
{"id":13411,"date":"2011-03-07T20:46:19","date_gmt":"2011-03-07T23:46:19","guid":{"rendered":"http:\/\/www.oarcanjo.net\/site\/?p=13411"},"modified":"2011-03-07T20:46:19","modified_gmt":"2011-03-07T23:46:19","slug":"onde-repousa-teu-coracao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.oarcanjo.net\/site\/onde-repousa-teu-coracao\/","title":{"rendered":"Onde repousa teu cora\u00e7\u00e3o?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><em>Pe. Alfredo J. Gon\u00e7alves, CS<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>Um<\/em><\/strong><em><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Onde repousa teu cora\u00e7\u00e3o? No sucesso do presente? Na beleza fugaz e ef\u00eamera? Na moda que se acende e apaga como a noite e o dia? Mas tudo isso n\u00e3o passam de fuma\u00e7a passageira e enganosa. Sucessos e fracassos costumam se comportar como ondas alternadas: ora se levantam e se agigantam, ora se curvam e tombam, rebentando irremediavelmente sobre o ch\u00e3o. Ao mesmo tempo, alegram e logo entristecem. Confiar em sucesso \u00e9 como caminhar sobre corda bamba. A qualquer escorreg\u00e3o, tudo vem abaixo. Verdadeiro show pirot\u00e9cnico: sobe com profus\u00e3o de cores, desenhos e brilho; mas, com a mesma rapidez se apaga e desce, convertendo tudo na mais densa escurid\u00e3o. Quem vive do sucesso, oscila entre a euforia e a tristeza, sem conhecer o repouso do meio termo. Fogos de artif\u00edcio: ap\u00f3s a luz intensa e fugaz, resta um punhado de cinzas que o vento varre. P\u00f3 que desaparece ao menor sopro de uma brisa vespertina. O sucesso no presente n\u00e3o passa de uma fortaleza bem fr\u00e1gil, sempre amea\u00e7ada pelos imprevistos do futuro, ou pelas sombras do passado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cVaidade das vaidades, tudo \u00e9 vaidade\u201d, diz a sabedoria do Eclesiastes. O sucesso ou o glamour, com seus revestimentos e cosm\u00e9ticos aparentes, multiplica palcos, cen\u00e1rios, plat\u00e9ias; nutre-se de c\u00e2meras e a\u00e7\u00e3o, holofotes e microfones; envolve personalidades e celebridades com uma aura aparentemente imortal. Por\u00e9m, o p\u00fablico que ergue est\u00e1tuas e as cultua \u00e9 o mesmo que, cedo ou tarde, ir\u00e1 reduzi-las a ru\u00ednas e escombros. Aplausos e vaias se mesclam, se confundem e se sobrep\u00f5em com uma altern\u00e2ncia espantosa. O exemplo do futebol bastaria para nos abrir os olhos. Her\u00f3is de belos dribles estonteantes e de alguns gols, facilmente se convertem em vil\u00f5es de\u00a0 inevit\u00e1veis trope\u00e7\u00f5es. Nada \u00e9 mais ef\u00eamero e vol\u00favel do que os sentimentos e comportamentos de uma arquibancada compacta. A multid\u00e3o da plat\u00e9ia \u201caplaude e pede bis\u201d, como diz a can\u00e7\u00e3o; mas tamb\u00e9m, com o mesmo \u00edmpeto, distribui palavr\u00f5es e condena ao ostracismo. Vit\u00f3rias e derrotas sucedem-se, frias e quentes, como as esta\u00e7\u00f5es do ano. A embriaguez da fama, a exemplo de qualquer tipo de embriaguez, se dissolve numa noite de sono. Podem ser aplicadas aqui as palavras do salmista, embora se refiram a toda a vida humana: \u201cEles passam como o sono da manh\u00e3, s\u00e3o iguais \u00e0 erva verde dos campos: de manh\u00e3 ela floresce vicejante, mas \u00e0 tarde \u00e9 cortada e logo seca\u201d (Sl 89, 5-6). Cora\u00e7\u00e3o que descansa sobre o sucesso, rumina e amarga o press\u00e1gio do esquecimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>Dois<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Onde repousa teu cora\u00e7\u00e3o? Sobre o dinheiro, a renda e a riqueza; sobre as contas banc\u00e1rias e as propriedades adquiridas; sobre o brilho das j\u00f3ias e os bens de luxo; sobre a posse de roupas, carros e equipamentos de \u00faltima gera\u00e7\u00e3o? Tamb\u00e9m aqui os fantasmas do medo rondam as portas e janelas das mans\u00f5es e dos pal\u00e1cios, por mais herm\u00e9ticas e intranspon\u00edveis que elas sejam. Os mais sofisticados sistemas de seguran\u00e7a n\u00e3o conseguem eliminar o espectro da incerteza e da inseguran\u00e7a. Nenhum travesseiro traz tanta ins\u00f4nia quanto o capital acumulado. Todo o que se acumula sofre de duas enfermidades cr\u00f4nicas: apodrece e atrai os abutres. S\u00e3o os tesouros que a tra\u00e7a corr\u00f3i e os ladr\u00f5es podem carregar, como bem mostra a sabedoria de Jesus no Evangelho. E continua: onde est\u00e1 teu tesouro, a\u00ed est\u00e1 teu cora\u00e7\u00e3o. Irrequieto e sobressaltado em propor\u00e7\u00e3o \u00e0quilo que tem que defender. Riquezas exigem armaz\u00e9ns; estes necessitam de guardas; e os guardas formam o olhar do propriet\u00e1rio. Como repousar diante dessa montanha de riquezas, t\u00e3o oculta, guardada e silenciosa quanto aparentemente barulhenta e cobi\u00e7ada?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As turbul\u00eancias do mercado globalizado, o sobe-e-desce das bolsas de valores, a cota\u00e7\u00e3o do d\u00f3lar, os pre\u00e7os dos produtos e a possibilidade de lucros sempre maiores&#8230; Tudo isso faz trepidar o colch\u00e3o sobre o qual teu corpo esgotado busca repouso. S\u00e3o extremamente t\u00eanues e d\u00e9beis os fios que costuram a rede da economia capitalista. Com a velocidade de um toque na tecla do computador, tudo pode se alterar. Fortunas de muitos zeros podem subir e declinar com a mesma rapidez. N\u00e3o \u00e9 t\u00e3o raro que milion\u00e1rios e bilion\u00e1rios tenham de assistir, de um dia para a noite, \u00e0 evapora\u00e7\u00e3o de seus ganhos. Bem diz Shakespeare em uma de suas pe\u00e7as: \u201ctens preocupa\u00e7\u00f5es em demasia com este mundo; perdem-no aqueles que o compram \u00e0 custa do excesso de cuidados\u201d (<em>O Mercador de Veneza<\/em>, Ato I, Cena 1).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>Tr\u00eas<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Onde repousa teu cora\u00e7\u00e3o? Na compuls\u00e3o do consumo, no acompanhamento dos \u00faltimos objetos da moda, na procura de objetos que preencham a sede e a fome que assalta a todo o ser humano? Mas todo esse esfor\u00e7o de busca n\u00e3o faz sen\u00e3o aumentar a pr\u00f3pria sede e a fome. Neste caso, a matem\u00e1tica parece nos trair: quanto mais artefatos, bijuterias e bagatelas acumulamos, mais se aprofunda o vazio da pr\u00f3pria exist\u00eancia. Cada vez mais as vitrines dos grandes centros comerciais \u2013 shopping centers \u2013 nos atraem e nos fascinam. Luzes, cores, variedades e disposi\u00e7\u00e3o seduzem o consumidor inveterado. Mas a aquisi\u00e7\u00e3o dos objetos nos frustra. A posse desfaz a magia. Somente desejamos o que ainda est\u00e1 longe de nossas m\u00e3os. Assim que as coisas se tornam nossas, como que perdem o valor que tanto nos atra\u00eda. O resultado \u00e9 encher gavetas e mais gavetas de produtos que, com rapidez extraordin\u00e1ria, se convertem em lixo. Lixo antes mesmo de desfazer a embalagem, antes de chegar em casa! Tudo mexe com nossos desejos e tudo \u00e9 igualmente descart\u00e1vel. Pulamos facilmente de um desejo a outro e, em consequ\u00eancia, nos empanturramos de bens sup\u00e9rfluos. O mais grave \u00e9 que o desejo tem uma din\u00e2mica crescente. De um objeto a outro, aumenta simultaneamente o grau de fasc\u00ednio e de rejei\u00e7\u00e3o. Nenhum cora\u00e7\u00e3o pode repousar sobre o verniz falso das mercadorias que, com um misto de sedu\u00e7\u00e3o e indiferen\u00e7a se adquirem, se banalizam e se descartam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Resulta desse processo uma insatisfa\u00e7\u00e3o progressiva. Compramos para aliviar o desejo, mas este s\u00f3 faz crescer diante das coisas adquiridas. Voltamos \u00e0 loja com sede redobrada atr\u00e1s das \u00faltimas novidades. Nova compra e nova insatisfa\u00e7\u00e3o. E assim o c\u00edrculo vicioso vai se ampliando em espiral. Ficamos presos na ratoeira do consumo, pois sempre um produto ainda inusitado e, portanto, mais fortemente cobi\u00e7ado. O marketing e a propaganda, com seus agentes de publicidade, se encarregam de manter girando essa roda do mercado. Criam necessidades sempre novas e, n\u00e3o raro, absolutamente dispens\u00e1veis. \u00c9 o que se poderia chamar de <em>globaliza\u00e7\u00e3o intensiva<\/em>, que tem a fun\u00e7\u00e3o de manter vivo e ampliar o desejo dos que j\u00e1 est\u00e3o incorporados ao mercado mundial. Paralelo a esse esfor\u00e7o, caminha a <em>globaliza\u00e7\u00e3o extensiva<\/em>, que, ao contr\u00e1rio, procura incorporar novos consumidores e novos territ\u00f3rios ao mercado global. Consolida-se dessa forma o crescimento compulsivo da economia capitalista, em detrimento do meio ambiente e da qualidade de vida em todas as suas formas, como nos alertam os cientistas, os movimentos sociais e, em especial os ambientalistas. A ordem \u00e9 produzir, vender\/comprar e consumir, numa velocidade tal que ca\u00edmos no v\u00f3rtice voraz de uma devasta\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>Quatro<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Onde repousa teu cora\u00e7\u00e3o? Sobre t\u00edtulos, prest\u00edgio, nome e renome; sobre a prolifera\u00e7\u00e3o de mestrados e doutorados, simbolizados no \u201ccanudo\u201d; sobre o af\u00e3 de galgar os degraus da sociedade assim\u00e9trica ou da hierarquia institucional; sobre o posto conquistado no mercado de trabalho, a cadeira cativa no campo legislativo ou o poder de influ\u00eancia no labirinto do executivo e do judici\u00e1rio? Mas, tal como no caso do sucesso e insucesso, aqui tamb\u00e9m a gangorra n\u00e3o perdoa. O prest\u00edgio e a influ\u00eancia s\u00e3o t\u00e3o vol\u00e1teis quanto a fuma\u00e7a ou as promessas de palanque. Pior ainda: raramente se livram do v\u00edrus da corrup\u00e7\u00e3o, do nepotismo, do abuso e do tr\u00e1fico da for\u00e7a e de tantas outras bact\u00e9rias que proliferam nos corredores muitas vezes infectos da pol\u00edtica. Que cora\u00e7\u00e3o pode repousar em meio \u00e0s intrigas, disputas e ru\u00eddos das salas e sal\u00f5es das C\u00e2meras e do Senado? No jogo de \u201cposi\u00e7\u00e3o e oposi\u00e7\u00e3o\u201d, vit\u00f3rias e derrotas est\u00e3o sempre \u00e1 espreita. As batalhas se sucedem, os animas se exaltam, multiplicam-se os discursos prolixos&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E que resulta de todo este gasto de energia? Esquerda e direita de embaralham e se confundem de tal forma, que as fronteiras se quedam completamente borradas. A \u00e9tica do bem comum d\u00e1 lugar ao jogo de interesses, ao balc\u00e3o de neg\u00f3cios ou \u00e0 simples compra e venda de opini\u00f5es. Os partidos n\u00e3o passam de escadas para subir da plan\u00edcie ao planalto, do primeiro ao segundo andar. Escadas que se trocam e se abandonam como quem troca de roupa ou cal\u00e7ado. Canais, instrumentos e mecanismos de poder s\u00e3o manipulados de forma inescrupulosa, n\u00e3o de acordo com as necessidades b\u00e1sicas da popula\u00e7\u00e3o, e sim conforme as vantagens e desvantagens das classes dominantes, das elites hist\u00f3ricas ou da \u201cnova companheirada\u201d. A no\u00e7\u00e3o de democracia se desgasta com pr\u00e1ticas que pouco ou nada respeitam as exig\u00eancias de uma efetiva decis\u00e3o democr\u00e1tica, participativa. Da\u00ed que na \u00e1rea dos pa\u00edses ocidentais, frequentemente o conceito de democracia nada mais \u00e9 do que o arcabou\u00e7o legal do sistema de explora\u00e7\u00e3o capitalista de filosofia liberal\/neoliberal. O jogo de fachada do exerc\u00edcio democr\u00e1tico \u2013 elei\u00e7\u00f5es, candidatos, urnas, votos, etc. \u2013 s\u00f3 faz reproduzir os privil\u00e9gios hist\u00f3ricos e estruturais dos moradores da casa Grande. A democracia ocidental surfa nas ondas superficiais da pol\u00edtica, ou da politicagem, sem mergulhar seriamente nas correntes subterr\u00e2neas da economia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>Quinto<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Onde repousa teu cora\u00e7\u00e3o? Na ast\u00facia e na malicia que se delicia em orquestrar a vingan\u00e7a? No entrela\u00e7amento de sentimentos de rancor e \u00f3dio, cujo objetivo \u00e9 urdir redes de intrigas e difama\u00e7\u00f5es? No terreno da inveja e do ci\u00fame, que s\u00f3 faz crescer a ciz\u00e2nia no meio do trigo? Tramas dessa natureza costumam deixar o cora\u00e7\u00e3o em efervesc\u00eancia e inquietude constante. N\u00e3o h\u00e1 descanso poss\u00edvel! Bem sabemos que cada mentira necessita de uma s\u00e9rie de outras para manter-se de p\u00e9. O mecanismo desencadeado pelo ressentimento cria uma teia de aranha t\u00e3o inextrinc\u00e1vel e labir\u00edntica que facilmente ca\u00edmos nas pr\u00f3prias armadilhas. \u201cO feiti\u00e7o se volta contra o feiticeiro\u201d, insiste com raz\u00e3o o ditado popular. Quando entra em jogo n\u00e3o a luz e a verdade, mas a esperteza e a engana\u00e7\u00e3o, \u00e9 preciso arquitetar mil maneiras para superar as \u201cmaracutaias\u201d do advers\u00e1rio. Sim, as rela\u00e7\u00f5es tornam-se ciladas de um inimigo contra o outro. O conflito se instala e imp\u00f5e uma aten\u00e7\u00e3o redobrada. Inaugura-se uma espiral de viol\u00eancia crescente que s\u00f3 faz acirrar os \u00e2nimos. Cora\u00e7\u00e3o que se lan\u00e7a nesse jogo de xadrez perde completamente o sossego. Vive aos sobressaltos: qualquer ru\u00eddo, qualquer not\u00edcia, qualquer sombra toma as dimens\u00f5es de um fantasma amea\u00e7ador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nem precisaria acrescentar que o rancor e o \u00f3dio, a disc\u00f3rdia e a vingan\u00e7a, a atitude de revanche e desamor comprometem seriamente a sa\u00fade f\u00edsica, mental e ps\u00edquica. O mesmo ocorre com o sentimento de culpa, fonte de n\u00e3o poucos dist\u00farbios pessoais e relacionais. Quando a culpa e a m\u00e1goa se convertem numa esp\u00e9cie de sensa\u00e7\u00e3o doentia, podemos imaginar rea\u00e7\u00f5es inesperadas, que, em freq\u00fcentes e r\u00e1pidas oscila\u00e7\u00f5es, v\u00e3o facilmente da euforia \u00e0 depress\u00e3o. Boa parte das pessoas cultiva a m\u00e1goas e a culpas como verdadeiros bichinhos de estima\u00e7\u00e3o. Assim, em meio a um clima de alegria e festa, costumam surpreender seus acompanhantes, como um p\u00e1ssaro errante que precisa encontrar um galho onde efetuar um pouso de emerg\u00eancia, para sustentar o peso de seu fardo, muitas vezes falso e imagin\u00e1rio. Tamb\u00e9m neste caso, o cora\u00e7\u00e3o permanece escravo de uma mente m\u00f3rbida, que n\u00e3o se cansa de encontrar motivos para o pessimismo mais devastador. Em semelhante atmosfera, proliferam as palavras envenenadas, o sil\u00eancio ou mutimo constrangedor, as brigas cegas, mudas e surdas pelo poder, o prest\u00edgio, a influ\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Numerosos personagens da literatura constituem personifica\u00e7\u00f5es exemplares da farsa e da ast\u00facia, cuja fun\u00e7\u00e3o \u00e9 minar o caminho dos demais. Nesse campo, destaca-se de forma not\u00f3ria o g\u00eanio de Shakespeare em criar figuras vivas e ativas que se esmeram em costurar intrigas com consequ\u00eancias quase sempre tr\u00e1gicas. As mais evidentes s\u00e3o, sem d\u00favida, Falstaff, Iago, Edmundo, Lady Macbeth. S\u00e3o seres de intelig\u00eancia e imagina\u00e7\u00e3o extremamente agu\u00e7adas e perversas. Trazem ao palco os instintos, impulsos, paix\u00f5es e interesses que cada um de n\u00f3s procura esconder no canto mais escondido do cora\u00e7\u00e3o. Desnudam as contradi\u00e7\u00f5es e incongru\u00eancias mais ocultas nas entranhas do ser humano. Para utilizar a linguagem de Freud, esses personagens shakesperianos, tr\u00eas s\u00e9culos antes da cria\u00e7\u00e3o da psican\u00e1lise, exibem nua e cruamente aquilo que o ego e o superego pro\u00edbem ao id de revelar. Se \u00e9 verdade que Freud sistematiza em termos de conceitos as \u201cervas daninhas\u201d que se abrigam no inconsciente, o dramaturgo ingl\u00eas as p\u00f5e em cena e as escancara na frente do p\u00fablico. Ali\u00e1s, seu sucesso reside no fato de a plat\u00e9ia identificar-se t\u00e3o prontamente com os sentimentos contradit\u00f3rios trazidos ao centro do palco. N\u00e3o descansa o cora\u00e7\u00e3o de personagens como Iago, os dem\u00f4nios de Dostoievski ou o Fausto de Goethe. Vivem acorrentados \u00e0 ratoeira que eles mesmos armaram.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>Sexto<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E ent\u00e3o, onde repousa teu cora\u00e7\u00e3o? Inevit\u00e1vel a refer\u00eancia a santo Agostinho: o cora\u00e7\u00e3o humano debate-se irrequieto at\u00e9 que n\u00e3o descanse na Casa de Deus, de onde proveio. Tamb\u00e9m \u00e9 inevit\u00e1vel acompanhar as palavras, passos e pr\u00e1tica de Jesus. Nu, pobre, livre e alegre, caminha com leveza incr\u00edvel em dire\u00e7\u00e3o ao Reino de Deus. Experimentada a intimidade com o pai (Abba), em noites e noites de sil\u00eancio e escuta, relativiza bens, t\u00edtulos, prest\u00edgio, poder, riqueza, fama, sucesso, apropria vida&#8230; Porque conhece o tesouro escondido, a p\u00e9rola mais preciosa, a semente que cresce oculta na terra, como deixa transparecer em suas par\u00e1bolas. A pr\u00f3pria impot\u00eancia e abandono, no alto da cruz, revela um novo poder, o poder infinito do amor, que \u00e9 capaz de destruir a dial\u00e9tica perversa em que a viol\u00eancia gera mais viol\u00eancia. O perd\u00e3o como resposta de Deus \u00e0 agress\u00e3o humana desfaz a din\u00e2mica espiral da pr\u00f3pria agressividade. Ou seja, a vingan\u00e7a de Deus se chama amor e perd\u00e3o, miseric\u00f3rdia e compaix\u00e3o. Vale tamb\u00e9m o exemplo de Saulo, o \u201cjudeu irrepreens\u00edvel\u201d, perseguidor dos crist\u00e3os, o qual considera toda sua forma\u00e7\u00e3o como lixo diante do encontro com a Boa Nova de Jesus cristo, convertendo-se no ap\u00f3stolo Paulo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cCora\u00e7\u00e3o de gente \u00e9 terra selvagem\u201d, diz Riobaldo Tartarana, personagem de <em>Grande Sert\u00e3o \u2013 Veredas<\/em>, de Guimar\u00e3es Rosa. Desejos e temores, instintos e contradi\u00e7\u00f5es, sonhos e lutas, perguntas e inquieta\u00e7\u00f5es, medos e amea\u00e7as disputam palmo a palmo desse terreno inc\u00f3gnito. Como encontrar paz em meio a tantas paix\u00f5es, incongru\u00eancias buscas e interroga\u00e7\u00f5es sem resposta? Somente uma abertura ao mist\u00e9rio de Deus, colocando em suas m\u00e3os todas nossas \u201calegrias e esperan\u00e7as, tristezas e ang\u00fastias\u201d pode trazer o repouso. N\u00e3o se trata de transferir para o al\u00e9m a resolu\u00e7\u00e3o dos problemas que nos afligem. A ora\u00e7\u00e3o ou contempla\u00e7\u00e3o n\u00e3o modifica nossos problemas, modifica isto sim nossa maneira de encar\u00e1-los. Por outro lado, a abertura ao mist\u00e9rio divino tamb\u00e9m nos abre ao mist\u00e9rio humano, \u00e0 rela\u00e7\u00e3o eu-tu, ao encontro consigo mesmo e a uma nova conviv\u00eancia com as coisas e com a natureza. Aqui permanece emblem\u00e1tica a figura do pobre de Assis, com seu Canto das Criaturas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A\u00ed sim, pode o cora\u00e7\u00e3o repousar. Nada possuindo como pr\u00f3prio, nada tem a perder. Voltando uma vez mais a Santo Agostinho, o nada se torna tudo e o tudo, nada! A pessoa que n\u00e3o esta escrava de suas riquezas, t\u00edtulos e prest\u00edgio pode tranquilamente dispensar fortalezas, guardas, sistemas de seguran\u00e7a. O travesseiro e o colch\u00e3o se lhe tornam leves, o sono tranquilo e repousante. A transpar\u00eancia lhe d\u00e1 asas. Os fantasmas e espectros do medo e da inquieta\u00e7\u00e3o n\u00e3o lhe rondam a casa. Vejam os p\u00e1ssaros do c\u00e9u e os l\u00edrios do campo que, sem qualquer esfor\u00e7o para semear ou armazenar, ganham suas roupas e alimentos da m\u00e3o do pr\u00f3prio Deus. Se Ele assim os reveste e os nutre, que n\u00e3o far\u00e1 com seus filhos e filhas, criados \u00e0 sua imagem e semelhan\u00e7a? Por isso \u201cn\u00e3o vos preocupeis com o dia de amanh\u00e3, pois o dia de amanh\u00e3 ter\u00e1 suas preocupa\u00e7\u00f5es! Para cada dia bastam seus pr\u00f3prios problemas\u201d (Mt 6, 24-34). Ou ainda: \u201cN\u00e3o se perturbe o vosso cora\u00e7\u00e3o (&#8230;). Na casa de meu Pai h\u00e1 muitas moradas (&#8230;). Eu sou o caminho, a verdade e a vida\u201d (Jo, 14, 1-21).<\/p>\n<div id=\"themify_builder_content-13411\" data-postid=\"13411\" class=\"themify_builder_content themify_builder_content-13411 themify_builder themify_builder_front\">\n\t<\/div>\n<!-- \/themify_builder_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pe. Alfredo J. Gon\u00e7alves, CS Um Onde repousa teu cora\u00e7\u00e3o? No sucesso do presente? Na beleza fugaz e ef\u00eamera? Na moda que se acende e apaga como a noite e o dia? Mas tudo isso n\u00e3o passam de fuma\u00e7a passageira e enganosa. 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