
{"id":23620,"date":"2013-11-02T21:23:28","date_gmt":"2013-11-02T23:23:28","guid":{"rendered":"http:\/\/www.oarcanjo.net\/site\/?p=23620"},"modified":"2013-11-02T21:23:28","modified_gmt":"2013-11-02T23:23:28","slug":"o-papa-francisco-e-as-mudancas-na-igreja","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.oarcanjo.net\/site\/o-papa-francisco-e-as-mudancas-na-igreja\/","title":{"rendered":"O Papa Francisco e as mudan\u00e7as na Igreja"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><em>Pe. Alfredo J. Gon\u00e7alves, cs<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nem precisaria lembrar que o Papa Francisco (Jorge Mario Bergoglio) n\u00e3o \u00e9 a Igreja. Mas, se de um lado isso \u00e9 verdade, n\u00e3o \u00e9 menos certo que sua figura representa a voz mais autorizada da mesma. Em suas m\u00e3os est\u00e1 o leme desta fr\u00e1gil embarca\u00e7\u00e3o, em seu poder a possibilidade de uma guinada, por menor que seja, quanto ao rumo da barca de Pedro. Esta, ao longo dos tempos, sempre navegou em \u00e1guas mais ou menos agitadas, como o s\u00e3o as ondas das mudan\u00e7as hist\u00f3ricas. Diga-se de passagem que tudo o que dilacera o tecido socioecon\u00f4mico e pol\u00edtico-cultural no seu conjunto \u2013 medos e ang\u00fastias, d\u00favidas e perguntas, crises e turbul\u00eancias, contradi\u00e7\u00f5es e assimetrias \u2013 dilacera igualmente a Igreja e seus fi\u00e9is. Dita embarca\u00e7\u00e3o n\u00e3o goza do privil\u00e9gio de imunidade diante dos mares bravios da trajet\u00f3ria humana. Um voo de p\u00e1ssaro sobre o pontificado de Francisco, numa leitura de car\u00e1ter meramente pastoral, revela ind\u00edcios de que essa nave bi-milenar pode, sim, sofrer mudan\u00e7as de rota. E que as mudan\u00e7as podem, sim, ser positivas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>1. <\/strong><strong>A novidade da linguagem<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tornaram-se emblem\u00e1ticas as express\u00f5es do Papa Francisco. N\u00e3o tanto pela transmiss\u00e3o de novos conte\u00fados, mas pela novidade da linguagem. Sobre os discursos de natureza acad\u00eamica, racional e conceitual, prevalece o col\u00f3quio direto, simples, facilmente intelig\u00edvel. Em lugar do recheio rebuscado de cita\u00e7\u00f5es dos Santos Padres, da Escol\u00e1stica ou dos documentos de seus predecessores, por exemplo, adquire maior import\u00e3ncia o apelo ao modo de falar cotidiano, utilizado pelas pessoas em casa e nas ruas, nos pontos de \u00f4nibus e no metr\u00f4, nas feiras e supermercados, nos a\u00e7ougues e padarias&#8230; N\u00e3o se trata, evidentemente, de contrapor um tratado b\u00edblico-teol\u00f3gico a um di\u00e1logo informal entre amigos. Ambas as linguagens t\u00eam sua legitimidade e seu lugar. O que o Papa Francisco tem feito \u00e9 dirigir-se \u00e0s pessoas com as palavras que lhes s\u00e3o mais familiaes e compreens\u00edveis. Uma pr\u00e1tica presencial, espont\u00e2nea e amiga substitui a pretens\u00e3o da c\u00e1tedra, da doutrina\u00e7\u00e3o ou do p\u00falpito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Da\u00ed sua insist\u00eancia em repetir, em cada audi\u00eancia, as sauda\u00e7\u00f5es costumeiras: <em>buon giorno<\/em> (bom dia), <em>buon pomeriggio<\/em> (boa tarde), <em>buon pranzo<\/em> (bom almo\u00e7o), e assim por diante.Al\u00e9m disso, n\u00e3o s\u00f3 utiliza esse tipo de comunica\u00e7\u00e3o direta e informal, mas enfatiza a necessidade de algumas palavras que jamis devem ser esquecidas: <em>permesso<\/em> (licen\u00e7a), <em>scusate<\/em> (descupa) e <em>grazie<\/em> (obrigado). O valor n\u00e3o est\u00e1 na express\u00e3o em si, mas na forma de relacionamento com o p\u00fablico e com cada pessoa em particular. Mais ainda: a descoberta de que, normalmente, as pessoas n\u00e3o procuram respostas a perguntas complicadas, mas o reconhecimento de algu\u00e9m, ou ainda, em geral as pessoas n\u00e3o buscam solu\u00e7\u00f5es a seus problemas complexos, mas um ouvido que saiba compreend\u00ea-las. Num mundo marcadamente urbano, cada um se torna um \u00e1tomo cujas part\u00edculas (paix\u00f5es, desejos, interesses, esfor\u00e7os) giram em torno de si mesmo. Todos falam e ningu\u00e9m se disp\u00f5e a escutar. O Pont\u00edfice, como o seu modo de comunicar-se, resgata a verdade mais \u00f3bvia e simples: as pessoas buscam antes de tudo encontrar-se, fugir ao abismo insuport\u00e1vel da solid\u00e3o. Nisso est\u00e1 a import\u00e2ncia do olhar, do toque, do gesto, do abra\u00e7o, da aten\u00e7\u00e3o. A tend\u00eancia de doutrinar atrav\u00e9s de teorias, dogmas ou li\u00e7\u00f5es de moral d\u00e1 lugar \u00e0 simples presen\u00e7a, \u00e0 m\u00e3o estendida, ao telefonema inesperado, ao contato vivo com as crian\u00e7as, os idosos, os doentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Valeria aqui uma compara\u00e7\u00e3o com a pr\u00e1tica de Jesus, o qual \u201cpercorria todas as cidades e aldeias\u201d, ao encontro das \u201cmultid\u00f5es cansadas e abatidas, como ovelhas sem pastor\u201d. (Mt 9,35-38). A linguagem de Jesus \u00e9 de uma simplicidade sem precedentes. Suas par\u00e1bolas e palavras nascem do cotidiano do contexto em que vivia: pescador e lavrador, rede e peixe, fermento e sal, luz e semente, pastor e ovelha, vinha e moeda&#8230; Mais do que textos cuidadosamente elaborados ou discursos envernizados de moralidade, o povo valoriza a imagem, a presen\u00e7a viva e direta. Esconde-se aqui uma sabedoria nem sempre expl\u00edcita: a verdadeira Igreja \u2013 <em>Mater et Magistra<\/em> \u2013 \u00e9 aquela que, sem esquecer o segundo termo da express\u00e3o de Jo\u00e3o XXIII, em sua enc\u00edclica de 1961, d\u00e1 prefer\u00eancia ao primeiro. A m\u00e3e, ou o Bom Pastor do Evangelho (Jo 10,1-21), ama a todos sem distin\u00e7\u00e3o nem discrimina\u00e7\u00e3o, mas tem um carinho especial pela \u201covelha perdida\u201d (Lc 15,1-7), aquela que tem sua vida mais amea\u00e7ada. Por isso \u00e9 que, na entrevista sobre temas como o homossexualismo, por exemplo, o Papa n\u00e3o exita em afirmar que a Igreja \u00e9 aquela que, em primeiro lugar, deve \u201ccurar as feridas\u201d. E mais, \u201cse o indiv\u00edduo busca Deus na sinceridade de seu cora\u00e7\u00e3o, quem sou eu para julgar\u201d, conclui.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>2. <\/strong><strong>Autoridade e servi\u00e7o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Papa Francisco vem desmestificando sistematicamente o conceito destorsido de \u201cautoridade petrina\u201d. Esta, por raz\u00f5es hist\u00f3ricas bem complexas e diversificadas, havia se distanciado das origens da Igreja primitiva. O sucessor de Pedro, com o passar dos s\u00e9culos, adquirira um \u201ctrono\u201d hierarquicamente acima de qualquer crist\u00e3o. Deste tempos pret\u00e9ritos, instalara-se o principado dentro da Igreja! Da\u00ed \u00e0 pompa, ao luxo, \u00e0 riqueza, \u00e0 alian\u00e7a com o poder temporal, \u00e0 disnastia cardinal\u00edcia, \u00e0 solenidade exteriorizada numa liturgia r\u00edgida e ritualista e ao sistema de corte no interior do pr\u00f3prio Vaticano \u2013 a dist\u00e2ncia era m\u00ednima. Um s\u00e9quito de servidores, vestidos conforme rigorosa hierarquia, punha-se \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o do vig\u00e1rio de Cristo, o que se manifestava frontalmente contr\u00e1rio ao gesto da \u00faltima ceia (Jo 13,1-17). Em muitos casos, no decorrer da hist\u00f3ria da Igreja, a autoridade converteu-se em autoritarismo. Pior ainda, em circunst\u00e2ncias bem espec\u00edficas e not\u00f3rias (inquisi\u00e7\u00e3o, cruzadas, confronto com a ci\u00eancia, etc.), o poder espiritual superou at\u00e9 mesmo o poder temporal em dom\u00ednio, intoler\u00e2ncia, persegui\u00e7\u00e3o, tortura, condena\u00e7\u00e3o e morte. Nem autoridade nem poder, mas pura e simplesmente totalitarismo, fundamentalismo religioso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O novo Pont\u00edfice faz quest\u00e3o de \u201cderreter\u201d essa imagem de uma autoridade transplantada do poder temporal para a pr\u00e1tica da organiza\u00e7\u00e3o dentro da Igreja. O verbo <em>derreter<\/em> constitui uma met\u00e1fora extra\u00edda do universo do soci\u00f3logo polon\u00eas Zygmunt Bauman, segundo o qual a \u201cmodernidade l\u00edquida\u201d elimina n\u00e3o poucas institui\u00e7\u00f5es s\u00f3lidas que compunham o alicerce dos temos modernos. Prevalecem na chamada p\u00f3smodernidade as rela\u00e7\u00f5es l\u00edquidas, flex\u00edveis, vers\u00e1teis, virtuais e at\u00e9 mesmo descart\u00e1veis. Os la\u00e7os imediatos e provis\u00f3rios substituem as rela\u00e7\u00f5es s\u00f3lidas. O experimento e a novidade tomam o lugar dos valores tradicionais. O Papa Francisco derrete a autoridade pontif\u00edcia quando descarta, desde o primeiro dia de seu pntificado, determinados aparatos principescos ou cortes\u00e3os (exemplos cl\u00e1ssicos: os sapatos vermelhos, a cruz peitoral, o anel de ouro&#8230;) ). F\u00e1-lo igualmente quando desce os degraus do trono (reais ou imagin\u00e1rios), circula pela pra\u00e7a e p\u00f5e-se a falar com o povo ali concenrado para encontr\u00e1-lo. Conhece bem a necessidade de \u201cperder tempo\u201d com cada pessoa, de individualizar o problema de cada uma no meio da multid\u00e3o an\u00f4nima, de oferecer-lhe um sorriso, a m\u00e3o aberta, uma palavra de conforto. A autoridade transforma-se em servi\u00e7o \u00e0queles que sofrem e buscam socorro. E aqui emerge um aparente paradoxo: essas rela\u00e7\u00f5es simples, diretas, personalizadas e aparentemente \u201cl\u00edquidas\u201d, na verdade, conduzem \u00e0 solidez inesperada do di\u00e1logo eu-tu, da presen\u00e7a gratuita, da capacidade de sair de si mesmo para ir ao encontro do outro. Reside nesta rela\u00e7\u00e3o de amizade e amor o valor mais s\u00f3lido que a humanidade \u00e9 capaz de efificar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma vez mais, torna-se evidente o parelelo com as atitudes de Jesus. Sua caravana jamais atropela um corpo enfermo, um cora\u00e7\u00e3o angustiado, uma alma atormentada. Sempre se det\u00e9m quando algu\u00e9m sofre, chora e grita por socorro. Nenhuma l\u00e1grima e nenhuma dor lhe \u00e9 indiferente. Parece caminhar ao encontro do sofrimento. Sobre o tema da autoridade, Jesus confronta a tirania dos \u201cchefes das na\u00e7\u00f5es\u201d com a necessidade de \u201ctornar-se servo\u201d por parte de seus disc\u00edpulos. E conclui: \u201cO Filho do Homem n\u00e3o veio para ser servido; Ele veio para servir\u201d (Mt 20,25-28). Por isso, comparado aos saduceus e fariseus, pretensos doutores da lei, \u00e9 Jesus quem de fato \u201cfala como quem tem autoridade\u201d (Mc 1,22).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>3. <\/strong><strong>Imagem e m\u00eddia<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A exemplo de Jo\u00e3o Paulo II, o atual Papa vem se revelando surpreendentemente um homem de m\u00eddia. Mas, diferentemente de seu antecessor, a imagem que o Papa Francisco passa para os meios de comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 menos a de um chefe de Estado do que a de um pastor. A grandiosidade exterior se reduz \u00e0 simplicidade de quem prefere entrar pela porta dos fundos. Prevalecem n\u00e3o tanto os gestos espetaculares, os documentos filos\u00f3fica e teologicamente rebuscados, os discursos imponentes e as decis\u00f5es perempt\u00f3rias, mas, ao contr\u00e1rio, o cumprimento genu\u00edno e cotidiano de quem, em cada pessoa, conhecida ou desconhecida, encontra um familiar ou um amigo: bom dia, como vai? Por isso os peregrinos em Roma o buscam em n\u00famero cada vez maior. Nos dias de audi\u00eancia e de missa (quarta-feira e domingo), a Pra\u00e7a S\u00e3o Pedro se faz sempre menor para a quantidade gente que vem comparecendo. As pessoas o querem encontrar, ver, ouvir, tocar. Procuram algu\u00e9m que lhes esteja ao mesmo n\u00edvel e que lhes saiba dirigir a palavra de igual para igual. Ele parece como um de n\u00f3s!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As multid\u00f5es o procuram e a m\u00eddia segue as multid\u00f5es. Da\u00ed a raz\u00e3o porque o Papa Francisco \u00e9 not\u00edcia com uma frequ\u00eancia inesperada. Sua presen\u00e7a nos jornais escritos e televisivos mant\u00e9m-se regular e crescente. Al\u00e9m disso, a espontaneidade e simplicidade de seus gestos e palavras carregam um valor oculto de verdade. Esta, como sabemos, \u00e9 sempre direta, pura, iluminada e transparente. A verdade e a bondade, o belo e o bem possuem o dom da simplicidade, por mais que sua apresenta\u00e7\u00e3o possa parecer complexa. \u00c9 o caminho tortuoso da argumenta\u00e7\u00e3o que costuma complicar as coisas. No fundo, quem domina profundamente determinado assunto consegue simplific\u00e1-lo, reduzindo-o ao seu n\u00facleo central. Vai direto ao cora\u00e7\u00e3o que pulsa e move a seiva da vida. E inversamente, quem n\u00e3o o domina segue por labirintos obscuros, porque, entre outros fatores, precisa convecer a si mesmo antes de convencer os demais. A alegria sincera do Papa Francisco revela uma verdade a que todos anseiam, mesmo sem o saber: um cora\u00e7\u00e3o feliz e em contato com Jesus Cristo, uma f\u00e9 madura e profunda, porque radicada n\u00e3o em grandes feitos de hero\u00edsmo e grandiosidade, mas no doar-se concreto do dia-a-dia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m neste item, a imagem do Papa Francisco e a imagem de Jesus se cruzam, embora em graus infinitamente diferentes. Porder-se-ia dizer de ambos o que escreve Olivier Cl\u00e9ment: \u201cos pobres em esp\u00edrito s\u00e3o aqueles que deixaram de ver em si mesmos o centro do mundo (&#8230;) Despojam-se de tudo e, no limite, tamb\u00e9m de si mesmos. E a cada momento recebem a pr\u00f3pria exist\u00eancia como uma gra\u00e7a das m\u00e3os de Deus\u201d (citado por Enzo Bianchi, In <em>Ges\u00f9 e le beatitudini<\/em>, Ed. Rizzoli, 2010). J\u00e1 o pobre de Assis, de quem o Pont\u00edfice escolheu o nome, sublinhava que h\u00e1 maior alegria em dar que em receber. Pobre \u00e9 aquele que s\u00f3 tem a Deus a quem recorer. Esta redescoberta do amor gratuito, numa sociedade fortemente marcada pelo individualismo, pelo narcisismo e pelo hedonismo, contagia at\u00e9 mesmo o espa\u00e7o da grande m\u00eddia, ainda que esta se guie naturalmente pelos crit\u00e9rios do mundo empresarial e do mercado global.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>4. <\/strong><strong>Comportamento e desafio<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O comportamento do Papa Francisco tem sido contemporaneamente popular e singular. <em>Singular<\/em> quando pensamos numa autoridade com o peso hist\u00f3rico da \u201cc\u00e1tedra petrina\u201d. Neste sentido, rompe com uma s\u00e9rie de receitas j\u00e1 prontas, com os protocolos mais elementares da autoridade pontif\u00edcia, com uma rotina di\u00e1ria de s\u00e9culos \u2013 para dar continuidade a uma pr\u00e1tica pastoral despida de pomposidade vistosa e principesca. Sen tanto rigor com o ritualismo que o cargo sempre havia exigido, parte decididamente para o encontro com o povo na pra\u00e7a, visita a cadeia, lava os p\u00e9s do prisioneiros, viaja a Lampedusa, porta de enrada dos refugiados e pr\u00f3fugos que da \u00c1frica se dirigem \u00e0 Europa.<em> Popular<\/em> por seu magnetismo em atrair as pessoas em particular e as multid\u00f5es em geral. Magnetismo que vem de um pastor que sabe colocar-se ao lado das ovelhas \u2013 n\u00e3o acima, n\u00e3o fora, n\u00e3o al\u00e9m. Engendra uma empatia imediata com quem costuma circular por uma cidade muda, cega e surda. Sua aten\u00e7\u00e3o e sua solicitude preenchem os cora\u00e7\u00f5es vazios e angustiados. Domina a t\u00e9cnica de falar \u00e0 multid\u00e3o reunida na pra\u00e7a e, ao mesmo temo, ao ouvido de cada pessoa. Tanto que, diante de suas interven\u00e7\u00f5es sempre curtas e marcadas por gestos e pausas significativas, n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil encontrar olhos atentos e banhados de l\u00e1grimas, respira\u00e7\u00e3o contida ou acelerada ou express\u00f5es como: \u201cparece que ele adivinhou o que eu estou sentindo\u201d, \u201c\u00e9 como se falasse para mim\u201d, \u201c\u00e9 o que eu mais queria ouvir\u201d!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao intercalar palavras, gestos, sauda\u00e7\u00f5es e momentos de sil\u00eancio \u2013 em meio a uma multid\u00e3o desconhecida, an\u00f4nima e multiforme \u2013 a atitude do papa Francisco como que irmana as pessoas. Irmana-as ao irmanar-se a elas. Cria uma esp\u00e9cie de fraternidade universal, como por exemplo na praia de Copacabana, diante de milh\u00f5es de pessoas, durante a V Jornada Mundial da Juventude. Se voltarmos ao primeiro item \u2013 sobre a linguagem \u2013 fundindo-o com a atitude do Pont\u00edfice, resulta que seu comportamento mostra-se simultaneamente polif\u00f4nico e poliss\u00eamico. <em>Polif\u00f4nico<\/em>, no sentido de empregar v\u00e1rias formas de comunica\u00e7\u00e3o, onde o discurso moral, \u00e9tico ou espiritual nem sempre parece ter a primazia. Esta assenta-se sobretudo na miseric\u00f3rdia evang\u00e9lica para com os grupos humanos mais pobres, amea\u00e7ados, exclu\u00eddos \u2013 os \u00faltimos. Vale o mesmo para a entrevistas, os encontros e os longos momentos de contato com o povo na pra\u00e7a. <em>Poliss\u00eamico<\/em>, porque cada olhar, cada sorriso, cada palavra, cada toque, cada abra\u00e7o, cada visita, cada encontro podem ter distintos significados, alguns voltados para o interior da Igreja, outros para a sociedade e o mundo e outros para o ser humano \u00fanico e irrepet\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tanto <em>ad extra <\/em>quanto <em>ad intra<\/em>, o Papa Francisco tem sido capaz se usar a si mesmo e o seu comportamento como um sinal ou um s\u00edmbolo de mudan\u00e7a na Igreja. O sinal e o s\u00edmbolo, como sabemos, \u00e9 bem diferente da palavra. Enquanto esta define e portanto reduz e exclui, o sinal\/s\u00edmbolo se mant\u00e9m aberto a um leque de interpreta\u00e7\u00f5es diferenciado, plural e at\u00e9 contradit\u00f3rio. Basta acompanhar de perto as an\u00e1lises que t\u00eam sido feitas a respeito das a\u00e7\u00f5es do atual Papa. O leque \u00e9 variado, sem d\u00favida, mas parece convergir num ponto: h\u00e1 pequenos brotos de mudan\u00e7a na mistura de luzes e sombras que \u00e9 a trajet\u00f3ria da Igreja. Mudan\u00e7a para um olhar mais compreensivo diante dos fi\u00e9is, das pessoas em geral e da sociedade como um todo. Olhar compreensivo que gera posi\u00e7\u00f5es e a\u00e7\u00f5es mais flex\u00edveis. Recorrente em seus comunicados tem sido o bin\u00f4mio <em>bont\u00e0 e tenerezza<\/em> (bondade de ternura), o que faz lembrar a postura evang\u00e9lica de S\u00e3o Francisco. Conv\u00e9m trazer \u00e0 tona a magem da cana ou do bambu: n\u00e3o quebram diante da for\u00e7a dos ventos e das intemp\u00e9ries porque s\u00e3o capazes de ser flex\u00edveis, de se dobrar. A flexibilidade e a capacidade de mudar, longe de demonstrar fraqueza, s\u00e3o atitudes de uma sabedoria amadurecida nas adversidades do dia-a-dia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda desta vez, tamb\u00e9m o comportamento de Jesus representava uma mudan\u00e7a radical. Diante do Templo e da Lei, dos saduceus, escribas e fariseus, das autoridades e dos pobres. Inverte o c\u00f3digo religioso da salva\u00e7\u00e3o, colocando os pecadores, os pobres e os doentes em primeiro lugar. Condena quem se sente justificado e resgata quem se v\u00ea perdido e marginalizado. Como os profetas do Antigo Testamento e como Jo\u00e3o Batista, anuncia uma nova sociedade, a Jerusal\u00e9m Celeste, o Reino de Deus; mas, ao contr\u00e1rio deles, prop\u00f5e o primado do amor, do perd\u00e3o e da misercic\u00f3rdia sobre o julgamento. A mudan\u00e7a a que se refere tem um um car\u00e1ter muito mais amplo do que revolu\u00e7\u00e3o sociopol\u00edtica ou a queda do Imp\u00e9rio Romano. O Reino tem, sim, ra\u00edzes na hist\u00f3ria, mas sua realiza\u00e7\u00e3o plena vai muito al\u00e9m de qualquer projeto material e mundano, pois representa ao mesmo tempo uma obra humana e um dom de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entra em cena o desafio: at\u00e9 que ponto o Papa Francisco pode esticar a corda das mudan\u00e7as, sem rebent\u00e1-la? Qual sua verdadeira margem de manobra no interior da Igreja e da c\u00faria romana? Com quanta resist\u00eancia e com quanta colabora\u00e7\u00e3o poder\u00e1 contar? Como est\u00e1 o jogo de for\u00e7as \u2013 retr\u00f3gradas e progressistas \u2013 nas altas esferas da Igreja? At\u00e9 onde a mem\u00f3ria prof\u00e9tica da tradi\u00e7\u00e3o judaico-crist\u00e3 pode gerar frutos num contexto de economia globalizada e capitalista, de filosofia neoliberal? Sua bondade e ternura ser\u00e3o suficientemente fortes para vencer a ast\u00facia dos \u201cfilhos das trevas\u201d? Vale repetir sua f\u00f3rmula numa coletiva de imprensa, logo no in\u00edcio do pontificado: \u201cComo gostaria de uma Igreja pobre, voltada para os pobres, os mais necessitados, os \u00faltmos!\u201d A frase cont\u00e9m, claramente, um desejo e um desafio, ou melhor, um desejo perfeitamente consciente dos obst\u00e1culos que o cercam. A forma verbal \u201cgostaria\u201d, se por um lado denota a abertura ao protagonismo de todos, incluindo a si mesmo, por outro vela e revela for\u00e7as ocultas que podem bloquear essa intui\u00e7\u00e3o, a qual, a bem da verdade, vem do Conc\u00edlio Ecum\u00eanico Vaticano II. Resta-nos, a exemlo do ap\u00f3stolo Paulo \u201cesperar contra toda a esperan\u00e7a\u201d (Rom 4,18-24), acreditando que \u201cquando sou fraco \u00e9 ent\u00e3o que sou forte\u201d (2Cor 12,10).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Roma, It\u00e1lia, 1\u00ba de novembro de 2013<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<div id=\"themify_builder_content-23620\" data-postid=\"23620\" class=\"themify_builder_content themify_builder_content-23620 themify_builder themify_builder_front\">\n\t<\/div>\n<!-- \/themify_builder_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pe. Alfredo J. Gon\u00e7alves, cs Nem precisaria lembrar que o Papa Francisco (Jorge Mario Bergoglio) n\u00e3o \u00e9 a Igreja. Mas, se de um lado isso \u00e9 verdade, n\u00e3o \u00e9 menos certo que sua figura representa a voz mais autorizada da mesma. 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