
{"id":2652,"date":"2009-04-04T08:46:09","date_gmt":"2009-04-04T11:46:09","guid":{"rendered":"http:\/\/www.oarcanjo.net\/site\/?p=2652"},"modified":"2009-04-04T08:46:09","modified_gmt":"2009-04-04T11:46:09","slug":"a-igreja-e-a-bioetica-ii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.oarcanjo.net\/site\/a-igreja-e-a-bioetica-ii\/","title":{"rendered":"A Igreja e a Bio\u00e9tica (II)"},"content":{"rendered":"<p>Alexandre Andrade Martins<\/p>\n<p>Em busca de um di\u00e1logo \u00e0 luz do Evangelho para defender a vida dos nossos povos <\/p>\n<p>Na primeira parte, vimos \u00e0 rela\u00e7\u00e3o entre Igreja e Bio\u00e9tica. Desse ver anal\u00edtico, percebemos que a Igreja est\u00e1 preocupada com os problemas bio\u00e9ticos, mas tem certa dificuldade de abrir-se para um di\u00e1logo mais aberto com a sociedade, sobretudo com os pensadores da bio\u00e9tica laica, no qual coloque livremente sua doutrina moral tradicional dentro de um debate intersubjetivo. Tamb\u00e9m vimos do lado da reflex\u00e3o bio\u00e9tica extra-igreja a exist\u00eancia de tend\u00eancias fechadas para ouvir e dialogar com a Igreja e outras mais abertas (nesse meio laico n\u00e3o h\u00e1 uma voz \u00fanica, mas grande diversidade de pensamentos). O que une o pensamento da Igreja e do mundo laico a cerca da bio\u00e9tica \u00e9 a defesa da vida, mas o como cada um pensa, \u00e0s vezes, separa os dois lados. Assim percebemos que h\u00e1 uma contribui\u00e7\u00e3o m\u00fatua quando acontece um verdadeiro di\u00e1logo intersubjetivo, foi o caso da TdL com a op\u00e7\u00e3o preferencial pelos pobres, que contribuiu \u00e0 bio\u00e9tica para sair do fechamento do principialismo e se abrir \u00e0 realidade social na qual os pobres clamam por vida. Por\u00e9m esse di\u00e1logo fecundo ainda \u00e9 muito restrito, pois o fechamento ainda \u00e9 grande. A Igreja ainda permanece presa a elementos tradicionais e n\u00e3o aceita dialogar sobre eles de modo aberto e intersubjetivo. Finalizamos o ver resumindo-o em sete pontos que caminham para comprovar nossa hip\u00f3tese inicial. A Igreja tem muito a contribuir \u00e0 reflex\u00e3o bio\u00e9tica, j\u00e1 contribui com alguns elementos, mas pode contribuir mais se ter uma abertura maior para um di\u00e1logo sem medo ter sua doutrina tradicional questionada. <\/p>\n<p>Passamos para a segunda parte, o julgar, em busca de elementos capazes de mostrar a import\u00e2ncia do di\u00e1logo no debate bio\u00e9tico entre Igreja e sociedade laica, debate tenso, mas necess\u00e1rio para a defesa eficaz da vida. <\/p>\n<p>O julgar sempre deve partir da luz emitida da Palavra de Deus. Sendo assim, buscaremos luzes no Evangelho em primeiro lugar. Depois observaremos alguns documentos do Magist\u00e9rio que podem ajudar nosso caminho. Usaremos reflex\u00e3o de um pensador que fala da import\u00e2ncia do di\u00e1logo para a sociedade na busca do melhor agir \u00e9tico e apresenta-nos um m\u00e9todo dial\u00f3gico. Finalizaremos mostrando o di\u00e1logo como poss\u00edvel e necess\u00e1rio para o bem da sociedade, sobretudo do povo mais simples.<\/p>\n<p>Jesus Cristo sempre esteve aberto ao di\u00e1logo. Onde ele foi n\u00e3o imp\u00f4s seu pensamento, mas dialogou com as pessoas para juntas chegarem \u00e0 verdade, que estava consigo, mas levou-as a descobrir e n\u00e3o apenas a aceitarem. Jesus \u00e9 o primeiro a fazer um di\u00e1logo com aqueles que pensam diferente, sem medo de perder o debate ou preso em si sem se abri ao outro. Na passagem na qual Jesus dialoga com um escriba (Mc 12, 28-34), encontramos um debate aberto intersubjetivo. Uma abre-se a subjetividade do outro, as id\u00e9ias s\u00e3o apresentadas, h\u00e1 uma reflex\u00e3o e uma argumenta\u00e7\u00e3o, para se ent\u00e3o chegar as considera\u00e7\u00f5es finais nas quais o povo que os escutavam saem ganhando, pois agora sabem como viver melhor de acordo com os dois principais mandamentos de Deus. Os dois interlocutores saem do debate satisfeitos, pois chegaram a um ponto comum. Jesus finaliza elogiando o escriba. <\/p>\n<p>Vejamos mais de perto essa per\u00edcope do Evangelho de Marcos, pois ela oferece elementos libertadores para um verdadeiro di\u00e1logo entre a Igreja e a reflex\u00e3o bio\u00e9tica laica. Temos no texto o encontro de dois te\u00f3logos, verdadeiros conhecedores da Tor\u00e1. Jesus estava pregando na Pra\u00e7a do Templo, em Jerusal\u00e9m, e aproxima-se dele um escriba. Do ponto de vista liter\u00e1rio, o autor mostra que come\u00e7a uma nova unidade liter\u00e1ria, mas dentro de um contexto maior no qual Jesus vive uma situa\u00e7\u00e3o dram\u00e1tica devido sua prega\u00e7\u00e3o. Muitas autoridades o querem prender, algo perto de acontecer. Nessa unidade liter\u00e1ria encontramos um di\u00e1logo fecundo suscitado por uma pergunta feita pelo escriba a Jesus: qual \u00e9 o primeiro mandamento? (v. 28). O escriba via que Jesus era um bom conhecedor da Lei, pois respondia as perguntas com conhecimento e sabedoria. Esse reconhecimento fez o escriba questionar Jesus. Podemos dizer em linguagem corrente no meio acad\u00eamico: Jesus argumentava com fundamenta\u00e7\u00e3o, algo fundamental no debate bio\u00e9tico. A maioria dos escribas estavam contra Jesus e n\u00e3o queriam ouvi-lo, mas esse era um escriba aberto ao di\u00e1logo, ele age diferente dos outros se pondo a conversar com Jesus de maneira aberta e livre, como Jesus tamb\u00e9m se colocou na conversa. Assim tornou-se poss\u00edvel a reflex\u00e3o.<\/p>\n<p>Para responder o questionamento, Jesus recorre a Tor\u00e1, ponto comum para os dois pensadores, e vai al\u00e9m da uma simples resposta; Jesus n\u00e3o apresenta o maior mandamento de forma \u00fanica, mas de forma dupla. Traz o novo ligando dois mandamentos em um apenas. A resposta de Jesus, recorrendo a Dt 6,4 e a Lv 19,18, foi: o primeiro mandamento \u00e9: \u2018Ouve, \u00f3 Israel, o Senhor nosso Deus \u00e9 o \u00fanico Senhor, e amar\u00e1s o Senhor teu Deus de todo teu cora\u00e7\u00e3o, de toda tua alma\u2019 de todo teu entendimento, e com toda a tua for\u00e7a. O segundo \u00e9 este: \u2018Amaras o teu pr\u00f3ximo como a ti mesmo\u2019. N\u00e3o existe outro mandamento maior do que este (v. 29-31). <\/p>\n<p>O discurso \u00e9 bem estruturado. De forma direta, Jesus lembra dois mandamentos da Tor\u00e1: um primeiro (v. 29b) e um segundo (v. 31a). No final, une os dois mandamentos atrav\u00e9s de um coment\u00e1rio: n\u00e3o existe outro mandamento maior que estes (v. 31c). Em outras palavras: estes dois mandamentos, comparados a todos os outros, t\u00eam a mesma qualidade. S\u00e3o insuper\u00e1veis. Isso, por sua vez, significa que, comparados entre si, existe um &#8220;antes&#8221; e &#8220;depois&#8221;, mas n\u00e3o um &#8220;maior&#8221; e &#8220;menor&#8221;. Afinal, o primeiro e o segundo mandamentos gozam da mesma insuperabilidade (GRENZER, 2008, p. 25-26).<\/p>\n<p>Jesus volta \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o fica escravo dela e oferece o novo sem ferir a tradi\u00e7\u00e3o. Ele ajusta a Lei \u00e0 realidade fazendo uma interpreta\u00e7\u00e3o original. Para amar a Deus \u00e9 necess\u00e1rio amar seu irm\u00e3o, o amor a Deus leva ao amor ao pr\u00f3ximo como diz a 1Jo 4, 20-21, separar torna falso o amor a Deus. A atitude de Jesus mostra como deve ser a atitude da Igreja no di\u00e1logo sobre os problemas bio\u00e9ticos. Os representantes da Igreja n\u00e3o podem entrar no debate fechados na doutrina cat\u00f3lica tradicional n\u00e3o se abrindo para o novo tampouco precisam esquecer ou renegar o tradicional. A Igreja precisa voltar ao depositum fidei, nele est\u00e1 o fundamento de toda doutrina, e buscar algo novo para responder quest\u00f5es novas. Assim fez Jesus, ele volta a Tor\u00e1 e faz um salto unindo dois princ\u00edpios, que respondem uma realidade na qual as pessoas religiosas (especialmente as autoridades) estavam muito presas a Lei, de forma legalista, querendo (ou dizendo) amarem Deus, mas exclu\u00edam pessoas, sobretudo os pobres e os doentes. Jesus defende a vida com uma argumenta\u00e7\u00e3o inteligente e bem estruturada, busca o que \u00e9 comum ao seu interlocutor, retoma a tradi\u00e7\u00e3o de maneira prof\u00e9tica e traz a luz um novo ensinamento. A Igreja precisa ir para o di\u00e1logo atenta aos desafios da hist\u00f3ria, confiante no discernimento do Esp\u00edrito, para, recorrendo ao seu fundamento, proporcionar ensinamentos capazes de defender a vida de forma prof\u00e9tica e libertadora. <\/p>\n<p>Diante da argumenta\u00e7\u00e3o de Jesus o escriba n\u00e3o precisa question\u00e1-lo mais. N\u00e3o \u00e9 preciso medir for\u00e7as, pois a voz de Jesus faz ressoar a verdade. Num debate, medir for\u00e7as apenas por vaidade intelectual e falta de humildade diante da verdade do outro faz com que a vida n\u00e3o seja defendida, quem perde \u00e9 a sociedade, sobretudo os pobres. O escriba disse para Jesus: muito bem, Mestre, tens raz\u00e3o de dizer que Ele \u00e9 o \u00fanico e que n\u00e3o e que n\u00e3o existe outro al\u00e9m dele, e am\u00e1-lo de todo o cora\u00e7\u00e3o, de toda a intelig\u00eancia e com toda a for\u00e7a, e amar o pr\u00f3ximo como a si mesmo vale mais do que todos os holocaustos e todos os sacrif\u00edcios (v. 32-33). O escriba concorda com Jesus afirmando ser verdade seu argumento (no texto original em grego aparece alhete\u00edas, referindo ao que Jesus falou) e acrescenta algo, completando a argumenta\u00e7\u00e3o do companheiro te\u00f3logo, fundamentando ainda mais aquele ensino. Acrescenta: n\u00e3o existe outro al\u00e9m dele (Deus), mostrando tamb\u00e9m seu conhecimento da Tor\u00e1. Os dois est\u00e3o bem fundamentados. As palavras do escriba d\u00e3o mais for\u00e7a para o argumento de Jesus ao acrescentar tamb\u00e9m que seguir esse mandamento vale mais do que todos os holocaustos e todos os sacrif\u00edcios. O escriba fala isso em meio a Pra\u00e7a do Templo, local exclusivo para as celebra\u00e7\u00f5es de holocaustos e sacrif\u00edcios. Sua atitude \u00e9 corajosa, mas n\u00e3o tem medo de falar, pois sua preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 com a verdade e n\u00e3o com os interesses pr\u00f3prios (ou de um grupo) e com aquilo que pode ser usado para oprimir e n\u00e3o promover vida. O debate entre Igreja e os pensadores do mundo laico n\u00e3o pode ser algo motivado por interesses pr\u00f3prios. Ambos os debatedores devem estar preocupados com a verdade e com o bem do povo, especialmente dos pobres e dos exclu\u00eddos. \u00c9 muito comum cada lado ficar defendendo suas posi\u00e7\u00f5es por pura vaidade intelectual (isso acontece muito no meio acad\u00eamico e cient\u00edfico) sem a menor preocupa\u00e7\u00e3o com bem comum e com vida das pessoas mais vulner\u00e1veis na sociedade. O escriba mostra que, se o outro est\u00e1 com a verdade e essa \u00e9 para o bem da sociedade, n\u00e3o h\u00e1 motivos para ir contra ele. Ao inv\u00e9s \u00e9 preciso apresentar argumentos auxiliares no esclarecimento desse conte\u00fado.<\/p>\n<p>Semelhante atitude do escriba \u00e9 a atitude de Jesus na sua tr\u00e9plica. Ele elogia o escriba e agradece pelo complemento. Jesus percebe intelig\u00eancia na fala do escriba. N\u00e3o faz sentido ir contra o complemento dado pelo escriba, pois ajudou a ficar mais claro a argumenta\u00e7\u00e3o dada por primeiro. Jesus, vendo que ele respondera com intelig\u00eancia, disse-lhe: \u2018tu n\u00e3o est\u00e1s longe do Reino de Deus\u2019. E a conclus\u00e3o do texto \u00e9: e ningu\u00e9m mais ousava interrog\u00e1-lo (v.34).  Chegada \u00e0 verdade, naquilo que \u00e9 melhor para o povo ter mais vida, resta-lhe por em pr\u00e1tica. Avan\u00e7ar al\u00e9m dos questionamentos e viver a \u00e9tica proposta, no caso de amar a Deus e ao pr\u00f3ximo como a si mesmo.<\/p>\n<p>Os dois estavam dialogando no Templo na semana da P\u00e1scoa. Eles n\u00e3o invalidam a tradi\u00e7\u00e3o e os costumes do povo nem desprezam o culto, mas, de forma prof\u00e9tica, apresentam o amor como algo mais importante. Os dois chegam a um termo comum e apresentam amar a Deus no dia-a-dia com algo fundamental. Uma f\u00e9 encarnada na vida lan\u00e7a o fiel ao amor ao pr\u00f3ximo para defend\u00ea-lo e assim promover a vida digna querida por todos. Jesus traz algo novo, pois a realidade clama por isso, interpreta a Tor\u00e1 em chave prof\u00e9tica e n\u00e3o de forma legalista. Tudo em vista do bem do povo. O escriba segue a mesma linha, pois se abre para o outro com sua novidade e n\u00e3o est\u00e1 preocupado em manter o sistema ou na sua vit\u00f3ria no debate, mas na vit\u00f3ria para o (ou do) povo. <\/p>\n<p>O di\u00e1logo da Igreja com os pensadores da bio\u00e9tica laica deve ser nesse esp\u00edrito, com abertura em ambos os lados. Tanto a Igreja como os cientistas extra-igreja devem ir para o debate como foram Jesus e o escriba, dois intelectuais humildes cuja preocupa\u00e7\u00e3o era com a verdade e com o bem do povo. O Evangelho ensina que se o di\u00e1logo acontece de forma clara, buscam-se pontos comuns, entra-se na subjetividade do outro para entend\u00ea-lo sem preconceitos e o objetivo \u00e9 a verdade e o bem da sociedade, os frutos ser\u00e3o bons para todos e n\u00e3o para alguns apenas. A Igreja precisa ter a coragem de levar sua doutrina para o debate bio\u00e9tico como Jesus fez com o escriba e, assim, manter-se sempre atenta aos sinais dos tempos para poder buscar o novo em vista de melhor defender a vida. <\/p>\n<p>Ensinamentos do magist\u00e9rio mostram que o di\u00e1logo com o mundo \u00e9 fundamental para Igreja ser sinal de Cristo no mundo e defensora da vida. Paulo VI na sua enc\u00edclica Ecclesiam Suam de 1964 diz que a Igreja precisa ter tr\u00eas atitudes b\u00e1sicas no seu peregrinar no mundo: num caminho espiritual, buscar a consci\u00eancia de si mesma, ter consci\u00eancia da sua identidade; num caminho \u00e9tico-moral, consciente da sua identidade, buscar a sua renova\u00e7\u00e3o, ter a coragem de fazer as reformas necess\u00e1rias a luz do Esp\u00edrito; e num caminho apost\u00f3lico, buscar o di\u00e1logo com o mundo, isto \u00e9, com as culturas, com as religi\u00f5es e com o homem moderno. Paulo VI lan\u00e7a uma teologia do di\u00e1logo no seu texto em meio ao Conc\u00edlio Vaticano II, felizmente  presente nos documentos conciliares Lumen Gentium, sobre a Igreja, e Gaudium et spes, sobre a Igreja no mundo. Ambos abrem a Igreja para o di\u00e1logo com o mundo numa volta aos seus fundamentos e atentos aos sinais dos tempos, os quais s\u00e3o discernidos \u00e0 luz da Palavra de Deus pelo Esp\u00edrito Santo. Desse modo busca-se o novo em vista da verdade para o bem do povo. <\/p>\n<p>Para desempenhar tal miss\u00e3o, a Igreja, a todo o momento, tem o dever de perscrutar os sinais dos tempos e interpret\u00e1-los \u00e0 luz do Evangelho, de tal modo que possa responder, de maneira adaptada a cada gera\u00e7\u00e3o, \u00e0s interroga\u00e7\u00f5es eternas sobre o significado da vida presente e futura e de suas rela\u00e7\u00f5es m\u00fatuas. \u00c9 necess\u00e1rio, por conseguinte, conhecer e entender o mundo no qual vivemos, suas esperan\u00e7as, suas aspira\u00e7\u00f5es e sua \u00edndole freq\u00fcentemente dram\u00e1tica (GS 04). <\/p>\n<p>O ensinamento do Vaticano II est\u00e1 em sintonia com a atitude de Jesus com o escriba. O texto da GS chama a Igreja para entrar no di\u00e1logo com o mundo, a entrar na sua subjetividade para entend\u00ea-lo melhor, est\u00e1 atenda aos sinais apresentados nesse mundo que exigem renova\u00e7\u00e3o e adapta\u00e7\u00f5es para responder os desafios do presente. Uma Igreja que volta aos fundamentos, como Jesus fez ao voltar a Tor\u00e1, e, atenta aos apelos da hist\u00f3ria, busca, em di\u00e1logo com o homem moderno, responder os desafios do hoje. Isso n\u00e3o \u00e9 abrir concess\u00e3o \u00e0 modernidade nem aceitar tudo que vem dela, mas \u00e9 abrir-se para um di\u00e1logo fecundo para o bem da humanidade. <\/p>\n<p>A Igreja deve ir para o debate bio\u00e9tico com esse esp\u00edrito, sem abrir m\u00e3o do seu fundamento primeiro, o Evangelho, mas disposta, se necess\u00e1rio, a fazer novas reflex\u00f5es, ouvir os questionamentos e, junto com seu interlocutor, chegar mais pr\u00f3ximo da verdade para a bom do povo, sobretudo dos mais pobres. Dessa maneira a Igreja certamente contribuir\u00e1 muito mais na defesa da vida e promo\u00e7\u00e3o da dignidade. <\/p>\n<p>Nesse di\u00e1logo, f\u00e9 e raz\u00e3o caminham juntas. O discurso da Igreja precisa ser inteligente, bem argumentado e aberto para mudan\u00e7as e complementos. Tudo isso n\u00e3o significa renunciar a f\u00e9, mas usar esse dom (intelig\u00eancia) dado por Deus para a defesa da vida e sua dignidade. A f\u00e9 e a raz\u00e3o constituem como que as duas asas pelas quais o esp\u00edrito humano se eleva para a contempla\u00e7\u00e3o da verdade (JO\u00c3O PAULO II, 1998, p.04). O di\u00e1logo pressup\u00f5e o uso da raz\u00e3o, principalmente com argumentos bem elaborados. A rela\u00e7\u00e3o da f\u00e9 com a raz\u00e3o deve ser de profunda intimidade, uma f\u00e9 operante pela caridade e uma raz\u00e3o que busca a verdade atenta aos sinais dos tempos iluminada pela f\u00e9, mesmo que seja necess\u00e1rio mexer em alguns elementos da doutrina tradicional.<\/p>\n<p>Tanto a Igreja como os bioeticistas n\u00e3o religiosos t\u00eam muito para oferecer \u00e0 sociedade, a contribui\u00e7\u00e3o pode ser muito grande ser acontecer um di\u00e1logo aberto e fecundo entre ambos. A Igreja n\u00e3o pode ficar presa a sua doutrina tradicional com medo de dialogar e ficar medindo for\u00e7as com seguimentos da sociedade. O mesmo vale para o outro lado. Nos dilemas bio\u00e9ticos essa briga de for\u00e7as fica clara. Na Instru\u00e7\u00e3o sobre o respeito \u00e0 vida humana nascente e a dignidade da procria\u00e7\u00e3o de 1987 emitida pela Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9, na \u00e9poca presidida pelo Cardeal Ratzinger, hoje papa Bento XVI, ao dizer sobre temas ligados a procria\u00e7\u00e3o e as t\u00e9cnicas de fertiliza\u00e7\u00e3o artificial, no primeiro tema, repete o pensamento tradicional da Igreja sobre o matrim\u00f4nio, a rela\u00e7\u00e3o sexual e a sexualidade, n\u00e3o traz nada de novo. O segundo tema exige algo novo, pois est\u00e1 ligado uma t\u00e9cnica que h\u00e1 poucos anos n\u00e3o existia, mas a instru\u00e7\u00e3o tenta responder o novo desafio com algo antigo e fica algo aqu\u00e9m da realidade. <\/p>\n<p>Nessa instru\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m percebemos um fechamento para o di\u00e1logo, pois trabalha com temos proibitivos (como: il\u00edcito, l\u00edcito, proibido, imut\u00e1vel), falando o que pode e o que n\u00e3o pode ao inv\u00e9s de convidar a uma reflex\u00e3o profunda num debate com a sociedade. Sem questionar o conte\u00fado do documento, a forma como ele \u00e9 apresentado demonstra um grande fechamento para o di\u00e1logo, pois oferecer todas as respostas prontas, isso impede que sejam consideradas situa\u00e7\u00f5es n\u00e3o presentes no documento. A instru\u00e7\u00e3o tem o m\u00e9rito de apresentar os fundamentos do valor da vida humana, sua dignidade querida por Deus e que todos devem respeitar a vida do outro desde a sua concep\u00e7\u00e3o at\u00e9 a morte. Mostra o valor da vida em si mesmo, al\u00e9m do biol\u00f3gico, pois tem a dimens\u00e3o espiritual. Isso \u00e9 importante porque muitas vezes na reflex\u00e3o bio\u00e9tica laica esquece-se das outras dimens\u00f5es humanas al\u00e9m da biol\u00f3gica, reduzindo-se muito a concep\u00e7\u00e3o de ser humano. A Igreja ensina que o homem \u00e9 peregrino na Terra em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 vida no mist\u00e9rio de Deus, essa \u00e9 a voca\u00e7\u00e3o primordial do homem. Esse ensino faz a ci\u00eancia duras e a bio\u00e9tica olharem o ser humano considerando sua dimens\u00e3o espiritual, mas para isso acontecer \u00e9 preciso a debate dial\u00f3gico de ambas as partes. <\/p>\n<p>A instru\u00e7\u00e3o fundamenta muito bem o valor da vida humana, buscar o ensinamento tradicional da Igreja, mas aplica-o de forma fechada e com car\u00e1ter de imutabilidade. <\/p>\n<p>Em conformidade com a doutrina tradicional relativa aos bens do matrim\u00f4nio e \u00e0 dignidade da pessoa, a Igreja permanece contr\u00e1ria, do ponto de vista moral, \u00e0 fecunda\u00e7\u00e3o hom\u00f3loga &#8220;in vitro&#8221;; esta \u00e9, em si mesma, il\u00edcita e contr\u00e1ria \u00e0 dignidade da procria\u00e7\u00e3o e da uni\u00e3o conjugal, mesmo quando se tomam todas as provid\u00eancias para evitar a morte do embri\u00e3o humano (CONGREGA\u00c7\u00c3O PARA A DOUTRINA DA F\u00c9, 1887, p. 45)                <\/p>\n<p>A quest\u00e3o da fertiliza\u00e7\u00e3o in vitro \u00e9 muito complexa e problem\u00e1tica na qual d\u00e1 uma resposta fechada pronta e acabada, a favor ou contra, talvez n\u00e3o seja o melhor caminho. Dialogar mais \u00e9 preciso, por\u00e9m n\u00e3o podemos ficar o tempo todo debatendo o tema e n\u00e3o oferecer uma posi\u00e7\u00e3o \u00e0 sociedade, pois nesse meio tempo podem acontecer coisas absurdas. Considerar o valor da vida \u00e9 o principal elemento para o di\u00e1logo no campo bio\u00e9tico, mas o valor da vida inclui elementos culturais, religiosos, biol\u00f3gicos, psicol\u00f3gicos e sociais. No debate tudo isso deve ser considerado de forma profunda e \u00e9 preciso entrar na realidade do outro que sofre. Sendo assim a Igreja deve entrar no debate desarmada, assim como os bioetincistas n\u00e3o religiosos tamb\u00e9m e ambos terem a clareza que n\u00e3o est\u00e3o pensando apenas sobre si mesmos, mas est\u00e3o refletindo em vista do bem da sociedade, a qual precisa ser ouvida para n\u00e3o impor algo distante da situa\u00e7\u00e3o concreta. <\/p>\n<p>Como \u00faltimo elemento do julgar, mostraremos o pensamento de um fil\u00f3sofo que defende o di\u00e1logo para se chegar a uma decis\u00e3o \u00e9tica. Falamos de J\u00fcrgen Habermas, pois ele defende a raz\u00e3o comunicativa e a \u00e9tica da discuss\u00e3o na qual considera a intersubejetividade. Ele oferece-nos um m\u00e9todo dial\u00f3gico que julgamos ser importante para o debate bio\u00e9tico, sobretudo na rela\u00e7\u00e3o entre a Igreja e a bio\u00e9tica. Para acontecer esse di\u00e1logo \u00e9 preciso que um interlocutor argumente para o outro de forma esclarecida para permitir que o outro possa compreender bem suas id\u00e9ias e sua subjetividade. A pessoa deve ir para o debate de forma aberta a fim de estabelecer uma dial\u00e9tica entre as duas posi\u00e7\u00f5es. A partir dessa a\u00e7\u00e3o comunicativa e intersubjetiva se chegar\u00e1 a um termo, a uma decis\u00e3o. <\/p>\n<p>Os participantes (do debate), no momento mesmo em que encetam uma tal pr\u00e1tica argumentativa, t\u00eam de estar dispostos a atender \u00e0 exig\u00eancia de cooperar uns com os outros na busca de raz\u00f5es aceit\u00e1veis para os outros; e, mais ainda, t\u00eam de estar dispostos a deixar-se afetar e motivar, em suas decis\u00f5es afirmativas e negativas, por essas raz\u00f5es e somente por elas (HABERMAS, 2004, p.15) <\/p>\n<p>Habermas prop\u00f5e um m\u00e9todo que usado pode favorecer a rela\u00e7\u00e3o entre a Igreja e Bio\u00e9tica. Pode ser um caminho para acontecer o di\u00e1logo, pois com esse m\u00e9todo um cresce com o outro corrigindo seus equ\u00edvocos e absorvendo as contribui\u00e7\u00f5es alheias na busca da verdade e em vista do melhor agir \u00e9tico para o bem da sociedade. <\/p>\n<p>Acontecer esse di\u00e1logo entre Igreja e os pensadores n\u00e3o religiosos \u00e9 fundamental para o desenvolvimento da reflex\u00e3o bio\u00e9tica em vista do bem de toda sociedade. Ambos t\u00eam muitos elementos a oferecerem para o bem do povo, por\u00e9m \u00e9 necess\u00e1rio mais abertura em ambos os lados e, destacamos aqui, a necessidade da Igreja se abrir mais e n\u00e3o tem medo de colocar dialeticamente sua doutrina tradicional em di\u00e1logo a fim de encontrar respostas novas para desafios novos (se assim for necess\u00e1rio).  <\/p>\n<p>O desenvolvimento da Teologia na Am\u00e9rica Latina permitiu acentuar uma dimens\u00e3o \u00e0s vezes esquecida pela Igreja romana, que foi a dimens\u00e3o de uma salva\u00e7\u00e3o vista de forma coletiva na qual se come\u00e7a aqui na Terra na luta pelos direitos e pela vida digna dos pobres, injusti\u00e7ados e marginalizados. Isso fez a Igreja olhar para os pobres e marchar com eles, junto com Deus presente na hist\u00f3ria, o Deus do \u00caxodo e de Jesus Cristo, para liberta\u00e7\u00e3o. Assim nasce com vigor a op\u00e7\u00e3o preferencial para os pobres, uma op\u00e7\u00e3o da f\u00e9 cristol\u00f3gica (cf. Aparecida 393-396). Esse novo foco da Igreja latinoamericana contribuiu de forma significativa para a bio\u00e9tica pensada no terceiro mundo sai do vicio principialista e se volte para os problemas sociais desse continente marcado pela desigualdade, pois esses problemas amea\u00e7am a vida no mundo subdesenvolvido mais do que qualquer nova t\u00e9cnica proveniente da engenharia gen\u00e9tica. Isso mostra que o di\u00e1logo \u00e9 poss\u00edvel, pois em alguns momentos ele aconteceu e os frutos foram bons. Um di\u00e1logo aberto, inteligente e \u00e0 luz da Palavra de Deus pode fazer muito bem para todo nosso povo, pois no di\u00e1logo se caminha para a verdade na defesa da vida com dignidade.<\/p>\n<div id=\"themify_builder_content-2652\" data-postid=\"2652\" class=\"themify_builder_content themify_builder_content-2652 themify_builder themify_builder_front\">\n\t<\/div>\n<!-- \/themify_builder_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Alexandre Andrade Martins Em busca de um di\u00e1logo \u00e0 luz do Evangelho para defender a vida dos nossos povos Na primeira parte, vimos \u00e0 rela\u00e7\u00e3o entre Igreja e Bio\u00e9tica. 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