
{"id":57601,"date":"2014-12-28T09:00:35","date_gmt":"2014-12-28T11:00:35","guid":{"rendered":"http:\/\/www.oarcanjo.net\/site\/?p=57601"},"modified":"2014-12-24T17:35:33","modified_gmt":"2014-12-24T19:35:33","slug":"meu-amigo-decidiu-ficar-cego","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.oarcanjo.net\/site\/meu-amigo-decidiu-ficar-cego\/","title":{"rendered":"Meu amigo decidiu ficar cego"},"content":{"rendered":"<p>Fernando Altemeyer Jr.<\/p>\n<p>Um belo dia, eu descubro que um amigo de inf\u00e2ncia, muito querido e inteligente, decidiu ficar cego. Fiquei pasmo e atordoado. A vida inteira soube que cegos querem ver e que gente inteligente quer o mais e o melhor, mas ao encontrar e ouvir este amigo percebo que, de fato, decidiu cegar-se e que o processo patol\u00f3gico da perda da vis\u00e3o j\u00e1 havia avan\u00e7ado muito. Ele quase n\u00e3o v\u00ea mais ningu\u00e9m. Percebi que est\u00e1 sofrendo e traz marcas na alma. Suas palavras s\u00e3o cada vez mais insensatas e amargas. Ele est\u00e1 se isolando no c\u00edrculo vicioso que o sufoca e anestesia, sem perceber que piora a cada dia. Tornou-se uma pessoa obcecada e arrogante. Como lembrou o padre de Henri de Lubac (1896-1991): \u201cQuanto mais espessa \u00e9 a ignor\u00e2ncia mais se cr\u00ea possuidora da verdade (Paradojas seguido de nuevas paradojas, Madrid: PPC, 1989, p. 73)\u201d.<\/p>\n<p>Porque tomou esta decis\u00e3o inumana e retr\u00f3grada? Como algu\u00e9m t\u00e3o brilhante e promissor come\u00e7a a agir, pensar e viver de modo t\u00e3o fundamentalista? Fui ler dois pensadores contempor\u00e2neos essenciais: Zigmunt Bauman e Le\u00f4nidas Donskis. Ambos mostram que a doen\u00e7a oftalmol\u00f3gica de meu amigo atinge dezenas de pessoas no Ocidente em todas as classes sociais. Tornou-se nova epidemia: uma cegueira moral assumida e desejada. Eis o que eles dizem: \u201cEssa \u00e9 a cegueira moral \u2013 voluntariamente escolhida e imposta ou aceita com resigna\u00e7\u00e3o \u2013 de uma \u00e9poca que, mais que qualquer outra coisa, necessita de rapidez e acuidade na compreens\u00e3o e no sentimento. Para que possamos recuperar nossa sagacidade em tempos sombrios, \u00e9 preciso devolver a dignidade \u00e0 multid\u00e3o de extras, ao individuo estat\u00edstico, \u00e0s unidades estat\u00edsticas, \u00e0 massa, ao eleitorado, ao homem da esquina e ao querido povo \u2013 ou seja \u2013 todos aqueles conceitos ilus\u00f3rios constru\u00eddos por tecnocratas que se apresentam como democratas propagandeando a no\u00e7\u00e3o de que sabemos tudo que h\u00e1 para saber sobre as pessoas e suas necessidades, e que todos esses dados s\u00e3o apontados com exatid\u00e3o e totalmente explicados pelo mercado, pelo Estado, pelas pesquisas sociol\u00f3gicas, pelas avalia\u00e7\u00f5es e por qualquer outra coisa que transforma as pessoas em an\u00f4nimos globais (BAUMAN, Zigmunt; DONSKIS, Le\u00f4nidas. Cegueira moral, Rio de Janeiro: Zahar, 2014, p. 18-19).\u201d<\/p>\n<p>Cheguei ao diagn\u00f3stico: o meu querido amigo foi t\u00e3o manipulado pela m\u00eddia, pelo mercado totalit\u00e1rio e por grupos ideol\u00f3gicos que quis ser cego. Vive uma vida robotizada, conduzido por mecanismos invis\u00edveis e se tornou consumidor, submisso \u00e0s mercadorias ao perder a dignidade de sujeito livre e consciente. Houve um esquecimento deliberado do sofrimento dos outros, a perda de sensibilidade pela hipervalorizar\u00e3o da raz\u00e3o tecnol\u00f3gica. Deixou de ser cidad\u00e3o, pois agora professa o credo do deus-lucro. Para ele vale o que for \u00fatil para o seu culto individualista. Recusa e n\u00e3o quer saber das dores alheias e isto o tem conduzido \u00e0 supress\u00e3o simb\u00f3lica e afetiva de todos os que o incomodam. \u00c9 como se a vida se transformasse em um imenso ambiente de Facebook onde se inclui ou se exclui pessoas ao simples toque da tecla do computador. Amizades s\u00e3o feitas ou desfeitas em segundos e ao final n\u00e3o se tem nenhum amigo ou comunh\u00e3o real. Ao destituir os seres humanos de seus rostos e romper com as individualidades emergiu o medo. Brota uma intoler\u00e2ncia compuls\u00f3ria, que faz buscar com sofreguid\u00e3o o disfarce c\u00ednico da insensibilidade moral.<\/p>\n<p>Meu amigo assumiu um comportamento empedernido, desumano e insens\u00edvel pela firme decis\u00e3o de viver indiferente. N\u00e3o quer mais saber das dores dos outros. N\u00e3o quer ouvir hist\u00f3rias reais de dores e alegrias. Tornou-se um novo P\u00f4ncio Pilatos lavando suas m\u00e3os. Quer ficar acima do bem e do mal como um ser superior. Acabou marcado por grave normopatia (termo introduzido na psican\u00e1lise por Joyce McDougall para designar um tipo de paciente aparentemente bem adaptado e normal, diferentemente do neur\u00f3tico e psic\u00f3tico, mas cuja an\u00e1lise chegava a um impasse em raz\u00e3o de sua impossibilidade de mergulhar no mundo interno, exig\u00eancia b\u00e1sica para o trabalho anal\u00edtico). Virou um funcion\u00e1rio do sistema e reprodutor d\u00f3cil e assustadoramente normal. Faz tudo para que nada mude. Quer ser um funcion\u00e1rio padr\u00e3o que v\u00ea e n\u00e3o enxerga. Que olhe, mas n\u00e3o compreenda. Que fale e n\u00e3o explique. Repete como papagaio as frases impostas pela m\u00eddia e como na m\u00fasica de Luiz Gonzaga se fez um a\u00e7um-preto cego que canta bonito dentro de sua gaiola dourada. Perdeu a liberdade para viver a seguran\u00e7a. Sua melodia nunca ultrapassa 140 palavras. Tornou-se um homem-tuitado, como uma nova esp\u00e9cie humana que perde a capacidade de dizer o mundo de forma complexa e conflitiva. A insensibilidade gerou sua cegueira, a cegueira gerou a afasia que produz solid\u00e3o e um vazio existencial depressivo. Sem voltar a sentir, meu amigo p\u00f3s-humano foi afundando em seu pr\u00f3prio ego, repleto de coisas, mas sem sentimento e paix\u00e3o. Est\u00e1 conectado com o planeta via modem e internet, mas tem poucos amigos de carne e osso e uma \u00ednfima reflex\u00e3o cr\u00edtica. Decidiu ficar livre da dor, e em troca perdeu muito de sua humanidade.<\/p>\n<p>Este meu amigo para fugir do grande mal que o afligia, pretendeu exorcizar todos os dem\u00f4nios de nosso tempo, rompendo com os v\u00ednculos e a comunh\u00e3o essencial entre os humanos. S\u00f3 n\u00e3o percebeu que o mal assumiu a m\u00e1scara da fraqueza. E que a sedu\u00e7\u00e3o do mal n\u00e3o reside na for\u00e7a, mas na sua fr\u00e1gil invisibilidade. Ao banalizar o mal e impor o bem, ficou doente e insens\u00edvel. Assim, enquanto a economia vai sempre sofisticando, as pessoas e a \u00e9tica v\u00e3o adoecendo e perdendo espa\u00e7o. As coisas passam a ser desejadas e os seres humanos passam a ser descartados. Os objetos se tornam mais importantes que crian\u00e7as, \u00edndios, negros, mulheres, fam\u00edlias, comunidades. As pessoas e os amigos se tornam assustadoramente normais, sensatos e robotizados. Somos vistos por milh\u00f5es e at\u00e9 bilh\u00f5es de pessoas, mas n\u00e3o nos vemos e nem sabemos quem somos de verdade. \u00c9 como se a luz que vem de dentro se apagasse e assim n\u00f3s sofremos ainda mais ao nos afastar de toda a sensibilidade por uma cegueira assumida. Diz o monge beneditino Freeman: \u201cUma das grandes causas de tristeza e de sofrimento \u00e9 a nossa incapacidade de nos comunicarmos. Frequentemente, o que tentamos exprimir ou o pr\u00f3prio meio de express\u00e3o distorce o que sentimos ou o que queremos dizer. O que de fato nos bloqueia em rela\u00e7\u00e3o ao nosso verdadeiro eu? N\u00e3o \u00e9 resposta f\u00e1cil, por\u00e9m \u00e9 simples. Nada. N\u00e3o h\u00e1 nada entre n\u00f3s e nosso verdadeiro eu. N\u00e3o h\u00e1 nada mesmo, al\u00e9m da falsa ideia de que realmente existe algo. Esta falsa ideia \u00e9 aquilo que chamamos de ego. E o ego, que \u00e9 a causa de toda solid\u00e3o e isolamento, existe apena como ilus\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 realmente nada. O ego simplesmente distorce a percep\u00e7\u00e3o da realidade, \u00e9 falsa lente que emba\u00e7a a vis\u00e3o e provoca m\u00e1 interpreta\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a n\u00f3s mesmos e os outros por dupla vis\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1 nada entre nosso eu e n\u00f3s mesmos porque, obviamente, n\u00f3s somos o verdadeiro eu. A experi\u00eancia de viver nossa luz interior em unidade com a realidade da Luz Divina chama-se inspira\u00e7\u00e3o. Para concretiz\u00e1-la, temos que aprender a ser n\u00f3s mesmos, temos que nos libertar da ideia falsa e corrigir a vis\u00e3o emba\u00e7ada do ego. O ego \u00e9 um engano (FREEMAN, Laurence. A luz que vem de dentro \u2013 o caminho interior da medita\u00e7\u00e3o, S\u00e3o Paulo: Paulus, 1989, p. 109-110)\u201d.<\/p>\n<p>Os cegos morais passam a ser devotos do deus-consumo, bonecos mecanizados dos mercados, rejeitando a cidadania inata do ser humano para livrar-se da realidade e viver o mundo ficcional sem freios onde se realizem todos os desejos, como compradores e usu\u00e1rios. Cada loja de um Shopping Center ou aeroporto se transforma neste mundo consumista e hedonista em \u201cfarm\u00e1cia que fornece tranquilizantes e anest\u00e9sicos, neste caso, rem\u00e9dios que servem para aliviar ou amenizar dores morais, n\u00e3o f\u00edsicas (Cegueira moral, p. 181)\u201d. Zigmunt Bauman confirma tristemente que: \u201cComo a neglig\u00eancia moral est\u00e1 crescendo em alcance e intensidade, a demanda por analg\u00e9sicos aumenta cada vez mais, e o consumo de tranquilizantes morais se transforma em v\u00edcio. Por conseguinte, uma insensibilidade moral induzida e manipulada se torna uma compuls\u00e3o ou uma segunda natureza: uma condi\u00e7\u00e3o permanente e quase universal \u2013 e as dores morais s\u00e3o despidas de seu papel salutar de prevenir, alertar e mobilizar. Com as dores morais aliviadas antes de se tornarem verdadeiramente perturbadoras e preocupantes, a teia de v\u00ednculos humanos tecida com os fios da moral torna-se cada vez mais d\u00e9bil e fr\u00e1gil, vindo a descosturar-se (Cegueira moral, p. 181)\u201d.<\/p>\n<p>Assim o diagn\u00f3stico de meu amigo \u00e9 claro e triste. Ele faz parte da gera\u00e7\u00e3o que foi adestrada para ser c\u00ednica, insens\u00edvel e pragm\u00e1tica. Grandes temas ut\u00f3picos foram varridos para a lata do lixo. O que vale \u00e9 o consumo, a grife das roupas, o mostrar-se exteriormente e, sobretudo a solid\u00e3o e a depress\u00e3o precoces. Vive vida prec\u00e1ria sob o manto do infinito. Transformaram as coisas em divindades e percebem que isto \u00e9 vazio e sem sentido. Meu amigo foi cegado antes de decidir cegar-se. Ele n\u00e3o tem a menor ideia do que o futuro lhe reserva ou de onde ele est\u00e1 situado no presente. Perdeu o senso de hist\u00f3ria e de valores. A vida e os sentimentos parecem fazer parte de um v\u00eddeo game. E nele sempre pode aparecer um personagem fantasma a tirar nossa vida. E o \u2018game over\u2019 sempre est\u00e1 por um fio. E assim muitos se sentem pe\u00e7as descart\u00e1veis de um jogo. E aprendem a jogar por op\u00e7\u00e3o ou necessidade. E ao entrar neste mar bravio e feroz, descobrem que o oceano n\u00e3o tem cabelo e n\u00e3o h\u00e1 onde segurar-se. Come\u00e7a a faltar p\u00e9 e correntes subterr\u00e2neas mexem com nosso pensar e agir.<\/p>\n<p><strong>Transplante de c\u00f3rneas<\/strong><\/p>\n<p>Se meu amigo perguntasse o que acho de tudo isso e da triste decis\u00e3o de cegar-se, preciso encontrar palavras de supera\u00e7\u00e3o. Em primeiro lugar diria que \u00e9 preciso enfrentar o fatalismo do sistema e deixar o rei nu. N\u00e3o podemos aceitar as cartas viciadas deste jogo macabro sem quebrar regras t\u00e3o negativas. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil curar as cegueiras, e pior ainda, a cegueira moral assumida. Ser\u00e1 preciso vontade \u00e9tica e discernimento. N\u00e3o ser\u00e1 curado de uma vez. Ser\u00e1 um longo processo terap\u00eautico que envolver\u00e1 v\u00e1rias etapas, como aquele processo feito por Jesus junto ao cego de Betsaida (cf. Mc 8,22-26). Esse modo processual de curar muitas cegueiras urbanas me foi ensinado pelo padre J\u00falio Lancelotti, profeta nas ruas da cidade de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Em segundo lugar, direi ao amigo que \u00e9 preciso recuperar a dimens\u00e3o afetiva na profundidade e densidade originais. Deixar o cora\u00e7\u00e3o falar. N\u00e3o submeter-se aos caprichos e medos da raz\u00e3o tecnol\u00f3gica. O cora\u00e7\u00e3o tem raz\u00f5es que a pr\u00f3pria raz\u00e3o desconhece, disse Blaise Pascal. Isto significa que podemos reencontrar pela via do sentimento, da compaix\u00e3o e do cora\u00e7\u00e3o o caminho da vis\u00e3o e da contempla\u00e7\u00e3o. Este foi o caminho de alguns cegos feitos vision\u00e1rios. Pode-se recordar de Tir\u00e9sias, de Tebas. Ficara cego, pois vira a nudez da deusa Atenas banhando-se e por ela \u00e9 cegado como puni\u00e7\u00e3o. Para consolar a m\u00e3e, a ninfa Chariclo, a deusa grega purificar\u00e1 os ouvidos de Tir\u00e9sias de modo que este possa compreender a linguagem dos p\u00e1ssaros, e ainda com um bast\u00e3o, guiar-se melhor que quando via e ainda receber o dom da profecia. Sua cegueira se metamorfoseia em vid\u00eancia e clarivid\u00eancia. V\u00ea o que os outros nem imaginam existir. V\u00ea mesmo sem os olhos, pois tem ouvidos apurados, senso de futuro e, um olfato que sabe que h\u00e1 algu\u00e9m presente mesmo sem ver. Os quatro sentidos (ou portais) s\u00e3o hipertrofiados para compensar o portal perdido. Este modo valente e vision\u00e1rio de curar cegueiras aprendi do deputado Adriano Diogo, presidente da Comiss\u00e3o da Verdade, homem construtor da justi\u00e7a e da mem\u00f3ria verdadeira.<\/p>\n<p>Em terceiro lugar, \u00e9 preciso retomar uma disciplina moral que evite o que \u00e9 mau e tudo que se pare\u00e7a com o mal. Assim ensinava o Catecismo dos primeiros crist\u00e3os: \u201cMeu filho, n\u00e3o seja mentiroso, porque a mentira leva ao roubo. N\u00e3o seja \u00e1vido de dinheiro, nem cobice a fama, porque os roubos nascem de todas estas coisas. N\u00e3o se engrande\u00e7a a si mesmo, nem se entregue \u00e0 insol\u00eancia. N\u00e3o se junte com os grandes, mas converse com os justos e pobres (Didaqu\u00e9, S\u00e3o Paulo: Paulinas, 1989, p. 12-13)\u201d. A cegueira moral \u00e9 consequ\u00eancia de uma grande insensibilidade e orgulho. Ela \u00e9 fruto da ignor\u00e2ncia e neglig\u00eancia pessoais. Ser\u00e1 preciso aquecer cora\u00e7\u00f5es, e aplicar-se ao exerc\u00edcio do amor fraterno (1 Jo 2,11). Este modo de ver as pessoas sem orgulho, aprendi da irm\u00e3 vicentina Helena Maria Rodrigues, hoje atuando no Instituto de Cegos Padre Chico, no bairro do Ipiranga.<\/p>\n<p>Enfim, para sair deste redemoinho energ\u00e9tico que suga esperan\u00e7as e sonhos, \u00e9 preciso assumir\/reassumir valores existenciais. Para superar a neurose pessoal e pol\u00edtica ser\u00e1 preciso romper com o ego inflado, com o narcisismo doentio que vive do consumo voraz. \u00c9 preciso valorizar o simples, o austero como ensina o l\u00edder tibetano Dalai Lama: \u201cSiga os tr\u00eas erres: respeito por si mesmo; respeito pelos outros; responsabilidade por todas as suas a\u00e7\u00f5es\u201d. Ser\u00e1 preciso sair da ilha e lan\u00e7ar-se ao mar, assumindo os riscos da travessia humana, um n\u00e1ufrago pelo outro (FORTE, Bruno. Um pelo outro, S\u00e3o Paulo: Paulinas, 2006). Abrir-se ao bra\u00e7o estendido dos amigos para curtir um afago, sem pre\u00e7o, sem qualquer utilidade que n\u00e3o fosse a da pura gratuidade. \u00c9 preciso ser criativo, e permitir-se o toque da compaix\u00e3o. Ningu\u00e9m pode ser guia de cegos, se permanece cego (Mt 23,24). O suborno cega e tira a nossa perspic\u00e1cia (Ex 23,8). Restaurar a vista aos cegos est\u00e1 no n\u00facleo da mensagem de Jesus (Lc 4,18 e Lc 7,22). Para voltar a ser um amigo sadio, feliz, prudente e discreto ser\u00e1 preciso fazer um \u201ctransplante de c\u00f3rneas\u201d! Ver com outros olhos. Conhecer a vida de outra maneira e com outra m\u00e9trica. Como diziam os padres da igreja: \u00e9 preciso fazer que o melhor seja a justa medida de nossa decis\u00e3o moral e vital. E isto s\u00f3 pode ser feito em comunidade de amigos e irm\u00e3os. Ela pode ser o lugar b\u00e1sico para fazer surgir um novo olhar que supera a cegueira e a solid\u00e3o.<\/p>\n<p>Jesus nos d\u00e1 uma bela li\u00e7\u00e3o em sua vida p\u00fablica quando participa de uma ceia e nela ele faz alguns cegos morais mudarem seu preconceito. Assim consta do delicado relato do Evangelho de Lucas no cap\u00edtulo 7. Jesus \u00e9 convidado por um fariseu de nome Sim\u00e3o para cear com ele e seus convidados solenes. De forma imprevista surge na cena uma mulher reconhecida na cidade como pecadora. Ela entra sem convite, e em lugar de comer, fica beijando os p\u00e9s de Jesus com l\u00e1grimas, perfume e amor (MONTES, Fernando. As perguntas de Jesus, S\u00e3o Paulo: Loyola, 2005). O anfitri\u00e3o desdenha de Jesus, pois seu olhar estava contaminado por preconceitos e \u00f3dio. Sim\u00e3o era um cego moral como tantos no mundo da religi\u00e3o. Jesus interrompe a ceia e faz a pergunta radical: \u201cSim\u00e3o, v\u00eas esta mulher? (Lc 7,44)\u201d. Na resposta dada a Jesus est\u00e1 o necess\u00e1rio transplante de c\u00f3rneas. Ao dar a boa resposta nasce a vis\u00e3o transparente e evang\u00e9lica. Um novo olhar n\u00edtido e cristalino. Uma perspectiva nova a ser assumida. Ver com o olhar de Deus que \u00e9 o olhar da compaix\u00e3o. Ver como somos vistos por Deus. Jesus v\u00ea o humano para al\u00e9m das apar\u00eancias, op\u00e7\u00f5es sexuais, sociais e de classe. V\u00ea a ternura e a piedade. V\u00ea o amor. V\u00ea a dor e sente o toque fr\u00e1gil de quem clama por amor. Jesus v\u00ea como se entrela\u00e7am a fraqueza e o amor. Ser\u00e1 perdoado aquele que ama muito e amado quem perdoa muito. Jesus nos convida a higienizar pupilas e c\u00f3rneas. Jesus oferece o seu col\u00edrio e pede uma ades\u00e3o personalizada. Quando enxergarmos com o cora\u00e7\u00e3o, emergir\u00e1 a vis\u00e3o penetrante dos mist\u00e9rios humanos e divinos.<\/p>\n<p><em><span class=\"_5yl5\" data-reactid=\".4l.$mid=11419449200065=2e053d5815aed707200.2:0.0.0.0.0\"><span data-reactid=\".4l.$mid=11419449200065=2e053d5815aed707200.2:0.0.0.0.0.0\"><span data-reactid=\".4l.$mid=11419449200065=2e053d5815aed707200.2:0.0.0.0.0.0.$end:0:$0:0\">Publicado na revista O Mensageiro de Santo Antonio, edi\u00e7\u00e3o de dezembro de 2014.<\/span><\/span><\/span><\/em><\/p>\n<div id=\"themify_builder_content-57601\" data-postid=\"57601\" class=\"themify_builder_content themify_builder_content-57601 themify_builder themify_builder_front\">\n\t<\/div>\n<!-- \/themify_builder_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Artigo do te\u00f3logo Fernando Altemeyer Jr. sobre um amigo de inf\u00e2ncia, muito querido e inteligente, que decidiu ficar cego&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v23.5 - 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