
{"id":8482,"date":"2010-03-23T09:41:14","date_gmt":"2010-03-23T11:41:14","guid":{"rendered":"http:\/\/www.oarcanjo.net\/site\/?p=8482"},"modified":"2010-03-23T09:41:14","modified_gmt":"2010-03-23T11:41:14","slug":"monsenhor-oscar-romero-trinta-anos-de-um-martirio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.oarcanjo.net\/site\/monsenhor-oscar-romero-trinta-anos-de-um-martirio\/","title":{"rendered":"Monsenhor Oscar Romero: Trinta anos de um mart\u00edrio"},"content":{"rendered":"<p>Maria Clara Lucchetti Bingemer<\/p>\n<p>No dia 24 de mar\u00e7o de 1980, \u00e0s 6 h da tarde, o arcebispo de San Salvador, capital do pequeno pa\u00eds da Am\u00e9rica Central, El Salvador, celebrava missa na capela do Hospitalito, hospital de religiosas que cuidavam de doentes de c\u00e2ncer.  No momento da consagra\u00e7\u00e3o, o tiro desfechado por um atirador de elite escondido atr\u00e1s da porta traseira da capela atingiu o cora\u00e7\u00e3o do pastor e matou-o imediatamente.<\/p>\n<p>Calava-se assim a voz que defendia os pobres no regime cruel e sangrento que dominava El Salvador.  E Monsenhor Romero passaria a estar vivo, a partir de ent\u00e3o, no cora\u00e7\u00e3o de seu povo, no qual profetizou que ressuscitaria, se  o matassem.  Assim foi, assim \u00e9.  N\u00e3o existe um s\u00f3 salvadorenho nos dias de hoje que n\u00e3o fale com carinho extremo de Monsenhor Romero e n\u00e3o reconhe\u00e7a nele um pai e um protetor.  E n\u00e3o h\u00e1 um crist\u00e3o que n\u00e3o deva conhecer a vida e a trajet\u00f3ria deste grande bispo que \u00e9 exemplar para todos aqueles e aquelas que hoje se disp\u00f5em a seguir Jesus de Nazar\u00e9.<\/p>\n<p>Como homem de seu tempo, Romero \u00e9 configurado pela forma\u00e7\u00e3o que recebeu como seminarista e sacerdote.  Uma forma\u00e7\u00e3o dada por uma Igreja pr\u00e9-conciliar, onde a viv\u00eancia da f\u00e9 e a pratica da religi\u00e3o s\u00e3o concebidas como um tanto desvinculadas da vida real e cotidiana das pessoas.  Seu caminho ser\u00e1 extremamente coerente com o caminho crist\u00e3o nesses mais de 2000 anos de hist\u00f3ria. A f\u00e9 crist\u00e3 foi desde seus come\u00e7os uma f\u00e9 no testemunho de outros. \u00c9 uma f\u00e9 de testemunhas e nem tanto de textos. As testemunhas continuam sendo os melhores te\u00f3ricos da f\u00e9 que professamos e que desejamos comunicar.  Nesse sentido, continuam sendo os te\u00f3logos primordiais.<\/p>\n<p>Monsenhor Oscar Arnulfo Romero entra nessa categoria de testemunha e te\u00f3logo primordial.  Seu testemunho de vida e sua morte iluminaram e continuam iluminando o caminho e a vida de v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es.  Enquanto era padre, Oscar Arnulfo Romero era um sacerdote de corte tradicional, que exercia sua pastoral mais ao interior da Igreja, celebrando missas, distribuindo sacramentos, organizando sua diocese.   Devido a seu perfil tranq\u00fcilo e n\u00e3o conflitivo  foi designado pelo Vaticano como bispo no conflitivo pa\u00eds de El Salvador.<\/p>\n<p>A segunda convers\u00e3o de Monsenhor Romero, convers\u00e3o \u00e0 causa dos pobres e dos explorados \u2013\u00a0uma classe de maioria nas terras de El Salvador \u2013 ocorreu depois de sua nomea\u00e7\u00e3o para as fun\u00e7\u00f5es de bispo. Olhando mais de perto essa convers\u00e3o, podemos ver que \u00e9 perfeitamente coerente com o itiner\u00e1rio de um homem honrado e bom, cujo cora\u00e7\u00e3o se mantinha aberto \u00e0 miss\u00e3o recebida e \u00e0 voca\u00e7\u00e3o sentida no cora\u00e7\u00e3o. E sobretudo, aberto ao Deus em quem acreditava e ao qual tinha consagrado toda sua vida , assim como ao povo ao qual prometera servir como pastor.  Desde seu posto de bispo, de autoridade eclesi\u00e1stica, p\u00f4de sentir de outra maneira a mis\u00e9ria de seu povo e a viol\u00eancia dos capitalistas, que \u2013\u00a0como em muitos pa\u00edses do Continente \u2013\u00a0matavam ou faziam desaparecer l\u00edderes, camponeses, padres, agentes de pastoral e tantos quantos fizessem ouvir suas vozes em defesa do povo oprimido.<\/p>\n<p>Monsenhor Romero foi \u201cconvertido\u201d aos pobres e a sua causa,  a causa da justi\u00e7a e da verdade,  por outra testemunha: o jesu\u00edta P. Rutilio Grande. O Padre Rutilio fez muitas den\u00fancias contra a situa\u00e7\u00e3o de pobreza do povo, a insensibilidade das elites e a viol\u00eancia do governo. No dia 12 de Mar\u00e7o de 1977  quando se dirigia para sua terra natal com outros crist\u00e3os para preparar uma festa religiosa, foi morto por militares, com uma rajada de metralhadora. Dom Oscar Romero afirmou que foi o exemplo do Padre Rutilio e sua morte que o convenceram a ficar firmemente ao lado dos pobres e dos injusti\u00e7ados de El Salvador.<\/p>\n<p>Depois da morte de seu companheiro,  Romero passou a acusar frontalmente os capitalistas, governantes, militares e ricos, responsabilizando-os por todos os males ocorridos no pa\u00eds. O testemunho de Rutilio mudou seu olhar sobre a hist\u00f3ria. Romero n\u00e3o se calou  diante das viol\u00eancias da guerrilha revolucion\u00e1ria mas tampouco diante daquelas perpetradas pelos poderes constitu\u00eddos. Entendeu que seu papel de pastor \u2013 papel esse que entendia como extensivo a toda a Igreja naquele momento hist\u00f3rico dif\u00edcil e doloroso que vivia seu pa\u00eds e seu povo \u2013 era levantando a voz e expondo-se, colocando-se claramente do lado dos mais fracos e oprimidos. Por isso a configura\u00e7\u00e3o mais vigorosa de sua a\u00e7\u00e3o e de sua luta em favor da justi\u00e7a e da paz, em defesa dos direitos humanos,   vamos encontra-la em suas homilias dominicais, nas quais analisa a realidade da semana \u00e0 luz do evangelho. Transmitidas pela r\u00e1dio cat\u00f3lica, s\u00e3o ouvidas em cada canto do pa\u00eds, dando esperan\u00e7a ao povo e suscitando o rancor dos capitalistas.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo em que conclamava a todos \u00e0 plena responsabilidade eclesial, denunciava a acomoda\u00e7\u00e3o e a aliena\u00e7\u00e3o de muitos com rela\u00e7\u00e3o a sua responsabilidade eclesi\u00e1stica e hist\u00f3rica. Eclesialidade e cidadania para ele s\u00e3o insepar\u00e1veis.<\/p>\n<p>&#8220;Uma religi\u00e3o de missa dominical, mas de semana injusta, n\u00e3o agrada ao Senhor. Uma religi\u00e3o de muitas rezas e tantas hipocrisias no cora\u00e7\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 crist\u00e3. Uma Igreja que se instala sozinho para estar bem, para ter muito dinheiro, muita comodidade, mas que se esquece do clamor das injusti\u00e7as, n\u00e3o \u00e9 verdadeiramente a Igreja de nosso divino Redentor&#8221; (04\/12\/1977).<\/p>\n<p>Fiel a sua leitura da hist\u00f3ria  iluminada pelo evangelho do Jesus, sabia tamb\u00e9m e inseparavelmente, que assumir essa vis\u00e3o e essa viv\u00eancia de Igreja leva consigo s\u00e9rias conseq\u00fc\u00eancias.  A mais s\u00e9ria, mais dolorosa, mas tamb\u00e9m a mais luminosa e consoladora \u00e9 a persegui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>J\u00e1 nos prim\u00f3rdios do cristianismo os disc\u00edpulos entenderam, de acordo a ensinamentos do pr\u00f3prio mestre, que seriam perseguidos se permaneciam fi\u00e9is em seu proceder e em seu testemunho.  O mundo os odiaria como tinha odiado a Jesus e os perseguiria implacavelmente.  Ao inv\u00e9s, se eram aplaudidos e elogiados pelos capitalistas e as inst\u00e2ncias ricas da sociedade deveriam ficar muito desconfiados.  Isso significaria que seu testemunho era d\u00e9bil e n\u00e3o  seguia fielmente as pegadas do Mestre e Senhor, a quem deveriam aspirar assemelhar-se.  Assim entendeu Monsenhor Romero a cascata de amea\u00e7as, persegui\u00e7\u00f5es e sofrimentos que se abateu sobre ele e a Igreja salvadorenha que o acompanhava e apoiava e procurou inspira-la com sua palavra e seu carinho de pastor.<\/p>\n<p>&#8220;Quando nos chamarem de loucos, embora nos chamem de subversivos, comunistas e todas as ofensas que assacam contra n\u00f3s, sabemos que n\u00e3o fazem mais que pregar o testemunho \u2018subversivo\u2019 das bem-aventuran\u00e7as, que anima a todos para proclamar que os bem-aventurados s\u00e3o os pobres, bem-aventurados os sedentos de justi\u00e7a, bem-aventurados os que sofrem&#8221; (11\/05\/1978).<\/p>\n<p>Assim tamb\u00e9m a Igreja, se seguir seriamente a seu Senhor, n\u00e3o pode ser aplaudida e aclamada por todos. A persegui\u00e7\u00e3o real e a disposi\u00e7\u00e3o a sofr\u00ea-la \u00e9 e sempre foi a \u201cverifica\u00e7\u00e3o mais clara do seguimento do Jesus\u201d.   Monsenhor Romero sabe e a isso convoca abundante e eloq\u00fcentemente a seus fi\u00e9is.<\/p>\n<p>&#8220;Uma Igreja que n\u00e3o sofre persegui\u00e7\u00f5es, e que est\u00e1 desfrutando dos privil\u00e9gios e o apoio da burguesia, n\u00e3o \u00e9 a verdadeira Igreja de Jesus Cristo&#8221; (11\/03\/1979).<\/p>\n<p>Os dias do pastor estavam contados. Ele sabia. E o dizia claramente.  S\u00e3o conhecidas de todos n\u00f3s o sem n\u00famero de vezes em que anunciou sua morte pr\u00f3xima.  Fazem-nos recordar os an\u00fancios da Paix\u00e3o feitos por Jesus do Nazar\u00e9 e que os evangelhos recolhem. Com muita clareza, afirmava: \u201cSe nos cortarem a r\u00e1dio, se nos fecharem o jornal, se n\u00e3o nos deixam falar, se matarem todos os sacerdotes e at\u00e9 o arcebispo, e fica um povo sem sacerdotes, cada um de voc\u00eas deve converter-se em microfone de Deus, cada um de voc\u00eas deve ser um mensageiro, um profeta\u201d.<\/p>\n<p>Duas semanas antes de sua morte, em uma entrevista ao jornal Excelsior, do M\u00e9xico, disse: \u201cFui freq\u00fcentemente amea\u00e7ado de morte. Devo lhe dizer que, como crist\u00e3o, n\u00e3o acredito na morte sem ressurrei\u00e7\u00e3o: se me matarem, ressuscitarei no povo salvadorenho. Digo isso sem nenhuma ostenta\u00e7\u00e3o, com a maior humildade. Como pastor, sou obrigado, por mandato divino, a dar a vida por aqueles que amo, que s\u00e3o todos os salvadorenhos, at\u00e9 por aqueles que me assassinem. Se chegarem a cumprir as amea\u00e7as, a partir de agora ofere\u00e7o a Deus meu sangue pela reden\u00e7\u00e3o e ressurrei\u00e7\u00e3o do Salvador. O mart\u00edrio \u00e9 uma gra\u00e7a de Deus, que n\u00e3o me sinto na situa\u00e7\u00e3o de merecer, entretanto, se Deus aceitar o sacrif\u00edcio de minha vida, que meu sangue seja semente de liberdade e sinal de que a esperan\u00e7a se transformar\u00e1 logo em realidade. Minha morte, se \u00e9 aceita Por Deus, que seja pela libera\u00e7\u00e3o de meu povo e como testemunho de esperan\u00e7a no futuro. Pode escrever: se chegarem a me matar, desde j\u00e1 eu perd\u00f4o e benzo aquele que o fa\u00e7a\u201d.<\/p>\n<p>Na homilia de 23 de mar\u00e7o de 1980, um dia antes de morrer,  ele se dirige explicitamente aos homens do ex\u00e9rcito, da Guarda Nacional e da Pol\u00edcia: \u201cFrente \u00e0 ordem de matar seus irm\u00e3os deve prevalecer a Lei de Deus, que afirma: N\u00c3O MATAR\u00c1S! Ningu\u00e9m deve obedecer a uma lei imoral (&#8230;). Em favor deste povo sofrido, cujos gritos sobem ao c\u00e9u de maneira sempre mais numerosa, suplico-lhes, pe\u00e7o-lhes, ordeno-lhes em nome de Deus: cesse a repress\u00e3o!\u201d.<\/p>\n<p>Ser\u00e3o as \u00faltimas palavras do bispo ao pa\u00eds. No dia seguinte, \u00e9 assassinado por um franco-atirador, enquanto reza a missa. Selou seu testemunho com sangue, como Jesus e todos os m\u00e1rtires crist\u00e3os. Entretanto, sua morte n\u00e3o pode ser desconectada de sua vida.  Foi o selo coerente desta.  Para entender o alcance da morte de Mons. Romero e afirmar que \u00e9 realmente um mart\u00edrio importa lan\u00e7ar os olhos sobre o modo como viveu.  \u00c9 o modo como viveu, sua hist\u00f3ria de vida que ilumina e faz com que sua morte cobre todo  sentido.  E vice \u2013versa.  Sua morte confirma e legitima todo aquilo pelo que lutou em vida.<\/p>\n<p>A f\u00e9 de Monsenhor Romero, como f\u00e9 de uma aut\u00eantica testemunha, tem que alimentar nossa f\u00e9 aqui e agora.  Em que pontos pode aliment\u00e1-la e fortalec\u00ea-la principalmente?<\/p>\n<p>1. A f\u00e9 de Monsenhor Romero chama a uma convers\u00e3o pessoal.  Chama-nos a ser testemunhas mais coerentes no sentido de mais atentos \u00e0 hist\u00f3ria e seus signos para ver onde h\u00e1 dor, onde h\u00e1 sofrimento, onde h\u00e1 necessidade para estar a\u00ed, consolando, atendendo, testemunhando, como verdadeiros seguidores e disc\u00edpulos de Jesus Cristo.  Se formos crist\u00e3os de missa dominical e de semana injusta, estamos muito longe do Jesus do Nazar\u00e9 e do testemunho de Monsenhor Romero.<\/p>\n<p>2. A f\u00e9 de Mons. Romero enquanto  homem de Igreja nos chama a construir uma Igreja que seja aberta aos desafios e solicita\u00e7\u00f5es de hoje.  Uma Igreja acolhedora e servidora dos pobres, tendo-os sempre como prioridade inescap\u00e1vel de sua agenda; uma Igreja aberta \u00e0s diferen\u00e7as \u2013 de genero, de ra\u00e7a, de etnia; uma Igreja aberta ao di\u00e1logo com o mundo, e com as outras tradi\u00e7\u00f5es com vistas a construir juntos os grandes valores que o mundo necessita mais que tudo: justi\u00e7a, paz e solidariedade.<\/p>\n<p>3. A f\u00e9 de Mons. Romero nos ensina que nossa Igreja, se for essa Igreja que ele viveu e pregou e que anunciou com sua vida e sua morte, ter\u00e1 necessariamente que ser perseguida.  Temos que ser uma Igreja que n\u00e3o procure aplausos e aprova\u00e7\u00f5es gerais e totalizantes, mas que aceite a incompreens\u00e3o, a contradi\u00e7\u00e3o e a persegui\u00e7\u00e3o e o conflito como provas constitutivas e coerentes com a veracidade de nosso seguimento de Jesus.<\/p>\n<p>4. A f\u00e9 de Mons. Romero nos diz que importa nem tanto anunciar o Cristianismo como uma religi\u00e3o feita de normas morais, f\u00f3rmulas dogm\u00e1ticas e rituais sem fim, mas sim como um caminho de vida, e vida em abund\u00e2ncia para todos.  Por isso, trata-se muito mais de f\u00e9 e nem tanto de religi\u00e3o.  Muito mais de caminho e nem tanto de estabilidade e institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>5. A f\u00e9 de Mons. Romero nos ensina que o Reino \u00e9 uma proposta para todos e ter\u00e1 que colocar-nos ao lado de todos que desejam constru\u00ed-lo.  Mas a Igreja \u00e9 uma proposta para aqueles que se disp\u00f5em a tomar a s\u00e9rio  seu Batismo e aceitar suas implica\u00e7\u00f5es, que s\u00e3o sofrer e morrer pelo povo.  Por isso, ter\u00e1 que dar sua vida construindo o Reino para todos, mas fazer Igreja com aqueles que realmente querem seguir a Jesus Cristo com todas as suas conseq\u00fc\u00eancias.  Enquanto o Batismo seja um bem de consumo posto a disposi\u00e7\u00e3o de todos, parece que n\u00e3o conseguiremos construir a Igreja segundo o sonho de Jesus.<\/p>\n<div id=\"themify_builder_content-8482\" data-postid=\"8482\" class=\"themify_builder_content themify_builder_content-8482 themify_builder themify_builder_front\">\n\t<\/div>\n<!-- \/themify_builder_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Maria Clara Lucchetti Bingemer No dia 24 de mar\u00e7o de 1980, \u00e0s 6 h da tarde, o arcebispo de San Salvador, capital do pequeno pa\u00eds da Am\u00e9rica Central, El Salvador, celebrava missa na capela do Hospitalito, hospital de religiosas que cuidavam de doentes de c\u00e2ncer. 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