
{"id":5971,"date":"2009-11-15T11:20:32","date_gmt":"2009-11-15T14:20:32","guid":{"rendered":"http:\/\/www.oarcanjo.net\/site\/?p=5971"},"modified":"2009-11-15T11:20:32","modified_gmt":"2009-11-15T14:20:32","slug":"os-martires-da-uca-exigencia-e-graca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.oarcanjo.net\/site\/os-martires-da-uca-exigencia-e-graca\/","title":{"rendered":"Os m\u00e1rtires da UCA. Exig\u00eancia e gra\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p>Jon Sobrino<\/p>\n<p><em>Tradu\u00e7\u00e3o: ADITAL<\/em><\/p>\n<p>H\u00e1 vinte anos assassinaram aos meus irm\u00e3os jesu\u00edtas da Universidade Centroamericana (UCA), a Julia Elba e Celina. Eu estava na Tail\u00e2ndia e, regressando a El Salvador, tinha que passar por S\u00e3o Francisco (EUA). No aeroporto me esperavam, com rostos imp\u00e1vidos, Steve Prevett e Peggy O\u2019Grady. Nas ruas de S\u00e3o Francisco, com um megafone na m\u00e3o, Paul Locatelli condenava os assassinatos e Tessa Rouverol o acompanhava. Trouxeram-me para a Universidade de Santa Clara. A comunidade me acolheu como a um irm\u00e3o e nela passei v\u00e1rias semanas. Ao chegar, encontrei oito cruzes plantadas em frente \u00e0 Igreja. E quando um desalmado as arrancou, Paul Locatelli, imediatamente, as recolocou. Nunca esquecerei isso. Por isso, agora sinto-me como quem &#8220;volta para casa&#8221;.<\/p>\n<p>Quero falar-lhes sobre esses m\u00e1rtires com agradecimento pelo que foram e fizeram; por\u00e9m, tamb\u00e9m com a convic\u00e7\u00e3o de que \u00e9 vital mant\u00ea-los vivos e de que seria fatal deix\u00e1-los morrer. Os m\u00e1rtires, eles e elas, nos confrontam com n\u00f3s mesmos sem escapat\u00f3ria; iluminam as realidades mais profundas de nosso mundo e o que devemos fazer com ele. Temos que enfrentar os \u00eddolos que exigem v\u00edtimas no \u2018Terceiro Mundo\u2019, apesar de que suas ra\u00edzes mais profundas est\u00e3o no \u2018Primeiro Mundo\u2019 e temos que trabalhar para reverter a hist\u00f3ria e, assim, salvar uma civiliza\u00e7\u00e3o que est\u00e1 gravemente enferma, como dizia Ignacio Ellacur\u00eda, a um mundo em transe de morte, como diz Jean Ziegler. Para os crist\u00e3os, os m\u00e1rtires nos assinalam, acima de tudo e sem temor de equivocar-nos, o caminho a seguir. S\u00e3o os que mais nos empurram para o seguimento de Jesus e melhor nos introduzem no mist\u00e9rio de seu Deus.<\/p>\n<p>No mundo que denominamos \u2018de abund\u00e2ncia\u2019, a palavra &#8220;m\u00e1rtir&#8221; produz estranheza; inclusive, repuls\u00e3o. Por\u00e9m, entre n\u00f3s -e aqui aparece o paradoxo crist\u00e3o- tamb\u00e9m produz luz, \u00e2nimo e agradecimento. Por isso n\u00e3o dever\u00edamos permitir que a palavra &#8220;m\u00e1rtir&#8221; perda seu vigor. Deve manter-se como referente crist\u00e3o e social insubstitu\u00edvel para humanizar este mundo. Exatamente como a luz de Jesus. Por essa raz\u00e3o, falarei agora sobre os oito m\u00e1rtires da UCA.<\/p>\n<p>Para contextualizar, n\u00e3o somente no aspecto acad\u00eamico, mas tamb\u00e9m no humano, come\u00e7o recordando qual foi a rea\u00e7\u00e3o de duas pessoas bem conhecidas ante suas mortes. Um, o Padre Arrupe. Quando os mataram, estava acamado, praticamente sem poder pronunciar palavra nem comunicar-se. Conta o enfermeiro que ao dar-lhe a not\u00edcia, &#8220;o Padre Arrupe come\u00e7ou a chorar&#8221;. Era tudo o que podia fazer; por\u00e9m, no pranto o Pe. Arrupe ofereceu-se por inteiro. O outro, Noam Chomsky. Ao cumprir 80 anos, em mar\u00e7o de 2009, um jornalista perguntou-lhe o que lhe dava for\u00e7as para continuar na luta. &#8220;Imagens como essa&#8221;, respondeu. E apontou um quadro no qual aparece o Arcebispo Romero e os seus jesu\u00edtas da UCA.<\/p>\n<p>Esses seres humanos tocam as fibras mais profundas de qualquer pessoa honrada. S\u00e3o uma refer\u00eancia vivificante. Certamente, os seis jesu\u00edtas e tamb\u00e9m Julia Elba e Celina, nos deixam sem palavras; nelas se faz presente o mysterium iniquitatis.<\/p>\n<p>1. Quem foram<\/p>\n<p>A injusti\u00e7a da morte de pessoas inocentes de maneiras distintas. Mata pessoas como Dom Oscar Romero e Martin Luther King. E lenta ou violentamente, mata a grandes maiorias, aos camponeses de El Mozote, em El Salvador; antigamente, aos escravos das planta\u00e7\u00f5es de algod\u00e3o.<\/p>\n<p>Os jesu\u00edtas da UCA, m\u00e1rtires jesu\u00e2nicos<\/p>\n<p>Comecemos com os seis jesu\u00edtas. Depois da Confer\u00eancia de Medell\u00edn, 1968, tocados pelo sofrimento do povo, &#8220;converteram-se&#8221;. Aceitaram que ser jesu\u00edta \u00e9 &#8220;lutar&#8221;, n\u00e3o somente trabalhar. &#8220;Lutar pela f\u00e9&#8221; e, mais surpreendente ainda, &#8220;lutar pela justi\u00e7a&#8221;. A realidade exigia e assim est\u00e1 registrado no documento da CG XXXII (D 2.2). Sua morte confirmou o que a pr\u00f3pria congrega\u00e7\u00e3o havia previsto lucidamente: &#8220;N\u00e3o trabalharemos na promo\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a sem que paguemos um pre\u00e7o&#8221; (D 4.46).<\/p>\n<p>Os m\u00e1rtires da UCA o fizeram, cada um segundo seus talentos, e \u00e9 bom recordar isso para que todos possamos nos sentir questionados e animados. Permitam-me detalhar. Ellacur\u00eda, 59 anos, fil\u00f3sofo e te\u00f3logo, reitor. Repensou a Universidade desde e para os povos crucificados. P\u00f4s todo seu peso para combater a opress\u00e3o e a repress\u00e3o e para conseguir uma paz negociada. Segundo Montes, 56 anos, soci\u00f3logo, fundador do Instituto de Direitos Humanos. Concentrou-se no drama dos refugiados dentro do pr\u00f3prio pa\u00eds e, sobretudo, dos que tinham que abandon\u00e1-lo, os emigrantes, que, naquele tempo, fugiam da violenta repress\u00e3o e, agora, da fome e da falta de trabalho. Os visitava nos campos de refugiados, em Honduras. Ignacio Mart\u00edn Bar\u00f3, 44 anos, psic\u00f3logo social, pioneiro da psicologia da liberta\u00e7\u00e3o, fundador do Instituto de Opini\u00e3o P\u00fablica da UCA, para facilitar que se conhecesse a verdade e dificultar que esta fosse oprimida pela injusti\u00e7a. A cada fim de semana visitava comunidades suburbanas e camponesas para celebrar a Eucaristia. Juan Ram\u00f3n Moreno, 56 anos, professor de teologia, mestre de novi\u00e7os e mestre do esp\u00edrito, acompanhante de comunidades religiosas. Na Nicar\u00e1gua, participou na Campanha de Alfabetiza\u00e7\u00e3o. Amando L\u00f3pez, 53 anos, professor de teologia, antigo reitor do Semin\u00e1rio de San Salvador e da UCA de Man\u00e1gua. Em ambos os pa\u00edses, defendeu os perseguidos por regimes criminosos, \u00e0s vezes escondendo-os em seu pr\u00f3prio quarto. Por \u00faltimo, Joaqu\u00edn L\u00f3pez y L\u00f3pez, 71 anos, o \u00fanico salvadorenho de nascimento, homem simples e de talante popular. Trabalhou no col\u00e9gio e foi o primeiro secret\u00e1rio da UCA, em 1965. Depois fundou F\u00e9 e Alegria, institui\u00e7\u00e3o de escolas populares para os mais pobres.<\/p>\n<p>Foram muito distintos; por\u00e9m, todos eles foram seguidores de Jesus e jesu\u00edtas. \u00c9 o que nos deixam. Neles podemos olhar-nos para saber o que devemos ser e fazer. Digamos uma palavra sobre o pr\u00f3prio de cada um.<\/p>\n<p>Seguidores de Jesus. Reproduziram de forma real, n\u00e3o intencional ou devocionalmente, a vida de Jesus. Seu olhar se dirigiu aos pobres reais, \u00e0queles que vivem e morrem submissos \u00e0 opress\u00e3o da fome, da injusti\u00e7a, do desprezo e da repress\u00e3o de torturas, desaparecimentos, assassinatos; muitas vezes com grande crueldade. E moveram-se pela compaix\u00e3o. &#8220;Fizeram milagres&#8221;, colocando ci\u00eancia, talentos, tempo e descanso a servi\u00e7o da verdade e da justi\u00e7a. E &#8220;expulsaram dem\u00f4nios&#8221;. Certamente, lutaram contra os dem\u00f4nios de fora, os opressores, oligarcas, governos, for\u00e7as armadas, e defenderam os pobres. N\u00e3o lhes faltaram modelos: Rutilio Grande e Dom Romero. E foram fieis at\u00e9 o fim em meio \u00e0s bombas e amea\u00e7as, com miseric\u00f3rdia consequente. Morreram como Jesus e engrossaram uma nuvem de testemunhos, crist\u00e3os, religiosos, tamb\u00e9m agn\u00f3sticos que deram sua vida pela justi\u00e7a. Esses s\u00e3o os &#8220;m\u00e1rtires jesu\u00e2nicos&#8221;, refer\u00eancia essencial para os crist\u00e3os e para qualquer um que queira viver humana e decentemente em nosso mundo. Seu batismo foi de Esp\u00edrito de Sangue e seguiram a Jesus.<\/p>\n<p>Com o esp\u00edrito de Santo In\u00e1cio. Nesse ponto me detenho um pouco mais, pois, atualmente, muito se fala sobre a espiritualidade inaciana. Creio que nos podem ajudar a historicizar a Santo In\u00e1cio no \u2018Terceiro Mundo\u2019 e torn\u00e1-lo \u00fatil para compreender melhor a Jesus.<\/p>\n<p>O outro Ignacio, Ellacur\u00eda, fez uma releitura dos Exerc\u00edcios Espirituais a partir da realidade do \u2018terceiro mundo\u2019. Tr\u00eas pontos me parecem fundamentais e podem vigorar como pressupostos inacianos da op\u00e7\u00e3o pelos pobres e da luta pela justi\u00e7a. 1) Ver a realidade de nosso mundo e capt\u00e1-la como &#8220;povos que est\u00e3o crucificados&#8221;. Ante eles, a rea\u00e7\u00e3o fundamental -sem necessidade de discernimento-, \u00e9 &#8220;fazer reden\u00e7\u00e3o&#8221;. 2) Ser honrados conosco mesmos, jesu\u00edtas, e perguntar-nos &#8220;o que temos feito para que esses povos estejam crucificados e o que vamos fazer para baix\u00e1-los da cruz&#8221;. 3) Levar a s\u00e9rio -quem sabe isso \u00e9 o mais dif\u00edcil e o menos frequente- que existem dois modos de caminhar na vida, de ser jesu\u00edtas, construir a sociedade e a universidade. S\u00e3o caminhos opostos e est\u00e3o em pugna. Um \u00e9 o caminho da pobreza, que leva a opr\u00f3brios e menosprezos; hoje, dir\u00edamos humilha\u00e7\u00f5es, difama\u00e7\u00f5es, amea\u00e7as; e, da\u00ed, \u00e0 humildade, \u00e0 profundidade do humano, \u00e0 verdadeira vida. O outro \u00e9 o caminho da riqueza, que leva \u00e0s honras mundanas e v\u00e3s. Hoje dir\u00edamos ao prest\u00edgio entre os grandes deste mundo; e, da\u00ed, \u00e0 arrog\u00e2ncia, a uma vida falseada, pessoal e institucional. Em resumo, um conduz \u00e0 salva\u00e7\u00e3o -humaniza\u00e7\u00e3o-; e o outro, \u00e0 perdi\u00e7\u00e3o -desumaniza\u00e7\u00e3o. Trata-se de ganhar ou perder a vida, como diz Jesus. E de estar dispostos a pagar o pre\u00e7o.<\/p>\n<p>Em termos de estruturas, Ellacur\u00eda insistia em que temos que eleger entre uma civiliza\u00e7\u00e3o da pobreza -afim a uma civiliza\u00e7\u00e3o do trabalho- e uma civiliza\u00e7\u00e3o da riqueza- afim a uma civiliza\u00e7\u00e3o do capital. Esta segunda predomina no mundo, tem gerado uma civiliza\u00e7\u00e3o gravemente doente. A primeira, a que temos que construir, pode reverter a hist\u00f3ria e curar a civiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Esses tr\u00eas pontos: povo crucificado, necessidade de liberta\u00e7\u00e3o, caminho da pobreza -mais a honradez conosco mesmos- s\u00e3o, em minha opini\u00e3o, o que mais resplandece na inacianidade dos m\u00e1rtires da UCA e o que melhor explica por que morreram de forma tr\u00e1gica. Na tradi\u00e7\u00e3o de Santo In\u00e1cio, certamente, existem outras coisas importantes a levar em considera\u00e7\u00e3o: o &#8220;magis&#8221;, &#8220;a maior gl\u00f3ria de Deus&#8221;, &#8220;em tudo amar e servir&#8221;, &#8220;o bem, quanto mais universal, mais divino&#8221; -tudo o que se menciona com frequ\u00eancia na explos\u00e3o ambiental de inacianidade que existe hoje. Os tr\u00eas pontos que mencionamos s\u00e3o mais facilmente compreens\u00edveis, tamb\u00e9m pelos n\u00e3o iniciados em inacianidade e, certamente, pelos pobres. Em minha opini\u00e3o, t\u00eam menos perigo de perder-se no \u00e2mbito do conceitual e intencional. Expressam realidades claramente hist\u00f3ricas e verific\u00e1veis.<\/p>\n<p>Nesse contexto, parece-me oportuno recordar um fato singular: os m\u00e1rtires da UCA nunca discerniram se era vontade de Deus permanecer no pa\u00eds, com riscos, amea\u00e7as e persegui\u00e7\u00f5es, ou ir embora. N\u00e3o lhes passou pela cabe\u00e7a essas ideias. Para ver o quanto explicitamente inaciano havia nesse proceder, penso que temos que ir ao momento rpimeiro da elei\u00e7\u00e3o: &#8220;sem dubitar nem poder dubitar&#8221; (Exerc\u00edcios No. 175). Temos que perguntar-nos &#8220;o que movia ou atraia a vontade&#8221;. Se era &#8220;Deus nosso Senhor&#8221; comunicando-se \u00e0 alma, como na formula\u00e7\u00e3o de Santo In\u00e1cio, ou se eram realidades hist\u00f3ricas: &#8220;o sofrimento do povo&#8221;, que n\u00e3o deixava viver em paz; &#8220;a vergonha que dava abandonar ao povo&#8221;; &#8220;a for\u00e7a de coes\u00e3o da comunidade&#8221;; &#8220;a recorda\u00e7\u00e3o enriquecedora de Dom Romero, de nove sacerdotes e quatro religiosas assassinadas&#8221;; inclusive, &#8220;o fato de estar acostumado \u00e0 persegui\u00e7\u00e3o&#8221;. Penso que tudo isso movia a vontade e iluminava as decis\u00f5es e o caminho a seguir. Na linguagem dos exerc\u00edcios, nisso e atrav\u00e9s disso, Deus estava realmente causando o sem dubitar nem poder dubitar. Por\u00e9m, Deus n\u00e3o atuava atrav\u00e9s de qualquer coisa; mas, das que mencionamos.<\/p>\n<p>O Esp\u00edrito de Deus move o caminhar; por\u00e9m, sua for\u00e7a passava atrav\u00e9s do povo sofredor. Assim, parafraseou Pedro Casald\u00e1liga, o conhecido poema de Antonio Machado:<\/p>\n<p>&#8220;Camino que uno es, Para que los atascados Haz del canto de tu pueblo<\/p>\n<p>Que uno hace al andar. Se puedan reanimar. El ritmo de tu marchar&#8221;.<\/p>\n<p>Penso que assim discerniram os jesu\u00edtas da UCA. Deixaram-se atrair e levar pela realidade. \u00c9 a sinergia de Deus e do povo sofredor. E n\u00e3o me passa pela cabe\u00e7a outra maneira para explicar porque permaneceram em El Salvador.<\/p>\n<p>Quisera terminar essa reflex\u00e3o sobre seu ser jesu\u00edtas recordando que &#8220;morreram em comunidade&#8221;. Poderia n\u00e3o ter sido assim; poderia acontecer de somente Ellacur\u00eda ter sido assassinado, pois era o inimigo principal. Por\u00e9m, h\u00e1 uma verdade importante -podemos dizer, providencial-, em que sua morte fosse &#8220;em comunidade&#8221;. Assim havia sido sua vida e trabalho, com alegrias e tens\u00f5es; com virtudes e pecados; por\u00e9m, seguindo uma \u00fanica linha bem tra\u00e7ada. E assim expressaram que a Companhia est\u00e1 feita por &#8220;todos&#8221;. \u00c9 &#8220;corpo&#8221;, n\u00e3o apenas soma de indiv\u00edduos, alguns deles geniais; outros, normais.<\/p>\n<p>Esta comunidade de &#8220;seis jesu\u00edtas&#8221; integrou-se em uma comunidade maior, o corpo da Companhia universal. 49 s\u00e3o os jesu\u00edtas que morreram no \u2018terceiro mundo\u2019, assassinados de uma ou outra forma, depois da CG XXXII. Entre eles, estavam tr\u00eas estadunidenses. Francis Louis Martiseck, 66 anos, nascido em Export, Pensilv\u00e2nia, morto por arma de fogo em Mokame, \u00cdndia, 1979; Raymond Adams, 54 anos, nascido em Nova York, morto por arma de fogo em Cape Coast, Gana, 1989; Thomas Gafney, 65 anos, nascido em Cleveland, Ohio, assassinado em Katmandu, Nepal, 1997.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 pouco frequente recordar &#8220;as gl\u00f3rias da Companhia&#8221;, as redu\u00e7\u00f5es do Paraguai, Mateo Ricci, na China&#8230; Hoje, esses m\u00e1rtires, uns mais famosos; outros, menos, s\u00e3o a gl\u00f3ria da Companhia. E, sobretudo, s\u00e3o eles os que mant\u00eam a Companhia com vida. Uma semana depois do assassinato do Padre Rutilio Grande, o Padre Arrupe escreveu:<\/p>\n<p>&#8220;Estes s\u00e3o os jesu\u00edtas que o mundo de hoje e a Igreja necessitam. Homens impulsionados pelo amor de Cristo, que sirvam a seus irm\u00e3os sem distin\u00e7\u00e3o de ra\u00e7a ou de classe. Homens que saibam identificar-se com os que sofrem, viver com eles at\u00e9 dar a vida em sua ajuda. Homens valentes que saibam defender os direitos humanos at\u00e9 o sacrif\u00edcio da vida, se for necess\u00e1rio&#8221; (19 de mar\u00e7o de 1977).<\/p>\n<p>Julia Elba e Celina: o povo crucificado<\/p>\n<p>Com os jesu\u00edtas, morreram assassinadas duas mulheres: Julia Elba, 42 anos, cozinheira de uma comunidade de jovens jesu\u00edtas, pobre, alegre e intuitiva e trabalhadora durante toda a vida. E sua filha, Celina, 15 anos, ativa, estudante e catequista; com seu namorado, haviam pensado comprometer-se em dezembro de 1989. Ficaram para dormir na resid\u00eancia dos jesu\u00edtas, pois ali se sentiam mais seguras. Por\u00e9m, a ordem foi &#8220;n\u00e3o deixar testemunhas&#8221;. Nas fotos nota-se a tentativa de Julia Elba para defender a sua filha com seu pr\u00f3prio corpo. H\u00e1 uns dias, escutei este testemunho de uma mulher que conhecia bem a Julia Elba:<\/p>\n<p>&#8220;Digo-lhe que era muito humana porque sentia a dor dos demais. Eu vivi um tempo na casa dela. Era uma pessoa bem amistosa; sabia conviver com os demais. Ela tinha 33 anos e eu 19. Ela e eu t\u00ednhamos muitas coisas em comum; come\u00e7amos a trabalhar muito cedo. Ela havia trabalhado desde os dez anos de idade nos cafezais (&#8230;). Era uma mulher muito forte. Sempre me ensinou que eu devia me acovardar ante os problemas. Foi uma mulher sofrida; por\u00e9m, forte. Me ensinou a ser uma mulher de valor, que n\u00e3o dependesse dos outros para viver&#8221;.<\/p>\n<p>Como Julia Elba, existem centenas de milh\u00f5es de homens e mulheres neste mundo. S\u00e3o imensas maiorias que perpetuam uma hist\u00f3ria de s\u00e9culos: na Am\u00e9rica Latina conquistada e depredada pelos espanh\u00f3is, no s\u00e9culo XVI; na \u00c1frica escravizada no s\u00e9culo XVI e espoliada sistematicamente pelos europeus no s\u00e9culo XIX; no planeta que hoje sofre a globaliza\u00e7\u00e3o opressora sob a \u00e9gide dos Estados Unidos. Morrem de morte r\u00e1pida e violenta e pela repress\u00e3o e, sobretudo, de morte lenta da pobreza e da opress\u00e3o. Sem compara\u00e7\u00e3o poss\u00edvel, sofrem mais do que ningu\u00e9m as consequ\u00eancias de nossos desmandos. Em guerras e invas\u00f5es: Afeganist\u00e3o, Iraque, Palestina; no manejo da medicina e farm\u00e1cia: mal\u00e1ria, AID; em p\u00e9ssima ecologia: inunda\u00e7\u00f5es, desertifica\u00e7\u00e3o, perdas na agricultura; nas cat\u00e1strofes naturais: a imensa maioria daqueles que morrem e nas ribeiras dos rios ou junto \u00e0s linhas de trens&#8230;<\/p>\n<p>&#8220;Existe mais riqueza na Terra; por\u00e9m, h\u00e1 mais injusti\u00e7a. A \u00c1frica tem sido chamada de &#8220;o calabou\u00e7o do mundo&#8221;, uma &#8220;Sho\u00e1&#8221; continental. 2.5 bilh\u00f5es de pessoas sobrevivem na Terra com menos de 2 d\u00f3lares ao dia e 2,5 bilh\u00f5es de pessoas morrem diariamente de fome, segundo a FAO. A desertifica\u00e7\u00e3o amea\u00e7a a vida de 1,2 bilh\u00f5es de pessoas em uma centena de pa\u00edses. Aos emigrantes lhes \u00e9 negada a fraternidade, o solo sob seus p\u00e9s&#8221;.<\/p>\n<p>Estas palavras de Pedro Casald\u00e1liga s\u00e3o de 2006. Nem o G-7, nem o G08, nem agora o G-20 fizeram nada significativo para reverter esta hist\u00f3ria. Recordar hoje os ideais do mil\u00eanio \u00e9 brincadeira e ofensa aos pobres. Em um ano o n\u00famero de famintos aumentou em cem milh\u00f5es e cada cinco segundos uma crian\u00e7a morre de fome, assassinado, assinala Jean Ziegler, pois \u00e9 muito poss\u00edvel eliminar a fome.<\/p>\n<p>S\u00e3o, &#8220;o servo dolente de Yahv\u00e9&#8221; em nossos dias; &#8220;o povo crucificado&#8221;, linguagem que n\u00e3o \u00e9 usada e que politicamente \u00e9 &#8220;totalmente incorreta&#8221;. Seus homens e mulheres morrem inocentemente, pois n\u00e3o cometeram o &#8220;pecado&#8221; de Dom Romero ou de Ignacio Ellacur\u00eda, simplesmente estavam l\u00e1. Morrem cruelmente, com grande frequ\u00eancia depois de uma vida de grandes sofrimentos. Vivem e morrem anonimamente. S\u00e3o desconhecidos os cinco milh\u00f5es de homens e mulheres que morreram nas megaempresas de m\u00edsseis, telefonia e computa\u00e7\u00e3o. E morrem indefesamente. Em s\u00e9rio, quem defende a esses povos? Quem arrisca algo importante para desc\u00ea-los da cruz?<\/p>\n<p>Os m\u00e1rtires jesu\u00e2nicos -alguns- s\u00e3o conhecidos e venerados; por\u00e9m, n\u00e3o o povo crucificado. Pior ainda se, mesmo sem pretend\u00ea-lo, \u00e0queles ocultam a estes. Ellacur\u00eda n\u00e3o viveu nem morreu para que o brilho de sua figura empanasse o rosto de Julia Elba.<\/p>\n<p>Pode parecer absurdo; por\u00e9m, me pergunto quem \u00e9 mais m\u00e1rtir: Ellacur\u00eda ou Julia Elba? Quem reproduz mais a cruz de Jesus? Os m\u00e1rtires jesu\u00e2nicos expressam melhor a decis\u00e3o e a liberdade para arriscar a vida; por\u00e9m, expressam menos a negrura da injusti\u00e7a cotidiana, a dificuldade de viver, simplesmente. A morte das maiorias assassinadas, por sua parte, expressa menos o car\u00e1ter ativo de luta; por\u00e9m, expressa mais a inoc\u00eancia hist\u00f3rica, pois nada fizeram para merecer a morte e a indefesa, pois, nem possibilidade f\u00edsica tiveram para evit\u00e1-la. Essas maiorias s\u00e3o as que mais carregam um pecado que as foi aniquilando pouco a pouco na vida e definitivamente na morte. S\u00e3o as que melhor expressam o ingente sofrimento do mundo. Sem pretend\u00ea-lo e sem sab\u00ea-lo, &#8220;completam em sua carne o que falta \u00e0 paix\u00e3o de Cristo&#8221;. N\u00e3o &#8220;agregam&#8221;, como afirmam os exegetas; por\u00e9m, sim, reproduzem.<\/p>\n<p>(continua&#8230;)<\/p>\n<div id=\"themify_builder_content-5971\" data-postid=\"5971\" class=\"themify_builder_content themify_builder_content-5971 themify_builder themify_builder_front\">\n\t<\/div>\n<!-- \/themify_builder_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jon Sobrino Tradu\u00e7\u00e3o: ADITAL H\u00e1 vinte anos assassinaram aos meus irm\u00e3os jesu\u00edtas da Universidade Centroamericana (UCA), a Julia Elba e Celina. Eu estava na Tail\u00e2ndia e, regressando a El Salvador, tinha que passar por S\u00e3o Francisco (EUA). No aeroporto me esperavam, com rostos imp\u00e1vidos, Steve Prevett e Peggy O\u2019Grady. 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