
{"id":53493,"date":"2014-10-29T22:53:23","date_gmt":"2014-10-30T00:53:23","guid":{"rendered":"http:\/\/www.oarcanjo.net\/site\/?p=53493"},"modified":"2014-11-17T21:24:24","modified_gmt":"2014-11-17T23:24:24","slug":"papa-francisco-encontro-mundial-movimentos-populares","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.oarcanjo.net\/site\/papa-francisco-encontro-mundial-movimentos-populares\/","title":{"rendered":"Francisco: &#8220;Nenhuma fam\u00edlia sem casa, nenhum campon\u00eas sem terra, nenhum trabalhador sem direitos&#8221;"},"content":{"rendered":"<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"\/\/www.youtube.com\/embed\/idJy5X6Zsi0?rel=0&amp;controls=0\" width=\"640\" height=\"360\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p>Entre os dias 27 e 29 de outubro, ocorre no Vaticano o <strong>Encontro Mundial dos Movimentos Populares<\/strong>, promovido pelo Pontif\u00edcio Conselho Justi\u00e7a e Paz, em colabora\u00e7\u00e3o com a Pontif\u00edcia Academia das Ci\u00eancias Sociais. Nesta ter\u00e7a-feira, 28, o Papa Francisco discursou para os\u00a0 participantes do encontro.<\/p>\n<p>&#8220;Este encontro nosso \u2013 afirmou Francisco \u2013 responde a um anseio muito concreto, algo que qualquer pai, qualquer m\u00e3e quer para os seus filhos; um anseio que deveria estar ao alcance de todos, mas que hoje vemos com tristeza cada vez mais longe da maioria: terra, teto e trabalho. \u00c9 estranho, mas, se eu falo disso para alguns, significa que o papa \u00e9 comunista. N\u00e3o se entende que o amor pelos pobres est\u00e1 no centro do Evangelho. Terra, teto e trabalho \u2013 isso pelo qual voc\u00eas lutam \u2013 s\u00e3o direitos sagrados. Reivindicar isso n\u00e3o \u00e9 nada raro, \u00e9 a Doutrina Social da Igreja.&#8221;<\/p>\n<p>Segue a \u00edntegra do discurso, com tradu\u00e7\u00e3o de Mois\u00e9s Sbardelotto:<\/p>\n<p><em>Eu estou contente por estar no meio de voc\u00eas. Ali\u00e1s, vou lhes fazer uma confid\u00eancia: \u00e9 a primeira vez que eu des\u00e7o aqui [na Aula Velha do S\u00ednodo], nunca tinha vindo.<\/em><\/p>\n<p><em>Como lhes dizia, tenho muita alegria e lhes dou calorosas boas-vindas. Obrigado por terem aceitado este convite para debater tantos graves problemas sociais que afligem o mundo hoje, voc\u00eas, que sofrem em carne pr\u00f3pria a desigualdade e a exclus\u00e3o. Obrigado ao cardeal Turkson pela sua acolhida. Obrigado, Emin\u00eancia, pelo seu trabalho e pelas suas palavras.<\/em><\/p>\n<p><em>Este encontro de Movimentos Populares \u00e9 um sinal, \u00e9 um grande sinal: voc\u00eas vieram colocar na presen\u00e7a de Deus, da Igreja, dos povos, uma realidade muitas vezes silenciada. Os pobres n\u00e3o s\u00f3 padecem a injusti\u00e7a, mas tamb\u00e9m lutam contra ela!<\/em><\/p>\n<p><em>N\u00e3o se contentam com promessas ilus\u00f3rias, desculpas ou pretextos. Tamb\u00e9m n\u00e3o est\u00e3o esperando de bra\u00e7os cruzados a ajuda de ONGs, planos assistenciais ou solu\u00e7\u00f5es que nunca chegam ou, se chegam, chegam de maneira que v\u00e3o em uma dire\u00e7\u00e3o ou de anestesiar ou de domesticar. Isso \u00e9 meio perigoso. Voc\u00eas sentem que os pobres j\u00e1 n\u00e3o esperam e querem ser protagonistas, se organizam, estudam, trabalham, reivindicam e, sobretudo, praticam essa solidariedade t\u00e3o especial que existe entre os que sofrem, entre os pobres, e que a nossa civiliza\u00e7\u00e3o parece ter esquecido ou, ao menos, tem muita vontade de esquecer.<\/em><\/p>\n<p><em>Solidariedade \u00e9 uma palavra que nem sempre cai bem. Eu diria que, algumas vezes, a transformamos em um palavr\u00e3o, n\u00e3o se pode dizer; mas \u00e9 uma palavra muito mais do que alguns atos de generosidade espor\u00e1dicos. \u00c9 pensar e agir em termos de comunidade, de prioridade de vida de todos sobre a apropria\u00e7\u00e3o dos bens por parte de alguns. Tamb\u00e9m \u00e9 lutar contra as causas estruturais da pobreza, a desigualdade, a falta de trabalho, de terra e de moradia, a nega\u00e7\u00e3o dos direitos sociais e trabalhistas. \u00c9 enfrentar os destrutivos efeitos do Imp\u00e9rio do dinheiro: os deslocamentos for\u00e7ados, as migra\u00e7\u00f5es dolorosas, o tr\u00e1fico de pessoas, a droga, a guerra, a viol\u00eancia e todas essas realidades que muitos de voc\u00eas sofrem e que todos somos chamados a transformar. A solidariedade, entendida em seu sentido mais profundo, \u00e9 um modo de fazer hist\u00f3ria, e \u00e9 isso que os movimentos populares fazem.<\/em><\/p>\n<p><em>Este encontro nosso n\u00e3o responde a uma ideologia. Voc\u00eas n\u00e3o trabalham com ideias, trabalham com realidades como as que eu mencionei e muitas outras que me contaram&#8230; t\u00eam os p\u00e9s no barro, e as m\u00e3os, na carne. T\u00eam cheiro de bairro, de povo, de luta! Queremos que se ou\u00e7a a sua voz, que, em geral, se escuta pouco. Talvez porque incomoda, talvez porque o seu grito incomoda, talvez porque se tem medo da mudan\u00e7a que voc\u00eas reivindicam, mas, sem a sua presen\u00e7a, sem ir realmente \u00e0s periferias, as boas propostas e projetos que frequentemente ouvimos nas confer\u00eancias internacionais ficam no reino da ideia.<\/em><\/p>\n<p><em>N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel abordar o esc\u00e2ndalo da pobreza promovendo estrat\u00e9gias de conten\u00e7\u00e3o que unicamente tranquilizem e convertam os pobres em seres domesticados e inofensivos. Como \u00e9 triste ver quando, por tr\u00e1s de supostas obras altru\u00edstas, se reduz o outro \u00e0 passividade, se nega ele ou, pior, se escondem neg\u00f3cios e ambi\u00e7\u00f5es pessoais: Jesus lhes chamaria de hip\u00f3critas. Como \u00e9 lindo, ao contr\u00e1rio, quando vemos em movimento os Povos, sobretudo os seus membros mais pobres e os jovens. Ent\u00e3o, sim, se sente o vento da promessa que aviva a esperan\u00e7a de um mundo melhor. Que esse vento se transforme em vendaval de esperan\u00e7a. Esse \u00e9 o meu desejo.<\/em><\/p>\n<p><em>Este encontro nosso responde a um anseio muito concreto, algo que qualquer pai, qualquer m\u00e3e quer para os seus filhos; um anseio que deveria estar ao alcance de todos, mas que hoje vemos com tristeza cada vez mais longe da maioria: terra, teto e trabalho. \u00c9 estranho, mas, se eu falo disso para alguns, significa que o papa \u00e9 comunista.<\/em><\/p>\n<p><em>N\u00e3o se entende que o amor pelos pobres est\u00e1 no centro do Evangelho. Terra, teto e trabalho \u2013 isso pelo qual voc\u00eas lutam \u2013 s\u00e3o direitos sagrados. Reivindicar isso n\u00e3o \u00e9 nada raro, \u00e9 a Doutrina Social da Igreja. Vou me deter um pouco sobre cada um deles, porque voc\u00eas os escolheram como tema para este encontro.<\/em><\/p>\n<p><em><strong>Terra<\/strong>. No in\u00edcio da cria\u00e7\u00e3o, Deus criou o homem, guardi\u00e3o da sua obra, encarregando-o de cultiv\u00e1-la e proteg\u00ea-la. Vejo que aqui h\u00e1 dezenas de camponeses e camponesas, e quero felicit\u00e1-los por cuidar da terra, por cultiv\u00e1-la e por fazer isso em comunidade. Preocupa-me a erradica\u00e7\u00e3o de tantos irm\u00e3os camponeses que sobrem o desenraizamento, e n\u00e3o por guerras ou desastres naturais. A apropria\u00e7\u00e3o de terras, o desmatamento, a apropria\u00e7\u00e3o da \u00e1gua, os agrot\u00f3xicos inadequados s\u00e3o alguns dos males que arrancam o homem da sua terra natal. Essa dolorosa separa\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 f\u00edsica, mas tamb\u00e9m existencial e espiritual, porque h\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o com a terra que est\u00e1 pondo a comunidade rural e seu modo de vida peculiar em not\u00f3ria decad\u00eancia e at\u00e9 em risco de extin\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p><em>A outra dimens\u00e3o do processo j\u00e1 global \u00e9 a fome. Quando a especula\u00e7\u00e3o financeira condiciona o pre\u00e7o dos alimentos, tratando-os como qualquer mercadoria, milh\u00f5es de pessoas sofrem e morrem de fome. Por outro lado, descartam-se toneladas de alimentos. Isso \u00e9 um verdadeiro esc\u00e2ndalo. A fome \u00e9 criminosa, a alimenta\u00e7\u00e3o \u00e9 um direito inalien\u00e1vel. Eu sei que alguns de voc\u00eas reivindicam uma reforma agr\u00e1ria para solucionar alguns desses problemas, e deixem-me dizer-lhes que, em certos pa\u00edses, e aqui cito o Comp\u00eandio da Doutrina Social da Igreja, &#8220;a reforma agr\u00e1ria \u00e9, al\u00e9m de uma necessidade pol\u00edtica, uma obriga\u00e7\u00e3o moral&#8221; (CDSI, 300).<\/em><\/p>\n<p><em>N\u00e3o sou s\u00f3 eu que digo isso. Est\u00e1 no Comp\u00eandio da Doutrina Social da Igreja. Por favor, continuem com a luta pela dignidade da fam\u00edlia rural, pela \u00e1gua, pela vida e para que todos possam se beneficiar dos frutos da terra.<\/em><\/p>\n<p><em><strong>Em segundo lugar, teto<\/strong>. Eu disse e repito: uma casa para cada fam\u00edlia. Nunca se deve esquecer de que Jesus nasceu em um est\u00e1bulo porque na hospedagem n\u00e3o havia lugar, que a sua fam\u00edlia teve que abandonar o seu lar e fugir para o Egito, perseguida por Herodes. Hoje h\u00e1 tantas fam\u00edlias sem moradia, ou porque nunca a tiveram, ou porque a perderam por diferentes motivos. Fam\u00edlia e moradia andam de m\u00e3os dadas. Mas, al\u00e9m disso, um teto, para que seja um lar, tem uma dimens\u00e3o comunit\u00e1ria: e \u00e9 o bairro&#8230; e \u00e9 precisamente no bairro onde se come\u00e7a a construir essa grande fam\u00edlia da humanidade, a partir do mais imediato, a partir da conviv\u00eancia com os vizinhos.<\/em><\/p>\n<p><em>Hoje, vivemos em imensas cidades que se mostram modernas, orgulhosas e at\u00e9 vaidosas. Cidades que oferecem in\u00fameros prazeres e bem-estar para uma minoria feliz&#8230; mas se nega o teto a milhares de vizinhos e irm\u00e3os nossos, inclusive crian\u00e7as, e eles s\u00e3o chamados, elegantemente, de &#8220;pessoas em situa\u00e7\u00e3o de rua&#8221;. \u00c9 curioso como no mundo das injusti\u00e7as abundam os eufemismos. N\u00e3o se dizem as palavras com a contund\u00eancia, e busca-se a realidade no eufemismo. Uma pessoa, uma pessoa segregada, uma pessoa apartada, uma pessoa que est\u00e1 sofrendo a mis\u00e9ria, a fome, \u00e9 uma pessoa em situa\u00e7\u00e3o de rua: palavra elegante, n\u00e3o? Voc\u00eas, busquem sempre, talvez me equivoque em algum, mas, em geral, por tr\u00e1s de um eufemismo h\u00e1 um crime.<\/em><\/p>\n<p><em>Vivemos em cidades que constroem torres, centros comerciais, fazem neg\u00f3cios imobili\u00e1rios&#8230; mas abandonam uma parte de si nas margens, nas periferias. Como d\u00f3i escutar que os assentamentos pobres s\u00e3o marginalizados ou, pior, quer-se erradic\u00e1-los! S\u00e3o cru\u00e9is as imagens dos despejos for\u00e7ados, dos tratores derrubando casinhas, imagens t\u00e3o parecidas \u00e0s da guerra. E isso se v\u00ea hoje.<\/em><\/p>\n<p><em>Voc\u00eas sabem que, nos bairros populares, onde muitos de voc\u00eas vivem, subsistem valores j\u00e1 esquecidos nos centros enriquecidos. Os assentamentos est\u00e3o aben\u00e7oados com uma rica cultura popular: ali, o espa\u00e7o p\u00fablico n\u00e3o \u00e9 um mero lugar de tr\u00e2nsito, mas uma extens\u00e3o do pr\u00f3prio lar, um lugar para gerar v\u00ednculos com os vizinhos. Como s\u00e3o belas as cidades que superam a desconfian\u00e7a doentia e integram os diferentes e que fazem dessa integra\u00e7\u00e3o um novo fator de desenvolvimento. Como s\u00e3o lindas as cidades que, ainda no seu desenho arquitet\u00f4nico, est\u00e3o cheias de espa\u00e7os que conectam, relacionam, favorecem o reconhecimento do outro.<\/em><\/p>\n<p><em>Por isso, nem erradica\u00e7\u00e3o, nem marginaliza\u00e7\u00e3o: \u00e9 preciso seguir na linha da integra\u00e7\u00e3o urbana. Essa palavra deve substituir completamente a palavra erradica\u00e7\u00e3o, desde j\u00e1, mas tamb\u00e9m esses projetos que pretendem envernizar os bairros populares, ajeitar as periferias e maquiar as feridas sociais, em vez de cur\u00e1-las, promovendo uma integra\u00e7\u00e3o aut\u00eantica e respeitosa. \u00c9 uma esp\u00e9cie de direito arquitetura de maquiagem, n\u00e3o? E vai por esse lado. Sigamos trabalhando para que todas as fam\u00edlias tenham uma moradia e para que todos os bairros tenham uma infraestrutura adequada (esgoto, luz, g\u00e1s, asfalto e continuo: escolas, hospitais ou salas de primeiros socorros, clube de esportes e todas as coisas que criam v\u00ednculos e que unem, acesso \u00e0 sa\u00fade \u2013 j\u00e1 disse \u2013 e \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e \u00e0 seguran\u00e7a.<\/em><\/p>\n<p><em><strong>Terceiro, trabalho<\/strong>. N\u00e3o existe pior pobreza material \u2013 urge-me enfatizar isto \u2013, n\u00e3o existe pior pobreza material do que a que n\u00e3o permite ganhar o p\u00e3o e priva da dignidade do trabalho. O desemprego juvenil, a informalidade e a falta de direitos trabalhistas n\u00e3o s\u00e3o inevit\u00e1veis, s\u00e3o o resultado de uma pr\u00e9via op\u00e7\u00e3o social, de um sistema econ\u00f4mico que coloca os lucros acima do homem, se o lucro \u00e9 econ\u00f4mico, sobre a humanidade ou sobre o homem, s\u00e3o efeitos de uma cultura do descarte que considera o ser humano em si mesmo como um bem de consumo, que pode ser usado e depois jogado fora.<\/em><\/p>\n<p><em>Hoje, ao fen\u00f4meno da explora\u00e7\u00e3o e da opress\u00e3o, soma-se uma nova dimens\u00e3o, um matiz gr\u00e1fico e duro da injusti\u00e7a social; os que n\u00e3o podem ser integrados, os exclu\u00eddos s\u00e3o res\u00edduos, &#8220;sobrantes&#8221;. Essa \u00e9 a cultura do descarte, e sobre isso gostaria de ampliar algo que n\u00e3o tenho por escrito, mas que lembrei agora. Isso acontece quando, no centro de um sistema econ\u00f4mico, est\u00e1 o deus dinheiro e n\u00e3o o homem, a pessoa humana. Sim, no centro de todo sistema social ou econ\u00f4mico, tem que estar a pessoa, imagem de Deus, criada para que fosse o denominador do universo. Quando a pessoa \u00e9 deslocada e vem o deus dinheiro, acontecesse essa invers\u00e3o de valores.<\/em><\/p>\n<p><em>E, para explicitar, lembro um ensinamento de cerca do ano 1200. Um rabino judeu explicava aos seus fi\u00e9is a hist\u00f3ria da torre de Babel e, ent\u00e3o, contava como, para construir essa torre de Babel, era preciso fazer muito esfor\u00e7o, era preciso fazer os tijolos; para fazer os tijolos, era preciso fazer o barro e trazer a palha, e amassar o barro com a palha; depois, cort\u00e1-lo em quadrados; depois, sec\u00e1-lo; depois, cozinh\u00e1-lo; e, quando j\u00e1 estavam cozidos e frios, subi-los, para ir construindo a torre.<\/em><\/p>\n<p><em>Se um tijolo ca\u00eda \u2013 o tijolo era muito caro \u2013, com todo esse trabalho, se um tijolo ca\u00eda, era quase uma trag\u00e9dia nacional. Aquele que o deixara cair era castigado ou suspenso, ou n\u00e3o sei o que lhe faziam. E se um oper\u00e1rio ca\u00eda n\u00e3o acontecia nada. Isso \u00e9 quando a pessoa est\u00e1 a servi\u00e7o do deus dinheiro, e isso era contado por um rabino judeu no ano 1200, explicando essas coisas horr\u00edveis.<\/em><\/p>\n<p><em>E, a respeito do descarte, tamb\u00e9m temos que estar um pouco atentos ao que acontece na nossa sociedade. Estou repetindo coisas que disse e que est\u00e3o na Evangelii gaudium. Hoje em dia, descartam-se as crian\u00e7as porque a taxa de natalidade em muitos pa\u00edses da terra diminuiu, ou se descartam as crian\u00e7as porque n\u00e3o se ter alimenta\u00e7\u00e3o, ou porque s\u00e3o mortas antes de nascerem, descarte de crian\u00e7as.<\/em><\/p>\n<p><em>Descartam-se os idosos, porque, bom, n\u00e3o servem, n\u00e3o produzem. Nem crian\u00e7as nem idosos produzem. Ent\u00e3o, sistemas mais ou menos sofisticados v\u00e3o os abandonando lentamente. E agora como \u00e9 necess\u00e1rio, nesta crise, recuperar um certo equil\u00edbrio. Estamos assistindo a um terceiro descarte muito doloroso, o descarte dos jovens. Milh\u00f5es de jovens. Eu n\u00e3o quero dizer o dado, porque n\u00e3o o sei exatamente, e a que eu li parece um pouco exagerado, mas milh\u00f5es de jovens descartados do trabalho, desempregados.<\/em><\/p>\n<p><em>Nos pa\u00edses da Europa \u2013 e estas s\u00e3o estat\u00edsticas muito claras \u2013, aqui na It\u00e1lia, passou um pouquinho dos 40% de jovens desempregados. Sabem o que significa 40% de jovens? Toda uma gera\u00e7\u00e3o, anular toda uma gera\u00e7\u00e3o para manter o equil\u00edbrio. Em outro pa\u00eds da Europa, est\u00e1 passando os 50% e, nesse mesmo pa\u00eds dos 50%, no sul s\u00e3o 60%. S\u00e3o dados claros, ou seja, do descarte. Descarte de crian\u00e7as, descarte de idosos, que n\u00e3o produzem, e temos que sacrificar uma gera\u00e7\u00e3o de jovens, descarte de jovens, para poder manter e reequilibrar um sistema em cujo centro est\u00e1 o deus dinheiro, e n\u00e3o a pessoa humana.<\/em><\/p>\n<p><em>Apesar disso, a essa cultura de descarte, a essa cultura dos sobrantes, muitos de voc\u00eas, trabalhadores exclu\u00eddos, sobrantes para esse sistema, foram inventando o seu pr\u00f3prio trabalho com tudo aquilo que parecia n\u00e3o poder dar mais de si mesmo&#8230; mas voc\u00eas, com a sua artesanalidade que Deus lhes deu, com a sua busca, com a sua solidariedade, com o seu trabalho comunit\u00e1rio, com a sua economia popular, conseguiram e est\u00e3o conseguindo&#8230; E, deixem-me dizer isto, isso, al\u00e9m de trabalho, \u00e9 poesia. Obrigado.<\/em><\/p>\n<p><em>Desde j\u00e1, todo trabalhador, esteja ou n\u00e3o no sistema formal do trabalho assalariado, tem direito a uma remunera\u00e7\u00e3o digna, \u00e0 seguran\u00e7a social e a uma cobertura de aposentadoria. Aqui h\u00e1 papeleiros, recicladores, vendedores ambulantes, costureiros, artes\u00e3os, pescadores, camponeses, construtores, mineiros, oper\u00e1rios de empresas recuperadas, todos os tipos de cooperativados e trabalhadores de of\u00edcios populares que est\u00e3o exclu\u00eddos dos direitos trabalhistas, aos quais \u00e9 negada a possibilidade de se sindicalizar, que n\u00e3o t\u00eam uma renda adequada e est\u00e1vel. Hoje, quero unir a minha voz \u00e0 sua e acompanh\u00e1-los na sua luta.<\/em><\/p>\n<p><em>Neste encontro, tamb\u00e9m falaram da Paz e da Ecologia. \u00c9 l\u00f3gico: n\u00e3o pode haver terra, n\u00e3o pode haver teto, n\u00e3o pode haver trabalho se n\u00e3o temos paz e se destru\u00edmos o planeta. S\u00e3o temas t\u00e3o importantes que os Povos e suas organiza\u00e7\u00f5es de base n\u00e3o podem deixar de debater. N\u00e3o podem deixar s\u00f3 nas m\u00e3os dos dirigentes pol\u00edticos. Todos os povos da terra, todos os homens e mulheres de boa vontade t\u00eam que levantar a voz em defesa desses dois dons preciosos: a paz e a natureza. A irm\u00e3 m\u00e3e Terra, como chamava S\u00e3o Francisco de Assis.<\/em><\/p>\n<p><em>H\u00e1 pouco tempo, eu disse, e repito, que estamos vivendo a terceira guerra mundial, mas em cotas. H\u00e1 sistemas econ\u00f4micos que, para sobreviver, devem fazer a guerra. Ent\u00e3o, fabricam e vendem armas e, com isso, os balan\u00e7os das economia que sacrificam o homem aos p\u00e9s do \u00eddolo do dinheiro, obviamente, ficam saneados. E n\u00e3o se pensa nas crian\u00e7as famintas nos campos de refugiados, n\u00e3o se pensa nos deslocamentos for\u00e7ados, n\u00e3o se pensa nas moradias destru\u00eddas, n\u00e3o se pensa, desde j\u00e1, em tantas vidas ceifadas. Quanto sofrimento, quanta destrui\u00e7\u00e3o, quanta dor. Hoje, queridos irm\u00e3os e irm\u00e3s, se levanta em todas as partes da terra, em todos os povos, em cada cora\u00e7\u00e3o e nos movimentos populares, o grito da paz: nunca mais a guerra!<\/em><\/p>\n<p><em>Um sistema econ\u00f4mico centrado no deus dinheiro tamb\u00e9m precisa saquear a natureza, saquear a natureza, para sustentar o ritmo fren\u00e9tico de consumo que lhe \u00e9 inerente. As mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, a perda da biodiversidade, o desmatamento j\u00e1 est\u00e3o mostrando seus efeitos devastadores nos grandes cataclismos que vemos, e os que mais sofrem s\u00e3o voc\u00eas, os humildes, os que vivem perto das costas em moradias prec\u00e1rias, ou que s\u00e3o t\u00e3o vulner\u00e1veis economicamente que, diante de um desastre natural, perdem tudo.<\/em><\/p>\n<p><em>Irm\u00e3os e irm\u00e3s, a cria\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uma propriedade da qual podemos dispor ao nosso gosto; muito menos \u00e9 uma propriedade s\u00f3 de alguns, de poucos: a cria\u00e7\u00e3o \u00e9 um dom, \u00e9 um presente, um dom maravilhoso que Deus nos deu para que cuidemos dele e o utilizemos em benef\u00edcio de todos, sempre com respeito e gratid\u00e3o. Talvez voc\u00eas saibam que eu estou preparando uma enc\u00edclica sobre Ecologia: tenham a certeza de que as suas preocupa\u00e7\u00f5es estar\u00e3o presentes nela. Agrade\u00e7o-lhes, aproveito para lhes agradecer, pela carta que os integrantes da Via Campesina, da Federa\u00e7\u00e3o dos Papeleiros e tantos outros irm\u00e3os me fizeram chegar sobre o assunto.<\/em><\/p>\n<p><em>Falamos da terra, de trabalho, de teto&#8230; falamos de trabalhar pela paz e cuidar da natureza&#8230; Mas por que, em vez disso, nos acostumamos a ver como se destr\u00f3i o trabalho digno, se despejam tantas fam\u00edlias, se expulsam os camponeses, se faz a guerra e se abusa da natureza? Porque, nesse sistema, tirou-se o homem, a pessoa humana, do centro, e substituiu-se por outra coisa. Porque se presta um culto id\u00f3latra ao dinheiro. Porque se globalizou a indiferen\u00e7a! Se globalizou a indiferen\u00e7a. O que me importa o que acontece com os outros, desde que eu defenda o que \u00e9 meu? Porque o mundo se esqueceu de Deus, que \u00e9 Pai; tornou-se um \u00f3rf\u00e3o, porque deixou Deus de lado.<\/em><\/p>\n<p><em>Alguns de voc\u00eas expressaram: esse sistema n\u00e3o se aguenta mais. Temos que mud\u00e1-lo, temos que voltar a levar a dignidade humana para o centro, e que, sobre esse pilar, se construam as estruturas sociais alternativas de que precisamos. \u00c9 preciso fazer isso com coragem, mas tamb\u00e9m com intelig\u00eancia. Com tenacidade, mas sem fanatismo. Com paix\u00e3o, mas sem viol\u00eancia. E entre todos, enfrentando os conflitos sem ficar presos neles, buscando sempre resolver as tens\u00f5es para alcan\u00e7ar um plano superior de unidade, de paz e de justi\u00e7a.<\/em><\/p>\n<p><em>Os crist\u00e3os t\u00eam algo muito lindo, um guia de a\u00e7\u00e3o, um programa, poder\u00edamos dizer, revolucion\u00e1rio. Recomendo-lhes vivamente que o leiam, que leiam as Bem-aventuran\u00e7as que est\u00e3o no cap\u00edtulo 5 de S\u00e3o Mateus e 6 de S\u00e3o Lucas (cfr. Mt 5, 3; e Lc 6, 20) e que leiam a passagem de Mateus 25. Eu disse isso aos jovens no Rio de Janeiro. Com essas duas coisas, voc\u00eas t\u00eam o programa de a\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p><em>Sei que entre voc\u00eas h\u00e1 pessoas de distintas religi\u00f5es, of\u00edcios, ideias, culturas, pa\u00edses, continentes. Hoje, est\u00e3o praticando aqui a cultura do encontro, t\u00e3o diferente da xenofobia, da discrimina\u00e7\u00e3o e da intoler\u00e2ncia que vemos tantas vezes. Entre os exclu\u00eddos, d\u00e1-se esse encontro de culturas em que o conjunto n\u00e3o anula a particularidade, o conjunto n\u00e3o anula a particularidade. Por isso eu gosto da imagem do poliedro, uma figura geom\u00e9trica com muitas caras distintas. O poliedro reflete a conflu\u00eancia de todas as particularidades que, nele, conservam a originalidade. Nada se dissolve, nada se destr\u00f3i, nada se domina, tudo se integra, tudo se integra. Hoje, voc\u00eas tamb\u00e9m est\u00e3o buscando essa s\u00edntese entre o local e o global. Sei que trabalham dia ap\u00f3s dia no pr\u00f3ximo, no concreto, no seu territ\u00f3rio, seu bairro, seu lugar de trabalho: convido-os tamb\u00e9m a continuarem buscando essa perspectiva mais ampla, que nossos sonhos voem alto e abranjam tudo.<\/em><\/p>\n<p><em>Assim, parece-me importante essa proposta que alguns me compartilharam de que esses movimentos, essas experi\u00eancias de solidariedade que crescem a partir de baixo, a partir do subsolo do planeta, confluam, estejam mais coordenadas, v\u00e3o se encontrando, como voc\u00eas fizeram nestes dias. Aten\u00e7\u00e3o, nunca \u00e9 bom espartilhar o movimento em estruturas r\u00edgidas. Por isso, eu disse encontra-se. Tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 bom tentar absorv\u00ea-lo, dirigi-lo ou domin\u00e1-lo; movimentos livres t\u00eam a sua din\u00e2mica pr\u00f3pria, mas, sim, devemos tentar caminhar juntos. Estamos neste sal\u00e3o, que \u00e9 o sal\u00e3o do S\u00ednodo velho. Agora h\u00e1 um novo. E s\u00ednodo significa precisamente &#8220;caminhar juntos&#8221;: que esse seja um s\u00edmbolo do processo que voc\u00eas come\u00e7aram e est\u00e3o levando adiante.<\/em><\/p>\n<p><em>Os movimentos populares expressam a necessidade urgente de revitalizar as nossas democracias, tantas vezes sequestradas por in\u00fameros fatores. \u00c9 imposs\u00edvel imaginar um futuro para a sociedade sem a participa\u00e7\u00e3o protag\u00f4nica das grandes maiorias, e esse protagonismo excede os procedimentos l\u00f3gicos da democracia formal. A perspectiva de um mundo da paz e da justi\u00e7a duradouras nos exige superar o assistencialismo paternalista, nos exige criar novas formas de participa\u00e7\u00e3o que inclua os movimentos populares e anime as estruturas de governo locais, nacionais e internacionais com essa torrente de energia moral que surge da incorpora\u00e7\u00e3o dos exclu\u00eddos na constru\u00e7\u00e3o do destino comum. E isso com \u00e2nimo construtivo, sem ressentimento, com amor.<\/em><\/p>\n<p><em>Eu os acompanho de cora\u00e7\u00e3o nesse caminho. Digamos juntos com o cora\u00e7\u00e3o: nenhuma fam\u00edlia sem moradia, nenhum agricultor sem terra, nenhum trabalhador sem direitos, nenhuma pessoa sem a dignidade que o trabalho d\u00e1.<\/em><\/p>\n<p><em>Queridos irm\u00e3os e irm\u00e3s: sigam com a sua luta, fazem bem a todos n\u00f3s. \u00c9 como uma b\u00ean\u00e7\u00e3o de humanidade. Deixo-lhes de recorda\u00e7\u00e3o, de presente e com a minha b\u00ean\u00e7\u00e3o, alguns ros\u00e1rios que foram fabricados por artes\u00e3os, papeleiros e trabalhadores da economia popular da Am\u00e9rica Latina.<\/em><\/p>\n<p><em>E nesse acompanhamento eu rezo por voc\u00eas, rezo com voc\u00eas e quero pedir ao nosso Pai Deus que os acompanhe e os aben\u00e7oe, que os encha com o seu amor e os acompanhe no caminho, dando-lhes abundantemente essa for\u00e7a que nos mant\u00e9m de p\u00e9: essa for\u00e7a \u00e9 a esperan\u00e7a, a esperan\u00e7a que n\u00e3o desilude. Obrigado.<\/em><\/p>\n<p>Leia a \u00edntegra da <a title=\"Declara\u00e7\u00e3o Final do Encontro Mundial dos Movimentos Populares\" href=\"http:\/\/www.oarcanjo.net\/site\/wp-content\/uploads\/Declaracao-Final-do-Encontro-Mundial-dos-Movimentos-Populares.pdf\" target=\"_blank\">Declara\u00e7\u00e3o Final do Encontro Mundial dos Movimentos Populares<\/a>.<\/p>\n<div id=\"themify_builder_content-53493\" data-postid=\"53493\" class=\"themify_builder_content themify_builder_content-53493 themify_builder themify_builder_front\">\n\t<\/div>\n<!-- \/themify_builder_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Confira a \u00edntegra do discurso do Papa na abertura do Encontro Mundial dos Movimentos Populares<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":53504,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[8,280],"tags":[1206,414,373,995,1696,2433,3145,626],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v23.5 - 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