
{"id":2738,"date":"2009-04-07T22:28:25","date_gmt":"2009-04-08T01:28:25","guid":{"rendered":"http:\/\/www.oarcanjo.net\/site\/?p=2738"},"modified":"2009-04-07T22:28:25","modified_gmt":"2009-04-08T01:28:25","slug":"zildo-rocha-helder-camara-o-dom","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.oarcanjo.net\/site\/zildo-rocha-helder-camara-o-dom\/","title":{"rendered":"Zildo Rocha: H\u00e9lder C\u00e2mara, o Dom"},"content":{"rendered":"<p><em>Para Zildo Rocha, a manifesta\u00e7\u00e3o natural e espont\u00e2nea de respeito \u00e0s consci\u00eancias e \u00e0s decis\u00f5es foi uma das mais preciosas li\u00e7\u00f5es do minist\u00e9rio de Dom H\u00e9lder C\u00e2mara. Na entrevista que concedeu por e-mail para a IHU On-Line, ele relata detalhes sobre a personalidade e sobre o legado de Dom H\u00e9lder para a Igreja. <\/p>\n<p>O pernambucano Zildo Barbosa Rocha teve o privil\u00e9gio de conviver durante alguns anos com Dom H\u00e9lder C\u00e2mara e conta, na entrevista que segue, o que guarda de mais significativo dessa experi\u00eancia. Na entrevista que concedeu por e-mail para a IHU On-Line, ele relata detalhes sobre a personalidade e sobre o legado de Dom H\u00e9lder para a Igreja. Zildo Rocha recorda que era constante a preocupa\u00e7\u00e3o de Dom H\u00e9lder com a mis\u00e9ria que atinge dois ter\u00e7os da popula\u00e7\u00e3o do globo, o que considerava \u201cuma tremenda afronta ao Criador e Pai\u201d. \u201cSabia e n\u00e3o perdia a ocasi\u00e3o de salientar que a ideologia dos Direitos Humanos quando se torna leis e estatutos, se constitui, sem d\u00favida, em meio de efic\u00e1cia para a transforma\u00e7\u00e3o de situa\u00e7\u00f5es de injusti\u00e7a\u201d, acrescenta. <\/p>\n<p>Zildo Barbosa Rocha estudou no Semin\u00e1rio de Olinda. \u00c9 licenciado em Filosofia e Teologia, pela Universidade Gregoriana de Roma, onde foi ordenado sacerdote em 1958. Exerceu durante 12 anos o minist\u00e9rio presbiteral quando, entre outras, desempenhou as fun\u00e7\u00f5es de reitor do Semin\u00e1rio Regional do Nordeste e de diretor do Instituto de Teologia do Recife &#8211; ITER. A partir de 1970, voltou \u00e0 vida civil e ingressou no servi\u00e7o p\u00fablico, onde exerceu cargos de chefia e de dire\u00e7\u00e3o na Sudene e na Secretaria de Finan\u00e7as do Estado de Pernambuco. \u00c9 casado e pai de tr\u00eas filhos. Aposentou-se em 1990 e, em 1991\/1992, passou um ano e meio na Inglaterra, onde fez, no Missionary Institute London-MIL um ano sab\u00e1tico de atualiza\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica, nas \u00e1reas de Eclesiologia e Cristologia. Foi coordenador do Centro Dom H\u00e9lder C\u00e2mara \u2013 CENDHEC, onde, atualmente, atua no projeto de edi\u00e7\u00e3o de suas Obras Completas. \u00c9 autor de H\u00e9lder, o Dom (Petr\u00f3polis: Vozes, 1999). <\/em><\/p>\n<p>Confira a entrevista.<\/p>\n<p>IHU On-Line &#8211; O senhor foi um das pessoas que acompanhou Dom H\u00e9lder. O que guarda de mais significativo da conviv\u00eancia com ele? <\/p>\n<p>Zildo Rocha &#8211; Minha conviv\u00eancia com Dom H\u00e9lder se deu, basicamente, em dois per\u00edodos: de 1964 a 1970 e de 1990 a 1999, ou seja, nos seis primeiros e nos nove \u00faltimos anos de sua perman\u00eancia entre n\u00f3s no Recife. No primeiro per\u00edodo (64-70), essa conviv\u00eancia foi mais de natureza institucional. Encontr\u00e1vamo-nos, quase sempre, para tratar de assuntos ligados \u00e0 Arquidiocese, particularmente ao Semin\u00e1rio Regional de que eu fui de 65 a 69, sucessivamente, vice-reitor e reitor, e ao Instituto de Teologia, de que fui diretor em 68 e 69. No segundo per\u00edodo (90-99), ele j\u00e1 era arcebispo em\u00e9rito e eu funcion\u00e1rio aposentado da Secretaria da Fazenda do Estado de Pernambuco. Reencontrei-o, depois de uma longa hist\u00f3ria, que n\u00e3o cabe relatar aqui, quando ele j\u00e1 sentia o peso da idade e ensaiava o seu grande final, na campanha \u201cAno dois mil sem mis\u00e9ria\u201d. <\/p>\n<p>Ouvia-o, ent\u00e3o, repetir, \u00e0 exaust\u00e3o, seu sonho de que a humanidade iniciasse o novo mil\u00eanio sem a mancha negra da mis\u00e9ria \u201cinsulto e ofensa ao Criador e Pai\u201d. Participei assim, como coordenador do Centro Dom H\u00e9lder C\u00e2mara &#8211; CENDHEC, do planejamento, lan\u00e7amento e eventos iniciais daquela campanha, que logo depois foi secundada pela A\u00e7\u00e3o da Cidadania contra a Fome e a Mis\u00e9ria, lan\u00e7ada nacionalmente pelo soci\u00f3logo Herbert de Souza, o Betinho. <\/p>\n<p>Posso dizer, tamb\u00e9m, com alegria, que o acompanhei, de perto, nos anos cinzentos em que a velhice, a dor de ver migrarem para longe suas \u201cutopias peregrinas\u201d e o abatimento, nunca consentido, por ver seu trabalho na Arquidiocese incompreendido e desmontado, o fizeram passar \u201c\u00e0 terceira margem do rio\u201d ou a entrar na canoinha de sil\u00eancio e contempla\u00e7\u00e3o em que passou seus \u00faltimos anos.<\/p>\n<p>Agora, respondendo \u00e0 sua pergunta, poderia repetir o que escrevi no p\u00f3sfacio de um livro que organizei sobre Dom H\u00e9lder, intitulado \u201cH\u00e9lder, o Dom\u201d: \u201cDe todas as lembran\u00e7as de minha conviv\u00eancia com Dom H\u00e9lder, a que guardo com maior carinho na mem\u00f3ria do cora\u00e7\u00e3o \u00e9 a palavra que me disse, quando fui comunicar-lhe a decis\u00e3o de \u2018deixar a batina\u2019, como ent\u00e3o se dizia. Ele me disse: \u2018A confian\u00e7a que tenho em voc\u00ea \u00e9 tanta, que nem precisa dizer-me as raz\u00f5es que o levaram a tomar tal decis\u00e3o\u2019\u201d.<\/p>\n<p>Aquelas palavras ca\u00edram sobre mim como um b\u00e1lsamo, num momento de grande tens\u00e3o e ang\u00fastia. Mas seu real significado eu s\u00f3 vim descobrir depois, quando ouvi de outro colega, que passou por situa\u00e7\u00e3o semelhante, o depoimento de atitude id\u00eantica, por parte do Dom. Ficou, ent\u00e3o, claro para mim que o que me dissera naquela ocasi\u00e3o, antes de ser uma declara\u00e7\u00e3o generosa sobre a qualidade de nosso relacionamento, era, antes, a manifesta\u00e7\u00e3o natural e espont\u00e2nea de seu respeito \u00e0s consci\u00eancias e \u00e0s suas decis\u00f5es. E esta foi para mim uma das mais preciosas li\u00e7\u00f5es de seu minist\u00e9rio. <\/p>\n<p>IHU On-Line &#8211; Em que sentido a vida de Dom H\u00e9lder reflete a ess\u00eancia do Evangelho?<\/p>\n<p>Zildo Rocha &#8211; No texto a que h\u00e1 pouco me referi, resumi o que me parece o essencial da vida religiosa de Dom H\u00e9lder e o legado espiritual que deixou \u00e0s futuras gera\u00e7\u00f5es. Dom H\u00e9lder era, antes de tudo, um homem religioso. Com raz\u00e3o foi escolhido em pesquisas feitas no Brasil, na virada do mil\u00eanio, como \u201co religioso do s\u00e9culo\u201d. Sua religiosidade consistia basicamente em levar a s\u00e9rio e viver em profundidade algumas verdades, simples e basilares, do credo crist\u00e3o:<\/p>\n<p>&#8211; Deus \u00e9 Criador e Pai;<br \/>\n&#8211; Jesus \u00e9 o primog\u00eanito entre os irm\u00e3os;<br \/>\n&#8211; Maria \u00e9 a m\u00e3e de Jesus e nossa m\u00e3e;<br \/>\n&#8211; A humanidade \u00e9 toda ela uma grande fam\u00edlia, da qual todos, sem exce\u00e7\u00e3o, fazemos parte;<br \/>\n&#8211; A imensa fam\u00edlia humana se estende e complementa noutra, dos esp\u00edritos ang\u00e9licos, que lhe oferece companhia fraterna, ajuda e prote\u00e7\u00e3o;<br \/>\n&#8211; O ato central de encontro da fam\u00edlia humana e ang\u00e9lica com o Criador e Pai \u00e9 a Santa Missa, compreendida n\u00e3o como o ritual m\u00e1gico de uma seita particular, mas como ato c\u00f3smico e universal em que o Homem Deus Jesus Cristo, Sacerdote da Cria\u00e7\u00e3o, recapitula e consuma em si todas as coisas, levando-as, no Esp\u00edrito, de volta para o Pai.<\/p>\n<p>\u00c9 imposs\u00edvel compreender a vida de Dom H\u00e9lder fora desse credo referencial b\u00e1sico. Da experi\u00eancia do Criador e Pai, ele extraiu uma intimidade de amor e submiss\u00e3o a Deus e uma quase espont\u00e2nea paix\u00e3o pelo Universo que o enchiam de confian\u00e7a e de otimismo: uma cren\u00e7a no projeto da cria\u00e7\u00e3o e no progresso humano; um encantamento pela Natureza, uma ternura pelas plantas e pelos animais, com quem, embora homem visceralmente urbano, ele se comunicava ami\u00fade, nas asas da imagina\u00e7\u00e3o e da contempla\u00e7\u00e3o, como disso d\u00e3o prova os poemas-medita\u00e7\u00f5es que rascunhava ao longo de seus dias e passava \u00e0 secret\u00e1ria, e em suas vig\u00edlias; e toda a sua a\u00e7\u00e3o pastoral estava voltada para a realiza\u00e7\u00e3o da fraternidade entre os homens.<\/p>\n<p>Dom H\u00e9lder transpirava essas verdades e as irradiava \u00e0 sua volta nos mais comezinhos gestos do dia-a-dia: na maneira como tratava quem quer que dele se aproximasse; quando apontava para o c\u00e9u ao ser chamado de senhor; quando, em meio a conversas as mais informais, saudava com um gesto de carinho a imagem de Maria posta sobre um m\u00f3vel, ou afixada numa parede; quando pedia ajuda, ou simplesmente expunha a seu anjo da guarda, a quem carinhosamente chamava de Jos\u00e9, as dificuldades em que se encontrava;  ou ainda quando na Missa tomava nas m\u00e3os rindo ou, \u00e0s vezes, chorando, o p\u00e3o e o vinho, como se visse Jesus ali, encoberto sob aquelas fr\u00e1geis e humildes esp\u00e9cies.Tudo o mais, em sua vida, parece decorrer da experi\u00eancia profunda dessas simples e essenciais verdades, vividas por ele, de maneira intensa.<\/p>\n<p>IHU On-Line &#8211; Qual a contribui\u00e7\u00e3o de Dom H\u00e9lder na luta em prol dos Direitos Humanos e do resgate da cidadania brasileira?<\/p>\n<p>Zildo Rocha &#8211; A toda hora, em sua a\u00e7\u00e3o pastoral e em seus escritos (cartas, discursos e poemas-medita\u00e7\u00e3o), Dom H\u00e9lder se reportava ao homem, ao humanismo, ao desenvolvimento integral (\u201cdo homem todo e de todos os homens\u201d), aos valores humanos, ao desrespeito frequente dos direitos fundamentais da pessoa, gerando situa\u00e7\u00f5es de grande e mesmo de extrema injusti\u00e7a. Era-lhe constante a preocupa\u00e7\u00e3o com a mis\u00e9ria que atinge dois ter\u00e7os da popula\u00e7\u00e3o do globo, que considerava \u201cuma tremenda afronta ao Criador e Pai\u201d. Sabia e n\u00e3o perdia a ocasi\u00e3o de salientar que a ideologia dos Direitos Humanos, quando se torna leis e estatutos, se constitui, sem d\u00favida, em meio de efic\u00e1cia para a transforma\u00e7\u00e3o de situa\u00e7\u00f5es de injusti\u00e7a. <\/p>\n<p>Mas n\u00e3o lhe passava despercebido que tal ideologia, gerada no \u00e2mbito do Estado Liberal, se volta bem mais para a salvaguarda dos direitos dos indiv\u00edduos, sendo facilmente manipul\u00e1vel pelos interesses das classes dominantes e, n\u00e3o raro, usados mais como entrave do que como garantia e preserva\u00e7\u00e3o dos interesses da coletividade. E sabia, tamb\u00e9m e, mais ainda, que tal ideologia, para ser efetivamente usada como instrumento de transforma\u00e7\u00e3o, precisa ser acionada por uma energia e uma for\u00e7a que, em sua vis\u00e3o e concep\u00e7\u00e3o crist\u00e3s, se situam para al\u00e9m das for\u00e7as puramente naturais e necessitam do apoio da f\u00e9 e da gra\u00e7a divina.<\/p>\n<p>Como diz em um de seus discursos, os Direitos Humanos, antes de serem \u201cum presente dos ricos ou dos governos para os segmentos pobres das popula\u00e7\u00f5es, s\u00e3o uma consequ\u00eancia da Cria\u00e7\u00e3o de Deus e, por isso, uma doa\u00e7\u00e3o divina. A melhor maneira, portanto, de algu\u00e9m guardar e defender seus direitos \u00e9 a de assumir-se como criatura humana, filho ou filha de Deus\u201d.    <\/p>\n<p>IHU On-Line &#8211; De que maneira Dom H\u00e9lder C\u00e2mara marcou os rumos da Igreja no Brasil?<\/p>\n<p>Zildo Rocha &#8211; S\u00e3o ineg\u00e1veis os frutos da a\u00e7\u00e3o de Dom H\u00e9lder na Igreja do Brasil e mesmo em algumas partes do mundo. Sem querer dar a impress\u00e3o de estar fazendo propaganda do livro que, em 1999, me coube organizar para festejar os seus noventa anos, acho que ali se encontra uma boa resposta \u00e0 pergunta sobre quem foi Dom H\u00e9lder e qual a sua contribui\u00e7\u00e3o \u00e0 Igreja do Brasil. A import\u00e2ncia da a\u00e7\u00e3o de Dom H\u00e9lder transparece, ali, no depoimento de vinte e cinco personalidades do Brasil e do Exterior, onde \u00e9 apontado, de maneira viva e pessoal, como Amigo de f\u00e9, Colega, Irm\u00e3o; Modelo de bispo do Vaticano II; Voz prof\u00e9tica dentro da Igreja, e Profeta para o mundo. <\/p>\n<p>Acho que a maneira como o Dom se faz ainda hoje presente entre n\u00f3s \u00e9 atrav\u00e9s da imensa obra escrita que nos legou, particularmente nas cartas que escreveu a seus colaboradores, a quem chamava de Fam\u00edlia Mecejanense. S\u00e3o, ao todo, cerca de duas mil e duzentas cartas, escritas, ao longo de vinte anos. No pr\u00f3ximo dia 14 de abril, a Companhia Editora de Pernambuco &#8211; CEPE estar\u00e1 lan\u00e7ando seiscentas dessas cartas, em dois volumes de tr\u00eas tomos cada um. O primeiro volume cont\u00e9m as Cartas Conciliares, assim chamadas porque escritas em Roma, durante as quatro Sess\u00f5es do Conc\u00edlio Vaticano II. O segundo, das Cartas Interconciliares, cont\u00e9m as cartas escritas, no Recife, entre as tr\u00eas \u00faltimas Sess\u00f5es do Conc\u00edlio (11 de abril de 1964 a 01 de setembro de 1965) aos seus ex-colaboradores do Rio de Janeiro e novos colaboradores de Olinda e Recife. Tive o privil\u00e9gio de preparar para a publica\u00e7\u00e3o, com a ajuda de um pequeno grupo, este volume das Cartas Interconciliares e posso assegurar-lhe que se trata de um documento \u00edmpar da hist\u00f3ria da espiritualidade cat\u00f3lica. Nelas, um crist\u00e3o aut\u00eantico, um grande bispo, um dos Pais da Igreja latino-americana, aceita o desafio de despir-se espiritualmente diante de Deus e de sua Igreja familiar e dom\u00e9stica, diariamente ou quase, confessando e narrando, com simplicidade e transpar\u00eancia, a \u201chist\u00f3ria de sua alma\u201d e as vicissitudes de seu dia-a-dia.<\/p>\n<p>Tenho insistido em afirmar, junto ao Instituto Dom H\u00e9lder C\u00e2mara, que a tarefa que lhe incumbe prioritariamente, agora que nos falta a presen\u00e7a f\u00edsica do profeta, \u00e9 a de publicar e divulgar, o quanto antes, sua obra escrita que, al\u00e9m da maravilhosa correspond\u00eancia a que me referi, consta, ainda, de centenas de discursos, abordando temas de grande atualidade, e milhares de pequenos poemas &#8211; medita\u00e7\u00e3o. Tenho, mais que a esperan\u00e7a, a certeza de que o Dom continuar\u00e1 a marcar a sua presen\u00e7a entre as futuras gera\u00e7\u00f5es, atrav\u00e9s de sua obra escrita e da irradia\u00e7\u00e3o do seu testemunho.<\/p>\n<p>IHU On-Line \u2013 Dom H\u00e9lder dizia: \u201cSempre que procura defender os sem-vez e os sem-voz, a Igreja \u00e9 acusada de fazer pol\u00edtica\u201d. Em que sentido o senhor v\u00ea nas a\u00e7\u00f5es de Dom H\u00e9lder um exemplo para a a\u00e7\u00e3o da Igreja na sociedade?<\/p>\n<p>Zildo Rocha &#8211; Dom H\u00e9lder era um homem de equipe. Aprendeu com a A\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica  que ajudou a criar ou, pelo menos, a implantar no Brasil, sob o modelo da A\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica Especializada e segundo o m\u00e9todo do Ver, Julgar e Agir. Acreditava no di\u00e1logo e considerava a autoridade um servi\u00e7o e n\u00e3o um poder. Tinha profundo respeito por seus colaboradores e mais de uma vez o vi rasgar textos que preparara porque o seu \u201cpresbit\u00e9rio alargado\u201d (vig\u00e1rios gerais, padres e alguns leigos) n\u00e3o o considerara convincente ou oportuno. Tinha um verdadeiro amor preferencial pelos pobres. N\u00e3o por demagogia, como gostavam de repetir seus advers\u00e1rios, mas para sentir-se mais verdadeiro consigo mesmo, mais pr\u00f3ximo desses irm\u00e3os fr\u00e1geis e esquecidos, e mais fiel \u00e0quele de quem procedia todo o seu poder e autoridade e que n\u00e3o tinha onde reclinar a cabe\u00e7a. A leitura de suas cartas ajudar\u00e1, de certo, a perceber como entendia a sua fun\u00e7\u00e3o de bispo e a queria a servi\u00e7o de seus irm\u00e3os nordestinos, martirizados pelo subdesenvolvimento, pela mis\u00e9ria e pela fome. Para ele, como para S\u00e3o Jo\u00e3o, o amor de Deus e o amor do pr\u00f3ximo \u00e9 um s\u00f3 e mesmo amor. E isso, de novo, n\u00e3o por caudilhismo ou demagogia, mas como fruto de uma a\u00e7\u00e3o que nascia da ora\u00e7\u00e3o, da Vig\u00edlia e da Santa Missa, pontos altos de seus dias.  <\/p>\n<div id=\"themify_builder_content-2738\" data-postid=\"2738\" class=\"themify_builder_content themify_builder_content-2738 themify_builder themify_builder_front\">\n\t<\/div>\n<!-- \/themify_builder_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para Zildo Rocha, a manifesta\u00e7\u00e3o natural e espont\u00e2nea de respeito \u00e0s consci\u00eancias e \u00e0s decis\u00f5es foi uma das mais preciosas li\u00e7\u00f5es do minist\u00e9rio de Dom H\u00e9lder C\u00e2mara. Na entrevista que concedeu por e-mail para a IHU On-Line, ele relata detalhes sobre a personalidade e sobre o legado de Dom H\u00e9lder para a Igreja. 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