
{"id":15280,"date":"2011-08-04T16:50:37","date_gmt":"2011-08-04T19:50:37","guid":{"rendered":"http:\/\/www.oarcanjo.net\/site\/?p=15280"},"modified":"2011-08-03T22:55:05","modified_gmt":"2011-08-04T01:55:05","slug":"a-fragil-flor-que-perfuma-o-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.oarcanjo.net\/site\/a-fragil-flor-que-perfuma-o-mundo\/","title":{"rendered":"A fr\u00e1gil flor que perfuma o mundo"},"content":{"rendered":"<p>Marcelo Barros<\/p>\n<p>Nos oitenta anos do irm\u00e3o e mestre Carlos Mesters, doutor da f\u00e9 b\u00edblica para o mundo inteiro, certamente cabe a ele o t\u00edtulo que ele deu \u00e0s comunidades eclesiais de base no primeiro Encontro Intereclesial das CEBs em Vit\u00f3ria, ES em 1975. Se j\u00e1 naquela \u00e9poca elas eram mesmo como uma flor fr\u00e1gil que resiste \u00e0s intemp\u00e9ries da vida, este anivers\u00e1rio de oitenta anos do frei Carlos \u00e9 ocasi\u00e3o prop\u00edcia para celebrarmos como o Esp\u00edrito presenteou as Igrejas e o mundo dos pobres com a vida e a miss\u00e3o dele, flor fr\u00e1gil, mas muito resistente e que nunca deixou de transpirar e contaminar o universo com o perfume divino.<\/p>\n<p>Atualmente, diversos f\u00f3runs mundiais de Teologia e Liberta\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de associa\u00e7\u00f5es regionais de Teologia e Ci\u00eancias da Religi\u00e3o espalham pelo continente e pelo mundo novas reflex\u00f5es teol\u00f3gicas sobre a realidade e expressam novos desafios para uma reflex\u00e3o de f\u00e9 inserida nas melhores causas da humanidade e a partir da caminhada dos empobrecidos e exclu\u00eddos do mundo. Apesar disso, em meios hier\u00e1rquicos oficiais, h\u00e1 quem diga que a Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o morreu. De fato, alguns hierarcas baniram tanto os te\u00f3logos, como seus livros dos semin\u00e1rios e casas de forma\u00e7\u00e3o oficiais. Ao fazer isso, pensaram decretar a morte da Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o. Entretanto, n\u00e3o podem dizer que a leitura b\u00edblica que tem sustentado e dado for\u00e7a espiritual a este caminho teol\u00f3gico e pastoral esteja morta ou em decad\u00eancia. Gra\u00e7as a Deus, ao menos na Am\u00e9rica Latina, vicejam muitas experi\u00eancias de leitura b\u00edblica a partir da caminhada do povo. Tanto as comunidades cat\u00f3licas, como evang\u00e9licas que se abriram a estas experi\u00eancias novas sabem que entre os pioneiros deste tipo de leitura, o irm\u00e3o que come\u00e7ou os c\u00edrculos b\u00edblicos e espalhou por todo o continente e por outros pa\u00edses do mundo esta nova forma de ler a Palavra de Deus foi o frei Carlos Mesters.<\/p>\n<p>Conheci Carlos em 1977, quando comecei a fazer parte do secretariado nacional da Comiss\u00e3o Pastoral da Terra (CPT) e fui encarregado de escrever um livro sobre &#8220;A B\u00edblia e a Luta pela Terra&#8221;. Procurei o frei Carlos Mesters para me situar no que estava sendo pensado, na linha de uma leitura b\u00edblica a partir do povo. Ele me recebeu e me deu uma ajuda inestim\u00e1vel. Desde ent\u00e3o, nos tornamos amigos e companheiros de caminho. Quando, em 1979, ele e outros companheiros e companheiras fundaram o CEBI (Centro de Estudos B\u00edblicos), embora n\u00e3o pude assinar a ata de funda\u00e7\u00e3o, fui dos primeiros que participei do Conselho do CEBI e da sua equipe de assessores.<\/p>\n<p>Naqueles anos, vivi uma cena esclarecedora. Em uma livraria cat\u00f3lica, um padre tomou nas m\u00e3os um dos muitos livros de Carlos Mesters e perguntou: &#8211; Este livro \u00e9 de Exegese, de Teologia B\u00edblica ou s\u00f3 tem serm\u00f5es de espiritualidade?<\/p>\n<p>Na \u00e9poca, esta divis\u00e3o r\u00edgida e acad\u00eamica separava a reflex\u00e3o racional e a pr\u00e1tica lit\u00fargica e devocional das Igrejas. Carlos Mesters e, a partir dele, os irm\u00e3os e irm\u00e3s que fazem o Centro de Estudos B\u00edblicos (CEBI) derrubaram os muros que dividiam estes diversos campos do conhecimento b\u00edblico. Fizeram uma boa s\u00edntese entre um estudo cr\u00edtico e mesmo cient\u00edfico da B\u00edblia e uma leitura pastoral e militante, constru\u00edda a partir da causa dos pobres. Desde ent\u00e3o, se espalham por todo o pa\u00eds propostas diversas de leitura b\u00edblica e muitas procuram unir os dados da ci\u00eancia com a preocupa\u00e7\u00e3o pastoral de partir da realidade do povo. Carlos Mesters \u00e9 o pioneiro deste novo caminho teol\u00f3gico e espiritual.<\/p>\n<p>Sem pretender sintetizar toda a riqueza do ensinamento de Carlos Mesters para a leitura b\u00edblica latino-americana, aqui tentarei recordar apenas tr\u00eas elementos entre os muitos outros que podemos descobrir na sua forma de viver a espiritualidade b\u00edblica e de como ele nos comunica a f\u00e9 e a atualidade da palavra prof\u00e9tica.<\/p>\n<p><strong>1 &#8211; O primeiro livro da revela\u00e7\u00e3o divina: a Vida<\/strong><\/p>\n<p>Foi uma das primeiras intui\u00e7\u00f5es de Carlos Mesters. Em seu Tratado sobre a Trindade, Santo Agostinho escreveu que, antes de inspirar a B\u00edblia, Deus tinha escrito um primeiro livro para se revelar a n\u00f3s: a pr\u00f3pria vida e a hist\u00f3ria da humanidade. Desde cedo, Carlos percebeu que a B\u00edblia \u00e9 mais corretamente compreendida quando quem deseja aprend\u00ea-la procura antes compreender o pr\u00f3prio mist\u00e9rio da vida. Quem tem o privil\u00e9gio de conviver com Carlos Mesters sabe como ele \u00e9 aberto e sens\u00edvel \u00e0s rela\u00e7\u00f5es de amizade, \u00e0 sensibilidade com a justi\u00e7a e \u00e0 beleza da arte. Tudo ele capta e transforma em par\u00e1bolas e hist\u00f3rias que nos ajudam a compreender a vida. Desde jovem, inseriu-se na conviv\u00eancia com as pessoas pobres. Isso lhe d\u00e1 a capacidade de explicar os mist\u00e9rios mais sublimes da revela\u00e7\u00e3o, com imagens simples do dia a dia. A beleza da chuva encharcando um terreno lhe possibilita explicar como a palavra b\u00edblica vem do c\u00e9u e, ao mesmo tempo, surge do ch\u00e3o da vida. A arte da fotografia e a ci\u00eancia da radiografia o ajudaram a distinguir e comparar os evangelhos sin\u00f3ticos com o texto joanino. Se Carlos Mesters resolvesse escrever todas as par\u00e1bolas da vida que ele criou e contou, no decorrer destes anos, desde que come\u00e7ou em Belo Horizonte (no come\u00e7o dos anos 70) os C\u00edrculos B\u00edblicos, como diz o evangelho: &#8220;nem todos os livros do mundo poderiam conter&#8221;.<\/p>\n<p>Ler os livros do frei Carlos \u00e9 sempre uma experi\u00eancia espiritual porque, ao mesmo tempo que elabora seus livros com o conhecimento cr\u00edtico mais atualizado, ele mant\u00e9m sempre o estilo simples e comunicativo que aprendeu do povo. Ao mesmo tempo que revela, deixa algo para que a pessoa que l\u00ea possa aprofundar e concluir.<\/p>\n<p>Sua rela\u00e7\u00e3o com Deus que, muito discretamente, ele partilha conosco, me recorda sempre uma m\u00fasica que Maria Beth\u00e2nia cantava em seu primeiro show (Rosa dos Ventos, 1970). A m\u00fasica inglesa do s\u00e9culo XIX tem uma letra inspirada no poeta Fernando Pessoa que Carlos conhece e do qual gosta muito. A can\u00e7\u00e3o &#8220;Doce Mist\u00e9rio da Vida&#8221; fala do amor rom\u00e2ntico, mas nos parece muito com o C\u00e2ntico dos C\u00e2nticos. Assim como o poema b\u00edblico, estes versos podem ter muitos sentidos, inclusive o de fazer da paix\u00e3o humana sacramento da rela\u00e7\u00e3o \u00edntima com o Esp\u00edrito. Por v\u00e1rios motivos, esta m\u00fasica na linha da balada rom\u00e2ntica me lembra o amigo Carlos e seu jeito de viver a f\u00e9. A letra diz assim:<\/p>\n<p><em>&#8220;Minha vida que parece muito calma<\/em><br \/>\n<em>Tem segredos que eu n\u00e3o posso revelar,<br \/>\n<\/em><em>Escondidas bem no fundo de minh\u00b4alma,<br \/>\n<\/em><em>N\u00e3o transparecem, nem sequer em um olhar.<br \/>\n<\/em><em>Vive sempre conversando a s\u00f3s comigo,<br \/>\n<\/em><em>Uma voz que eu escuto com fervor,<br \/>\n<\/em><em>Escolheu meu cora\u00e7\u00e3o pra seu abrigo<br \/>\n<\/em><em>E dele fez um roseiral em flor.<br \/>\n<\/em><em>A ningu\u00e9m revelarei o meu segredo,<br \/>\n<\/em><em>E nem direi quem \u00e9 o meu amor&#8221;.<\/em><\/p>\n<p><strong>2 &#8211; A dimens\u00e3o subversiva da f\u00e9 b\u00edblica<\/strong><\/p>\n<p>Poucos anos depois que o CEBI come\u00e7ou sua miss\u00e3o de animar grupos de estudo e prestar assessoria b\u00edblica aos diversos movimentos de pastoral popular, setores conservadores acusaram Carlos Mesters de fazer leitura b\u00edblica redutiva e tendenciosamente pol\u00edtica. Apesar de que os textos do frei Carlos nunca incitaram \u00e0 luta de classes ou \u00e0 viol\u00eancia, pelo fato dele interpretar a B\u00edblia, ligada \u00e0 vida e \u00e0 causa dos mais empobrecidos, est\u00e1 tomando posi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e contribui para a transforma\u00e7\u00e3o do mundo. O CEBI come\u00e7ou a fazer isso em um tempo no qual as comunidades crist\u00e3s aprendiam a fazer an\u00e1lise social e a aprofundar o m\u00e9todo pedag\u00f3gico de Paulo Freire. Era comum se falar e buscar o que seria a &#8220;conscientiza\u00e7\u00e3o&#8221;. Sempre insistindo em fazer uma leitura de f\u00e9 e contextual, o CEBI proporcionou um m\u00e9todo de ler a B\u00edblia que se uniu neste caminho. Outros companheiros e companheiras desenvolveram mais a aten\u00e7\u00e3o para as dimens\u00f5es sociais e pol\u00edticas da leitura b\u00edblica. Alguns procuravam sempre interpretar os textos b\u00edblicos a partir das quatro &#8220;pernas&#8221; da mesa: a dimens\u00e3o econ\u00f4mica, a social, a cultural e a religiosa. Carlos se inseriu neste di\u00e1logo com sua sensibilidade pr\u00f3pria. Sempre mostrou que as coisas n\u00e3o podem ser isoladas uma da outra. A vida \u00e9 sempre mais rica e diversificada do que nossos modelos intelectuais. Alguns exegetas europeus divulgavam o que chamaram de &#8220;Leitura Materialista da B\u00edblia&#8221;. Frei Carlos procurou ir al\u00e9m destes esquemas que algumas vezes podem ser muito estreitos. Sem relativizar ou diminuir a import\u00e2ncia destas dimens\u00f5es (social, pol\u00edtica e econ\u00f4mica), Carlos nos ensinou a compreender a B\u00edblia a partir de um tri\u00e2ngulo que se tornou famoso em seus cursos: texto, contexto e pr\u00e9-texto. A leitura do texto pede o cuidado de uma boa compreens\u00e3o dos termos e uma tradu\u00e7\u00e3o que seja fiel e clara. O contexto \u00e9 hist\u00f3rico, social e tamb\u00e9m liter\u00e1rio. O pr\u00e9-texto \u00e9 a realidade da comunidade que est\u00e1 lendo o texto e as perguntas que a comunidade ou pessoa faz \u00e0 Escritura. A preocupa\u00e7\u00e3o com a realidade aparece no come\u00e7o da maioria dos roteiros que ele fez para os c\u00edrculos b\u00edblicos e \u00e9 elemento fundamental de sua espiritualidade social e pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Com a sua sensibilidade, unindo profundo e raro conhecimento da ci\u00eancia exeg\u00e9tica com a cultura do povo simples, frei Carlos contribuiu muito com os encontros inter-eclesiais de CEBs, elaborou bons materiais did\u00e1ticos para a pastoral ind\u00edgena, pastoral da terra, a\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica oper\u00e1ria, comunidades afro-descendentes e no di\u00e1logo com as te\u00f3logas que nos ensinaram a ler a B\u00edblia a partir de olhos femininos. Seus livros, aparentemente escritos como introdu\u00e7\u00e3o aos textos e dirigidos \u00e0s pessoas simples, s\u00e3o sempre \u00fateis mesmo para quem estuda e aprofunda o assunto.<\/p>\n<p><strong>3 &#8211; A leitura pluralista e ecum\u00eanica da B\u00edblia<\/strong><\/p>\n<p>O amor \u00e0 B\u00edblia sempre foi um elemento que uniu os crist\u00e3os das diversas Igrejas e possibilitou um contato e colabora\u00e7\u00e3o entre eles. At\u00e9 os anos 70, era comum se dizer que &#8220;a B\u00edblia fechada une cat\u00f3licos e evang\u00e9licos. A B\u00edblia aberta (isto \u00e9 interpretada) os separa&#8221;. Com sua experi\u00eancia nos C\u00edrculos B\u00edblicos e no CEBI, experi\u00eancia de quase meio s\u00e9culo, Carlos Mesters mostra que isso pode n\u00e3o ser assim. De fato, seu jeito de ser aberto a todos, af\u00e1vel e acolhedor, sempre o aproximou de irm\u00e3os e irm\u00e3s de outras Igrejas, sedentos de uma leitura b\u00edblica, densa de conte\u00fado, s\u00e9ria e mais pr\u00f3xima da realidade, ou seja, comprometida com as mudan\u00e7as sociais.<\/p>\n<p>O CEBI foi fundado com uma profunda voca\u00e7\u00e3o ecum\u00eanica. Na \u00e9poca se discutiu at\u00e9 se deveria ser chamado &#8220;Centro Ecum\u00eanico de Estudos B\u00edblicos&#8221;. Concordamos que ele poderia ser at\u00e9 mais aberto \u00e0 participa\u00e7\u00e3o de crist\u00e3os de v\u00e1rias Igrejas, sem o t\u00edtulo de ecum\u00eanico, que ainda assustava alguns setores eclesiais. Na ata da funda\u00e7\u00e3o do CEBI, constam nomes de alguns irm\u00e3os evang\u00e9licos, amigos do frei Carlos. Desde ent\u00e3o, em todos os encontros, assembl\u00e9ias e atividades, sempre houve a preocupa\u00e7\u00e3o de contribuir com o di\u00e1logo ecum\u00eanico e aprender com a colabora\u00e7\u00e3o de crentes de v\u00e1rias confiss\u00f5es.<\/p>\n<p>Em um documento de prepara\u00e7\u00e3o para o Diret\u00f3rio Ecum\u00eanico Mundial, em 1969, a CNBB fazia uma distin\u00e7\u00e3o importante entre Pastoral Ecum\u00eanica(trabalho que une crist\u00e3os de Igrejas diferentes) e o que ent\u00e3o se chamou Ecumenismo da Pastoral. Chamava-se assim o esfor\u00e7o de dar a todo o conjunto da pastoral uma dimens\u00e3o de f\u00e9 e abertura ecum\u00eanica. Isso quer dizer que, mesmo em atividades cotidianas e quando n\u00e3o h\u00e1 a presen\u00e7a de ningu\u00e9m de outra Igreja, somos chamados a viver a ecumenicidade da f\u00e9 e do modo de ser crist\u00e3os. Sem este cuidado permanente e profundo de ser ecum\u00eanicos, seja quando celebramos a eucaristia, seja quando explicamos a f\u00e9 para uma crian\u00e7a, a pr\u00f3pria pastoral ecum\u00eanica seria superficial e sem bases. A leitura da B\u00edblia \u00e9 um dos mais importantes p\u00f3los ou ra\u00edzes deste Ecumenismo da Pastoral. A leitura b\u00edblica deve ser sempre ecum\u00eanica, n\u00e3o tanto por ser inter-confessional (o que nem sempre \u00e9 ou consegue ser), mas por ser amorosa e acolhedora ao outro e ao diferente.<\/p>\n<p>Sem d\u00favida, desde o in\u00edcio do CEBI, o estilo humano e a espiritualidade sempre aberta do frei Carlos nortearam o modo de se ler a B\u00edblia nesta dimens\u00e3o. Al\u00e9m disso, o amor e a abertura para as culturas oprimidas, como as negras e ind\u00edgenas, levou este trabalho de investiga\u00e7\u00e3o e interpreta\u00e7\u00e3o b\u00edblica a uma dimens\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 interconfessional crist\u00e3, mas tamb\u00e9m macro-ecum\u00eanica, intercultural e interreligiosa.<\/p>\n<p>Nos anos 90, Frei Carlos participou do livro que preparava o tema para um dos grandes encontros intereclesiais de CEBs. Como o encontro era em uma cidade na qual a popula\u00e7\u00e3o negra e a presen\u00e7a dos cultos afro-descendentes s\u00e3o fortes, o frei Carlos contava uma par\u00e1bola. Dizia que Jesus visitou o templo de um culto afro, achou tudo muito bonito e saiu dizendo que Deus est\u00e1 presente e atuante ali. Um grupo de movimento leigo cat\u00f3lico conservador protestou junto aos bispos contra o texto escrito por Carlos. Este assunto rendeu certa pol\u00eamica, mas, ao mesmo tempo, ajudou muitos irm\u00e3os e irm\u00e3s a descobrirem que &#8220;Deus n\u00e3o assinou contrato de exclusividade com ningu\u00e9m. Nenhum grupo ou Igreja \u00e9 dono de Deus, ou seu representante \u00fanico e exclusivo&#8221;.<\/p>\n<p>Atualmente, um dos maiores desafios para a nossa f\u00e9 e para a teologia crist\u00e3 \u00e9 repensar a espiritualidade e a forma de expressar a f\u00e9 n\u00e3o mais a partir de modelos exclusivistas ou ainda hegem\u00f4nicamente crist\u00e3os e sim no mundo pluralista e no qual as diversas culturas e diferentes religi\u00f5es devem colaborar para a paz e a justi\u00e7a, assim como aprenderem umas com as outras a viverem a intimidade com o Mist\u00e9rio e servirem \u00e0 humanidade e \u00e0 defesa da natureza amea\u00e7ada.<\/p>\n<p>Neste caminho, comumente, precisamos de estudar e aprofundar para sermos capazes de fazer frente a este desafio t\u00e3o grande. Na rela\u00e7\u00e3o com frei Carlos Mesters, tenho sempre a impress\u00e3o de que isso que para n\u00f3s \u00e9 fruto de um esfor\u00e7o e resultado de muito aprofundamento, nele \u00e9 quase natural. Vem do seu jeito simples e aberto de homem de Deus, parecido com Jesus Cristo, irm\u00e3o de cora\u00e7\u00e3o e esp\u00edrito universal.<\/p>\n<p><strong>4 &#8211; Oitenta anos de um menino embriagado de Deus<\/strong><\/p>\n<p>Sem d\u00favida, a qualquer pessoa que tem contato com Carlos Mesters, um elemento de sua pessoa e do seu jeito de ser que nos impressiona sempre \u00e9 a jovialidade. Isso \u00e9 tanto assim que chega a nos espantar quando algu\u00e9m diz que, de fato, ele est\u00e1 completando 80 anos. Como espantou muita gente quando soube que ele esteve doente. Ele \u00e9 destas pessoas que parece sempre jovem e brincando com sua sa\u00fade. H\u00e1 anos e anos, vive uma vida peregrina de mission\u00e1rio por todos os recantos do mundo, encantando as pessoas com sua sabedoria e sua arte po\u00e9tica de falar de Deus e da B\u00edblia como quem apresenta as pessoas a quem mais se ama. Ali\u00e1s, entre o Deus b\u00edblico e Carlos Mesters se estabeleceu uma intimidade que j\u00e1 tem tantos anos que parece estes casamentos entre homem e mulher de idade avan\u00e7ada. De tanto conviver, marido e esposa come\u00e7am a se parecer cada vez mais um com o outro. Isso \u00e9 bom para n\u00f3s. \u00c9 como se nos 80 anos do frei Carlos, f\u00f4ssemos n\u00f3s, seus irm\u00e3os, irm\u00e3s e amigos\/as que ganh\u00e1ssemos o maior presente: poder contemplar na pessoa e na vida dele o rosto humano do divino. Ad multos annos, meu irm\u00e3o e amigo.<\/p>\n<div id=\"themify_builder_content-15280\" data-postid=\"15280\" class=\"themify_builder_content themify_builder_content-15280 themify_builder themify_builder_front\">\n\t<\/div>\n<!-- \/themify_builder_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Marcelo Barros Nos oitenta anos do irm\u00e3o e mestre Carlos Mesters, doutor da f\u00e9 b\u00edblica para o mundo inteiro, certamente cabe a ele o t\u00edtulo que ele deu \u00e0s comunidades eclesiais de base no primeiro Encontro Intereclesial das CEBs em Vit\u00f3ria, ES em 1975. 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