
{"id":3050,"date":"2009-04-27T20:24:11","date_gmt":"2009-04-27T23:24:11","guid":{"rendered":"http:\/\/www.oarcanjo.net\/site\/?p=3050"},"modified":"2009-04-27T20:24:11","modified_gmt":"2009-04-27T23:24:11","slug":"frei-carlos-mesters-entrevista-o-apostolo-paulo-final","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.oarcanjo.net\/site\/frei-carlos-mesters-entrevista-o-apostolo-paulo-final\/","title":{"rendered":"Frei Carlos Mesters &#8220;entrevista&#8221; o Ap\u00f3stolo Paulo (final)"},"content":{"rendered":"<p>Carlos Mesters<\/p>\n<p>35. Por que voc\u00ea n\u00e3o casou? \u00c9 contra o casamento?<br \/>\nPaulo n\u00e3o era casado (1Cor 7,8). Alguns exegetas acham que ele era vi\u00favo. N\u00e3o sei qual o argumento que eles t\u00eam para fazer tal afirma\u00e7\u00e3o. Paulo n\u00e3o se casou, n\u00e3o porque era contra o casamento, mas porque n\u00e3o quis casar. Era a maneira como ele via a sua voca\u00e7\u00e3o pessoal e procurava ser fiel a ela. O n\u00e3o querer casar tinha a ver com a sua experi\u00eancia pessoal de Cristo (1Cor 7,32) e com o fato de que em Cristo o fim dos tempos j\u00e1 tinha chegado (1Cor 7,29-31; cf. Mc 12,25).<\/p>\n<p>Mesmo n\u00e3o casando, Paulo defendia o direito que ele tinha de casar (1Cor 9,5). N\u00e3o era contra o casamento. Pelo contr\u00e1rio, considerava como &#8220;doutrina demon\u00edaca&#8221;, &#8220;hipocrisia de mentirosos&#8221; e &#8220;f\u00e1bulas \u00edmpias de gente caduca&#8221; a teoria daqueles que proibiam o casamento (1Tm 4,1-7).<\/p>\n<p>36. Muita gente n\u00e3o gosta de voc\u00ea por causa da sua atitude negativa para com as mulheres. \u00c9 verdade que voc\u00ea \u00e9 contra a participa\u00e7\u00e3o da mulher na comunidade?<br \/>\nAlguns textos de Paulo causam real dificuldade. Neles, a mulher aparece em posi\u00e7\u00e3o inferior, n\u00e3o devidamente valorizada. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel clarear toda esta quest\u00e3o numa resposta breve como esta.<br \/>\nVou enumerar s\u00f3 alguns fatores a serem levados em conta num eventual estudo mais aprofundado.<\/p>\n<p>Em primeiro lugar, n\u00e3o se pode esquecer que a cultura e a consci\u00eancia daquele tempo n\u00e3o eram as mesmas de hoje na quest\u00e3o da participa\u00e7\u00e3o da mulher na vida da comunidade. Aqueles mesmos textos de Paulo que quando comparados com hoje, representam um retrocesso, podem representar um avan\u00e7o, quando devidamente situados dentro do contexto da cultura e da sociedade daquela \u00e9poca.<\/p>\n<p>Em segundo lugar, conv\u00e9m ver o contexto mais amplo da vida e da atividade do pr\u00f3prio Paulo: a sua maneira de se relacionar com as mulheres; o papel que ele reservava para as mulheres na vida e na organiza\u00e7\u00e3o das comunidades por ele fundadas; quais e quantas mulheres que aparecem nas cartas, nas lembran\u00e7as finais e no relato das viagens.<\/p>\n<p>Em terceiro lugar, conv\u00e9m lembrar que aqueles textos mais dif\u00edceis n\u00e3o exp\u00f5em uma doutrina universal a ser aplicada tal qual em todos os tempos, mas, na maioria das vezes, querem resolver problemas concretos que estavam perturbando a vida da comunidade. Por isso, al\u00e9m do contexto da cultura, da sociedade e da vida de Paulo, deve ser examinado o contexto conflitivo da comunidade que levou Paulo a escrever daquela maneira negativa sobre a participa\u00e7\u00e3o da mulher.<\/p>\n<p>Vejamos como exemplo o texto de 1Tm 2,8-15, escrito para Tim\u00f3teo, coordenador da comunidade de \u00c9feso (1Tm 1,3). O que vou dizer tirei de um artigo de Alan Padgett, Mulheres ricas em \u00c9feso; 1Tm 2,8-15 colocado dentro do seu contexto social; publicado em ingl\u00eas em 1987 na revista Interpretation, p\u00e1ginas 19 a 31.<\/p>\n<p>Na comunidade de \u00c9feso infiltrou-se um grupo de falsos doutores (1Tm 1,3.6). Eles inventavam doutrinas fabulosas (1Tm 1,3-4), interpretavam mal a Escritura (1Tm 1,7), n\u00e3o aceitavam a ressurrei\u00e7\u00e3o (2Tm 2,18), proibiam o casamento (1Tm 4,3) e declaravam m\u00e1s as coisas boas que Deus criou (1Tm 4,3-5). Faziam quest\u00e3o de guardar as apar\u00eancias de piedade (2Tm 3,5), mas na realidade fizeram da piedade uma fonte de lucro (1Tm 6,5.9-10).<\/p>\n<p>Como professores ambulantes, de acordo com o costume da \u00e9poca, procuravam ser acolhidos nas casas de fam\u00edlias mais ricas (2Tm 3,6).<\/p>\n<p>Era o come\u00e7o do gnosticismo penetrando nas comunidades.Ligado a este grupo dos falsos doutores aparece o grupo de algumas mulheres. Pois, para realizar o seu objetivo, aqueles doutores conseguiram influenciar e cativar algumas mulheres, desejosas de aprender coisas novas (2Tm 3,6-7), sobretudo algumas vi\u00favas bem jovens ainda (1Tm 5,6-7.11). Provavelmente, eram mulheres rec\u00e9m-convertidas, pois participavam ainda das &#8220;instru\u00e7\u00f5es&#8221; (1Tm 2,11; cf. 3,6). Eram ricas, pois usavam objetos de ouro, p\u00e9rolas e vestidos suntuosos (1Tm 2,9). Em todo caso, n\u00e3o eram pobres. Por serem mulheres de certa posse eram visadas pelos falsos doutores, pois, sendo ricas, elas podiam acolh\u00ea-los e sustent\u00e1-los, al\u00e9m de oferecer outras vantagens e prazeres (1Tm 5,6.11; 2Tm 3,6).<\/p>\n<p>Aquelas mulheres tinham uma sede muito grande de saber: estudavam sempre (2Tm 3,7), rodeavam-se de professores para aquilo que lhes convinha (2Tm 4,3), sem jamais atingir o conhecimento da verdade (2Tm 3,7). Muito provavelmente, elas procuravam o conhecimento em vista de uma lideran\u00e7a maior dentro da comunidade; queriam &#8220;ensinar e dominar&#8221; (1Tm 2,12).<\/p>\n<p>Influenciadas pelos falsos doutores, aceitavam qualquer doutrina estranha (1Tm 4,1-2), rejeitavam o casamento (1Tm 4,3; cf. 5,14), andavam de casa em casa, (provavelmente, de comunidade em comunidade) (1Tm 5,13) e j\u00e1 n\u00e3o cuidavam da pr\u00f3pria fam\u00edlia (1Tm 5,8), provocando brigas, discuss\u00f5es, raiva e fofocas (1Tm 1,4; 2,8; 5,13; 6,4-5). Destru\u00edam a paz na comunidade.<\/p>\n<p>Ora, lendo o texto de 1Tm 2,8-15 contra este pano de fundo, fica claro o seguinte: Paulo n\u00e3o fala sobre a mulher em geral, mas est\u00e1 pensando naquele grupo de senhoras da comunidade de \u00c9feso. Ele n\u00e3o \u00e9 contra que a mulher estude, mas pede que aquelas senhoras estudem com calma e humildade enquanto ainda estiverem na instru\u00e7\u00e3o inicial (2Tm 2,11). N\u00e3o \u00e9 contra a participa\u00e7\u00e3o e a lideran\u00e7a da mulher na comunidade, mas questiona as pretens\u00f5es daquele grupo de vi\u00favas ricas que, por serem ricas, eram visadas pelos falsos doutores e deixavam manipular-se ingenuamente por eles. Por isso pede que sejam mais modestas, para n\u00e3o provocar ainda mais aqueles doutores (2Tm 2,9-10). N\u00e3o quer ensinar que o homem \u00e9 superior \u00e0 mulher, mas quer que, durante a fase da instru\u00e7\u00e3o inicial, os respons\u00e1veis pelo ensino na igreja tenham preced\u00eancia sobre os alunos, sobretudo naquela \u00e9poca de tantas doutrinas variadas e estranhas (1Tm 2,11-12). N\u00e3o quer ensinar que toda mulher deva tornar-se m\u00e3e para poder salvar-se, mas acha que, no caso daquelas vi\u00favas jovens que desprezavam o casamento, s\u00f3 havia um \u00fanico jeito para elas se recuperarem, a saber, casar de novo e ser m\u00e3e (1Tm 2,15; 5,14-15).<\/p>\n<p>Comparado com o contexto daquela \u00e9poca, este texto de 1Tm 2,8-15 representa um avan\u00e7o. Apesar de todas as reservas contra aquele grupo de senhoras de \u00c9feso, Paulo sup\u00f5e como sendo a coisa mais normal que a mulher receba instru\u00e7\u00e3o, coisa que n\u00e3o era t\u00e3o comum na sinagoga.<\/p>\n<p>37. Por que voc\u00ea n\u00e3o levantou a voz contra a escravid\u00e3o e contra a explora\u00e7\u00e3o de tanta gente pelo sistema do imp\u00e9rio romano? \u00c9 verdade que voc\u00ea \u00e9 amigo ou simpatizante do imp\u00e9rio romano?<br \/>\nAqui tamb\u00e9m s\u00e3o v\u00e1rios os fatores que devem ser levados em conta para se poder chegar a uma resposta mais ou menos completa, pois trata-se de um assunto complexo e dif\u00edcil. Como na resposta anterior, vou apenas indicar alguns destes fatores a serem aprofundados num eventual estudo que algu\u00e9m queira fazer do assunto.<\/p>\n<p>Em primeiro lugar, a consci\u00eancia a respeito da problem\u00e1tica social era diferente. A situa\u00e7\u00e3o dos crist\u00e3os no imp\u00e9rio romano era diferente da situa\u00e7\u00e3o dos crist\u00e3os hoje na Am\u00e9rica Latina. Hoje, na Am\u00e9rica Latina, n\u00f3s crist\u00e3os temos quase 500 anos de idade, somos mais ou menos 90% da popula\u00e7\u00e3o do continente e temos uma tremenda responsabilidade hist\u00f3rica na origem da estrutura antievang\u00e9lica que existe por aqui. Nos tempos de Paulo, os crist\u00e3os n\u00e3o tinham nem 30 anos de idade, n\u00e3o chegavam nem sequer a meio por cento da popula\u00e7\u00e3o do imp\u00e9rio e, como crist\u00e3os, n\u00e3o estiveram presentes na origem quando foi criado o sistema explorador do imp\u00e9rio romano.<\/p>\n<p>Em segundo lugar, o tipo de an\u00e1lise que hoje fazemos da sociedade n\u00e3o existia naquele tempo. Havia consci\u00eancia do problema social, mas este n\u00e3o era percebido de maneira t\u00e3o clara como hoje. A pergunta que fizemos a Paulo \u00e9 leg\u00edtima, mas \u00e9 uma pergunta a partir das nossas preocupa\u00e7\u00f5es e a partir de nosso n\u00edvel de consci\u00eancia e da nossa an\u00e1lise do problema social. Uma resposta mais completa exigiria um uso maior das ci\u00eancias sociais no estudo do texto de Paulo, o que j\u00e1 est\u00e1 come\u00e7ando a acontecer na Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>Em terceiro lugar, conv\u00e9m lembrar que os judeus, desde a destrui\u00e7\u00e3o de Jerusal\u00e9m em 587 a.C., viviam sob governos estrangeiros e se acostumaram a isto. Chegaram a ver nisto uma express\u00e3o da vontade de Deus. Esdras chegou a identificar a Lei de Deus e a Lei do rei (Esd 7,26). Aprenderam a conviver. Al\u00e9m disso, conv\u00e9m lembrar a diferen\u00e7a que havia neste ponto entre os judeus da Palestina e os judeus da di\u00e1spora, de que j\u00e1 falamos na resposta \u00e0 pergunta n\u00ba 21.<\/p>\n<p>Em quarto lugar, Paulo teve uma experi\u00eancia profunda de Deus. Uma experi\u00eancia assim relativiza todo o resto, tanto a riqueza como a pobreza, tanto o possuir como o n\u00e3o possuir. Eis alguns textos:<br \/>\n&#8220;Vivemos como indigentes e, n\u00e3o obstante, enriquecemos a muitos; como nada tendo, embora tudo possuamos&#8221; (2Cor 6,10). &#8220;Aprendi a adaptar-me \u00e0s necessidades; sei viver modestamente, e sei tamb\u00e9m como haver-me na abund\u00e2ncia; estou acostumado com toda e qualquer situa\u00e7\u00e3o: viver saciado e passar fome; ter abund\u00e2ncia e sofrer necessidade. Tudo posso naquele que me fortalece!&#8221; (Fil 4,11-13). &#8220;Se temos comida e roupa, contentemo-nos com isso&#8221; (1Tm 6,8). &#8220;O tempo se fez curto. Aqueles que compram, sejam como se n\u00e3o comprassem; os que usam deste mundo, como se n\u00e3o usassem plenamente. Pois passa a figura deste mundo&#8221; (1Cor 7,29.30-31).<\/p>\n<p>Em quinto lugar, havia em Paulo uma consci\u00eancia bem clara do novo tipo de fraternidade a ser vivida na comunidade crist\u00e3. Nela devia estar superado todo relacionamento de domina\u00e7\u00e3o proveniente da religi\u00e3o (judeu-grego), da classe (livre-escravo), do sexo (homem-mulher) ou da ra\u00e7a (grego-b\u00e1rbaro). Pois nela n\u00e3o podia haver mais diferen\u00e7a entre &#8220;judeu e grego, escravo e livre, homem e mulher, grego e b\u00e1rbaro&#8221; (cf. Gl 3,28; Cl 3,11; 1Cor 12,13). Uma comunidade assim n\u00e3o deixa de ser um fator profundamente revolucion\u00e1rio, uma semente explosiva, mesmo que os seus membros n\u00e3o tenham plena consci\u00eancia deste aspecto.<\/p>\n<p>Em sexto lugar, comparando os conflitos da primeira viagem mission\u00e1ria (At 13,1-14,28) com os da segunda viagem mission\u00e1ria (At 15,36-18,22), percebe-se o seguinte: 1. Um envolvimento progressivo do imp\u00e9rio e das suas institui\u00e7\u00f5es nestes conflitos; 2. O imp\u00e9rio pode ter pessoas boas e simp\u00e1ticas ao cristianismo, como o pr\u00f3-c\u00f4nsul S\u00e9rgio Paulo de Chipre (At 13,6-12), mas tem leis e institui\u00e7\u00f5es que s\u00e3o usadas contra os crist\u00e3os (At 13,50; 14,5; 16,19-24.35-37; 17,5-9; 18,12-16); 3. Na primeira viagem, o conflito com o mundo pag\u00e3o era mais no n\u00edvel religioso (At 14,8-18), enquanto na segunda viagem j\u00e1 se situava mais no n\u00edvel econ\u00f4mico (At 16,16-40) e no n\u00edvel cultural e ideol\u00f3gico (At 17,16-34); 4. Nestes conflitos, os crist\u00e3os aparecem como gente sem poder: n\u00e3o conseguem que a opini\u00e3o p\u00fablica esteja a seu favor, nem conseguem movimentar a classe alta a seu favor; 5. As institui\u00e7\u00f5es do imp\u00e9rio e a classe alta conseguem ser usadas contra os crist\u00e3os por gente que se sente prejudicada pela mensagem crist\u00e3, mas n\u00e3o conseguem ser usadas pelos crist\u00e3os para defender a justi\u00e7a e a verdade contra a injusti\u00e7a e a falsidade. Tudo isto revela uma incompatibilidade crescente entre o imp\u00e9rio e o evangelho.<\/p>\n<p>Em s\u00e9timo lugar, \u00e9 poss\u00edvel que Paulo, como judeu da di\u00e1spora, tenha tido certa simpatia para com o imp\u00e9rio romano. O mesmo se diga de Lucas que escreveu os Atos dos Ap\u00f3stolos. Mas mesmo tendo uma poss\u00edvel simpatia, Paulo n\u00e3o adaptou o evangelho \u00e0s suas simpatias, caso contr\u00e1rio, n\u00e3o teria provocado aquela escalada progressiva do imp\u00e9rio contra as comunidades. E n\u00e3o conv\u00e9m esquecer que Paulo morreu condenado pelo imp\u00e9rio romano por causa do amor que ele tinha ao evangelho.<\/p>\n<p>38. Por que voc\u00ea ficou t\u00e3o desanimado e enfraquecido depois daquele discurso fracassado em Atenas? Voc\u00ea n\u00e3o \u00e9 homem de ficar desanimado. Havia alguma raz\u00e3o mais profunda?<br \/>\nPaulo vinha vindo de uma maratona ao longo das cidades da \u00c1sia Menor e da Gr\u00e9cia. Era a sua segunda viagem mission\u00e1ria (At 15,36ss.). Tinha fundado v\u00e1rias comunidades na Gal\u00e1cia, em Filipos, Tessal\u00f4nica e Ber\u00e9ia. Em quase todas estas cidades, ele foi perseguido e torturado. Teve que fugir v\u00e1rias vezes. Nada, por\u00e9m, era capaz de amedront\u00e1-lo ou de desanim\u00e1-lo. Finalmente, ele chegou em Atenas, capital da cultura helenista (At 17,15).<\/p>\n<p>Convidado pelo pessoal que o escutava na pra\u00e7a do mercado, teve que expor suas id\u00e9ias no are\u00f3pago (At 17,16-21). Preparou um discurso, no qual tentou comunicar a Boa Nova de Jesus (At 17,22-31). O discurso n\u00e3o teve muito efeito. Quando falou da ressurrei\u00e7\u00e3o, os ouvintes se desinteressaram, zombaram dele e suspenderam a sess\u00e3o (At 17,32). Pouca gente acreditou (At 17,34). Ora, Paulo, que parecia ter for\u00e7a e coragem para enfrentar qualquer contratempo, inclusive persegui\u00e7\u00e3o, pris\u00e3o e tortura, este mesmo Paulo perdeu o \u00e2nimo ap\u00f3s o fracasso da sua a\u00e7\u00e3o em Atenas. Saiu de l\u00e1 e foi para Corinto (At 18,1), onde, no dizer dele mesmo, chegou &#8220;cheio de fraqueza, receio e tremor&#8221; (1Cor 2,3), &#8220;em meio a muita ang\u00fastia e tribula\u00e7\u00e3o&#8221; (1Ts 3,7). Por que Paulo ficou assim? O que provocou nele aquele des\u00e2nimo feito de &#8220;fraqueza, receio, tremor, ang\u00fastia e tribula\u00e7\u00e3o&#8221;?<\/p>\n<p>Certos defeitos escondidos s\u00f3 aparecem no decorrer da caminhada.<\/p>\n<p>Aos poucos, os pr\u00f3prios fatos da vida v\u00e3o tirando a casca, revelando quem somos, de fato, frente a Deus e frente aos outros. A convers\u00e3o \u00e9 um processo permanente, tamb\u00e9m para Paulo! Apesar de ter experimentado a gratuidade da a\u00e7\u00e3o de Deus, dentro dele continuava ainda um resto da mentalidade das &#8220;obras&#8221;. Ele pensava poder derrubar e converter os pag\u00e3os com a for\u00e7a e a l\u00f3gica dos seus argumentos. Em vista disso montou um discurso bem feito (At 17,22-31), baseado nas leis da l\u00f3gica e da orat\u00f3ria. Mas teve que experimentar a total inutilidade dos seus argumentos. Em vez de derrubar, foi derrubado na sua pretens\u00e3o de vencer o inimigo. O sistema da cultura helenista n\u00e3o se abalou, nem se alterou. Pouca gente se converteu. A maioria do pessoal nem se interessou. N\u00e3o era nem a favor nem contra. N\u00e3o quis nem discutir o assunto: At\u00e9 logo! &#8220;Fica para outra vez!&#8221; (At 17,32).<\/p>\n<p>Paulo descobriu e experimentou a fraqueza e os limites da sua pretens\u00e3o. O nascimento doloroso para Cristo, iniciado no caminho de Damasco, continuava. Mas ele soube tirar a li\u00e7\u00e3o dos fatos. Na carta aos Cor\u00edntios, ele descreve como chegou por l\u00e1, ap\u00f3s o fracasso em Atenas: &#8220;Irm\u00e3os, eu mesmo, quando fui ao encontro de voc\u00eas, n\u00e3o me apresentei com o prest\u00edgio da orat\u00f3ria ou da sabedoria, para anunciar-lhes o mist\u00e9rio de Deus. Entre voc\u00eas, eu n\u00e3o quis saber outra coisa a n\u00e3o ser Jesus Cristo, e Jesus Crucificado. Estive no meio de voc\u00eas cheio de fraqueza, receio e tremor; minha palavra e minha prega\u00e7\u00e3o n\u00e3o tinham brilho nem artif\u00edcios para seduzir os ouvintes, mas a demonstra\u00e7\u00e3o residia no poder do Esp\u00edrito, para que voc\u00eas acreditassem, n\u00e3o por causa da sabedoria dos homens, mas por causa do poder de Deus&#8221; (1Cor 2,1-5). Parece um outro Paulo, diferente do Paulo que discursava no are\u00f3pago com orat\u00f3ria e l\u00f3gica.<\/p>\n<p>Aprendeu a li\u00e7\u00e3o! Ficou mais humilde. Soube dar a Deus o lugar que Ele merece, sem que isto o levasse a uma passividade. Sendo judeu, teve que aprender da pr\u00e1tica como lidar com o pessoal da cultura helenista e com o pr\u00f3prio Deus. Aprendeu apanhando e sofrendo!Depois da queda na estrada de Damasco, foi a chegada de Ananias que o reanimou e o tirou da cegueira (At 9,17-19). Agora, depois da queda em Atenas, foi a chegada de Tim\u00f3teo com boas not\u00edcias da comunidade rec\u00e9m fundada de Tessal\u00f4nica, que o ajudou a superar o des\u00e2nimo e reencontrar a fonte da for\u00e7a e da coragem: &#8220;Agora estamos reanimados!&#8221; (1Ts 3,8). A partir daquele momento, Paulo teve novamente disposi\u00e7\u00e3o para dedicar-se inteiramente ao an\u00fancio da Palavra (At 18,5).<\/p>\n<p>39. Quando n\u00f3s, hoje, falamos das comunidades que voc\u00ea andou fundando por a\u00ed, imaginamos comunidades perfeitas de gente santa. \u00c9 verdade? Diante de tanta santidade, ficamos at\u00e9 desanimados, pois hoje \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil viver em comunidade. O que voc\u00ea nos tem a dizer sobre isto?<br \/>\nO que Paulo nos tem a dizer \u00e9 aquilo que ele mesmo viveu e conheceu, tanto da sua pr\u00f3pria experi\u00eancia, como da experi\u00eancia da comunidade dos primeiros crist\u00e3os em Jerusal\u00e9m. A narra\u00e7\u00e3o dos fatos vividos \u00e9 o que mais ajuda a desfazer a id\u00e9ia de que as primeiras comunidades fossem feitas s\u00f3 de gente santa sem problemas.<\/p>\n<p>O livro dos Atos dos Ap\u00f3stolos apresenta a primeira comunidade de Jerusal\u00e9m como o ideal para as comunidades de todos os tempos. Lucas caprichou naqueles pequenos resumos que ele fez da vida dos primeiros crist\u00e3os (At 2,42-47; 4,32-35; 5,12-16). Neles, descreve n\u00e3o tanto o que existiu de fato, mas sim o que deveria existir sempre em toda e qualquer comunidade. O ideal da comunidade, ele o colocou bem perto da fonte, que \u00e9 a ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus.<\/p>\n<p>Mas Lucas n\u00e3o escondeu a realidade dura da caminhada. Lendo nas linhas e nas entrelinhas, a gente percebe que havia muitos problemas e dificuldades. N\u00e3o era gente t\u00e3o santa e t\u00e3o diferente de n\u00f3s, como, \u00e0s vezes imaginamos. Eis a lista de alguns destes problemas da primeira comunidade:1. Tentativa de Ananias e Safira de usar a comunidade para se promover (At 5,1-11); 2. Briga entre os &#8220;hebreus&#8221; (judeus convertidos da Palestina) e os &#8220;helenistas&#8221; (judeus convertidos da di\u00e1spora) por causa da assist\u00eancia diferente dada \u00e0s vi\u00favas (At 6,1); 3. Tens\u00e3o interna por causa da lideran\u00e7a nova de Est\u00eav\u00e3o: o grupo dos helenistas, ligado a Est\u00eav\u00e3o, \u00e9 perseguido e deve fugir, enquanto os ap\u00f3stolos, (provavelmente, o grupo dos hebreus), continuam em Jerusal\u00e9m (At 8,1); 4. Tentativa de alguns de comprarem o carisma e o dom do Esp\u00edrito Santo por meio de dinheiro (At 8,19); 5. Falta de gente para anunciar o evangelho (At 8,31); 6. Persegui\u00e7\u00e3o dos crist\u00e3os por parte dos sacerdotes (At 4,1-3) e, mais tarde, por parte dos fariseus (At 8,1-3: Saulo \u00e9 fariseu); 7. Conflito entre os crist\u00e3os vindos do juda\u00edsmo e os que tinham vindo do paganismo (At 15,1); 8. Incerteza e d\u00favida de Pedro: n\u00e3o sabe como se comportar nem como enfrentar o problema (Gl 2,11-12); 9. Cobran\u00e7a feita a Pedro por parte de um grupo mais conservador que n\u00e3o concordava com ele (At 11,2-3.18); 10. Falta de coordena\u00e7\u00e3o geral, pois as coisas v\u00e3o acontecendo e os ap\u00f3stolos s\u00f3 ficam sabendo depois (At 11,19-22).<\/p>\n<p>Mesmo assim, apesar de todas estas dificuldades, a anima\u00e7\u00e3o do pessoal era muito grande. Eles n\u00e3o desanimavam, e as comunidades cresciam (At 2,41.47; 4,4; 5,14; 6,1.7; 9,31; 11,21.24; 16,5; etc.).<br \/>\nAs comunidades eram um novo modo de ser Povo de Deus!Ora, o mesmo vale para as comunidades fundadas por Paulo nas grandes cidades do imp\u00e9rio romano. S\u00f3 que nelas os conflitos e os problemas eram bem maiores. Algumas destas dificuldades j\u00e1 foram vistas nesta entrevista. Vou tentar lembr\u00e1-las aqui, acrescentando algumas outras. Indico apenas o fato. N\u00e3o \u00e9 aqui o lugar de aprofundar este assunto. Eis a lista provis\u00f3ria:1. Falta de instru\u00e7\u00e3o at\u00e9 por parte de l\u00edderes como Apolo que nada entendia do batismo (At 18,25-26); 2. Continuava a influ\u00eancia de Jo\u00e3o Batista, a ponto de v\u00e1rias pessoas s\u00f3 conhecerem o batismo dele; nada sabiam do Esp\u00edrito Santo (At 19,1-3); 3. Divis\u00f5es internas por causa das linhas diferentes de Paulo, de Apolo e de Pedro (1Cor 1,12; 4,6); 4. Mentalidade grega em choque com a mentalidade judaica: o conceito de autoridade do grego \u00e9 mais &#8220;democr\u00e1tico&#8221; (vem por discuss\u00e3o aberta), e o do judeu \u00e9 mais &#8220;tradicional&#8221; (vem por tradi\u00e7\u00e3o), o que foi uma das causas do conflito que havia entre Paulo e a comunidade de Corinto (2Cor 10,8-11; 12,11-18; 13,2-4); 5. Os crist\u00e3os vindos do juda\u00edsmo tinham chegado ao ponto de tentar destruir o trabalho dos crist\u00e3os vindos do paganismo: eram os &#8220;falsos irm\u00e3os&#8221; (Gl 2,4-5; 6,12-13; 1Ts 2,14-16); 6. Brigas pessoais de Paulo com Barnab\u00e9 por causa de Marcos (At 15,37-39), e de Paulo com Pedro por causa da linha diferente (Gl 2,11-14); 7. Mentalidade grega que n\u00e3o conseguia aceitar a ressurrei\u00e7\u00e3o (At 17,32; 1Cor 15,12); 8. Falsos doutores espalhando confus\u00e3o nas comunidades (1Tm 4,1-7); 9. Problemas com a religiosidade popular dos povos da \u00c1sia Menor (At 14,11-18); 10. O problema do lugar da mulher nas comunidades: nem tudo estava claro (1Cor 11,3-12; 14,34-35; 1Tm 2,9-15); 11. O problema dos carismas, usados por alguns para se promover a si mesmos e n\u00e3o para construir a comunidade (1Cor 14,1-32); 12. Falta de respeito de uns para com a fragilidade da consci\u00eancia dos outros (1Cor 8,7-13; Rm 14,1-15); 13. A pretens\u00e3o de alguns de usar a liberdade em Cristo como pretexto para a libertinagem (1Cor 6,12-20; 5,1-13); 14. Divis\u00e3o social e falta de ordem durante a realiza\u00e7\u00e3o da Ceia Eucar\u00edstica (1Cor 11,17-34); 15. Vontade de alguns de seguirem o ideal grego da vida intelectual sem trabalhar com as pr\u00f3prias m\u00e3os, enquanto Paulo queria exatamente o contr\u00e1rio (2Ts 3,10-12).<\/p>\n<p>Os problemas eram muitos e o povo das comunidades n\u00e3o era santo nem perfeito. Era espelho do que acontece hoje, onde gente bem intencionada de diferentes origens e mentalidades decide caminhar juntos. A fraternidade \u00e9 um desafio!Grande parte destes problemas eram problemas de transi\u00e7\u00e3o. As comunidades eram o novo modo de ser Povo de Deus. A transi\u00e7\u00e3o do modo antigo para o modo novo n\u00e3o foi f\u00e1cil. Paulo foi o instrumento para ajudar nesta transi\u00e7\u00e3o sem a qual a igreja teria naufragado e jamais teria chegado at\u00e9 n\u00f3s.<\/p>\n<p>Foi a transi\u00e7\u00e3o do mundo judaico para o mundo grego; do mundo rural da Palestina para o mundo urbano da \u00c1sia Menor e da Gr\u00e9cia; do mundo mais ou menos harmonioso e coerente do juda\u00edsmo para o mundo pluralista das grandes cidades do imp\u00e9rio, cheias de conflitos; de uma situa\u00e7\u00e3o de comunidades soltas, quase sem organiza\u00e7\u00e3o, para uma situa\u00e7\u00e3o de comunidades bem organizadas; de uma igreja fechada, feita s\u00f3 de judeus convertidos, para uma igreja aberta, que acolhe a todos; do per\u00edodo dos ap\u00f3stolos, ou seja, da primeira gera\u00e7\u00e3o de l\u00edderes, para a igreja p\u00f3s-apost\u00f3lica da segunda gera\u00e7\u00e3o de l\u00edderes que j\u00e1 n\u00e3o tinham tido contato com Jesus pessoalmente; de uma igreja, cuja doutrina e disciplina vinham em grande parte do juda\u00edsmo, para uma igreja que come\u00e7ava a elaborar e organizar a sua pr\u00f3pria liturgia, doutrina e disciplina; de uma religi\u00e3o ligada \u00e0s comunidades bem situadas dos judeus da di\u00e1spora, para uma religi\u00e3o mais ligada ao povo pobre das periferias urbanas das grandes cidades do imp\u00e9rio romano; de uma religi\u00e3o que cultivava o ideal da classe dominante, para uma religi\u00e3o que tinha a coragem de apresentar um novo ideal de vida ao povo trabalhador: &#8220;ocupar-se das suas pr\u00f3prias coisas e trabalhar com as pr\u00f3prias m\u00e3os: assim n\u00e3o passar\u00e3o mais necessidade de coisa alguma&#8221; (1Ts 4,11-12).<\/p>\n<p>40. Olhando para tr\u00e1s, como \u00e9 que voc\u00ea agora enxerga a sua vida?<br \/>\nA vida de Paulo tem quatro per\u00edodos bem distintos. O primeiro vai do nascimento at\u00e9 aos 28 anos de idade. \u00c9 o per\u00edodo antes da convers\u00e3o, em que ele vive como israelita fiel e observante. O segundo vai desde a convers\u00e3o aos 28 anos at\u00e9 o envio para a miss\u00e3o aos 41 anos. Per\u00edodo pouco conhecido. O terceiro vai dos 41 anos at\u00e9 aos 53 anos. \u00c9 o per\u00edodo das viagens mission\u00e1rias. O \u00faltimo vai dos 53 at\u00e9 \u00e0 morte aos 63 anos de idade. \u00c9 o per\u00edodo das pris\u00f5es e da organiza\u00e7\u00e3o das comunidades.<\/p>\n<p>Apesar de diferentes, estes quatro per\u00edodos t\u00eam algo em comum: \u00e9 sempre o mesmo Paulo, a f\u00e9 no mesmo Deus, a perten\u00e7a ao mesmo povo de Deus; \u00e9 a mesma vontade de ser fiel a Deus e \u00e0 sua alian\u00e7a, e de chegar \u00e0 justi\u00e7a e \u00e0 paz com Deus.<\/p>\n<p>Muitas coisas da vida de Paulo j\u00e1 foram vistas nesta entrevista, outras jamais poder\u00e3o ser vistas, pois s\u00e3o para sempre o segredo s\u00f3 dele. Pouco sabemos do primeiro per\u00edodo. Quase nada sabemos do que se passou entre o momento da convers\u00e3o aos 28 anos e o envio para a miss\u00e3o aos 41 anos. S\u00e3o 13 anos de sil\u00eancio! Provavelmente, foi neste per\u00edodo que ele teve as grandes experi\u00eancias m\u00edsticas de que fala numa das suas cartas (2Cor 12,1-10). Pouco ou nada sabemos do que aconteceu depois da primeira pris\u00e3o em Roma at\u00e9 a sua morte. O per\u00edodo mais conhecido \u00e9 o das viagens mission\u00e1rias. Por a\u00ed se deduz que o interesse da B\u00edblia na pessoa de Paulo n\u00e3o \u00e9 tanto por causa de Paulo enquanto Paulo, mas enquanto ele \u00e9 o grande animador das comunidades.<\/p>\n<p>A grande novidade que marcou a vida de Paulo foi a sua experi\u00eancia de Jesus ressuscitado no caminho de Damasco: experi\u00eancia profundamente pessoal e, ao mesmo tempo, essencialmente comunit\u00e1ria, pois ela s\u00f3 se tornou clara e manifesta no momento em que Ananias imp\u00f4s as m\u00e3os em Paulo e o acolheu na comunidade dizendo: &#8220;Paulo, meu irm\u00e3o!&#8221; (At 9,17).<\/p>\n<p>A experi\u00eancia no caminho de Damasco foi como um diamante lapidado que recebe a luz do sol. Atrav\u00e9s das suas muitas facetas, ele fraciona a luz em m\u00faltiplas cores e dela revela, assim, as diferentes qualidades. A luz do sol \u00e9 Deus que se fez presente na vida de Paulo.<\/p>\n<p>O diamante \u00e9 a experi\u00eancia de Jesus ressuscitado. As suas in\u00fameras facetas fracionam a luz e dela revela as infinitas qualidades: experi\u00eancia da fidelidade de Deus (2Cor 1,20); experi\u00eancia da vit\u00f3ria sobre a morte (Cl 2,12-13; Ef 1,19-20; Rm 6,1-4); experi\u00eancia do pr\u00f3prio nada (Rm 7,24); experi\u00eancia da pr\u00f3pria voca\u00e7\u00e3o e miss\u00e3o (Gl 1,15-16); experi\u00eancia da paix\u00e3o, morte e ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo (Fil 3,10-11); experi\u00eancia da sua perten\u00e7a ao povo (Rm 9,1-5); identifica\u00e7\u00e3o m\u00edstica com Cristo (Gl 2,20); experi\u00eancia profunda do amor gratuito de Deus (Rm 8,31-39)&#8230; Vale a pena fazer um levantamento e classificar todos os aspectos da experi\u00eancia de Deus em Cristo, vivida por Paulo.<\/p>\n<p>CONCLUS\u00c3O: Qual a sua maior esperan\u00e7a?<br \/>\nAqui desisto de responder. Teria que copiar a maior parte das cartas, pois tudo nelas fala de esperan\u00e7a. Para Paulo, Jesus \u00e9 a esperan\u00e7a prometida e realizada do seu povo, ap\u00f3s longos s\u00e9culos de espera.<\/p>\n<p>Em Jesus ressuscitado, ele encontrou a raz\u00e3o de ser do seu povo. Atrav\u00e9s da vida, morte e ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus, o grande mist\u00e9rio do amor de Deus, confiado ao povo de Israel, se abriu para todos os povos. Foi esta a grande Boa Nova que Paulo descobriu em Jesus e que ele come\u00e7ou a transmitir no mundo inteiro.<\/p>\n<p>Aquilo que apontou no horizonte do povo na \u00e9poca do ex\u00edlio, o universalismo; aquilo que se esbo\u00e7ou timidamente na pequena comunidade p\u00f3s-ex\u00edlica e que foi retardado (mas conservado e protegido) por Esdras e Neemias; aquilo que os helenistas do tempo de Ant\u00edoco quiseram realizar por imposi\u00e7\u00e3o autorit\u00e1ria e, em vez de realizar, estragaram mais ainda, provocando a rea\u00e7\u00e3o justa e violenta dos Macabeus; aquilo que, desde o come\u00e7o estava no ch\u00e3o do chamado, na semente do apelo, no rumo da voca\u00e7\u00e3o, tudo isto apareceu em Jesus Cristo!<\/p>\n<p>Em Jesus desabrochou a esperan\u00e7a do povo judeu e, nela, se revelou a grande esperan\u00e7a da humanidade, o SIM de Deus \u00e0s promessas e esperan\u00e7as que est\u00e3o no cora\u00e7\u00e3o de todo ser humano, de todos os povos, sobretudo dos pobres.<\/p>\n<p>Paulo, por uma gra\u00e7a especial de Deus, percebeu este mist\u00e9rio, esta imensa Boa Nova para toda a humanidade. Ela se instalou nele, e ele sofreu por ela. Foi a sua raz\u00e3o de ser! &#8220;Pela gra\u00e7a de Deus sou o que sou; e sua gra\u00e7a dada a mim n\u00e3o foi est\u00e9ril. Ao contr\u00e1rio, trabalhei mais do que todos eles; n\u00e3o eu, mas a gra\u00e7a de Deus que est\u00e1 comigo!&#8221; (1Cor 15,10).<\/p>\n<div id=\"themify_builder_content-3050\" data-postid=\"3050\" class=\"themify_builder_content themify_builder_content-3050 themify_builder themify_builder_front\">\n\t<\/div>\n<!-- \/themify_builder_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carlos Mesters 35. Por que voc\u00ea n\u00e3o casou? \u00c9 contra o casamento? Paulo n\u00e3o era casado (1Cor 7,8). Alguns exegetas acham que ele era vi\u00favo. N\u00e3o sei qual o argumento que eles t\u00eam para fazer tal afirma\u00e7\u00e3o. Paulo n\u00e3o se casou, n\u00e3o porque era contra o casamento, mas porque n\u00e3o quis casar. 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