
{"id":13496,"date":"2011-03-13T15:24:24","date_gmt":"2011-03-13T18:24:24","guid":{"rendered":"http:\/\/www.oarcanjo.net\/site\/?p=13496"},"modified":"2011-03-13T15:24:24","modified_gmt":"2011-03-13T18:24:24","slug":"o-arameu-errante","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.oarcanjo.net\/site\/o-arameu-errante\/","title":{"rendered":"O arameu errante"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><em>Pe. Alfredo J. Gon\u00e7alves, CS<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Que h\u00e1 de comum entre Abra\u00e3o e o ap\u00f3stolo Paulo, de um lado, Ulisses e Dom Quixote, de outro? Por mais d\u00edspares que sejam esses quatro personagens, extra\u00eddos reciprocamente do contexto b\u00edblico e da literatura, desfilam todos ante nossos olhos como \u201cfiguras errantes\u201d. \u00c0 sua maneira, cada um deles protagoniza a condi\u00e7\u00e3o do ser humano sobre a face da terra, h\u00f3spede de um solo estrangeiro, em busca da p\u00e1tria definitiva. Aqui nos limitaremos a acompanhar mais de perto os passos \u2013 tr\u00f4pegos, titubeantes ou decisivos \u2013 do patriarca Abra\u00e3o, o \u201cpai de nossa f\u00e9\u201d, de acordo com a Carta aos Hebreus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>1.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong><strong>O chamado e a resposta<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A voca\u00e7\u00e3o de Abra\u00e3o constitui uma narrativa javista, \u00a0\u201ccom algumas adi\u00e7\u00f5es sacerdotais ou redacionais\u201d, de acordo com os coment\u00e1rios da B\u00edblia de Jerusal\u00e9m. \u00c9 o que se l\u00ea no cap\u00edtulo 12 do Livro do G\u00eanesis:\u00a0 \u201cIahweh disse a Abra\u00e3o: \u2018sai da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei\u2019\u201d (Gn 12,1). Atendendo ao chamado de Deus, parte o patriarca com a mulher Sara, por enquanto anci\u00e3 e est\u00e9ril. Os caminhos a seguir e a terra a ser alcan\u00e7ada ainda lhe s\u00e3o desconhecidos. Como veremos mais adiante, \u00e9 a f\u00e9 que o faz romper com o apego \u00e0 terra natal e, ao mesmo tempo, o guia para um futuro incerto e inc\u00f3gnito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m dos exemplos tirados da literatura e de outros textos b\u00edblicos, contam-se aos milh\u00f5es o n\u00famero de migrantes que vivenciam concretamente essa experi\u00eancia. Pressionados por condi\u00e7\u00f5es socioecon\u00f4micas adversas, a teimosia pela sobreviv\u00eancia, simbolizada na voz de Deus, os p\u00f5e em marcha. Passam a conhecer toda sorte de obst\u00e1culos e desafios, hostilidades e\u00a0 problemas, mas desconhecem o que os espera. Apesar de veredas \u00e1rduas e \u00edngremes e de um horizonte nebuloso, enfrentam a travessia. A luta pela vida \u00e9 mais premente que a in\u00e9rcia. Parafraseando Euclides da Cunha, \u201co migrante \u00e9 antes de tudo um forte\u201d. Empreendem a gigantesca tarefa de refazer o pr\u00f3prio destino.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com freq\u00fc\u00eancia, s\u00e3o os conflitos de ordem pol\u00edtica, ideol\u00f3gica ou at\u00e9 religiosa que ao atiram \u00e0 estrada. Neste caso, na condi\u00e7\u00e3o de refugiados, est\u00e3o praticamente proibidos de olhar para tr\u00e1s. Em seus calcanhares, lhes assolam o medo, a persegui\u00e7\u00e3o e o risco de morte. \u00c9 preciso avan\u00e7ar sempre para diante. Em meio a terras e multid\u00f5es estranhas, \u00e9 preciso abrir uma picada na mata escura. Muitas vezes sequer h\u00e1 tempo para uma parada, um descanso, um al\u00edvio tempor\u00e1rio. Em numerosos casos, \u00e9 o pr\u00f3prio trabalho que os p\u00f5e em movimento. Basta pensar nos marinheiros, aerovi\u00e1rios, motoristas, circenses, parquistas, t\u00e9cnicos de empresas, entre tantos outros. Tamb\u00e9m o estudo move uma por\u00e7\u00e3o de jovens, na esperan\u00e7a de melhores condi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em quase todos esses exemplos, \u00e9 a fuga que lhes comanda o cora\u00e7\u00e3o e as pernas. Escapam de condi\u00e7\u00f5es adversas, tentando encontrar sa\u00eddas para uma sobreviv\u00eancia sempre dif\u00edcil, que parece escorregar pelos dedos da m\u00e3o. Como tornar semelhante fuga em nova busca? Como fazer com que o chamado de Deus \u00e0 vida tenha como resposta o respeito \u00e0 dignidade humana e a cidadania efetiva de cada migrante? \u00c9 o que veremos em seguida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>2.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong><strong>A promessa e a ben\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No apelo de Iahweh a Abra\u00e3o, a ordem de sa\u00edda vem acompanhada por uma promessa e uma ben\u00e7\u00e3o: \u201cEu farei de ti um grande povo, eu te aben\u00e7oarei, engrandecerei teu nome; s\u00ea uma ben\u00e7\u00e3o\u201d (Gn 1,2). Mas o an\u00fancio de uma numerosa descend\u00eancia vem acompanhado de algo mais s\u00f3lido: \u201c\u00c9 \u00e0 tua posteridade que eu darei esta terra\u201d (Gn 1,7). Terra e povo forma duas faces da mesma moeda. De fato, que seria de uma fam\u00edlia, um grupo ou um povo sem um territ\u00f3rio onde ficar as pr\u00f3prias ra\u00edzes?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Do ponto de vista teol\u00f3gico, a Carta aos Hebreus desenvolve o conte\u00fado e o car\u00e1ter dessa promessa. \u201cCom efeito, quando Deus fez a promessa a Abra\u00e3o, n\u00e3o havendo um maior por quem jurasse, jurou por si mesmo, dizendo: eu te cumularei de b\u00ean\u00e7\u00e3os e te multiplicarei em grande n\u00famero. Abra\u00e3o foi perseverante e viu a promessa se realizar (&#8230;). Por isso, Deus mostrou com insist\u00eancia aos herdeiros da promessa o car\u00e1ter irrevog\u00e1vel de sua decis\u00e3o\u201d. Promessa e ben\u00e7\u00e3o acompanham o Povo de Israel, quer como saudade do para\u00edso perdido, quer como conquista de uma nova p\u00e1tria. \u00c9 assim que \u201ca esperan\u00e7a \u00e9 para n\u00f3s qual \u00e2ncora da alma, segura e firme, penetrando para al\u00e9m do v\u00e9u, onde Jesus entrou por n\u00f3s, como precursor, feito sumo sacerdote para a eternidade, segundo a ordem de Melquisedec\u201d (Hb 6,13-19).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Voltemos ao Livro do G\u00eanesis. Se, por um lado, terra f\u00e9rtil e descend\u00eancia numerosa andam de m\u00e3os dadas, por outro, promessa e ben\u00e7\u00e3o permanecem indissoci\u00e1veis. A segunda \u00e9 o revestimento da primeira. \u201cAben\u00e7oarei os que te aben\u00e7oarem, amaldi\u00e7oarei os que te amaldi\u00e7oarem. Por ti ser\u00e3o benditos todos os cl\u00e3s da terra\u201d (Gn 12,3). Com essa esperan\u00e7a no cora\u00e7\u00e3o e com as santas palavras nos ouvidos, \u201cAbra\u00e3o partiu, como lhe disse Iahweh. Tomou sua mulher,\u00a0 Sara, seu sobrinho, L\u00f3, todos os bens que tinham reunido e o pessoal que tinham adquirido&#8230; Partiram para a terra de Cana\u00e3\u201d (Gn 12,4-5).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nem sempre essa mesma f\u00e9 e esperan\u00e7a s\u00e3o companheiras dos migrantes. Para n\u00e3o poucos, a sa\u00edda representa o come\u00e7o de uma queda sem retorno. Sem, em d\u00e9cadas passadas a migra\u00e7\u00e3o era muitas vezes sin\u00f4nimo de ascens\u00e3o social, hoje os emigrantes e imigrantes enfrentam as barreiras do preconceito, da discrimina\u00e7\u00e3o e da xenofobia.\u00a0 O fim \u00e9 a periferia de alguma grande cidade, uma de cidadania irregular, um por\u00e3o s\u00f3rdido, corti\u00e7o ou favela, quando n\u00e3o a rua e o abandono completo. Outros experimentam o desemprego, a mis\u00e9ria e a fome, chegando at\u00e9 desilus\u00e3o pura e simples. Sem falar nos que, ao fim da linha, s\u00f3s, \u00f3rf\u00e3os e perdidos, partem para a viol\u00eancia, a droga, a prostitui\u00e7\u00e3o e, no limite, o suic\u00eddio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por\u00e9m, a promessa de p\u00e1tria garantida e de um futuro mais promissor, juntamente com a ben\u00e7\u00e3o da f\u00e9, tamb\u00e9m costuma ser parceira de muitos migrantes. Neste caso, o leite bebido na inf\u00e2ncia e o ber\u00e7o familiar podem fazer a diferen\u00e7a. Ra\u00edzes culturais e religiosas s\u00f3lidas convertem-se, n\u00e3o raro, numa esp\u00e9cie de trampolim para um passo no escuro, arriscado sem d\u00favida, mas iluminado pela f\u00e9 e esperan\u00e7a do pai Abra\u00e3o. \u00c9 nessa perspectiva que ganha toda for\u00e7a e efic\u00e1cia o resgate das express\u00f5es culturais e religiosas de cada etnia e de cada povo. Espa\u00e7os multiculturais e pluri\u00e9tnicos, de car\u00e1ter confessional ou n\u00e3o, podem servir de ponto de encontros e reencontros, lugares de interc\u00e2mbio e m\u00fatuo enriquecimento. Assim, o imigrante deixa de ser um problema para converter-se em oportunidade, ou, como dizia Jo\u00e3o Paulo II, \u201cpara a Igreja n\u00e3o h\u00e1 estrangeiros, somos todos irm\u00e3os\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>3.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong><strong>O arameu errante<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Duas vers\u00f5es de uma esp\u00e9cie de \u201cconfiss\u00e3o de f\u00e9\u201d do Povo de Israel podem nos guiar neste item. De acordo com boa parte dos estudiosos b\u00edblicos, trata-se de um \u201ccredo hist\u00f3rico\u201d engendrado na experi\u00eancia do \u00eaxodo, da passagem da terra da escravid\u00e3o para a terra prometida. O primeiro texto, mais primitivo, \u00e9 encontrado no Livro do \u00caxodo, estando ligado \u00e0 voca\u00e7\u00e3o de Mois\u00e9s, no epis\u00f3dio da sar\u00e7a ardente (Ex 3,7-10); o segundo texto, numa vers\u00e3o mais elaborada e j\u00e1 ritualizada para o uso do culto israelita, aparece mais de uma vez no Livro do Deuteron\u00f4mio (tomaremos em conta, especialmente, Dt 26,5-10).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na fus\u00e3o das duas vers\u00f5es, a narrativa coloca na boca de Iahweh quatro verbos, na primeira pessoa do singular: <em>eu vi, eu ouvi, eu conhe\u00e7o, eu desci<\/em>. Todas as express\u00f5es verbais apontam para uma situa\u00e7\u00e3o concreta dos escravos hebreus sob a tirania de Fara\u00f3: \u201ceu vi a mis\u00e9ria do meu povo que est\u00e1 no Egito; ouvi seu clamor por causa dos opressores; pois conhe\u00e7o suas ang\u00fastias e seu sofrimento; por isso desci para libert\u00e1-lo da m\u00e3o dos eg\u00edpcios, e para faz\u00ea-lo subir daquela terra a uma terra boa e vasta, terra que mana leite e mel\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lei te e mel s\u00e3o sin\u00f4nimos de fartura. Fartura numa p\u00e1tria nova, depois do peso da servid\u00e3o numa na\u00e7\u00e3o estrangeira. Uma vez mais, terra e descend\u00eancia, promessa e ben\u00e7\u00e3o, se unem para fortalecer a f\u00e9 e a esperan\u00e7a do povo oprimido. O credo hist\u00f3rico, em suas diferentes vers\u00f5es, ao retomar liturgicamente a trajet\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o, traduz uma experi\u00eancia de Deus \u00fanica e irrepet\u00edvel, se levamos em conta as religi\u00f5es do mundo antigo. S\u00f3 aqui a personifica\u00e7\u00e3o do transcendente se revela t\u00e3o pr\u00f3xima da dor e da esperan\u00e7a de um determinado povo; s\u00f3 aqui Deus acompanha de perto seus desafios e lutas para escapar das m\u00e3os do opressor; s\u00f3 aqui Iahweh simboliza o nascimento de uma espiritualidade onde caminham lado a lado a m\u00edstica e a liberta\u00e7\u00e3o s\u00f3cio-pol\u00edtica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diferentemente da narra\u00e7\u00e3o de Homero na Il\u00edada ou na Odiss\u00e9ia, por exemplo, o Deus dessa experi\u00eancia m\u00edstico-religiosa de Israel se revela extremamente sens\u00edvel e solid\u00e1rio com a situa\u00e7\u00e3o real dos seres humanos que, quais formigas rastejantes, se debatem na face da terra. Um Deus de olhos e ouvidos alertas, atento ao pulsar dos cora\u00e7\u00f5es angustiados, que se digna descer e caminhar junto com \u201co \u00f3rf\u00e3o, a vi\u00fava e o estrangeiro\u201d. Atitude de descida que, desde um ponto de vista teol\u00f3gico, realizar-se-\u00e1 plenamente no mist\u00e9rio da Encarna\u00e7\u00e3o, quando \u201co Verbo se faz carne e arma sua tenda entre n\u00f3s\u201d, como lemos no pr\u00f3logo do Quarto Evangelho. Diz-nos tamb\u00e9m a Carta de S\u00e3o Paulo aos Filipenses: \u201cEle tinha a condi\u00e7\u00e3o divina, e n\u00e3o considerou o ser igual a Deus como algo a que se apegar ciosamente; mas esvaziou-se a si mesmo, e assumiu a condi\u00e7\u00e3o de servo, tomando a semelhan\u00e7a humana: humilhou-se e foi obediente at\u00e9 a morte, e morte de cruz\u201d (Fl 2,6-8).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 o mesmo Deus que se compadece do clamor dos escravos e se insurge contra o Fara\u00f3. Um Deus parcial! Sim, diante de uma situa\u00e7\u00e3o de escandaloso desequil\u00edbrio, a verdadeira justi\u00e7a exige formas diferenciadas. Realidades desiguais merecem tratamento desigual. A imparcialidade diante de injusti\u00e7as flagrantes atenta n\u00e3o s\u00f3 contra a justi\u00e7a e o direito, mas contra o pr\u00f3prio bom-senso. N\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil imaginar o cerne dessa espiritualidade aplicado \u00e0 situa\u00e7\u00e3o atual dos migrantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hoje como outrora, Deus continua sens\u00edvel, atento e solid\u00e1rio ao povo oprimido: v\u00ea a precariedade e car\u00eancia das regi\u00f5es subdesenvolvidas em que nascem milh\u00f5es e milh\u00f5es de pessoas, particularmente nos pa\u00edses do Terceiro Mundo, com m\u00ednimas possibilidades de sobreviv\u00eancia; ouve os gritos de socorro dos refugiados, mar\u00edtimos, itinerantes e de todos os que se p\u00f5em em fuga, na tentativa de encontrar melhores condi\u00e7\u00f5es de vida e trabalho; conhece os desejos e temores dos que est\u00e3o pelas estradas, pois caminha lado a lado com eles; desce na pessoa dos profetas para promover a conscientiza\u00e7\u00e3o, a organiza\u00e7\u00e3o e a mobiliza\u00e7\u00e3o, em prol de uma nova sociedade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>4.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong><strong>Uma tenda para os h\u00f3spedes<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entretanto, al\u00e9m de ser o pai da f\u00e9, Abra\u00e3o caracteriza-se como um verdadeiro anfitri\u00e3o. O epis\u00f3dio sobre o Carvalho de Mambr\u00e9, no cap\u00edtulo 18 do Livro do G\u00eanesis. Ao notar os tr\u00eas forasteiros na frente de sua tenda, n\u00e3o sofre a menor hesita\u00e7\u00e3o: \u201ctraga-se um pouco de \u00e1gua e vos lavarei os p\u00e9s, e vos estendereis sob a \u00e1rvore; trarei um peda\u00e7o de p\u00e3o e vos reconfortarei o cora\u00e7\u00e3o antes de ires mais longe; foi para isso que passastes junto de vosso servo\u201d. Mas o patriarca n\u00e3o de det\u00e9m a\u00ed. Dirigindo-se a Sara, acrescenta:\u00a0 \u201ctoma depressa tr\u00eas medidas de farinha, de flor de farinha, amassa-as e faze p\u00e3es cozidos\u201d. Oferece ainda leite, coalhada, um vitelo tenro e bom&#8230; \u201cE permaneceu de p\u00e9 junto deles, sob a \u00e1rvore, e eles comeram\u201d (Gn 18,1-6).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Impressiona a presteza de Abra\u00e3o frente aos h\u00f3spedes. Tudo o que possui coloca \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o dos caminhantes, sem falar do espa\u00e7o de sua tenda e da sombra do carvalho. Faz lembrar a frase lapidar do Ju\u00edzo Final \u201cera migrante e me acolheste\u201d ou, negativamente, \u201cera migrante e n\u00e3o me acolheste\u201d (Mt 25,35.43). Mas faz lembrar, ainda mais, o costume de Jesus em proporcionar momentos gratuitos de encontro e refei\u00e7\u00e3o, onde a conviv\u00eancia e a festa, a miseric\u00f3rdia e a compaix\u00e3o, ganham primazia sobre o julgamento. Os soci\u00f3logos chamam a isso comensalidade, conceito que re\u00fane, na mesa, a partilha do p\u00e3o e da vida. Emblem\u00e1tica a esse respeito \u00e9 a chamada \u00faltima ceia de Jesus com os disc\u00edpulos, precedida do lava-p\u00e9s e seguida de uma esp\u00e9cie de testamento espiritual, concluindo-se com a ora\u00e7\u00e3o sacerdotal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Teologicamente, os h\u00f3spedes de Abra\u00e3o s\u00e3o mensageiros de Deus. Anjos enviados pelo Senhor e que, saciados, prometem: \u201cvoltarei a ti no pr\u00f3ximo ano; ent\u00e3o tua mulher Sara ter\u00e1 um filho\u201d (Gn 18,10). Novamente se renova a ben\u00e7\u00e3o e a promessa de uma descend\u00eancia para o casal, apesar adiantados em anos. Em outras palavras, que se abre ao estranho e diferente, abre-se igualmente ao transcendente; quem coloca sua tenda, sua vida e seus bens a servi\u00e7o do outro, pavimenta o caminho para o encontro com o totalmente Outro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Valem aqui as palavras de Bento XVI, ao afirmar que os migrantes hoje se revelam como verdadeiros \u201csinais dos tempos\u201d. O simples fato de migrar os torna profetas de um amanh\u00e3 recriado: suas idas e vindas, por uma parte, <em>denunciam<\/em> uma ordem mundial que recusa a tanta gente uma cidadania justa e digna em sua pr\u00f3pria terra; por outra parte, <em>anunciam<\/em> a necessidade urgente de mudan\u00e7as nas rela\u00e7\u00f5es humanas: pessoais, familiares, comunit\u00e1rias, sociais, pol\u00edticas, nacionais e internacionais. Ao lan\u00e7ar-se \u00e0 estrada e a uma aventura incerta, p\u00f5em em marcha a engrenagem da pr\u00f3pria hist\u00f3ria. Seus passos cavam espa\u00e7o para a irrup\u00e7\u00e3o de Deus, diante do qual a hist\u00f3ria jamais se fecha, mas permanece aberta a alternativas diversas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Atrav\u00e9s da f\u00e9 e a exemplo de Abra\u00e3o, a fuga dos migrantes se converte em nova busca. Seus p\u00e9s, tais como os h\u00f3spedes do Carvalho de Mambr\u00e9, teimam em romper fronteiras, em experimentar veredas insuspeitadas no terreno aparentemente cerrado da hist\u00f3ria humana. Dores e esperan\u00e7as, sonhos e lutas se mesclam para manter de p\u00e9 a capacidade de transformar o presente e abrir novas perspectivas de futuro. Ainda desta vez, a ben\u00e7\u00e3o e a promessa de uma p\u00e1tria sem fronteiras, ou de uma nova cidadania universal, acompanham os migrantes, refugiados e itinerantes como verdadeiros mensageiros de Deus. Acolhidos, passam a ser acolhedores; aben\u00e7oados, aben\u00e7oam a necessidade de renovar a civiliza\u00e7\u00e3o como um todo. Na terminologia do Documento de Aparecida e do epis\u00f3dio dos disc\u00edpulos de Ema\u00fas, os disc\u00edpulos medrosos e em fuga tornam-se ardorosos mission\u00e1rios, no retorno a Jerusal\u00e9m como terra de miss\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>5.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong><strong>O prot\u00f3tipo da f\u00e9<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Carta aos Hebreus, em seu cap\u00edtulo 11, repete in\u00fameras vezes a express\u00e3o \u201cfoi pela f\u00e9\u201d. Sob a for\u00e7a de tais palavras, desfilam personagens como Abel, Henoc, No\u00e9, Isaac, Mois\u00e9s&#8230; Mas de modo especial Abra\u00e3o. Este, sempre pela f\u00e9, \u201crespondendo ao chamado, obedeceu e partiu para uma terra que devia receber como heran\u00e7a, e partiu sem saber para onde ia; foi pela f\u00e9 que residiu como estrangeiro na terra prometida, morando em tendas com Isaac e Jac\u00f3, os co-herdeiros da mesma promessa\u201d. A mesma f\u00e9 guia igualmente os passos de Sara que, \u201capesar de anci\u00e3, se tornou capaz de ter uma descend\u00eancia\u201d (Hb 11,8-11).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi ainda sob o signo da f\u00e9 que Abra\u00e3o, \u201ctendo sido provado, ofereceu Isaac; ofereceu o filho \u00fanico\u201d, na certeza de que os planos de Deus inclu\u00edam \u201cuma descend\u00eancia assegurada\u201d e que Iahweh \u201c\u00e9 capaz de ressuscitar os mortos\u201d. Diante de tanta demonstra\u00e7\u00e3o de f\u00e9, \u201crecuperou seu filho, como um s\u00edmbolo\u201d (Hb 11,17-19). Sim, um s\u00edmbolo da promessa e da ben\u00e7\u00e3o, cujas bases s\u00f3lidas haveriam de ser a terra da fartura, do \u201cleite e do mel\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando nos detemos no quadro das migra\u00e7\u00f5es atuais, o que move as multid\u00f5es a grandes deslocamentos em massa? O medo da viol\u00eancia? A precariedade das condi\u00e7\u00f5es de vida? A viol\u00eancia de tantos conflitos? Ou ser\u00e1 a f\u00e9? Talvez o correto seja reconhecer que h\u00e1 um pouco de tudo isso no cen\u00e1rio hodierno das migra\u00e7\u00f5es. Estas se tornam cada vez mais intensas, complexas e diversificadas, envolvendo praticamente todos os pa\u00edses do planeta e centenas de milh\u00f5es de pessoas. O que as atira ao caminho?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 o medo, a adversidade e a fuga, sem d\u00favida, mas h\u00e1 tamb\u00e9m a f\u00e9, a esperan\u00e7a e a busca. Tanto Abra\u00e3o como grande parte dos migrantes s\u00e3o para n\u00f3s prot\u00f3tipos de f\u00e9, na medida em que se empenham em recome\u00e7ar a cada trope\u00e7o e a cada esquina do caminho. \u201cEsperar contra toda esperan\u00e7a\u201d \u00e9 seu lema (Rm 8,18-25). Ambas as dimens\u00f5es e ambos os personagens mesclam e entrela\u00e7am desafios e supera\u00e7\u00f5es, misturam e confundem lutas e sonhos. Enquanto em alguns casos prevalece o lado negativo dos movimentos compuls\u00f3rios, em outros predomina o sonho de uma vida mis promissora. Este sonho, ali\u00e1s, \u00e9 a contraface das car\u00eancias di\u00e1rias. Se Abra\u00e3o \u00e9 chamado de \u201carameu errante\u201d, tamb\u00e9m \u00e9 considerado o \u201cpai da f\u00e9\u201d. \u00a0Os exilados na Babil\u00f4nia que \u201cchoram e penduram suas harpas nos salgueiros, com saudades de Si\u00e3o\u201d (Sl 137) s\u00e3o os mesmos que, no retorno do ex\u00edlio, \u201cparecem estar sonhando, com a boca cheia de riso e os l\u00e1bios de can\u00e7\u00f5es\u201d (Sl 126).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Transparece aqui toda a ambival\u00eancia do fen\u00f4meno migrat\u00f3rio. Deixando atr\u00e1s de si um solo in\u00f3spito e hostil, o migrante sonha com a terra prometida e f\u00e9rtil. Ind\u00f4mito e tenaz na travessia, ele atravessa o deserto \u00e1rido e as montanhas escarpadas para ir ao encontro dos vales da prosperidade. O transtorno relacionado \u00e0 chegada das m\u00e1quinas e \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de algod\u00e3o em Oklahoma, Estados Unidos, faz os camponeses abandonarem suas terras, atravessar o deserto, e ir ao encontro de trabalho nas colheitas da Calif\u00f3rnia. Com pesar, deixam os ossos dos pr\u00f3prios antepassados, para correr ao encontro de uma nova oportunidade de vida. \u00c9 o que lemos na obra de John Steinbeck, <em>As Vinhas da Ira<\/em>, pr\u00eamio Nobel de literatura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nosso ponto final alerta para essa ambiguidade de toda mobilidade humana. \u00c9 uma realidade que sofre de dores do parto, para usar a express\u00e3o da Carta de S\u00e3o Paulo aos Romanos (Rm 8,22). Dores do parto significam um momento de crise e de sofrimento, sem d\u00favida, mas traz embutida a esperan\u00e7a de um nascimento, ou de um renascimento. Nascer e crescer implica dor e crise, mas apontam para a encruzilhada. Esta, passado o pior da crise, pressup\u00f5e bifurca\u00e7\u00e3o de caminhos e capacidade de escolha. Assim a migra\u00e7\u00e3o: atravessado o deserto, as fronteiras e os obst\u00e1culos de toda ordem, as oportunidades se bifurcam. Novos caminhos e novas esperan\u00e7as se abrem. O deserto e a encruzilhada s\u00e3o antecipa\u00e7\u00f5es reais da travessia pela face da terra e, ao mesmo tempo, do vislumbre da nova e definitiva p\u00e1tria.<\/p>\n<div id=\"themify_builder_content-13496\" data-postid=\"13496\" class=\"themify_builder_content themify_builder_content-13496 themify_builder themify_builder_front\">\n\t<\/div>\n<!-- \/themify_builder_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pe. Alfredo J. 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