6,15; 2Cor 5,17). A Igreja \u00e9 o Corpo de Cristo, animado por um mesmo Esp\u00edrito, o Esp\u00edrito Santo, que d\u00e1 unidade e coes\u00e3o ao corpo todo. Na par\u00f3quia est\u00e1 o povo de Deus, com a riqueza e a variedade de dons e carismas, que o Esp\u00edrito Santo concede para a vitalidade de todo o corpo eclesial.<\/p>\n<p>No 10\u00b0 Plano de Pastoral vem exposto como nossa Ar\u00acqui\u00acdio\u00accese \u00e9 formada de disc\u00edpulos mission\u00e1rios com voca\u00e7\u00f5es diferentes; todos s\u00e3o chamados a viver a mesma dignidade do Batismo e a dar sua contribui\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria, com voca\u00e7\u00f5es e carismas diferentes, para a realiza\u00e7\u00e3o da grande miss\u00e3o da Igreja (cf. pp. 96-100). O mesmo vem exposto tamb\u00e9m no Documento de Aparecida (cf. DAp nn. 184-224). Como acontece na Igreja inteira, assim tamb\u00e9m acontece na par\u00f3quia, que conta com tr\u00eas grupos de membros, com dons e miss\u00f5es pr\u00f3prias: os fi\u00e9is leigos, os ministros ordenados e os membros da Vida Religiosa Consagrada.<\/p>\n<p>Os fi\u00e9is leigos formam o grande corpo eclesial, o Povo de Deus que Cristo reuniu no seu nome e consagrou mediante o dom do Esp\u00edrito Santo. Pelo Batismo e pela Crisma eles receberam a dignidade de filhos de Deus e os dons que os habilitam a participar ativamente na vida e na miss\u00e3o da Igreja, na sua maneira pr\u00f3pria, como leigos. Cabe-lhes, sobretudo, testemunhar a f\u00e9 e a vida crist\u00e3 no meio do mundo e levar a luz, o sal e o fermento do Evangelho para a fam\u00edlia, as rela\u00e7\u00f5es humanas e para o mundo secular, onde vivem e trabalham. Os fi\u00e9is leigos s\u00e3o os ap\u00f3stolos do Evangelho no meio do mundo, transformando a partir de dentro, mediante sua presen\u00e7a e participa\u00e7\u00e3o, as realidades terrestres (cf. LG nn. 30-38; DAp nn. 209-215).<\/p>\n<p>Os fi\u00e9is leigos s\u00e3o congregados na unidade e servidos em nome de Cristo e da Igreja pelos Ministros ordenados. E tamb\u00e9m s\u00e3o chamados a participar, de maneira co-respons\u00e1vel, da vida e miss\u00e3o internas da pr\u00f3pria Igreja. Eles j\u00e1 est\u00e3o empenhados, de muitas formas, na organiza\u00e7\u00e3o e administra\u00e7\u00e3o da par\u00f3quia, nas diversas pastorais e servi\u00e7os de anima\u00e7\u00e3o da vida eclesial.<\/p>\n<p>Lugar especial para a a\u00e7\u00e3o e a realiza\u00e7\u00e3o da voca\u00e7\u00e3o laical \u00e9 a fam\u00edlia; mediante a viv\u00eancia e conviv\u00eancia crist\u00e3 no lar, a educa\u00e7\u00e3o religiosa dos filhos e a comunica\u00e7\u00e3o da f\u00e9 \u00e0s novas gera\u00e7\u00f5es, eles prestam um inestim\u00e1vel servi\u00e7o \u00e0 vida e \u00e0 miss\u00e3o da Igreja. As par\u00f3quias precisam dar amparo, forma\u00e7\u00e3o e incentivo \u00e0s fam\u00edlias, mais ainda diante das dificuldades que elas enfrentam nos tempos atuais.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, as par\u00f3quias precisam dar apoio e express\u00e3o a muitas iniciativas, organiza\u00e7\u00f5es, movimentos e associa\u00e7\u00f5es dos leigos, que contribuem de maneira pr\u00f3pria para a vida e a miss\u00e3o da par\u00f3quia e da Igreja, como um todo. Desejo incentivar vivamente os leigos a que se organizem tamb\u00e9m por categorias profissionais e grupos de responsabilidades sociais afins, para tornarem mais f\u00e1cil e eficaz a sua forma\u00e7\u00e3o, presen\u00e7a e testemunho crist\u00e3o no meio do mundo, onde est\u00e3o inseridos como cidad\u00e3os.<\/p>\n<p>Os impulsos, motiva\u00e7\u00f5es e propostas do 1\u00b0 Congresso de Leigos da Arquidiocese (2010) precisam agora ser viabilizados nas par\u00f3quias, que s\u00e3o o lugar privilegiado para o incentivo e o apoio \u00e0s muitas iniciativas e organiza\u00e7\u00f5es do laicato, voltadas para a sua forma\u00e7\u00e3o e a\u00e7\u00e3o no mundo.<\/p>\n<p>Os Ministros ordenados, sacerdotes e di\u00e1conos, enquanto batizados, tamb\u00e9m s\u00e3o membros do Povo de Deus; mas eles receberam o dom e a miss\u00e3o especial de estar \u00e0 frente da comunidade paroquial, para servi-la em nome de Cristo, Pastor e Cabe\u00e7a da Igreja. A eles cabe assumir e desempenhar pessoalmente a tr\u00edplice miss\u00e3o de Cristo e da Igreja, para o proveito dos fi\u00e9is; mas tamb\u00e9m formar, conduzir e animar todos os membros do corpo eclesial na viv\u00eancia da pr\u00f3pria voca\u00e7\u00e3o e miss\u00e3o. Nossa Igreja re\u00fane-se em torno dos Ministros ordenados, que receberam esse dom especial e esta grande responsabilidade em rela\u00e7\u00e3o aos irm\u00e3os (cf. LG nn. 18-29). Em cada par\u00f3quia se reze pelas voca\u00e7\u00f5es e haja um servi\u00e7o organizado de anima\u00e7\u00e3o vocacional, para que voca\u00e7\u00f5es sacerdotais despertem, sejam acolhidas e encaminhadas pela comunidade.<\/p>\n<p>Os Ministros ordenados, sendo tamb\u00e9m membros do Povo de Deus, no meio dele desempenham a miss\u00e3o de Cristo, Cabe\u00e7a do corpo, Pastor, Sacerdote e Mestre da Igreja. Sua miss\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 par\u00f3quia vem bem definida no Direito da Igreja (cf. c\u00e2n. 519-552). Cabe a eles exercer o servi\u00e7o de pastores e guias das comunidades paroquiais, a exemplo de Cristo, por seu chamado e por sua delega\u00e7\u00e3o (cf. DAp nn. 186-208).<\/p>\n<p>Os religiosos e religiosas, como tamb\u00e9m as novas formas de Vida Consagrada, s\u00e3o parte do Povo de Deus e est\u00e3o presentes em muitas par\u00f3quias de nossa Arquidiocese. Desde o in\u00edcio da Igreja em S\u00e3o Paulo, at\u00e9 hoje, contribuem com sua presen\u00e7a e atua\u00e7\u00e3o, de acordo com seus carismas pr\u00f3prios, para a vida e a miss\u00e3o da Igreja nesta cidade. As comunidades de vida contemplativa ajudam a crentes e n\u00e3o-crentes a manterem sempre e em tudo a refer\u00eancia a Deus, \u00fanico bem absoluto e objetivo final de nossa exist\u00eancia. As comunidades religiosas de vida ativa est\u00e3o inseridas diretamente na a\u00e7\u00e3o pastoral, ou mant\u00eam obras e institui\u00e7\u00f5es voltadas para a educa\u00e7\u00e3o, a sa\u00fade, o cuidado dos pobres e pessoas necessitadas, ou para outras finalidades, e ajudam a expressar melhor o dinamismo da Igreja no testemunho da presen\u00e7a do Reino de Deus entre os homens (cf. LG nn. 43-47; DAp  nn. 216-224).<\/p>\n<p>A todos os Consagrados\/as na Vida Religiosa desejo convidar e estimular a uma renovada partilha de dons e \u00e0 participa\u00e7\u00e3o din\u00e2mica na vida e miss\u00e3o da Igreja em nossa Arquidiocese. Al\u00e9m das iniciativas eclesiais que lhes s\u00e3o pr\u00f3prias, sua presen\u00e7a e participa\u00e7\u00e3o nas comunidades e par\u00f3quias tem o valor importante de ser um testemunho prof\u00e9tico para nosso povo. A Igreja, nas suas bases, precisa dar o devido apre\u00e7o \u00e0 riqueza espiritual e eclesial dos carismas da Vida Consagrada; e isso poder\u00e1 tamb\u00e9m ajudar no surgimento de novas voca\u00e7\u00f5es \u00e0 Vida Consagrada, t\u00e3o necess\u00e1rias e importantes para a Igreja.<\/p>\n<p>Na Igreja, conforme o exemplo dado por Jesus, \u201co maior \u00e9 aquele que deve servir mais\u201d (cf. Jo 13,12-17). Tamb\u00e9m S\u00e3o Paulo ensina que os diversos dons concedidos pelo Esp\u00edrito Santo aos membros da Igreja n\u00e3o se destinam \u00e0 vangl\u00f3ria, nem ao desfrutamento individualista, mas para o benef\u00edcio e a miss\u00e3o de toda a comunidade eclesial; e como os membros do corpo n\u00e3o vivem em fun\u00e7\u00e3o de si pr\u00f3prios, mas para o bem e a vitalidade do corpo inteiro (cf. 1Cor 12), assim tamb\u00e9m na Par\u00f3quia, clero, leigos e religiosos t\u00eam dons diversos, mas para o servi\u00e7o e a comunh\u00e3o da comunidade toda. Importa valorizar e reconhecer o dom de cada um, para a vitalidade do corpo eclesial.<\/p>\n<p><strong>5. Somos todos disc\u00edpulos mission\u00e1rios de Jesus Cristo<\/strong><\/p>\n<p>Quais s\u00e3o os sinais que confirmam que sua par\u00f3quia j\u00e1 \u00e9 uma verdadeira comunidade de disc\u00edpulos-mission\u00e1rios de Cristo?<\/p>\n<p>De muitos modos pode ser definido o cat\u00f3lico. Na Confer\u00eancia de Aparecida, o Papa Bento XVI trouxe um conceito teol\u00f3gico muito bonito para dizer quem somos n\u00f3s: \u201cdisc\u00edpulos mission\u00e1rios de Jesus Cristo\u201d. Pelo Batismo, fomos acolhidos na Igreja e nos tornamos, por gra\u00e7a e dom especial, filhos e filhas de Deus. Isso nos vincula de maneira especial a Jesus Cristo, \u201cautor e consumador de nossa f\u00e9\u201d (cf. Hb 2,10; 12,2). Com isso, o crist\u00e3o tornou-se um disc\u00edpulo de Jesus Cristo e, por conseq\u00fc\u00eancia, testemunha e mission\u00e1rio de seu Evangelho no mundo. Muitos s\u00e3o crist\u00e3os cat\u00f3licos e n\u00e3o sabem disso, ou nunca tiveram a oportunidade de tomar consci\u00eancia dessa gra\u00e7a especial. Foram batizados, mas nunca foram evangelizados. E a \u201cevangeliza\u00e7\u00e3o\u201d \u00e9 o processo de aproxima\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo, de comunica\u00e7\u00e3o do seu Evangelho e de ades\u00e3o, pela f\u00e9, \u00e0 \u201cvida nova em Cristo\u201d.<\/p>\n<p>A par\u00f3quia pode realizar muitas atividades sociais, culturais e religiosas. Mas seu objetivo primordial \u00e9 proporcionar aos seus membros uma rica e variada experi\u00eancia da f\u00e9 crist\u00e3 cat\u00f3lica, alimentada nas fontes da f\u00e9 e da vida crist\u00e3 e eclesial, que s\u00e3o a Palavra de Deus, a Tradi\u00e7\u00e3o viva da f\u00e9 da Igreja, a Liturgia e a riqueza m\u00edstica do seguimento de Cristo, segundo o Evangelho, manifestada na vida dos santos. As v\u00e1rias atividades organizadas na Par\u00f3quia devem ser decorr\u00eancia dessa miss\u00e3o e objetivo primordiais; e, dessa fonte, v\u00e3o beber sempre sua inspira\u00e7\u00e3o e dinamismo. Contrariamente, a par\u00f3quia torna-se uma estrutura sem alma, ou uma entidade de presta\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios servi\u00e7os, talvez at\u00e9 \u00fateis, mas sem identidade pr\u00f3pria, pois estar\u00e1 deixando de lado sua miss\u00e3o principal.<\/p>\n<p>O Papa Bento XVI tem repetido que n\u00e3o \u00e9 de um grande ideal \u00e9tico que nasce a f\u00e9 crist\u00e3, nem de um corpo de doutrinas bem elaborado, mas do encontro com uma pessoa \u2013 Jesus Cristo Salvador &#8211; e, por meio dele, do encontro com o Mist\u00e9rio de Deus Trindade (cf. Deus Caritas est). A doutrina e a moral tomam significado para a pessoa a partir disso. E a par\u00f3quia, sendo uma comunidade de disc\u00edpulos mission\u00e1rios de Jesus Cristo, existe para promover, de muitas maneiras, esse encontro das pessoas com Cristo. Muito al\u00e9m de ser uma inst\u00e2ncia burocr\u00e1tica e prestadora de servi\u00e7os, mesmo \u00fateis e importantes, ou uma refer\u00eancia para o \u201cconsumo de bens religiosos\u201d, a par\u00f3quia deve ser uma comunidade viva e vibrante de f\u00e9 e alegria crist\u00e3, que atrai para Cristo e medeia, de muitas maneiras, o encontro pessoal com Ele; ao mesmo tempo, o \u201cespa\u00e7o\u201d onde se vive e cultiva a m\u00edstica que decorre desse encontro com Cristo na liturgia, na caridade e no servi\u00e7o aos irm\u00e3os e ao mundo, em nome da f\u00e9 e como fruto da f\u00e9.<\/p>\n<p>O crist\u00e3o \u00e9 um disc\u00edpulo de Cristo, atra\u00eddo e fascinado por Ele, convertido a ele de todo o cora\u00e7\u00e3o e apaixonado por Ele; o disc\u00edpulo, que ama o seu Senhor, tamb\u00e9m \u00e9 capaz de dar a pr\u00f3pria vida por Ele, como fizeram tantos ao longo dos s\u00e9culos, quer no mart\u00edrio, quer na consagra\u00e7\u00e3o total da vida ao Evangelho, quer ainda na orienta\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria vida, no meio do mundo, de acordo com os valores e ideais do Reino de Deus anunciados por Jesus. O verdadeiro disc\u00edpulo tamb\u00e9m se torna mission\u00e1rio e j\u00e1 n\u00e3o pode reservar apenas para si a beleza transformadora do encontro com Cristo, mas deseja que outros tamb\u00e9m \u201cencontrem o Senhor\u201d \u00ac\u2014 \u201cvimos o Senhor!\u201d (cf. Jo, 20,25) &#8211; e fa\u00e7am a mesma experi\u00eancia  \u2014 \u201cvinde e vede\u201d (cf. Jo 1,39).<\/p>\n<p><strong>6. Par\u00f3quia, comunidade de comunidades<\/strong><\/p>\n<p>Quantas e quais express\u00f5es de vida eclesial organizada j\u00e1 enriquecem a vida de sua par\u00f3quia?<\/p>\n<p>A vida crist\u00e3 se expressa de maneira especial na vida comunit\u00e1ria. Jesus pediu que seus disc\u00edpulos permanecessem \u201cunidos no seu nome\u201d, como aparece na par\u00e1bola da videira e dos ramos (cf. Jo 15), ou na ora\u00e7\u00e3o sacerdotal, ap\u00f3s a \u00faltima ceia (cf. Jo 17); e os Atos dos Ap\u00f3stolos trazem dois belos testemunhos sobre a vida da primeira comunidade crist\u00e3: \u201ceram perseverantes em ouvir o ensinamento dos ap\u00f3stolos, na comunh\u00e3o fraterna, na fra\u00e7\u00e3o do p\u00e3o e nas ora\u00e7\u00f5es\u201d (cf. At 2, 42-47). E ainda: \u201ca multid\u00e3o dos fi\u00e9is era um s\u00f3 cora\u00e7\u00e3o e uma s\u00f3 alma. Ningu\u00e9m dizia serem suas as coisas que possu\u00eda, mas tudo entre eles era posto em comum\u201d (cf. At 4, 32-37).<\/p>\n<p>A comunidade paroquial \u00e9 significada e torna-se vis\u00edvel, de modo especialmente profundo, na celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica dominical. Convocados pela Palavra de Deus, os fi\u00e9is respondem com f\u00e9 e acorrem, no \u201cDia do Senhor\u201d, \u00e0 reuni\u00e3o em torno de Cristo Ressuscitado, proclamando os \u201cMist\u00e9rios da F\u00e9\u201d na Palavra de Deus, na Eucaristia e na ora\u00e7\u00e3o em comum, alegrando-se na esperan\u00e7a e aprofundando a caridade. O pr\u00f3prio Senhor Jesus Cristo se faz presente \u201conde dois ou mais est\u00e3o reunidos em seu nome\u201d (cf. Mt 18,20) e, com eles, apresenta o perfeito louvor e adora\u00e7\u00e3o ao Pai; pela pessoa dos seus Ministros, Ele instrui na Palavra de Deus os fi\u00e9is, alimenta-os com o P\u00e3o da Vida e envia-os novamente em miss\u00e3o para o meio do mundo. Por isso, \u00e9 da m\u00e1xima import\u00e2ncia que seja valorizada plenamente, por todo o povo nas par\u00f3quias, a participa\u00e7\u00e3o na celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia dominical.<\/p>\n<p>A vida comunit\u00e1ria \u00e9 essencial \u00e0 viv\u00eancia da f\u00e9 crist\u00e3. Ser disc\u00edpulos mission\u00e1rios de Jesus Cristo sup\u00f5e pertencer a uma comunidade crist\u00e3 determinada. No entanto, de maneira geral, as par\u00f3quias s\u00e3o grandes e formadas de numerosas pessoas e isso favorece o anonimato e torna dif\u00edcil a participa\u00e7\u00e3o mais efetiva de todos na vida e na miss\u00e3o da Igreja. Por isso, sejam estimuladas e valorizadas, dentro da par\u00f3quia, as comunidades menores, como as comunidades eclesiais de base, capelas de bairro e outras formas de comunidade e express\u00f5es de vida eclesial, onde as pessoas tenham a possibilidade de uma participa\u00e7\u00e3o mais pessoal, de receber ajuda ou de colocar seus dons a servi\u00e7o da vida e da miss\u00e3o eclesial.<\/p>\n<p>\u00c9 importante promover a presen\u00e7a vis\u00edvel e organizada da comunidade eclesial em todo o espa\u00e7o f\u00edsico da par\u00f3quia; onde faltam comunidades, \u00e9 necess\u00e1rio suscit\u00e1-las atrav\u00e9s de uma a\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria eficaz; h\u00e1 na cidade espa\u00e7os de dif\u00edcil penetra\u00e7\u00e3o para a Igreja, como certos condom\u00ednios, ou pr\u00e9dios residenciais; tamb\u00e9m ali \u00e9 preciso estudar a maneira de fazer presente o testemunho da comunidade eclesial. Mas tamb\u00e9m h\u00e1 os ambientes, ou \u201care\u00f3pagos\u201d, dos quais a Igreja n\u00e3o pode ficar ausente, como os hospitais, as escolas, col\u00e9gios e universidades, os pres\u00eddios e os \u201cmundos\u201d da comunica\u00e7\u00e3o. Ser\u00e1 necess\u00e1rio encontrar caminhos para anunciar, tamb\u00e9m ali, a Boa Nova; de modo especial, esses s\u00e3o campos privilegiados para a a\u00e7\u00e3o do laicato.<\/p>\n<p>A par\u00f3quia \u00e9, e deve ser, uma \u201ccomunidade de comunidades\u201d (cf. DAp nn. 164-180). Gra\u00e7as a Deus, geralmente, no interior das par\u00f3quias, e fazendo parte delas, j\u00e1 existem muitas e variadas express\u00f5es de vida crist\u00e3 e comunit\u00e1ria: capelas de bairros, comunidades eclesiais de base, grupos de vida crist\u00e3 est\u00e1vel, comunidades religiosas, semin\u00e1rios, associa\u00e7\u00f5es de fi\u00e9is, \u201ccomunidades novas\u201d, movimentos eclesiais, escolas cat\u00f3licas, Faculdades, Universidades e outras institui\u00e7\u00f5es ligadas \u00e0 Igreja, como hospitais, r\u00e1dios, sites da internet&#8230; E n\u00e3o esque\u00e7amos que as fam\u00edlias s\u00e3o a \u201cIgreja no lar\u201d; sua import\u00e2ncia para a viv\u00eancia di\u00e1ria da f\u00e9 em comunidade \u00e9 vital, como tamb\u00e9m para a educa\u00e7\u00e3o crist\u00e3 e a transmiss\u00e3o da f\u00e9 \u00e0s novas gera\u00e7\u00f5es. Todas essas formas organizadas de vida eclesial existem para realizar a vida e a miss\u00e3o da Igreja, segundo o dom e a voca\u00e7\u00e3o pr\u00f3prios de cada uma.<\/p>\n<p>A par\u00f3quia, portanto, \u00e9 bem mais do que uma \u00fanica comunidade homog\u00eanea: nela h\u00e1 muitas express\u00f5es de vida eclesial, que precisam ser valorizadas, animadas e envolvidas mais diretamente na realiza\u00e7\u00e3o da \u00fanica miss\u00e3o da Igreja. No entanto, \u00e9 preciso observar que todas as variadas express\u00f5es de vida eclesial das \u201ccomunidades menores\u201d n\u00e3o se bastam a si mesmas, mas completam-se na rela\u00e7\u00e3o com a comunh\u00e3o eclesial mais ampla, que acontece na par\u00f3quia, na diocese e na comunh\u00e3o universal da Igreja. O momento melhor e a express\u00e3o mais perfeita da comunh\u00e3o da Igreja acontece na celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia, sob a guia dos Ministros ordenados, constitu\u00eddos Pastores para servir, animar e conduzir, em nome de Cristo, todo o corpo eclesial. Por isso, as comunidades menores e outras express\u00f5es de vida eclesial, dentro da par\u00f3quia, devem estar relacionadas com o Padre da par\u00f3quia e com o Bispo.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m a par\u00f3quia n\u00e3o se basta e n\u00e3o deve fechar-se sobre si mesma; ela est\u00e1 unida \u00e0s demais par\u00f3quias e ao Bispo, sucessor dos Ap\u00f3stolos, que une em torno de si \u2014 de Cristo Pastor \u2014 a grande comunidade diocesana na comunh\u00e3o da mesma f\u00e9, esperan\u00e7a e caridade. Ele tamb\u00e9m promove a comunh\u00e3o de toda a diocese com as demais dioceses da Igreja, e com o Papa, Sucessor de Pedro, que confirma a todos na f\u00e9 em Cristo. Por isso, as par\u00f3quias s\u00e3o chamadas a se abrir \u00e0 comunh\u00e3o mais ampla da Igreja, a partilhar seus dons e tamb\u00e9m a tomar parte da miss\u00e3o e das responsabilidades de toda a Igreja. Isso se expressa, de maneira especial, nos Setores e Regi\u00f5es Episcopais da Arquidiocese, que s\u00e3o lugares e organismos concretos de comunh\u00e3o, partilha e miss\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>7. Comunidades formadoras de disc\u00edpulos<\/strong><\/p>\n<p>Quais iniciativas sua par\u00f3quia tem para oferecer forma\u00e7\u00e3o religiosa ao povo, para que todos os batizados se tornem ardorosos disc\u00edpulos de Jesus Cristo?<\/p>\n<p>A par\u00f3quia \u00e9 o espa\u00e7o normal onde os batizados vivem a sua condi\u00e7\u00e3o de disc\u00edpulos de Jesus Cristo, onde expressam sua f\u00e9 e se organizam para viver a caridade e testemunhar a esperan\u00e7a. \u00c9 o lugar onde fazem a experi\u00eancia pessoal e comunit\u00e1ria do encontro com Deus por meio de Jesus Cristo, no dom do Esp\u00edrito Santo. Por isso, a par\u00f3quia tem a miss\u00e3o de formar nos caminhos do Evangelho todos os batizados para que permane\u00e7am fi\u00e9is e unidos a Cristo e \u00e0 Igreja e se tornem, de fato, mission\u00e1rios do Evangelho para o mundo.<\/p>\n<p>Nesta miss\u00e3o de despertar e formar disc\u00edpulos mission\u00e1rios de Jesus Cristo devem ser envolvidas todas as for\u00e7as vivas da par\u00f3quia \u2013 pessoas, grupos, organiza\u00e7\u00f5es e institui\u00e7\u00f5es; todas elas devem ser \u201clugares para a forma\u00e7\u00e3o dos disc\u00edpulos mission\u00e1rios\u201d (cf.  DAp nn. 301-346). A par\u00f3quia, naturalmente, em comunh\u00e3o com o Plano org\u00e2nico de pastoral da Arquidiocese, precisa pensar seu pr\u00f3prio processo evangelizador e mission\u00e1rio; indispens\u00e1vel \u00e9 preparar pessoas para ajudar nesse processo; n\u00e3o faltam impulsos da Igreja para promover a renova\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria das par\u00f3quias (cf .DAp nn. 276-286).<\/p>\n<p>Destaque especial, no trabalho evangelizador da par\u00f3quia, deve ser dado ao processo de inicia\u00e7\u00e3o \u00e0 vida crist\u00e3 atrav\u00e9s de uma catequese eficaz, como recomendou a Confer\u00eancia de Aparecida (cf. DAp nn. 286-300). A catequese, como processo cont\u00ednuo de forma\u00e7\u00e3o na f\u00e9, deve estender-se a todas as fases da vida da pessoa. \u00c9 importante tomar consci\u00eancia sobre o que j\u00e1 existe e o que falta, para que os fi\u00e9is recebam forma\u00e7\u00e3o crist\u00e3 ao longo do ano e nas diversas etapas da vida. Deve ser nossa preocupa\u00e7\u00e3o constante a supera\u00e7\u00e3o do \u201canalfabetismo religioso\u201d em nossa Igreja. A experi\u00eancia feliz e confortadora da f\u00e9 seja incentivo \u00e0 busca do esclarecimento e ao conhecimento das verdades fundamentais da f\u00e9 e da moral, da liturgia e da ora\u00e7\u00e3o. A Sagrada Escritura e o Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica precisam tornar-se refer\u00eancia e companhia constante para os cat\u00f3licos e nossas comunidades.<\/p>\n<p><strong>8. Par\u00f3quia, comunidade mission\u00e1ria<\/strong><\/p>\n<p>Sua par\u00f3quia j\u00e1 \u00e9 uma comunidade mission\u00e1ria? Que aspectos da \u201cconvers\u00e3o mission\u00e1ria\u201d ainda s\u00e3o necess\u00e1rios?<\/p>\n<p>Na Confer\u00eancia de Aparecida, em maio de 2007, a Igreja falou atrav\u00e9s do Papa e dos bispos da Am\u00e9rica Latina e do Caribe, atualizando seus prop\u00f3sitos diante dos desafios atuais vividos pelos povos e pela pr\u00f3pria Igreja neste Continente. Durante 500 anos, a Igreja Cat\u00f3lica marcou com o Evangelho de Cristo a vida e a cultura desses povos, n\u00e3o obstante defici\u00eancias e falhas que possam ter existido. A for\u00e7a do Evangelho \u00e9 maior e mais poderosa do que nossa humana forma de servir o Evangelho. Isso deve ser dito tamb\u00e9m do Brasil e de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Em Aparecida, a Igreja renovou o seu prop\u00f3sito de estar a servi\u00e7o do Evangelho do Reino de Deus com novo ardor, novos m\u00e9todos e novas formas. Somos disc\u00edpulos mission\u00e1rios de Jesus Cristo no meio de nossos povos para que, nele, encontrem vida plena. Diante dos tempos novos e condi\u00e7\u00f5es culturais mudadas, devemos rever seriamente nossas maneiras de ser e viver a vida e a miss\u00e3o eclesial. Em Aparecida pede-se que haja uma verdadeira \u201cconvers\u00e3o pastoral\u201d, superando cansa\u00e7os e formas inadequadas e ineficazes de evangelizar e fazer pastoral; \u00e9 necess\u00e1rio, sobretudo, ir al\u00e9m da preocupa\u00e7\u00e3o com a mera conserva\u00e7\u00e3o do que j\u00e1 existe, para imprimir \u00e0 a\u00e7\u00e3o pastoral uma decidida preocupa\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria (cf. DAp nn. 365-379).<\/p>\n<p>Se isso vale para a Igreja como um todo, vale tamb\u00e9m, e especialmente, para a par\u00f3quia, \u201ccomunidade de comunidades\u201d (cf. DAp nn. 164-183). Este processo de \u201cconvers\u00e3o pastoral\u201d precisa iniciar pela tomada de consci\u00eancia sobre a natureza e a miss\u00e3o eclesial da par\u00f3quia, conforme expusemos acima, nesta carta. Torna-se necess\u00e1ria, em seguida, uma corajosa e ampla verifica\u00e7\u00e3o da realidade atual da par\u00f3quia, sobre o que existe e o que j\u00e1 se faz de bom, onde h\u00e1 falhas e defici\u00eancias, onde e como \u00e9 preciso fazer mais e melhor&#8230; \u00c9 bom ter presentes algumas interroga\u00e7\u00f5es: Qual \u00e9 o significado da par\u00f3quia no espa\u00e7o da cidade onde ela se encontra? Ela \u00e9 express\u00e3o viva e din\u00e2mica da vida eclesial no meio desse povo? Enfim, torna-se necess\u00e1rio um planejamento de iniciativas para promover e alcan\u00e7ar, com f\u00e9, paci\u00eancia e perseveran\u00e7a, a renova\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria das par\u00f3quias. Fundamental \u00e9 envolver nisso toda a comunidade paroquial, o Conselho Pastoral Paroquial, as diversas representa\u00e7\u00f5es de comunidades menores, associa\u00e7\u00f5es, grupos, movimentos, pastorais etc, para alcan\u00e7ar com mais efic\u00e1cia o objetivo proposto.<\/p>\n<p>O 10\u00b0 Plano de Pastoral e o Documento de Aparecida dever\u00e3o ser refer\u00eancias constantes nesse processo, com oportunas orienta\u00e7\u00f5es metodol\u00f3gicas do Secretariado de Pastoral da Arquidiocese. Destaco que, antes de renovar estruturas, \u00e9 preciso renovar pessoas, mentalidades e posturas; trata-se de desenvolver uma nova \u201ccultura pastoral\u201d, que tenha sempre presente a preocupa\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria e nos fa\u00e7a pensar, n\u00e3o apenas na satisfa\u00e7\u00e3o das pr\u00f3prias buscas espirituais e religiosas, mas tamb\u00e9m na partilha dos bens da f\u00e9 e da vida eclesial com aqueles que j\u00e1 participam da vida da Igreja, ou com aqueles que fazem parte dela mas ficaram distantes, ou se afastaram dela. \u201cOnde est\u00e3o os outros, que n\u00e3o aparecem, nem participam?\u201d &#8211; deve ser nossa preocupa\u00e7\u00e3o constante. O que podemos fazer por eles, para que retornem \u00e0 Igreja? E o que podemos fazer por aqueles que nunca foram alcan\u00e7ados ou envolvidos pelo an\u00fancio do Evangelho? Deveria haver alegria na par\u00f3quia cada vez que alguma pessoa a mais come\u00e7a a participar da vida da Igreja&#8230;<\/p>\n<p>A par\u00f3quia tem a miss\u00e3o de proporcionar aos fi\u00e9is muitas ocasi\u00f5es de encontro com Cristo e, por meio dele, com Deus, no dom do Esp\u00edrito Santo: na Palavra de Deus, na Eucaristia e nos demais Sacramentos, na m\u00edstica da f\u00e9 sobrenatural e da viv\u00eancia eclesial, na experi\u00eancia amorosa da ora\u00e7\u00e3o pessoal e comunit\u00e1ria, na caridade atenta para com os pobres, doentes e todas as pessoas que sofrem, na promo\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a, da solidariedade, da beleza; a experi\u00eancia do encontro com Cristo tamb\u00e9m \u00e9 favorecida pelo testemunho luminoso dos santos e m\u00e1rtires, que nos precederam na f\u00e9 e enriqueceram a vida da Igreja com seu exemplo.<\/p>\n<p>Quanta coisa bonita temos em nossa Igreja para ser acolhida e vivida, como dom e gra\u00e7a, para ser expandida de maneira mission\u00e1ria ao nosso redor, para que nossas comunidades paroquiais sejam verdadeiramente mission\u00e1rias! Disse o Papa Bento XVI, na Missa de abertura da Confer\u00eancia de Aparecida, dia 13.05.2007: \u201ca Igreja sente-se disc\u00edpula e mission\u00e1ria desse Amor: mission\u00e1ria somente porque antes \u00e9 disc\u00edpula, capaz de deixar-se atrair, com renovado enlevo, por Deus que nos amou e nos ama por primeiro (cf. 1Jo 4,10). A Igreja n\u00e3o faz proselitismo, ela cresce muito mais por atra\u00e7\u00e3o: Cristo \u2018atrai todos a si\u2019 com a for\u00e7a do seu amor, que culminou no sacrif\u00edcio da cruz.\u201d (cf. Homilia do Papa, DAp, Ap\u00eandice).<\/p>\n<p>Na par\u00f3quia, os disc\u00edpulos que j\u00e1 t\u00eam algum caminho andado com Cristo, devem ajudar outros, que est\u00e3o apenas come\u00e7ando, como as crian\u00e7as, os jovens ou os neo-convertidos \u00e0 f\u00e9, acompanhando-os com carinho, paci\u00eancia e pedagogia adequada nesse \u201cir ao encontro de Cristo\u201d. \u201cQueremos ver Jesus\u201d \u2013 pediram alguns \u201cgregos\u201d a Filipe e Andr\u00e9; e esses, que j\u00e1 eram disc\u00edpulos e estavam com Jesus, levaram at\u00e9 Ele aqueles pag\u00e3os (cf. Jo 12 20-22). Nossa preocupa\u00e7\u00e3o e a\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria deve estender-se a todos, tamb\u00e9m \u00e0queles que abandonaram a f\u00e9, ou nunca sentiram a alegria de crer. De fato, Jesus enviou os disc\u00edpulos \u201ca todos os povos\u201d (cf. Mt 28,19), e n\u00e3o apenas \u00e0queles que j\u00e1 eram religiosos. Nossas par\u00f3quias, por isso mesmo, n\u00e3o podem perder de vista a dimens\u00e3o mission\u00e1ria \u201cad gentes\u201d; as iniciativas de outubro, \u201cm\u00eas das miss\u00f5es\u201d, s\u00e3o importantes para manter atento o olhar para o vasto horizonte da miss\u00e3o, que se estende para bem al\u00e9m dos limites paroquiais e alcan\u00e7a o mundo inteiro.<\/p>\n<p>Mas \u00e9 importante que a par\u00f3quia tamb\u00e9m reflita sobre o alcance propriamente territorial de sua miss\u00e3o, para ver se n\u00e3o h\u00e1 vazios de presen\u00e7a eclesial nos espa\u00e7os da par\u00f3quia. H\u00e1 hospitais sem assist\u00eancia? H\u00e1 escolas, pres\u00eddios, condom\u00ednios ou inteiros bairros sem nossa presen\u00e7a religiosa? \u00c9 muito recomend\u00e1vel a setoriza\u00e7\u00e3o territorial da par\u00f3quia, promovendo o surgimento de novas comunidades, onde faltam, atrav\u00e9s de um trabalho mis\u00acsio\u00acn\u00e1rio no interior da pr\u00f3pria par\u00f3quia, que \u00e9 a unidade mis\u00acsion\u00e1ria fundamental da Igreja; sua a\u00e7\u00e3o evangelizadora deve estender-se a toda a \u00e1rea, ou \u00e2mbito, de sua compet\u00eancia.<\/p>\n<p>Uma coisa \u00e9 certa: o futuro de nossa Igreja e da par\u00f3quia depende de nosso \u00e2nimo mission\u00e1rio hoje. Por isso mesmo, a preocupa\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria n\u00e3o pode deixar de colocar seu foco na forma\u00e7\u00e3o religiosa das crian\u00e7as e dos jovens, atraindo-os, ajudando-os a se sentirem parte da comunidade eclesial, formando-os nas riquezas da f\u00e9 e nos caminhos da vida crist\u00e3. Os casais e as fam\u00edlias cat\u00f3licas devem merecer toda a aten\u00e7\u00e3o e apoio para que fa\u00e7am de seus lares verdadeiras c\u00e9lulas de vida crist\u00e3; elas s\u00e3o a \u201cprimeira escola da f\u00e9\u201d para as novas gera\u00e7\u00f5es (cf. DAp n. 302). Um grande trabalho mission\u00e1rio ser\u00e1 realizado quando os pais crist\u00e3os fazem bem a sua parte, iniciando os filhos nas coisas da f\u00e9 e introduzindo-os na vida da Igreja.<\/p>\n<p><strong>9. Presb\u00edtero, pastor e guia da comunidade paroquial<\/strong><\/p>\n<p>Como pode ser definida a miss\u00e3o do padre\/presb\u00edtero, na par\u00f3quia?<\/p>\n<p>N\u00e3o seria poss\u00edvel concluir esta reflex\u00e3o sobre a par\u00f3quia, sem uma aten\u00e7\u00e3o especial ao Padre, a quem \u00e9 confiado o cuidado de uma comunidade paroquial. \u00c9 bem verdade que, na Igreja, todos os fi\u00e9is t\u00eam a mesma fundamental dignidade, comum a todos os batizados; pela gra\u00e7a batismal, todos tornaram-se filhos e filhas de Deus, testemunhas de Jesus Cristo e de seu Evangelho, e participam dos bens espirituais da comunidade eclesial e tamb\u00e9m de sua miss\u00e3o. Pelo Batismo, todos os fi\u00e9is s\u00e3o constitu\u00eddos num \u201cpovo sacerdotal\u201d e tamb\u00e9m participam do sacerd\u00f3cio de Cristo (cf. LG 10-11), sendo chamados a viver vida santa e a manifestar no mundo a gl\u00f3ria de Deus. Este \u00e9 o \u201csacerd\u00f3cio comum a todos os fi\u00e9is\u201d.<\/p>\n<p>No entanto, aos Ministros ordenados foi confiado o sa\u00accer\u00acd\u00f3cio ministerial, que \u00e9 fruto de uma voca\u00e7\u00e3o espec\u00edfica de Cristo na Igreja; dentre os disc\u00edpulos, Jesus chamou aqueles que quis, constituiu os Doze e lhes deu uma miss\u00e3o especial (cf. Lc 4,11-12). Os padres, Ministros ordenados, exercendo seu minist\u00e9rio, ajudam os demais fi\u00e9is a viverem o sacerd\u00f3cio comum a todos (cf. Ef 4,11-12; 1Pd 2,5); e, mediante seus Ministros, Cristo mesmo continua a oferecer a Deus Pai os dons e louvores de toda a Igreja e a derramar sobre os homens os dons da salva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A comunidade eclesial, em sua plenitude, tem a presen\u00e7a de Cristo, Cabe\u00e7a e Pastor \u00fanico da Igreja, representado sacramentalmente pelos Ministros ordenados, guias e pastores vis\u00edveis da Igreja. Este sacerd\u00f3cio n\u00e3o \u00e9 comum a todos os batizados, mas um \u201cminist\u00e9rio\u201d, ou seja, um servi\u00e7o qualificado de Cristo em favor dos irm\u00e3os; n\u00e3o \u00e9 \u201cdelegado\u201d pela comunidade, mas prov\u00e9m de Cristo mesmo, atrav\u00e9s do Sacramento da Ordem conferido pela Igreja.<\/p>\n<p>A comunidade paroquial depende do Sacerdote e n\u00e3o pode dispensar o seu servi\u00e7o qualificado e dedicado. Ele representa sacramentalmente Jesus Cristo, Sacerdote, Pastor e Guia da comunidade eclesial; pelo exerc\u00edcio do seu minist\u00e9rio sacerdotal, ele gera continuamente a comunidade, no dom do Esp\u00edrito Santo, nutre-a com os dons da vida sobrenatural, anima e conduz os fi\u00e9is em Cristo nos caminhos do Evangelho e entrega sua vida inteira em favor dos irm\u00e3os, a exemplo de Cristo, que n\u00e3o veio para ser servido, mas para servir e entregar sua vida pela salva\u00e7\u00e3o de todos (cf. Mt 20,28).<\/p>\n<p>Eis, portanto, que a renova\u00e7\u00e3o da comunidade paroquial depende, em boa parte, da renova\u00e7\u00e3o na viv\u00eancia do minist\u00e9rio sacerdotal. Ao sacerdote incumbe, em primeira pessoa, o an\u00fancio da Palavra de Deus e o envolvimento, nesta miss\u00e3o, de toda a comunidade que lhe est\u00e1 confiada; a ele tamb\u00e9m cabe presidir a celebra\u00e7\u00e3o dos Divinos Mist\u00e9rios e estimular \u00e0 viva e frutuosa participa\u00e7\u00e3o toda a comunidade paroquial; cabe ainda ao sacerdote, posto \u00e0 frente da par\u00f3quia, servir sem reservas a comunidade paroquial, a exemplo do Bom Pastor, e de envolver nos \u201ccuidados pastorais\u201d toda a comunidade dos batizados \u00e0 sua volta, a qual tamb\u00e9m participa da caridade pastoral de Cristo e a deve expressar de muitas maneiras.<\/p>\n<p>Aos presb\u00edteros, portanto, desejo encorajar vivamente no exerc\u00edcio da miss\u00e3o que lhes foi confiada, como pastores e guias da comunidade paroquial. Na ordena\u00e7\u00e3o sacerdotal, esta miss\u00e3o lhes foi entregue junto com o dom do sacerd\u00f3cio ministerial; e, na tomada de posse da par\u00f3quia, o tr\u00edplice servi\u00e7o de Cristo \u2013 prof\u00e9tico, sacerdotal e pastoral -, que se prolonga na Igreja, lhes \u00e9 entregue pessoalmente, para o bem daquela comunidade paroquial espec\u00edfica. O pr\u00f3prio Cristo quer continuar a exerc\u00ea-lo em favor da humanidade atrav\u00e9s de seus ministros.<\/p>\n<p>Os sacerdotes tenham sempre diante dos olhos o exemplo do Cura de Ars, proclamado pela Igreja como \u201cum p\u00e1roco admir\u00e1vel\u201d. Ao chegar em Ars, descrente e hostil ao padre e \u00e0 Igreja, ele  amou aquele povo e por ele ofereceu sua vida, rezou, fez penit\u00eancia e considerou ser aquela a miss\u00e3o de sua vida. Aos poucos, o \u201chomem de Deus\u201d foi contagiando todos e irradiando a for\u00e7a do Evangelho e da gra\u00e7a de Deus, capaz de transformar as pessoas.<\/p>\n<p>Cada padre, \u00e0 frente de uma par\u00f3quia, considere que esta \u00e9 \u201ca por\u00e7\u00e3o da sua heran\u00e7a\u201d (cf. Sl 16,5); a \u201ccasa de Deus\u201d, entregue aos seus cuidados para ser administrada fielmente (cf. Lc 16,1); o rebanho de Cristo, confiado ao seu zelo pessoal, para ser pastoreado, \u201cn\u00e3o por coa\u00e7\u00e3o, mas de cora\u00e7\u00e3o generoso e livre, como modelo do rebanho\u201d (cf. 1Pd 5,1-4).<\/p>\n<p>Aos fi\u00e9is leigos de cada par\u00f3quia quero estimular \u00e0 colabora\u00e7\u00e3o generosa com seu p\u00e1roco e com os demais sacerdotes que nela estiverem exercendo o minist\u00e9rio. Nenhum padre conseguir\u00e1 levar avante sozinho a sua miss\u00e3o, que tamb\u00e9m \u00e9 miss\u00e3o de toda a Igreja. Tenham apre\u00e7o pelo sacerdote e o assistam em suas humanas limita\u00e7\u00f5es e dificuldades, bem lembrados daquilo que Cristo disse: \u201cquem vos ouve, a mim ouve, quem vos despreza, a mim despreza; e quem despreza a mim, despreza Aquele que me enviou\u201d (cf. Lc 10,16).<\/p>\n<p><strong>10. A exemplo de S\u00e3o Paulo<\/strong><\/p>\n<p>Para ser \u201cIgreja disc\u00edpula e mission\u00e1ria de Jesus Cristo na cidade de S\u00e3o Paulo, o qu\u00ea temos a aprender do ap\u00f3stolo S\u00e3o Paulo, nosso Patrono?<\/p>\n<p>Antes de encerrar esta carta, voltemos nosso olhar para o Ap\u00f3stolo Paulo, Patrono de nossa Arquidiocese. Dele temos muito a aprender, quer da sua convers\u00e3o e ades\u00e3o incondicional a Jesus Cristo, quer do seu amor generoso ao Evangelho, que o fez mission\u00e1rio corajoso e incans\u00e1vel no meio dos povos, quer ainda do seu m\u00e9todo mission\u00e1rio.<\/p>\n<p>Paulo teve sempre a preocupa\u00e7\u00e3o de iniciar a evangeliza\u00e7\u00e3o com o an\u00fancio do querigma, mediante o qual a f\u00e9 era despertada; tinha contatos pessoais com o povo; formava, a seguir, uma comunidade crist\u00e3, que ele mesmo continuava a instruir e a pastorear com muito zelo, como lemos nas suas cartas. E n\u00e3o deixava de preparar pessoas, que encarregava de cuidar das comunidades, enquanto ele prosseguia abrindo fronteiras mission\u00e1rias.<\/p>\n<p>\u00c9 interessante observar que Paulo n\u00e3o trabalhava sozinho, mas acompanhado por numerosos companheiros de miss\u00e3o, como Barnab\u00e9, Jo\u00e3o Marcos, Tim\u00f3teo, Tito, Silas e tantos outros. Tinha contato pessoal com muitas pessoas, como podemos perceber pelas sauda\u00e7\u00f5es no final da Carta aos Romanos (cf. Rm 16), da Carta aos Colossenses (cf. Cl 4, 7-18) e da 2\u00aa Carta a Tim\u00f3teo (cf. 2Tm 4,19-20). A miss\u00e3o e a evangeliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o obra para uns poucos, mas para muitos \u201cirm\u00e3os e companheiros no Senhor\u201d.<\/p>\n<p>Em nossas par\u00f3quias, \u00e9 necess\u00e1rio despertar um novo ardor mission\u00e1rio, para que muitas pessoas abracem esta causa com f\u00e9, esperan\u00e7a e entusiasmo, \u201cconfiados \u00e0 gra\u00e7a do Senhor\u201d. A forma\u00e7\u00e3o e prepara\u00e7\u00e3o dessas pessoas \u00e9 indispens\u00e1vel para desenvolver nas par\u00f3quias uma nova atitude mission\u00e1ria. Que o exemplo e o ardor mission\u00e1rio de S\u00e3o Paulo contagiem nossa Igreja. Recomendo a recita\u00e7\u00e3o freq\u00fcente da Ora\u00e7\u00e3o a S\u00e3o Paulo, Patrono de nossa Arquidiocese.<\/p>\n<p>Nossa Igreja, em S\u00e3o Paulo, al\u00e9m de confiar na intercess\u00e3o e prote\u00e7\u00e3o materna de Nossa Senhora da Assun\u00e7\u00e3o, dos Santos Padroeiros das par\u00f3quias e comunidades, agradece o trabalho e exemplo mission\u00e1rio de tantos que nos precederam nesta messe do Senhor em terras do Planalto de Piratininga: ao beato Pe. Anchieta e, com ele, ao Pe. N\u00f3brega e seus companheiros, que aqui lan\u00e7aram as primeiras sementes do Evangelho; aos bem-aventurados e santos Frei Galv\u00e3o, Madre Paulina e Padre Mariano, que honram a Igreja de S\u00e3o Paulo, nos acompanham na miss\u00e3o e nos estimulam a seguir seu exemplo; aos dedicados bispos e padres, que pastorearam este \u201crebanho do Senhor\u201d, antes de n\u00f3s; aos in\u00fameros mission\u00e1rios que para c\u00e1 vieram e gastaram suas vidas pelo Reino de Deus; aos imigrados de tantas origens, que trouxeram sua f\u00e9, deixando-a impressa em numerosas obras, como as capelas e igrejas que hoje usamos, na edifica\u00e7\u00e3o das par\u00f3quias, col\u00e9gios, conventos, mosteiros, obras sociais, bens culturais, obras de arte&#8230; Aos religiosos e religiosas, que testemunharam sua consagra\u00e7\u00e3o radical ao Evangelho em in\u00fameras obras da Igreja; aos milh\u00f5es de leigos e leigas, casais e fam\u00edlias cat\u00f3licas, que batizaram seus filhos e lhes comunicaram a heran\u00e7a e a alegria da vida crist\u00e3, no cultivo da f\u00e9 em seus lares.<\/p>\n<p>A Igreja que peregrina hoje em S\u00e3o Paulo quer honrar a heran\u00e7a recebida e renovar-se na alegria de crer e de seguir pelos caminhos do Evangelho, como comunidade de disc\u00edpulos mission\u00e1rios de Cristo. Ao mesmo tempo, quer renovar-se na miss\u00e3o, em cada membro e em cada uma de suas comunidades, para que o Evangelho de Cristo continue a iluminar e a orientar a vida do povo paulistano e nossa Igreja seja enriquecida com o testemunho de tantos disc\u00edpulos-mission\u00e1rios de Jesus Cristo nesta cidade. Que nossa miss\u00e3o se torne concreta e din\u00e2mica em cada par\u00f3quia. O Esp\u00edrito Santo n\u00e3o deixa de assistir, iluminar e confortar os disc\u00edpulos mission\u00e1rios de Jesus Cristo. Deus aben\u00e7oe a todos!<\/p>\n<p>S\u00e3o Paulo, na comemora\u00e7\u00e3o do Patrono da Arquidiocese, S\u00e3o Paulo Ap\u00f3stolo, 25 de janeiro de 2011.<\/p>\n<p>Cardeal Dom Odilo Pedro Scherer<br \/>\nArcebispo de S\u00e3o Paulo<\/p>\n<hr \/>\n<p>Saiba mais:<\/p>\n<p>* <a href=\"http:\/\/www.oarcanjo.net\/site\/index.php\/noticias\/destaque-pastoral-e-indicacoes-metodologicas\">Destaque Pastoral e Indica\u00e7\u00f5es Metodol\u00f3gicas<\/a><\/p>\n<p>* Clique <a title=\"Carta Pastoral\" href=\"http:\/\/www.oarcanjo.net\/site\/wp-content\/uploads\/carta_pastoral.pdf\">aqui para copiar a \u00edntegra da Carta Pastoral<\/a> para o seu computador<\/p>\n<div id=\"themify_builder_content-13184\" data-postid=\"13184\" class=\"themify_builder_content themify_builder_content-13184 themify_builder themify_builder_front\">\n\t<\/div>\n<!-- \/themify_builder_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aos Excelent\u00edssimos Bispos Auxiliares, Aos Padres, Di\u00e1conos e Religiosos\/as, Aos Leigos e Leigas da Arquidiocese de S\u00e3o Paulo Queridos irm\u00e3os,\u00a0filhos e filhas da Igreja que est\u00e1 em S\u00e3o Paulo: Com a celebra\u00e7\u00e3o de nosso Patrono, o Ap\u00f3stolo S\u00e3o Paulo, iniciamos mais um ano pastoral em nossa Arquidiocese. 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