
{"id":2736,"date":"2009-04-11T20:30:45","date_gmt":"2009-04-11T23:30:45","guid":{"rendered":"http:\/\/www.oarcanjo.net\/site\/?p=2736"},"modified":"2009-04-07T22:25:39","modified_gmt":"2009-04-08T01:25:39","slug":"leomar-brustolin-a-pascoa-e-a-humanizacao-do-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.oarcanjo.net\/site\/leomar-brustolin-a-pascoa-e-a-humanizacao-do-mundo\/","title":{"rendered":"Leomar Brustolin: A P\u00e1scoa e a humaniza\u00e7\u00e3o do mundo"},"content":{"rendered":"<p><em>O sentido da morte de Jesus \u201cabrange toda a realidade humana alienada de diferentes formas pela for\u00e7a do mal. Para falar da paix\u00e3o de Jesus Cristo hoje, portanto, ser\u00e1 preciso encontrar o significado dessa morte para n\u00f3s\u201d. A an\u00e1lise \u00e9 do padre Leomar Brustolin. Em suas respostas, ele declara que \u201ca beleza sempre nova da P\u00e1scoa, a passagem para as primaveras da vida, a liberta\u00e7\u00e3o das amarras do presente e a ressurrei\u00e7\u00e3o que d\u00e1 sabor ao cotidiano ficam escondidas e somente s\u00e3o acolhidas por aqueles que esperam um tempo novo, um outro mundo poss\u00edvel\u201d. Refletindo sobre o significado da P\u00e1scoa em nossos dias e sobre a import\u00e2ncia de Jesus Cristo, Brustolin considera que \u201co que d\u00e1 sentido \u00e0 morte de Jesus \u00e9 a sua total fidelidade ao Pai e ao seu projeto de salva\u00e7\u00e3o. A cruz \u00e9 o fim de um processo\u201d. E completa: \u201cSeguir Jesus hoje significa n\u00e3o temer a estranheza entre o Evangelho e o estilo excludente de vida que se imp\u00f4s entre n\u00f3s\u201d. <\/p>\n<p>Leomar Ant\u00f4nio Brustolin \u00e9 p\u00e1roco da Catedral Diocesana de Caxias do Sul. Possui gradua\u00e7\u00e3o em Teologia, pela Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica do Rio Grande do Sul, mestrado em Teologia, pela Faculdade Jesu\u00edta de Filosofia e Teologia (FAJE), em Belo Horizonte, e doutorado em Teologia, pela Pontificia Universit\u00e0 San Tommaso, em Roma, It\u00e1lia. Atualmente, \u00e9 professor da Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica do Rio Grande do Sul, onde \u00e9 coordenador do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o da Faculdade de Teologia. De sua autoria, destacamos: Quando Cristo vem&#8230; a Parusia na Escatologia Crist\u00e3 (2. ed. S\u00e3o Paulo: Paulus, 2001), Maria, s\u00edmbolo do cuidado e Deus (S\u00e3o Paulo: Paulinas, 2004), Antonio Francisco. Caminho de f\u00e9. Livro do catequizando (S\u00e3o Paulo: Paulinas, 2006) e A f\u00e9 crist\u00e3 para catequistas (S\u00e3o Paulo: Paulinas, 2008). Ele estar\u00e1 presente na Unisinos hoje, dia 06 de abril, participando do evento de P\u00e1scoa promovido pelo Instituto Humanitas Unisinos \u2013 IHU, com a palestra \u201cA paix\u00e3o de Cristo hoje\u201d.<\/em><\/p>\n<p>Confira a entrevista.<\/p>\n<p>O que significa, hoje, a Paix\u00e3o de Cristo?<\/p>\n<p>Leomar Brustolin &#8211; Vivemos num mundo marcado tanto pela beleza, pelo conforto e pelo prazer, quanto pela dor, pelo vazio e pelo mal. O sofrimento, entretanto, questiona o sentido da vida. Queremos justificar a presen\u00e7a intrusa do mal buscando seus respons\u00e1veis. Muitas vezes, a procura dos culpados nos faz esquecer das v\u00edtimas. Nem sempre \u00e9 poss\u00edvel identificar a causa da dor. Em alguns casos pode ser o resultado de um processo violento cometido livre e conscientemente por grupos ou indiv\u00edduos. Assim se conhece a paix\u00e3o causada em Auschwitz,  Hiroxima e Nagasaki. Outras vezes, pode ser o que resulta da injusti\u00e7a social. \u00c9 o caso da fome e do desemprego causados pelo sistema econ\u00f4mico. Pode ser tamb\u00e9m a paix\u00e3o de sentimentos enlouquecidos que matam o outro. Como o ocorrido com a menina Elo\u00e1, em S\u00e3o Paulo, mantida em c\u00e1rcere privado e assassinada pelo namorado. Pode ser at\u00e9 a paix\u00e3o da natureza destru\u00edda pela interven\u00e7\u00e3o humana. Veja-se a situa\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia brasileira. Enfim, pode ser tamb\u00e9m a fatalidade da vida que est\u00e1 sujeita aos acidentes naturais. Esse foi o mal experimentado pelas v\u00edtimas do tsunami, a onda gigante gerada por dist\u00farbios s\u00edsmicos, que possui alto poder destrutivo quando chega \u00e0 regi\u00e3o costeira.<\/p>\n<p>Como falar da paix\u00e3o de Cristo diante de realidades t\u00e3o plurais? Poder\u00edamos escolher um tipo de sofrimento para especificar o acontecido com Jesus: o mart\u00edrio, que \u00e9 uma dor provocada por uma causa defendida. Certamente, esse tipo de sofrimento remete a Jesus Cristo, mas o mist\u00e9rio da paix\u00e3o vai al\u00e9m desse \u00e2mbito. O sentido de sua morte abrange toda a realidade humana alienada de diferentes formas pela for\u00e7a do mal. Para falar da paix\u00e3o de Jesus Cristo hoje, portanto, ser\u00e1 preciso encontrar o significado dessa morte para n\u00f3s. Ora, o pr\u00f3prio Cristo na cruz n\u00e3o resolveu o problema do sofrimento inocente e nem respondeu a todos os enigmas que a morte imp\u00f5e. Mais do que explicar e responder \u00e0s indaga\u00e7\u00f5es da exist\u00eancia, Jesus Cristo apresenta-se como Presen\u00e7a entre os sofredores e como solidariedade para as v\u00edtimas que o mal produziu. Durante sua crucifica\u00e7\u00e3o, Jesus pede que o Pai perdoe seus algozes, porque, diz ele: \u201cn\u00e3o sabem o que fazem\u201d. A irracionalidade da morte de Cristo faz com que ele mesmo perdoe, pois, para ele, mais importante do que encontrar os culpados e conden\u00e1-los \u00e9 derrotar o mal. Sua perspectiva de salva\u00e7\u00e3o supera tudo. A compaix\u00e3o do Deus de Jesus Cristo n\u00e3o explica o padecimento. O Deus crist\u00e3o, por\u00e9m, n\u00e3o fica imparcial diante da a\u00e7\u00e3o do mal, ele toma posi\u00e7\u00e3o solid\u00e1ria ao sofredor e julga, assim, o causador do mal, seja quem for. A paix\u00e3o de Cristo hoje, ent\u00e3o, implica em solidariedade e compromisso com as v\u00edtimas. Para isso, ser\u00e1 preciso vencer a apatia diante da dor do outro. Ser\u00e1 preciso amar, interessando-se pela dor do outro. \u00c9 como escreve Erico Ver\u00edssimo : o oposto do amor n\u00e3o \u00e9 o \u00f3dio, mas sim a indiferen\u00e7a. <\/p>\n<p>Quais s\u00e3o as grandes li\u00e7\u00f5es existenciais e espirituais da Paix\u00e3o de Cristo?<\/p>\n<p>Leomar Brustolin &#8211; A senten\u00e7a de morte n\u00e3o surgiu de repente na vida de Jesus. Ela foi o pre\u00e7o que Cristo pagou por sua op\u00e7\u00e3o pelo Reino de Deus e sua justi\u00e7a. O que d\u00e1 sentido \u00e0 morte de Jesus \u00e9 a sua total fidelidade ao Pai e ao seu projeto de salva\u00e7\u00e3o. A cruz \u00e9 o fim de um processo.  Pode-se dizer que a grande li\u00e7\u00e3o do mart\u00edrio de Cristo \u00e9 a da prova de amor pela vida. Ele veio para que todos tenham vida em abund\u00e2ncia (Jo 10,10). Contudo, por defender a vida amea\u00e7ada, foi assassinado. Hoje, da mesma forma, o seguidor de Jesus h\u00e1 de colocar-se ao lado de todos que perdem seus direitos de viver. Essa tarefa h\u00e1 de ser uma causa coerente que cuide da vida, desde o seu in\u00edcio at\u00e9 o seu fim natural. <\/p>\n<p>Outra li\u00e7\u00e3o que aprendemos com Jesus \u00e9 que o amor subverte nosso pensar e nosso agir. Quem segue o Crucificado n\u00e3o pode recear o esc\u00e2ndalo da cruz. Para os judeus, a morte de cruz era um sinal de maldi\u00e7\u00e3o. Pela lei judaica, um homem crucificado era expulso do povo, maldito por Deus. Mas a cruz de Jesus n\u00e3o \u00e9 a imagem do seu fracasso. Muito pelo contr\u00e1rio, ela \u00e9 a imagem da maior prova do amor de Deus pelos homens: \u201cN\u00e3o existe amor maior do que dar a vida pelos amigos!\u201d (Jo 15,13). Na cruz, o Filho de Deus sofre e morre pelos \u00faltimos deste mundo: os pobres e injusti\u00e7ados, doentes e rejeitados, mulheres marginalizadas, pecadores e prostitutas. Todos amigos de Jesus que o Pai ama e quer resgatar. Seguir Jesus hoje significa n\u00e3o temer a estranheza entre o Evangelho e o estilo excludente de vida que se imp\u00f4s entre n\u00f3s. <\/p>\n<p>Finalmente, \u00e9 preciso ver que no meio da cruz, brilha a luz. N\u00e3o existe noite que impe\u00e7a a aurora. Quiseram matar o Nazareno da forma mais vergonhosa poss\u00edvel, para acabar com Ele e a obra que havia iniciado. Por\u00e9m, essa \u201chora das trevas\u201d j\u00e1 havia sido anunciada pelo pr\u00f3prio Jesus diversas vezes. Atrav\u00e9s da sua paix\u00e3o e morte, o Cristo manifestaria sua gl\u00f3ria ao mundo. Para os crist\u00e3os, a cruz do Senhor \u00e9 a verdadeira \u201c\u00e1rvore da vida\u201d. Neste sentido, o sofrimento, a incompreens\u00e3o, a persegui\u00e7\u00e3o e tudo que possa parecer a hora das trevas do crist\u00e3o neste mundo est\u00e1 galvanizado de uma esperan\u00e7a maior: a ressurrei\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Como a Paix\u00e3o pode inspirar a n\u00f3s, homens e mulheres da p\u00f3s-modernidade, a cultivarmos nossa espiritualidade e solidariedade?<\/p>\n<p>Leomar Brustolin &#8211; O amor revelado sobre a cruz indica para todos \u2013 crentes e n\u00e3o-crentes que est\u00e3o em busca da verdade \u2013 o bem que salva e se oferece como luz e for\u00e7a tamb\u00e9m para superar os tormentos do mal. O crist\u00e3o deve ser, ao mesmo tempo, empenhado e desempenhado, cidad\u00e3o da terra e do c\u00e9u, plenamente dispon\u00edvel a cooperar para humaniza\u00e7\u00e3o do mundo e tamb\u00e9m cr\u00edtico para esperar a novidade do reino que h\u00e1 de vir. Esta esperan\u00e7a o faz olhar sempre al\u00e9m das realiza\u00e7\u00f5es. Empenhado, deve ajudar a produzir um futuro melhor para o mundo, mas, ao mesmo tempo, dispon\u00edvel, para acolher o dom de Deus que traz a consuma\u00e7\u00e3o das esperan\u00e7as humanas. A descontinuidade existente entre o progresso humano e o avan\u00e7o do Reino de Deus no mundo apresenta estas exig\u00eancias imprescind\u00edveis. Isto n\u00e3o implica num dualismo na hist\u00f3ria (sagrada\u2013profana), nem incompatibilidade, mas profundo realismo na avalia\u00e7\u00e3o das realidades terrestres. A evangeliza\u00e7\u00e3o crist\u00e3 introduz no mundo um esp\u00edrito novo que resgata e exalta valores e esperan\u00e7as em vistas de um processo de humaniza\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>De que forma a Parusia de Cristo serve como uma fonte de inspira\u00e7\u00e3o para nossa atitude frente aos semelhantes e para a rela\u00e7\u00e3o que temos com o cosmos?<\/p>\n<p>Leomar Brustolin &#8211; O que mais amea\u00e7a a esperan\u00e7a \u00e9 a crise. Esta faz com que se perca a confian\u00e7a no tempo, pois n\u00e3o se sabe mais se haver\u00e1 futuro. Perde-se a confian\u00e7a na terra, porque se assiste uma desmedida explora\u00e7\u00e3o dos recursos naturais. Perde-se a confian\u00e7a na humanidade quando se conhece os constantes exterm\u00ednios que dizimam popula\u00e7\u00f5es inteiras. A rea\u00e7\u00e3o \u00e0 crise se manifesta de diferentes formas, principalmente com o retorno do sagrado, n\u00e3o tanto para recuperar a esperan\u00e7a no futuro, quanto para resgatar terapeuticamente o presente. A crise de sentido possibilita refletir o presente da hist\u00f3ria na perspectiva de quem deseja \u201cconstruir a esperan\u00e7a\u201d. Para tanto, ser\u00e1 necess\u00e1rio resgatar os enfoques teol\u00f3gico, antropol\u00f3gico e ecol\u00f3gico numa perspectiva de parusia.<\/p>\n<p>A primeira exig\u00eancia para uma pr\u00e1xis da esperan\u00e7a \u00e9 esperar em Deus sem triunfalismos. O messianismo moderno assegurava: unidos a Deus, dominaremos a terra e com Cristo julgaremos os povos. Esse sonho entrou em crise porque n\u00e3o foi capaz de perceber que Deus n\u00e3o vem em nosso poder, mas em nosso sofrimento, mediante do seu Esp\u00edrito vivificador.<\/p>\n<p>Na dimens\u00e3o antropol\u00f3gica, \u00e9 preciso avaliar o projeto moderno de ser humano, convencido de que os homens s\u00e3o criados livres e iguais, e que a liberdade, a igualdade e a fraternidade est\u00e3o estreitamente ligadas entre si. Isso tudo, no entanto, tornou-se apenas uma promessa jur\u00eddica e institucional que espera sua concretiza\u00e7\u00e3o. Ora, a esperan\u00e7a crist\u00e3 sup\u00f5e fraternidade e solidariedade numa humanidade que, queira ou n\u00e3o, ter\u00e1 um fim comum. Todas as ra\u00e7as e culturas, povos e na\u00e7\u00f5es participar\u00e3o da gl\u00f3ria de Deus. Nela, a conviv\u00eancia livre, igual e fraterna ser\u00e1 realidade para todos que entrarem na comunh\u00e3o da p\u00e1tria trinit\u00e1ria, sem exclus\u00e3o, discrimina\u00e7\u00e3o ou castas.<\/p>\n<p>Finalmente, a quest\u00e3o ecol\u00f3gica h\u00e1 de fazer-nos mais atentos \u00e0 Terra. O projeto da civiliza\u00e7\u00e3o t\u00e9cnico-cient\u00edfica sacrificou muitas vidas, esp\u00e9cies e ecossistemas. O caminho tende \u00e0 cat\u00e1strofe planet\u00e1ria. E diante do iminente caos apocal\u00edptico, a esperan\u00e7a parus\u00edaca tem uma palavra para o hoje da terra. A preserva\u00e7\u00e3o do ambiente e da vida humana n\u00e3o pode ser apenas em vistas de um futuro remoto. O tempo da salva\u00e7\u00e3o da terra \u00e9 o presente. \u00c9 hoje que se deve agir como se o futuro inteiro do g\u00eanero humano estivesse nas m\u00e3os da atual gera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A vida de Cristo ainda pode ser compreendida como um grande exemplo a ser seguido em nossos dias?<\/p>\n<p>Leomar Brustolin &#8211; Sim, a vida de Cristo, relatada pelos evangelistas, n\u00e3o exclui ningu\u00e9m do conv\u00edvio com Jesus. Hoje, como outrora, \u00e9 preciso acolher essa Boa Nova que chega como apelo espec\u00edfico para cada pessoa na sociedade. O Evangelho de Jesus apresenta duas tarefas: se, de um lado, anuncia a Boa Nova aos pobres (Lc 4,18), a quem pertence o Reino de Deus (Mt 5,3), de outro, \u00e9 um forte apelo de convers\u00e3o aos ricos (Mt 6,24). A primeira coisa que o rico deve fazer diante da aproxima\u00e7\u00e3o do Reino \u00e9 reconhecer a pr\u00f3pria pobreza, para inserir-se na comunh\u00e3o com os pobres.<\/p>\n<p>Converter-se significa viver na antecipa\u00e7\u00e3o de um Reino de Deus que nos precede, e que realiza uma reviravolta da viol\u00eancia para a justi\u00e7a, do isolamento \u00e0 comunh\u00e3o, da morte, para a vida. A convers\u00e3o possibilita o seguimento de Jesus a homens e mulheres que representam um novo mundo que vir\u00e1. Esta comunidade, nos primeiros tempos do cristianismo, era composta de pobres e ricos, de tal modo que estes \u00faltimos exercitavam o dever da miseric\u00f3rdia no confronto com os necessitados. <\/p>\n<p>Nesse sentido, o que significa ser crist\u00e3o hoje? <\/p>\n<p>Leomar Brustolin &#8211; Os crist\u00e3os s\u00e3o \u201cparoquianos\u201d no mundo. Os paroquianos eram, no ambiente grego e romano, aqueles estranhos que passavam por algum territ\u00f3rio, a\u00ed se detinham um pouco, para em seguida prosseguirem a caminhada. Os crist\u00e3os sentem-se estrangeiros que vivem em terra estranha, porque j\u00e1 sabem que existe a p\u00e1tria verdadeira e degustam das for\u00e7as do mundo que vir\u00e1. Eles vivem numa realidade nova dentro da velha e atual. Onde se perde a presid\u00eancia do futuro, decai-se na administra\u00e7\u00e3o do passado, na institucionaliza\u00e7\u00e3o repetitiva sem criatividade. Esperar o futuro \u00e9 j\u00e1 permear o presente de uma for\u00e7a que renova o sentido da vida.<\/p>\n<p>Contra todo desespero e ilus\u00e3o, ser\u00e1 necess\u00e1rio seguir criando e trabalhando por um mundo melhor. Apesar dos imp\u00e9rios da morte, da pot\u00eancia dos grupos violentos e das propostas que favorecem uma minoria mundial, o crist\u00e3o n\u00e3o pode deixar de profetizar em favor da vida, da dignidade humana e da preserva\u00e7\u00e3o do cosmos. A P\u00e1scoa h\u00e1 de possibilitar sonhar, como Isa\u00edas, esperando o novo c\u00e9u e a nova terra. H\u00e1 de proporcionar o in\u00edcio de um tempo onde justi\u00e7a e paz se abra\u00e7am como canta o salmista. H\u00e1 de valorizar, defender e conservar o grande cen\u00e1rio que \u00e9 o universo, no qual a aventura da vida se expressa e se sustenta. <\/p>\n<p>O significado da P\u00e1scoa se perdeu em nossos dias? <\/p>\n<p>Leomar Brustolin &#8211; P\u00e1scoa \u00e9 passagem. Os povos antigos de cultura agr\u00edcola a celebravam como a sa\u00edda do inverno e a chegada da primavera. Os judeus celebram a passagem da escravid\u00e3o para a liberta\u00e7\u00e3o, conforme o relato do \u00eaxodo. N\u00f3s, crist\u00e3os, celebramos a passagem da morte para vida realizada na cruz e ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus. Ora, em toda celebra\u00e7\u00e3o pascal h\u00e1 uma din\u00e2mica que impulsiona o ser humano para uma condi\u00e7\u00e3o nova, desconhecida, maior e plena de esperan\u00e7a. \u00c9 uma flecha que se lan\u00e7a ao futuro. Em nosso tempo, temos eternizado o presente, muitos n\u00e3o querem pensar uma situa\u00e7\u00e3o nova, apenas desejam melhorar um pouco a atual. Por isso, a festa da P\u00e1scoa fica reduzida a feriado religioso que intensifica a economia: o turismo, o chocolate, o bacalhau. O fato de vivermos numa sociedade p\u00f3s-crist\u00e3 se traduz nessa ressignifica\u00e7\u00e3o do tempo e da festa. Sexta-feira santa virou a festa do peixe e a P\u00e1scoa, a do chocolate. Essa situa\u00e7\u00e3o, contudo, n\u00e3o chega a abalar as pessoas, at\u00e9 muitos crist\u00e3os aderem a essas pr\u00e1ticas, sem preocupa\u00e7\u00f5es com seu real sentido. E a beleza sempre nova da P\u00e1scoa, a passagem para as primaveras da vida, a liberta\u00e7\u00e3o das amarras do presente e a ressurrei\u00e7\u00e3o que d\u00e1 sabor ao cotidiano ficam escondidas e somente s\u00e3o acolhidas por aqueles que esperam um tempo novo, um outro mundo poss\u00edvel. <\/p>\n<div id=\"themify_builder_content-2736\" data-postid=\"2736\" class=\"themify_builder_content themify_builder_content-2736 themify_builder themify_builder_front\">\n\t<\/div>\n<!-- \/themify_builder_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O sentido da morte de Jesus \u201cabrange toda a realidade humana alienada de diferentes formas pela for\u00e7a do mal. Para falar da paix\u00e3o de Jesus Cristo hoje, portanto, ser\u00e1 preciso encontrar o significado dessa morte para n\u00f3s\u201d. A an\u00e1lise \u00e9 do padre Leomar Brustolin. 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