
{"id":1810,"date":"2009-02-11T23:43:56","date_gmt":"2009-02-12T01:43:56","guid":{"rendered":"http:\/\/www.oarcanjo.net\/site\/?p=1810"},"modified":"2009-02-11T23:43:56","modified_gmt":"2009-02-12T01:43:56","slug":"jose-oscar-beozzo-dom-helder-pastor-da-libertacao-em-terras-de-muita-pobreza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.oarcanjo.net\/site\/jose-oscar-beozzo-dom-helder-pastor-da-libertacao-em-terras-de-muita-pobreza\/","title":{"rendered":"Jos\u00e9 Oscar Beozzo: Dom Helder, pastor da liberta\u00e7\u00e3o em terras de muita pobreza"},"content":{"rendered":"<p>IHU &#8211; Unisinos *<\/p>\n<p>Adital &#8211; Ao se completarem os 100 anos de nascimento de Dom Helder Camara, no s\u00e1bado, 07 de fevereiro, a Igreja do Brasil tem muito a agradecer e a se inspirar na vida e na obra do querido &#8220;Dom&#8221;, como ficou conhecido.<\/p>\n<p>Nesta entrevista especial, concedida por e-mail a IHU On-Line, padre Jos\u00e9 Oscar Beozzo, um dos maiores historiadores da Igreja na Am\u00e9rica Latina, comenta alguns tra\u00e7os da vida do grande arcebispo de Olinda e Recife, um dos fundadores da Confer\u00eancia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).<\/p>\n<p>Para Beozzo, os leigos e as leigas foram os &#8220;mestres de vida&#8221; de Dom Helder &#8220;para a atua\u00e7\u00e3o no mundo e para uma espiritualidade longe dos ran\u00e7os clericais&#8221;. O Recife e o Nordeste, segundo o coordenador-geral do Centro Ecum\u00eanico de Servi\u00e7os \u00e0 Evangeliza\u00e7\u00e3o e Educa\u00e7\u00e3o Popular (Cesep), tornaram-se &#8220;sua trincheira de onde fala ao Brasil, mas tamb\u00e9m \u00e0 Am\u00e9rica Latina e ao mundo&#8221;. E analisa ainda a atua\u00e7\u00e3o internacional de Dom Helder, especialmente durante o Conc\u00edlio Vaticano II, no qual, mesmo nunca tendo falado na Aula Conciliar, &#8220;tornou-se um dos mais ouvidos e respeitados padres conciliares&#8221;.<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Oscar Beozzo \u00e9 padre e te\u00f3logo, com mestrado em Sociologia da Religi\u00e3o, pela Universit\u00e9 Catholique de Louvain (B\u00e9lgica) e doutorado em Hist\u00f3ria Social, pela Universidade de S\u00e3o Paulo (USP). Faz parte do Centro de Estudos de Hist\u00f3ria da Igreja na Am\u00e9rica Latina (CEHILA-Brasil), filiado \u00e0 Comiss\u00e3o de Estudos de Hist\u00f3ria da Igreja na Am\u00e9rica Latina e no Caribe (CEHILA). Tamb\u00e9m \u00e9 s\u00f3cio fundador da Ag\u00eancia de Informa\u00e7\u00e3o Frei Tito para a Am\u00e9rica Latina (ADITAL). \u00c9 autor de in\u00fameros livros, entre os quais &#8220;A Igreja do Brasil&#8221; (Vozes, 1993).<\/p>\n<p>Confira a entrevista.<\/p>\n<p>IHU On-Line &#8211; H\u00e1 100 anos, nascia Helder Pessoa C\u00e2mara, o futuro arcebispo de Olinda, reconhecido mundialmente pelo seu trabalho voltado a uma igreja mais simples, em contato com os pobres e pela n\u00e3o-viol\u00eancia. Quais foram os grandes passos que levaram aquele pequeno menino a ser um bispo cat\u00f3lico reconhecido mundialmente, tendo recebido dezenas de pr\u00eamios internacionais, com quatro indica\u00e7\u00f5es ao pr\u00eamio Nobel da Paz? <\/p>\n<p>Jos\u00e9 Oscar Beozzo &#8211; Os passos de Dom Helder n\u00e3o podem ser desconectados de algumas conjunturas nacionais, latino-americanas e internacionais que o interligaram com pessoas e eventos excepcionais.<br \/>\nDesde os tempos do semin\u00e1rio, interessou-se pela imprensa, tornando-se propagandista de O Nordeste, jornal da diocese, para o qual angariava assinaturas, o que lhe valeu memor\u00e1vel encontro com o Pe. C\u00edcero, no Juazeiro. Come\u00e7ou tamb\u00e9m a publicar artigos na imprensa de Fortaleza, escondido por pseud\u00f4nimo, at\u00e9 ser proibido pelo reitor do semin\u00e1rio. Posteriormente, imprensa escrita, r\u00e1dio e televis\u00e3o foram sempre instrumentos que manejava com maestria para passar adiante seus ideais, valores e mensagem. <\/p>\n<p>O di\u00e1cono Helder \u00e9 ordenado padre em 1929, no turbilh\u00e3o e desmoronamento do mundo econ\u00f4mico liberal na crise daquele ano. No ano seguinte, com as elei\u00e7\u00f5es presidenciais e a revolu\u00e7\u00e3o de 1930, \u00e9 o Brasil das oligarquias que rui. Entram em cena novos atores sociais no panorama pol\u00edtico: os Estados da federa\u00e7\u00e3o, de modo particular do Nordeste e do Norte, mais Rio Grande do Sul, at\u00e9 ent\u00e3o exclu\u00eddos da partilha do poder, concentrado em S\u00e3o Paulo e Minas Gerais, pela alian\u00e7a caf\u00e9-com-leite; as classes m\u00e9dias urbanas; a classe oper\u00e1ria; os tenentes do Ex\u00e9rcito, mas tamb\u00e9m a Igreja Cat\u00f3lica alijada dos jogos do poder pelo laicismo republicano. Get\u00falio Vargas liquidou com a rep\u00fablica velha e seu modelo agr\u00e1rio exportador, dando lugar a um projeto de desenvolvimento nacionalista, apoiado na industrializa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds e num pacto populista que uniria o empresariado nacional e os oper\u00e1rios, sob a prote\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m controle direto, do Estado.<\/p>\n<p>No Cear\u00e1, a Liga Eleitoral Cat\u00f3lica (LEC) funcionou quase como partido pol\u00edtico, tendo na sua coordena\u00e7\u00e3o o jovem Pe. Helder C\u00e2mara, que se aproximou dos integralistas de Pl\u00ednio Salgado, abra\u00e7ando seu ide\u00e1rio pol\u00edtico. Em 1935, foi convidado pelo novo governador para assumir uma secretaria de governo, como diretor geral da instru\u00e7\u00e3o p\u00fablica, no que seria hoje a secretaria de educa\u00e7\u00e3o, num claro sinal desse retorno das hostes cat\u00f3licas ao jogo pol\u00edtico. No final desse ano, atritos com o governador, na condu\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica educacional, levam-no a pedir demiss\u00e3o e partir do Cear\u00e1 para o Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>Funcion\u00e1rio p\u00fablico e disc\u00edpulo de Dom Leme<\/p>\n<p>No Rio de Janeiro, foi acolhido pelo conterr\u00e2neo Louren\u00e7o Filho no Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o, dirigido por Gustavo Capanema. Em 1939, passou em concurso p\u00fablico para fun\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas no Minist\u00e9rio. Na Igreja do Rio, foi recebido pelo Cardeal Dom Sebasti\u00e3o Leme. O Cardeal representou, internamente para a Igreja Cat\u00f3lica, um contraponto ao projeto pol\u00edtico de Vargas.<\/p>\n<p>Leme tentou superar a atomiza\u00e7\u00e3o da Igreja e o isolamento das dioceses entre si, buscando estabelecer uma estrat\u00e9gia clara de a\u00e7\u00e3o e uma articula\u00e7\u00e3o do Episcopado para implement\u00e1-la. Reuniu os bispos em torno de si em maio e outubro de 1931 e depois para o Conc\u00edlio Plen\u00e1rio Brasileiro, em 1939, com o intuito de tra\u00e7ar linhas de a\u00e7\u00e3o comuns. Tirou a Igreja da defensiva em que fora encurralada pela Rep\u00fablica Velha, trazendo-a para uma agenda propositiva, numa jornada em que foi auxiliado pela combatividade de Jackson de Figueiredo, da revista Ordem, do Centro Dom Vital, e pela densidade cultural, capacidade de escuta e articula\u00e7\u00e3o de Alceu Amoroso Lima \u00e0 frente das institui\u00e7\u00f5es fundadas por Jackson de Figueiredo, da Liga Eleitoral Cat\u00f3lica e depois da A\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica Brasileira (ACB).<\/p>\n<p>Leme criou ainda, em 1935, a ACB, com abrang\u00eancia nacional, mobilizando o laicato para uma atua\u00e7\u00e3o mais aguerrida nas estruturas sociais, pol\u00edticas e culturais do pa\u00eds. Na capital da rep\u00fablica, Helder trabalhou ainda como t\u00e9cnico do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o, entrando em contato com todo o debate sobre os rumos da educa\u00e7\u00e3o no Brasil e a crescente atua\u00e7\u00e3o governamental nesse campo. Esse trabalho rendeu-lhe preciosos conhecimentos e contatos em toda a estrutura governamental. Essas rela\u00e7\u00f5es seriam fundamentais no campo das rela\u00e7\u00f5es entre a Igreja e o Estado, em sua posterior trajet\u00f3ria como bispo auxiliar no Rio de Janeiro e como secret\u00e1rio-geral da Confer\u00eancia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).<\/p>\n<p>Os leigos e as responsabilidades nacionais e internacionais<\/p>\n<p>Atrav\u00e9s da A\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica de Pio XI, leigos e leigas foram seus mestres de vida, para a atua\u00e7\u00e3o no mundo e para uma espiritualidade longe dos ran\u00e7os clericais. No Rio, o ent\u00e3o Pe. Helder C\u00e2mara prosseguiu com seu envolvimento com os leigos, iniciado no Cear\u00e1 com a Juventude Oper\u00e1ria Cat\u00f3lica, a Legi\u00e3o Cearense do Trabalho e a Liga dos Professores Cat\u00f3licos. Em 1950, tornou-se Assistente da nova a\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica especializada, convertendo em nacional seu raio de a\u00e7\u00e3o at\u00e9 ent\u00e3o limitado ao Rio de Janeiro. Nesse mesmo ano de 1950, suas fun\u00e7\u00f5es de assistente nacional da A\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica levaram-no por primeira vez a Roma, para o Congresso Internacional da A\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica. Essa viagem propiciou-lhe o primeiro contato com Mons. Giovanni Baptista Montini, principal auxiliar do Papa Pio XII, a quem propusera a cria\u00e7\u00e3o da Confer\u00eancia dos Bispos do Brasil.<\/p>\n<p>A cria\u00e7\u00e3o da CNBB, em 1952, replicou em n\u00edvel episcopal a plataforma de atua\u00e7\u00e3o nacional em que havia operado em n\u00edvel do laicato. O papel de articula\u00e7\u00e3o que havia cumprido Dom Leme, pessoalmente, como cardeal arcebispo do Rio de Janeiro, at\u00e9 sua morte prematura em 1942, passou a ser cumprido institucionalmente, de certa maneira, pela A\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica, mas, sobretudo, pela CNBB. O motor era, por\u00e9m, o pr\u00f3prio Dom Helder, rec\u00e9m nomeado bispo auxiliar do Rio de Janeiro e que assumiu a Confer\u00eancia como seu primeiro secret\u00e1rio-geral, permanecendo nessa posi\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica durante 12 anos, at\u00e9 1964. Sua amizade com o N\u00fancio Armando Lombardi, com quem se reunia a cada s\u00e1bado, permitiu que uma legi\u00e3o de padres envolvidos na A\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica, com trabalhos valiosos na pastoral e na forma\u00e7\u00e3o, fosse promovida ao episcopado, compondo um novo rosto da Igreja brasileira, mais pr\u00f3xima do povo, mais comprometida em suas lutas por supera\u00e7\u00e3o da pobreza e por justi\u00e7a e dignidade.<\/p>\n<p>O XXIX Congresso Eucar\u00edstico Internacional do Rio de Janeiro, em 1955, projetou Dom Helder como o grande organizador desse evento internacional e da I Confer\u00eancia Geral do Episcopado Latino-americana, realizada logo em seguida. Da Confer\u00eancia, resultou a cria\u00e7\u00e3o do Conselho Episcopal Latino-americano, o CELAM. Em 1959, Dom Helder foi eleito um dos seus vice-presidentes.<\/p>\n<p>O Congresso Eucar\u00edstico deu-lhe oportunidade para transformar a grande mobiliza\u00e7\u00e3o para organiz\u00e1-lo, em iniciativas sociais de grande vulto, como a Cruzada S\u00e3o Sebasti\u00e3o, que pretendeu erradicar as favelas do Rio de Janeiro. Dom Helder constataria tempos depois, com certo desalento, que as favelas renasciam logo \u00e0 frente, mais numerosas e esqu\u00e1lidas. A infra-estrutura humana do Congresso ensejou-lhe a promo\u00e7\u00e3o da Feira e do Banco da Provid\u00eancia, retaguarda para in\u00fameras iniciativas no campo social. O CELAM ofereceu-lhe uma plataforma continental para sua atua\u00e7\u00e3o e para a difus\u00e3o de suas id\u00e9ias e projetos, em perfeita sintonia com seu entranhado amigo, Dom Manuel Larra\u00edn, bispo de Talca, no Chile. O Conc\u00edlio Vaticano II abriu para os dois &#8211; mas de modo particular para Dom Helder, com sua ret\u00f3rica inflamada e sua imagina\u00e7\u00e3o e aud\u00e1cia sem limites &#8211; a cena internacional.<\/p>\n<p>IHU On-Line &#8211; O que caracterizou o trabalho de Dom Helder Camara como bispo e arcebispo de Olinda? Quem foi o pastor Dom Helder, tanto para a Igreja local quanto para a Igreja do Brasil?<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Oscar Beozzo &#8211; Olinda e Recife fizeram, por primeira vez de Dom Helder, o pastor com inteira responsabilidade, de uma por\u00e7\u00e3o concreta do povo de Deus, no cora\u00e7\u00e3o do Nordeste, em terras de muita pobreza, mas tamb\u00e9m de tradi\u00e7\u00e3o, lutas e esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>No Rio de Janeiro, como bispo auxiliar e depois como arcebispo, mas sempre auxiliar, teve sua a\u00e7\u00e3o cada vez mais cerceada pelo Cardeal Dom Jaime de Barros C\u00e2mara, cujas vis\u00f5es de Igreja e de sociedade foram cada vez mais se distanciando.<\/p>\n<p>Dom Helder chega ao Recife em 11 de abril, sob o estigma de opositor do novo regime militar apenas instalado com o golpe de 31 de mar\u00e7o de 1964. Logo depois, em outubro, \u00e9 despojado da lideran\u00e7a institucional de secret\u00e1rio-geral da CNBB.<\/p>\n<p>Recife e o Nordeste tornam-se ent\u00e3o sua trincheira de onde fala ao Brasil, mas tamb\u00e9m \u00e0 Am\u00e9rica Latina e ao mundo. Mant\u00e9m um contato di\u00e1rio com seu povo, pela R\u00e1dio Olinda, com medita\u00e7\u00f5es di\u00e1rias; anima a cria\u00e7\u00e3o de grupos de reflex\u00e3o, leitura b\u00edblica, ora\u00e7\u00e3o, solidariedade e a\u00e7\u00e3o social, apelidados de Encontro de Irm\u00e3os.<\/p>\n<p>Lan\u00e7a a Opera\u00e7\u00e3o Esperan\u00e7a, levando a reforma agr\u00e1ria \u00e0s terras da arquidiocese e toma outras iniciativas no campo pastoral: noites de encontro com intelectuais e artistas, mas tamb\u00e9m com sindicalistas, estudantes secund\u00e1rios e universit\u00e1rios. Percorre os bairros, mocambos e favelas do Recife e do interior em contato direto com a popula\u00e7\u00e3o mais pobre.<\/p>\n<p>De Recife, apoiado por um bom n\u00famero de bispos do Nordeste e superiores religiosos provinciais e articulado por Dom Helder, partiu o primeiro grito mais consistente de cr\u00edtica social e pol\u00edtica ao regime militar, com o Manifesto de 1973: &#8220;Ouvi os clamores de meu povo&#8221;. O documento, considerado subversivo pelo regime, s\u00f3 pode se espalhar clandestinamente em edi\u00e7\u00f5es mimeografadas e prontamente recolhidas pelos militares e pela pol\u00edcia quando encontradas.<\/p>\n<p>Dom Helder foi calado pelo regime militar e colocado no mais rigoroso ostracismo, mormente ap\u00f3s o AI-5, em 1968. Foi proibido pela censura que r\u00e1dios, jornais e televis\u00f5es de todo o pa\u00eds retransmitissem suas mensagens ou at\u00e9 escrevessem ou pronunciassem seu nome. S\u00f3 no exterior podia ele falar livremente a multid\u00f5es cada vez mais numerosas e entusiastas, num sem n\u00famero de pa\u00edses, mormente na Europa, Estados Unidos e Canad\u00e1. Sua forte presen\u00e7a internacional incomodou alguns episcopados, regimes pol\u00edticos e finalmente Roma, que tamb\u00e9m cerceou e limitou suas viagens e pronunciamentos.<br \/>\nNesse sentido, valeu por uma reabilita\u00e7\u00e3o, o abra\u00e7o do Papa Jo\u00e3o Paulo II a Dom Helder, quando de sua visita ao Brasil em 1980. Ao descer do avi\u00e3o no aeroporto de Guararapes no Recife, ao mesmo tempo em que abra\u00e7ava o arcebispo banido, exclamou, diante de todos os meios de comunica\u00e7\u00e3o do pa\u00eds: &#8220;Dom Helder, irm\u00e3o dos pobres, meu irm\u00e3o&#8221;!<\/p>\n<p>IHU On-Line &#8211; Qual foi o papel de Dom Helder dentro do Conc\u00edlio Vaticano II? Como ele colaborou para que as discuss\u00f5es e mudan\u00e7as ocorridas em Roma chegassem at\u00e9 o Brasil?<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Oscar Beozzo &#8211; No Conc\u00edlio Vaticano II, Dom Helder cumpriu um duplo papel, de animador e incentivador de propostas e iniciativas corajosas e prof\u00e9ticas, e de articulador incans\u00e1vel da maioria conciliar.<\/p>\n<p>Valendo-se da posi\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica que ocupava no terceiro maior episcopado mundial, como secret\u00e1rio-geral da CNBB e de sua fun\u00e7\u00e3o de vice-presidente do CELAM, que estreitava la\u00e7os e de algum modo representava os 600 bispos latino-americanos e caribenhos, quase um quarto do episcopado mundial, Dom Helder mobilizou a ambos os episcopados para uma iniciativa audaciosa. Semanalmente na Domus Mariae, local de resid\u00eancia, durante o Conc\u00edlio, dos bispos do Brasil, Dom Helder, junto com Larrain do CELAM e Etchegaray, secret\u00e1rio da Confer\u00eancia Episcopal francesa, com o apoio do Cardeal Suenens, um dos moderadores do Conc\u00edlio, passou a reunir representantes das confer\u00eancias episcopais da Europa, \u00c1sia, \u00c1frica, Oceania e Am\u00e9ricas.<\/p>\n<p>Essas reuni\u00f5es influenciaram a agenda, as vota\u00e7\u00f5es e os conte\u00fados do Conc\u00edlio, por sua capacidade de refletir, avaliar, propor e articular uma a\u00e7\u00e3o concertada dos principais episcopados, vertebrando de certo modo a assembl\u00e9ia conciliar.<\/p>\n<p>Dom Helder participou igualmente de algum dos grupos informais mais atuantes no Conc\u00edlio, como o Grupo da Igreja dos Pobres, que reunia bispos dos v\u00e1rios continentes preocupados com o compromisso da Igreja com os pobres e com suas lutas para superar os males da pobreza e da mis\u00e9ria, por meio de maior justi\u00e7a e de um desenvolvimento integral que atingisse a todos, de modo particular, os mais empobrecidos enquanto pa\u00edses e classes sociais. <\/p>\n<p>Articulou o nascimento do Opus Angeli, grupo que acertou uma forma organizada de te\u00f3logos e especialistas nas diferentes ci\u00eancias humanas e sociais de prestarem uma assessoria qualificada ao episcopado brasileiro. Essa colabora\u00e7\u00e3o foi estendida depois a outros episcopados e, sobretudo, \u00e0s confer\u00eancias episcopais articuladas entre si no Grupo da Domus Mariae.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o ao episcopado brasileiro, tomou iniciativa e incalcul\u00e1vel alcance o ciclo de Confer\u00eancias, que passou a ser organizado na Domus Mariae a partir da primeira sess\u00e3o conciliar e que se ampliou e a diversificou nas tr\u00eas sess\u00f5es subseq\u00fcentes. Ali, para cada um dos temas em discuss\u00e3o na Aula Conciliar, foram convidados os melhores te\u00f3logos e especialistas dos v\u00e1rios pa\u00edses para falar aos bispos do Brasil, qualificando o episcopado brasileiro para uma participa\u00e7\u00e3o cada vez mais consciente e fundamentada nos debates, propostas e vota\u00e7\u00f5es conciliares. Fez assim, da CNBB, um verdadeiro F\u00f3rum de debates de todos os temas e assuntos conciliares, por mais dif\u00edceis e delicados que fossem.<br \/>\nEssa longa e enriquecedora conviv\u00eancia romana ao longo das quatro sess\u00f5es conciliares fez da CNBB o episcopado que melhor se preparou para a recep\u00e7\u00e3o conciliar, o \u00fanico a sair de Roma com um plano de aplica\u00e7\u00e3o do Conc\u00edlio, pensado, debatido e votado no seu conjunto e detalhes e que foi batizado de PPP: Plano de Pastoral de Conjunto. <\/p>\n<p>Dom Helder, que nunca falou na Aula Conciliar, tornou-se um dos mais ouvidos e respeitados padres conciliares. Sua voz que n\u00e3o se fez ouvir na Bas\u00edlica de S\u00e3o Paulo estava quase que diariamente presente nos meios de comunica\u00e7\u00e3o social, com inumer\u00e1veis entrevistas e confer\u00eancias, que eram retransmitidas pelas r\u00e1dios e televis\u00f5es de todo o mundo.<\/p>\n<p>Sua grande tribuna conciliar foram os meios de comunica\u00e7\u00e3o social, tendo-se tornado um amigo de centenas de jornalistas que cobriram regularmente o Conc\u00edlio de 1962 a 1965. Isso ajuda a explicar e enorme audi\u00eancia internacional de Dom Helder, tamb\u00e9m nos anos que se seguiram ao Conc\u00edlio Vaticano II.<\/p>\n<p>IHU On-Line &#8211; Muito se comenta sobre o &#8220;Pacto das Catacumbas&#8221;, documento assinado por cerca de 40 padres, nas catacumbas de Domitila, em Roma, durante o Conc\u00edlio, que teve grande influ\u00eancia na Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o. Poderia contar-nos mais detalhes sobre esse pacto? <\/p>\n<p>Jos\u00e9 Oscar Beozzo &#8211; O Pacto das Catacumbas foi firmado pelos bispos pertencentes ao grupo Igreja dos Pobres. Quase 500 outros bispos aderiram ao documento, cujo t\u00edtulo era: &#8220;O Pacto da Igreja pobre e servidora&#8221;, explicando assim seu impacto em praticamente toda a Igreja, indo da Europa, passando pela \u00c1sia, \u00c1frica e chegando a Am\u00e9rica Latina, onde se encontrava o grupo mais numeroso de bispos comprometidos com essa linha de pensamento e a\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>O Pacto se desdobrava em 13 compromissos assumidos conjuntamente pelos seus signat\u00e1rios no sentido de viverem pobremente, quanto \u00e0 habita\u00e7\u00e3o, vestu\u00e1rio, alimenta\u00e7\u00e3o e meios de locomo\u00e7\u00e3o.<br \/>\nIsso explica porque Dom Helder, assim que pode, deixou o Pal\u00e1cio Episcopal de Manguinhos e foi viver pobremente na sacristia da Igreja das Tr\u00eas Fronteiras, no Recife, ou que nunca tenha tido um autom\u00f3vel ou motorista ou ainda que usasse sua surrada batina branca, com apenas uma cruz de madeira, como ins\u00edgnia episcopal.<\/p>\n<p>A entrega das terras da arquidiocese a camponeses pobres que ali trabalhavam, empenhando-se em dar-lhes assist\u00eancia t\u00e9cnica, jur\u00eddica e social para que conquistassem autonomia e cidadania, enquadrava-se nos compromissos do Pacto das Catacumbas que propunha ainda:<\/p>\n<p>&#8220;Achando a colegialidade dos bispos sua realiza\u00e7\u00e3o mais evang\u00e9lica na assun\u00e7\u00e3o do encargo comum das massas humanas em estado de mis\u00e9ria f\u00edsica, cultural e moral &#8211; dois ter\u00e7os da humanidade &#8211; comprometemo-nos:<\/p>\n<p>&#8211; a participar, conforme nossos meios, dos investimentos urgentes dos episcopados das na\u00e7\u00f5es pobres;<br \/>\n&#8211; a requerermos juntos, ao plano dos organismos internacionais, mas testemunhando o Evangelho, como o fez o Papa Paulo VI na ONU, a ado\u00e7\u00e3o de estruturas econ\u00f4micas e culturais que n\u00e3o fabriquem na\u00e7\u00f5es prolet\u00e1rias num mundo, cada vez mais rico, mas sim permitam \u00e0s massas pobres, sa\u00edrem de sua mis\u00e9ria&#8221;.<\/p>\n<p>O Pacto propunha tamb\u00e9m uma mudan\u00e7a radical das rela\u00e7\u00f5es entre os bispos e os leigos e leigas, sacerdotes e religiosos\/as:<\/p>\n<p>&#8220;Comprometemo-nos a partilhar na caridade pastoral, nossa via com nossos irm\u00e3os em Cristo, sacerdotes, religiosas e leigos, para que nosso minist\u00e9rio constitua um verdadeiro servi\u00e7o. Assim:<\/p>\n<p>&#8211; esfor\u00e7ar-nos-emos para &#8220;revisar nossa vida com eles&#8221;;<br \/>\n&#8211; suscitaremos colaboradores para serem mais animadores, segundo o Esp\u00edrito, do que chefes, segundo o mundo;<br \/>\n&#8211; procuraremos ser o mais humanamente presentes, acolhedores&#8230;;<br \/>\n&#8211; mostrar-nos-emos abertos a todos, seja qual for a sua religi\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>IHU On-Line &#8211; A partir da assinatura do Pacto, qual a rela\u00e7\u00e3o de Dom Helder com a Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Oscar Beozzo &#8211; Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o, Dom Helder instaurou em sua vida e em sua a\u00e7\u00e3o pastoral local e internacional, pr\u00e1ticas profundamente libertadoras. Tanto no Conc\u00edlio, como de modo particular em Medell\u00edn e Puebla, foi um dos inspiradores e realizadores da op\u00e7\u00e3o preferencial pelos pobres. <\/p>\n<p>Sua pr\u00e1tica libertadora serviu de inspira\u00e7\u00e3o e est\u00edmulo \u00e0 reflex\u00e3o teol\u00f3gica, e seu Instituto Teol\u00f3gico em Recife, o ITER, foi um dos principais laborat\u00f3rios e centros de produ\u00e7\u00e3o de uma teologia da liberta\u00e7\u00e3o colada \u00e0 pr\u00e1tica das comunidades eclesiais de base e aos movimentos populares.<\/p>\n<p>Dom Helder foi um bispo e um pastor da liberta\u00e7\u00e3o, n\u00e3o se considerando ele mesmo um te\u00f3logo, e sim um inspirador e animador da reflex\u00e3o teol\u00f3gica libertadora.<\/p>\n<p>(Reportagem de Mois\u00e9s Sbardelotto)<\/p>\n<p>* Instituto Humanitas Unisinos<\/p>\n<div id=\"themify_builder_content-1810\" data-postid=\"1810\" class=\"themify_builder_content themify_builder_content-1810 themify_builder themify_builder_front\">\n\t<\/div>\n<!-- \/themify_builder_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>IHU &#8211; Unisinos * Adital &#8211; Ao se completarem os 100 anos de nascimento de Dom Helder Camara, no s\u00e1bado, 07 de fevereiro, a Igreja do Brasil tem muito a agradecer e a se inspirar na vida e na obra do querido &#8220;Dom&#8221;, como ficou conhecido. 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