
{"id":5166,"date":"2009-09-18T22:34:27","date_gmt":"2009-09-19T01:34:27","guid":{"rendered":"http:\/\/www.oarcanjo.net\/site\/?p=5166"},"modified":"2009-09-18T22:35:38","modified_gmt":"2009-09-19T01:35:38","slug":"dom-aloisio-medo-do-inferno","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.oarcanjo.net\/site\/dom-aloisio-medo-do-inferno\/","title":{"rendered":"Dom Aloisio: medo do inferno"},"content":{"rendered":"<p>Desenbargador Luiz Ximenes<\/p>\n<p><em>&#8220;O homem deixa de ser quem \u00e9 pra transformar-se naquilo de que outros homens precisam&#8221;. Afonso Arinos de Melo Franco<\/em><\/p>\n<p>Em 8 de outubro de 1924, no interregno entre as duas guerras mundiais, num peda\u00e7o da Germ\u00e2nia reproduzido no Rio Grande do Sul, mais precisamente na zona rural de Estrela e onde o portugu\u00eas era idioma estrangeiro para os colonos de ascend\u00eancia e fala alem\u00e3s, nasceu Leo Arlindo, o segundo dos nove filhos de Jos\u00e9 Aloysio e Ver\u00f4nica Lorscheider, agricultores como seus antepassados. Profundamente cat\u00f3licos, os pais do menino permitiram que aos nove anos ele ingressasse no semin\u00e1rio franciscano de Taquari, pra cursar o ginasial e o col\u00e9gio. O medo do inferno, lugar pra onde, segundo sua cren\u00e7a, n\u00e3o iriam as almas dos sacerdotes, fortaleceu a voca\u00e7\u00e3o religiosa do seminarista, que fez o noviciado em 1942 e iniciou o curso de Filosofia. Em 1944 foi transferido para o convento Santo Ant\u00f4nio, em Divin\u00f3polis (MG), onde concluiu Filosofia e cursou Teologia. Em homenagem ao pai e ao irm\u00e3o mais velho, adotou o nome religioso de Frei Alo\u00edsio ao ordenar-se sacerdote em 22 de agosto de 1948, na mesma Divin\u00f3polis, e retornou a Taquari, em cujo semin\u00e1rio lecionou latim, alem\u00e3o e matem\u00e1tica. Vislumbrando seu grande potencial, a ordem franciscana enviou o jovem frade a Roma no final de 1948, para especializar-se em Teologia Dogm\u00e1tica. Em junho de 1952 defendeu a tese doutoral, obtendo o grau m\u00e1ximo, summa cum laude. De volta ao Brasil, lecionou Teologia e outras disciplinas can\u00f4nicas em semin\u00e1rios ser\u00e1ficos durante seis anos, at\u00e9 ser chamado de volta a Roma, para ensinar Teologia Dogm\u00e1tica no mesmo Pontif\u00edcio Ateneu Antoniano onde se doutorara.<\/p>\n<p>Em 3 de fevereiro de 1962, o Papa Jo\u00e3o XXIII nomeou-o bispo da rec\u00e9m-criada Diocese de Santo \u00c2ngelo (RS). Sagrado em 20 de maio, adotou o sugestivo lema In Cruce Salus et Vita (Na Cruz, a Salva\u00e7\u00e3o e a Vida) e em 12 de junho, sem haver completado38 anos, tornou-se o primeiro bispo da Diocese que comandou durante 11 anos, at\u00e9 ser transferido a Fortaleza. Como padre conciliar, participou de todas as sess\u00f5es do Conc\u00edlio Vaticano II, de 1962 a 1965.<\/p>\n<p>A partir de 1968 integrou a c\u00fapula da CNBB, como Sacerdote-Geral e como Presidente em dois mandatos consecutivos (1971-1975 e 1975-1978). Paralelamente em 1972 foi eleito primeiro Vice-Presidente do Conselho Episcopal Latino-Americano \u2013 CELAM. Reeleito em 1975, assumiu em 14976 a Presid\u00eancia desse Conselho, que re\u00fane os bispos cat\u00f3licos da Am\u00e9rica Latina e do Caribe, substituindo Dom Eduardo Per\u00f4nio, bispo de Mar Del Plata, nomeado Cardeal e transferido para o Vaticano. Expoente da Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o de defensor dos fracos e oprimidos, Dom Lorscheider tornou-se, como representante m\u00e1ximo do episcopado latino-americano, paladino dos direitos humanos e uma das principais vozes de oposi\u00e7\u00e3o \u00e0s ditaduras militares que grassavam pelo continente.<\/p>\n<p>Em 4 de abril de 1973, a comunidade cat\u00f3lica de fortaleza recebeu jubilosamente a not\u00edcia de que o Papa Paulo VI nomeara Dom Alo\u00edsio para suceder Dom Jos\u00e9 de Medeiros Delgado \u00e0 frente da Arquidiocese. Vejamos, em suas pr\u00f3prias palavras, como encarou a mudan\u00e7a abrupta, verdadeiro choque cultural:<\/p>\n<p>Quando eu chequei, tinham me avisado o seguinte: &#8220;O senhor vai para o Cear\u00e1, onde vai encontrar uma situa\u00e7\u00e3o muito dif\u00edcil&#8221;. [&#8230;] Mas nunca encontrei essa situa\u00e7\u00e3o t\u00e3o dif\u00edcil. N\u00e3o sei de onde saiu essa id\u00e9ia. Engra\u00e7ado que fui enviado para c\u00e1<\/p>\n<p>Para permanecer apenas cinco anos. Acabei ficando vinte e dois! [&#8230;] Minha transfer\u00eancia foi uma mudan\u00e7a da noite para o dia. Sul e Nordeste s\u00e3o completamente diferentes. Aos poucos fui aprendendo. O que me ajudou muito foram as CEBs [Comunidades Eclesiais de Base], que no Sul n\u00e3o existiam desse jeito. Ao entrar em contato com o povo, eu n\u00e3o falava muito, muitas vezes ficava escutando. At\u00e9 hoje, na igreja, esse deve ser o caminho. Perdemos esse h\u00e1bito, mas acho isso fundamental, porque nos faz conhecer a religiosidade popular.<\/p>\n<p>Ao defrontar-se com uma nova realidade, o Bispo aos poucos transformou seu modo de pensar e de agir:<\/p>\n<p>No Sul parecia-me ter exercido muito mais o papel de quem ensina o que sabe, sem grandes preocupa\u00e7\u00f5es com os problemas concretos do povo. Eu levava a f\u00e9 ao povo como se leva uma receita j\u00e1 pronta, sem refletir mais detidamente sobre o seu significado. [&#8230;] Eu era mais professor e dirigente de culto do que realmente evangelizador dentro da realidade vivida do povo. No Nordeste (Cear\u00e1 &#8211; Fortaleza), em contato com outro tipo de Comunidade Eclesial de Base, nascida da necessidade de buscar solu\u00e7\u00e3o crist\u00e3 para problemas concretos da vida, o meu minist\u00e9rio episcopal, na sua tr\u00edplice fun\u00e7\u00e3o de ensinar, santificar e governar, foi adquirindo outra fun\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em pleno regime de exce\u00e7\u00e3o, a sociedade cearense logo sentiu os efeitos dessa guinada. As camadas desfavorecidas ou marginalizadas, os sem-terra, os sem-teto, os presos pol\u00edticos, os presidi\u00e1rios comuns, os trabalhadores em greve \u2013 ganharam aliado de peso. A partir da experi\u00eancia pioneira de Aratuba, expandiu o n\u00famero e o raio de atua\u00e7\u00e3o das Comunidades Eclesiais de Base, o prest\u00edgio do cargo e a estrutura moral do Arcebispo, aliados \u00e0 sua propens\u00e3o para o di\u00e1logo, permitiram-lhe atuar com \u00eaxito em situa\u00e7\u00f5es de conflito. Favelados da Av. Jos\u00e9 Bastos, lavradores de Palm\u00e1cia, \u00edndios Tapeba de Caucaia, agricultores sem-terra de Canind\u00e9 e Santa Quit\u00e9ria, os hansenianos de Ant\u00f4nio Diogo, os presidi\u00e1rios \u2013 todos foram objetos de a\u00e7\u00f5es pessoais de diretas do Arcebispo.<\/p>\n<p>\u00c9 importante tamb\u00e9m ressaltar que, nos &#8220;anos de chumbo&#8221;, diante dos quadros mais cr\u00edticos, das injusti\u00e7as mais atrozes, dos maiores atentados \u00e0 dignidade da pessoa humana, a figura de D. Alo\u00edsio se exponenciou na trincheira da resist\u00eancia. \u00c9 igualmente for\u00e7oso mencionar que nunca lhe faltou a atitude da interlocu\u00e7\u00e3o e do di\u00e1logo altivo, mas sereno, no sentido da supera\u00e7\u00e3o da injusti\u00e7a e da busca do imp\u00e9rio da dignidade humana, do predom\u00ednio do bem sobre o mal. Enfim, foi l\u00edder da resist\u00eancia civil sem perder o entendimento da natureza humana, no qual n\u00e3o pode prescindir o l\u00edder religioso, o pastor das almas transviadas.<\/p>\n<p>Em sess\u00e3o do Congresso Nacional, nos primeiros meses do ano corrente, prestou-se homenagem a D. Alo\u00edsio Lorscheider, o senador Tasso Jereissati, ao proferir discurso naquela ocasi\u00e3o, salientou que, em toda sua vida p\u00fablica n\u00e3o conheceu &#8220;um homem maior do que D. Alo\u00edsio Lorscheider&#8221;, asseverando:<\/p>\n<p>A sua import\u00e2ncia na hist\u00f3ria do nosso Cear\u00e1 ainda ser\u00e1 conhecida como o grande transformador da mentalidade social e pol\u00edtica e da consci\u00eancia crist\u00e3 no Estado do Cear\u00e1. A sua presen\u00e7a marcou uma verdadeira mudan\u00e7a de trajet\u00f3ria na organiza\u00e7\u00e3o e na consci\u00eancia dos direitos das comunidades mais pobres, mais marginalizadas em nosso Estado e em nossa regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m recolho de Pedro Simon, senador pelo Rio Grande do Sul, conterr\u00e2neo do religioso, excerto das palavras com que, na mesma sess\u00e3o do Congresso Nacional, procedeu ao elogio p\u00f3stumo do hoje homenageado:<\/p>\n<p>D. Alo\u00edsio n\u00e3o abandonou jamais a sua op\u00e7\u00e3o preferencial pelos pobres, nem quando bombas intimadoras foram atiradas nos seus jardins. Mesmo diante do principal chefe de repress\u00e3o, sua voz, naturalmente doce, alterava-se apenas quando era preciso confrontar os vendilh\u00f5es da Justi\u00e7a. Foi assim quando Secret\u00e1rio e, depois, Presidente da Confer\u00eancia Nacional dos Bispos do Brasil \u2013 CNBB, foi assim nos anos dif\u00edceis da nossa hist\u00f3ria, quando todos os jardins da democracia corriam o risco de ser alvo de bombas atiradas pelos olhares fixos da repress\u00e3o. Foi exatamente nesse momento da hist\u00f3ria, que a voz de D. Alo\u00edsio se alterou. E ecoou pelos corredores das pris\u00f5es. (&#8230;). (&#8230;) Teve a coragem de colocar em debate temas pol\u00eamicos, inclusive, dentro da pr\u00f3pria Igreja, e defendeu teses que contrariavam o Poder. Jamais se preocupou em tornar-se uma unanimidade. Se havia o contradit\u00f3rio tinha um \u00fanico lado: o do bem, o da democracia, o da soberania, o da cidadania. Foi contumaz nos sentimentos de humildade e de perd\u00e3o.<\/p>\n<p>Paralelamente, n\u00e3o descurou da sua a\u00e7\u00e3o como pastor. Visitou tosas as par\u00f3quias do territ\u00f3rio arquidiocesano e assinou Cartas Pastorais densas em que eram tra\u00e7ados diagn\u00f3sticos da situa\u00e7\u00e3o e fixadas regras claras sobre anima\u00e7\u00e3o da f\u00e9, catequese e liturgia. Dedicou aten\u00e7\u00e3o especial ao sacerd\u00f3cio, aumentando sensivelmente o n\u00famero de seminaristas e de ordena\u00e7\u00f5es. Acolheu os padres casados, consentindo que alguns deles ensinassem nos institutos de forma\u00e7\u00e3o religiosa e chegando mesmo a participar de encontro do Movimento dos Padres Casados, no que foi censurado na C\u00faria Romana.<\/p>\n<p>Tr\u00eas anos ap\u00f3s a indica\u00e7\u00e3o para o Arcebispo de Fortaleza, Dom Alo\u00edsio foi nomeado Cardeal em 24 de abril de 1976, pelo Papa Paulo VI, recebendo a investidura um m\u00eas depois. Em 1978, tomou parte nos dois conclaves que elegeram os pont\u00edfices Jo\u00e3o Paulo I e Jo\u00e3o Paulo II. Apesar da voz corrente de que foi o \u00fanico cardeal brasileiro a receber, at\u00e9 hoje, votos em elei\u00e7\u00e3o papal Dom Alo\u00edsio sempre negou veemente esse fato, considerando-o sem fundamento.<\/p>\n<p>O chap\u00e9u cardinal\u00edcio fez subir Dom Alo\u00edsio na hierarquia eclesi\u00e1stica, mas em nada afetou sua humildade franciscana e suas convic\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas. Em sei di\u00e1logo com &#8220;O Grupo&#8221;, enfeixado no livro &#8220;Mantenham as L\u00e2mpadas Acesas: Revisitando o Caminho, Recriando a Caminhada&#8221;, chega a ironizar:<\/p>\n<p>Agora, esse neg\u00f3cio de ser cardeal! A \u00fanica fun\u00e7\u00e3o que ele tem (se n\u00e3o tiver oitenta anos) \u00e9 poder eleger o papa, s\u00f3 isso! O pessoal vem com aquelas hist\u00f3rias que tem que se enfeitar, n\u00e3o sei de quantas maneira. Meu pensamento hoje \u00e9 que a Santa S\u00e9 deveria se perguntar se n\u00e3o chegou a hora de abolir o col\u00e9gio cardinal\u00edcio, porque n\u00e3o tem mais sentindo. Hoje temos os presidentes das Confer\u00eancias Episcopais; esses seriam os homens indicados para a elei\u00e7\u00e3o do papa.<\/p>\n<p>Em virtude da fragilidade de sua sa\u00fade, o Cardeal-Arcebispo solicitou em 1995 remo\u00e7\u00e3o para uma diocese com menor carga de trabalho. O Papa Jo\u00e3o Paulo II atendeu-o e foi transferido de Fortaleza pra a Arquidiocese de Aparecida, assumindo o novo posto em 18 de agosto daquele ano. Ao ser indagado sobre as medidas que tomaria para conter a evas\u00e3o de fi\u00e9is cat\u00f3licos rumo a outras igrejas, o novo Arcebispo retrucou dizendo que havia um engano nessa informa\u00e7\u00e3o: quem saiu da Igreja cat\u00f3lica n\u00e3o foram os fi\u00e9is e , sim, os infi\u00e9is. A s\u00e1bia resposta recebeu calorosos aplausos.<\/p>\n<p>Em 2000, por haver ultrapassado a idade-limite, de 75 anos, anunciou sua ren\u00fancia, que somente foi aceita e janeiro de 2004 e formalizada em 25 de mar\u00e7o do mesmo ano, com a transfer\u00eancia do comando a Arquidiocese para o sucessor, Dom Raymundo Damasceno Assis. O Arcebispo em\u00e9rito retornou para o Convento dos Franciscanos em Porto Alegre, ao conv\u00edvio dos seus irm\u00e3os de h\u00e1bito. Em 23 de dezembro de 2007, antev\u00e9spera de Natal, \u00e0s 5h30min, o  pr\u00edncipe da Igreja encerrou sua trajet\u00f3ria terrena.<\/p>\n<p>Homem do di\u00e1logo, Dom Alo\u00edsio indicava essa pr\u00e1tica como m\u00e9todo aplic\u00e1vel \u00e0 abordagem de todos os problemas, mesmo os mais embara\u00e7osos. Op\u00e7\u00e3o preferencial pelos pobres, ecumenismo, magist\u00e9rio eclesi\u00e1stico, papel dos leigos, inser\u00e7\u00e3o dos padres casados e das mulheres vocacionadas na a\u00e7\u00e3o eclesial, homossexualismo no clero e nos semin\u00e1rios \u2013 sobre esse e tantos outros temas Dom Alo\u00edsio emitiu opini\u00f5es sinceras e bastantes pessoais, que em muitos casos divergem da vis\u00e3o dominante na hierarquia cat\u00f3lica.<\/p>\n<p>Fiel a suas convic\u00e7\u00f5es e ao esp\u00edrito de Medell\u00edn, Puebla e S\u00e3o Domingos, o Cardeal Lorscheider depositava grandes esperan\u00e7as na restaura\u00e7\u00e3o e amplia\u00e7\u00e3o do papel das Comunidades Eclesiais de Base \u2013 CEBs, que considerava adequadas a diversas pastorais, que deveriam t\u00ea-las como modelo para revigorar, no seio do catolicismo, o ardor mission\u00e1rio e evangelizador, hoje amortecido.<\/p>\n<p>Tra\u00e7ado o perfil do homenageado, fica f\u00e1cil explicar a raz\u00e3o que levou o Tribunal de Justi\u00e7a do Estado do Cear\u00e1, por vota\u00e7\u00e3o un\u00e2nime, atendendo proposi\u00e7\u00e3o de seu Presidente, Atribuir ao Audit\u00f3rio principal da Corte o nome do insigne Dom Alo\u00edsio Cardeal Lorscheider. Um audit\u00f3rio caracteriza-se por ser um locus de di\u00e1logo, de transmiss\u00e3o de conhecimentos ou de diretrizes administrativas. Acres\u00e7a-se o fato de o recinto estar situado no Pal\u00e1cio da Justi\u00e7a, e que est\u00e3o aqui congregadas quatro caracter\u00edsticas vivenciadas pelo dignit\u00e1rio que homenageamos nesta expressiva solenidade: a valoriza\u00e7\u00e3o do di\u00e1logo, o magist\u00e9rio, a lideran\u00e7a democr\u00e1tica e o acendrado amor \u00e0 justi\u00e7a, tal como ensinada nos Evangelhos.<\/p>\n<p>\u00c8, pois, com orgulho que, em nome do Poder Judici\u00e1rio do Estado do Cear\u00e1, testemunho esta homenagem ao pastor que transfundiu para o rebanho o esp\u00edrito mission\u00e1rio e evangelizador que o animava, ao te\u00f3logo competente que semeou a palavra de f\u00e9, da esperan\u00e7a e da caridade crist\u00e3, a par da luta pol\u00edtica e civil, na busca da concretiza\u00e7\u00e3o daquele princ\u00edpio que \u00e9 o maior valor constitucional brasileiro, a dignidade da pessoa humana.<\/p>\n<p>N\u00e3o poderia deixar de ressaltar a atitude varonil de D. Alo\u00edsio no epis\u00f3dio do seq\u00fcestro de que foi v\u00edtima, quando cumpria a sua miss\u00e3o pastoral, visitando e consolando os encarcerados do Instituto Penal Paulo Sarasate. Pouco tempo depois do epis\u00f3dio, D. Alo\u00edsio voltava ao local do verdadeiro mart\u00edrio a que foi submetido para, no gesto mais crist\u00e3o que poderia realizar, generosamente lavar os p\u00e9s dos detentos, alguns dos quais envolvidos na agress\u00e3o que sofrera.<\/p>\n<p>Com efeito, o sentimento de justi\u00e7a que dominava a personalidade de D. Alo\u00edsio, com a realiza\u00e7\u00e3o cotidiana das bem-aventuran\u00e7as evang\u00e9licas, tinha transcend\u00eancia na compreens\u00e3o mais larga do que \u00e9 a justi\u00e7a e do que s\u00e3o os direitos humanos. Assim \u00e9 que, firme, pela palavra e pela a\u00e7\u00e3o, tornou a op\u00e7\u00e3o preferencial pelos pobres um manifesto e um programa, sem descurar da necess\u00e1ria a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, em sentido largo, que deve ser imperativo imanente a tal op\u00e7\u00e3o. Nesse diapas\u00e3o, n\u00e3o se intimidava em desfraldar as bandeiras da reforma agr\u00e1ria, da melhor distribui\u00e7\u00e3o da renda, da assist\u00eancia aos necessitados, da melhoria do desumano sistema prisional que, talvez, seja o indicador mais solene da injusti\u00e7a brasileira e do quanto se tem de fazer para a consecu\u00e7\u00e3o do respeito \u00e0 dignidade da pessoa humana.<\/p>\n<div id=\"themify_builder_content-5166\" data-postid=\"5166\" class=\"themify_builder_content themify_builder_content-5166 themify_builder themify_builder_front\">\n\t<\/div>\n<!-- \/themify_builder_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desenbargador Luiz Ximenes &#8220;O homem deixa de ser quem \u00e9 pra transformar-se naquilo de que outros homens precisam&#8221;. 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