
{"id":1814,"date":"2009-02-11T23:50:51","date_gmt":"2009-02-12T01:50:51","guid":{"rendered":"http:\/\/www.oarcanjo.net\/site\/?p=1814"},"modified":"2009-02-11T23:50:51","modified_gmt":"2009-02-12T01:50:51","slug":"a-experiencia-da-misericordia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.oarcanjo.net\/site\/a-experiencia-da-misericordia\/","title":{"rendered":"A experi\u00eancia da miseric\u00f3rdia"},"content":{"rendered":"<p>Ant\u00f4nio Mesquita Galv\u00e3o<\/p>\n<p>Senhor, tem piedade de mim!<\/p>\n<p>A m\u00edstica moderna fala muito em experi\u00eancias de ora\u00e7\u00e3o e de escuta, mas se esquece, vez por outra, daquela que \u00e9 a maior delas: a experi\u00eancia da miseric\u00f3rdia de Deus. Enquanto aquelas duas s\u00e3o individuais, esta s\u00f3 ocorre plenamente mediante a viv\u00eancia comunit\u00e1ria. Nunca teremos uma vis\u00e3o adequada de Deus e do seu Reino se n\u00e3o compreendermos a dimens\u00e3o exata de sua miseric\u00f3rdia.<\/p>\n<p>Assim, se as experi\u00eancias de ora\u00e7\u00e3o, de interioriza\u00e7\u00e3o e escuta n\u00e3o se fecharem como um fim-em-si, mas se abrirem \u00e0 pr\u00e1tica evang\u00e9lica, pastoral e social, seguramente ir\u00e3o atingir o est\u00e1gio do compromisso com a alteridade, que passa pela miseric\u00f3rdia. Etimologicamente vemos que a miseric\u00f3rdia se comp\u00f5e em miser (mis\u00e9ria) + corde (cora\u00e7\u00e3o). Isto significa sentir com o cora\u00e7\u00e3o os sofrimentos e as dores de algu\u00e9m que sofre suas mis\u00e9rias. Assim como Deus tem miseric\u00f3rdia, pena de n\u00f3s, por sermos fracos e pecadores, assim deve ser, igualmente, nossa atitude com rela\u00e7\u00e3o aos nossos irm\u00e3os, em especial os mais fracos. A mis\u00e9ria tanto pode ser material como espiritual, e tamb\u00e9m afetiva. No hebraico b\u00edblico vamos encontrar o verbete hes\u00ead, a exprimir aquela miseric\u00f3rdia que socorre e consola.<br \/>\nSeu significado \u00e9 semelhante ao carinho de um rei por seus s\u00faditos ou de um pai pelos filhos.<\/p>\n<p>Caracteriza sempre uma ajuda, atual, plena e eficaz a quem precisa. Abrange, muito al\u00e9m do &#8220;querer bem&#8221;, aproximando-se, sobretudo do &#8220;fazer o bem&#8221;. Como o hes\u00ead hebraico (\u00e9 masculino) tem por base os la\u00e7os existentes, seja de parentesco, matrimoniais ou de alian\u00e7a, para que efetivamente ocorra, precisa ser praticado, indo al\u00e9m do discurso. Como a\u00e7\u00e3o de Deus, vem sempre acompanhada do \u2018emmet (a verdade, o am\u00e9m) e da mishpat (a justi\u00e7a). Pois o hes\u00ead traz consigo um sentimento ainda mais profundo, a compaix\u00e3o, retratada pelo verbete hel\u00eanico \u00e9leos.<\/p>\n<p>Trata-se de &#8220;sentir com as entranhas&#8221;, isto \u00e9, algo que caracteriza o amor da m\u00e3e por seu filho rec\u00e9m nascido. Depois vamos falar mais nisto. Em virtude da alian\u00e7a, o salmista ousa cantar, com freq\u00fc\u00eancia, que a miseric\u00f3rdia de Deus \u00e9 eterna (Sl 26,5). Deste modo o hes\u00ead, de Deus tornou-se tamb\u00e9m um conceito escatol\u00f3gico (cf. Sl 90, 14). No Novo Testamento, a miseric\u00f3rdia de Deus se manifesta integralmente em Cristo.<\/p>\n<p>A experi\u00eancia da miseric\u00f3rdia de Deus deve levar a pessoa a ter miseric\u00f3rdia com seu semelhante: Sejam misericordiosos como o Pai de voc\u00eas \u00e9 misericordioso (Lc 6,36). A atitude religiosa, uma vez que somos humanos, n\u00e3o pode se limitar ou restringir a movimentos espirituais, alguns \u00e0s vezes alienantes, mas deve se traduzir em atos, em pr\u00e1tica, em atividade de miseric\u00f3rdia, com o que sofre, passa fome ou precisa de nossa solidariedade (cf. Mt 25,31-46). O amor que dimana do divino hes\u00ead, \u00e9 um afeto puro, desinteressado, crescente e comunicante. Deus ama e se d\u00e1 sem medidas. Esta \u00e9 a grande li\u00e7\u00e3o da miseric\u00f3rdia.<\/p>\n<p>Para orientar nossa experi\u00eancia da miseric\u00f3rdia divina, \u00e9 salutar que se leia e reflita aquelas que s\u00e3o chamadas as &#8220;par\u00e1bolas da miseric\u00f3rdia&#8221;, contidas no cap\u00edtulo 15 do evangelho de Lucas. Revelando que \u00e9 poss\u00edvel ao ser humano ter miseric\u00f3rdia com o pr\u00f3ximo, Jesus incluiu esse sentimento-pr\u00e1tica entre as bem-aventuran\u00e7as (cf. Mt 5,7). Pela boca do profeta Deus convida &#8220;fa\u00e7am a experi\u00eancia da minha miseric\u00f3rdia, e ver\u00e3o como eu vou al\u00e9m&#8230;&#8221;. (cf. Ml 3,10ss).<\/p>\n<p>Maria, a m\u00e3e de Jesus, \u00e0 porta da casa de sua parenta Isabel, cantou a miseric\u00f3rdia de Deus: &#8220;O Todo-Poderoso realizou grandes obras em meu favor: seu nome \u00e9 Santo e sua miseric\u00f3rdia chega aos que o temem, de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o&#8221; (Lc 1, 49s). O amor crist\u00e3o \u00e9 sinal do amor de Cristo que viveu sua paix\u00e3o, isto \u00e9, amou at\u00e9 sofrer. A esse amor, a teologia d\u00e1 o nome de ag\u00e1pe.<\/p>\n<p>A palavra miseric\u00f3rdia, el\u00e9os, no grego, e hesed, no hebraico, como j\u00e1 falamos, \u00e9 completada com o verbete rah\u0103mim (sentir, como uma m\u00e3e, com as entranhas). A hesed personifica boas rela\u00e7\u00f5es entre pessoas, querer bem, fazer o bem, ter afeto, desenvolver fidelidade, exercer solidariedade. Nessa rela\u00e7\u00e3o, surgem outros voc\u00e1bulos correlatos, como \u2018emmet (verdade, fidelidade), sedak\u00e1 (justi\u00e7a) e mi\u0161p\u0101t (direito). Como curiosidade, vale relatar que o verbete miseric\u00f3rdia aparece cerca de 102 vezes nas Sagradas Escrituras, conforme atestam as &#8220;chaves b\u00edblicas&#8221; existentes no mercado.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma \u00eanfase especial que pervade a B\u00edblia, no que se refere \u00e0 miseric\u00f3rdia. O termo hebraico hes\u00ead, designa todos os la\u00e7os que ligam os membros de uma comunidade: favor, benevol\u00eancia, afeto, bondade (Gn 20,13; 47,29; 1Sm 20,8-15; Sl 36,6-11). Desde o come\u00e7o da alian\u00e7a fala-se exclusivamente da miseric\u00f3rdia de Deus, no sentido de amor gratuito.<\/p>\n<p>Assim, miseric\u00f3rdia de Deus \u00e9 amor aos mais pobres, entre os quais sobressaem os pecadores (Is 14,1s; Lc 10,29-37; Jo 10,1-21). A gra\u00e7a e miseric\u00f3rdia de Deus se corporizam em Cristo (2Cor 5,18-21;Gl 2,21; Ef 2,4-7; Cl 2,13s), onde se verifica o amplo cumprimento das promessas das Escrituras.<br \/>\nA miseric\u00f3rdia do homem, como resposta \u00e0 miseric\u00f3rdia de Deus, \u00e9 mais importante que os atos de culto (Os 6,6; Mt 5,7; 9,10-13; Lc 13,6-9; 15,1-32), alguns, meras formas de costume, distantes da verdadeira adora\u00e7\u00e3o. Jesus testemunhou sua miseric\u00f3rdia e fidelidade ao projeto do Pai, n\u00e3o somente por palavras mas atrav\u00e9s de gestos de perd\u00e3o, cura e acolhida:<\/p>\n<p>\u00a7 perdoou a  ad\u00faltera ao inv\u00e9s de conden\u00e1-la  ( Jo 8, 3-11);<br \/>\n\u00a7 curou o criado do centuri\u00e3o  (Mt 8,6);<br \/>\n\u00a7 curou e perdoou os pecados de um paral\u00edtico  (Mc 2,3ss);<br \/>\n\u00a7 ressuscitou o filho \u00fanico de uma vi\u00fava em Naim (Lc 7,11-17);<br \/>\n\u00a7 na cruz, perdoou o ladr\u00e3o e prometeu lev\u00e1-lo para o Reino (Lc 23,43).<\/p>\n<p>No Antigo Testamento, a hes\u00ead de Jav\u00e9 n\u00e3o tinha o significado expl\u00edcito de miseric\u00f3rdia como entendemos hoje, derivando para favores, como a natureza, algumas atitudes hist\u00f3ricas, etc. \u00c0 bondade de uma pessoa para a outra, num determinado momento da cultura de Israel tamb\u00e9m era vista como hesed. O livro dos Salmos \u00e9 o \u00fanico que credita hes\u00ead exclusivamente aos atos de Jav\u00e9: &#8220;D\u00eaem gra\u00e7as a Jav\u00e9, porque ele \u00e9 bom, e eterna \u00e9 sua hes\u00ead&#8221; (Sl 107, 1).<\/p>\n<p>Desde muito cedo, Deus revela sua miseric\u00f3rdia, ao libertar o povo hebreu do Egito. No Sinai, Mois\u00e9s ouve Deus prometer a profundidade de seu afeto pelo povo que escolheu (cf. Ex 33, 19). Jav\u00e9, Jav\u00e9! Deus de compaix\u00e3o e piedade, lento para a c\u00f3lera e cheio de hes\u00ead (miseric\u00f3rdia) e \u2018emmet (fidelidade). Ele conserva seu amor por milhares de gera\u00e7\u00f5es&#8230; (Ex 34, 6-7a).<\/p>\n<p>Ami\u00fade, Deus se v\u00ea \u00e0s voltas com sua pr\u00f3pria compaix\u00e3o diante da mis\u00e9ria a que o pecado reduz o ser humano. Pai amoroso, ele deseja que o pecador se converta e volte a ele (cf. Ez 18, 21ss). Se ele, vez por outra, faz o povo sair para o &#8220;deserto&#8221; \u00e9 porque quer falar-lhe ao cora\u00e7\u00e3o (cf. Os 2, 16). Como o Pai fala a nosso cora\u00e7\u00e3o?  Das maneiras mais diversas e surpreendentes.<\/p>\n<p>Depois de algum tempo de &#8220;ex\u00edlio&#8221;, representado pela ang\u00fastia, pelo sofrimento, ou vicissitude, facilmente compreenderemos o que Deus quer de n\u00f3s. O retorno \u00e0 &#8220;terra prometida&#8221; simboliza a volta para ele, para a vida (cf. Jr 12, 15; Ez 33, 11; Is 14, 1). Deus, Pai da humanidade, pela dimens\u00e3o de seu cora\u00e7\u00e3o, n\u00e3o guarda rancor de nossas faltas (cf. Jr 3, 12s) mas quer que o pecador reconhe\u00e7a suas faltas e se converta (cf. Is 55, 7). Se converta e viva!<\/p>\n<p>Mas Deus, que \u00e9 rico em miseric\u00f3rdia, pelo grande amor com que nos amou, deu-nos a vida juntamente com Cristo, quando est\u00e1vamos mortos por causa de nossas faltas. Voc\u00eas foram salvos pela gra\u00e7a! Na pessoa de Jesus Cristo, Deus nos ressuscitou e nos fez sentar no c\u00e9u. Assim, com sua bondade para conosco em Jesus Cristo, eles quis mostrar para os tempos futuros a incompar\u00e1vel riqueza da sua gra\u00e7a (Ef 2, 4-7).<\/p>\n<p>A miseric\u00f3rdia, como o pr\u00f3prio nome sugere, nos retira da mis\u00e9ria da solid\u00e3o e do pecado. Deus sente como suas, as dores do miser\u00e1vel. O amor confere salva\u00e7\u00e3o. O carinho de Deus \u00e9 visto e sentido na pessoa de Cristo (cf. Ef 3, 19). Se a miseric\u00f3rdia \u00e9 a atitude paterna de Deus para com os pecadores, o amor \u00e9 o seu motivo, em tudo quanto ele faz por eles. Assim como a miseric\u00f3rdia de Deus \u00e9 rica, assim o seu nome \u00e9 grande. Pois foi com esse grandioso amor que Deus nos amou e nos escolheu, e fez isto por causa do seu amor, agindo em favor da humanidade, como sempre o faz.<\/p>\n<p>O amor de Cristo, que excede todo o entendimento, precisa ser conhecido, para que o crist\u00e3o seja repleto de toda a plenitude de Deus (cf. Ef 3, 19). Nessa linha de racioc\u00ednio, conhecer o amor \u00e9 amar de forma integral, a Deus Uno e Trino, ao pr\u00f3ximo e \u00e0 natureza. A gra\u00e7a, a miseric\u00f3rdia e o amor de Deus ultrapassam toda a capacidade intelectual do ser humano. S\u00f3 acessamos ao mist\u00e9rio pela inspira\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito. O conhecimento faz-se de forma m\u00edstica, intuitiva e experimental, pela f\u00e9.<\/p>\n<p>Jesus \u00e9 aquele que vem confirmar a miseric\u00f3rdia do Pai. Tanto assim que a express\u00e3o movido de compaix\u00e3o, aparece, no m\u00ednimo, seis vezes, nos evangelhos, confirmando a miseric\u00f3rdia de Deus. No epis\u00f3dio do &#8220;bom samaritano&#8221; (cf. Lc 10, 33), este agiu movido pela compaix\u00e3o, sentiu a pathos (sofrimento) do outro, como sua, desenvolveu a hes\u00ead e se colocou a servi\u00e7o do sofredor.<\/p>\n<p>A miseric\u00f3rdia divina \u00e9 a qualidade como que predominante em Deus. Ela banha o homem com um gesto de acolhida indescrit\u00edvel, que inclui compaix\u00e3o, perd\u00e3o, clem\u00eancia, toler\u00e2ncia, piedade, paci\u00eancia, ternura, etc. Em todo o benef\u00edcio concedido por Deus aos seres humanos podemos enxergar um ponder\u00e1vel car\u00e1ter dessa miseric\u00f3rdia, pois as doa\u00e7\u00f5es divinas n\u00e3o se baseiam em m\u00e9ritos ou direitos humanos.<\/p>\n<p>O amor divino motiva e precede, funda a confian\u00e7a e fortalece a f\u00e9. Jesus, Deus e homem de verdade, \u00e9 mostrado por S\u00e3o Paulo como o &#8220;sumo sacerdote misericordioso&#8221; (cf. Hb 2, 17). Aos sofredores de car\u00eancia material, ele vem anunciar um tempo de fartura.<\/p>\n<p>Os que alegram o cora\u00e7\u00e3o paterno de Deus n\u00e3o s\u00e3o os homens e mulheres que se cr\u00eaem justos e freq\u00fcentam diuturnamente os templos e as atividades dos movimentos eclesiais, mas sim os pecadores arrependidos, aqueles que confiaram na miseric\u00f3rdia, compar\u00e1veis \u00e0 ovelha ou \u00e0 moeda perdida e reencontrada (cf. Lc 15, 7.10). Olhando de longe a estrada, quando percebe o retorno do filho, movido de compaix\u00e3o, o pai corre ao seu encontro (Lc 15, 20). A miseric\u00f3rdia de Deus sempre espera por aquele que ainda n\u00e3o se converteu, qual uma figueira est\u00e9ril (cf. Lc 13, 6-9).<\/p>\n<p>Nos tempos messi\u00e2nicos, a miseric\u00f3rdia de Deus tem em Jesus Cristo sua realiza\u00e7\u00e3o efetiva, a partir do an\u00fancio program\u00e1tico, feito na sinagoga de Nazar\u00e9: o Esp\u00edrito de Deus est\u00e1 sobre mim&#8230;  (cf. Lc 4, 18-21). Mais do que no AT, a partir de Jesus a miseric\u00f3rdia \u00e9 exigida dos homens, entre si, conforme o exemplo divino:  sejam misericordiosos&#8230;  (cf. Lc 6, 36). A partir dos tempos do Messias instaura-se, para sempre, a era da miseric\u00f3rdia. A condi\u00e7\u00e3o essencial para o crist\u00e3o entrar no reino, \u00e9 reiteradamente afirmada por Jesus: a miseric\u00f3rdia (cf. Mt 5, 7). N\u00e3o podemos fechar nossas entranhas diante da mis\u00e9ria do irm\u00e3o, O amor de Deus s\u00f3 permanece naqueles que exercem miseric\u00f3rdia (cf. 1Jo 3,17).<\/p>\n<p>S\u00e3o Paulo, ap\u00f3stolo e mestre do cristianismo, confessa-se agraciado pela miseric\u00f3rdia (2Cor 4, 1) daquele a quem chama de &#8220;pai da miseric\u00f3rdia&#8221; (1Cor 1, 3). Ele v\u00ea e anuncia toda a obra da salva\u00e7\u00e3o sob a \u00f3tica da miseric\u00f3rdia de Deus: &#8220;Deus encerrou todos na desobedi\u00eancia para usar com todos a miseric\u00f3rdia&#8221; (Rm 11, 32). \u00c9 tamb\u00e9m do ap\u00f3stolo dos gentios a men\u00e7\u00e3o que refere Deus como &#8220;rico em miseric\u00f3rdia&#8221; (cf. Ef 2,4).<\/p>\n<p>Assim &#8211; e nunca \u00e9 demais repetir &#8211; a salva\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o de m\u00e9ritos ou esfor\u00e7os humanos, mas fruto da miseric\u00f3rdia de Deus (cf. Rm 9, 16). Deus nos mostrou, de forma vigorosa e definitiva, sua miseric\u00f3rdia atrav\u00e9s da ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo dentre os mortos (cf. 1Pd 1, 3). A salva\u00e7\u00e3o, mais do que pelo nosso esfor\u00e7o, ocorre pela generosidade de Deus. A miseric\u00f3rdia, para ele, vem em primeiro lugar: &#8220;Eu quero miseric\u00f3rdia e n\u00e3o o sacrif\u00edcio&#8221; (Mt 9,13).<\/p>\n<p>O not\u00e1vel te\u00f3logo medieval, Santo Anselmo de Cantu\u00e1ria (\u2020 1109), um doutor da Igreja, especializado em espiritualidade, nos traz um importante contributo (sua obra \u00e9 Cur Deus homo?), capaz de iluminar nossa reflex\u00e3o a respeito do conjunto de nossa f\u00e9, que repousa no mist\u00e9rio cruz\/reden\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>O homem (e portanto Jesus) n\u00e3o pode dar-se a Deus de modo mais total que se abandonando \u00e0 morte para a sua gl\u00f3ria. Eis porque Jesus devia morrer na cruz para devolver consigo, a humanidade inteira, ao Pai (&#8230;). A miseric\u00f3rdia de Deus, que no evento da cruz parece negada, nos vem harmonizada com a justi\u00e7a, que n\u00e3o podemos imaginar nada mais justo. Com efeito, que conduta pode ser mais misericordiosa que a do Pai, dizendo ao pecador, condenado a tormentos eternos e privado daquilo que poderia salv\u00e1-lo: &#8220;Toma o meu Unig\u00eanito e oferece-o por ti!&#8221;, enquanto o Filho, por sua vez, lhe diz: &#8220;Toma-me e salva-te! (&#8230;). Ele (Deus) amou quando n\u00e3o amei, e se tu (Cristo) n\u00e3o tivesses amado quem agora ama, ningu\u00e9m teria sido capaz de amar&#8221;.<\/p>\n<p>Nas chamadas &#8220;par\u00e1bolas da miseric\u00f3rdia&#8221;, j\u00e1 aludidas, do evangelho de S\u00e3o Lucas, s\u00e3o encontradas privilegiadamente tr\u00eas narrativas que evidenciam a miseric\u00f3rdia, o perd\u00e3o e a acolhida de Deus. A maioria dos biblistas afirma que o cap\u00edtulo 15 do III Evangelho \u00e9 como que &#8220;o cora\u00e7\u00e3o da boa not\u00edcia de Jesus&#8221;. De fato, sua leitura oferece um raro momento de edifica\u00e7\u00e3o espiritual e serve de paradigma de conviv\u00eancia. Nesse bloco doutrin\u00e1rio vamos descobrir as par\u00e1bolas da &#8220;ovelha extraviada&#8221; (vv. 3-7), da &#8220;moeda perdida&#8221; (vv. 8-10) e do &#8220;filho pr\u00f3digo&#8221; (11-32). Embora possam ser estudadas dentro de um mesmo contexto, as tr\u00eas hist\u00f3rias possuem elementos que, analisados isoladamente, d\u00e3o forte embasamento \u00e0 f\u00e9 em Jesus, ao amor ao pr\u00f3ximo e ao desenvolvimento de uma vida crist\u00e3 discernida.<br \/>\nQue m\u00e9ritos tinha aquela ovelha fujona, a ponto de o pastor largar tudo e ir atr\u00e1s dela, para resgat\u00e1-la? Nenhum! Ele foi busc\u00e1-la porque ele \u00e9 rico em miseric\u00f3rdia: &#8220;E eu lhes declaro: assim, haver\u00e1 no c\u00e9u mais alegria por um s\u00f3 pecador que se converte, do que por noventa e nove justos que n\u00e3o precisam de convers\u00e3o&#8221; (v. 7).<\/p>\n<p>Jesus ressalta, nesse epis\u00f3dio, a alegria do Pai, em fun\u00e7\u00e3o de um pecador que se converte. O j\u00fabilo divino, dado a dramaticidade da evas\u00e3o e imin\u00eancia da perda do pecador, \u00e9 maior do que aquele dispensado \u00e0 rotina virtuosa dos justos. Na par\u00e1bola do filho pr\u00f3digo (ou seria do &#8220;Pai misericordioso&#8221;?), o filho cai em si e v\u00ea a burrada que fez, ao deixar a casa do pai e tentar a sorte em um mundo infenso. N\u00e3o se pode falar na miseric\u00f3rdia de Deus sem aludir o enredo desta par\u00e1bola.<br \/>\nEnt\u00e3o, caindo em si, disse: &#8220;Quantos empregados do meu pai t\u00eam p\u00e3o com fartura, e eu aqui, morrendo de fome&#8230; Vou me levantar, e vou encontrar meu pai, e dizer a ele: Pai, pequei contra Deus e contra ti; j\u00e1 n\u00e3o mere\u00e7o que me chamem teu filho. Trata-me como um dos teus empregados&#8221;. Ent\u00e3o se levantou, e foi ao encontro do pai (vv. 17-20).<\/p>\n<p>Observando as circunst\u00e2ncias ao seu redor, aquele filho reconhece que tudo aquilo que ele buscou no mundo, havia em abund\u00e2ncia na casa de seu pai. \u00c9 o pecador que busca a felicidade nas coisas, valores e prazeres do mundo, e acaba se convencendo de que \u00e9 s\u00f3 em Deus que sua alma quer repousar, e s\u00f3 o Pai pode faz\u00ea-lo feliz. S\u00f3 o Reino \u00e9 sua casa. Feliz o homem que pode, a tempo, reconhecer em Deus a fonte de todas as miseric\u00f3rdias.<\/p>\n<p>Em toda a hist\u00f3ria, \u00e9 bom notar que &#8211; e Jesus, na par\u00e1bola, deixa isso bem claro &#8211; o pai n\u00e3o foi buscar o filho, acatando sua decis\u00e3o e respeitando sua liberdade. Na vida, Deus n\u00e3o sai atr\u00e1s de n\u00f3s, uma vez que respeita nossas decis\u00f5es. Quando, por\u00e9m, reconhecemos nossa culpa, como o jovem da par\u00e1bola, e damos o primeiro passo de volta para casa, o Pai assume o controle, e vem ao nosso encontro para nos receber, e nos ajuda a entrar em sua casa. \u00c9 interessante salientar que, com o arrependimento e o prop\u00f3sito, o filho prepara como que um discurso para pedir perd\u00e3o ao pai, afirmando que n\u00e3o \u00e9 mais digno de ser seu filho, que aceita ser tratado como um empregado.<\/p>\n<p>Na estrada, no caminho de volta, o pai, que esperava ansiosamente o retorno do filho, reconhece-o pelo cora\u00e7\u00e3o, naquele caminheiro sujo, magro e alquebrado. Reconhecendo-o vai ao seu encontro e o abra\u00e7a. Enquanto o arrependimento caminha o perd\u00e3o corre ao encontro. Jesus usa uma express\u00e3o que n\u00e3o pode &#8211; de forma alguma &#8211; passar despercebida: o pai teve compaix\u00e3o&#8230; e saiu correndo ao encontro (v. 20b). E nem quis ouvir as desculpas do filho. Essa tentativa foi abafada pelo abra\u00e7o e pelo beijo do pai:<\/p>\n<p>Mas o pai disse aos empregados: &#8220;Depressa, tragam a melhor t\u00fanica para vestir meu filho. E coloquem um anel no seu dedo e sand\u00e1lias nos p\u00e9s. Peguem o novilho gordo e o matem. Vamos fazer um banquete. Porque este meu filho estava morto, e tornou a viver; estava perdido, e foi encontrado&#8221;. E come\u00e7aram a festa (vv. 22-24).<\/p>\n<p>Ao determinar que os empregados providenciassem &#8220;a melhor roupa&#8221;, o pai demonstrou uma situa\u00e7\u00e3o de exalta\u00e7\u00e3o diante do quadro de mis\u00e9ria anterior. O filho chegou descal\u00e7o, como um escravo, e recebeu sand\u00e1lias como um homem livre. Caminhar pelas trilhas do pecado deixa nossos p\u00e9s em feridas. A gra\u00e7a de Deus \u00e9 como um cal\u00e7ado que protege os p\u00e9s e n\u00e3o nos deixa resvalar (cf. Sl 17, 5; 121, 3).<\/p>\n<p>O anel que o pai coloca no dedo do filho, dentro dessa simbologia de restaura\u00e7\u00e3o, revela o restabelecimento de uma alian\u00e7a. Essa alian\u00e7a \u00e9 retratada por muitos gestos do pai: al\u00e9m do anel, a t\u00fanica nova, a sand\u00e1lia, o beijo e a festa. Quanta riqueza se pode haurir desses gestos que, no discurso de Jesus, caracterizam a atitude receptiva de Deus!<\/p>\n<p>No cerne da boa not\u00edcia, encontramos a proclama\u00e7\u00e3o de miseric\u00f3rdia de Deus. Dentro dela, a hist\u00f3ria do pai que perdoa e acolhe, sem restri\u00e7\u00f5es, cobran\u00e7as ou saldos a pagar. Talvez esteja aqui um dos pontos mais significativos e reveladores de toda a prega\u00e7\u00e3o de Jesus. <\/p>\n<p>A miseric\u00f3rdia \u00e9 a virtude-tipo de nosso Deus (cf. Ef 2, 4). Por ela Jesus se encarna (cf. Jo 3, 16) e morre na cruz (cf. Fl 2, 7s). \u00c9 tamb\u00e9m movido por miseric\u00f3rdia que o Pai o ressuscita (v. 9ss). A \u00fanica paga adequada ao uso da miseric\u00f3rdia \u00e9 a pr\u00f3pria miseric\u00f3rdia. Nesse epis\u00f3dio Jesus deixa bem claro. S\u00f3 usando de miseric\u00f3rdia \u00e9 que obteremos a suprema miseric\u00f3rdia do Pai.<\/p>\n<p>Deus age sempre com profunda miseric\u00f3rdia, perdoando as nossas d\u00edvidas, acolhendo, esquecendo, passando um pano para apagar as nossas faltas. Sua miseric\u00f3rdia \u00e9 uma d\u00e1diva gratuita, sem jogo de palavras, sem qualquer contrapartida, a n\u00e3o ser a nossa pr\u00f3pria miseric\u00f3rdia para com nosso pr\u00f3ximo.<br \/>\nPregando aos irm\u00e3os de uma comunidade crist\u00e3, h\u00e1 tempos, perguntei-lhes qual a ess\u00eancia do cristianismo. Quase que unanimemente, todos responderam que era a ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus. De fato, em termos de f\u00e9 crist\u00e3 e proje\u00e7\u00f5es ao infinito, sem d\u00favidas, a ressurrei\u00e7\u00e3o \u00e9 um evento de extrema import\u00e2ncia. Mas n\u00e3o \u00e9 o fato que impulsiona concretamente nossa f\u00e9 e atitude crist\u00e3. Confirma, mas n\u00e3o \u00e9 o que d\u00e1 o primeiro impulso. A ressurrei\u00e7\u00e3o \u00e9 efeito. Qual \u00e9 a causa? A causa, o fundamento de nosso cristianismo, \u00e9 a miseric\u00f3rdia de Deus; \u00e9 seu amor pelo filho, pelo mundo e por n\u00f3s. Ele amou o mundo que, deu seu filho, para que quem nele crer n\u00e3o pere\u00e7a, mas tenha a vida eterna (cf. Jo 3, 16). Miseric\u00f3rdia, encarna\u00e7\u00e3o, cruz, ressurrei\u00e7\u00e3o. Este \u00e9 o itiner\u00e1rio da nossa f\u00e9 e da nossa reden\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A festa que o pai faz para recepcionar o filho que resolveu voltar \u00e9 semelhante \u00e0 alegria de um pastor que reencontra uma ovelhinha extraviada, ou de uma dona-de-casa que acha uma valiosa moeda que estava perdida. Por conter, como sinal do perd\u00e3o e do amor do Pai, estas tr\u00eas magn\u00edficas hist\u00f3rias, chamadas &#8220;par\u00e1bolas da miseric\u00f3rdia&#8221;, \u00e9 que o Terceiro Evangelho \u00e9 chamado o evangelho da miseric\u00f3rdia. Por este motivo, n\u00e3o podemos l\u00ea-las como hist\u00f3rias bonitas, mas como um relato de nossa vida de pecados e do amor do Pai, sempre disposto a nos perdoar. No mist\u00e9rio da cruz, Jesus revela todo o vigor da miseric\u00f3rdia de Deus: &#8220;Amando os seus, que estavam no mundo, amou-os at\u00e9 o fim&#8221; (cf. Jo 13, 1).<\/p>\n<p>A escatologia (paix\u00e3o-morte-ressurrei\u00e7\u00e3o) de Jesus \u00e9 a revela\u00e7\u00e3o da miseric\u00f3rdia de Deus levada \u00e0s \u00faltimas conseq\u00fc\u00eancias. O maior obst\u00e1culo \u00e0 miseric\u00f3rdia divina \u00e9 o endurecimento do cora\u00e7\u00e3o do pecador (cf. Is 9, 16; Jr 16, 5.13). Como, bem sabemos, o cora\u00e7\u00e3o \u00e9 uma casa que s\u00f3 pode ser aberta pelo dono, pelo lado de dentro, Deus bate e espera a resposta do homem (cf. Ap 3, 20).<\/p>\n<p>Miseric\u00f3rdia \u00e9, como j\u00e1 foi visto aqui, o ligar-se com o cora\u00e7\u00e3o \u00e0 mis\u00e9ria do pecador, do pobre e do exclu\u00eddo. \u00c9 sentir visceralmente a dor do outro. Miseric\u00f3rdia n\u00e3o \u00e9 uma simples atitude assistencialista, c\u00edclica e superficial, mas algo radicado no amor de Deus, nas propostas do Reino e na cruz de Jesus Cristo. Ser misericordioso \u00e9 sentir com o cora\u00e7\u00e3o a afli\u00e7\u00e3o e a mis\u00e9ria do outro.<\/p>\n<p>Embora seja atributo essencial de Deus, imperfeitamente o homem pode exercer miseric\u00f3rdia com seus semelhantes. Nesse aspecto, usar de miseric\u00f3rdia, como o samaritano que socorreu o ferido (cf. Lc 10, 25-37), \u00e9 sentir com o outro suas necessidades, procurando auxili\u00e1-lo a minorar seu drama. Nas &#8220;bem-aventuran\u00e7as&#8221; chama a aten\u00e7\u00e3o quando Jesus diz: &#8220;Bem aventurados os misericordiosos, porque encontrar\u00e3o miseric\u00f3rdia&#8221; (Mt 5, 7). Em outra ocasi\u00e3o, ensinando como o ser humano pode aproximar-se de Deus, atrav\u00e9s da imita\u00e7\u00e3o de suas virtudes mais essenciais, Jesus recomenda: &#8220;Sejam misericordiosos como o Pai de voc\u00eas \u00e9 misericordioso&#8221; (Lc 6, 36). Esse conselho que Jesus nos d\u00e1, longe de ser um jogo-de-palavras, indica um caminho de justi\u00e7a e santidade. Ele nunca iria recomendar que f\u00f4ssemos misericordiosos, se soubesse que tal conquista era imposs\u00edvel a n\u00f3s.<\/p>\n<p>Deste modo, cabe sempre lembrar que, em nossas vidas, a despeito de pecados, convers\u00e3o, reconcilia\u00e7\u00e3o, estaremos sempre ao sabor da miseric\u00f3rdia de Deus. Em S\u00e3o Paulo encontramos uma exemplar refer\u00eancia ao Pai misericordioso:  &#8220;Bendito seja o Deus e Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai de todas as miseric\u00f3rdias e Deus de toda consola\u00e7\u00e3o! Ele nos consola em todas as nossas tribula\u00e7\u00f5es&#8230;&#8221; (2Cor 1, 3s).<\/p>\n<p>Deus n\u00e3o se deixa vencer em miseric\u00f3rdia. N\u00f3s sabemos disto. Ele tira o povo das garras dos &#8220;fara\u00f3s&#8221; opressores e o conduz pelo deserto (consci\u00eancia do pecado, prova\u00e7\u00e3o, expia\u00e7\u00e3o) \u00e0 terra prometida (o arrependimento e a gra\u00e7a), a fim de despos\u00e1-lo para sempre.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o \u00e9 rica em fidelidade e miseric\u00f3rdia, e, em fun\u00e7\u00e3o disto, ela vai desembocar em Jesus, que vem manifestar o amor do Pai, para transformar os homens, curando-os de seus desvios e enfermidades da alma. Para esse resgate, s\u00f3 um amor muito grande, o amor daquele que &#8220;est\u00e1 a\u00ed conosco&#8221; seria capaz de elaborar um projeto t\u00e3o cuidadoso e perfeito. Nunca \u00e9 demais repetir o texto-chave da miseric\u00f3rdia de Deus: &#8220;Deus de tal modo amou o mundo, que deu seu filho \u00fanico, para que todo aquele que nele crer n\u00e3o pere\u00e7a, mas tenha a vida eterna&#8221; (Jo 3, 16).<\/p>\n<p>A car\u00eancia dos exclu\u00eddos move a compaix\u00e3o de Deus, indo desembocar no mist\u00e9rio da caridade que Jesus vem agregar \u00e0s pr\u00e1xis daqueles que querem entrar no seu Reino. O n\u00facleo, a fonte dos Evangelhos trata da miseric\u00f3rdia de Deus que, para refazer a humanidade destro\u00e7ada pelo pecado e pelo ego\u00edsmo in\u00edquo, e n\u00e3o mais s\u00f3 os judeus, d\u00e1-lhe seu Filho Jesus, um Messias pobre para os pobres.<br \/>\nNum domingo desses, como, ali\u00e1s, fa\u00e7o sempre, fui \u00e0 missa e as leituras falavam da miseric\u00f3rdia que deve superar todas as formalidades legais e lit\u00fargicas de uma comunidade crist\u00e3. Ap\u00f3s chamar o publicano Levi-Mateus para ser seu disc\u00edpulo, Jesus vai jantar em sua casa. Longe de seguir as discrimina\u00e7\u00f5es da sociedade de seu tempo, Jesus aceita o convite de seu novo amigo. Assenta-se \u00e0 rasteira mesa, montada ao estilo palestinense, junto com o dono da casa e seus novos &#8220;colegas de servi\u00e7o&#8221;. <\/p>\n<p>Alguns biblistas afirmam que nesse evento Jesus teria contado a par\u00e1bola do &#8220;pai cheio de miseric\u00f3rdia&#8221; (filho pr\u00f3digo). Os fariseus, ao verem isso, ficaram indignados e, sem coragem de questionar diretamente a Jesus, perguntam aos disc\u00edpulos: &#8220;Por que o mestre de voc\u00eas come com os pecadores?&#8221;. Jesus \u00e9 que lhes responde: &#8220;N\u00e3o s\u00e3o os que t\u00eam sa\u00fade que precisam de m\u00e9dico, mas sim os doentes&#8221;. E conclui: &#8220;Aprendam, pois, o que significa: \u2018Eu quero a miseric\u00f3rdia e n\u00e3o o sacrif\u00edcio\u2019&#8221;.<br \/>\nA Palavra de Deus esclarece que o sentido da miss\u00e3o de Jesus est\u00e1 acima da lei, e que a justi\u00e7a do Reino \u00e9 insepar\u00e1vel da pr\u00e1tica da miseric\u00f3rdia. Nossa forma de praticar a religi\u00e3o, muitas vezes, \u00e9 conduzida dentro de par\u00e2metros nitidamente humanos, onde criamos regulamentos e proibi\u00e7\u00f5es, como n\u00e3o batizar filho de m\u00e3e-solteira ou negar comunh\u00e3o ou perten\u00e7a a movimentos eclesiais a pessoas recasadas. Ser\u00e1 que Jesus seria t\u00e3o rigoroso assim? Fechamo-nos em nossos pequenos o\u00e1sis de fervor (quase fanatismo) religioso, como se a Igreja fosse uma elite de puros e inatac\u00e1veis. Ser\u00e1 que Jesus faria a divis\u00e3o entre bons e maus apenas por crit\u00e9rios externos? O ato de justi\u00e7a de Jesus provoca na casa de Levi-Mateus uma grande festa. <\/p>\n<p>Os crit\u00e9rios de perdoar, n\u00e3o julgar, usar radicalmente da miseric\u00f3rdia e da solidariedade, jamais buscar vingan\u00e7a, fatores determinantes da personalidade e das pr\u00e1ticas de Jesus, deveriam estar sempre presentes diante de n\u00f3s, de modo que pud\u00e9ssemos discernir entre a autenticidade do apostolado e o bitolamento a crit\u00e9rios geradores de exclus\u00e3o. Uma Igreja que n\u00e3o esteja orientada e disposta a atuar al\u00e9m de seus limites e do mundo de seus fi\u00e9is, n\u00e3o \u00e9 uma Igreja mission\u00e1ria. <\/p>\n<p>Uma comunidade que n\u00e3o propicia uma abertura a seus membros afastados, n\u00e3o est\u00e1 preparada para a vinda do Senhor. Nesse particular, ao encerrar, cabe a pergunta para ser debatida depois. E n\u00f3s, como estamos preparados para o julgamento da miseric\u00f3rdia?<\/p>\n<p>A grande novidade do cristianismo &#8211; e por isto ele se baseia numa boa not\u00edcia &#8211; foi ter instaurado um modo de ser, pensar e agir, enfim, um novo estilo de vida, a partir da compreens\u00e3o e viv\u00eancia da miseric\u00f3rdia divina. A boa not\u00edcia trazida por Jesus \u00e9 aquela do amor e do perd\u00e3o aos inimigos, conforme o Pai &#8211; rico em miseric\u00f3rdia &#8211; ensinou \u00e0 humanidade, desde o princ\u00edpio. Levando esse esp\u00edrito de generosidade e miseric\u00f3rdia, Jesus levou o amor \u00e0s \u00faltimas conseq\u00fc\u00eancias, e n\u00e3o fez outra coisa que falar em perd\u00e3o, ensinar a perdoar e tamb\u00e9m perdoar aos que pecaram e aos que o ofenderam. Este \u00e9 um caminho muito dif\u00edcil, antigo e sempre repleto de novidades. Deus, ao encarnar-se atrav\u00e9s de Jesus, pelo poder do Esp\u00edrito Santo, d\u00e1 uma li\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>Deus de tal forma amou o mundo, que deu seu Filho \u00danico, para que todo o que nele crer n\u00e3o morra, mas tenha a vida eterna (Jo 3, 16).<\/p>\n<p>H\u00e1 um pergunta crucial, capaz de iluminar toda a nossa reflex\u00e3o: voc\u00ea daria a vida de um filho seu, ou de um irm\u00e3o, marido ou esposa em favor de outras pessoas? A maioria vai dizer que n\u00e3o, certamente. Pois Deus, um Pai rico em miseric\u00f3rdia deu&#8230; E deu por n\u00f3s, que o negamos, que o tra\u00edmos, que o crucificamos e muitas vezes o rejeitamos, trocando-o por \u00eddolos mudos e vazios. Para ser integralmente feliz e inserido no mist\u00e9rio da revela\u00e7\u00e3o divina, o ser humano precisa fazer a experi\u00eancia da miseric\u00f3rdia de Deus em sua vida. Quem experimenta a generosidade de Deus \u00e9 o primeiro a ser beneficiado por essa gra\u00e7a. <\/p>\n<p>O objetivo desta reflex\u00e3o foi discorrer, ainda que limitada e imperfeitamente, sobre a miseric\u00f3rdia de Deus. Digo limitada e imperfeitamente porque no mist\u00e9rio de virtude e santidade que envolve Deus, \u00e9 imposs\u00edvel penetrar integralmente. Acessamos por pistas, pela intui\u00e7\u00e3o e pela nossa f\u00e9. No decorrer da medita\u00e7\u00e3o vimos qu\u00e3o grande \u00e9 a magnitude de Deus, e que \u00e9 imposs\u00edvel entend\u00ea-lo t\u00e3o somente atrav\u00e9s de nossa intelig\u00eancia.<\/p>\n<p>Esperamos que nosso prop\u00f3sito, de mostrar o quanto nosso Deus \u00e9 rico em miseric\u00f3rdia, tenha sido atingido, e que ao concluir a reflex\u00e3o, os presentes tenham aberto mais seus cora\u00e7\u00f5es \u00e0 bondade do Deus Uno e Trino, que est\u00e1 nos c\u00e9us, no seu cora\u00e7\u00e3o e em toda a parte. Estudando e conhecendo melhor (at\u00e9 onde se p\u00f4de ir) o mist\u00e9rio de Deus, \u00e9 poss\u00edvel am\u00e1-lo mais, intuir o quanto ele nos ama, e assim, amar mais aos nossos irm\u00e3os, especialmente os carentes, os sofredores e aqueles que foram exclu\u00eddos pelo ego\u00edsmo de muitos. <\/p>\n<p>Deus derrama sua miseric\u00f3rdia sobre n\u00f3s, como a mostrar-nos como deve ser a nossa rela\u00e7\u00e3o com ele (na vertical) e com o pr\u00f3ximo (na horizontal). A\u00ed fica desenhado o mapa do cora\u00e7\u00e3o de Deus: como as hastes da cruz, onde uma aponta para o Deus, rico em miseric\u00f3rdia, e a outra, para o irm\u00e3o, carente dessa miseric\u00f3rdia e da nossa solidariedade fraterna.<\/p>\n<p>Que o Deus rico em miseric\u00f3rdia esteja sempre em nosso cora\u00e7\u00e3o e em nossa mente, para desenvolver em n\u00f3s atitudes de encontro, benevol\u00eancia e solidariedade. Deus se fez homem para que o homem se tornasse, em rela\u00e7\u00e3o aos irm\u00e3os, misericordioso e receptivo. Ele veio a n\u00f3s para que pud\u00e9ssemos ir a ele.<\/p>\n<p>Deus \u00e9 Pai das miseric\u00f3rdias e Deus de toda a consola\u00e7\u00e3o (2Cor 1, 3).<\/p>\n<p><em>(Esta reflex\u00e3o fez parte de um retiro ministrado a padres diocesanos na Regi\u00e3o Norte do Brasil, em agosto 2008)<\/em><\/p>\n<div id=\"themify_builder_content-1814\" data-postid=\"1814\" class=\"themify_builder_content themify_builder_content-1814 themify_builder themify_builder_front\">\n\t<\/div>\n<!-- \/themify_builder_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ant\u00f4nio Mesquita Galv\u00e3o Senhor, tem piedade de mim! A m\u00edstica moderna fala muito em experi\u00eancias de ora\u00e7\u00e3o e de escuta, mas se esquece, vez por outra, daquela que \u00e9 a maior delas: a experi\u00eancia da miseric\u00f3rdia de Deus. 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