
{"id":17796,"date":"2012-03-25T01:40:08","date_gmt":"2012-03-25T04:40:08","guid":{"rendered":"http:\/\/www.oarcanjo.net\/site\/?p=17796"},"modified":"2012-03-25T01:40:16","modified_gmt":"2012-03-25T04:40:16","slug":"concilio-vaticano-ii-e-gaudium-et-spes-a-carta-magna-da-pastoral-social","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.oarcanjo.net\/site\/concilio-vaticano-ii-e-gaudium-et-spes-a-carta-magna-da-pastoral-social\/","title":{"rendered":"Conc\u00edlio Vaticano II e Gaudium et Spes, A Carta Magna da Pastoral Social"},"content":{"rendered":"<p>Pe. Alfredo J. Gon\u00e7alves<\/p>\n<p><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Nas comemora\u00e7\u00f5es do 50\u00ba anivers\u00e1rio do Conc\u00edlio Ecum\u00eanico Vaticano II (1962-1965), mais do que nunca vale estudar a fundo a Constitui\u00e7\u00e3o pastoral sobre a Igreja no mundo de hoje \u2013 Gaudium et Spes (GS), promulgada solenemente pelo para Paulo VI em dezembro de 1965, no encerramento do conc\u00edlio. A Constitui\u00e7\u00e3o Pastoral, portanto, ter\u00e1 seu cinquenten\u00e1rio celebrado em 2015. Nestes quase 50 anos, muito j\u00e1 se escreveu e se falou sobre este documento. A ideia de um documento de car\u00e1ter pastoral, em princ\u00edpio, n\u00e3o estava no programa do referido evento. Deve-se sua elabora\u00e7\u00e3o e aprova\u00e7\u00e3o a uma interpela\u00e7\u00e3o do Cardeal Suenens, lan\u00e7ada num discurso da I Sess\u00e3o do Conc\u00edlio Ecum\u00eanico Vaticano II, em dezembro de 1962, bem como ao empenho pessoal do ent\u00e3o Cardeal Montini, eleito papa como o nome de Paulo VI no decorrer das sess\u00f5es conciliares, com a morte de Jo\u00e3o XXIII.<\/p>\n<p>Na trajet\u00f3ria hist\u00f3rica do cristianismo, poucos eventos e poucos documentos mexeram tanto com a Igreja como, respectivamente, o Conc\u00edlio Vaticano II e a Gaudium et Spes. Na mensagem do Natal que se seguiu \u00e0 sua aprova\u00e7\u00e3o, Paulo VI assim se referiu a ela: &#8220;O encontro da Igreja com o mundo atual foi descrito em p\u00e1ginas admir\u00e1veis na \u00faltima Constitui\u00e7\u00e3o do Conc\u00edlio. Toda pessoa inteligente, toda alma honrada deve conhecer essas p\u00e1ginas. Elas levam, sim, de novo a Igreja ao meio da vida contempor\u00e2nea, mas n\u00e3o para dominar a sociedade, nem para dificultar o aut\u00f4nomo e honesto desenvolvimento de sua atividade, mas para ilumina-la, sustenta-la e consola-la. Essas p\u00e1ginas, assim o pensamos, assinalam o ponto de encontro entre Cristo e o homem moderno e constituem a mensagem de Natal deste ano de gra\u00e7a ao mundo contempor\u00e2neo\u201d.<\/p>\n<p>Uma releitura atenta da Gaudium et Spes, no contexto da sociedade atual, pode significar uma grata surpresa, em tr\u00eas dimens\u00f5es: primeiro, embora publicada h\u00e1 quase 50 anos, ela continua trazendo elementos preciosos para entender as transforma\u00e7\u00f5es por que passa a sociedade moderna; depois, devido justamente a esse diagn\u00f3stico v\u00e1lido ainda para muitos problemas que estamos atravessando, ela fornece pistas para uma a\u00e7\u00e3o eficaz, seja do ponto de vista pastoral, seja do ponto de vista social e pol\u00edtico; por fim, em conjunto com os demais documentos do Conc\u00edlio Vaticano II, ela representa uma inflex\u00e3o decisiva quanto \u00e0 postura da Igreja diante dos principais desafios da modernidade.<\/p>\n<p><strong>1. Um novo olhar sobre o mundo moderno<\/strong><\/p>\n<p>Reconhecidamente, a maior novidade do Conc\u00edlio Vaticano II \u00e9 sua abertura e a tentativa de di\u00e1logo com os problemas e desafios do mundo moderno. Duas constata\u00e7\u00f5es iniciais marcam essa disposi\u00e7\u00e3o. Na primeira, de car\u00e1ter mais anal\u00edtico, o documento lembra que &#8220;o g\u00eanero humano encontra-se hoje em uma fase nova de sua hist\u00f3ria, na qual mudan\u00e7as profundas e r\u00e1pidas estendem-se progressivamente ao universo inteiro\u201d. Depois, num tom de den\u00fancia que ser\u00e1 caracter\u00edstico de suas p\u00e1ginas, acrescenta que &#8220;o g\u00eanero humano nunca disp\u00f4s de tantas riquezas, possibilidades e poder econ\u00f4mico. No entanto, ainda uma parte consider\u00e1vel dos habitantes da terra padece fome e mis\u00e9ria e in\u00fameros s\u00e3o analfabetos\u201d (GS, n\u00ba 4).<\/p>\n<p>As &#8220;mudan\u00e7as profundas e r\u00e1pidas\u201d de que fala o texto remontam, como se sabe, a uma s\u00e9rie de transforma\u00e7\u00f5es que sacudiram a Europa nos s\u00e9culos precedentes, culminando com a Revolu\u00e7\u00e3o Industrial. Esta, por sua vez, tem seus antecedentes no florescimento do com\u00e9rcio, ainda nos s\u00e9culos XIII e XIV, nos descobrimentos de novas terras e novas riquezas, nos s\u00e9culos XV e XVI, nos inventos e avan\u00e7os cient\u00edfico-tecnol\u00f3gicos dos s\u00e9culos XVII e XVIII e, por fim, na Revolu\u00e7\u00e3o Francesa e seus desdobramentos na passagem do s\u00e9culo XVIII ao s\u00e9culo XIX.<\/p>\n<p>O velho continente transforma-se de forma radical, seja na sua capacidade tecnol\u00f3gica e produtiva, seja na sua organiza\u00e7\u00e3o social e pol\u00edtica, seja nas suas formas de pensar e agir, especialmente a partir do renascimento e do iluminismo. O teocentrismo da era medieval \u00e9 gradativamente substitu\u00eddo pelo antropocentrismo moderno. O pensamento aut\u00f4nomo e emancipado, a teoria da evolu\u00e7\u00e3o progressiva e os direitos do cidad\u00e3o passam a formar um novo paradigma. Ci\u00eancia, raz\u00e3o, tecnologia, progresso e democracia s\u00e3o termos que, combinados, constituem o que se poderia chamar de novo credo das sociedades ocidentais. O otimismo e at\u00e9 ufanismo em rela\u00e7\u00e3o ao poder das novas descobertas cient\u00edficas e em rela\u00e7\u00e3o ao futuro da humanidade ser\u00e3o uma marca dos que acreditam piamente na chamada raz\u00e3o instrumental e aplicada. Raz\u00e3o e f\u00e9 entram por caminhos bifurcados, aumentando cada vez mais a dist\u00e2ncia entre uma e outra. Igreja e comunidade cient\u00edfica experimentar\u00e3o uma conviv\u00eancia tensa e cheia de desencontros.<\/p>\n<p>Mas esse credo da modernidade ir\u00e1 sofrer profundos reveses no decorrer do s\u00e9culo XX. Grande corros\u00e3o abalar\u00e1 progressivamente suas bases mais s\u00f3lidas diante da atmosfera de competi\u00e7\u00e3o e viol\u00eancia, guerra e barb\u00e1rie no per\u00edodo que precede o Conc\u00edlio. Evidente que muitos avan\u00e7os foram conquistados. Basta tem em conta, por exemplo, os benef\u00edcios da medicina, dos transportes e das comunica\u00e7\u00f5es, para citar apenas esses. Mas os problemas mais agudos da humanidade permanecem chagas vivas, enquanto novos desafios surgem por todos os lados. Assim, ao chamar a aten\u00e7\u00e3o para &#8220;a condi\u00e7\u00e3o do homem no mundo de hoje\u201d, a Gaudium et Spes (GS), em sua primeira parte, p\u00f5e a nu, por uma parte, as contradi\u00e7\u00f5es, assimetrias e desigualdades sociais que se aprofundam por todas as partes, e, por outra, as esperan\u00e7as e aspira\u00e7\u00f5es do ser humano enquanto imagem e semelhan\u00e7a de Deus. Alguns anos mais tarde, na Populorum Progressio (PP),a qual, como sabemos, constitui uma esp\u00e9cie de complemento da Constitui\u00e7\u00e3o Pastoral do Vaticano II, Paulo VI ir\u00e1 novamente alertar para o flagrante contraste entre o progresso tecnol\u00f3gico e a capacidade produtiva, de um lado, e o subdesenvolvimento de tantos povos, de outro. Ali\u00e1s, os dois documentos \u2013 GS e PP \u2013 d\u00e3o continuidade a uma linha de pensamento que atravessa todo o Ensino Social da Igreja, isto \u00e9, o descompasso crescente entre crescimento econ\u00f4mico e desenvolvimento integral. Mais recentemente, os escritos de Jo\u00e3o Paulo II n\u00e3o se cansam de evidenciar, ao mesmo tempo, o ac\u00famulo e a falta de distribui\u00e7\u00e3o dos bens produzidos por toda a sociedade. &#8220;Ricos cada vez mais ricos \u00e0s custas de pobres cada vez mais pobres\u201d, dir\u00e1 em sua vista ao M\u00e9xico.<\/p>\n<p>Para usar a express\u00e3o de Jo\u00e3o XXIII, como abrir as &#8220;janelas do Vaticano aos novos ares\u201d que se respira nesse mundo completamente transformado? Como entrar em di\u00e1logo aberto com a ci\u00eancia e o pensamento contempor\u00e2neo? Como reconhecer, simultaneamente, os avan\u00e7os e os limites do progresso tecnol\u00f3gico e do crescimento econ\u00f4mico? Como traduzir a solicitude pastoral da Igreja diante dos novos problemas e desafios? Por outro lado, numa sociedade cada vez mais marcada pelo pluralismo cultural e religioso, o que significa um ecumenismo n\u00e3o apenas formal, mas efetivo e conseq\u00fcente? Numa palavra, se o processo de evangeliza\u00e7\u00e3o passa, necessariamente, por uma profunda incultura\u00e7\u00e3o, como fazer isso frente aos valores e contra-valores da chamada modernidade?<\/p>\n<p>S\u00e3o essas algumas das quest\u00f5es que preocupam os padres conciliares na d\u00e9cada de 60, e que transparecem com insist\u00eancia nas p\u00e1ginas da Gaudium et Spes. Neste sentido, n\u00e3o ser\u00e1 exagero afirmar que a primeira frase deste documento traduz o esp\u00edrito do pr\u00f3prio Conc\u00edlio como um todo: &#8220;As alegrias e as esperan\u00e7as, as tristezas e as ang\u00fastias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos os que sofrem, s\u00e3o tamb\u00e9m as alegrias e as esperan\u00e7as, as tristezas e as ang\u00fastias dos disc\u00edpulos de Cristo. N\u00e3o se encontra nada verdadeiramente humano que n\u00e3o lhe ressoe no cora\u00e7\u00e3o. Com efeito, a sua se constitui de homens que, reunidos em Cristo, s\u00e3o dirigidos pelo Esp\u00edrito Santo, na sua peregrina\u00e7\u00e3o para o Reino do Pai. Eles aceitaram a mensagem da salva\u00e7\u00e3o que deve ser proposta a todos. Portanto, a comunidade crist\u00e3 se sente verdadeiramente solid\u00e1ria com o g\u00eanero humano e com a hist\u00f3ria\u201d (GS, n\u00ba 1).<\/p>\n<p><strong>2. Um novo olhar eclesiol\u00f3gico<\/strong><\/p>\n<p>Para entender a eclesiologia que est\u00e1 subjacente \u00e0 Gaudium et Spes temos de voltar \u00e0 Lumen Gentium (LG) e \u00e0 Ad Gentes (AD), respectivamente, Constitui\u00e7\u00e3o dogm\u00e1tica sobre a Igreja, e Decreto sobre a atividade mission\u00e1ria da Igreja, ambos documentos do Conc\u00edlio Vaticano II. Concentramo-nos especialmente no cap\u00edtulo II da LG, que tem como t\u00edtulo O Povo de Deus. Retomando a teologia da alian\u00e7a e a trajet\u00f3ria hist\u00f3rica do Povo de Israel, bem como a imagem do Corpo M\u00edstico, da Carta de S\u00e3o Paulo aos Cor\u00edntios, os padres conciliares concluem: &#8220;Como o Israel segundo a carne, que peregrinava no deserto, j\u00e1 \u00e9 chamado Igreja de Deus, assim o novo Israel que, caminhando no presente tempo, busca a futura cidade perene, tamb\u00e9m \u00e9 chamado Igreja de Cristo\u201d (LG, n\u00ba 9). Aqui a inflex\u00e3o eclesiol\u00f3gica \u00e9 ineg\u00e1vel: de uma Igreja at\u00e9 ent\u00e3o entendida como hierarquia, passa-se claramente a uma Igreja Povo de Deus. O acento recai sobre o conjunto dos fi\u00e9is.<\/p>\n<p>E o documento continua: &#8220;Deus convocou e constituiu a Igreja \u2013 comunidade congregada daqueles que, crendo, voltam seu olhar a Jesus, autor da salva\u00e7\u00e3o e princ\u00edpio da unidade e da paz \u2013 a fim de que ela seja para todos e para cada um o sacerd\u00f3cio vis\u00edvel desta salut\u00edfera unidade\u201d (LG, n\u00ba 9).<\/p>\n<p>Na continuidade do documento conciliar, poder\u00edamos nos estender sobre os conceitos de &#8220;sacerd\u00f3cio comum\u201d, de &#8220;universalidade do \u00fanico Povo de Deus\u201d, da &#8220;\u00edndole mission\u00e1ria de toda a Igreja\u201d ou &#8220;a rela\u00e7\u00e3o dos leigos com a Hierarquia\u201d. Mas o escopo destes par\u00e1grafos n\u00e3o \u00e9 analisar a Lumen Gentium em si. Por isso, baste-nos neste espa\u00e7o sublinhar que a Gaudium et Spes nasce no terreno de uma nova no\u00e7\u00e3o de eclesiologia. Nesta, Cristo \u00e9 o centro e a cabe\u00e7a da Igreja e, ao redor d\u2019Ele, todos e todas somos iguais, embora com distintos minist\u00e9rios diversas fun\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>N\u00e3o ser\u00e1 necess\u00e1ria muita gin\u00e1stica anal\u00edtica para dar-se conta de como refletem, no interior da pr\u00f3pria Igreja, as id\u00e9ias democr\u00e1ticas que se consolidam na sociedade moderna. Os direitos humanos e as id\u00e9ias democr\u00e1ticas constituem, como veremos, o fio condutor do Capitulo IV da segunda sec\u00e7\u00e3o, sobre a vida da comunidade pol\u00edtica.<\/p>\n<p>No que diz respeito \u00e0 atividade mission\u00e1ria da Igreja, tamb\u00e9m neste caso n\u00e3o \u00e9 nosso objetivo tecer maiores coment\u00e1rios \u00e0 Ad Gentes. Basta lembrar que &#8220;a Igreja peregrina \u00e9 por natureza mission\u00e1ria\u201d (AD, n\u00ba 2). &#8220;Essa miss\u00e3o no decurso da hist\u00f3ria continua e desdobra a miss\u00e3o do pr\u00f3prio Cristo, enviado a evangelizar os pobres. Eis porque a Igreja, impelida pelo Esp\u00edrito de Cristo deve trilhar a mesma senda\u201d (AD, n\u00ba 5).<\/p>\n<p>Em s\u00edntese, os dois documentos citados apontam para uma Igreja simultaneamente circular e aberta. Circular, no que concerne \u00e0 sua organiza\u00e7\u00e3o interna e \u00e0 tomada de decis\u00f5es, onde todos somos irm\u00e3os e irm\u00e3s, sem distin\u00e7\u00e3o de ra\u00e7a, cor, sexo, na\u00e7\u00e3o, classe, etc., mesmo exercendo pap\u00e9is diferenciados. E aberta, na medida em que, pelo batismo, todo crist\u00e3o \u00e9 chamado a ser mission\u00e1rio, a propagar e viver a Boa Nova de Jesus Cristo onde quer que se encontre. Igreja como Povo de Deus, por um lado, e Igreja a caminho, por outro, s\u00e3o as express\u00f5es que sobressaem na eclesiologia do Conc\u00edlio Vaticano II.<\/p>\n<p><strong>3. Um novo olhar prof\u00e9tico<\/strong><\/p>\n<p>A segunda parte da Gaudium et Spes dedica tr\u00eas longos cap\u00edtulos \u00e0 an\u00e1lise da sociedade atual, seguida de orienta\u00e7\u00f5es para a busca da justi\u00e7a e da paz. No primeiro desses cap\u00edtulos, sobre a vida econ\u00f4mico-social, o texto faz uma veemente den\u00fancia das contradi\u00e7\u00f5es que regem a economia: &#8220;No momento em que o progresso da vida econ\u00f4mica, dirigido e coordenado de maneira racional e humana, poderia mitigar as desigualdades sociais, com muita freq\u00fc\u00eancia se torna o agravamento das desigualdades sociais, ou tamb\u00e9m c\u00e1 e l\u00e1 o regresso da condi\u00e7\u00e3o social dos fracos e desprezo dos pobres. Enquanto uma enorme multid\u00e3o tem falta de coisas absolutamente necess\u00e1rias, alguns, mesmo em regi\u00f5es menos desenvolvidas, vivem na opul\u00eancia ou desperdi\u00e7am os bens. O luxo e a mis\u00e9ria existem simultaneamente\u201d, Por isso que, logo em seguida, os padres conciliares insistem que &#8220;o progresso econ\u00f4mico deve permanecer sob a delibera\u00e7\u00e3o do homem. N\u00e3o pode ser abandonado ao s\u00f3 arb\u00edtrio de poucas pessoas\u201d, nem &#8220;ao curso quase mec\u00e2nico da vida econ\u00f4mica\u201d (GS, 63-65).<\/p>\n<p>O documento segue falando da necessidade de subordinar a economia a decis\u00f5es pol\u00edticas e estas aos princ\u00edpios \u00e9ticos do bem comum, ao mesmo tempo que faz um apelo a condi\u00e7\u00f5es de trabalho mais justas, levando em conta o respeito \u00e0 pessoa humana. Faz ainda a cr\u00edtica do latif\u00fandio e do crescente poder financeiro e especulativo. Nem precisaria acrescentar que suas palavras, escritas h\u00e1 mais de 40 anos, revelam-se de uma atualidade surpreendente diante da ideologia do mercado total.<\/p>\n<p>No cap\u00edtulo a respeito da &#8220;vida da comunidade pol\u00edtica\u201d, como j\u00e1 assinalamos acima, insiste-se sobre o respeito aos direitos humanos de todos os cidad\u00e3os, o desejo de participa\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica no destino das na\u00e7\u00f5es e a responsabilidade de todos e todas na condu\u00e7\u00e3o da vida p\u00fablica. A novidade \u00e9 que &#8220;todos os crist\u00e3os se tornem c\u00f4nscios de seu papel pr\u00f3prio e especial na comunidade pol\u00edtica\u201d. &#8220;Pela integridade e com prud\u00eancia, lutem contra a injusti\u00e7a e a opress\u00e3o, ou o absolutismo e a intoler\u00e2ncia, seja de um homem ou de um partido\u201d (GS, n\u00ba 75).<\/p>\n<p>Conv\u00e9m n\u00e3o esquecer que a mem\u00f3ria do nazismo e do fascismo, com os horrores dos campos de concentra\u00e7\u00e3o e do holocausto, ainda estava bem viva nos pa\u00edses europeus e no mundo. E conv\u00e9m ter presente, tamb\u00e9m, as tentativas atuais de um novo tipo de colonialismo pol\u00edtico e econ\u00f4mico, por parte dos pa\u00edses centrais sobre os pa\u00edses perif\u00e9ricos, com destaque para a hegemonia do mercado financeiro e o mecanismo perverso do endividamento externo. Como j\u00e1 nos alertou Jo\u00e3o Paulo II, &#8220;n\u00e3o podemos pagar a d\u00edvida com a fome e a mis\u00e9ria das popula\u00e7\u00f5es pobres\u201d.<\/p>\n<p>Por fim, no cap\u00edtulo sobre &#8220;a constru\u00e7\u00e3o da paz e a promo\u00e7\u00e3o da comunidade dos povos\u201d, o documento retoma os alertas de Jo\u00e3o XXIII, na Pcem in Terris, para o risco da corrida armamentista e da guerra total. Estamos em plena vig\u00eancia da guerra-fria e o fantasma da bomba at\u00f4mica ronda os pa\u00edses europeus. N\u00e3o basta a &#8220;paz do medo, assentada sobre o equil\u00edbrio das armas\u201d, nem a &#8220;paz da morte\u201d cuja lembran\u00e7a permanece nos escombros, ru\u00ednas e cinzas da 2\u00aa Guerra Mundial. O que se busca \u00e9 a paz fundamentada na justi\u00e7a e no direito (GS, n\u00ba 80-83). &#8220;O desenvolvimento \u00e9 o novo nome da paz\u201d, lembrar\u00e1 anos mais tarde Paulo VI.<\/p>\n<p>A paz de que falam os padres conciliares pressup\u00f5e novas rela\u00e7\u00f5es internacionais, novas institui\u00e7\u00f5es supranacionais, bem como coopera\u00e7\u00e3o das diferentes na\u00e7\u00f5es nos campos econ\u00f4mico, pol\u00edtico, social e cultural. &#8220;Cabe \u00e0 comunidade internacional\u201d \u2013diz o documento \u2013 organizar e estimular o desenvolvimento, mas de tal maneira que os fundos a isso destinados sejam aplicados de modo mais eficiente e com plena eq\u00fcidade. Pertence ainda a esta comunidade, sem preju\u00edzo naturalmente do princ\u00edpio de subsidiariedade, organizar as rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas mundiais, a fim de que se desenvolvam conforma as normas da justi\u00e7a\u201d (GS, n\u00ba 86).<\/p>\n<p>Em base a este par\u00e1grafo, valeria a pena analisar, por exemplo, o papel que est\u00e3o desempenhando hoje institui\u00e7\u00f5es como o Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI), a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Com\u00e9rcio (OMC), o Banco Mundial ou a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU). Muito mais do que regular &#8220;com justi\u00e7a e eq\u00fcidade\u201d o com\u00e9rcio e a pol\u00edtica entre as na\u00e7\u00f5es, tais organismos procuram manter a atual ordem mundial, ao mesmo tempo concentradora e excludente. Do ponto de vista da dignidade da pessoa humana, seria tamb\u00e9m produtivo confrontar a Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos Humanos, de 1948, com os valores \u00e9ticos da Gaudium et Spes, por um lado, e, por outro, com as organiza\u00e7\u00f5es internacionais acima.<\/p>\n<p><strong>4. Um novo olhar pastoral<\/strong><\/p>\n<p>Como o t\u00edtulo indica, a Gaudium et Spes \u00e9 uma &#8220;constitui\u00e7\u00e3o pastoral\u201d voltada para o &#8220;mundo de hoje\u201d. Ao dirigir sua aten\u00e7\u00e3o para o mundo moderno, profundamente modificado e desafiador, os padres conciliares procuram superar, a bem dizer, uma vis\u00e3o predominantemente centr\u00edpeta por uma vis\u00e3o de car\u00e1ter mais centr\u00edfugo. De fato, se voltarmos os olhos para a \u00e9poca medieval, n\u00e3o ser\u00e1 dif\u00edcil perceber como a Igreja permanecia debru\u00e7ada prioritariamente sobre os problemas dom\u00e9sticos da doutrina, do ritualismo, dos pr\u00f3prios bens, e assim por diante. Para usar uma express\u00e3o popular, mantinha-se dentro da sacristia, voltada para dentro de si mesma.<\/p>\n<p>O Conc\u00edlio Ecum\u00eanico Vaticano II e, de modo especial, a Gaudium et Spessignificaram uma virada centr\u00edfuga para os problemas que afligem os seres humanos, num contexto de transforma\u00e7\u00f5es aceleradas. Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, particularmente a partir das novas tecnologias, o ritmo da hist\u00f3ria ganhou uma velocidade surpreendente. A Igreja empreende ent\u00e3o um gigantesco esfor\u00e7o para acompanhar seus passos. As constitui\u00e7\u00f5es, decretos e declara\u00e7\u00f5es do evento conciliar representam esse esfor\u00e7o de adaptar-se aos problemas e desafios pastorais contempor\u00e2neos.<\/p>\n<p>Vale a pena insistir nesta abertura conciliar quando se sabe que atualmente, em alguns setores da Igreja, verifica-se uma esp\u00e9cie de movimento contr\u00e1rio, uma volta aos problemas internos, acompanhada de um espiritualismo muitas vezes desvinculado das quest\u00f5es pol\u00edticas e sociais. Para alguns estudiosos, no confronto com o tom prof\u00e9tico do Vaticano II, assiste-se a uma certa involu\u00e7\u00e3o, em que predomina a nostalgia de uma Igreja triunfal e, nos casos mais extremos, at\u00e9 a uma tentativa de restaurar a velha cristandade. A verdade \u00e9 que os documentos conciliares, no seu conjunto, constituem um tesouro que ainda n\u00e3o foi de todo explorado. Da\u00ed a import\u00e2ncia de levar adiante as linhas gerais e orienta\u00e7\u00f5es do Conc\u00edlio Vaticano II, se se quiser responder aos desafios e questionamentos da sociedade moderna ou p\u00f3s-moderna.<\/p>\n<p>A esse respeito, o Conc\u00edlio e sua constitui\u00e7\u00e3o pastoral querem ser, para os dias de hoje, o olhar atualizado do Bom Pastor, o qual, ao &#8220;percorrer as cidades e aldeias\u201d e encontrar as &#8220;multid\u00f5es cansadas e abatidas\u201d, &#8220;move-se de compaix\u00e3o\u201d (Mt 9,35-38). Compaix\u00e3o \u00e9 uma palavra composta: com + paix\u00e3o. Ou seja, estar com o outro na hora da paix\u00e3o. &#8220;Estar com\u201d n\u00e3o significa dar coisas, mas dar-se a si mesmo; colocar-se \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o, dispor do pr\u00f3prio tempo a servi\u00e7o de quem necessita. \u00c9 o mesmo sentimento que transparece no epis\u00f3dio do Bom Samaritano, do Pai Misericordioso ou no Ju\u00edzo Final, enfim, \u00e9 o pr\u00f3prio cora\u00e7\u00e3o da mensagem evang\u00e9lica, seu n\u00facleo mais genu\u00edno e original.<\/p>\n<p>Hoje como nunca, as multid\u00f5es continuam mordendo o p\u00f3 da estrada em busca de uma sobreviv\u00eancia cada vez mais prec\u00e1ria, simultaneamente atra\u00eddas e recha\u00e7adas pelo modelo econ\u00f4mico de corte neoliberal. Nem multid\u00e3o an\u00f4nima, cresce o n\u00famero incalcul\u00e1vel dos &#8220;sem\u201d: sem terra, sem trabalho, sem teto, sem sa\u00fade, sem escola, etc. Pessoas aos milhares e milh\u00f5es que, para voltar aos adjetivos do Evangelho, seguem &#8220;cansadas\u201d de tantas promessas falsas e &#8220;abatidas\u201d pelo peso da fome e da mis\u00e9ria, do abandono e da viol\u00eancia e de tantos outros males.<\/p>\n<p>O Conc\u00edlio tenta reproduzir, tamb\u00e9m, o olhar de pastor daquele Deus que repete e insiste: eu vi a mis\u00e9ria, eu ouvi o clamor, eu conhe\u00e7o o sofrimento e eu desci para libertar o povo escravo no Egito e conduzi-lo a uma terra onde &#8220;corre leite e mel\u201d(Ex 3,7-10; Dt 26,5-10). A experi\u00eancia religiosa, no evento fundante do Povo de Israel, \u00e9 descoberta e o encontro com um Deus profundamente sens\u00edvel e solid\u00e1rio \u00e0 situa\u00e7\u00e3o social concreta das pessoas. Um Deus atento e vigilante, cuja compaix\u00e3o traduz-se nas quatro formas verbais da primeira pessoa do singular, assinaladas acima. Ou ent\u00e3o o Deus que garante o sustento e a prote\u00e7\u00e3o &#8220;do \u00f3rf\u00e3o, da vi\u00fava e do estrangeiro\u201d.<\/p>\n<p>AGaudium et Spes retoma, ainda, a consci\u00eancia de pastor que se verifica nos prim\u00f3rdios da Igreja. Bastaria um olhar a v\u00f4o de p\u00e1ssaro sobre a pr\u00e1tica das primeiras comunidades crist\u00e3s, sobre as cartas e testemunhos neo-testament\u00e1rias de Pedro, Jo\u00e3o, Paulo e Tiago, ou sobre os escritos e obras dos Santos Padres \u2013 para nos darmos conta de como a miseric\u00f3rdia e a compaix\u00e3o fazem parte da heran\u00e7a que Jesus deixou \u00e0 sua Igreja. O mesmo olhar poderia ser dirigido aos chamados Santos Sociais e suas respectivas Congrega\u00e7\u00f5es, na segunda metade do s\u00e9culo XIX, onde novamente a aten\u00e7\u00e3o aos pobres, desvalidos e indefesos assume prioridade absoluta. Santos que, diga-se de passagem, e sem medo de errar, tornar-se-\u00e3o verdadeiros precursores do esp\u00edrito que tomou conta do Conc\u00edlio Vaticano II.<\/p>\n<p>Por isso \u00e9 que a conclus\u00e3o da Gaudium et Spes constitui um duplo apelo: primeiro, ao di\u00e1logo entre todos os homens, pois &#8220;sendo Deus Pai o princ\u00edpio e o fim de todas as coisas, somos todos chamados a ser irm\u00e3os. E por isso, destinados \u00e0 \u00fanica e mesma voca\u00e7\u00e3o, humana e divina\u201d. Em seguida, atrav\u00e9s desse di\u00e1logo permanente, &#8220;podemos e devemos cooperar para a constru\u00e7\u00e3o do mundo na paz verdadeira\u201d(GS, n\u00ba 92).<\/p>\n<p>Esse novo olhar pastoral constitui uma tentativa de traduzir para cada \u00e9poca, a dimens\u00e3o social e pol\u00edtica da tradi\u00e7\u00e3o judaico-crist\u00e3 e, mais especificamente, da Boa Nova de Jesus Cristo. Esse esfor\u00e7o exige, de uma parte, uma aten\u00e7\u00e3o redobrada sobre os problemas que afligem os seres humanos, aqueles onde a vida se encontra mais amea\u00e7ada. De outra parte, requer uma releitura contextualizada da Palavra de Deus. Entra em jogo aqui o famoso &#8220;c\u00edrculo hermen\u00eautico\u201d, em que a vida interpela a B\u00edblia e esta interpela a vida, numa espiral crescente de intercess\u00e3o entre f\u00e9 e vida.<\/p>\n<p>A a\u00e7\u00e3o social na Igreja, atrav\u00e9s das Pastorais Espec\u00edficas, da C\u00e1ritas ou das Comunidades Eclesiais de Base (CEB\u2019s), em parceria com movimentos sociais, sindicais e estudantis, com organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais e com entidades afins \u2013 essa a\u00e7\u00e3o social representa hoje em dia esse olhar evang\u00e9lico. Uma postura misericordiosa e compassiva, sens\u00edvel e solid\u00e1ria, voltada para os grupos ou situa\u00e7\u00f5es sociais mais carentes e abandonados, onde a vida est\u00e1 mais amea\u00e7ada. Significa, em resumo, a solicitude pastoral permanentemente recriada e atualizada, de acordo com as dores e esperan\u00e7as, lutas e sonhos, caminhos e aspira\u00e7\u00f5es dos pobres e exclu\u00eddos.<\/p>\n<p><strong>Um novo olhar para o laicato<\/strong><\/p>\n<p>Dois conceitos fundamentais do Conc\u00edlio Vaticano II ajudam a entender a nova dimens\u00e3o dos leigos e leigas enquanto protagonistas da evangeliza\u00e7\u00e3o, por um lado, e art\u00edfices de uma sociedade justa, fraterna e solid\u00e1ria, por outro. Primeiramente, a no\u00e7\u00e3o de &#8220;Igreja como Povo de Deus\u201d, onde os diversos servi\u00e7os e minist\u00e9rios n\u00e3o s\u00e3o mais ou menos importantes, mas apenas diferentes. A ideia de hierarquia, com seus degraus de import\u00e2ncia diferenciada, d\u00e1 lugar \u00e0 uma concep\u00e7\u00e3o circular de comunidade, par\u00f3quia, diocese e igreja. Esta n\u00e3o \u00e9 uma pir\u00e2mide, como j\u00e1 vimos, mas um c\u00edrculo em que Cristo Crucificado e Ressuscitado se encontra no centro.<\/p>\n<p>Em segundo lugar, a no\u00e7\u00e3o de &#8220;Igreja toda peregrina e mission\u00e1ria\u201d do Decreto Ad Gentes sobre a Atividade Mission\u00e1ria da Igreja, em que, pelo batismo todos passamos a fazer parte do sacerd\u00f3cio de Jesus Cristo, como &#8220;sacramento de salva\u00e7\u00e3o\u201d. Evidente que, a esse aspecto, o Documento de Aparecida veio dar um refor\u00e7o fundamental. Tendo como pano de fundo o clima do pentecostes, os bispos da Am\u00e9rica Latina e Caribe, prop\u00f5em uma miss\u00e3o continental em que toda a Igreja esteja envolvida.<\/p>\n<p>Desta forma, o pr\u00f3prio decreto Apostolicam Actuositatem, sobre o Apostolado dos Leigos, insiste que &#8220;nosso tempo exige dos leigos um zelo n\u00e3o menor, pois as circunst\u00e2ncias atuais reclamam deles um apostolado mais intenso e mais amplo. Com efeito, o aumento constante da popula\u00e7\u00e3o, o progresso da ci\u00eancia e da t\u00e9cnica, as rela\u00e7\u00f5es humanas mais estreitas, n\u00e3o s\u00f3 aumentaram o campo de a\u00e7\u00e3o do apostolado leigo de maneira extraordin\u00e1ria; campo em grande parte s\u00f3 a eles aberto, mas criaram tamb\u00e9m novos problemas, que esperam deles um consciencioso cuidado e estudo\u201d (AA, n\u00ba 01). A observa\u00e7\u00e3o combina perfeitamente com a nova fase de nossa hist\u00f3ria de &#8220;mudan\u00e7as profundas e r\u00e1pidas\u201d, como vimos anteriormente na Gaudium et Spes. De acordo com o esp\u00edrito do decreto, leigos e leigas formam uma ponte entre a pr\u00e1tica eclesial e a pr\u00e1tica sociopol\u00edtica ou p\u00fablica. \u00c9 assim que o documento apresenta os diversos campos de a\u00e7\u00e3o dos mesmos, sublinhando as comunidades da Igreja, a fam\u00edlia, os jovens, o ambiente social e a esfera nacional e internacional (AA, n\u00bas 10-14). Na mesma perspectiva, e em sintonia com as enc\u00edclicas da Doutrina Social da Igreja, chama a aten\u00e7\u00e3o para as distintas modalidades a\u00e7\u00f5es, grupos e associa\u00e7\u00f5es do apostolado leigo (AA, n\u00bas 15-21).<\/p>\n<p><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Os olhares que acabamos de acompanhar ao longo do texto formam, na verdade, uma \u00fanica vis\u00e3o de conjunto. Est\u00e3o divididos em itens por motivos pedag\u00f3gicos, mas na vida real permanecem inextricavelmente entrela\u00e7ados. Tendo em vista a a\u00e7\u00e3o da Igreja no seu conjunto e as atividades das Pastorais Sociais, em particular, esses olhares t\u00eam uma dupla finalidade, desdobrando-se cada uma delas, por sua vez, em duas dimens\u00f5es. Por um lado, pretendemos desenvolver a pr\u00e1tica de uma an\u00e1lise de conjuntura permanentemente atualizada; ao mesmo tempo, aprofundar o conhecimento dos princ\u00edpios evang\u00e9licos que orientam a Doutrina Social da Igreja, seja na an\u00e1lise da realidade seja na busca de solu\u00e7\u00f5es aos problemas sociais.<\/p>\n<p>Por outro lado, queremos mostrar as luzes ocultas e as p\u00e9rolas encobertas desse tesouro que \u00e9 a DSI, com particular destaque para a Gaudium et Spes, luzes e p\u00e9rolas que, se e quando conhecidas, se revelam de enorme utilidade para a pr\u00e1tica pastoral; no mesmo passo, contribuir para uma &#8220;pastoral org\u00e2nica e de conjunto\u201d, pois, como bem sabemos, a GS \u00e9 irm\u00e3 g\u00eamea de outros documentos, em que cada um procura dar conta de um aspecto diferente da vida crist\u00e3 e eclesial. O interc\u00e2mbio e combina\u00e7\u00e3o de todos, numa vis\u00e3o aberta e plural, mostra a necessidade da comunh\u00e3o e da partilha.<\/p>\n<div id=\"themify_builder_content-17796\" data-postid=\"17796\" class=\"themify_builder_content themify_builder_content-17796 themify_builder themify_builder_front\">\n\t<\/div>\n<!-- \/themify_builder_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pe. Alfredo J. Gon\u00e7alves Introdu\u00e7\u00e3o Nas comemora\u00e7\u00f5es do 50\u00ba anivers\u00e1rio do Conc\u00edlio Ecum\u00eanico Vaticano II (1962-1965), mais do que nunca vale estudar a fundo a Constitui\u00e7\u00e3o pastoral sobre a Igreja no mundo de hoje \u2013 Gaudium et Spes (GS), promulgada solenemente pelo para Paulo VI em dezembro de 1965, no encerramento do conc\u00edlio. 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