
{"id":5804,"date":"2009-10-24T09:08:52","date_gmt":"2009-10-24T12:08:52","guid":{"rendered":"http:\/\/www.oarcanjo.net\/site\/?p=5804"},"modified":"2009-10-24T09:08:52","modified_gmt":"2009-10-24T12:08:52","slug":"na-globalizacao-onde-fica-o-livre-arbitrio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.oarcanjo.net\/site\/na-globalizacao-onde-fica-o-livre-arbitrio\/","title":{"rendered":"Na globaliza\u00e7\u00e3o, onde fica o livre arb\u00edtrio?"},"content":{"rendered":"<p>Ant\u00f4nio Mesquita Galv\u00e3o<\/p>\n<p>&#8220;A liberdade \u00e9 o dom\u00ednio de n\u00f3s mesmos<br \/>\ne da natureza, baseado na consci\u00eancia das necessidades&#8221;<br \/>\n(F. W. Engels)<\/p>\n<p>H\u00e1 algum tempo fui convidado para promover um wokshop, em uma universidade do interior do Paran\u00e1 sobre uma dial\u00e9tica que os alunos propuseram: globaliza\u00e7\u00e3o e livre-arb\u00edtrio. Recordo que comecei a jornada, que teve dura\u00e7\u00e3o de cinco dias, (40 horas) com a quest\u00e3o: o que \u00e9 ser livre? Debater a liberdade, ou a falta dela, tamb\u00e9m \u00e9 uma forma de praticar a espiritualidade.<\/p>\n<p>Acostumados com livros de hist\u00f3ria, ci\u00eancia pol\u00edtica, sociologia e outras ci\u00eancias sociais, a gente sempre se acostumou a ver os autores, nos cap\u00edtulos finais de suas obras, ou no encerramento de suas confer\u00eancias, encaminhar tudo para um happy-end, conduzindo o assunto para um mel\u00edfluo e enganador gran-finale, todo pintado com as cores r\u00f3seas da utopia alienada de quem n\u00e3o quer que nada mude. Afinal, a manten\u00e7a do status quo interessa a muita gente&#8230;<\/p>\n<p>Eu creio que tentar mascarar as coisas, seria desonesto de minha parte, e contr\u00e1rio a todos os princ\u00edpios de \u00e9tica que postulo e anuncio. Fruto dos \u00faltimos estertores da ditadura e da desorienta\u00e7\u00e3o das d\u00e9cadas perdidas (80 e 90), o neoliberalismo, por &#8220;direita&#8221;, sempre lutou para que as mudan\u00e7as n\u00e3o ocorram, que as reformas n\u00e3o saiam do papel (e do discurso deles mesmos).<\/p>\n<p><strong>Onde est\u00e1 o Esp\u00edrito de Deus ali h\u00e1 liberdade (2Cor 3,17)<\/strong><\/p>\n<p>Sobra-nos alguma utopia ou apenas o amargo da decep\u00e7\u00e3o da perda de todos os paradigmas? Suspeita-se que o novo s\u00e9culo nos trouxe, com a radicaliza\u00e7\u00e3o da globaliza\u00e7\u00e3o, como que um bloqueio, cada vez maior, de nossa capacidade de decidir. A doutrina globalizante tem por escopo bloquear o senso cr\u00edtico, a partir do ensino dirigido \u00e0 juventude. A mudan\u00e7a do quadro sociopol\u00edtico, o retorno \u00e0s origens de bem e de \u00e9tica, s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel atrav\u00e9s de um profundo, s\u00e9rio e comprometido &#8220;contrato social&#8221;, em que todos tenham a capacidade de pensar. \u00c9 o que afirma o jurista Tarso Genro (hoje ministro da Justi\u00e7a), em sua obra &#8220;O futuro por armar&#8221;. Ed. Vozes 1999:<\/p>\n<p>H\u00e1 a necessidade e a possibilidade de se adotar um novo tipo de contrato social. Um contrato que tenha como pressuposto que o Estado atual e a nossa representa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica tradicional s\u00e3o insuficientes para mediar as novas conflitividades que emergem da globaliza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e dos par\u00e2metros produtivos, origin\u00e1rios da terceira revolu\u00e7\u00e3o cient\u00edfico-tecnol\u00f3gica. H\u00e1 200 anos n\u00e3o criamos novas institui\u00e7\u00f5es, n\u00e3o obstante as mudan\u00e7as profundas que se operaram neste per\u00edodo.<\/p>\n<p>A liberdade do ser humano, \u00e9 lament\u00e1vel consignar, est\u00e1 delimitada pelos interesses do mercado. Na verdade, n\u00e3o temos liberdade absoluta, pois a grande m\u00eddia, a servi\u00e7o do poder mercantil, atrela nossas necessidades, b\u00e1sicas ou secund\u00e1rias, a situa\u00e7\u00f5es de consumo. Liberdade, livre-iniciativa, livre-arb\u00edtrio \u00e9 aquele direito natural que a pessoa tem para agir, escolher, decidir o que \u00e9 melhor para si, para sua vida. \u00c9 preciso, uma vez que a globaliza\u00e7\u00e3o neoliberal se organizou para sufoc\u00e1-lo de vez, que se resgate esse direito de ser livre, arremetendo, com o apoio da cr\u00edtica, contra todas as formas de liberalismo que andam por a\u00ed, sejam elas morais, ideol\u00f3gicas, econ\u00f4micas, oficiais. H\u00e1 que se insurgir contra a idolatria do mercado, contra os efeitos alienantes da m\u00eddia, denunciando, pressionando os patrocinadores, estabelecendo boicotes, deixando de comprar este ou aquele produto. \u00c9 preciso sublevar-se &#8211; sobretudo &#8211; contra os efeitos da pol\u00edtica internacionalizante, que j\u00e1 tirou nossa aposentadoria, sa\u00fade e outros direitos. Se deixamos assim como est\u00e1, logo vamos perder o teto, o p\u00e3o, a vida.<\/p>\n<p><strong>Foi para a liberdade que Cristo nos resgatou (Gl 5,1).<\/strong><\/p>\n<p>Segundo os postulados neoliberais (leia-se o ide\u00e1rio de Von Hayek), muitas (ou a maioria) das tarefas da sociedade (e a\u00ed se relacionam economia, pol\u00edtica, etc.) devem ter sua solu\u00e7\u00f5es &#8220;confiadas&#8221; a peritos, fora da chamada esfera democr\u00e1tica. Utilitaristas como poucos, os neoliberais acreditaram que a democracia s\u00f3 seria boa quando favorecesse a m\u00e1quina do livre-mercado. Democracia do &#8220;poder vindo do povo e em seu nome sendo exercido&#8221; \u00e9 &#8211; para &#8220;eles&#8221;, os capitalistas &#8211; uma balela.<\/p>\n<p>E a liberdade? &#8220;Ora &#8211; dizem os novos senhores feudais do s\u00e9culo XXI &#8211; isto \u00e9 bobagem! Para qu\u00ea o povo quer liberdade? Primeiro n\u00e3o sabe us\u00e1-la, e depois tem quem se preocupe com isso e mostre o caminho. Haja vista que alguns, medianamente livres, conduzem mal suas vidas, enchendo-se de filhos, d\u00edvidas, m\u00e1s companhias&#8221;. \u00c9 disto que &#8220;eles&#8221; acusam o povo. Embora se confessem amantes da democracia, os capitalistas (neo)liberais se revelam, na pr\u00e1tica, muito pouco afeitos a essa prerrogativa pol\u00edtica. A l\u00f3gica intr\u00ednseca da democracia (o poder \u00e9 de todos) os incomoda, pois preconiza a reparti\u00e7\u00e3o do poder deles (endinheirados) com os outros (p\u00e9s-de-chinelo).<\/p>\n<p>Para o dono do capital, conforme o axioma geral de J. S. Mill (\u2020 1873), a maioria deve ser governada pelos cultos, inteligentes e donos do capital. Isto est\u00e1 escrito em sua obra &#8220;Sobre a liberdade&#8221;, (Londres, 1859). No mesmo rastro, Von Hayek v\u00ea uma contradi\u00e7\u00e3o no Estado (que segundo ele deve ser limitado), conceder poderes ilimitados (democracia) \u00e0 turba.<\/p>\n<p>Mas a quest\u00e3o inicial retorna teimosa: o que \u00e9 ser livre? Ser livre \u00e9 exercer todos os direitos humanos. Pois a liberdade, depois da vida \u00e9 o direito mais fundamental da pessoa. At\u00e9 o constitucional ir-e-vir escora-se no ser livre. Ser livre, axiologicamente, \u00e9 fazer tudo o que \u00e9 bom para n\u00f3s. Ou, fazer tudo o que se tem vontade de fazer (defini\u00e7\u00e3o an\u00e1rquico-existencialista). Ser livre \u00e9 fazer o que se deve fazer (defini\u00e7\u00e3o ontol\u00f3gica). A vida em sociedade, regulada por normas de comportamento, n\u00e3o permite ao homem fazer tudo o que pode; muito menos aquilo que quer. Ser livre \u00e9 desfrutar de liberdade, sim, mas controlar os atos de conduta, de forma autodeterminada, de acordo com os ditames considerados v\u00e1lidos pela \u00e9tica e pela moral.<\/p>\n<p>Nesse contexto, a liberdade exige sempre condi\u00e7\u00f5es de ordem social, cultural, pol\u00edtica e econ\u00f4mica que tornam poss\u00edvel seu completo exerc\u00edcio. No terreno da moral, ser livre \u00e9 exercer direitos e deveres frente ao outro. Liberdade \u00e9 uma rela\u00e7\u00e3o entre pessoas. Ser livre significa &#8220;ser livre para o outro&#8221;, uma vez que o outro me liga a ele. De nada me adianta ser livre se eu estiver isolado.<\/p>\n<p>No famoso &#8220;paradoxo de S\u00f3crates&#8221;, vemos que a virtude se identifica com o conhecimento enquanto que o v\u00edcio com a ignor\u00e2ncia. Assim, desde aquele tempo, a condi\u00e7\u00e3o para o homem ser livre \u00e9 ter ci\u00eancia de sua liberdade, assim como a capacidade de avaliar o bem que disp\u00f5e em sendo livre. Na obra de Arist\u00f3teles (In: \u00c9tica a Nic\u00f4maco) vamos encontrar a express\u00e3o proair\u00e9sis como &#8220;escolha deliberada&#8221; ou decis\u00e3o volunt\u00e1ria, aquela que \u00e9 tomada como fruto de uma vontade livre. Trata-se de uma cr\u00edtica aos paradoxos socr\u00e1ticos, onde erros e pecados n\u00e3o s\u00e3o volunt\u00e1rios, mas fruto de alguma compuls\u00e3o ou limita\u00e7\u00e3o incontrolada.<\/p>\n<p>Em sua magistral obra &#8220;O livre-arb\u00edtrio&#8221; Santo Agostinho afirma que a liberdade de escolha, a capacidade de decidir, em suma, o livre-arb\u00edtrio \u00e9 o que nos diferencia dos animais. Agindo instintivamente, o animal n\u00e3o tem muitas op\u00e7\u00f5es de decis\u00e3o, agindo previsivelmente, conforme sua natureza. O ser humano \u00e9 diferente. Diante das alternativas que se colocam \u00e0 sua frente, a pessoa \u00e9 capaz de decidir, certo ou errado, contra si ou a favor, mas decidir com liberdade. Essa propriedade s\u00f3 o homem possui. Tir\u00e1-la, deixando o ser humano sem alternativas, escolhendo por ele, \u00e9 reduzi-lo \u00e0 condi\u00e7\u00e3o animal mais prim\u00e1ria, onde apenas o instinto decide.<\/p>\n<p>O livre-arb\u00edtrio nasce com a filosofia est\u00f3ica, que o chamavam de auteksosion, a lei maior da fysis (natureza), \u00fanica for\u00e7a capaz de orientar a raz\u00e3o, talvez em resposta ao determinismo. Posteriormente seria ampliado sob Tomas de Aquino (\u2020 1274) e dogmatizado como ess\u00eancia do ser humano no Conc\u00edlio de Trento (s\u00e9c. XVI). \u00c9 a \u00e1guia se opondo \u00e0 galinha Os racionalistas, empiristas e positivistas negam o livre-arb\u00edtrio, por julgarem-no contr\u00e1rio \u00e0 raz\u00e3o.<\/p>\n<p>Com o florescimento dos sistemas sociais, pol\u00edticos e econ\u00f4micos, a capacidade de as pessoas usarem seu livre-arb\u00edtrio, foi ficando cada vez mais restrita. Embora seja dito que o homem moderno \u00e9 livre, observa-se que sua atua\u00e7\u00e3o \u00e9 bloqueada por uma s\u00e9rie de condicionantes, que o tornam elo de um sistema, uma marionete que se movimenta no placo de acordo com o script. A organiza\u00e7\u00e3o de tantas for\u00e7as atuantes em nossa sociedade tem limitado a capacidade humana de raciocinar e de tomar decis\u00f5es. O que o soci\u00f3logo austr\u00edaco Ivan Illich disse, anos passados, e que foi visto na \u00e9poca como uma cr\u00edtica ao capitalismo americano, hoje se revela uma brutal realidade:<\/p>\n<p>Logo, logo eles v\u00e3o transformar a nossa sede em vontade de tomar Coca-Cola. A aprendizagem livre e criativa est\u00e1 afogada na acomoda\u00e7\u00e3o e burocratiza\u00e7\u00e3o da escola, sustentada por mecanismos eternos de controle que s\u00e3o os exames, estabelecidos para a aprova\u00e7\u00e3o e a falta de liberdade de express\u00e3o.<\/p>\n<p>Se a gente for olhar a fundo, nosso livre-arb\u00edtrio est\u00e1 indo (ou j\u00e1 foi) pro belel\u00e9u. A gente v\u00ea um comercial, de comida, chocolate, pizza, refrigerante, cerveja e fica com \u00e1gua na boca. A pr\u00f3pria Coca Cola, citada por Illich, na d\u00e9cada de 50 cunhou o slogan &#8220;A pausa que refresca&#8221;. Recordam? Nos Estados Unidos, leg\u00edtimo laborat\u00f3rio do marketing globalizado, criaram recentemente a divisa cheering is thirsty work (torcer d\u00e1 uma sede!) endere\u00e7ada ao p\u00fablico dos est\u00e1dios. No Brasil eles simplificaram: \u00e9 s\u00f3 o ru\u00eddo do refrigerante caindo no copo e a frase final: &#8220;Enjoy&#8221; (curta!). O condicionamento dispensa maiores legendas.<\/p>\n<p>De uma feita, h\u00e1 tempos atr\u00e1s, um leitor mandou-me um e-mail sobre algumas coloca\u00e7\u00f5es que fiz em uma cr\u00f4nica de jornal, dizendo n\u00e3o concordar com a afirma\u00e7\u00e3o de que &#8220;nossa liberdade \u00e9 relativa&#8221;. Para citar exemplos de lugares sem liberdade, ele citou Cuba, China e alguns locais da antiga Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica. Na verdade, fiz ver ao leitor que, em Cuba, como em qualquer outra ditadura escancarada, eles &#8220;prendem e arrebentam&#8221; e ningu\u00e9m pode dizer nada. At\u00e9 a\u00ed ele tem raz\u00e3o. A diferen\u00e7a \u00e9 que aqui nos podemos dizer, chorar, denunciar e espernear. S\u00f3 que ningu\u00e9m d\u00e1 bola para as nossas perora\u00e7\u00f5es. No Brasil, do jeito que estamos, a liberdade \u00e9 de fachada, mas n\u00e3o \u00e9 real. Venderam a Vale, a CELPE, o Meridional, e outras estatais rent\u00e1veis. Voc\u00ea queria que vendessem? A sociedade queria? N\u00e3o! No entanto, para fazer um cash pol\u00edtico, o governo vendeu a despeito de nossos protestos, sem dar a m\u00ednima import\u00e2ncia \u00e0 nossa indigna\u00e7\u00e3o. Isto \u00e9 liberdade?<\/p>\n<p><strong>Todos ser\u00e3o julgados pela lei da liberdade (Tg 2,12)<\/strong><\/p>\n<p>A aposentadoria, de uma hora para outra, passou a ser algo intang\u00edvel. A pessoa de cinq\u00fcenta anos \u00e9 velha para conseguir emprego, mas jovem para se aposentar. Algu\u00e9m deu ouvidos aos nossos clamores? Os pensionistas e aposentados s\u00e3o explorados e ainda v\u00e3o ter que pagar a conta do sucateamento da Previd\u00eancia. Subiu a al\u00edquota do Imposto de Renda, assim como subiram rem\u00e9dios, combust\u00edveis, taxas de servi\u00e7o p\u00fablico. A na\u00e7\u00e3o chiou. Algu\u00e9m ouviu? A gente vota em presidente, governador, senador, deputado e eles fazem o contr\u00e1rio daquilo que quer\u00edamos. Isso \u00e9 liberdade? E onde fica o direito de protesto? As greves foram esvaziadas, os sindicalistas calados sob a amea\u00e7a de demiss\u00e3o, os sindicatos falidos com multas e penas de &#8220;ilegalidade&#8221;. Queixar-se a quem?<\/p>\n<p>Os &#8220;supremos&#8221; tribunais nacionais, nomeados pelo governo, s\u00f3 decidem em favor deste, em geral \u00e0 revelia do interesse maior da sociedade. Apenas na Justi\u00e7a do Trabalho &#8211; e assim mesmo os &#8220;liberais&#8221; querem acabar com ela &#8211; ainda decide em favor dos mais pobres. A ditadura da grande m\u00eddia, ao n\u00edtido estilo macartista, sempre quer provar que, aqueles que n\u00e3o pensam conforme o &#8220;sistema&#8221;, em favor de um estado &#8220;moderno&#8221; (leia-se banana, cordato, fantoche, genuflexo ao estrangeiro), \u00e9 inimigo do pa\u00eds e da modernidade. Por isso, penso que nossa liberdade \u00e9 relativa. Temos liberdade para ir \u00e0 praia, ao cinema, ao futebol. Mas n\u00e3o podemos pensar diferente do esquema oficial, pois nossos eleitos n\u00e3o nos representam e decidem quase sempre contra n\u00f3s. Assim, somos livres para pensar como pensam os \u00e1ulicos do sistema. Nada mais que isso&#8230;<\/p>\n<p>A globaliza\u00e7\u00e3o &#8211; e a defini\u00e7\u00e3o \u00e9 de Betinho &#8211; serve para o processo de anestesia que nos conduz ao consumo em massa. Ao velho Ad\u00e3o foram colocadas duas alternativas, comer ou n\u00e3o do fruto da \u00e1rvore do bem e do mal. A n\u00f3s, hoje, pela propaganda globalizada, e pelos est\u00edmulos psicossociais, n\u00e3o \u00e9 dado direito de escolha, Quando menos se espera estamos bebendo Coca-Cola, usando Nike, comendo no McDonald\u2019s, usando a moda internacional, pilotando um &#8220;importado&#8221; e cantarolando o \u00faltimo sucesso de Bob Dylan.<\/p>\n<p>A globaliza\u00e7\u00e3o, apoiada pela m\u00eddia neoliberal (&#8220;\u00e9 preciso levar vantagem em tudo&#8221;, lembram?) e pela emerg\u00eancia do mercado, nos tira, em muitos casos o direito de pensar a vida, a moral, a hist\u00f3ria. E quem denunciou isso, no F\u00f3rum Social, por exemplo, foi chamado, por alguns, de retr\u00f3grado, membro da &#8220;esquerda festiva&#8221; e outros enc\u00f4mios padr\u00e3o das direitas radicais.<\/p>\n<p>A m\u00eddia brasileira &#8211; eu sempre falo n(d)ela nas minhas confer\u00eancias &#8211; foi como que &#8220;colonizada&#8221; pela ideologia internacional. A gente liga r\u00e1dio s\u00f3 escuta m\u00fasica americana. Perece que estamos no Bronx. Essa coopta\u00e7\u00e3o -a partir do cultural- s\u00f3 ajuda o capital e n\u00e3o soma nada em favor da popula\u00e7\u00e3o. O homem, quando n\u00e3o tem acesso ao trabalho e \u00e0 sobreviv\u00eancia, vira um animal. Quem \u00e9 incapaz de tomar decis\u00f5es por si s\u00f3, \u00e9 como um \u00edndio, um limitado, um bicho. Os reacion\u00e1rios das elites, nacionais e internacionais, n\u00e3o cansam de afirmar que a preocupa\u00e7\u00e3o com o social \u00e9 discurso anacr\u00f4nico, dos anos 70. \u00c9 de se questionar: existe coisa mais atrasada que transformar pessoas em escravos, em zumbis ou em bichos? \u00c9 este o modelo de sociedade moderna que eles querem? O governo articula os projetos do capital, a m\u00eddia fiel elabora o script e boa parte da sociedade, mesmo as v\u00edtimas, se volta contra qualquer tentativa de protesto ou de organiza\u00e7\u00e3o popular. Isso \u00e9 liberdade?<\/p>\n<p>A superveni\u00eancia do mercado, como &#8220;fim da hist\u00f3ria&#8221;, pregada por Fukuyama no final do s\u00e9culo passado hoje \u00e9 premissa bastante contestada. Mesmo assim, a globaliza\u00e7\u00e3o &#8211; por estar a servi\u00e7o do consumo &#8211; ainda \u00e9 pintada com as cores mais sedutoras. O povo \u00e9 livre, desde que n\u00e3o se rebele contra a impon\u00eancia da &#8220;liberdade&#8221;, sen\u00e3o v\u00eam as trevas e tome pol\u00edcia, cacetadas, atentados, pris\u00f5es, jatos de \u00e1gua, dentadas de c\u00e3es ferozes&#8230;<\/p>\n<p><strong>Jesus nos libertou do imp\u00e9rio das trevas (Cl 1,13).<\/strong><\/p>\n<p>Com o capital sem bandeira, estandarte da globaliza\u00e7\u00e3o, no seu laissez-faire, vale mais o princ\u00edpio \u00e9tico do &#8220;\u00e9 feio perder&#8221; do que o respeito aos anseios do homem, desde os mais humildes at\u00e9 os letrados. Os conglomerados fazem todo o tipo de press\u00e3o para esvaziar os sindicatos, por exemplo, que a esta altura do campeonato, s\u00e3o praticamente a \u00fanica voz em defesa da liberdade da classe trabalhadora. O resgate dos valores sociais, como melhora da qualidade de vida humana, traz consigo duas dimens\u00f5es de transforma\u00e7\u00f5es. Na dimens\u00e3o individual, eu devo me conscientizar (esta palavra sofreu an\u00e1temas nos tempos da ditadura) da amplitude do problema, mudando e empreendendo novas pr\u00e1ticas, com vistas \u00e0 reforma da sociedade, a partir da base. No segundo aspecto, o social, depois que eu me transformo e adquiro consci\u00eancia do problema, devo lutar para implantar, na sociedade pluralista em que se vive, um humanismo que seja capaz de banir o individualismo.<\/p>\n<p>\u00c9 dif\u00edcil? Vai demorar? As grandes caminhadas sempre come\u00e7aram pelo primeiro &#8211; e decisivo &#8211; passo. Buscar as mudan\u00e7as \u00e9 um ato de coragem, como que um indicador de que o livre-arb\u00edtrio ainda est\u00e1 atuante na busca da \u00e9tica e do bem comum. \u00c9 aquela ruptura dos paradigmas que tanto se fala. \u00c9 preciso mudar. As elites (at\u00e9 algumas religiosas) gostam do pobre humilde, cordato, pedinte, cabe\u00e7a baixa: \u00e9 mais f\u00e1cil manipul\u00e1-los. N\u00e3o admitem organiza\u00e7\u00e3o nem autonomia. Nos anos da ditadura, o secret\u00e1rio de estado americano, H. Kissinger, um dos que mandavam no Brasil, referindo-se a alguns religiosos brasileiros, que incentivavam o povo a exercer o senso-cr\u00edtico e a buscar direitos, aconselhou o governo a buscar novos mission\u00e1rios, que rezassem mais e pensassem menos. Voltando \u00e0s elites, elas aceitam que os miser\u00e1veis reivindiquem cestas b\u00e1sicas, mas n\u00e3o aceitam que eles pensem com suas pr\u00f3prias cabe\u00e7as. N\u00e3o admitem que o pobre fa\u00e7a pol\u00edtica. Votar pode; fazer pol\u00edtica, n\u00e3o! Isso \u00e9 liberdade? Sobre esse cerceamento de expressar-se livremente, falando em Paris, certa vez, por volta de 1970, a estudantes universit\u00e1rios, dom Helder C\u00e2mara (\u2020 1998) disse:<\/p>\n<p><em>Quando ajudo os pobres, me chamam de profeta. Quando questiono por que h\u00e1 pobres, dizem que sou comunista.<\/em><\/p>\n<p>Na verdade, um processo de emperramento sociocultural nos impede de pensar com liberdade. Sempre nos disseram: &#8220;voc\u00ea \u00e9 livre, desde que&#8230;&#8221;. Essas v\u00e1rias condicionantes foram como que minando a capacidade do povo decidir. Quando veio o neoliberalismo, a globaliza\u00e7\u00e3o e sua m\u00eddia, ficamos como aquele cidad\u00e3o do fecho, do poema de Maiakovski (\u20201930), &#8220;&#8230;porque nunca dissemos nada, j\u00e1 n\u00e3o pod\u00edamos dizer mais nada&#8221;. \u00c9 o que nos diz St\u00e9dile: &#8220;lutamos contra tr\u00eas cercas: o latif\u00fandio, o capital selvagem (neoliberal e excludente) e a ignor\u00e2ncia&#8221;. No rold\u00e3o do &#8220;capital selvagem&#8221; eu incluiria a m\u00eddia.<\/p>\n<p>No terreno da busca da liberdade h\u00e1 que salientar os movimentos populares, urbanos e rurais, onde as mulheres t\u00eam um papel importante nessa luta. L\u00facidas, ativas, politizadas e determinadas, elas sabem onde aperta a fome, a injusti\u00e7a, a discrimina\u00e7\u00e3o e todas as faltas, de sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, seguran\u00e7a, moradia, pol\u00edticas agr\u00e1rias, etc. Ademais, quando uma liberdade espec\u00edfica \u00e9 questionada, h\u00e1 um indicativo irrefut\u00e1vel de que toda a liberdade fracassou.<\/p>\n<p>A modernidade est\u00e1 em crise &#8211; afirma Frei Beto &#8211; porque as quatro grandes institui\u00e7\u00f5es, nas quais ela se apoiou, est\u00e3o em crise: fam\u00edlia, igreja, escola e Estado. Sabemos que os modelos antigos n\u00e3o est\u00e3o vigorando mais. Alguns, numa atitude saudosista, querem ainda manter ou trazer \u00e0 atualidade aquilo que foi bom no passado. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, porque h\u00e1 novos modelos sendo forjados nisso que hoje os fil\u00f3sofos j\u00e1 chamam de p\u00f3s-modernidade.<\/p>\n<p><strong>O Esp\u00edrito de Deus me ungiu para libertar&#8230; (Lc 4, 18)<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 lament\u00e1vel constatar que na globaliza\u00e7\u00e3o, nosso livre-arb\u00edtrio, por causa do ate\u00edsmo do capital fica postergado a planos irrelevantes. Liberdade e livre-arb\u00edtrio s\u00e3o dons de Deus. Os poderosos n\u00e3o querem que as pessoas pensem; que decidam; que elejam candidatos pr\u00f3prios, etc. A m\u00eddia, manipulando habilmente dados, pesquisas e &#8220;tend\u00eancias&#8221; j\u00e1 anuncia, meses antes, quem vai ganhar.<\/p>\n<p>O sistema globalizado, de corte eminentemente neoliberal, tem na limita\u00e7\u00e3o da liberdade do homem seu maior trunfo para seguir vencendo e dominando. Muito dinheiro (e poder) nas m\u00e3os de poucos, gera pobreza e redu\u00e7\u00e3o de liberdade. Esse ainda \u00e9 o quadro atual, triste, por\u00e9m irretoc\u00e1vel, da globaliza\u00e7\u00e3o no Brasil e nos pa\u00edses de Terceiro-Mundo. Essa perda de liberdade embrutece o homem e faz infletir sobre toda a sociedade uma avalancha de viol\u00eancia, por vezes incontrol\u00e1vel. \u00c9 o que Santo Agostinho nos diz, enfaticamente:<\/p>\n<p><em>Quando tiramos a liberdade do homem, ele passa a agir como um animal, apenas segundo a natureza (e \u00e0s vezes contra ela). Quando o ser humano \u00e9 privado do livre-arb\u00edtrio, isto \u00e9, da capacidade de tomar decis\u00f5es livres, criam-se as origens do mal moral.<\/em><\/p>\n<div id=\"themify_builder_content-5804\" data-postid=\"5804\" class=\"themify_builder_content themify_builder_content-5804 themify_builder themify_builder_front\">\n\t<\/div>\n<!-- \/themify_builder_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ant\u00f4nio Mesquita Galv\u00e3o &#8220;A liberdade \u00e9 o dom\u00ednio de n\u00f3s mesmos e da natureza, baseado na consci\u00eancia das necessidades&#8221; (F. W. Engels) H\u00e1 algum tempo fui convidado para promover um wokshop, em uma universidade do interior do Paran\u00e1 sobre uma dial\u00e9tica que os alunos propuseram: globaliza\u00e7\u00e3o e livre-arb\u00edtrio. 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