
{"id":87208,"date":"2018-04-09T09:08:49","date_gmt":"2018-04-09T12:08:49","guid":{"rendered":"https:\/\/www.oarcanjo.net\/site\/?p=87208"},"modified":"2018-04-09T09:19:01","modified_gmt":"2018-04-09T12:19:01","slug":"exortacao-apostolica-gaudete-et-exsultate-sobre-o-chamado-a-santidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.oarcanjo.net\/site\/exortacao-apostolica-gaudete-et-exsultate-sobre-o-chamado-a-santidade\/","title":{"rendered":"Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica &#8220;Gaudete et Exsultate&#8221; sobre o chamado \u00e0 santidade"},"content":{"rendered":"<ol>\n<li>\u201cALEGRAI-VOS E EXULTAI\u201d (<em>Mt<\/em> 5, 12), diz Jesus a quantos s\u00e3o perseguidos ou humilhados por causa d\u2019Ele. O Senhor pede tudo e, em troca, oferece a vida verdadeira, a felicidade para a qual fomos criados. Quer-nos santos e espera que n\u00e3o nos resignemos com uma vida med\u00edocre, superficial e indecisa. Com efeito, a chamada \u00e0 santidade est\u00e1 patente, de v\u00e1rias maneiras, desde as primeiras p\u00e1ginas da B\u00edblia; a Abra\u00e3o, o Senhor prop\u00f4-la nestes termos: \u201canda na minha presen\u00e7a e s\u00ea perfeito\u201d (<em>Gn<\/em> 17, 1).<\/li>\n<li>N\u00e3o se deve esperar aqui um tratado sobre a santidade, com muitas defini\u00e7\u00f5es e distin\u00e7\u00f5es que poderiam enriquecer este tema importante ou com an\u00e1lises que se poderiam fazer acerca dos meios de santifica\u00e7\u00e3o. O meu objetivo \u00e9 humilde: fazer ressoar mais uma vez a chamada \u00e0 santidade, procurando encarn\u00e1-la no contexto atual, com os seus riscos, desafios e oportunidades, porque o Senhor escolheu cada um de n\u00f3s \u201cpara ser santo e irrepreens\u00edvel na sua presen\u00e7a, no amor\u201d (cf. <em>Ef<\/em> 1, 4).<\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>Cap\u00edtulo I<\/strong><\/p>\n<p><strong>A CHAMADA \u00c0 SANTIDADE<\/strong><\/p>\n<p><strong>Os santos que nos encorajam e acompanham<\/strong><\/p>\n<ol start=\"3\">\n<li>Na Carta aos Hebreus, mencionam-se v\u00e1rias testemunhas que nos encorajam a \u201ccorrer com perseveran\u00e7a a prova que nos \u00e9 proposta\u201d (12, 1): fala-se de Abra\u00e3o, Sara, Mois\u00e9s, Gede\u00e3o e v\u00e1rios outros (cf. cap. 11). Mas, sobretudo somos convidados a reconhecer-nos \u201ccircundados de tal nuvem de testemunhas\u201d (12, 1), que incitam a n\u00e3o deter-nos no caminho, que nos estimulam a continuar a correr para a meta. E, entre tais testemunhas, podem estar a nossa pr\u00f3pria m\u00e3e, uma av\u00f3 ou outras pessoas pr\u00f3ximas de n\u00f3s (cf. <em>2 Tm<\/em> 1, 5). A sua vida talvez n\u00e3o tenha sido sempre perfeita, mas, mesmo no meio de imperfei\u00e7\u00f5es e quedas, continuaram a caminhar e agradaram ao Senhor.<\/li>\n<li>Os santos, que j\u00e1 chegaram \u00e0 presen\u00e7a de Deus, mant\u00eam connosco la\u00e7os de amor e comunh\u00e3o. Atesta-o o livro do Apocalipse, quando fala dos m\u00e1rtires intercessores: \u201cVi debaixo do altar as almas dos que tinham sido mortos, por causa da Palavra de Deus e por causa do testemunho que deram. E clamavam em alta voz: \u201cTu, que \u00e9s o Poderoso, o Santo, o Verdadeiro! At\u00e9 quando esperar\u00e1s para julgar?\u201d\u201c (6, 9-10). Podemos dizer que \u201cestamos circundados, conduzidos e guiados pelos amigos de Deus. (&#8230;) N\u00e3o devo carregar sozinho o que, na realidade, nunca poderia carregar sozinho. Os numerosos santos de Deus protegem-me, amparam-me e guiam-me\u201d.<a name=\"_ftnref1\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn1\">[1]<\/a><\/li>\n<li>Nos processos de beatifica\u00e7\u00e3o e canoniza\u00e7\u00e3o, tomam-se em considera\u00e7\u00e3o os sinais de heroicidade na pr\u00e1tica das virtudes, o sacrif\u00edcio da vida no mart\u00edrio e tamb\u00e9m os casos em que se verificou um oferecimento da pr\u00f3pria vida pelos outros, mantido at\u00e9 \u00e0 morte. Esta doa\u00e7\u00e3o manifesta uma imita\u00e7\u00e3o exemplar de Cristo, e \u00e9 digna da admira\u00e7\u00e3o dos fi\u00e9is.<a name=\"_ftnref2\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn2\">[2]<\/a> Lembremos, por exemplo, a Beata Maria Gabriela Sagheddu, que ofereceu a sua vida pela unidade dos crist\u00e3os.<\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>Os santos ao p\u00e9 da porta<\/strong><\/p>\n<ol start=\"6\">\n<li>N\u00e3o pensemos apenas em quantos j\u00e1 est\u00e3o beatificados ou canonizados. O Esp\u00edrito Santo derrama a santidade, por toda a parte, no santo povo fiel de Deus, porque \u201caprouve a Deus salvar e santificar os homens, n\u00e3o individualmente, exclu\u00edda qualquer liga\u00e7\u00e3o entre eles, mas constituindo-os em povo que O conhecesse na verdade e O servisse santamente\u201d.<a name=\"_ftnref3\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn3\">[3]<\/a> O Senhor, na hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o, salvou um povo. N\u00e3o h\u00e1 identidade plena, sem perten\u00e7a a um povo. Por isso, ningu\u00e9m se salva sozinho, como indiv\u00edduo isolado, mas Deus atrai-nos tendo em conta a complexa rede de rela\u00e7\u00f5es interpessoais que se estabelecem na comunidade humana: Deus quis entrar numa din\u00e2mica popular, na din\u00e2mica dum povo.<\/li>\n<li>Gosto de ver a santidade no povo paciente de Deus: nos pais que criam os seus filhos com tanto amor, nos homens e mulheres que trabalham a fim de trazer o p\u00e3o para casa, nos doentes, nas consagradas idosas que continuam a sorrir. Nesta const\u00e2ncia de continuar a caminhar dia ap\u00f3s dia, vejo a santidade da Igreja militante. Esta \u00e9 muitas vezes a santidade \u201cao p\u00e9 da porta\u201d, daqueles que vivem perto de n\u00f3s e s\u00e3o um reflexo da presen\u00e7a de Deus, ou \u2013 por outras palavras \u2013 da \u201cclasse m\u00e9dia da santidade\u201d.<a name=\"_ftnref4\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn4\">[4]<\/a><\/li>\n<li>Deixemo-nos estimular pelos sinais de santidade que o Senhor nos apresenta atrav\u00e9s dos membros mais humildes deste povo que \u201cparticipam tamb\u00e9m da fun\u00e7\u00e3o prof\u00e9tica de Cristo, difundindo o seu testemunho vivo, sobretudo pela vida de f\u00e9 e de caridade\u201d.<a name=\"_ftnref5\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn5\">[5]<\/a> Como nos sugere Santa Teresa Benedita da Cruz, pensemos que \u00e9 atrav\u00e9s de muitos deles que se constr\u00f3i a verdadeira hist\u00f3ria: \u201cNa noite mais escura, surgem os maiores profetas e os santos. Todavia a corrente vivificante da vida m\u00edstica permanece invis\u00edvel. Certamente, os eventos decisivos da hist\u00f3ria do mundo foram essencialmente influenciados por almas sobre as quais nada se diz nos livros de hist\u00f3ria. E saber quais sejam as almas a quem devemos agradecer os acontecimentos decisivos da nossa vida pessoal, \u00e9 algo que s\u00f3 conheceremos no dia em que tudo o est\u00e1 oculto for revelado\u201d.<a name=\"_ftnref6\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn6\">[6]<\/a><\/li>\n<li>A santidade \u00e9 o rosto mais belo da Igreja. Mas, mesmo fora da Igreja Cat\u00f3lica e em \u00e1reas muito diferentes, o Esp\u00edrito suscita \u201csinais da sua presen\u00e7a, que ajudam os pr\u00f3prios disc\u00edpulos de Cristo\u201d.<a name=\"_ftnref7\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn7\">[7]<\/a> Por outro lado, S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II lembrou-nos que o \u201ctestemunho, dado por Cristo at\u00e9 ao derramamento do sangue, tornou-se patrim\u00f3nio comum de cat\u00f3licos, ortodoxos, anglicanos e protestantes\u201d.<a name=\"_ftnref8\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn8\">[8]<\/a> Na sugestiva comemora\u00e7\u00e3o ecum\u00e9nica, que ele quis celebrar no Coliseu durante o Jubileu do ano 2000, defendeu que os m\u00e1rtires s\u00e3o \u201cuma heran\u00e7a que fala com uma voz mais alta do que os fatores de divis\u00e3o\u201d.<a name=\"_ftnref9\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn9\">[9]<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>O Senhor chama<\/strong><\/p>\n<ol start=\"10\">\n<li>Tudo isto \u00e9 importante. Mas, o que quero recordar com esta Exorta\u00e7\u00e3o \u00e9 sobretudo a chamada \u00e0 santidade que o Senhor faz a cada um de n\u00f3s, a chamada que dirige tamb\u00e9m a ti: \u201csede santos, porque Eu sou santo\u201d (<em>Lv<\/em> 11, 45; cf. <em>1 Ped<\/em> 1, 16). O Conc\u00edlio Vaticano II salientou vigorosamente: \u201cmunidos de tantos e t\u00e3o grandes meios de salva\u00e7\u00e3o, todos os fi\u00e9is, seja qual for a sua condi\u00e7\u00e3o ou estado, s\u00e3o chamados pelo Senhor \u00e0 perfei\u00e7\u00e3o do Pai, cada um por seu caminho\u201d.<a name=\"_ftnref10\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn10\">[10]<\/a><\/li>\n<li>\u201cCada um por seu caminho\u201d, diz o Conc\u00edlio. Por isso, uma pessoa n\u00e3o deve desanimar, quando contempla modelos de santidade que lhe parecem inating\u00edveis. H\u00e1 testemunhos que s\u00e3o \u00fateis para nos estimular e motivar, mas n\u00e3o para procurarmos copi\u00e1-los, porque isso poderia at\u00e9 afastar-nos do caminho, \u00fanico e espec\u00edfico, que o Senhor predisp\u00f4s para n\u00f3s. Importante \u00e9 que cada crente discirna o seu pr\u00f3prio caminho e traga \u00e0 luz o melhor de si mesmo, quanto Deus colocou nele de muito pessoal (cf. <em>1 Cor<\/em> 12, 7), e n\u00e3o se esgote procurando imitar algo que n\u00e3o foi pensado para ele. Todos estamos chamados a ser testemunhas, mas h\u00e1 muitas formas existenciais de testemunho.<a name=\"_ftnref11\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn11\">[11]<\/a> De facto, quando o grande m\u00edstico S\u00e3o Jo\u00e3o da Cruz escrevera o seu <em>C\u00e2ntico Espiritual<\/em>, preferia evitar regras fixas para todos, explicando que os seus versos estavam escritos para que cada um os aproveitasse \u201ca seu modo\u201d.<a name=\"_ftnref12\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn12\">[12]<\/a> Pois a vida divina comunica-se \u201ca uns duma maneira e a outros doutra\u201d.<a name=\"_ftnref13\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn13\">[13]<\/a><\/li>\n<li>A prop\u00f3sito de tais formas distintas, quero assinalar que tamb\u00e9m o \u201cg\u00e9nio feminino\u201d se manifesta em estilos femininos de santidade, indispens\u00e1veis para refletir a santidade de Deus neste mundo. E precisamente em per\u00edodos nos quais as mulheres estiveram mais exclu\u00eddas, o Esp\u00edrito Santo suscitou santas, cujo fasc\u00ednio provocou novos dinamismos espirituais e reformas importantes na Igreja. Podemos citar Santa Hildegarda de Bingen, Santa Br\u00edgida, Santa Catarina de Sena, Santa Teresa de \u00c1vila ou Santa Teresa de Lisieux; mas interessa-me sobretudo lembrar tantas mulheres desconhecidas ou esquecidas que sustentaram e transformaram, cada uma a seu modo, fam\u00edlias e comunidades com a for\u00e7a do seu testemunho.<\/li>\n<li>Isto deveria entusiasmar e animar cada um a dar o melhor de si mesmo para crescer rumo \u00e0quele projeto, \u00fanico e irrepet\u00edvel, que Deus quis, desde toda a eternidade, para ele: \u201cantes de te haver formado no ventre materno, Eu j\u00e1 te conhecia; antes que sa\u00edsses do seio de tua m\u00e3e, Eu te consagrei\u201d (<em>Jer<\/em> 1, 5).<\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>A ti tamb\u00e9m<\/strong><\/p>\n<ol start=\"14\">\n<li>Para ser santo, n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio ser bispo, sacerdote, religiosa ou religioso. Muitas vezes somos tentados a pensar que a santidade esteja reservada apenas \u00e0queles que t\u00eam possibilidade de se afastar das ocupa\u00e7\u00f5es comuns, para dedicar muito tempo \u00e0 ora\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 assim. Todos somos chamados a ser santos, vivendo com amor e oferecendo o pr\u00f3prio testemunho nas ocupa\u00e7\u00f5es de cada dia, onde cada um se encontra. \u00c9s uma consagrada ou um consagrado? S\u00ea santo, vivendo com alegria a tua doa\u00e7\u00e3o. Est\u00e1s casado? S\u00ea santo, amando e cuidando do teu marido ou da tua esposa, como Cristo fez com a Igreja. \u00c9s um trabalhador? S\u00ea santo, cumprindo com honestidade e compet\u00eancia o teu trabalho ao servi\u00e7o dos irm\u00e3os. \u00c9s progenitor, av\u00f3 ou av\u00f4? S\u00ea santo, ensinando com paci\u00eancia as crian\u00e7as a seguirem Jesus. Est\u00e1s investido em autoridade? S\u00ea santo, lutando pelo bem comum e renunciando aos teus interesses pessoais.<a name=\"_ftnref14\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn14\">[14]<\/a><\/li>\n<li>Deixa que a gra\u00e7a do teu Batismo frutifique num caminho de santidade. Deixa que tudo esteja aberto a Deus e, para isso, opta por Ele, escolhe Deus sem cessar. N\u00e3o desanimes, porque tens a for\u00e7a do Esp\u00edrito Santo para tornar poss\u00edvel a santidade e, no fundo, esta \u00e9 o fruto do Esp\u00edrito Santo na tua vida (cf. <em>Gal<\/em> 5, 22-23). Quando sentires a tenta\u00e7\u00e3o de te enredares na tua fragilidade, levanta os olhos para o Crucificado e diz-Lhe: \u201cSenhor, sou um miser\u00e1vel! Mas V\u00f3s podeis realizar o milagre de me tornar um pouco melhor\u201d. Na Igreja, santa e formada por pecadores, encontrar\u00e1s tudo o que precisas para crescer rumo \u00e0 santidade. \u201cComo uma noiva que se adorna com as suas joias\u201d (<em>Is<\/em> 61, 10), o Senhor cumulou-a de dons com a Palavra, os Sacramentos, os santu\u00e1rios, a vida das comunidades, o testemunho dos santos e uma beleza multiforme que deriva do amor do Senhor.<\/li>\n<li>Esta santidade, a que o Senhor te chama, ir\u00e1 crescendo com pequenos gestos. Por exemplo, uma senhora vai ao mercado fazer as compras, encontra uma vizinha, come\u00e7am a falar e\u2026 surgem as cr\u00edticas. Mas esta mulher diz para consigo: \u201cN\u00e3o! N\u00e3o falarei mal de ningu\u00e9m\u201d. Isto \u00e9 um passo rumo \u00e0 santidade. Depois, em casa, o seu filho reclama a aten\u00e7\u00e3o dela para falar das suas fantasias e ela, embora cansada, senta-se ao seu lado e escuta com paci\u00eancia e carinho. Trata-se doutra oferta que santifica. Ou ent\u00e3o atravessa um momento de ang\u00fastia, mas lembra-se do amor da Virgem Maria, pega no ter\u00e7o e reza com f\u00e9. Este \u00e9 outro caminho de santidade. Noutra ocasi\u00e3o, segue pela estrada fora, encontra um pobre e det\u00e9m-se a conversar carinhosamente com ele. \u00c9 mais um passo.<\/li>\n<li>Sucede, \u00e0s vezes, que a vida apresenta desafios maiores e, atrav\u00e9s deles, o Senhor convida-nos a novas convers\u00f5es que permitam \u00e0 sua gra\u00e7a manifestar-se melhor na nossa exist\u00eancia, \u201cpara nos fazer participantes da sua santidade\u201d (<em>Heb<\/em> 12, 10). Outras vezes trata-se apenas de encontrar uma forma mais perfeita de viver o que j\u00e1 fazemos: \u201ch\u00e1 inspira\u00e7\u00f5es que nos fazem apenas tender para uma perfei\u00e7\u00e3o extraordin\u00e1ria das pr\u00e1ticas ordin\u00e1rias da vida crist\u00e3\u201d.<a name=\"_ftnref15\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn15\">[15]<\/a> Quando estava na pris\u00e3o, o Cardeal Francisco Xavier Nguyen van Thuan renunciou a desgastar-se com a \u00e2nsia da sua liberta\u00e7\u00e3o. A sua decis\u00e3o foi \u201cviver o momento presente, cumulando-o de amor\u201d; eis o modo como a concretizava: \u201caproveito as ocasi\u00f5es que v\u00e3o surgindo cada dia para realizar a\u00e7\u00f5es ordin\u00e1rias de maneira extraordin\u00e1ria\u201d.<a name=\"_ftnref16\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn16\">[16]<\/a><\/li>\n<li>Deste modo, sob o impulso da gra\u00e7a divina, com muitos gestos vamos construindo aquela figura de santidade que Deus quis para n\u00f3s: n\u00e3o como seres autossuficientes, mas \u201ccomo bons administradores das v\u00e1rias gra\u00e7as de Deus\u201d (<em>1 Ped<\/em> 4, 10). Os Bispos da Nova Zel\u00e2ndia ensinaram-nos, justamente, que \u00e9 poss\u00edvel amar com o amor incondicional do Senhor, porque o Ressuscitado partilha a sua vida poderosa com as nossas vidas fr\u00e1geis: \u201co seu amor n\u00e3o tem limites e, uma vez doado, nunca volta atr\u00e1s. Foi incondicional e permaneceu fiel. Amar assim n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, porque muitas vezes somos t\u00e3o fr\u00e1geis; mas, precisamente para podermos amar como Ele nos amou, Cristo partilha connosco a sua pr\u00f3pria vida ressuscitada. Desta forma, a nossa vida demonstra o seu poder em a\u00e7\u00e3o, inclusive no meio da fragilidade humana\u201d.<a name=\"_ftnref17\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn17\">[17]<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>A tua miss\u00e3o em Cristo<\/strong><\/p>\n<ol start=\"19\">\n<li>Para um crist\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel imaginar a pr\u00f3pria miss\u00e3o na terra, sem a conceber como um caminho de santidade, porque \u201cesta \u00e9, na verdade, a vontade de Deus: a [nossa] santifica\u00e7\u00e3o\u201d (<em>1 Ts<\/em> 4, 3). Cada santo \u00e9 uma miss\u00e3o; \u00e9 um projeto do Pai que visa refletir e encarnar, num momento determinado da hist\u00f3ria, um aspeto do Evangelho.<\/li>\n<li>Esta miss\u00e3o tem o seu sentido pleno em Cristo e s\u00f3 se compreende a partir d\u2019Ele. No fundo, a santidade \u00e9 viver em uni\u00e3o com Ele os mist\u00e9rios da sua vida; consiste em associar-se duma maneira \u00fanica e pessoal \u00e0 morte e ressurrei\u00e7\u00e3o do Senhor, em morrer e ressuscitar continuamente com Ele. Mas pode tamb\u00e9m envolver a reprodu\u00e7\u00e3o na pr\u00f3pria exist\u00eancia de diferentes aspetos da vida terrena de Jesus: a vida oculta, a vida comunit\u00e1ria, a proximidade aos \u00faltimos, a pobreza e outras manifesta\u00e7\u00f5es da sua doa\u00e7\u00e3o por amor. A contempla\u00e7\u00e3o destes mist\u00e9rios, como propunha Santo In\u00e1cio de Loyola, leva-nos a encarn\u00e1-los nas nossas op\u00e7\u00f5es e atitudes.<a name=\"_ftnref18\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn18\">[18]<\/a> Porque \u201ctudo, na vida de Jesus, \u00e9 sinal do seu mist\u00e9rio\u201d,<a name=\"_ftnref19\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn19\">[19]<\/a> \u201ctoda a vida de Cristo \u00e9 revela\u00e7\u00e3o do Pai\u201d,<a name=\"_ftnref20\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn20\">[20]<\/a> \u201ctoda a vida de Cristo \u00e9 mist\u00e9rio de reden\u00e7\u00e3o\u201d,<a name=\"_ftnref21\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn21\">[21]<\/a> \u201ctoda a vida de Cristo \u00e9 mist\u00e9rio de recapitula\u00e7\u00e3o\u201d,<a name=\"_ftnref22\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn22\">[22]<\/a> e \u201ctudo o que Cristo viveu, Ele pr\u00f3prio faz com que o possamos viver n\u2019Ele e Ele viv\u00ea-lo em n\u00f3s\u201d.<a name=\"_ftnref23\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn23\">[23]<\/a><\/li>\n<li>O des\u00edgnio do Pai \u00e9 Cristo, e n\u00f3s n\u2019Ele. Em \u00faltima an\u00e1lise, \u00e9 Cristo que ama em n\u00f3s, porque a santidade \u201cmais n\u00e3o \u00e9 do que a caridade plenamente vivida\u201d.<a name=\"_ftnref24\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn24\">[24]<\/a> Por conseguinte, \u201ca medida da santidade \u00e9 dada pela estatura que Cristo alcan\u00e7a em n\u00f3s, desde quando, com a for\u00e7a do Esp\u00edrito Santo, modelamos toda a nossa vida sobre a Sua\u201d.<a name=\"_ftnref25\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn25\">[25]<\/a> Assim, cada santo \u00e9 uma mensagem que o Esp\u00edrito Santo extrai da riqueza de Jesus Cristo e d\u00e1 ao seu povo.<\/li>\n<li>Para identificar qual seja essa palavra que o Senhor quer dizer atrav\u00e9s dum santo, n\u00e3o conv\u00e9m deter-se nos detalhes, porque nisso tamb\u00e9m pode haver erros e quedas. Nem tudo o que um santo diz \u00e9 plenamente fiel ao Evangelho, nem tudo o que faz \u00e9 aut\u00eantico ou perfeito. O que devemos contemplar \u00e9 o conjunto da sua vida, o seu caminho inteiro de santifica\u00e7\u00e3o, aquela figura que reflete algo de Jesus Cristo e que sobressai quando se consegue compor o sentido da totalidade da sua pessoa.<a name=\"_ftnref26\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn26\">[26]<\/a><\/li>\n<li>Isto \u00e9 um vigoroso apelo para todos n\u00f3s. Tamb\u00e9m tu precisas de conceber a totalidade da tua vida como uma miss\u00e3o. Tenta faz\u00ea-lo, escutando a Deus na ora\u00e7\u00e3o e identificando os sinais que Ele te d\u00e1. Pede sempre, ao Esp\u00edrito Santo, o que espera Jesus de ti em cada momento da tua vida e em cada op\u00e7\u00e3o que tenhas de tomar, para discernir o lugar que isso ocupa na tua miss\u00e3o. E permite-Lhe plasmar em ti aquele mist\u00e9rio pessoal que possa refletir Jesus Cristo no mundo de hoje.<\/li>\n<li>Oxal\u00e1 consigas identificar a palavra, a mensagem de Jesus que Deus quer dizer ao mundo com a tua vida. Deixa-te transformar, deixa-te renovar pelo Esp\u00edrito para que isso seja poss\u00edvel, e assim a tua preciosa miss\u00e3o n\u00e3o fracassar\u00e1. O Senhor lev\u00e1-la-\u00e1 a cumprimento mesmo no meio dos teus erros e momentos negativos, desde que n\u00e3o abandones o caminho do amor e permane\u00e7as sempre aberto \u00e0 sua a\u00e7\u00e3o sobrenatural que purifica e ilumina.<\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>A atividade que santifica<\/strong><\/p>\n<ol start=\"25\">\n<li>Dado que n\u00e3o se pode conceber Cristo sem o Reino que Ele veio trazer, tamb\u00e9m a tua miss\u00e3o \u00e9 insepar\u00e1vel da constru\u00e7\u00e3o do Reino: \u201cprocurai primeiro o Reino de Deus e a sua justi\u00e7a\u201d (<em>Mt<\/em> 6, 33). A tua identifica\u00e7\u00e3o com Cristo e os seus des\u00edgnios requer o compromisso de constru\u00edres, com Ele, este Reino de amor, justi\u00e7a e paz para todos. O pr\u00f3prio Cristo quer viv\u00ea-lo contigo em todos os esfor\u00e7os ou ren\u00fancias que isso implique e tamb\u00e9m nas alegrias e na fecundidade que te proporcione. Por isso, n\u00e3o te santificar\u00e1s sem te entregares de corpo e alma, dando o melhor de ti neste compromisso.<\/li>\n<li>N\u00e3o \u00e9 saud\u00e1vel amar o sil\u00eancio e esquivar o encontro com o outro, desejar o repouso e rejeitar a atividade, buscar a ora\u00e7\u00e3o e menosprezar o servi\u00e7o. Tudo pode ser recebido e integrado como parte da pr\u00f3pria vida neste mundo, entrando a fazer parte do caminho de santifica\u00e7\u00e3o. Somos chamados a viver a contempla\u00e7\u00e3o mesmo no meio da a\u00e7\u00e3o, e santificamo-nos no exerc\u00edcio respons\u00e1vel e generoso da nossa miss\u00e3o.<\/li>\n<li>Poder\u00e1 porventura o Esp\u00edrito Santo enviar-nos para cumprir uma miss\u00e3o e, ao mesmo tempo, pedir-nos que fujamos dela ou que evitemos doar-nos totalmente para preservarmos a paz interior? Obviamente n\u00e3o; mas, \u00e0s vezes, somos tentados a relegar para posi\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria a dedica\u00e7\u00e3o pastoral e o compromisso no mundo, como se fossem \u201cdistra\u00e7\u00f5es\u201d no caminho da santifica\u00e7\u00e3o e da paz interior. Esquecemo-nos disto: \u201cn\u00e3o \u00e9 que a vida tenha uma miss\u00e3o, mas a vida \u00e9 uma miss\u00e3o\u201d.<a name=\"_ftnref27\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn27\">[27]<\/a><\/li>\n<li>Um compromisso movido pela ansiedade, o orgulho, a necessidade de aparecer e dominar, certamente, n\u00e3o ser\u00e1 santificador. O desafio \u00e9 viver de tal forma a pr\u00f3pria doa\u00e7\u00e3o, que os esfor\u00e7os tenham um sentido evang\u00e9lico e nos identifiquem cada vez mais com Jesus Cristo. Por isso, \u00e9 usual falar, por exemplo, duma espiritualidade do catequista, duma espiritualidade do clero diocesano, duma espiritualidade do trabalho. Pela mesma raz\u00e3o, na <em>Evangelii gaudium<\/em>, quis concluir com uma espiritualidade da miss\u00e3o, na <em><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/encyclicals\/documents\/papa-francesco_20150524_enciclica-laudato-si.html\">Laudato si\u2019<\/a><\/em> com uma espiritualidade ecol\u00f3gica, e na <em><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20160319_amoris-laetitia.html\">Amoris laetitia<\/a><\/em> com uma espiritualidade da vida familiar.<\/li>\n<li>Isto n\u00e3o implica menosprezar os momentos de quietude, solid\u00e3o e sil\u00eancio diante de Deus. Antes pelo contr\u00e1rio! Com efeito, as novidades cont\u00ednuas dos meios tecnol\u00f3gicos, o fasc\u00ednio de viajar, as in\u00fameras ofertas de consumo, \u00e0s vezes, n\u00e3o deixam espa\u00e7os vazios onde ressoe a voz de Deus. Tudo se enche de palavras, prazeres epid\u00e9rmicos e rumores a uma velocidade cada vez maior; aqui n\u00e3o reina a alegria, mas a insatisfa\u00e7\u00e3o de quem n\u00e3o sabe para que vive. Ent\u00e3o, como n\u00e3o reconhecer que precisamos de deter esta corrida febril para recuperar um espa\u00e7o pessoal, \u00e0s vezes doloroso mas sempre fecundo, onde se realize o di\u00e1logo sincero com Deus? Em certos momentos, deveremos encarar a verdade de n\u00f3s mesmos, para a deixar invadir pelo Senhor; e isto nem sempre se consegue, se a pessoa \u201cn\u00e3o se v\u00ea \u00e0 beira do abismo da tenta\u00e7\u00e3o mais opressiva, se n\u00e3o sente a vertigem do precip\u00edcio do abandono mais desesperado, se n\u00e3o se encontra absolutamente s\u00f3, no cume da solid\u00e3o mais radical\u201d.<a name=\"_ftnref28\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn28\">[28]<\/a> Assim, encontramos as grandes motiva\u00e7\u00f5es que nos impelem a viver, em profundidade, as nossas tarefas.<\/li>\n<li>Os pr\u00f3prios meios de distra\u00e7\u00e3o que invadem a vida atual levam-nos tamb\u00e9m a absolutizar o tempo livre, no qual podemos utilizar, sem limites, aqueles dispositivos que nos proporcionam divertimento e prazeres ef\u00e9meros.<a name=\"_ftnref29\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn29\">[29]<\/a> Em consequ\u00eancia disso, ressente-se a pr\u00f3pria miss\u00e3o, o compromisso esmorece, o servi\u00e7o generoso e dispon\u00edvel come\u00e7a a retrair-se. Isto desnatura a experi\u00eancia espiritual. Poder\u00e1 ser saud\u00e1vel um fervor espiritual que convive com a ac\u00e9dia na a\u00e7\u00e3o evangelizadora ou no servi\u00e7o dos outros?<\/li>\n<li>Precisamos dum esp\u00edrito de santidade que impregne tanto a solid\u00e3o como o servi\u00e7o, tanto a intimidade como a tarefa evangelizadora, para que cada instante seja express\u00e3o de amor doado sob o olhar do Senhor. Desta forma, todos os momentos ser\u00e3o degraus no nosso caminho de santifica\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>Mais vivos, mais humanos<\/strong><\/p>\n<ol start=\"32\">\n<li>N\u00e3o tenhas medo da santidade. N\u00e3o te tirar\u00e1 for\u00e7as, nem vida nem alegria. Muito pelo contr\u00e1rio, porque chegar\u00e1s a ser o que o Pai pensou quando te criou e ser\u00e1s fiel ao teu pr\u00f3prio ser. Depender d\u2019Ele liberta-nos das escravid\u00f5es e leva-nos a reconhecer a nossa dignidade. Isto v\u00ea-se em Santa Josefina Bakhita, que, \u201cescravizada e vendida como escrava com apenas sete anos de idade, sofreu muito nas m\u00e3os de patr\u00f5es cru\u00e9is. Apesar disso compreendeu a verdade profunda que Deus, e n\u00e3o o homem, \u00e9 o verdadeiro Patr\u00e3o de todos os seres humanos, de cada vida humana. Esta experi\u00eancia torna-se fonte de grande sabedoria para esta humilde filha da \u00c1frica\u201d.<a name=\"_ftnref30\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn30\">[30]<\/a><\/li>\n<li>Cada crist\u00e3o, quanto mais se santifica, tanto mais fecundo se torna para o mundo. Assim nos ensinaram os Bispos da \u00c1frica ocidental: \u201cSomos chamados, no esp\u00edrito da nova evangeliza\u00e7\u00e3o, a ser evangelizados e a evangelizar atrav\u00e9s da promo\u00e7\u00e3o de todos os batizados para que assumam as suas tarefas como sal da terra e luz do mundo, onde quer que se encontrem\u201d.<a name=\"_ftnref31\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn31\">[31]<\/a><\/li>\n<li>N\u00e3o tenhas medo de apontar para mais alto, de te deixares amar e libertar por Deus. N\u00e3o tenhas medo de te deixares guiar pelo Esp\u00edrito Santo. A santidade n\u00e3o te torna menos humano, porque \u00e9 o encontro da tua fragilidade com a for\u00e7a da gra\u00e7a. No fundo, como dizia Le\u00f3n Bloy, na vida \u201cexiste apenas uma tristeza: a de n\u00e3o ser santo\u201d.<a name=\"_ftnref32\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn32\">[32]<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>Cap\u00edtulo II<\/strong><\/p>\n<p><strong>DOIS INIMIGOS SUBTIS DA SANTIDADE<\/strong><\/p>\n<ol start=\"35\">\n<li>Neste contexto, desejo chamar a aten\u00e7\u00e3o para duas falsifica\u00e7\u00f5es da santidade que poderiam extraviar-nos: o gnosticismo e o pelagianismo. S\u00e3o duas heresias que surgiram nos primeiros s\u00e9culos do cristianismo, mas continuam a ser de alarmante atualidade. Ainda hoje os cora\u00e7\u00f5es de muitos crist\u00e3os, talvez inconscientemente, deixam-se seduzir por estas propostas enganadoras. Nelas aparece expresso um imanentismo antropoc\u00eantrico, disfar\u00e7ado de verdade cat\u00f3lica.<a name=\"_ftnref33\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn33\">[33]<\/a> Vejamos estas duas formas de seguran\u00e7a doutrin\u00e1ria ou disciplinar, que d\u00e3o origem \u201ca um elitismo narcisista e autorit\u00e1rio, onde, em vez de evangelizar, se analisam e classificam os demais e, em vez de facilitar o acesso \u00e0 gra\u00e7a, consomem-se as energias a controlar. Em ambos os casos, nem Jesus Cristo nem os outros interessam verdadeiramente\u201d.<a name=\"_ftnref34\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn34\">[34]<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>O gnosticismo atual<\/strong><\/p>\n<ol start=\"36\">\n<li>O gnosticismo sup\u00f5e \u201cuma f\u00e9 fechada no subjetivismo, onde apenas interessa uma determinada experi\u00eancia ou uma s\u00e9rie de racioc\u00ednios e conhecimentos que supostamente confortam e iluminam, mas, em \u00faltima inst\u00e2ncia, a pessoa fica enclausurada na iman\u00eancia da sua pr\u00f3pria raz\u00e3o ou dos seus sentimentos\u201d.<a name=\"_ftnref35\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn35\">[35]<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p><em>Uma mente sem Deus e sem carne<\/em><\/p>\n<ol start=\"37\">\n<li>Gra\u00e7as a Deus, ao longo da hist\u00f3ria da Igreja, ficou bem claro que aquilo que mede a perfei\u00e7\u00e3o das pessoas \u00e9 o seu grau de caridade, e n\u00e3o a quantidade de dados e conhecimentos que possam acumular. Os \u201cgn\u00f3sticos\u201d, baralhados neste ponto, julgam os outros segundo conseguem, ou n\u00e3o, compreender a profundidade de certas doutrinas. Concebem uma mente sem encarna\u00e7\u00e3o, incapaz de tocar a carne sofredora de Cristo nos outros, engessada numa enciclop\u00e9dia de abstra\u00e7\u00f5es. Ao desencarnar o mist\u00e9rio, em \u00faltima an\u00e1lise preferem \u201cum Deus sem Cristo, um Cristo sem Igreja, uma Igreja sem povo\u201d.<a name=\"_ftnref36\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn36\">[36]<\/a><\/li>\n<li>Em suma, trata-se duma vaidosa superficialidade: muito movimento \u00e0 superf\u00edcie da mente, mas n\u00e3o se move nem se comove a profundidade do pensamento. No entanto, consegue subjugar alguns com o seu fasc\u00ednio enganador, porque o equil\u00edbrio gn\u00f3stico \u00e9 formal e supostamente ass\u00e9ptico, podendo assumir o aspeto duma certa harmonia ou duma ordem que tudo abrange.<\/li>\n<li>Mas aten\u00e7\u00e3o! N\u00e3o estou a referir-me aos racionalistas inimigos da f\u00e9 crist\u00e3. Isto pode acontecer dentro da Igreja, tanto nos leigos das par\u00f3quias como naqueles que ensinam filosofia ou teologia em centros de forma\u00e7\u00e3o. Com efeito, tamb\u00e9m \u00e9 t\u00edpico dos gn\u00f3sticos crer que eles, com as suas explica\u00e7\u00f5es, podem tornar perfeitamente compreens\u00edvel toda a f\u00e9 e todo o Evangelho. Absolutizam as suas teorias e obrigam os outros a submeter-se aos racioc\u00ednios que eles usam. Uma coisa \u00e9 o uso saud\u00e1vel e humilde da raz\u00e3o para refletir sobre o ensinamento teol\u00f3gico e moral do Evangelho, outra \u00e9 pretender reduzir o ensinamento de Jesus a uma l\u00f3gica fria e dura que procura dominar tudo<a name=\"_ftnref37\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn37\">[37]<\/a>.<\/li>\n<\/ol>\n<p><em>Uma doutrina sem mist\u00e9rio<\/em><\/p>\n<ol start=\"40\">\n<li>O gnosticismo \u00e9 uma das piores ideologias, pois, ao mesmo tempo que exalta indevidamente o conhecimento ou uma determinada experi\u00eancia, considera que a sua pr\u00f3pria vis\u00e3o da realidade seja a perfei\u00e7\u00e3o. Assim, talvez sem se aperceber, esta ideologia autoalimenta-se e torna-se ainda mais cega. Por vezes, torna-se particularmente enganadora, quando se disfar\u00e7a de espiritualidade desencarnada. Com efeito, o gnosticismo, \u201cpor sua natureza, quer domesticar o mist\u00e9rio\u201d,<a name=\"_ftnref38\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn38\">[38]<\/a> tanto o mist\u00e9rio de Deus e da sua gra\u00e7a, como o mist\u00e9rio da vida dos outros.<\/li>\n<li>Quando algu\u00e9m tem resposta para todas as perguntas, demonstra que n\u00e3o est\u00e1 no bom caminho e \u00e9 poss\u00edvel que seja um falso profeta, que usa a religi\u00e3o para seu benef\u00edcio, ao servi\u00e7o das pr\u00f3prias lucubra\u00e7\u00f5es psicol\u00f3gicas e mentais. Deus supera-nos infinitamente, \u00e9 sempre uma surpresa e n\u00e3o somos n\u00f3s que determinamos a circunst\u00e2ncia hist\u00f3rica em que O encontramos, j\u00e1 que n\u00e3o dependem de n\u00f3s o tempo, nem o lugar, nem a modalidade do encontro. Quem quer tudo claro e seguro, pretende dominar a transcend\u00eancia de Deus.<\/li>\n<li>Nem se pode pretender definir onde Deus n\u00e3o Se encontra, porque Ele est\u00e1 misteriosamente presente na vida de toda a pessoa, na vida de cada um como Ele quer, e n\u00e3o o podemos negar com as nossas supostas certezas. Mesmo quando a vida de algu\u00e9m tiver sido um desastre, mesmo que o vejamos destru\u00eddo pelos v\u00edcios ou depend\u00eancias, Deus est\u00e1 presente na sua vida. Se nos deixarmos guiar mais pelo Esp\u00edrito do que pelos nossos racioc\u00ednios, podemos e devemos procurar o Senhor em cada vida humana. Isto faz parte do mist\u00e9rio que as mentalidades gn\u00f3sticas acabam por rejeitar, porque n\u00e3o o podem controlar.<\/li>\n<\/ol>\n<p><em>Os limites da raz\u00e3o<\/em><\/p>\n<ol start=\"43\">\n<li>S\u00f3 de forma muito pobre, chegamos a compreender a verdade que recebemos do Senhor. E, ainda com maior dificuldade, conseguimos express\u00e1-la. Por isso, n\u00e3o podemos pretender que o nosso modo de a entender nos autorize a exercer um controlo rigoroso sobre a vida dos outros. Quero lembrar que, na Igreja, convivem legitimamente diferentes maneiras de interpretar muitos aspetos da doutrina e da vida crist\u00e3, que, na sua variedade, \u201cajudam a explicitar melhor o tesouro riqu\u00edssimo da Palavra. [Certamente,] a quantos sonham com uma doutrina monol\u00edtica defendida sem nuances por todos, isto poder\u00e1 parecer uma dispers\u00e3o imperfeita\u201d.<a name=\"_ftnref39\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn39\">[39]<\/a> Por isso mesmo, algumas correntes gn\u00f3sticas desprezaram a simplicidade t\u00e3o concreta do Evangelho e tentaram substituir o Deus trinit\u00e1rio e encarnado por uma Unidade superior onde desaparecia a rica multiplicidade da nossa hist\u00f3ria.<\/li>\n<li>Na realidade, a doutrina, ou melhor, a nossa compreens\u00e3o e express\u00e3o dela, \u201cn\u00e3o \u00e9 um sistema fechado, privado de din\u00e2micas pr\u00f3prias capazes de gerar perguntas, d\u00favidas, quest\u00f5es (\u2026); e as perguntas do nosso povo, as suas ang\u00fastias, batalhas, sonhos e preocupa\u00e7\u00f5es possuem um valor hermen\u00eautico que n\u00e3o podemos ignorar, se quisermos deveras levar a s\u00e9rio o princ\u00edpio da encarna\u00e7\u00e3o. As suas perguntas ajudam-nos a questionar-nos, as suas quest\u00f5es interrogam-nos\u201d.<a name=\"_ftnref40\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn40\">[40]<\/a><\/li>\n<li>Com frequ\u00eancia, verifica-se uma perigosa confus\u00e3o: julgar que, por sabermos algo ou podermos explic\u00e1-lo com uma certa l\u00f3gica, j\u00e1 somos santos, perfeitos, melhores do que a \u201cmassa ignorante\u201d. S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II advertia, a quantos na Igreja t\u00eam a possibilidade de uma forma\u00e7\u00e3o mais elevada, contra a tenta\u00e7\u00e3o de cultivarem \u201cum certo sentimento de superioridade relativamente aos outros fi\u00e9is\u201d.<a name=\"_ftnref41\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn41\">[41]<\/a> Na realidade, por\u00e9m, aquilo que julgamos saber sempre deveria ser uma motiva\u00e7\u00e3o para responder melhor ao amor de Deus, porque \u201cse aprende para viver: teologia e santidade s\u00e3o um bin\u00f3mio insepar\u00e1vel\u201d.<a name=\"_ftnref42\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn42\">[42]<\/a><\/li>\n<li>S\u00e3o Francisco de Assis, ao ver que alguns dos seus disc\u00edpulos ensinavam a doutrina, quis evitar a tenta\u00e7\u00e3o do gnosticismo. Ent\u00e3o escreveu assim a Santo Ant\u00f3nio de Lisboa: \u201cApraz-me que interpreteis aos demais frades a sagrada teologia, contanto que este estudo n\u00e3o apague neles o esp\u00edrito da santa ora\u00e7\u00e3o e devo\u00e7\u00e3o\u201d.<a name=\"_ftnref43\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn43\">[43]<\/a> Reconhecia a tenta\u00e7\u00e3o de transformar a experi\u00eancia crist\u00e3 num conjunto de especula\u00e7\u00f5es mentais, que acabam por nos afastar do frescor do Evangelho. S\u00e3o Boaventura, por sua vez, advertia que a verdadeira sabedoria crist\u00e3 n\u00e3o se deve desligar da miseric\u00f3rdia para com o pr\u00f3ximo: \u201cA maior sabedoria que pode existir consiste em dispensar frutuosamente o que se possui e que lhe foi dado precisamente para o distribuir (&#8230;). Por isso, como a miseric\u00f3rdia \u00e9 amiga da sabedoria, assim a avareza \u00e9 sua inimiga\u201d.<a name=\"_ftnref44\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn44\">[44]<\/a> \u201cH\u00e1 atividades, como as obras de miseric\u00f3rdia e de piedade, que, unindo-se \u00e0 contempla\u00e7\u00e3o, n\u00e3o a impedem, antes favorecem-na\u201d.<a name=\"_ftnref45\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn45\">[45]<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>O pelagianismo atual<\/strong><\/p>\n<ol start=\"47\">\n<li>O gnosticismo deu lugar a outra heresia antiga, que est\u00e1 presente tamb\u00e9m hoje. Com o passar do tempo, muitos come\u00e7aram a reconhecer que n\u00e3o \u00e9 o conhecimento que nos torna melhores ou santos, mas a vida que levamos. O problema \u00e9 que isto foi subtilmente degenerando, de modo que o mesmo erro dos gn\u00f3sticos foi simplesmente transformado, mas n\u00e3o superado.<\/li>\n<li>Com efeito, o poder que os gn\u00f3sticos atribu\u00edam \u00e0 intelig\u00eancia, alguns come\u00e7aram a atribu\u00ed-lo \u00e0 vontade humana, ao esfor\u00e7o pessoal. Surgiram, assim, os pelagianos e os semipelagianos. J\u00e1 n\u00e3o era a intelig\u00eancia que ocupava o lugar do mist\u00e9rio e da gra\u00e7a, mas a vontade. Esquecia-se que \u201cisto n\u00e3o depende daquele que quer nem daquele que se esfo\u00e7a por alcan\u00e7\u00e1-lo, mas de Deus que \u00e9 misericordioso\u201d (<em>Rm<\/em> 9, 16) e que Ele \u201cnos amou primeiro\u201d (<em>1 Jo<\/em> 4, 19).<\/li>\n<\/ol>\n<p><em>Uma vontade sem humildade<\/em><\/p>\n<ol start=\"49\">\n<li>Quem se conforma a esta mentalidade pelagiana ou semipelagiana, embora fale da gra\u00e7a de Deus com discursos edulcorados, \u201cno fundo, s\u00f3 confia nas suas pr\u00f3prias for\u00e7as e sente-se superior aos outros por cumprir determinadas normas ou por ser irredutivelmente fiel a um certo estilo cat\u00f3lico\u201d.<a name=\"_ftnref46\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn46\">[46]<\/a> Quando alguns deles se dirigem aos fr\u00e1geis, dizendo-lhes que se pode tudo com a gra\u00e7a de Deus, basicamente costumam transmitir a ideia de que tudo se pode com a vontade humana, como se esta fosse algo puro, perfeito, omnipotente, a que se acrescenta a gra\u00e7a. Pretende-se ignorar que \u201cnem todos podem tudo\u201d,<a name=\"_ftnref47\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn47\">[47]<\/a> e que, nesta vida, as fragilidades humanas n\u00e3o s\u00e3o curadas, completamente e duma vez por todas, pela gra\u00e7a.<a name=\"_ftnref48\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn48\">[48]<\/a> Em todo o caso, como ensinava Santo Agostinho, Deus convida-te a fazer o que podes e \u201ca pedir o que n\u00e3o podes\u201d;<a name=\"_ftnref49\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn49\">[49]<\/a> ou ent\u00e3o a dizer humildemente ao Senhor: \u201cdai-me o que me ordenais e ordenai-me o que quiserdes\u201d.<a name=\"_ftnref50\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn50\">[50]<\/a><\/li>\n<li>No fundo, a falta dum reconhecimento sincero, pesaroso e orante dos nossos limites \u00e9 que impede a gra\u00e7a de atuar melhor em n\u00f3s, pois n\u00e3o lhe deixa espa\u00e7o para provocar aquele bem poss\u00edvel que se integra num caminho sincero e real de crescimento.<a name=\"_ftnref51\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn51\">[51]<\/a> A gra\u00e7a, precisamente porque sup\u00f5e a nossa natureza, n\u00e3o nos faz improvisamente super-homens. Pretend\u00ea-lo seria confiar demasiado em n\u00f3s pr\u00f3prios. Neste caso, por tr\u00e1s da ortodoxia, as nossas atitudes podem n\u00e3o corresponder ao que afirmamos sobre a necessidade da gra\u00e7a e, na pr\u00e1tica, acabamos por confiar pouco nela. Com efeito, se n\u00e3o reconhecemos a nossa realidade concreta e limitada, n\u00e3o poderemos ver os passos reais e poss\u00edveis que o Senhor nos pede em cada momento, depois de nos ter atra\u00eddo e tornado id\u00f3neos com o seu dom. A gra\u00e7a atua historicamente e, em geral, toma-nos e transforma-nos de forma progressiva.<a name=\"_ftnref52\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn52\">[52]<\/a> Por isso, se recusarmos esta modalidade hist\u00f3rica e progressiva, de facto podemos chegar a neg\u00e1-la e bloque\u00e1-la, embora a exaltemos com as nossas palavras.<\/li>\n<li>Quando Deus Se dirige a Abra\u00e3o, diz-lhe: \u201cEu sou o Deus supremo. Anda na minha presen\u00e7a e s\u00ea perfeito\u201d (<em>Gn<\/em> 17, 1). Para poder ser perfeitos, como \u00e9 do seu agrado, precisamos de viver humildemente na presen\u00e7a d\u2019Ele, envolvidos pela sua gl\u00f3ria; necessitamos de andar em uni\u00e3o com Ele, reconhecendo o seu amor constante na nossa vida. H\u00e1 que perder o medo desta presen\u00e7a que s\u00f3 nos pode fazer bem. \u00c9 o Pai que nos deu vida e nos ama tanto. Uma vez que O aceitamos e deixamos de pensar a nossa exist\u00eancia sem Ele, desaparece a ang\u00fastia da solid\u00e3o (cf. <em>Sal<\/em> 139\/138, 7). E, se deixarmos de p\u00f4r Deus \u00e0 dist\u00e2ncia e vivermos na sua presen\u00e7a, poderemos permitir-Lhe que examine os nossos cora\u00e7\u00f5es para ver se seguem pelo reto caminho (cf. <em>Sal<\/em> 139\/138, 23-24). Assim conheceremos a vontade perfeita e agrad\u00e1vel ao Senhor (cf. <em>Rm<\/em> 12, 1-2) e deixaremos que Ele nos molde como um oleiro (cf. <em>Is<\/em> 29, 16). Dissemos tantas vezes que Deus habita em n\u00f3s, mas \u00e9 melhor dizer que n\u00f3s habitamos n\u2019Ele, que Ele nos possibilita viver na sua luz e no seu amor. Ele \u00e9 o nosso templo: \u201cUma s\u00f3 coisa (\u2026) ardentemente desejo: \u00e9 habitar na casa do Senhor todos os dias da minha vida\u201d (<em>Sal<\/em> 27\/26, 4). \u201cUm dia em teus \u00e1trios vale por mil\u201d (<em>Sal<\/em> 84\/83, 11). N\u2019Ele, somos santificados.<\/li>\n<\/ol>\n<p><em>Um ensinamento da Igreja frequentemente esquecido<\/em><\/p>\n<ol start=\"52\">\n<li>A Igreja ensinou repetidamente que n\u00e3o somos justificados pelas nossas obras ou pelos nossos esfor\u00e7os, mas pela gra\u00e7a do Senhor que toma a iniciativa. Os Padres da Igreja, j\u00e1 antes de Santo Agostinho, expressavam com clareza esta convic\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria. Dizia S\u00e3o Jo\u00e3o Cris\u00f3stomo que Deus derrama em n\u00f3s a pr\u00f3pria fonte de todos os dons, \u201cantes de termos entrado no combate\u201d.<a name=\"_ftnref53\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn53\">[53]<\/a> S\u00e3o Bas\u00edlio Magno observava que o fiel se gloria apenas em Deus, porque \u201creconhece estar privado da verdadeira justi\u00e7a e que \u00e9 justificado somente por meio da f\u00e9 em Cristo\u201d.<a name=\"_ftnref54\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn54\">[54]<\/a><\/li>\n<li>O II S\u00ednodo de Orange ensinou, com firme autoridade, que nenhum ser humano pode exigir, merecer ou comprar o dom da gra\u00e7a divina, e que toda a coopera\u00e7\u00e3o com ela \u00e9 dom pr\u00e9vio da mesma gra\u00e7a: \u201cat\u00e9 o desejo de ser puro se realiza em n\u00f3s por infus\u00e3o do Esp\u00edrito Santo e com sua a\u00e7\u00e3o sobre n\u00f3s\u201d.<a name=\"_ftnref55\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn55\">[55]<\/a> Sucessivamente o Conc\u00edlio de Trento, mesmo quando destacou a import\u00e2ncia da nossa coopera\u00e7\u00e3o para o crescimento espiritual, reafirmou tal ensinamento dogm\u00e1tico: \u201cAfirma-se que somos justificados gratuitamente, porque nada do que precede a justifica\u00e7\u00e3o, quer a f\u00e9, quer as obras, merece a pr\u00f3pria gra\u00e7a da justifica\u00e7\u00e3o; porque, se \u00e9 gra\u00e7a, ent\u00e3o n\u00e3o \u00e9 pelas obras, caso contr\u00e1rio, a gra\u00e7a j\u00e1 n\u00e3o seria gra\u00e7a (<em>Rm<\/em> 11, 6)\u201d.<a name=\"_ftnref56\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn56\">[56]<\/a><\/li>\n<li>Tamb\u00e9m o <em><a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/archive\/cathechism_po\/index_new\/prima-pagina-cic_po.html\">Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/a><\/em> nos lembra que o dom da gra\u00e7a \u201cultrapassa as capacidades da intelig\u00eancia e as for\u00e7as da vontade humana<a name=\"_ftnref57\"><\/a>\u201d<a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn57\">[57]<\/a> e que, \u201cem rela\u00e7\u00e3o a Deus, n\u00e3o h\u00e1, da parte do homem, m\u00e9rito no sentido dum direito estrito. Entre Ele e n\u00f3s, a desigualdade \u00e9 sem medida\u201d.<a name=\"_ftnref58\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn58\">[58]<\/a> A sua amizade supera-nos infinitamente, n\u00e3o pode ser comprada por n\u00f3s com as nossas obras e s\u00f3 pode ser um dom da sua iniciativa de amor. Isto convida-nos a viver com jubilosa gratid\u00e3o por este dom que nunca mereceremos, uma vez que, \u201cdepois duma pessoa j\u00e1 possuir a gra\u00e7a, n\u00e3o pode a gra\u00e7a j\u00e1 recebida cair sob a al\u00e7ada do m\u00e9rito\u201d.<a name=\"_ftnref59\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn59\">[59]<\/a> Os santos evitam de p\u00f4r a confian\u00e7a nas suas a\u00e7\u00f5es: \u201cAo anoitecer desta vida, aparecerei diante de V\u00f3s com as m\u00e3os vazias, pois n\u00e3o Vos pe\u00e7o, Senhor, que conteis as minhas obras. Todas as nossas justi\u00e7as t\u00eam manchas aos vossos olhos\u201d.<a name=\"_ftnref60\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn60\">[60]<\/a><\/li>\n<li>Esta \u00e9 uma das grandes convic\u00e7\u00f5es definitivamente adquiridas pela Igreja e est\u00e1 t\u00e3o claramente expressa na Palavra de Deus que fica fora de qualquer discuss\u00e3o. Esta verdade, tal como o supremo mandamento do amor, deveria caraterizar o nosso estilo de vida, porque bebe do cora\u00e7\u00e3o do Evangelho e convida-nos n\u00e3o s\u00f3 a aceit\u00e1-la com a mente, mas tamb\u00e9m a transform\u00e1-la numa alegria contagiosa. Mas n\u00e3o poderemos celebrar com gratid\u00e3o o dom gratuito da amizade com o Senhor, se n\u00e3o reconhecermos que a pr\u00f3pria exist\u00eancia terrena e as nossas capacidades naturais s\u00e3o um dom. Precisamos de \u201creconhecer alegremente que a nossa realidade \u00e9 fruto dum dom, e aceitar tamb\u00e9m a nossa liberdade como gra\u00e7a. Isto \u00e9 dif\u00edcil hoje, num mundo que julga possuir algo por si mesmo, fruto da sua pr\u00f3pria originalidade e liberdade\u201d.<a name=\"_ftnref61\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn61\">[61]<\/a><\/li>\n<li>S\u00f3 a partir do dom de Deus, livremente acolhido e humildemente recebido, \u00e9 que podemos cooperar com os nossos esfor\u00e7os para nos deixarmos transformar cada vez mais.<a name=\"_ftnref62\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn62\">[62]<\/a> A primeira coisa \u00e9 pertencer a Deus. Trata-se de nos oferecermos a Ele que nos antecipa, de Lhe oferecermos as nossas capacidades, o nosso esfor\u00e7o, a nossa luta contra o mal e a nossa criatividade, para que o seu dom gratuito cres\u00e7a e se desenvolva em n\u00f3s: \u201cpor isso, vos exorto, irm\u00e3os, pela miseric\u00f3rdia de Deus, a que ofere\u00e7ais os vossos corpos como sacrif\u00edcio vivo, santo, agrad\u00e1vel a Deus\u201d (<em>Rm<\/em> 12, 1). Ali\u00e1s, a Igreja sempre ensinou que s\u00f3 a caridade torna poss\u00edvel o crescimento na vida da gra\u00e7a, porque, \u201cse n\u00e3o tiver amor, nada sou\u201d (<em>1 Cor<\/em> 13, 2).<\/li>\n<\/ol>\n<p><em>Os novos pelagianos<\/em><\/p>\n<ol start=\"57\">\n<li>Ainda h\u00e1 crist\u00e3os que insistem em seguir outro caminho: o da justifica\u00e7\u00e3o pelas suas pr\u00f3prias for\u00e7as, o da adora\u00e7\u00e3o da vontade humana e da pr\u00f3pria capacidade, que se traduz numa autocomplac\u00eancia egoc\u00eantrica e elitista, desprovida do verdadeiro amor. Manifesta-se em muitas atitudes aparentemente diferentes entre si: a obsess\u00e3o pela lei, o fasc\u00ednio de exibir conquistas sociais e pol\u00edticas, a ostenta\u00e7\u00e3o no cuidado da liturgia, da doutrina e do prest\u00edgio da Igreja, a vangl\u00f3ria ligada \u00e0 gest\u00e3o de assuntos pr\u00e1ticos, a atra\u00e7\u00e3o pelas din\u00e2micas de autoajuda e realiza\u00e7\u00e3o autorreferencial. \u00c9 nisto que alguns crist\u00e3os gastam as suas energias e o seu tempo, em vez de se deixarem guiar pelo Esp\u00edrito no caminho do amor, apaixonarem-se por comunicar a beleza e a alegria do Evangelho e procurarem os afastados nessas imensas multid\u00f5es sedentas de Cristo.<a name=\"_ftnref63\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn63\">[63]<\/a><\/li>\n<li>Muitas vezes, contra o impulso do Esp\u00edrito, a vida da Igreja transforma-se numa pe\u00e7a de museu ou numa propriedade de poucos. Verifica-se isto quando alguns grupos crist\u00e3os d\u00e3o excessiva import\u00e2ncia \u00e0 observ\u00e2ncia de certas normas pr\u00f3prias, costumes ou estilos. Assim se habituam a reduzir e manietar o Evangelho, despojando-o da sua simplicidade cativante e do seu sabor. \u00c9 talvez uma forma subtil de pelagianismo, porque parece submeter a vida da gra\u00e7a a certas estruturas humanas. Isto diz respeito a grupos, movimentos e comunidades, e explica por que tantas vezes come\u00e7am com uma vida intensa no Esp\u00edrito, mas depressa acabam fossilizados&#8230; ou corruptos.<\/li>\n<li>Sem nos darmos conta, pelo facto de pensar que tudo depende do esfor\u00e7o humano canalizado atrav\u00e9s de normas e estruturas eclesiais, complicamos o Evangelho e tornamo-nos escravos dum esquema que deixa poucas aberturas para que a gra\u00e7a atue. S\u00e3o Tom\u00e1s de Aquino lembrava-nos que se deve exigir, com modera\u00e7\u00e3o, os preceitos acrescentados ao Evangelho pela Igreja, \u201cpara n\u00e3o tornar a vida pesada aos fi\u00e9is, [porque assim] se transformaria a nossa religi\u00e3o numa escravid\u00e3o\u201d.<a name=\"_ftnref64\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn64\">[64]<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p><em>O resumo da Lei<\/em><\/p>\n<ol start=\"60\">\n<li>Para evitar isso, \u00e9 bom recordar frequentemente que existe uma hierarquia das virtudes, que nos convida a buscar o essencial. A primazia pertence \u00e0s virtudes teologais, que t\u00eam Deus como objeto e motivo. E, no centro, est\u00e1 a caridade. S\u00e3o Paulo diz que o que conta verdadeiramente \u00e9 \u201ca f\u00e9 que atua pelo amor\u201d (<em>Gal<\/em> 5, 6). Somos chamados a cuidar solicitamente da caridade: \u201cquem ama o pr\u00f3ximo cumpre plenamente a Lei. (&#8230;) Assim, \u00e9 no amor que est\u00e1 o pleno cumprimento da lei\u201d (<em>Rm<\/em> 13, 8.10). \u201c\u00c9 que toda a Lei se resume neste \u00fanico preceito: \u201cAma o teu pr\u00f3ximo como a ti mesmo\u201d\u201c (<em>Gal<\/em> 5, 14).<\/li>\n<li>Por outras palavras, no meio da densa selva de preceitos e prescri\u00e7\u00f5es, Jesus abre uma brecha que permite vislumbrar dois rostos: o do Pai e o do irm\u00e3o. N\u00e3o nos d\u00e1 mais duas f\u00f3rmulas ou dois preceitos; entrega-nos dois rostos, ou melhor, um s\u00f3: o de Deus que se reflete em muitos, porque em cada irm\u00e3o, especialmente no mais pequeno, fr\u00e1gil, inerme e necessitado, est\u00e1 presente a pr\u00f3pria imagem de Deus. De facto, ser\u00e1 com os descartados desta humanidade vulner\u00e1vel que, no fim dos tempos, o Senhor plasmar\u00e1 a sua \u00faltima obra de arte. Pois, \u201co que \u00e9 que resta? O que \u00e9 que tem valor na vida? Quais s\u00e3o as riquezas que n\u00e3o desaparecem? Seguramente duas: o Senhor e o pr\u00f3ximo. Estas duas riquezas n\u00e3o desaparecem\u201d.<a name=\"_ftnref65\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn65\">[65]<\/a><\/li>\n<li>Que o Senhor liberte a Igreja das novas formas de gnosticismo e pelagianismo que a complicam e det\u00eam no seu caminho para a santidade! Estes desvios manifestam-se de formas diferentes, segundo o temperamento e as carater\u00edsticas pr\u00f3prias. Por isso, exorto cada um a questionar-se e a discernir diante de Deus a maneira como possam estar a manifestar-se na sua vida.<\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>Cap\u00edtulo III<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00c0 LUZ DO MESTRE<\/strong><\/p>\n<ol start=\"63\">\n<li>Sobre a ess\u00eancia da santidade, podem haver muitas teorias, abundantes explica\u00e7\u00f5es e distin\u00e7\u00f5es. Uma reflex\u00e3o do g\u00e9nero poderia ser \u00fatil, mas n\u00e3o h\u00e1 nada de mais esclarecedor do que voltar \u00e0s palavras de Jesus e recolher o seu modo de transmitir a verdade. Jesus explicou, com toda a simplicidade, o que \u00e9 ser santo; f\u00ea-lo quando nos deixou as bem-aventuran\u00e7as (cf. <em>Mt<\/em> 5, 3-12; <em>Lc<\/em> 6, 20-23). Estas s\u00e3o como que o bilhete de identidade do crist\u00e3o. Assim, se um de n\u00f3s se questionar sobre \u201ccomo fazer para chegar a ser um bom crist\u00e3o\u201d, a resposta \u00e9 simples: \u00e9 necess\u00e1rio fazer \u2013 cada qual a seu modo \u2013 aquilo que Jesus disse no serm\u00e3o das bem-aventuran\u00e7as.<a name=\"_ftnref66\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn66\">[66]<\/a> Nelas est\u00e1 delineado o rosto do Mestre, que somos chamados a deixar transparecer no dia-a-dia da nossa vida.<\/li>\n<li>A palavra \u201cfeliz\u201d ou \u201cbem-aventurado\u201d torna-se sin\u00f3nimo de \u201csanto\u201d, porque expressa que a pessoa fiel a Deus e que vive a sua Palavra alcan\u00e7a, na doa\u00e7\u00e3o de si mesma, a verdadeira felicidade.<\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>Contracorrente<\/strong><\/p>\n<ol start=\"65\">\n<li>Estas palavras de Jesus, n\u00e3o obstante possam at\u00e9 parecer po\u00e9ticas, est\u00e3o decididamente contracorrente ao que \u00e9 habitual, \u00e0quilo que se faz na sociedade; e, embora esta mensagem de Jesus nos fascine, na realidade o mundo conduz-nos para outro estilo de vida. As bem-aventuran\u00e7as n\u00e3o s\u00e3o, absolutamente, um compromisso leve ou superficial; pelo contr\u00e1rio, s\u00f3 as podemos viver se o Esp\u00edrito Santo nos permear com toda a sua for\u00e7a e nos libertar da fraqueza do ego\u00edsmo, da pregui\u00e7a, do orgulho.<\/li>\n<li>Voltemos a escutar Jesus, com todo o amor e respeito que o Mestre merece. Permitamos-Lhe que nos fustigue com as suas palavras, que nos desafie, que nos chame a uma mudan\u00e7a real de vida. Caso contr\u00e1rio, a santidade n\u00e3o passar\u00e1 de palavras. Recordemos agora as diferentes bem-aventuran\u00e7as, na vers\u00e3o do Evangelho de Mateus (cf. 5, 3-12).<a name=\"_ftnref67\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn67\">[67]<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p>\u201c<em>Felizes os pobres em esp\u00edrito, porque deles \u00e9 o Reino do C\u00e9u<\/em>\u201d<\/p>\n<ol start=\"67\">\n<li>O Evangelho convida-nos a reconhecer a verdade do nosso cora\u00e7\u00e3o, para ver onde colocamos a seguran\u00e7a da nossa vida. Normalmente, o rico sente-se seguro com as suas riquezas e, quando estas est\u00e3o em risco, pensa que se desmorona todo o sentido da sua vida na terra. O pr\u00f3prio Jesus no-lo disse na par\u00e1bola do rico insensato, falando daquele homem seguro de si, que \u2013 como um insensato \u2013 n\u00e3o pensava que poderia morrer naquele mesmo dia (cf. <em>Lc<\/em> 12, 16-21).<\/li>\n<li>As riquezas n\u00e3o te d\u00e3o seguran\u00e7a alguma. Mais ainda: quando o cora\u00e7\u00e3o se sente rico, fica t\u00e3o satisfeito de si mesmo que n\u00e3o tem espa\u00e7o para a Palavra de Deus, para amar os irm\u00e3os, nem para gozar das coisas mais importantes da vida. Deste modo priva-se dos bens maiores. Por isso, Jesus chama felizes os pobres em esp\u00edrito, que t\u00eam o cora\u00e7\u00e3o pobre, onde pode entrar o Senhor com a sua incessante novidade.<\/li>\n<li>Esta pobreza de esp\u00edrito est\u00e1 intimamente ligada \u00e0 \u201csanta indiferen\u00e7a\u201d proposta por Santo In\u00e1cio de Loyola, na qual alcan\u00e7amos uma estupenda liberdade interior: \u201c\u00c9 necess\u00e1rio tornar-nos indiferentes face a todas as coisas criadas (em tudo aquilo que seja permitido \u00e0 liberdade do nosso livre arb\u00edtrio, e n\u00e3o lhe esteja proibido), de tal modo que, por n\u00f3s mesmos, n\u00e3o queiramos mais a sa\u00fade do que a doen\u00e7a, mais a riqueza do que a pobreza, mais a honra do que a desonra, mais uma vida longa do que curta, e assim em tudo o resto\u201d.<a name=\"_ftnref68\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn68\">[68]<\/a><\/li>\n<li>Lucas n\u00e3o fala duma pobreza \u201cem esp\u00edrito\u201d, mas simplesmente de ser \u201cpobre\u201d (cf. <em>Lc<\/em> 6, 20), convidando-nos assim a uma vida tamb\u00e9m austera e essencial. Desta forma, chama-nos a compartilhar a vida dos mais necessitados, a vida que levaram os Ap\u00f3stolos e, em \u00faltima an\u00e1lise, a configurar-nos a Jesus, que, \u201csendo rico, Se fez pobre\u201d (<em>2 Cor<\/em> 8, 9).<\/li>\n<\/ol>\n<p>Ser pobre no cora\u00e7\u00e3o: isto \u00e9 santidade.<\/p>\n<p>\u201c<em>Felizes os mansos, porque possuir\u00e3o a terra<\/em>\u201d<\/p>\n<ol start=\"71\">\n<li>\u00c9 uma frase forte, neste mundo que, desde o in\u00edcio, \u00e9 um lugar de inimizade, onde se litiga por todo o lado, onde h\u00e1 \u00f3dio em toda a parte, onde constantemente classificamos os outros pelas suas ideias, os seus costumes e at\u00e9 a sua forma de falar ou vestir. Em suma, \u00e9 o reino do orgulho e da vaidade, onde cada um se julga no direito de elevar-se acima dos outros. Embora pare\u00e7a imposs\u00edvel, Jesus prop\u00f5e outro estilo: a mansid\u00e3o. \u00c9 o que praticava com os seus disc\u00edpulos, e contemplamos na sua entrada em Jerusal\u00e9m: \u201ca\u00ed vem o teu Rei, ao teu encontro, manso e montado num jumentinho\u201d (<em>Mt<\/em> 21, 5; cf. <em>Zc<\/em> 9, 9).<\/li>\n<li>Disse Ele: \u201cAprendei de Mim, porque sou manso e humilde de cora\u00e7\u00e3o e encontrareis descanso para o vosso esp\u00edrito\u201d (<em>Mt<\/em> 11, 29). Se vivemos tensos, arrogantes diante dos outros, acabamos cansados e exaustos. Mas, quando olhamos os seus limites e defeitos com ternura e mansid\u00e3o, sem nos sentirmos superiores, podemos dar-lhes uma m\u00e3o e evitamos de gastar energias em lamenta\u00e7\u00f5es in\u00fateis. Para Santa Teresa de Lisieux, \u201ca caridade perfeita consiste em suportar os defeitos dos outros, em n\u00e3o se escandalizar com as suas fraquezas\u201d.<a name=\"_ftnref69\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn69\">[69]<\/a><\/li>\n<li>Paulo designa a mansid\u00e3o como fruto do Esp\u00edrito Santo (cf. <em>Gal<\/em> 5, 23). E, se alguma vez nos preocuparem as m\u00e1s a\u00e7\u00f5es do irm\u00e3o, prop\u00f5e que o abordemos para corrigi-lo, mas \u201ccom esp\u00edrito de mansid\u00e3o, [lembrando-nos:] e tu olha para ti pr\u00f3prio, n\u00e3o estejas tamb\u00e9m tu a ser tentado\u201d (<em>Gal<\/em> 6, 1)\u201d. Mesmo quando algu\u00e9m defende a sua f\u00e9 e as suas convic\u00e7\u00f5es, deve faz\u00ea-lo com mansid\u00e3o (cf. <em>1 Ped<\/em> 3, 16), e os pr\u00f3prios advers\u00e1rios devem ser tratados com mansid\u00e3o (cf. <em>2 Tm<\/em> 2, 25). Na Igreja, erramos muitas vezes por n\u00e3o ter acolhido este apelo da Palavra divina.<\/li>\n<li>A mansid\u00e3o \u00e9 outra express\u00e3o da pobreza interior, de quem deposita a sua confian\u00e7a apenas em Deus. De facto, na B\u00edblia, usa-se muitas vezes a mesma palavra <em>anawin<\/em> para se referir aos pobres e aos mansos. Algu\u00e9m poderia objetar: \u201cMas, se eu for assim manso, pensar\u00e3o que sou insensato, est\u00fapido ou fr\u00e1gil\u201d. Talvez seja assim, mas deixemos que os outros pensem isso. \u00c9 melhor sermos sempre mansos, porque assim se realizar\u00e3o as nossas maiores aspira\u00e7\u00f5es: os mansos \u201cpossuir\u00e3o a terra\u201d, isto \u00e9, ver\u00e3o as promessas de Deus cumpridas na sua vida. Porque os mansos, independentemente do que possam sugerir as circunst\u00e2ncias, esperam no Senhor, e aqueles que esperam no Senhor possuir\u00e3o a terra e gozar\u00e3o de imensa paz (cf. <em>Sal<\/em> 37\/36, 9.11). Ao mesmo tempo, o Senhor confia neles: \u201c\u00e9 nos humildes de cora\u00e7\u00e3o contrito que os meus olhos se fixam, pois escutam a minha palavra com respeito\u201d (<em>Is<\/em> 66, 2).<\/li>\n<\/ol>\n<p>Reagir com humilde mansid\u00e3o: isto \u00e9 santidade.<\/p>\n<p>\u201c<em>Felizes os que choram, porque ser\u00e3o consolados<\/em>\u201d<\/p>\n<ol start=\"75\">\n<li>O mundo prop\u00f5e-nos o contr\u00e1rio: o entretenimento, o prazer, a distra\u00e7\u00e3o, o divertimento. E diz-nos que isto \u00e9 que torna boa a vida. O mundano ignora, olha para o lado, quando h\u00e1 problemas de doen\u00e7a ou afli\u00e7\u00e3o na fam\u00edlia ou ao seu redor. O mundo n\u00e3o quer chorar: prefere ignorar as situa\u00e7\u00f5es dolorosas, cobri-las, escond\u00ea-las. Gastam-se muitas energias para escapar das situa\u00e7\u00f5es onde est\u00e1 presente o sofrimento, julgando que \u00e9 poss\u00edvel dissimular a realidade, onde nunca, nunca, pode faltar a cruz.<\/li>\n<li>A pessoa que, vendo as coisas como realmente est\u00e3o, se deixa trespassar pela afli\u00e7\u00e3o e chora no seu cora\u00e7\u00e3o, \u00e9 capaz de alcan\u00e7ar as profundezas da vida e ser autenticamente feliz.<a name=\"_ftnref70\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn70\">[70]<\/a> Esta pessoa \u00e9 consolada, mas com a consola\u00e7\u00e3o de Jesus e n\u00e3o com a do mundo. Assim pode ter a coragem de compartilhar o sofrimento alheio, e deixa de fugir das situa\u00e7\u00f5es dolorosas. Desta forma, descobre que a vida tem sentido socorrendo o outro na sua afli\u00e7\u00e3o, compreendendo a ang\u00fastia alheia, aliviando os outros. Esta pessoa sente que o outro \u00e9 carne da sua carne, n\u00e3o teme aproximar-se at\u00e9 tocar a sua ferida, compadece-se at\u00e9 sentir que as dist\u00e2ncias s\u00e3o superadas. Assim, \u00e9 poss\u00edvel acolher aquela exorta\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Paulo: \u201cChorai com os que choram\u201d (<em>Rm<\/em> 12, 15).<\/li>\n<\/ol>\n<p>Saber chorar com os outros: isto \u00e9 santidade.<\/p>\n<p>\u201c<em>Felizes os que t\u00eam fome e sede de justi\u00e7a, porque ser\u00e3o saciados<\/em>\u201d<\/p>\n<ol start=\"77\">\n<li>\u201cFome e sede\u201d s\u00e3o experi\u00eancias muito intensas, porque correspondem a necessidades prim\u00e1rias e t\u00eam a ver com o instinto de sobreviv\u00eancia. H\u00e1 pessoas que, com esta mesma intensidade, aspiram pela justi\u00e7a e buscam-na com um desejo assim forte. Jesus diz que elas ser\u00e3o saciadas, porque a justi\u00e7a, mais cedo ou mais tarde, chega e n\u00f3s podemos colaborar para o tornar poss\u00edvel, embora nem sempre vejamos os resultados deste compromisso.<\/li>\n<li>Mas a justi\u00e7a, que Jesus prop\u00f5e, n\u00e3o \u00e9 como a que o mundo procura, uma justi\u00e7a muitas vezes manchada por interesses mesquinhos, manipulada para um lado ou para outro. A realidade mostra-nos como \u00e9 f\u00e1cil entrar nas s\u00facias da corrup\u00e7\u00e3o, fazer parte dessa pol\u00edtica di\u00e1ria do \u201cdou para que me deem\u201d, onde tudo \u00e9 neg\u00f3cio. E quantas pessoas sofrem por causa das injusti\u00e7as, quantos ficam assistindo, impotentes, como outros se revezam para repartir o bolo da vida. Alguns desistem de lutar pela verdadeira justi\u00e7a, e optam por subir para o carro do vencedor. Isto n\u00e3o tem nada a ver com a fome e sede de justi\u00e7a que Jesus louva.<\/li>\n<li>Esta justi\u00e7a come\u00e7a por se tornar realidade na vida de cada um, sendo justo nas pr\u00f3prias decis\u00f5es, e depois manifesta-se na busca da justi\u00e7a para os pobres e vulner\u00e1veis. \u00c9 verdade que a palavra \u201cjusti\u00e7a\u201d pode ser sin\u00f3nimo de fidelidade \u00e0 vontade de Deus com toda a nossa vida, mas, se lhe dermos um sentido muito geral, esquecemo-nos que se manifesta especialmente na justi\u00e7a com os inermes: \u201cprocurai o que \u00e9 justo, socorrei os oprimidos, fazei justi\u00e7a aos \u00f3rf\u00e3os, defendei as vi\u00favas\u201d (<em>Is<\/em> 1, 17).<\/li>\n<\/ol>\n<p>Buscar a justi\u00e7a com fome e sede: isto \u00e9 santidade.<\/p>\n<p>\u201c<em>Felizes os misericordiosos, porque alcan\u00e7ar\u00e3o miseric\u00f3rdia<\/em>\u201d<\/p>\n<ol start=\"80\">\n<li>A miseric\u00f3rdia tem dois aspetos: \u00e9 dar, ajudar, servir os outros, mas tamb\u00e9m perdoar, compreender. Mateus resume-o numa regra de ouro: \u201co que quiserdes que vos fa\u00e7am os homens, fazei-o tamb\u00e9m a eles\u201d (7, 12). O Catecismo lembra-nos que esta lei se deve aplicar \u201ca todos os casos\u201d,<a name=\"_ftnref71\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn71\">[71]<\/a> especialmente quando algu\u00e9m \u201cse v\u00ea confrontado com situa\u00e7\u00f5es que tornam o ju\u00edzo moral menos seguro e a decis\u00e3o dif\u00edcil\u201d.<a name=\"_ftnref72\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn72\">[72]<\/a><\/li>\n<li>Dar e perdoar \u00e9 tentar reproduzir na nossa vida um pequeno reflexo da perfei\u00e7\u00e3o de Deus, que d\u00e1 e perdoa superabundantemente. Por esta raz\u00e3o, no Evangelho de Lucas, j\u00e1 n\u00e3o encontramos \u201csede perfeitos\u201d (<em>Mt<\/em> 5, 48), mas \u201csede misericordiosos como o vosso Pai \u00e9 misericordioso. N\u00e3o julgueis e n\u00e3o sereis julgados; n\u00e3o condeneis e n\u00e3o sereis condenados; perdoai e sereis perdoados. Dai e ser-vos-\u00e1 dado\u201d (6, 36-38). E depois Lucas acrescenta algo que n\u00e3o dever\u00edamos transcurar: \u201ca medida que usardes com os outros ser\u00e1 usada convosco\u201d (6, 38). A medida que usarmos para compreender e perdoar ser\u00e1 aplicada a n\u00f3s para nos perdoar. A medida que aplicarmos para dar, ser\u00e1 aplicada a n\u00f3s no c\u00e9u para nos recompensar. N\u00e3o nos conv\u00e9m esquec\u00ea-lo.<\/li>\n<li>Jesus n\u00e3o diz \u201cfelizes os que planeiam vingan\u00e7a\u201d, mas chama felizes aqueles que perdoam e o fazem \u201csetenta vezes sete\u201d (<em>Mt<\/em> 18, 22). \u00c9 necess\u00e1rio pensar que todos n\u00f3s somos uma multid\u00e3o de perdoados. Todos n\u00f3s fomos olhados com compaix\u00e3o divina. Se nos aproximarmos sinceramente do Senhor e ouvirmos com aten\u00e7\u00e3o, possivelmente uma vez ou outra escutaremos esta repreens\u00e3o: \u201cn\u00e3o devias tamb\u00e9m ter piedade do teu companheiro como Eu tive de ti?\u201d (<em>Mt<\/em> 18, 33).<\/li>\n<\/ol>\n<p>Olhar e agir com miseric\u00f3rdia: isto \u00e9 santidade.<\/p>\n<p>\u201c<em>Felizes os puros de cora\u00e7\u00e3o, porque ver\u00e3o a Deus<\/em>\u201d<\/p>\n<ol start=\"83\">\n<li>Esta bem-aventuran\u00e7a diz respeito a quem tem um cora\u00e7\u00e3o simples, puro, sem imund\u00edcie, pois um cora\u00e7\u00e3o que sabe amar n\u00e3o deixa entrar na sua vida algo que atente contra esse amor, algo que o enfraque\u00e7a ou coloque em risco. Na B\u00edblia, o cora\u00e7\u00e3o significa as nossas verdadeiras inten\u00e7\u00f5es, o que realmente buscamos e desejamos, para al\u00e9m do que aparentamos: \u201cO homem v\u00ea as apar\u00eancias, mas o Senhor olha o cora\u00e7\u00e3o\u201d (<em>1 Sam<\/em> 16, 7). Ele procura falar-nos ao cora\u00e7\u00e3o (cf. <em>Os<\/em> 2, 16) e nele deseja gravar a sua Lei (cf. <em>Jer<\/em> 31, 33). Em \u00faltima an\u00e1lise, quer dar-nos um cora\u00e7\u00e3o novo (cf. <em>Ez<\/em> 36, 26).<\/li>\n<li>\u201cVela com todo o cuidado sobre o teu cora\u00e7\u00e3o\u201d (<em>Prv<\/em> 4, 23). Nada de manchado pela falsidade tem valor real para o Senhor. Ele \u201cfoge da duplicidade, afasta-Se dos pensamentos insensatos\u201d (<em>Sab<\/em> 1, 5). O Pai, que \u201cv\u00ea no oculto\u201d (<em>Mt<\/em> 6, 6), reconhece o que n\u00e3o \u00e9 limpo, ou seja, o que n\u00e3o \u00e9 sincero, mas s\u00f3 casca e apar\u00eancia; e de igual modo tamb\u00e9m o Filho sabe o que h\u00e1 em cada ser humano (cf. <em>Jo<\/em> 2, 25).<\/li>\n<li>\u00c9 verdade que n\u00e3o h\u00e1 amor sem obras de amor, mas esta bem-aventuran\u00e7a lembra-nos que o Senhor espera uma dedica\u00e7\u00e3o ao irm\u00e3o que brote do cora\u00e7\u00e3o, pois \u201cainda que eu distribua todos os meus bens e entregue o meu corpo para ser queimado, se n\u00e3o tiver amor, de nada me vale\u201d (<em>1 Cor <\/em>13, 3). Tamb\u00e9m vemos, no Evangelho de Mateus, que \u00e9 \u201co que prov\u00e9m do cora\u00e7\u00e3o (\u2026) que torna o homem impuro\u201d (15, 18), porque de l\u00e1 procedem os homic\u00eddios, os roubos, os falsos testemunhos (cf. 15, 19). Nas inten\u00e7\u00f5es do cora\u00e7\u00e3o, t\u00eam origem os desejos e as decis\u00f5es mais profundas que efetivamente nos movem.<\/li>\n<li>Quando o cora\u00e7\u00e3o ama a Deus e ao pr\u00f3ximo (cf. <em>Mt<\/em> 22, 36-40), quando isto \u00e9 a sua verdadeira inten\u00e7\u00e3o e n\u00e3o palavras vazias, ent\u00e3o esse cora\u00e7\u00e3o \u00e9 puro e pode ver a Deus. S\u00e3o Paulo lembra, em pleno hino da caridade, que \u201cvemos como num espelho, de maneira confusa\u201d (<em>1 Cor<\/em> 13, 12), mas, \u00e0 medida que reinar verdadeiramente o amor, tornar-nos-emos capazes de ver \u201cface a face\u201d (<em>1 Cor<\/em> 13, 12). Jesus promete que as pessoas de cora\u00e7\u00e3o puro \u201cver\u00e3o a Deus\u201d.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Manter o cora\u00e7\u00e3o limpo de tudo o que mancha o amor: isto \u00e9 santidade.<\/p>\n<p>\u201c<em>Felizes os pacificadores, porque ser\u00e3o chamados filhos de Deus<\/em>\u201d<\/p>\n<ol start=\"87\">\n<li>Esta bem-aventuran\u00e7a faz-nos pensar nas numerosas situa\u00e7\u00f5es de guerra que perduram. Da nossa parte, \u00e9 muito comum sermos causa de conflitos ou, pelo menos, de incompreens\u00f5es. Por exemplo, quando ou\u00e7o qualquer coisa sobre algu\u00e9m e vou ter com outro e lho digo; e at\u00e9 fa\u00e7o uma segunda vers\u00e3o um pouco mais ampla e espalho-a. E, se o dano que consigo fazer \u00e9 maior, at\u00e9 parece que me causa maior satisfa\u00e7\u00e3o. O mundo das murmura\u00e7\u00f5es, feito por pessoas que se dedicam a criticar e destruir, n\u00e3o constr\u00f3i a paz. Pelo contr\u00e1rio, tais pessoas s\u00e3o inimigas da paz e, de modo nenhum, bem-aventuradas.<a name=\"_ftnref73\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn73\">[73]<\/a><\/li>\n<li>Os pac\u00edficos s\u00e3o fonte de paz, constroem paz e amizade social. \u00c0queles que cuidam de semear a paz por todo o lado, Jesus faz-lhes uma promessa maravilhosa: \u201cser\u00e3o chamados filhos de Deus\u201d (<em>Mt<\/em> 5, 9). Aos disc\u00edpulos, pedia-lhes que, ao chegar a uma casa, dissessem: \u201ca paz esteja nesta casa!\u201d (<em>Lc<\/em> 10, 5). A Palavra de Deus exorta cada crente a procurar, juntamente \u201ccom todos\u201d, a paz (cf. <em>2 Tim<\/em> 2, 22), pois \u201c\u00e9 com a paz que uma colheita de justi\u00e7a \u00e9 semeada pelos obreiros da paz\u201d (<em>Tg<\/em> 3, 18). E na nossa comunidade, se alguma vez tivermos d\u00favidas acerca do que se deve fazer, \u201cprocuremos aquilo que leva \u00e0 paz\u201d (<em>Rm<\/em> 14, 19), porque a unidade \u00e9 superior ao conflito.<a name=\"_ftnref74\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn74\">[74]<\/a><\/li>\n<li>N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil construir esta paz evang\u00e9lica que n\u00e3o exclui ningu\u00e9m; antes, integra mesmo aqueles que s\u00e3o um pouco estranhos, as pessoas dif\u00edceis e complicadas, os que reclamam aten\u00e7\u00e3o, aqueles que s\u00e3o diferentes, aqueles que s\u00e3o muito fustigados pela vida, aqueles que cultivam outros interesses. \u00c9 dif\u00edcil, requerendo uma grande abertura da mente e do cora\u00e7\u00e3o, uma vez que n\u00e3o se trata de \u201cum consenso de escrit\u00f3rio ou uma paz ef\u00e9mera para uma minoria feliz<a name=\"_ftnref75\"><\/a>\u201d<a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn75\">[75]<\/a> nem de \u201cum projeto de poucos para poucos\u201d.<a name=\"_ftnref76\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn76\">[76]<\/a> Tamb\u00e9m n\u00e3o pretende ignorar ou dissimular os conflitos, mas \u201caceitar suportar o conflito, resolv\u00ea-lo e transform\u00e1-lo no elo de liga\u00e7\u00e3o de um novo processo\u201d.<a name=\"_ftnref77\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn77\">[77]<\/a> Trata-se de ser artes\u00e3os da paz, porque construir a paz \u00e9 uma arte que requer serenidade, criatividade, sensibilidade e destreza.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Semear a paz ao nosso redor: isto \u00e9 santidade.<\/p>\n<p>\u201c<em>Felizes os que sofrem persegui\u00e7\u00e3o por causa da justi\u00e7a, porque deles \u00e9 o Reino do C\u00e9u<\/em>\u201d<\/p>\n<ol start=\"90\">\n<li>O pr\u00f3prio Jesus sublinha que este caminho vai contracorrente, a ponto de nos transformar em pessoas que questionam a sociedade com a sua vida, pessoas que incomodam. Jesus lembra as in\u00fameras pessoas que foram, e s\u00e3o, perseguidas simplesmente por ter lutado pela justi\u00e7a, ter vivido os seus compromissos com Deus e com os outros. Se n\u00e3o queremos afundar numa obscura mediocridade, n\u00e3o pretendamos uma vida c\u00f3moda, porque, \u201cquem quiser salvar a sua vida, vai perd\u00ea-la\u201d (<em>Mt<\/em> 16, 25).<\/li>\n<li>Para viver o Evangelho, n\u00e3o podemos esperar que tudo \u00e0 nossa volta seja favor\u00e1vel, porque muitas vezes as ambi\u00e7\u00f5es de poder e os interesses mundanos jogam contra n\u00f3s. S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II declarava \u201calienada a sociedade que, nas suas formas de organiza\u00e7\u00e3o social, de produ\u00e7\u00e3o e de consumo, torna mais dif\u00edcil a realiza\u00e7\u00e3o [do] dom [de si mesmo] e a constitui\u00e7\u00e3o [da] solidariedade inter-humana\u201d.<a name=\"_ftnref78\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn78\">[78]<\/a> Numa tal sociedade alienada, enredada numa trama pol\u00edtica, medi\u00e1tica, econ\u00f3mica, cultural e mesmo religiosa, que estorva o aut\u00eantico desenvolvimento humano e social, torna-se dif\u00edcil viver as bem-aventuran\u00e7as, podendo at\u00e9 a sua viv\u00eancia ser mal vista, suspeita, ridicularizada.<\/li>\n<li>A cruz, especialmente as fadigas e os sofrimentos que suportamos para viver o mandamento do amor e o caminho da justi\u00e7a, \u00e9 fonte de amadurecimento e santifica\u00e7\u00e3o. Lembremo-nos disto: quando o Novo Testamento fala dos sofrimentos que \u00e9 preciso suportar pelo Evangelho, refere-se precisamente \u00e0s persegui\u00e7\u00f5es (cf. <em>At<\/em> 5, 41; <em>Flp<\/em> 1, 29; <em>Col<\/em> 1, 24; <em>2 Tm<\/em> 1, 12; <em>1 Ped<\/em> 2, 20; 4, 14-16; <em>Ap<\/em> 2, 10).<\/li>\n<li>Fala-se, por\u00e9m, das persegui\u00e7\u00f5es inevit\u00e1veis, n\u00e3o daquelas que n\u00f3s pr\u00f3prios podemos provocar com um modo errado de tratar os outros. Um santo n\u00e3o \u00e9 uma pessoa exc\u00eantrica, distante, que se torna insuport\u00e1vel pela sua vaidade, negativismo e ressentimento. N\u00e3o eram assim os Ap\u00f3stolos de Cristo. O livro dos Atos refere, com insist\u00eancia, que eles gozavam da simpatia \u201cde todo o povo\u201d (2, 47; cf. 4, 21.33; 5, 13), enquanto algumas autoridades os assediavam e perseguiam (cf. 4, 1- 3; 5, 17-18).<\/li>\n<li>As persegui\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o uma realidade do passado, porque hoje tamb\u00e9m as sofremos quer de forma cruenta, como tantos m\u00e1rtires contempor\u00e2neos, quer duma maneira mais subtil, atrav\u00e9s de cal\u00fanias e falsidades. Jesus diz que haver\u00e1 felicidade, quando, \u201cmentindo, disserem todo o g\u00e9nero de cal\u00fanias contra v\u00f3s, por minha causa\u201d (<em>Mt<\/em> 5, 11). Outras vezes, trata-se de zombarias que tentam desfigurar a nossa f\u00e9 e fazer-nos passar por pessoas rid\u00edculas.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Abra\u00e7ar diariamente o caminho do Evangelho mesmo que nos acarrete problemas: isto \u00e9 santidade.<\/p>\n<p><strong>A grande regra de comportamento<\/strong><\/p>\n<ol start=\"95\">\n<li>No cap\u00edtulo 25 do Evangelho de Mateus (vv. 31-46), Jesus volta a deter-se numa destas bem-aventuran\u00e7as: a que declara felizes os misericordiosos. Se andamos \u00e0 procura da santidade que agrada a Deus, neste texto encontramos precisamente uma regra de comportamento com base na qual seremos julgados: \u201cTive fome e destes-Me de comer, tive sede e destes-Me de beber, era peregrino e recolhestes-Me, estava nu e destes-Me que vestir, adoeci e visitastes-Me, estive na pris\u00e3o e fostes ter comigo\u201d (25, 35-36).<\/li>\n<\/ol>\n<p><em>Por fidelidade ao Mestre<\/em><\/p>\n<ol start=\"96\">\n<li>Deste modo, ser santo n\u00e3o significa revirar os olhos num suposto \u00eaxtase. Dizia S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II que, \u201cse verdadeiramente partimos da contempla\u00e7\u00e3o de Cristo, devemos saber v\u00ea-Lo sobretudo no rosto daqueles com quem Ele mesmo Se quis identificar\u201d.<a name=\"_ftnref79\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn79\">[79]<\/a> O texto de Mateus 25, 35-36 \u201cn\u00e3o \u00e9 um mero convite \u00e0 caridade, mas uma p\u00e1gina de cristologia que projeta um feixe de luz sobre o mist\u00e9rio de Cristo\u201d.<a name=\"_ftnref80\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn80\">[80]<\/a> Neste apelo a reconhec\u00ea-Lo nos pobres e atribulados, revela-se o pr\u00f3prio cora\u00e7\u00e3o de Cristo, os seus sentimentos e as suas op\u00e7\u00f5es mais profundas, com os quais se procura configurar todo o santo.<\/li>\n<li>Perante a for\u00e7a destas solicita\u00e7\u00f5es de Jesus, \u00e9 meu dever pedir aos crist\u00e3os que as aceitem e recebam com sincera abertura, <em>sine glossa<\/em>, isto \u00e9, sem coment\u00e1rios, especula\u00e7\u00f5es e desculpas que lhes tirem for\u00e7a. O Senhor deixou-nos bem claro que a santidade n\u00e3o se pode compreender nem viver prescindindo destas suas exig\u00eancias, porque a miseric\u00f3rdia \u00e9 o \u201ccora\u00e7\u00e3o pulsante do Evangelho\u201d.<a name=\"_ftnref81\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn81\">[81]<\/a><\/li>\n<li>Quando encontro uma pessoa a dormir ao relento, numa noite fria, posso sentir que este vulto seja um imprevisto que me det\u00e9m, um delinquente ocioso, um obst\u00e1culo no meu caminho, um aguilh\u00e3o molesto para a minha consci\u00eancia, um problema que os pol\u00edticos devem resolver e talvez at\u00e9 um monte de lixo que suja o espa\u00e7o p\u00fablico. Ou ent\u00e3o posso reagir a partir da f\u00e9 e da caridade e reconhecer nele um ser humano com a mesma dignidade que eu, uma criatura infinitamente amada pelo Pai, uma imagem de Deus, um irm\u00e3o redimido por Jesus Cristo. Isto \u00e9 ser crist\u00e3o! Ou poder-se-\u00e1 porventura entender a santidade prescindindo deste reconhecimento vivo da dignidade de todo o ser humano?<a name=\"_ftnref82\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn82\">[82]<\/a><\/li>\n<li>Para os crist\u00e3os, isto sup\u00f5e uma saud\u00e1vel e permanente insatisfa\u00e7\u00e3o. Embora dar al\u00edvio a uma \u00fanica pessoa j\u00e1 justificasse todos os nossos esfor\u00e7os, para n\u00f3s isso n\u00e3o \u00e9 suficiente. Com clareza o afirmaram os Bispos do Canad\u00e1 ao mostrar como nos ensinamentos b\u00edblicos sobre o Jubileu, por exemplo, n\u00e3o se trata apenas de fazer algumas a\u00e7\u00f5es boas, mas de procurar uma mudan\u00e7a social: \u201cpara que fossem libertadas tamb\u00e9m as gera\u00e7\u00f5es futuras, o objetivo proposto era claramente o restabelecimento de sistemas sociais e econ\u00f3micos justos, a fim de que n\u00e3o pudesse haver mais exclus\u00e3o\u201d.<a name=\"_ftnref83\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn83\">[83]<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p><em>As ideologias que mutilam o cora\u00e7\u00e3o do Evangelho<\/em><\/p>\n<ol start=\"100\">\n<li>\u00c0s vezes, infelizmente, as ideologias levam-nos a dois erros nocivos. Por um lado, o erro dos crist\u00e3os que separam estas exig\u00eancias do Evangelho do seu relacionamento pessoal com o Senhor, da uni\u00e3o interior com Ele, da gra\u00e7a. Assim transforma-se o cristianismo numa esp\u00e9cie de ONG, privando-o daquela espiritualidade irradiante que, t\u00e3o bem, viveram e manifestaram S\u00e3o Francisco de Assis, S\u00e3o Vicente de Paulo, Santa Teresa de Calcut\u00e1 e muitos outros. A estes grandes santos, nem a ora\u00e7\u00e3o, nem o amor de Deus, nem a leitura do Evangelho diminu\u00edram a paix\u00e3o e a efic\u00e1cia da sua dedica\u00e7\u00e3o ao pr\u00f3ximo; antes pelo contr\u00e1rio&#8230;<\/li>\n<li>Mas \u00e9 nocivo e ideol\u00f3gico tamb\u00e9m o erro das pessoas que vivem suspeitando do compromisso social dos outros, considerando-o algo de superficial, mundano, secularizado, imanentista, comunista, populista; ou ent\u00e3o relativizam-no como se houvesse outras coisas mais importantes, como se interessasse apenas uma determinada \u00e9tica ou um arrazoado que eles defendem. A defesa do inocente nascituro, por exemplo, deve ser clara, firme e apaixonada, porque neste caso est\u00e1 em jogo a dignidade da vida humana, sempre sagrada, e exige-o o amor por toda a pessoa, independentemente do seu desenvolvimento. Mas igualmente sagrada \u00e9 a vida dos pobres que j\u00e1 nasceram e se debatem na mis\u00e9ria, no abandono, na exclus\u00e3o, no tr\u00e1fico de pessoas, na eutan\u00e1sia encoberta de doentes e idosos privados de cuidados, nas novas formas de escravatura, e em todas as formas de descarte.<a name=\"_ftnref84\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn84\">[84]<\/a> N\u00e3o podemos propor-nos um ideal de santidade que ignore a injusti\u00e7a deste mundo, onde alguns festejam, gastam folgadamente e reduzem a sua vida \u00e0s novidades do consumo, ao mesmo tempo que outros se limitam a olhar de fora enquanto a sua vida passa e termina miseravelmente.<\/li>\n<li>Muitas vezes ouve-se dizer que, face ao relativismo e aos limites do mundo atual, seria um tema marginal, por exemplo, a situa\u00e7\u00e3o dos migrantes. Alguns cat\u00f3licos afirmam que \u00e9 um tema secund\u00e1rio relativamente aos temas \u201cs\u00e9rios\u201d da bio\u00e9tica. Que fale assim um pol\u00edtico preocupado com os seus sucessos, talvez se possa chegar a compreender; mas n\u00e3o um crist\u00e3o, cuja \u00fanica atitude condigna \u00e9 colocar-se na pele do irm\u00e3o que arrisca a vida para dar um futuro aos seus filhos. Poderemos n\u00f3s reconhecer que \u00e9 precisamente isto o que nos exige Jesus quando diz que a Ele mesmo recebemos em cada forasteiro (cf. <em>Mt<\/em> 25, 35)? S\u00e3o Bento assumira-o sem reservas e, embora isto pudesse \u201ccomplicar\u201d a vida dos monges, estabeleceu que todos os h\u00f3spedes que se apresentassem no mosteiro fossem acolhidos \u201ccomo Cristo\u201d,<a name=\"_ftnref85\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn85\">[85]<\/a> manifestando-o mesmo com gestos de adora\u00e7\u00e3o,<a name=\"_ftnref86\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn86\">[86]<\/a> e que os pobres e peregrinos fossem tratados \u201ccom o m\u00e1ximo cuidado e solicitude\u201d.<a name=\"_ftnref87\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn87\">[87]<\/a><\/li>\n<li>Algo de semelhante prop\u00f5e o Antigo Testamento, quando diz: \u201cn\u00e3o usar\u00e1s de viol\u00eancia contra o estrangeiro residente nem o oprimir\u00e1s, porque foste estrangeiro residente na terra do Egito\u201d (<em>Ex<\/em> 22, 20). \u201cO estrangeiro que reside convosco ser\u00e1 tratado como um dos vossos compatriotas e am\u00e1-lo-\u00e1s como a ti mesmo, porque fostes estrangeiros na terra do Egito\u201d (<em>Lv<\/em> 19, 34). Por isso, n\u00e3o se trata da inven\u00e7\u00e3o de um Papa nem dum del\u00edrio passageiro. Tamb\u00e9m n\u00f3s, no contexto atual, somos chamados a viver o caminho de ilumina\u00e7\u00e3o espiritual que nos apresentava o profeta Isa\u00edas quando, interrogando-se sobre o que agrada a Deus, respondia: \u00e9 \u201crepartir o teu p\u00e3o com os esfomeados, dar abrigo aos infelizes sem casa, atender e vestir os nus e n\u00e3o desprezar o teu irm\u00e3o. Ent\u00e3o, a tua luz surgir\u00e1 como a aurora\u201d (58, 7-8).<\/li>\n<\/ol>\n<p><em>O culto que mais Lhe agrada<\/em><\/p>\n<ol start=\"104\">\n<li>Poder-se-ia pensar que damos gl\u00f3ria a Deus s\u00f3 com o culto e a ora\u00e7\u00e3o, ou apenas observando algumas normas \u00e9ticas (\u00e9 verdade que o primado pertence \u00e0 rela\u00e7\u00e3o com Deus), mas esquecemos que o crit\u00e9rio de avalia\u00e7\u00e3o da nossa vida \u00e9, antes de mais nada, o que fizemos pelos outros. A ora\u00e7\u00e3o \u00e9 preciosa, se alimenta uma doa\u00e7\u00e3o di\u00e1ria de amor. O nosso culto agrada a Deus, quando levamos l\u00e1 os prop\u00f3sitos de viver com generosidade e quando deixamos que o dom l\u00e1 recebido se manifeste na dedica\u00e7\u00e3o aos irm\u00e3os.<\/li>\n<li>Pela mesma raz\u00e3o, o melhor modo para discernir se o nosso caminho de ora\u00e7\u00e3o \u00e9 aut\u00eantico ser\u00e1 ver em que medida a nossa vida se vai transformando \u00e0 luz da miseric\u00f3rdia. Com efeito, \u201ca miseric\u00f3rdia n\u00e3o \u00e9 apenas o agir do Pai, mas torna-se o crit\u00e9rio para individuar quem s\u00e3o os seus verdadeiros filhos\u201d.<a name=\"_ftnref88\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn88\">[88]<\/a> \u00c9 \u201ca arquitrave que suporta avida da Igreja\u201d.<a name=\"_ftnref89\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn89\">[89]<\/a> Quero assinalar mais uma vez que, embora a miseric\u00f3rdia n\u00e3o exclua a justi\u00e7a e a verdade, \u201cantes de tudo, temos de dizer que a miseric\u00f3rdia \u00e9 a plenitude da justi\u00e7a e a manifesta\u00e7\u00e3o mais luminosa da verdade de Deus\u201d.<a name=\"_ftnref90\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn90\">[90]<\/a> A miseric\u00f3rdia \u201c\u00e9 a chave do C\u00e9u\u201d.<a name=\"_ftnref91\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn91\">[91]<\/a><\/li>\n<li>N\u00e3o posso deixar de lembrar a quest\u00e3o que se colocava S\u00e3o Tom\u00e1s de Aquino ao interrogar-se quais s\u00e3o as nossas a\u00e7\u00f5es maiores, quais s\u00e3o as obras exteriores que manifestam melhor o nosso amor a Deus. Responde sem hesitar que, mais do que os atos de culto, s\u00e3o as obras de miseric\u00f3rdia para com o pr\u00f3ximo:<a name=\"_ftnref92\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn92\">[92]<\/a> \u201cn\u00e3o praticamos o culto a Deus com sacrif\u00edcios e com ofertas exteriores para proveito d\u2019Ele, mas para benef\u00edcio nosso e do pr\u00f3ximo: de facto Ele n\u00e3o precisa dos nossos sacrif\u00edcios, mas quer que Lhos ofere\u00e7amos para nossa devo\u00e7\u00e3o e para utilidade do pr\u00f3ximo. Por isso a miseric\u00f3rdia, pela qual socorremos as car\u00eancias alheias, ao favorecer mais diretamente a utilidade do pr\u00f3ximo, \u00e9 o sacrif\u00edcio que mais Lhe agrada\u201d.<a name=\"_ftnref93\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn93\">[93]<\/a><\/li>\n<li>Quem deseja verdadeiramente dar gl\u00f3ria a Deus com a sua vida, quem realmente se quer santificar para que a sua exist\u00eancia glorifique o Santo, \u00e9 chamado a obstinar-se, gastar-se e cansar-se procurando viver as obras de miseric\u00f3rdia. Muito bem o entendera Santa Teresa de Calcut\u00e1: \u201csim, tenho muitas fraquezas humanas, muitas mis\u00e9rias humanas. (&#8230;) Mas Ele abaixa-Se e serve-Se de n\u00f3s, de ti e de mim, para sermos o seu amor e a sua compaix\u00e3o no mundo, apesar dos nossos pecados, apesar das nossas mis\u00e9rias e defeitos. Ele depende de n\u00f3s para amar o mundo e demonstrar-lhe o muito que o ama. Se nos ocuparmos demasiado de n\u00f3s mesmos, n\u00e3o teremos tempo para os outros\u201d.<a name=\"_ftnref94\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn94\">[94]<\/a><\/li>\n<li>O consumismo hedonista pode-nos enganar, porque, na obsess\u00e3o de divertir-nos, acabamos por estar excessivamente concentrados em n\u00f3s mesmos, nos nossos direitos e na exacerba\u00e7\u00e3o de ter tempo livre para gozar a vida. Ser\u00e1 dif\u00edcil que nos comprometamos e dediquemos energias a dar uma m\u00e3o a quem est\u00e1 mal, se n\u00e3o cultivarmos uma certa austeridade, se n\u00e3o lutarmos contra esta febre que a sociedade de consumo nos imp\u00f5e para nos vender coisas, acabando por nos transformar em pobres insatisfeitos que tudo querem ter e provar. O pr\u00f3prio consumo de informa\u00e7\u00e3o superficial e as formas de comunica\u00e7\u00e3o r\u00e1pida e virtual podem ser um fator de estonteamento que ocupa todo o nosso tempo e nos afasta da carne sofredora dos irm\u00e3os. No meio deste turbilh\u00e3o atual, volta a ressoar o Evangelho para nos oferecer uma vida diferente, mais saud\u00e1vel e mais feliz.<\/li>\n<li>A for\u00e7a do testemunho dos santos consiste em viver as bem-aventuran\u00e7as e a regra de comportamento do ju\u00edzo final. S\u00e3o poucas palavras, simples, mas pr\u00e1ticas e v\u00e1lidas para todos, porque o cristianismo est\u00e1 feito principalmente para ser praticado e, se \u00e9 tamb\u00e9m objeto de reflex\u00e3o, isso s\u00f3 tem valor quando nos ajuda a viver o Evangelho na vida di\u00e1ria. Recomendo vivamente que se leia, com frequ\u00eancia, estes grandes textos b\u00edblicos, que sejam recordados, que se reze com eles, que se procure encarn\u00e1-los. Far-nos-\u00e3o bem, tornar-nos-\u00e3o genuinamente felizes.<\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>Cap\u00edtulo IV<\/strong><\/p>\n<p><strong>ALGUMAS CARATER\u00cdSTICAS DA SANTIDADE<br \/>\nNO MUNDO ATUAL<\/strong><\/p>\n<ol start=\"110\">\n<li>Neste grande quadro da santidade que as bem-aventuran\u00e7as e Mateus 25, 31-46 nos prop\u00f5em, gostaria de recolher algumas carater\u00edsticas ou tra\u00e7os espirituais que, a meu ver, s\u00e3o indispens\u00e1veis para compreender o estilo de vida a que o Senhor nos chama. N\u00e3o me deterei a explicar os meios de santifica\u00e7\u00e3o que j\u00e1 conhecemos: os diferentes m\u00e9todos de ora\u00e7\u00e3o, os sacramentos inestim\u00e1veis da Eucaristia e da Reconcilia\u00e7\u00e3o, a oferta de sacrif\u00edcios, as v\u00e1rias formas de devo\u00e7\u00e3o, a dire\u00e7\u00e3o espiritual e muitos outros. Limitar-me-ei a referir alguns aspetos da chamada \u00e0 santidade, que tenham \u2013 assim o espero \u2013 uma resson\u00e2ncia especial.<\/li>\n<li>Estas carater\u00edsticas que quero evidenciar n\u00e3o s\u00e3o todas as que podem constituir um modelo de santidade, mas s\u00e3o cinco grandes manifesta\u00e7\u00f5es do amor a Deus e ao pr\u00f3ximo, que considero particularmente importantes devido a alguns riscos e limites da cultura de hoje. Nesta se manifestam: a ansiedade nervosa e violenta que nos dispersa e enfraquece; o negativismo e a tristeza; a ac\u00e9dia c\u00f3moda, consumista e ego\u00edsta; o individualismo e tantas formas de falsa espiritualidade sem encontro com Deus que reinam no mercado religioso atual.<\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>Suporta\u00e7\u00e3o, paci\u00eancia e mansid\u00e3o<\/strong><\/p>\n<ol start=\"112\">\n<li>A primeira destas grandes carater\u00edsticas \u00e9 permanecer centrado, firme em Deus que ama e sustenta. A partir desta firmeza interior, \u00e9 poss\u00edvel aguentar, suportar as contrariedades, as vicissitudes da vida e tamb\u00e9m as agress\u00f5es dos outros, as suas infidelidades e defeitos: \u201cse Deus est\u00e1 por n\u00f3s, quem pode estar contra n\u00f3s?\u201d (<em>Rm<\/em> 8, 31). Nisto est\u00e1 a fonte da paz que se expressa nas atitudes dum santo. Com base em tal solidez interior, o testemunho de santidade, no nosso mundo acelerado, vol\u00favel e agressivo, \u00e9 feito de paci\u00eancia e const\u00e2ncia no bem. \u00c9 a fidelidade (<em>pistis<\/em>) do amor, pois quem se apoia em Deus tamb\u00e9m pode ser fiel (<em>pist\u00f3s<\/em>) aos irm\u00e3os, n\u00e3o os abandonando nos momentos dif\u00edceis, nem se deixando levar pela pr\u00f3pria ansiedade, mas mantendo-se ao lado dos outros mesmo quando isso n\u00e3o lhe proporcione qualquer satisfa\u00e7\u00e3o imediata.<\/li>\n<li>S\u00e3o Paulo convidava os crist\u00e3os de Roma a n\u00e3o pagar a ningu\u00e9m o mal com o mal (cf. <em>Rm<\/em> 12, 17), a n\u00e3o fazer-se justi\u00e7a por conta pr\u00f3pria (cf. 12, 19), nem a deixar-se vencer pelo mal, mas vencer o mal com o bem (cf. 12, 21). Esta atitude n\u00e3o \u00e9 sinal de fraqueza, mas da verdadeira for\u00e7a, porque o pr\u00f3prio Deus \u201c\u00e9 paciente e grande em poder\u201d (<em>Na<\/em> 1, 3). Assim nos adverte a Palavra de Deus: \u201ctoda a esp\u00e9cie de azedume, raiva, ira, gritaria e inj\u00faria desapare\u00e7a de v\u00f3s, juntamente com toda a maldade\u201d (<em>Ef<\/em> 4, 31).<\/li>\n<li>\u00c9 preciso lutar e estar atentos \u00e0s nossas inclina\u00e7\u00f5es agressivas e egoc\u00eantricas, para n\u00e3o deixar que ganhem ra\u00edzes: \u201cse vos irardes, n\u00e3o pequeis; que o sol n\u00e3o se ponha sobre o vosso ressentimento\u201d (<em>Ef<\/em> 4, 26). Quando h\u00e1 circunst\u00e2ncias que nos acabrunham, sempre podemos recorrer \u00e0 \u00e2ncora da s\u00faplica, que nos leva a ficar de novo nas m\u00e3os de Deus e junto da fonte da paz: \u201cpor nada vos deixeis inquietar; pelo contr\u00e1rio: em tudo, pela ora\u00e7\u00e3o e pela prece, apresentai os vossos pedidos a Deus em a\u00e7\u00f5es de gra\u00e7as. Ent\u00e3o, a paz de Deus, que ultrapassa toda a intelig\u00eancia, guardar\u00e1 os vossos cora\u00e7\u00f5es\u201d (<em>Flp<\/em> 4, 6-7).<\/li>\n<li>Pode acontecer tamb\u00e9m que os crist\u00e3os fa\u00e7am parte de redes de viol\u00eancia verbal atrav\u00e9s da internet e v\u00e1rios f\u00f3runs ou espa\u00e7os de interc\u00e2mbio digital. Mesmo nos <em>media<\/em> cat\u00f3licos, \u00e9 poss\u00edvel ultrapassar os limites, tolerando-se a difama\u00e7\u00e3o e a cal\u00fania e parecendo excluir qualquer \u00e9tica e respeito pela fama alheia. Gera-se, assim, um dualismo perigoso, porque, nestas redes, dizem-se coisas que n\u00e3o seriam toler\u00e1veis na vida p\u00fablica e procura-se compensar as pr\u00f3prias insatisfa\u00e7\u00f5es descarregando furiosamente os desejos de vingan\u00e7a. \u00c9 impressionante como, \u00e0s vezes, pretendendo defender outros mandamentos, se ignora completamente o oitavo: \u201cn\u00e3o levantar falsos testemunhos\u201d e destr\u00f3i-se sem piedade a imagem alheia. Nisto se manifesta como a l\u00edngua descontrolada \u201c\u00e9 um mundo de iniquidade; (\u2026) e, inflamada pelo Inferno, incendeia o curso da nossa exist\u00eancia\u201d (<em>Tg<\/em> 3, 6).<\/li>\n<li>A firmeza interior, que \u00e9 obra da gra\u00e7a, impede de nos deixarmos arrastar pela viol\u00eancia que invade a vida social, porque a gra\u00e7a aplaca a vaidade e torna poss\u00edvel a mansid\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o. O santo n\u00e3o gasta as suas energias a lamentar-se dos erros alheios, \u00e9 capaz de guardar sil\u00eancio sobre os defeitos dos seus irm\u00e3os e evita a viol\u00eancia verbal que destr\u00f3i e maltrata, porque n\u00e3o se julga digno de ser duro com os outros, mas considera-os superiores a si pr\u00f3prio (cf. <em>Flp<\/em> 2, 3).<\/li>\n<li>N\u00e3o nos faz bem olhar com altivez, assumir o papel de ju\u00edzes sem piedade, considerar os outros como indignos e pretender continuamente dar li\u00e7\u00f5es. Esta \u00e9 uma forma subtil de viol\u00eancia.<a name=\"_ftnref95\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn95\">[95]<\/a> S\u00e3o Jo\u00e3o da Cruz propunha outra coisa: \u201cmostra-te sempre mais propenso a ser ensinado por todos do que a querer ensinar quem \u00e9 inferior a todos\u201d.<a name=\"_ftnref96\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn96\">[96]<\/a> E acrescentava um conselho para afastar o dem\u00f3nio: \u201calegrando-te com o bem dos outros como se fosse teu e procurando sinceramente que estes sejam preferidos a ti em todas as coisas, assim vencer\u00e1s o mal com o bem, afastar\u00e1s o dem\u00f3nio para longe e alegrar\u00e1s o cora\u00e7\u00e3o. Procura exercit\u00e1-lo sobretudo com aqueles que te s\u00e3o menos simp\u00e1ticos. E sabe que, se n\u00e3o te exercitares neste campo, n\u00e3o chegar\u00e1s \u00e0 verdadeira caridade nem tirar\u00e1s proveito dela\u201d.<a name=\"_ftnref97\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn97\">[97]<\/a><\/li>\n<li>A humildade s\u00f3 se pode enraizar no cora\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s das humilha\u00e7\u00f5es. Sem elas, n\u00e3o h\u00e1 humildade nem santidade. Se n\u00e3o fores capaz de suportar e oferecer a Deus algumas humilha\u00e7\u00f5es, n\u00e3o \u00e9s humilde nem est\u00e1s no caminho da santidade. A santidade que Deus d\u00e1 \u00e0 sua Igreja, vem atrav\u00e9s da humilha\u00e7\u00e3o do seu Filho: este \u00e9 o caminho. A humilha\u00e7\u00e3o faz-te semelhante a Jesus, \u00e9 parte inelud\u00edvel da imita\u00e7\u00e3o de Jesus: \u201cCristo padeceu por v\u00f3s, deixando-vos o exemplo, para que sigais os seus passos\u201d (<em>1 Ped<\/em> 2, 21). Ele, por sua vez, manifesta a humildade do Pai, que Se humilha para caminhar com o seu povo, que suporta as suas infidelidades e murmura\u00e7\u00f5es (cf. <em>Ex<\/em> 34, 6-9; <em>Sab<\/em> 11, 23 \u2013 12, 2; <em>Lc<\/em> 6, 36). Por este motivo os Ap\u00f3stolos, depois da humilha\u00e7\u00e3o, estavam \u201ccheios de alegria, por terem sido considerados dignos de sofrer vexames por causa do Nome de Jesus\u201d (<em>At<\/em> 5, 41).<\/li>\n<li>N\u00e3o me refiro apenas \u00e0s situa\u00e7\u00f5es cruentas de mart\u00edrio, mas \u00e0s humilha\u00e7\u00f5es di\u00e1rias daqueles que calam para salvar a sua fam\u00edlia, ou evitam falar bem de si mesmos e preferem louvar os outros em vez de se gloriar, escolhem as tarefas menos vistosas e \u00e0s vezes at\u00e9 preferem suportar algo de injusto para o oferecer ao Senhor: \u201cse, fazendo o bem, sofreis com paci\u00eancia, isso \u00e9 uma coisa merit\u00f3ria diante de Deus\u201d (<em>1 Ped<\/em> 2, 20). N\u00e3o \u00e9 caminhar com a cabe\u00e7a inclinada, falar pouco ou escapar da sociedade. \u00c0s vezes uma pessoa, precisamente porque est\u00e1 liberta do egocentrismo, pode ter a coragem de discutir amavelmente, reclamar justi\u00e7a ou defender os fracos diante dos poderosos, mesmo que isso traga consequ\u00eancias negativas para a sua imagem.<\/li>\n<li>N\u00e3o digo que a humilha\u00e7\u00e3o seja algo de agrad\u00e1vel, porque isso seria masoquismo, mas que se trata dum caminho para imitar Jesus e crescer na uni\u00e3o com Ele. Isto n\u00e3o \u00e9 compreens\u00edvel no plano natural, e o mundo ridiculariza semelhante proposta. \u00c9 uma gra\u00e7a que precisamos de implorar: \u201cSenhor, quando chegarem as humilha\u00e7\u00f5es, ajuda-me a sentir que estou seguindo atr\u00e1s de Ti, no teu caminho\u201d.<\/li>\n<li>Esta atitude pressup\u00f5e um cora\u00e7\u00e3o pacificado por Cristo, liberto daquela agressividade que brota dum \u201cego\u201d demasiado grande. A pr\u00f3pria pacifica\u00e7\u00e3o, que a gra\u00e7a realiza, permite-nos manter uma seguran\u00e7a interior e aguentar, perseverar no bem \u201cainda que atravesse vales tenebrosos\u201d (<em>Sal<\/em> 23\/22, 4) ou \u201cainda que um ex\u00e9rcito me cerque\u201d (<em>Sal<\/em> 27\/26, 3). Firmes no Senhor, a Rocha, podemos cantar: \u201cdeito-me em paz e logo adorme\u00e7o, porque s\u00f3 Tu, Senhor, me fazes viver em seguran\u00e7a\u201d (<em>Sal<\/em> 4, 9). Em suma, Cristo \u201c\u00e9 a nossa paz\u201d (<em>Ef<\/em> 2,14) e veio \u201cdirigir os nossos passos no caminho da paz\u201d (<em>Lc<\/em> 1, 79). Ele fez saber a Santa Faustina Kowalska: \u201ca humanidade n\u00e3o encontrar\u00e1 paz, enquanto n\u00e3o se dirigir com confian\u00e7a \u00e0 Minha Miseric\u00f3rdia\u201d.<a name=\"_ftnref98\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn98\">[98]<\/a> Por isso, n\u00e3o caiamos na tenta\u00e7\u00e3o de procurar a seguran\u00e7a interior no sucesso, nos prazeres vazios, na riqueza, no dom\u00ednio sobre os outros ou na imagem social: \u201cDou-vos a minha paz. [Mas] n\u00e3o \u00e9 como a d\u00e1 o mundo, que Eu vo-la dou\u201d (<em>Jo<\/em> 14, 27).<\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>Alegria e sentido de humor<\/strong><\/p>\n<ol start=\"122\">\n<li>O que ficou dito at\u00e9 agora n\u00e3o implica um esp\u00edrito retra\u00eddo, tristonho, amargo, melanc\u00f3lico ou um perfil sumido, sem energia. O santo \u00e9 capaz de viver com alegria e sentido de humor. Sem perder o realismo, ilumina os outros com um esp\u00edrito positivo e rico de esperan\u00e7a. Ser crist\u00e3o \u00e9 \u201calegria no Esp\u00edrito Santo\u201d (<em>Rm<\/em> 14, 17), porque, \u201cdo amor de caridade, segue-se necessariamente a alegria. Pois quem ama sempre se alegra na uni\u00e3o com o amado. (&#8230;) Da\u00ed que a consequ\u00eancia da caridade seja a alegria\u201d.<a name=\"_ftnref99\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn99\">[99]<\/a> Recebemos a beleza da sua Palavra e abra\u00e7amo-la \u201cem plena tribula\u00e7\u00e3o, com a alegria do Esp\u00edrito Santo\u201d (<em>1 Ts<\/em> 1, 6). Se deixarmos que o Senhor nos arranque da nossa concha e mude a nossa vida, ent\u00e3o poderemos realizar o que pedia S\u00e3o Paulo: \u201cAlegrai-vos sempre no Senhor! De novo o digo: alegrai-vos!\u201d (<em>Flp<\/em> 4, 4).<\/li>\n<li>Os profetas anunciavam o tempo de Jesus, que estamos a viver, como uma revela\u00e7\u00e3o da alegria: \u201cexultai de alegria\u201d (<em>Is<\/em> 12, 6). \u201cSobe a um alto monte, arauto de Si\u00e3o. Grita com voz forte, arauto de Jerusal\u00e9m\u201d (<em>Is<\/em> 40, 9). \u201cExulta de alegria, \u00f3 terra! Rompei em exclama\u00e7\u00f5es, \u00f3 montes! Na verdade, o Senhor consola o seu povo e Se compadece dos desamparados\u201d (<em>Is<\/em> 49, 13). \u201cExulta de alegria, filha de Si\u00e3o! Solta gritos de j\u00fabilo, filha de Jerusal\u00e9m! Eis que o teu Rei vem a ti; Ele \u00e9 justo e vitorioso\u201d (<em>Zac<\/em> 9, 9). E n\u00e3o esque\u00e7amos a exorta\u00e7\u00e3o de Neemias: \u201cn\u00e3o vos entriste\u00e7ais, porque a alegria do Senhor \u00e9 que \u00e9 a vossa for\u00e7a\u201d (8, 10).<\/li>\n<li>Maria, que soube descobrir a novidade trazida por Jesus, cantava: \u201co meu esp\u00edrito se alegra\u201d (<em>Lc<\/em> 1, 47) e o pr\u00f3prio Jesus \u201cestremeceu de alegria sob a a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo\u201d (<em>Lc<\/em> 10, 21). Quando Ele passava, \u201ca multid\u00e3o alegrava-se\u201d (<em>Lc<\/em> 13, 17). Depois da sua ressurrei\u00e7\u00e3o, onde chegavam os disc\u00edpulos, havia grande alegria (cf. <em>At<\/em> 8, 8). Jesus assegurou-nos: \u201cv\u00f3s haveis de estar tristes, mas a vossa tristeza h\u00e1 de converter-se em alegria! (&#8230;) Eu hei de ver-vos de novo! Ent\u00e3o o vosso cora\u00e7\u00e3o h\u00e1 de alegrar-se e ningu\u00e9m vos poder\u00e1 tirar a vossa alegria\u201d (<em>Jo<\/em> 16, 20.22). \u201cManifestei-vos estas coisas, para que esteja em v\u00f3s a minha alegria, e a vossa alegria seja completa\u201d (<em>Jo<\/em> 15, 11).<\/li>\n<li>Existem momentos dif\u00edceis, tempos de cruz, mas nada pode destruir a alegria sobrenatural, que \u201cse adapta e transforma, mas sempre permanece pelo menos como um feixe de luz que nasce da certeza pessoal de, n\u00e3o obstante o contr\u00e1rio, sermos infinitamente amados\u201d.<a name=\"_ftnref100\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn100\">[100]<\/a> \u00c9 uma seguran\u00e7a interior, uma serenidade cheia de esperan\u00e7a que proporciona uma satisfa\u00e7\u00e3o espiritual incompreens\u00edvel \u00e0 luz dos crit\u00e9rios mundanos.<\/li>\n<li>Normalmente a alegria crist\u00e3 \u00e9 acompanhada pelo sentido do humor, t\u00e3o saliente, por exemplo, em S\u00e3o Tom\u00e1s Moro, S\u00e3o Vicente de Paulo, ou S\u00e3o Filipe N\u00e9ri. O mau humor n\u00e3o \u00e9 um sinal de santidade: \u201clan\u00e7a fora do teu cora\u00e7\u00e3o a tristeza\u201d (<em>Qo<\/em> 11, 10). \u00c9 tanto o que recebemos do Senhor \u201cpara nosso usufruto\u201d (<em>1 Tm<\/em> 6, 17), que \u00e0s vezes a tristeza tem a ver com a ingratid\u00e3o, com estar t\u00e3o fechados em n\u00f3s mesmos que nos tornamos incapazes de reconhecer os dons de Deus.<a name=\"_ftnref101\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn101\">[101]<\/a><\/li>\n<li>Assim nos convida o seu amor paterno: \u201cmeu filho, se tens com qu\u00ea, trata-te bem (&#8230;). N\u00e3o te prives da felicidade presente\u201d (<em>Sir<\/em> 14, 11.14). Quer-nos positivos, agradecidos e n\u00e3o demasiado complicados: \u201cno dia da felicidade, s\u00ea alegre. (\u2026) Deus criou os homens retos, eles, por\u00e9m, procuraram maquina\u00e7\u00f5es sem fim\u201d (<em>Qo<\/em> 7, 14.29). Em cada situa\u00e7\u00e3o, devemos manter um esp\u00edrito flex\u00edvel, fazendo como S\u00e3o Paulo: aprendi a adaptar-me \u201c\u00e0s situa\u00e7\u00f5es em que me encontre\u201d (<em>Flp<\/em> 4, 11). Isto mesmo vivia S\u00e3o Francisco de Assis, capaz de se comover de gratid\u00e3o perante um peda\u00e7o de p\u00e3o duro, ou de louvar, feliz, a Deus s\u00f3 pela brisa que acariciava o seu rosto.<\/li>\n<li>N\u00e3o estou a falar da alegria consumista e individualista muito presente nalgumas experi\u00eancias culturais de hoje. Com efeito, o consumismo s\u00f3 atravanca o cora\u00e7\u00e3o; pode proporcionar prazeres ocasionais e passageiros, mas n\u00e3o alegria. Refiro-me, antes, \u00e0quela alegria que se vive em comunh\u00e3o, que se partilha e comunica, porque \u201ca felicidade est\u00e1 mais em dar do que em receber\u201d (<em>At<\/em> 20, 35) e \u201cDeus ama quem d\u00e1 com alegria\u201d (<em>2 Cor<\/em> 9, 7). O amor fraterno multiplica a nossa capacidade de alegria, porque nos torna capazes de rejubilar com o bem dos outros: \u201calegrai-vos com os que se alegram\u201d (<em>Rm<\/em> 12, 15). \u201cAlegramo-nos quando somos fracos e v\u00f3s sois fortes\u201d (<em>2 Cor<\/em> 13, 9). Ao contr\u00e1rio, \u201cconcentrando-nos sobretudo nas nossas pr\u00f3prias necessidades, condenamo-nos a viver com pouca alegria\u201d.<a name=\"_ftnref102\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn102\">[102]<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>Ousadia e ardor<\/strong><\/p>\n<ol start=\"129\">\n<li>Ao mesmo tempo, a santidade \u00e9 <em>parresia<\/em>: \u00e9 ousadia, \u00e9 impulso evangelizador que deixa uma marca neste mundo. Para isso ser poss\u00edvel, o pr\u00f3prio Jesus vem ao nosso encontro, repetindo-nos com serenidade e firmeza: \u201cn\u00e3o temais!\u201d (<em>Mc<\/em> 6, 50). \u201cEu estarei sempre convosco at\u00e9 ao fim dos tempos\u201d (<em>Mt<\/em> 28, 20). Estas palavras permitem-nos partir e servir com aquela atitude cheia de coragem que o Esp\u00edrito Santo suscitava nos Ap\u00f3stolos, impelindo-os a anunciar Jesus Cristo. Ousadia, entusiasmo, falar com liberdade, ardor apost\u00f3lico: tudo isto est\u00e1 contido no termo <em>parresia<\/em>, uma palavra com que a B\u00edblia expressa tamb\u00e9m a liberdade duma exist\u00eancia aberta, porque est\u00e1 dispon\u00edvel para Deus e para os irm\u00e3os (cf. <em>At<\/em> 4, 29; 9, 28; 28, 31; <em>2 Cor<\/em> 3, 12; <em>Ef<\/em> 3, 12; <em>Heb<\/em> 3, 6; 10, 19).<\/li>\n<li>O Beato Paulo VI mencionava, entre os obst\u00e1culos da evangeliza\u00e7\u00e3o, precisamente a car\u00eancia de <em>parresia<\/em>, \u201ca falta de ardor, tanto mais grave [porque] prov\u00e9m de dentro\u201d.<a name=\"_ftnref103\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn103\">[103]<\/a> Quantas vezes nos sentimos instigados a deter-nos na comodidade da margem! Mas o Senhor chama-nos a navegar pelo mar dentro e lan\u00e7ar as redes em \u00e1guas mais profundas (cf. <em>Lc<\/em> 5, 4). Convida-nos a gastar a nossa vida ao seu servi\u00e7o. Agarrados a Ele, temos a coragem de colocar todos os nossos carismas ao servi\u00e7o dos outros. Oxal\u00e1 pud\u00e9ssemos sentir-nos impelidos pelo seu amor (cf. <em>2 Cor<\/em> 5, 14) e dizer com S\u00e3o Paulo: \u201cai de mim se eu n\u00e3o evangelizar!\u201d (<em>1 Cor<\/em> 9, 16).<\/li>\n<li>Olhemos para Jesus! A sua entranhada compaix\u00e3o n\u00e3o era algo que O ensimesmava, n\u00e3o era uma compaix\u00e3o paralisadora, t\u00edmida ou envergonhada, como sucede muitas vezes connosco. Era exatamente o contr\u00e1rio: era uma compaix\u00e3o que O impelia fortemente a sair de Si mesmo a fim de anunciar, mandar em miss\u00e3o, enviar a curar e libertar. Reconhe\u00e7amos a nossa fragilidade, mas deixemos que Jesus a tome nas suas m\u00e3os e nos lance para a miss\u00e3o. Somos fr\u00e1geis, mas portadores dum tesouro que nos faz grandes e pode tornar melhores e mais felizes aqueles que o recebem. A ousadia e a coragem apost\u00f3lica s\u00e3o constitutivas da miss\u00e3o.<\/li>\n<li>A <em>parresia<\/em> \u00e9 selo do Esp\u00edrito, testemunho da autenticidade do an\u00fancio. \u00c9 uma certeza feliz que nos leva a gloriar-nos do Evangelho que anunciamos, \u00e9 confian\u00e7a inquebrant\u00e1vel na fidelidade da Testemunha fiel, que nos d\u00e1 a certeza de que nada \u201cpoder\u00e1 separar-nos do amor de Deus\u201d (<em>Rm<\/em> 8, 39).<\/li>\n<li>Precisamos do impulso do Esp\u00edrito para n\u00e3o ser paralisados pelo medo e o calculismo, para n\u00e3o nos habituarmos a caminhar s\u00f3 dentro de confins seguros. Lembremo-nos disto: o que fica fechado acaba cheirando a mofo e criando um ambiente doentio. Quando os ap\u00f3stolos sentiram a tenta\u00e7\u00e3o de deixar-se paralisar pelos medos e perigos, juntaram-se a rezar pedindo <em>parresia<\/em>: \u201cagora, Senhor, tem em conta as suas amea\u00e7as e concede aos teus servos poderem anunciar a tua palavra com toda a ousadia\u201d (<em>At<\/em> 4, 29). E a resposta foi esta: \u201ctinham acabado de orar, quando o lugar em que se encontravam reunidos estremeceu, e todos foram cheios do Esp\u00edrito Santo, come\u00e7ando a anunciar a palavra de Deus com ousadia\u201d (<em>At<\/em> 4, 31).<\/li>\n<li>\u00c0 semelhan\u00e7a do profeta Jonas, sempre permanece latente em n\u00f3s a tenta\u00e7\u00e3o de fugir para um lugar seguro, que pode ter muitos nomes: individualismo, espiritualismo, confinamento em mundos pequenos, depend\u00eancia, instala\u00e7\u00e3o, repeti\u00e7\u00e3o de esquemas preestabelecidos, dogmatismo, nostalgia, pessimismo, ref\u00fagio nas normas. Talvez nos sintamos relutantes em deixar um territ\u00f3rio que nos era conhecido e control\u00e1vel. Todavia as dificuldades podem ser como a tempestade, a baleia, o verme que fez secar o r\u00edcino de Jonas, ou o vento e o sol que lhe dardejaram a cabe\u00e7a; e, tal como para ele, podem ter a fun\u00e7\u00e3o de nos fazer voltar para este Deus que \u00e9 ternura e nos quer levar a uma itiner\u00e2ncia constante e renovadora.<\/li>\n<li>Deus \u00e9 sempre novidade, que nos impele a partir sem cessar e a mover-nos para ir mais al\u00e9m do conhecido, rumo \u00e0s periferias e aos confins. Leva-nos aonde se encontra a humanidade mais ferida e aonde os seres humanos, sob a apar\u00eancia da superficialidade e do conformismo, continuam \u00e0 procura de resposta para a quest\u00e3o do sentido da vida. Deus n\u00e3o tem medo! N\u00e3o tem medo! Ultrapassa sempre os nossos esquemas e n\u00e3o Lhe metem medo as periferias. Ele pr\u00f3prio Se fez periferia (cf. <em>Flp<\/em> 2, 6-8; <em>Jo <\/em>1, 14). Por isso, se ousarmos ir \u00e0s periferias, l\u00e1 O encontraremos: Ele j\u00e1 estar\u00e1 l\u00e1. Jesus antecipa-Se-nos no cora\u00e7\u00e3o daquele irm\u00e3o, na sua carne ferida, na sua vida oprimida, na sua alma sombria. Ele j\u00e1 est\u00e1 l\u00e1.<\/li>\n<li>\u00c9 verdade que precisamos de abrir a porta a Jesus Cristo, porque Ele bate e chama (cf. <em>Ap<\/em> 3, 20). Mas, pensando no ar irrespir\u00e1vel da nossa autorreferencialidade, pergunto-me se \u00e0s vezes Jesus n\u00e3o estar\u00e1 j\u00e1 dentro de n\u00f3s, batendo para que O deixemos sair. No Evangelho, vemos como Jesus \u201cia de cidade em cidade, de aldeia em aldeia proclamando e anunciando a Boa-Nova do Reino de Deus\u201d (<em>Lc<\/em> 8, 1). Mesmo depois da ressurrei\u00e7\u00e3o, quando os disc\u00edpulos partiram para toda a parte, \u201co Senhor cooperava com eles\u201d (<em>Mc<\/em> 16, 20). Esta \u00e9 a din\u00e2mica que brota do verdadeiro encontro.<\/li>\n<li>A habitua\u00e7\u00e3o seduz-nos e diz-nos que n\u00e3o tem sentido procurar mudar as coisas, que nada podemos fazer perante tal situa\u00e7\u00e3o, que sempre foi assim e todavia sobrevivemos. Pela habitua\u00e7\u00e3o, j\u00e1 n\u00e3o enfrentamos o mal e permitimos que as coisas \u201ccontinuem como est\u00e3o\u201d ou como alguns decidiram que estejam. Deixemos ent\u00e3o que o Senhor venha despertar-nos, dar-nos um aban\u00e3o na nossa sonol\u00eancia, libertar-nos da in\u00e9rcia. Desafiemos a habitua\u00e7\u00e3o, abramos bem os olhos, os ouvidos e sobretudo o cora\u00e7\u00e3o, para nos deixarmos mover pelo que acontece ao nosso redor e pelo clamor da Palavra viva e eficaz do Ressuscitado.<\/li>\n<li>Move-nos o exemplo de tantos sacerdotes, religiosas, religiosos e leigos que se dedicam a anunciar e servir com grande fidelidade, muitas vezes arriscando a vida e, sem d\u00favida, \u00e0 custa da sua comodidade. O seu testemunho lembra-nos que a Igreja n\u00e3o precisa de muitos burocratas e funcion\u00e1rios, mas de mission\u00e1rios apaixonados, devorados pelo entusiasmo de comunicar a verdadeira vida. Os santos surpreendem, desinstalam, porque a sua vida nos chama a sair da mediocridade tranquila e anestesiadora.<\/li>\n<li>Pe\u00e7amos ao Senhor a gra\u00e7a de n\u00e3o hesitar quando o Esp\u00edrito nos exige que demos um passo em frente; pe\u00e7amos a coragem apost\u00f3lica de comunicar o Evangelho aos outros e de renunciar a fazer da nossa vida um museu de recorda\u00e7\u00f5es. Em qualquer situa\u00e7\u00e3o, deixemos que o Esp\u00edrito Santo nos fa\u00e7a contemplar a hist\u00f3ria na perspetiva de Jesus ressuscitado. Assim a Igreja, em vez de cair cansada, poder\u00e1 continuar em frente acolhendo as surpresas do Senhor.<\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>Em comunidade<\/strong><\/p>\n<ol start=\"140\">\n<li>\u00c9 muito dif\u00edcil lutar contra a pr\u00f3pria concupisc\u00eancia e contra as ciladas e tenta\u00e7\u00f5es do dem\u00f3nio e do mundo ego\u00edsta, se estivermos isolados. A sedu\u00e7\u00e3o com que nos bombardeiam \u00e9 tal que, se estivermos demasiado sozinhos, facilmente perdemos o sentido da realidade, a clareza interior, e sucumbimos.<\/li>\n<li>A santifica\u00e7\u00e3o \u00e9 um caminho comunit\u00e1rio, que se deve fazer dois a dois. Reflexo disto temo-lo em algumas comunidades santas. Em v\u00e1rias ocasi\u00f5es, a Igreja canonizou comunidades inteiras, que viveram heroicamente o Evangelho ou ofereceram a Deus a vida de todos os seus membros. Pensemos, por exemplo, nos sete Santos Fundadores da Ordem dos Servos de Maria, nas sete Beatas religiosas do primeiro mosteiro da Visita\u00e7\u00e3o de Madrid, em S\u00e3o Paulo M\u00edki e companheiros m\u00e1rtires no Jap\u00e3o, em Santo Andr\u00e9 Taegon e companheiros m\u00e1rtires na Coreia, em S\u00e3o Roque Gonz\u00e1lez, Afonso Rodr\u00edguez e companheiros m\u00e1rtires na Am\u00e9rica do Sul. E recordemos tamb\u00e9m o testemunho recente dos monges trapistas de Tibhirine (Arg\u00e9lia), que se prepararam juntos para o mart\u00edrio. De igual modo, h\u00e1 muitos casais santos, onde cada c\u00f4njuge foi um instrumento para a santifica\u00e7\u00e3o do outro. Viver e trabalhar com outros \u00e9, sem d\u00favida, um caminho de crescimento espiritual. S\u00e3o Jo\u00e3o da Cruz dizia a um disc\u00edpulo: est\u00e1s a viver com outros \u201cpara que te trabalhem e exercitem na virtude\u201d.<a name=\"_ftnref104\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn104\">[104]<\/a><\/li>\n<li>A comunidade \u00e9 chamada a criar aquele \u201cespa\u00e7o teologal onde se pode experimentar a presen\u00e7a m\u00edstica do Senhor ressuscitado\u201d.<a name=\"_ftnref105\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn105\">[105]<\/a> Partilhar a Palavra e celebrar juntos a Eucaristia torna-nos mais irm\u00e3os e vai-nos transformando pouco a pouco em comunidade santa e mission\u00e1ria. Isto d\u00e1 origem tamb\u00e9m a aut\u00eanticas experi\u00eancias m\u00edsticas vividas em comunidade, como no caso de S\u00e3o Bento e Santa Escol\u00e1stica, ou daquele sublime encontro espiritual que viveram juntos Santo Agostinho e sua m\u00e3e Santa M\u00f3nica: \u201cpr\u00f3ximo j\u00e1 do dia em que ela ia sair desta vida \u2013 dia que V\u00f3s conhec\u00edeis e n\u00f3s ignor\u00e1vamos \u2013 sucedeu, segundo creio, por disposi\u00e7\u00e3o dos vossos secretos des\u00edgnios, que nos encontr\u00e1ssemos sozinhos, ela e eu, apoiados a uma janela cuja vista dava para o jardim interior da casa onde mor\u00e1vamos (\u2026). Os l\u00e1bios do nosso cora\u00e7\u00e3o abriam-se ansiosos para a corrente celeste da vossa fonte, a fonte da Vida, que est\u00e1 em V\u00f3s (&#8230;). Enquanto assim fal\u00e1vamos, anelantes pela Sabedoria, atingimo-la momentaneamente num \u00edmpeto completo do nosso cora\u00e7\u00e3o (&#8230;) E se a vida eterna fosse semelhante a este vislumbre intuitivo?<a name=\"_ftnref106\"><\/a>\u201d<a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn106\">[106]<\/a><\/li>\n<li>Contudo estas experi\u00eancias n\u00e3o s\u00e3o o mais frequente, nem o mais importante. A vida comunit\u00e1ria, na fam\u00edlia, na par\u00f3quia, na comunidade religiosa ou em qualquer outra, comp\u00f5e-se de tantos pequenos detalhes di\u00e1rios. Assim acontecia na comunidade santa formada por Jesus, Maria e Jos\u00e9, onde se refletiu de forma paradigm\u00e1tica a beleza da comunh\u00e3o trinit\u00e1ria. E o mesmo sucedia na vida comunit\u00e1ria que Jesus transcorreu com os seus disc\u00edpulos e o povo simples.<\/li>\n<li>Lembremo-nos como Jesus convidava os seus disc\u00edpulos a prestarem aten\u00e7\u00e3o aos detalhes:<\/li>\n<\/ol>\n<p>o pequeno detalhe do vinho que estava a acabar numa festa;<br \/>\no pequeno detalhe duma ovelha que faltava;<br \/>\no pequeno detalhe da vi\u00fava que ofereceu as duas moedinhas que tinha;<br \/>\no pequeno detalhe de ter azeite de reserva para as l\u00e2mpadas, caso o noivo se demore;<br \/>\no pequeno detalhe de pedir aos disc\u00edpulos que vissem quantos p\u00e3es tinham;<br \/>\no pequeno detalhe de ter a fogueira acesa e um peixe na grelha enquanto esperava os disc\u00edpulos ao amanhecer.<\/p>\n<ol start=\"145\">\n<li>A comunidade, que guarda os pequenos detalhes do amor<a name=\"_ftnref107\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn107\">[107]<\/a> e na qual os membros cuidam uns dos outros e formam um espa\u00e7o aberto e evangelizador, \u00e9 lugar da presen\u00e7a do Ressuscitado que a vai santificando segundo o projeto do Pai. Sucede \u00e0s vezes, no meio destes pequenos detalhes, que o Senhor, por um dom do seu amor, nos presenteie com consoladoras experi\u00eancias de Deus: \u201cuma noite de inverno, cumpria, como de costume, o pequeno of\u00edcio. (&#8230;) De repente, ouvi ao longe o som harmonioso de um instrumento musical. Ent\u00e3o imaginei um sal\u00e3o bem iluminado, todo resplandecente de dourados, de donzelas elegantemente vestidas, dirigindo-se mutuamente cumprimentos e cortesias mundanas. A seguir o meu olhar pousou na pobre doente que amparava; em vez de uma melodia, ouvia, de vez em quando, os seus gemidos queixosos (&#8230;). N\u00e3o consigo exprimir o que se passou na minha alma; o que sei \u00e9 que o Senhor a iluminou com os reflexos da verdade, que ultrapassavam de tal maneira o brilho tenebroso das festas da terra, que n\u00e3o podia acreditar na minha felicidade\u201d.<a name=\"_ftnref108\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn108\">[108]<\/a><\/li>\n<li>Contra a tend\u00eancia para o individualismo consumista que acaba por nos isolar na busca do bem-estar \u00e0 margem dos outros, o nosso caminho de santifica\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode deixar de nos identificar com aquele desejo de Jesus: \u201cque todos sejam um s\u00f3, como Tu, Pai, est\u00e1s em Mim e Eu em Ti\u201d (<em>Jo<\/em> 17, 21).<\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>Em ora\u00e7\u00e3o constante<\/strong><\/p>\n<ol start=\"147\">\n<li>Por fim, mesmo que pare\u00e7a \u00f3bvio, lembremos que a santidade \u00e9 feita de abertura habitual \u00e0 transcend\u00eancia, que se expressa na ora\u00e7\u00e3o e na adora\u00e7\u00e3o. O santo \u00e9 uma pessoa com esp\u00edrito orante, que tem necessidade de comunicar com Deus. \u00c9 algu\u00e9m que n\u00e3o suporta asfixiar-se na iman\u00eancia fechada deste mundo e, no meio dos seus esfor\u00e7os e servi\u00e7os, suspira por Deus, sai de si erguendo louvores e alarga os seus confins na contempla\u00e7\u00e3o do Senhor. N\u00e3o acredito na santidade sem ora\u00e7\u00e3o, embora n\u00e3o se trate necessariamente de longos per\u00edodos ou de sentimentos intensos.<\/li>\n<li>S\u00e3o Jo\u00e3o da Cruz recomendava que se procurasse \u201candar sempre na presen\u00e7a de Deus, seja ela real, imaginada ou unitiva, conforme o permitam as obras que estamos a realizar\u201d.<a name=\"_ftnref109\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn109\">[109]<\/a> No fundo, \u00e9 o desejo de Deus, que n\u00e3o pode deixar de se manifestar dalguma maneira no meio da nossa vida di\u00e1ria: \u201cprocura que a tua ora\u00e7\u00e3o seja cont\u00ednua e, no meio dos exerc\u00edcios corporais, n\u00e3o a deixes. Quando comes, bebes, conversas com outros, ou em qualquer outra coisa que fa\u00e7as, sempre deseja a Deus e prende a Ele o teu cora\u00e7\u00e3o\u201d.<a name=\"_ftnref110\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn110\">[110]<\/a><\/li>\n<li>Contudo, para que isto se torne poss\u00edvel, s\u00e3o necess\u00e1rios tamb\u00e9m alguns tempos dedicados s\u00f3 a Deus, na solid\u00e3o com Ele. Para Santa Teresa de \u00c1vila, a ora\u00e7\u00e3o \u00e9 \u201cuma rela\u00e7\u00e3o \u00edntima de amizade, permanecendo muitas vezes a s\u00f3s com Quem sabemos que nos ama\u201d.<a name=\"_ftnref111\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn111\">[111]<\/a> Gostaria de insistir no facto de que isto n\u00e3o \u00e9 dito apenas para poucos privilegiados, mas para todos, porque \u201ctodos precisamos deste sil\u00eancio repleto de presen\u00e7a adoradora\u201d.<a name=\"_ftnref112\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn112\">[112]<\/a> A ora\u00e7\u00e3o confiante \u00e9 uma resposta do cora\u00e7\u00e3o que se abre a Deus face a face, onde s\u00e3o silenciados todos os rumores para escutar a voz suave do Senhor que ressoa no sil\u00eancio.<\/li>\n<li>Neste sil\u00eancio, \u00e9 poss\u00edvel discernir, \u00e0 luz do Esp\u00edrito, os caminhos de santidade que o Senhor nos prop\u00f5e. Caso contr\u00e1rio, todas as nossas decis\u00f5es n\u00e3o passar\u00e3o de \u201cdecora\u00e7\u00f5es\u201d, que, em vez de exaltar o Evangelho na nossa vida, acabar\u00e3o por o recobrir e sufocar. Para todo o disc\u00edpulo, \u00e9 indispens\u00e1vel estar com o Mestre, escut\u00e1-Lo, aprender d\u2019Ele, aprender sempre. Se n\u00e3o escutarmos, todas as nossas palavras ser\u00e3o apenas rumores que n\u00e3o servem para nada.<\/li>\n<li>Recordemos que \u201c\u00e9 a contempla\u00e7\u00e3o da face de Jesus morto e ressuscitado que recomp\u00f5e a nossa humanidade, incluindo a que est\u00e1 fragmentada pelas canseiras da vida ou marcada pelo pecado. N\u00e3o devemos domesticar o poder da face de Cristo\u201d.<a name=\"_ftnref113\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn113\">[113]<\/a> Sendo assim, atrevo-me a perguntar-te: Tens momentos em que te colocas na sua presen\u00e7a em sil\u00eancio, permaneces com Ele sem pressa, e te deixas olhar por Ele? Deixas que o seu fogo inflame o teu cora\u00e7\u00e3o? Se n\u00e3o permites que Jesus alimente nele o calor do amor e da ternura, n\u00e3o ter\u00e1s fogo e, assim, como poder\u00e1s inflamar o cora\u00e7\u00e3o dos outros com o teu testemunho e as tuas palavras? E se ainda n\u00e3o consegues, diante do rosto de Cristo, deixar-te curar e transformar, ent\u00e3o penetra nas entranhas do Senhor, entra nas suas chagas, porque \u00e9 nelas que tem a sua sede a miseric\u00f3rdia divina.<a name=\"_ftnref114\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn114\">[114]<\/a><\/li>\n<li>Pe\u00e7o, por\u00e9m, que n\u00e3o se entenda o sil\u00eancio orante como uma evas\u00e3o que nega o mundo que nos rodeia. O \u201cperegrino russo\u201d, que caminhava em cont\u00ednua ora\u00e7\u00e3o, conta que esta ora\u00e7\u00e3o n\u00e3o o separava da realidade externa: \u201cquando me encontrava com as pessoas, parecia-me que eram todas t\u00e3o am\u00e1veis como se fossem da minha pr\u00f3pria fam\u00edlia. (&#8230;) E a felicidade n\u00e3o s\u00f3 iluminava o interior da minha alma, mas o pr\u00f3prio mundo exterior aparecia-me sob um aspeto maravilhoso\u201d.<a name=\"_ftnref115\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn115\">[115]<\/a><\/li>\n<li>Nem a pr\u00f3pria hist\u00f3ria desaparece. A ora\u00e7\u00e3o, precisamente porque se alimenta do dom de Deus que se derrama na nossa vida, deveria ser sempre rica de mem\u00f3ria. A mem\u00f3ria das obras de Deus est\u00e1 na base da experi\u00eancia da alian\u00e7a entre Deus e o seu povo. Se Deus quis entrar na hist\u00f3ria, a ora\u00e7\u00e3o \u00e9 tecida de recorda\u00e7\u00f5es: n\u00e3o s\u00f3 da recorda\u00e7\u00e3o da Palavra revelada, mas tamb\u00e9m da vida pr\u00f3pria, da vida dos outros, do que o Senhor fez na sua Igreja. \u00c9 a mem\u00f3ria agradecida de que fala o pr\u00f3prio Santo In\u00e1cio de Loyola, na sua \u201cContempla\u00e7\u00e3o para alcan\u00e7ar o amor\u201d,<a name=\"_ftnref116\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn116\">[116]<\/a> quando nos pede para trazer \u00e0 mem\u00f3ria todos os benef\u00edcios que recebemos do Senhor. Contempla a tua hist\u00f3ria quando rezas e, nela, encontrar\u00e1s tanta miseric\u00f3rdia. Ao mesmo tempo, isto alimentar\u00e1 a tua consci\u00eancia com a certeza de que o Senhor te conserva na sua mem\u00f3ria e nunca te esquece. Consequentemente tem sentido pedir-Lhe que ilumine at\u00e9 mesmo os pequenos detalhes da tua exist\u00eancia, que n\u00e3o Lhe passam despercebidos.<\/li>\n<li>A s\u00faplica \u00e9 express\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o que confia em Deus, pois sabe que sozinho n\u00e3o consegue. Na vida do povo fiel de Deus, encontramos muitas s\u00faplicas cheias de ternura crente e de profunda confian\u00e7a. N\u00e3o desvalorizemos a ora\u00e7\u00e3o de peti\u00e7\u00e3o, que tantas vezes nos tranquiliza o cora\u00e7\u00e3o e ajuda a continuar a lutar com esperan\u00e7a. A s\u00faplica de intercess\u00e3o tem um valor particular, porque \u00e9 um ato de confian\u00e7a em Deus e, ao mesmo tempo, uma express\u00e3o de amor ao pr\u00f3ximo. Alguns, por preconceitos espiritualistas, pensam que a ora\u00e7\u00e3o deveria ser uma pura contempla\u00e7\u00e3o de Deus, sem distra\u00e7\u00f5es, como se os nomes e os rostos dos irm\u00e3os fossem um dist\u00farbio a evitar. Ao contr\u00e1rio, a verdade \u00e9 que a ora\u00e7\u00e3o ser\u00e1 mais agrad\u00e1vel a Deus e mais santificadora, se nela procurarmos, atrav\u00e9s da intercess\u00e3o, viver o duplo mandamento que Jesus nos deixou. A intercess\u00e3o expressa o compromisso fraterno com os outros, quando somos capazes de incorporar nela a vida deles, as suas ang\u00fastias mais inquietantes e os seus melhores sonhos. A quem se entrega generosamente \u00e0 intercess\u00e3o, podem-se aplicar estas palavras b\u00edblicas: \u201cEis o amigo dos seus irm\u00e3os, aquele que reza muito pelo povo\u201d (<em>2 Mac<\/em> 15, 14).<\/li>\n<li>Se verdadeiramente reconhecemos que Deus existe, n\u00e3o podemos deixar de O adorar, por vezes num sil\u00eancio cheio de enlevo, ou de Lhe cantar em festivo louvor. Assim expressamos o que vivia o Beato Carlos Foucauld, quando disse: \u201cLogo que acreditei que Deus existia, compreendi que s\u00f3 podia viver para Ele\u201d.<a name=\"_ftnref117\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn117\">[117]<\/a> Na pr\u00f3pria vida do povo peregrino, h\u00e1 muitos gestos simples de pura adora\u00e7\u00e3o, como, por exemplo, quando \u201co olhar do peregrino pousa sobre uma imagem que simboliza a ternura e a proximidade de Deus. O amor det\u00e9m-se, contempla o mist\u00e9rio, desfruta dele em sil\u00eancio\u201d.<a name=\"_ftnref118\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn118\">[118]<\/a><\/li>\n<li>A leitura orante da Palavra de Deus, \u201cmais doce do que o mel\u201d (<em>Sal<\/em> 119\/118, 103) e \u201cespada de dois gumes\u201d (<em>Heb<\/em> 4, 12), consente de nos determos a escutar o Mestre fazendo da sua palavra farol para os nossos passos, luz para o nosso caminho (cf. <em>Sal<\/em> 119\/118, 105). Como justamente nos lembraram os Bispos da \u00cdndia, \u201ca devo\u00e7\u00e3o \u00e0 Palavra de Deus n\u00e3o \u00e9 apenas uma dentre muitas devo\u00e7\u00f5es, uma coisa bela mas facultativa. Pertence ao cora\u00e7\u00e3o e \u00e0 pr\u00f3pria identidade da vida crist\u00e3. A Palavra tem em si mesma a for\u00e7a para transformar a vida\u201d.<a name=\"_ftnref119\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn119\">[119]<\/a><\/li>\n<li>O encontro com Jesus nas Escrituras conduz-nos \u00e0 Eucaristia, onde essa mesma Palavra atinge a sua m\u00e1xima efic\u00e1cia, porque \u00e9 presen\u00e7a real d\u2019Aquele que \u00e9 a Palavra viva. L\u00e1 o \u00fanico Absoluto recebe a maior adora\u00e7\u00e3o que se Lhe possa tributar neste mundo, porque \u00e9 o pr\u00f3prio Cristo que Se oferece. E, quando O recebemos na Comunh\u00e3o, renovamos a nossa alian\u00e7a com Ele e consentimos-Lhe que realize cada vez mais a sua obra transformadora.<\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>Cap\u00edtulo V<\/strong><\/p>\n<p><strong>LUTA, VIGIL\u00c2NCIA E DISCERNIMENTO<\/strong><\/p>\n<ol start=\"158\">\n<li>A vida crist\u00e3 \u00e9 uma luta permanente. Requer-se for\u00e7a e coragem para resistir \u00e0s tenta\u00e7\u00f5es do dem\u00f3nio e anunciar o Evangelho. Esta luta \u00e9 magn\u00edfica, porque nos permite cantar vit\u00f3ria todas as vezes que o Senhor triunfa na nossa vida.<\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>A luta e a vigil\u00e2ncia<\/strong><\/p>\n<ol start=\"159\">\n<li>N\u00e3o se trata apenas de uma luta contra o mundo e a mentalidade mundana, que nos engana, atordoa e torna med\u00edocres sem empenhamento e sem alegria. Nem se reduz a uma luta contra a pr\u00f3pria fragilidade e as pr\u00f3prias inclina\u00e7\u00f5es (cada um tem a sua: para a pregui\u00e7a, a lux\u00faria, a inveja, os ci\u00fames, etc.). Mas \u00e9 tamb\u00e9m uma luta constante contra o dem\u00f3nio, que \u00e9 o pr\u00edncipe do mal. O pr\u00f3prio Jesus celebra as nossas vit\u00f3rias. Alegrava-Se quando os seus disc\u00edpulos conseguiam fazer avan\u00e7ar o an\u00fancio do Evangelho, superando a oposi\u00e7\u00e3o do Maligno, e exultava: \u201cEu via Satan\u00e1s cair do c\u00e9u como um rel\u00e2mpago\u201d (<em>Lc<\/em> 10, 18).<\/li>\n<\/ol>\n<p><em>Algo mais do que um mito<\/em><\/p>\n<ol start=\"160\">\n<li>N\u00e3o admitiremos a exist\u00eancia do dem\u00f3nio, se nos obstinarmos a olhar a vida apenas com crit\u00e9rios emp\u00edricos e sem uma perspetiva sobrenatural. A convic\u00e7\u00e3o de que este poder maligno est\u00e1 no meio de n\u00f3s \u00e9 precisamente aquilo que nos permite compreender por que, \u00e0s vezes, o mal tem uma for\u00e7a destruidora t\u00e3o grande. \u00c9 verdade que os autores b\u00edblicos tinham uma bagagem concetual limitada para expressar algumas realidades e que, nos tempos de Jesus, podia-se confundir, por exemplo, uma epilepsia com a possess\u00e3o do dem\u00f3nio. Mas isto n\u00e3o deve levar-nos a simplificar demasiado a realidade afirmando que todos os casos narrados nos Evangelhos eram doen\u00e7as ps\u00edquicas e que, em \u00faltima an\u00e1lise, o dem\u00f3nio n\u00e3o existe ou n\u00e3o interv\u00e9m. A sua presen\u00e7a consta nas primeiras p\u00e1ginas da Sagrada Escritura, que termina com a vit\u00f3ria de Deus sobre o dem\u00f3nio.<a name=\"_ftnref120\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn120\">[120]<\/a> De facto, quando Jesus nos deixou a ora\u00e7\u00e3o do Pai-Nosso, quis que a conclu\u00edssemos pedindo ao Pai que nos livrasse do Maligno. A express\u00e3o usada n\u00e3o se refere ao mal em abstrato; a sua tradu\u00e7\u00e3o mais precisa \u00e9 \u201co Maligno\u201d. Indica um ser pessoal que nos atormenta. Jesus ensinou-nos a pedir cada dia esta liberta\u00e7\u00e3o para que o seu poder n\u00e3o nos domine.<\/li>\n<li>Ent\u00e3o, n\u00e3o pensemos que seja um mito, uma representa\u00e7\u00e3o, um s\u00edmbolo, uma figura ou uma ideia.<a name=\"_ftnref121\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn121\">[121]<\/a> Este engano leva-nos a diminuir a vigil\u00e2ncia, a descuidar-nos e a ficar mais expostos. O dem\u00f3nio n\u00e3o precisa de nos possuir. Envenena-nos com o \u00f3dio, a tristeza, a inveja, os v\u00edcios. E assim, enquanto abrandamos a vigil\u00e2ncia, ele aproveita para destruir a nossa vida, as nossas fam\u00edlias e as nossas comunidades, porque, \u201ccomo um le\u00e3o a rugir, anda a rondar-vos, procurando a quem devorar\u201d (<em>1 Ped<\/em> 5, 8).<\/li>\n<\/ol>\n<p><em>Despertos e confiantes<\/em><\/p>\n<ol start=\"162\">\n<li>A Palavra de Deus convida-nos, explicitamente, a resistir \u201ccontra as maquina\u00e7\u00f5es do diabo\u201d (<em>Ef <\/em>6, 11) e a \u201capagar todas as setas incendiadas do maligno\u201d (<em>Ef<\/em> 6, 16). N\u00e3o se trata de palavras po\u00e9ticas, porque o nosso caminho para a santidade \u00e9 tamb\u00e9m uma luta constante. Quem n\u00e3o quiser reconhec\u00ea-lo, ver-se-\u00e1 exposto ao fracasso ou \u00e0 mediocridade. Para a luta, temos as armas poderosas que o Senhor nos d\u00e1: a f\u00e9 que se expressa na ora\u00e7\u00e3o, a medita\u00e7\u00e3o da Palavra de Deus, a celebra\u00e7\u00e3o da Missa, a adora\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica, a Reconcilia\u00e7\u00e3o sacramental, as obras de caridade, a vida comunit\u00e1ria, o compromisso mission\u00e1rio. Se nos descuidarmos, facilmente nos seduzir\u00e3o as falsas promessas do mal. Ora, como dizia o Santo Cura Brochero, \u201cque importa que L\u00facifer prometa libertar-vos e at\u00e9 vos atire para o meio de todos os seus bens, se s\u00e3o bens enganadores, se s\u00e3o bens envenenados?<a name=\"_ftnref122\"><\/a>\u201d<a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn122\">[122]<\/a><\/li>\n<li>Neste caminho, o progresso no bem, o amadurecimento espiritual e o crescimento do amor s\u00e3o o melhor contrapeso ao mal. Ningu\u00e9m resiste, se escolhe arrastar-se em ponto morto, se se contenta com pouco, se deixa de sonhar com a oferta de maior dedica\u00e7\u00e3o ao Senhor; e, menos ainda, se cai num sentido de derrota, porque \u201cquem come\u00e7a sem confian\u00e7a, perdeu de antem\u00e3o metade da batalha e enterra os seus talentos. (\u2026) O triunfo crist\u00e3o \u00e9 sempre uma cruz, mas cruz que \u00e9, simultaneamente, estandarte de vit\u00f3ria, que se empunha com ternura batalhadora contra as investidas do mal\u201d.<a name=\"_ftnref123\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn123\">[123]<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p><em>A corrup\u00e7\u00e3o espiritual<\/em><\/p>\n<ol start=\"164\">\n<li>O caminho da santidade \u00e9 uma fonte de paz e alegria que o Esp\u00edrito nos d\u00e1, mas, ao mesmo tempo, exige que estejamos com \u201cas l\u00e2mpadas acesas\u201d (cf. <em>Lc<\/em> 12, 35) e permane\u00e7amos vigilantes: \u201cafastai-vos de toda a esp\u00e9cie de mal\u201d (<em>1 Ts<\/em> 5, 22); \u201cvigiai\u201d (<em>Mt<\/em> 24, 42; cf.<em> Mc<\/em> 13, 35); n\u00e3o adorme\u00e7amos (cf. <em>1 Ts<\/em> 5, 6). Pois, quem n\u00e3o se d\u00e1 conta de cometer faltas graves contra a Lei de Deus, pode deixar-se cair numa esp\u00e9cie de entorpecimento ou sonol\u00eancia. Como n\u00e3o encontra nada de grave a censurar-se, n\u00e3o adverte aquela tibieza que pouco a pouco se vai apoderando da sua vida espiritual e acaba por ficar corro\u00eddo e corrompido.<\/li>\n<li>A corrup\u00e7\u00e3o espiritual \u00e9 pior que a queda dum pecador, porque trata-se duma cegueira c\u00f3moda e autossuficiente, em que tudo acaba por parecer l\u00edcito: o engano, a cal\u00fania, o ego\u00edsmo e muitas formas subtis de autorreferencialidade, j\u00e1 que \u201ctamb\u00e9m Satan\u00e1s se disfar\u00e7a em anjo de luz\u201d (<em>2 Cor<\/em> 11, 14). Assim acabou os seus dias Salom\u00e3o, enquanto o grande pecador David soube superar a sua mis\u00e9ria. Num trecho evang\u00e9lico, Jesus alerta-nos contra esta tenta\u00e7\u00e3o insidiosa que nos faz escorregar at\u00e9 \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o: fala duma pessoa libertada do dem\u00f3nio a qual, pensando que a sua vida j\u00e1 estivesse limpa, acabaria possu\u00edda por outros sete esp\u00edritos malignos (cf. <em>Lc<\/em> 11, 24-26). E outro texto b\u00edblico usa esta imagem impressionante: \u201cO c\u00e3o volta ao seu v\u00f3mito\u201d (<em>2 Ped<\/em> 2, 22; cf. <em>Prv<\/em> 26, 11).<\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>O discernimento<\/strong><\/p>\n<ol start=\"166\">\n<li>Como \u00e9 poss\u00edvel saber se algo vem do Esp\u00edrito Santo ou se deriva do esp\u00edrito do mundo e do esp\u00edrito maligno? A \u00fanica forma \u00e9 o discernimento. Este n\u00e3o requer apenas uma boa capacidade de raciocinar e sentido comum, \u00e9 tamb\u00e9m um dom que \u00e9 preciso pedir. Se o pedirmos com confian\u00e7a ao Esp\u00edrito Santo e, ao mesmo tempo, nos esfor\u00e7armos por cultiv\u00e1-lo com a ora\u00e7\u00e3o, a reflex\u00e3o, a leitura e o bom conselho, poderemos certamente crescer nesta capacidade espiritual.<\/li>\n<\/ol>\n<p><em>Uma necessidade imperiosa<\/em><\/p>\n<ol start=\"167\">\n<li>Hoje em dia, tornou-se particularmente necess\u00e1ria a capacidade de discernimento, porque a vida atual oferece enormes possibilidades de a\u00e7\u00e3o e distra\u00e7\u00e3o, sendo-nos apresentadas pelo mundo como se fossem todas v\u00e1lidas e boas. Todos, mas especialmente os jovens, est\u00e3o sujeitos a um <em>zapping<\/em> constante. \u00c9 poss\u00edvel navegar simultaneamente em dois ou tr\u00eas visores e interagir ao mesmo tempo em diferentes cen\u00e1rios virtuais. Sem a sapi\u00eancia do discernimento, podemos facilmente transformar-nos em marionetes \u00e0 merc\u00ea das tend\u00eancias da ocasi\u00e3o.<\/li>\n<li>Isto revela-se particularmente importante, quando aparece uma novidade na pr\u00f3pria vida, sendo necess\u00e1rio ent\u00e3o discernir se \u00e9 o vinho novo que vem de Deus ou uma novidade enganadora do esp\u00edrito do mundo ou do esp\u00edrito maligno. Noutras ocasi\u00f5es, sucede o contr\u00e1rio, porque as for\u00e7as do mal induzem-nos a n\u00e3o mudar, a deixar as coisas como est\u00e3o, a optar pelo imobilismo e a rigidez e, assim, impedimos que atue o sopro do Esp\u00edrito Santo. Somos livres, com a liberdade de Jesus, mas Ele chama-nos a examinar o que h\u00e1 dentro de n\u00f3s \u2013 desejos, ang\u00fastias, temores, expetativas \u2013 e o que acontece fora de n\u00f3s \u2013 os \u201csinais dos tempos\u201d \u2013, para reconhecer os caminhos da liberdade plena: \u201cexaminai tudo, guardai o que \u00e9 bom\u201d (<em>1 Ts<\/em> 5, 21).<\/li>\n<\/ol>\n<p><em>Sempre \u00e0 luz do Senhor<\/em><\/p>\n<ol start=\"169\">\n<li>O discernimento n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio apenas em momentos extraordin\u00e1rios, quando temos de resolver problemas graves ou quando se deve tomar uma decis\u00e3o crucial; mas \u00e9 um instrumento de luta, para seguir melhor o Senhor. \u00c9-nos sempre \u00fatil, para sermos capazes de reconhecer os tempos de Deus e a sua gra\u00e7a, para n\u00e3o desperdi\u00e7armos as inspira\u00e7\u00f5es do Senhor, para n\u00e3o ignorarmos o seu convite a crescer. Frequentemente isto decide-se nas coisas pequenas, no que parece irrelevante, porque a magnanimidade mostra-se nas coisas simples e di\u00e1rias.<a name=\"_ftnref124\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn124\">[124]<\/a> Trata-se de n\u00e3o colocar limites rumo ao m\u00e1ximo, ao melhor e ao mais belo, mas ao mesmo tempo concentrar-se no pequeno, nos compromissos de hoje. Por isso, pe\u00e7o a todos os crist\u00e3os que n\u00e3o deixem de fazer cada dia, em di\u00e1logo com o Senhor que nos ama, um sincero exame de consci\u00eancia. Ao mesmo tempo, o discernimento leva-nos a reconhecer os meios concretos que o Senhor predisp\u00f5e, no seu misterioso plano de amor, para n\u00e3o ficarmos apenas pelas boas inten\u00e7\u00f5es.<\/li>\n<\/ol>\n<p><em>Um dom sobrenatural<\/em><\/p>\n<ol start=\"170\">\n<li>\u00c9 verdade que o discernimento espiritual n\u00e3o exclui as contribui\u00e7\u00f5es de sabedorias humanas, existenciais, psicol\u00f3gicas, sociol\u00f3gicas ou morais; mas transcende-as. N\u00e3o bastam sequer as normas s\u00e1bias da Igreja. Lembremo-nos sempre de que o discernimento \u00e9 uma gra\u00e7a. Embora inclua a raz\u00e3o e a prud\u00eancia, supera-as, porque trata-se de entrever o mist\u00e9rio daquele projeto, \u00fanico e irrepet\u00edvel, que Deus tem para cada um e que se realiza no meio dos mais variados contextos e limites. N\u00e3o est\u00e1 em jogo apenas um bem-estar temporal, nem a satisfa\u00e7\u00e3o de realizar algo de \u00fatil, nem mesmo o desejo de ter a consci\u00eancia tranquila. Est\u00e1 em jogo o sentido da minha vida diante do Pai que me conhece e ama, aquele sentido verdadeiro para o qual posso orientar a minha exist\u00eancia e que ningu\u00e9m conhece melhor do que Ele. Em suma, o discernimento leva \u00e0 pr\u00f3pria fonte da vida que n\u00e3o morre, isto \u00e9, conhecer o Pai, o \u00fanico Deus verdadeiro, e a quem Ele enviou, Jesus Cristo (cf. <em>Jo<\/em> 17, 3). N\u00e3o requer capacidades especiais nem est\u00e1 reservado aos mais inteligentes e instru\u00eddos; o Pai compraz-Se em manifestar-Se aos humildes (cf. <em>Mt<\/em> 11, 25).<\/li>\n<li>Embora o Senhor nos fale de muitos e variados modos durante o nosso trabalho, atrav\u00e9s dos outros e a todo o momento, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel prescindir do sil\u00eancio da ora\u00e7\u00e3o prolongada para perceber melhor aquela linguagem, para interpretar o significado real das inspira\u00e7\u00f5es que julgamos ter recebido, para acalmar ansiedades e recompor o conjunto da pr\u00f3pria vida \u00e0 luz de Deus. Assim, podemos permitir o nascimento daquela nova s\u00edntese que brota da vida iluminada pelo Esp\u00edrito.<\/li>\n<\/ol>\n<p><em>Fala, Senhor<\/em><\/p>\n<ol start=\"172\">\n<li>Pode acontecer, por\u00e9m, que na pr\u00f3pria ora\u00e7\u00e3o evitemos de nos deixar confrontar com a liberdade do Esp\u00edrito, que age como quer. N\u00e3o nos esque\u00e7amos de que o discernimento orante exige partir da predisposi\u00e7\u00e3o para escutar: o Senhor, os outros, a pr\u00f3pria realidade que n\u00e3o cessa de nos interpelar de novas maneiras. Somente quem est\u00e1 disposto a escutar \u00e9 que tem a liberdade de renunciar ao seu ponto de vista parcial e insuficiente, aos seus h\u00e1bitos, aos seus esquemas. Desta forma, est\u00e1 realmente dispon\u00edvel para acolher uma chamada que quebra as suas seguran\u00e7as, mas leva-o a uma vida melhor, porque n\u00e3o \u00e9 suficiente que tudo corra bem, que tudo esteja tranquilo. Pode acontecer que Deus nos esteja a oferecer algo mais e, na nossa c\u00f3moda distra\u00e7\u00e3o, n\u00e3o o reconhe\u00e7amos.<\/li>\n<li>Tal atitude de escuta implica, naturalmente, obedi\u00eancia ao Evangelho como \u00faltimo crit\u00e9rio, mas tamb\u00e9m ao Magist\u00e9rio que o guarda, procurando encontrar no tesouro da Igreja aquilo que pode ser mais fecundo para \u201co hoje\u201d da salva\u00e7\u00e3o. N\u00e3o se trata de aplicar receitas ou repetir o passado, uma vez que as mesmas solu\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o v\u00e1lidas em todas as circunst\u00e2ncias e o que foi \u00fatil num contexto pode n\u00e3o o ser noutro. O discernimento dos esp\u00edritos liberta-nos da rigidez, que n\u00e3o tem lugar no \u201choje\u201d perene do Ressuscitado. Somente o Esp\u00edrito sabe penetrar nas dobras mais rec\u00f4nditas da realidade e ter em conta todas as suas nuances, para que a novidade do Evangelho surja com outra luz.<\/li>\n<\/ol>\n<p><em>A l\u00f3gica do dom e da cruz<\/em><\/p>\n<ol start=\"174\">\n<li>Condi\u00e7\u00e3o essencial para avan\u00e7ar no discernimento \u00e9 educar-se para a paci\u00eancia de Deus e os seus tempos, que nunca s\u00e3o os nossos. Ele n\u00e3o faz descer fogo do c\u00e9u sobre os incr\u00e9dulos (cf. <em>Lc<\/em> 9, 54), nem permite aos zelosos arrancar o joio que cresce juntamente com o trigo (cf. <em>Mt<\/em> 13, 29). Al\u00e9m disso requer-se generosidade, porque \u201ca felicidade est\u00e1 mais em dar do que em receber\u201d (<em>At<\/em> 20, 35). Faz-se discernimento, n\u00e3o para descobrir que mais proveito podemos tirar desta vida, mas para reconhecer como podemos cumprir melhor a miss\u00e3o que nos foi confiada no Batismo, e isto implica estar disposto a fazer ren\u00fancias at\u00e9 dar tudo. Com efeito, a felicidade \u00e9 paradoxal, proporcionando-nos as melhores experi\u00eancias quando aceitamos aquela l\u00f3gica misteriosa que n\u00e3o \u00e9 deste mundo, mas \u201c\u00e9 a nossa l\u00f3gica\u201d, como dizia S\u00e3o Boaventura,<a name=\"_ftnref125\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftn125\">[125]<\/a> referindo-se \u00e0 cruz. Quando uma pessoa assume esta din\u00e2mica, n\u00e3o deixa anestesiar a sua consci\u00eancia e abre-se generosamente ao discernimento.<\/li>\n<li>Quando perscrutamos na presen\u00e7a de Deus os caminhos da vida, n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7os que fiquem exclu\u00eddos. Em todos os aspetos da exist\u00eancia, podemos continuar a crescer e dar algo mais a Deus, mesmo naqueles em que experimentamos as dificuldades mais fortes. Mas \u00e9 necess\u00e1rio pedir ao Esp\u00edrito Santo que nos liberte e expulse aquele medo que nos leva a negar-Lhe a entrada nalguns aspetos da nossa vida. Aquele que pede tudo, tamb\u00e9m d\u00e1 tudo, e n\u00e3o quer entrar em n\u00f3s para mutilar ou enfraquecer, mas para levar \u00e0 perfei\u00e7\u00e3o. Isto mostra-nos que o discernimento n\u00e3o \u00e9 uma autoan\u00e1lise presuntuosa, uma introspe\u00e7\u00e3o ego\u00edsta, mas uma verdadeira sa\u00edda de n\u00f3s mesmos para o mist\u00e9rio de Deus, que nos ajuda a viver a miss\u00e3o para a qual nos chamou a bem dos irm\u00e3os.<\/li>\n<li>Desejo coroar estas reflex\u00f5es com a figura de Maria, porque Ela viveu como ningu\u00e9m as bem-aventuran\u00e7as de Jesus. \u00c9 Aquela que estremecia de j\u00fabilo na presen\u00e7a de Deus, Aquela que conservava tudo no seu cora\u00e7\u00e3o e Se deixou atravessar pela espada. \u00c9 a mais aben\u00e7oada dos santos entre os santos, Aquela que nos mostra o caminho da santidade e nos acompanha. E, quando ca\u00edmos, n\u00e3o aceita deixar-nos por terra e, \u00e0s vezes, leva-nos nos seus bra\u00e7os sem nos julgar. Conversar com Ela consola-nos, liberta-nos, santifica-nos. A M\u00e3e n\u00e3o necessita de muitas palavras, n\u00e3o precisa que nos esforcemos demasiado para Lhe explicar o que se passa connosco. \u00c9 suficiente sussurrar uma vez e outra: \u201cAve Maria&#8230;\u201d.<\/li>\n<li>Espero que estas p\u00e1ginas sejam \u00fateis para que toda a Igreja se dedique a promover o desejo da santidade. Pe\u00e7amos ao Esp\u00edrito Santo que infunda em n\u00f3s um desejo intenso de ser santos para a maior gl\u00f3ria de Deus; e animemo-nos uns aos outros neste prop\u00f3sito. Assim, compartilharemos uma felicidade que o mundo n\u00e3o poder\u00e1 tirar-nos.<\/li>\n<\/ol>\n<p><em>Dado em Roma, junto de S\u00e3o Pedro, no dia 19 de mar\u00e7o \u2013 Solenidade de S\u00e3o Jos\u00e9 \u2013 do ano 2018, sexto do meu pontificado.<\/em><\/p>\n<p><strong>Franciscus<\/strong><\/p>\n<p><a name=\"_ftn1\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref1\">[1]<\/a> Bento XVI, <em><a href=\"https:\/\/w2.vatican.va\/content\/benedict-xvi\/pt\/homilies\/2005\/documents\/hf_ben-xvi_hom_20050424_inizio-pontificato.html\">Homilia no in\u00edcio solene do Minist\u00e9rio Petrino<\/a><\/em> (24 de abril de 2005): <em>AAS<\/em> 97 (2005), 708.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn2\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref2\">[2]<\/a> Em todo o caso, sup\u00f5e-se que haja fama de santidade e uma pr\u00e1tica das virtudes crist\u00e3s, pelo menos em grau ordin\u00e1rio: cf. Francisco, Carta ap. em forma de Motu Proprio <em><a href=\"https:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/motu_proprio\/documents\/papa-francesco-motu-proprio_20170711_maiorem-hac-dilectionem.html\">Maiorem hac dilectionem<\/a><\/em> (11 de julho de 2017), art. 2-c: <em>L\u2019Osservatore Romano<\/em> (ed. portuguesa de 20\/VII\/2017), 6.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn3\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref3\">[3]<\/a> Conc. Ecum. Vat. II, Const. dogm. sobre a Igreja <em><a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/archive\/hist_councils\/ii_vatican_council\/documents\/vat-ii_const_19641121_lumen-gentium_po.html\">Lumen gentium<\/a><\/em>, 9.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn4\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref4\">[4]<\/a> Cf. Joseph Mal\u00e8gue, <em>Pierres noires. Les classes moyennes du Salut <\/em>(Paris 1958).<\/p>\n<p><a name=\"_ftn5\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref5\">[5]<\/a> Conc. Ecum. Vat. II, Const. dogm. sobre a Igreja <em><a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/archive\/hist_councils\/ii_vatican_council\/documents\/vat-ii_const_19641121_lumen-gentium_po.html\">Lumen gentium<\/a><\/em>, 12.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn6\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref6\">[6]<\/a><em> Vida escondida y epifan\u00eda<\/em>: <em>Obras Completas<\/em>, V (Burgos 2007), 637.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn7\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref7\">[7]<\/a> S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II, Carta ap. <em><a href=\"https:\/\/w2.vatican.va\/content\/john-paul-ii\/pt\/apost_letters\/2001\/documents\/hf_jp-ii_apl_20010106_novo-millennio-ineunte.html\">Novo millennio ineunte<\/a><\/em> (6 de janeiro de 2001), 56: <em>AAS<\/em> 93 (2001), 307.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn8\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref8\">[8]<\/a> Carta ap. <em><a href=\"https:\/\/w2.vatican.va\/content\/john-paul-ii\/pt\/apost_letters\/1994\/documents\/hf_jp-ii_apl_19941110_tertio-millennio-adveniente.html\">Tertio millennio adveniente<\/a><\/em> (10 de novembro de 1994), 37: <em>AAS<\/em> 87 (1995), 29.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn9\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref9\">[9]<\/a><em> <a href=\"https:\/\/w2.vatican.va\/content\/john-paul-ii\/pt\/homilies\/2000\/documents\/hf_jp-ii_hom_20000507_test-fede.html\">Homilia na Celebra\u00e7\u00e3o ecum\u00e9nica das testemunhas da f\u00e9 do s\u00e9culo XX<\/a><\/em> (7 de maio de 2000), 5: <em>AAS<\/em> 92 (2000), 680-681.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn10\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref10\">[10]<\/a> Const. dogm. sobre a Igreja <em><a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/archive\/hist_councils\/ii_vatican_council\/documents\/vat-ii_const_19641121_lumen-gentium_po.html\">Lumen gentium<\/a><\/em>, 11.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn11\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref11\">[11]<\/a> Cf. Hans U. von Balthasar, \u201cTeolog\u00eda y santidad\u201d, <em>Communio<\/em> VI\/87, 489.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn12\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref12\">[12]<\/a><em> C\u00e2ntico Espiritual B<\/em>, Pr\u00f3logo, 2: <em>Opere<\/em> (Roma 1979), 490.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn13\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref13\">[13]<\/a> <em>Ibid.<\/em>, 14-15, 2: <em>o. c.<\/em>, 575.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn14\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref14\">[14]<\/a> Cf. Francisco, <em>Catequese<\/em> (<a href=\"https:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/audiences\/2014\/documents\/papa-francesco_20141119_udienza-generale.html\">Audi\u00eancia geral, 19 de novembro de 2014<\/a>): <em>Insegnamenti<\/em>, II\/2 (2014), 554-557.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn15\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref15\">[15]<\/a> S\u00e3o Francisco de Sales, <em>Tratado do Amor de Deus<\/em>, VIII, 11: <em>Opere complete<\/em> IV (Roma 2011), 468.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn16\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref16\">[16]<\/a> <em>Cinco p\u00e3es e dois peixes: um jubiloso testemunho de f\u00e9 no meio das tribula\u00e7\u00f5es da pris\u00e3o<\/em> (Mil\u00e3o 2014), 20.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn17\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref17\">[17]<\/a> Confer\u00eancia dos Bispos Cat\u00f3licos da Nova Zel\u00e2ndia, <em>Healing love<\/em> (1 de janeiro de 1988).<\/p>\n<p><a name=\"_ftn18\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref18\">[18]<\/a> Cf. <em>Exerc\u00edcios espirituais<\/em>, 102-312.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn19\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref19\">[19]<\/a><em> <a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/archive\/cathechism_po\/index_new\/prima-pagina-cic_po.html\">Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/a><\/em>, 515.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn20\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref20\">[20]<\/a> <em><a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/archive\/cathechism_po\/index_new\/prima-pagina-cic_po.html\">Ibid<\/a>.<\/em>, 516.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn21\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref21\">[21]<\/a><em> <a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/archive\/cathechism_po\/index_new\/prima-pagina-cic_po.html\">Ibid<\/a>.<\/em>, 517.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn22\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref22\">[22]<\/a> <em><a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/archive\/cathechism_po\/index_new\/prima-pagina-cic_po.html\">Ibid<\/a>.<\/em>, 518.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn23\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref23\">[23]<\/a><em> <a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/archive\/cathechism_po\/index_new\/prima-pagina-cic_po.html\">Ibid<\/a>.<\/em>, 521.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn24\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref24\">[24]<\/a> Bento XVI, <em>Catequese<\/em> <a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/benedict-xvi\/pt\/audiences\/2011\/documents\/hf_ben-xvi_aud_20110413.html\">(Audi\u00eancia geral, 13 de abril de 2011<\/a>): <em>Insegnamenti<\/em>, VII (2011), 451.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn25\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref25\">[25]<\/a><em> <a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/benedict-xvi\/pt\/audiences\/2011\/documents\/hf_ben-xvi_aud_20110413.html\">Ibidem<\/a><\/em>: <em>o. c.<\/em>, 450<em>.<\/em><\/p>\n<p><a name=\"_ftn26\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref26\">[26]<\/a> Cf. Hans U. von Balthasar, \u201cTeolog\u00eda y santidad\u201d, <em>Communio<\/em> VI\/87, 486-493.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn27\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref27\">[27]<\/a> Xavier Zubiri, <em>Naturaleza, historia, Dios<\/em> (Madrid <sup>3<\/sup>1999), 427.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn28\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref28\">[28]<\/a> Carlos M. Martini, <em>As confiss\u00f5es de Pedro<\/em> (Cinisello Balsamo 2017), 69.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn29\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref29\">[29]<\/a> \u00c9 necess\u00e1rio distinguir, esta distra\u00e7\u00e3o superficial, duma cultura saud\u00e1vel do repouso, que nos abre ao outro e \u00e0 realidade com um esp\u00edrito dispon\u00edvel e contemplativo.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn30\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref30\">[30]<\/a> S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II, <a href=\"https:\/\/w2.vatican.va\/content\/john-paul-ii\/pt\/homilies\/2000\/documents\/hf_jp-ii_hom_20001001_canonization.html\"><em>Homilia na Missa de canoniza\u00e7\u00e3o <\/em>(1 de outubro de 2000)<\/a>, 5: <em>AAS<\/em> 92 (2000), 852.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn31\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref31\">[31]<\/a> Confer\u00eancia Episcopal Regional da \u00c1frica Ocidental, <em>Mensagem pastoral no final da II Assembleia Plen\u00e1ria<\/em> (29 de fevereiro de 2016), 2.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn32\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref32\">[32]<\/a> <em>A mulher pobre<\/em> (R\u00e9gio Em\u00edlia 1978), II, 375.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn33\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref33\">[33]<\/a> \u201cQuer o individualismo neopelagiano quer o desprezo neogn\u00f3stico do corpo descaraterizam a confiss\u00e3o de f\u00e9 em Cristo, \u00fanico Salvador universal\u201d [<a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/roman_curia\/congregations\/cfaith\/documents\/rc_con_cfaith_doc_20180222_placuit-deo_po.html\">Congr. para a Doutrina da F\u00e9, Carta sobre alguns aspetos da salva\u00e7\u00e3o crist\u00e3 <em>Placuit Deo<\/em><\/a> (22 de fevereiro de 2018), 4: <em>L\u2019Osservatore Romano<\/em> (ed. portuguesa de 08\/III\/2018), 8]. Neste documento, encontram-se as bases doutrinais para compreender a salva\u00e7\u00e3o face \u00e0s derivas neogn\u00f3sticas e neopelagianas atuais.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn34\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref34\">[34]<\/a> Francisco, Exort. ap. <em><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20131124_evangelii-gaudium.html\">Evangelii gaudium<\/a><\/em> (24 de novembro de 2013), 94: <em>AAS<\/em> 105 (2013), 1060.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn35\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref35\">[35]<\/a><em> <a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20131124_evangelii-gaudium.html\">Ibid<\/a><\/em>., 94: <em>o. c.<\/em>, 1059.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn36\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref36\">[36]<\/a> Francisco, <em><a href=\"https:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/cotidie\/2016\/documents\/papa-francesco-cotidie_20161111_carta-amor.html\">Homilia da Missa na Casa de Santa Marta<\/a><\/em> (11 de novembro de 2016): <em>L\u2019Osservatore Romano<\/em> (ed. portuguesa de 17\/XI\/2016), 11.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn37\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref37\">[37]<\/a> Como ensina S\u00e3o Boaventura, \u201c\u00e9 necess\u00e1rio que se deixem todas as opera\u00e7\u00f5es intelectivas e que o \u00e1pice mais sublime do amor seja transferido e transformado totalmente em Deus. (\u2026) Dado que, para se obter isto, nada pode a natureza e pouco pode a ci\u00eancia, \u00e9 preciso dar pouca import\u00e2ncia \u00e0 indaga\u00e7\u00e3o, muita \u00e0 un\u00e7\u00e3o espiritual; pouca \u00e0 l\u00edngua e muita \u00e0 alegria interior; pouca \u00e0 palavra e aos livros e toda ao dom de Deus, isto \u00e9, ao Esp\u00edrito Santo; pouca ou nenhuma \u00e0 criatura e toda ao Criador: ao Pai, ao Filho e ao Esp\u00edrito Santo\u201d [<em>Itinerarium mentis in Deo<\/em>, VII, 4-5: <em>Opere di San Bonaventura<\/em> (Roma 1993), 577].<\/p>\n<p><a name=\"_ftn38\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref38\">[38]<\/a> Francisco, <em>Carta ao Gr\u00e3o-Chanceler da Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica Argentina no centen\u00e1rio da Faculdade de Teologia<\/em> (3 de mar\u00e7o de 2015): <em>L\u2019Osservatore Romano<\/em> (ed. portuguesa de 12\/III\/2015), 11.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn39\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref39\">[39]<\/a> Francisco, Exort. ap. <em><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20131124_evangelii-gaudium.html\">Evangelii gaudium<\/a> <\/em>(24 de novembro de 2013), 40: <em>AAS<\/em> 105 (2013), 1037.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn40\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref40\">[40]<\/a> Francisco, <em><a href=\"https:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/messages\/pont-messages\/2015\/documents\/papa-francesco_20150903_videomessaggio-teologia-buenos-aires.html\">Mensagem-v\u00eddeo ao congresso internacional de Teologia da Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica Argentina<\/a><\/em> (1-3 de setembro de 2015): <em>AAS<\/em> 107 (2015), 980.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn41\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref41\">[41]<\/a> Exort. ap. p\u00f3s-sinodal <em><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/john-paul-ii\/pt\/apost_exhortations\/documents\/hf_jp-ii_exh_25031996_vita-consecrata.html\">Vita consecrata<\/a><\/em> (25 de mar\u00e7o de 1996), 38: <em>AAS<\/em> 88 (1996), 412.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn42\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref42\">[42]<\/a> Francisco, <em><a href=\"https:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/letters\/2015\/documents\/papa-francesco_20150303_lettera-universita-cattolica-argentina.html\">Carta ao Gr\u00e3o-Chanceler da Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica Argentina no centen\u00e1rio da Faculdade de Teologia<\/a><\/em> (3 de mar\u00e7o de 2015): <em>L\u2019Osservatore Romano<\/em> (ed. portuguesa de 12\/III\/2015), 11.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn43\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref43\">[43]<\/a><em> Carta a Frei Ant\u00f3nio<\/em>, 2: <em>Fonti Francescane<\/em>, 251.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn44\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref44\">[44]<\/a> <em>De septem Donis<\/em>, 9, 15.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn45\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref45\">[45]<\/a> Idem, <em>In IV Sent.<\/em> 37, 1, 3, ad 6.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn46\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref46\">[46]<\/a> Francisco, Exort. ap. <em><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20131124_evangelii-gaudium.html\">Evangelii gaudium<\/a><\/em> (24 de novembro de 2013), 94: <em>AAS<\/em> 105 (2013), 1059.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn47\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref47\">[47]<\/a>\u201c<em>Non omnes omnia possunt<\/em>\u201d (S\u00e3o Boaventura, <em>De sex alis Seraphim<\/em> 3, 8). H\u00e1 que entender a afirma\u00e7\u00e3o na linha do <em><a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/archive\/cathechism_po\/index_new\/prima-pagina-cic_po.html\">Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/a><\/em>, n. 1735.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn48\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref48\">[48]<\/a> \u201cAgora, por\u00e9m, a gra\u00e7a \u00e9 de certo modo imperfeita, pois \u2013 como se disse \u2013 n\u00e3o cura o homem totalmente\u201d (S\u00e3o Tom\u00e1s de Aquino, <em>Summa Theologiae <\/em>I-II, q. 109, a. 9, ad 1).<\/p>\n<p><a name=\"_ftn49\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref49\">[49]<\/a><em> De natura et gratia<\/em>, XLIII, 50: <em>PL<\/em> 44, 271.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn50\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref50\">[50]<\/a> Idem, <em>Confiss\u00f5es<\/em>, X, 29, 40: <em>PL<\/em> 32, 796.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn51\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref51\">[51]<\/a>Cf. Francisco, Exort. ap. <em><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20131124_evangelii-gaudium.html\">Evangelii gaudium<\/a><\/em> (24 de novembro de 2013), 44: <em>AAS<\/em> 105 (2013), 1038.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn52\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref52\">[52]<\/a> Na compreens\u00e3o da f\u00e9 crist\u00e3, a gra\u00e7a \u00e9 preveniente, concomitante e subsequente a todo o nosso agir. Cf. Conc. Ecum. de Trento, Sess.VI, <em>Decretum de iustificatione<\/em>, cap. 5: <em>DzS<\/em> 1525.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn53\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref53\">[53]<\/a><em> In Rom.<\/em>9, 11: <em>PG<\/em> 60, 470.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn54\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref54\">[54]<\/a> <em>Hom. de humil<\/em>.: <em>PG<\/em> 31, 530.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn55\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref55\">[55]<\/a> C\u00e2none 4: <em>DzS<\/em> 374.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn56\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref56\">[56]<\/a> Sess. VI, <em>Decretum de iustificatione<\/em>, cap. 8: <em>DzS<\/em> 1532.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn57\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref57\">[57]<\/a> N. 1998.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn58\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref58\">[58]<\/a> <em>Ibid<\/em>., 2007.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn59\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref59\">[59]<\/a> S\u00e3o Tom\u00e1s de Aquino, <em>Summa Theologiae<\/em>, I-II, q. 114, a. 5.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn60\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref60\">[60]<\/a> Santa Teresa de Lisieux, \u201cAto de oferecimento ao Amor misericordioso\u201d (Ora\u00e7\u00f5es, 6): <em>Opere Complete<\/em> (Roma 1997), 943.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn61\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref61\">[61]<\/a> Lucio Gera, \u201cSobre el misterio del pobre\u201d, in P. Grelot-L. Gera-A. Dumas, <em>El Pobre<\/em> (Buenos Aires 1962), 103.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn62\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref62\">[62]<\/a> Esta \u00e9, em \u00faltima an\u00e1lise, a doutrina cat\u00f3lica acerca do \u201cm\u00e9rito\u201d posterior \u00e0 justifica\u00e7\u00e3o: trata-se da coopera\u00e7\u00e3o do justificado no crescimento da vida da gra\u00e7a (cf. <em><a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/archive\/cathechism_po\/index_new\/prima-pagina-cic_po.html\">Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/a><\/em>, 2010). Todavia esta coopera\u00e7\u00e3o de forma alguma faz com que a pr\u00f3pria justifica\u00e7\u00e3o e a amizade com Deus se tornem objeto de um m\u00e9rito humano.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn63\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref63\">[63]<\/a> Cf. Francisco, Exort. ap. <em><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20131124_evangelii-gaudium.html\">Evangelii gaudium<\/a><\/em> (24 de novembro de 2013), 95: <em>AAS<\/em> 105 (2013), 1060.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn64\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref64\">[64]<\/a> <em>Summa Theologiae<\/em>, I-II, q. 107, art. 4.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn65\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref65\">[65]<\/a> Francisco, <a href=\"https:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/homilies\/2016\/documents\/papa-francesco_20161113_giubileo-omelia-senza-fissa-dimora.html\"><em>Homilia da Santa Missa por ocasi\u00e3o do jubileu das pessoas socialmente exclu\u00eddas<\/em> (13 de novembro de 2016<\/a>): <em>L\u2019Osservatore Romano<\/em> (ed. portuguesa de 17\/XI\/2016), 5.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn66\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref66\">[66]<\/a> Cf. Francisco, <em><a href=\"https:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/cotidie\/2014\/documents\/papa-francesco_20140609_meditazioni-68.html\">Homilia da Missa na Casa de Santa Marta<\/a><\/em> (9 de junho de 2014): <em>L\u2019Osservatore Romano<\/em> (ed. portuguesa de 12\/VI\/2014), 11.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn67\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref67\">[67]<\/a> A ordem entre a segunda e a terceira bem-aventuran\u00e7a diverge nas diferentes tradi\u00e7\u00f5es textuais.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn68\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref68\">[68]<\/a> <em>Exerc\u00edcios Espirituais<\/em>, 23d (Roma <sup>6<\/sup>1984), 58-59.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn69\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref69\">[69]<\/a><em> Manuscrito C<\/em>, 12r: <em>Opere Complete<\/em> (Roma 1997), 247.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn70\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref70\">[70]<\/a> Desde os tempos patr\u00edsticos, a Igreja valoriza o dom das l\u00e1grimas, como consta na sugestiva ora\u00e7\u00e3o \u201c <em>ad petendam compunctionem cordis<\/em> \u2013 para pedir o arrependimento do cora\u00e7\u00e3o\u201d: \u201c\u00d3 Deus omnipotente e mans\u00edssimo, que, fizestes surgir da rocha uma fonte de \u00e1gua viva para o povo sedento, fazei brotar da dureza do nosso cora\u00e7\u00e3o l\u00e1grimas de arrependimento, para podermos chorar os nossos pecados e obter, por vossa miseric\u00f3rdia, a sua remiss\u00e3o\u201d ( <em>Missale Romanum<\/em>, ed. typ. 1962, p. 922).<\/p>\n<p><a name=\"_ftn71\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref71\">[71]<\/a><em> <a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/archive\/cathechism_po\/index_new\/prima-pagina-cic_po.html\">Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/a><\/em>, 1789; cf. 1970.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn72\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref72\">[72]<\/a> <em><a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/archive\/cathechism_po\/index_new\/prima-pagina-cic_po.html\">Ibid<\/a>.<\/em>, 1787.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn73\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref73\">[73]<\/a>&nbsp; A difama\u00e7\u00e3o e a cal\u00fania s\u00e3o compar\u00e1veis a um ato terrorista: atira-se a bomba, destr\u00f3i e o terrorista segue o seu caminho feliz e tranquilo. Isto \u00e9 muito diferente da nobreza de quem se aproxima para falar face a face, com sinceridade serena, pensando no bem do outro.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn74\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref74\">[74]<\/a> Nalgumas ocasi\u00f5es, pode ser necess\u00e1rio falar sobre as dificuldades dum irm\u00e3o. Nestes casos, por\u00e9m, pode acontecer que se transmita uma interpreta\u00e7\u00e3o em vez do facto objetivo. A paix\u00e3o deforma a realidade concreta do facto, transforma-o numa interpreta\u00e7\u00e3o e acaba-se por transmitir esta interpreta\u00e7\u00e3o cheia de subjetividade. Deste modo, destr\u00f3i-se a realidade e n\u00e3o se respeita a verdade do outro.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn75\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref75\">[75]<\/a> Francisco, Exort. ap. <em><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20131124_evangelii-gaudium.html\">Evangelii gaudium<\/a><\/em> (24 de novembro de 2013), 218: <em>AAS<\/em> 105 (2013), 1110.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn76\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref76\">[76]<\/a> <em><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20131124_evangelii-gaudium.html\">Ibid<\/a><\/em><em>.<\/em>, 239: <em>o. c.<\/em>, 1116.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn77\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref77\">[77]<\/a><em> <a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20131124_evangelii-gaudium.html\">Ibid<\/a><\/em><em>.<\/em>, 227: <em>o. c.<\/em>, 1112.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn78\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref78\">[78]<\/a> Carta enc. <em><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/john-paul-ii\/pt\/encyclicals\/documents\/hf_jp-ii_enc_01051991_centesimus-annus.html\">Centesimus annus<\/a> <\/em>(1 de maio de 1991), 41: <em>AAS<\/em> 83 (1991), 844-845.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn79\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref79\">[79]<\/a> Carta ap. <em><a href=\"https:\/\/w2.vatican.va\/content\/john-paul-ii\/pt\/apost_letters\/2001\/documents\/hf_jp-ii_apl_20010106_novo-millennio-ineunte.html\">Novo millennio ineunte<\/a><\/em> (6 de janeiro de 2001), 49: <em>AAS<\/em> 93 (2001), 302.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn80\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref80\">[80]<\/a> <em><a href=\"https:\/\/w2.vatican.va\/content\/john-paul-ii\/pt\/apost_letters\/2001\/documents\/hf_jp-ii_apl_20010106_novo-millennio-ineunte.html\">Ibid<\/a><\/em>., 49: <em>o. c.<\/em>, 302.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn81\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref81\">[81]<\/a> Francisco, Bula <em><a href=\"https:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/papa-francesco_bolla_20150411_misericordiae-vultus.html\">Misericordiae Vultus<\/a><\/em> (11 de abril de 2015), 12: <em>AAS<\/em> 107 (2015), 407.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn82\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref82\">[82]<\/a> Lembremos a rea\u00e7\u00e3o do bom samaritano \u00e0 vista do homem que os salteadores deixaram meio morto na beira da estrada (cf. <em>Lc<\/em> 10, 30-37).<\/p>\n<p><a name=\"_ftn83\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref83\">[83]<\/a> Confer\u00eancia Canadiana dos Bispos Cat\u00f3licos &#8211; Comiss\u00e3o de Assuntos Sociais, Carta aberta aos membros do Parlamento<em> The Common Good or Exclusion: a Choice for Canadians<\/em> <strong>(<\/strong>1 de fevereiro de 2001), 9.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn84\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref84\">[84]<\/a> A V Confer\u00eancia Geral do Episcopado Latino-Americano, atendo-se ao magist\u00e9rio constante da Igreja, ensinou que o ser humano \u201c\u00e9 sempre sagrado, desde a sua conce\u00e7\u00e3o, <em>em todas as etapas da exist\u00eancia<\/em>, at\u00e9 \u00e0 sua morte natural e depois da morte\u201d, e que a sua vida deve ser cuidada \u201cdesde a conce\u00e7\u00e3o, <em>em todas as suas etapas<\/em>, at\u00e9 \u00e0 morte natural\u201d [ <em>Documento de Aparecida<\/em> (29 de junho de 2007), 388;464].<\/p>\n<p><a name=\"_ftn85\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref85\">[85]<\/a><em> Regra<\/em>, 53, 1: <em>PL<\/em> 66, 749.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn86\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref86\">[86]<\/a> Cf. <em>ibid<\/em>., 53, 7: <em>o. c.<\/em>, 750.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn87\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref87\">[87]<\/a> <em>Ibid<\/em>., 53, 15: <em>o. c.<\/em>, 751.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn88\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref88\">[88]<\/a> Francisco, Bula <em><a href=\"https:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/papa-francesco_bolla_20150411_misericordiae-vultus.html\">Misericordiae Vultus<\/a><\/em> (11 de abril de 2015), 9: <em>AAS<\/em> 107 (2015), 405.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn89\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref89\">[89]<\/a> <em><a href=\"https:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/papa-francesco_bolla_20150411_misericordiae-vultus.html\">Ibid<\/a>., <\/em>10: <em>o. c.<\/em>, 406.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn90\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref90\">[90]<\/a> Idem, Exort. ap. p\u00f3s-sinodal <em><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20160319_amoris-laetitia.html\">Amoris laetitia<\/a><\/em> (19 de mar\u00e7o de 2016), 311: <em>AAS<\/em>108 (2016), 439.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn91\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref91\">[91]<\/a> Idem, Exort. ap. <em><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20131124_evangelii-gaudium.html\">Evangelii gaudium<\/a><\/em> (24 de novembro de 2013), 197: <em>AAS<\/em> 105 (2013), 1103.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn92\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref92\">[92]<\/a> Cf. <em>Summa Theologiae<\/em>, II-II, q. 30, a. 4.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn93\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref93\">[93]<\/a><em> Ibid.<\/em>, ad 1.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn94\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref94\">[94]<\/a> <em>Cristo en los Pobres <\/em>(Madrid 1981), 37-38.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn95\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref95\">[95]<\/a> H\u00e1 muitas formas de <em>bulismo<\/em> que, embora pare\u00e7am elegantes ou respeitosas e at\u00e9 mesmo muito espirituais, provocam muito sofrimento na autoestima dos outros.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn96\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref96\">[96]<\/a> <em>Cautelas<\/em>, 13: <em>Opere<\/em> (Roma <sup>4<\/sup>1979), 1070.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn97\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref97\">[97]<\/a> <em>Ibid.<\/em>, 13: <em>o. c.<\/em>, 1070.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn98\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref98\">[98]<\/a> <em>A Miseric\u00f3rdia Divina na minha alma. Di\u00e1rio da Beata Irm\u00e3 Faustina Kowalska<\/em> (Cidade do Vaticano 1996), 132.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn99\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref99\">[99]<\/a> S\u00e3o Tom\u00e1s de Aquino, <em>Summa Theologiae, <\/em>I-II, q. 70, a. 3.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn100\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref100\">[100]<\/a> Francisco, Exort. ap. <em><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20131124_evangelii-gaudium.html\">Evangelii gaudium<\/a><\/em> (24 de novembro de 2013), 6: <em>AAS<\/em> 105 (2013), 1221.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn101\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref101\">[101]<\/a> Recomendo a reza desta ora\u00e7\u00e3o atribu\u00edda a S\u00e3o Tom\u00e1s Moro: \u201cDai-me, Senhor, uma boa digest\u00e3o e tamb\u00e9m qualquer coisa para digerir. Dai-me a sa\u00fade do corpo, com o bom humor necess\u00e1rio para a conservar. Dai-me, Senhor, uma alma santa que saiba aproveitar o que \u00e9 bom e puro, e n\u00e3o se assuste \u00e0 vista do pecado, mas encontre a forma de colocar as coisas de novo em ordem. Dai-me uma alma que n\u00e3o conhe\u00e7a o t\u00e9dio, as murmura\u00e7\u00f5es, os suspiros e os lamentos, e n\u00e3o permitais que sofra excessivamente por essa realidade t\u00e3o dominadora que se chama \u201ceu\u201d. Dai-me, Senhor, o sentido do humor. Dai-me a gra\u00e7a de entender os gracejos, para que conhe\u00e7a na vida um pouco de alegria e possa comunic\u00e1-la aos outros. Assim seja\u201d.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn102\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref102\">[102]<\/a> Francisco, Exort. ap. p\u00f3s-sinodal <em><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20160319_amoris-laetitia.html\">Amoris laetitia<\/a><\/em> (19 de mar\u00e7o de 2016), 110: <em>AAS<\/em>108 (2016), 354.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn103\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref103\">[103]<\/a> Exort. ap. <em><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/paul-vi\/pt\/apost_exhortations\/documents\/hf_p-vi_exh_19751208_evangelii-nuntiandi.html\">Evangelii nuntiandi<\/a><\/em> (8 de dezembro de 1975), 80: <em>AAS<\/em> 68 (1976), 73. \u00c9 interessante notar que, neste texto, o Beato Paulo VI liga intimamente a alegria \u00e0 <em>parresia<\/em>. Assim como lamenta \u201ca falta de alegria e de esperan\u00e7a\u201d, assim tamb\u00e9m exalta a \u201csuave e reconfortante alegria de evangelizar\u201d que est\u00e1 unida a \u201cum impulso interior que nada e ningu\u00e9m pode extinguir\u201d, para que o mundo n\u00e3o receba o Evangelho \u201cde evangelizadores tristes e descoro\u00e7oados\u201d. Durante o Ano Santo de 1975, o pr\u00f3prio Paulo VI dedicou \u00e0 alegria a Exorta\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica <em><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/paul-vi\/la\/apost_exhortations\/documents\/hf_p-vi_exh_19750509_gaudete-in-domino.html\">Gaudete in Domino<\/a><\/em> (9 de maio de 1975): <em>AAS<\/em> 67 (1975), 289-322.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn104\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref104\">[104]<\/a> <em>Cautelas<\/em>, 15: <em>Opere<\/em> (Roma <sup>4<\/sup>1979), 1072.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn105\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref105\">[105]<\/a> S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II, Exort. ap. p\u00f3s-sinodal <em><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/john-paul-ii\/pt\/apost_exhortations\/documents\/hf_jp-ii_exh_25031996_vita-consecrata.html\">Vita consecrata<\/a><\/em> (25 de mar\u00e7o de 1996), 42: <em>AAS<\/em>88 (1996), 416.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn106\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref106\">[106]<\/a> <em>Confiss\u00f5es<\/em>, IX, 10, 23-25: <em>PL<\/em> 32, 773-775.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn107\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref107\">[107]<\/a> Lembro de modo especial as tr\u00eas palavras-chave \u201ccom licen\u00e7a, obrigado, desculpa\u201d, porque \u201cas palavras adequadas, ditas no momento certo, protegem e alimentam o amor dia ap\u00f3s dia\u201d [Francisco, Exort. ap. p\u00f3s-sinodal <em><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20160319_amoris-laetitia.html\">Amoris laetitia<\/a><\/em> (19 de mar\u00e7o de 2016), 133: <em>AAS<\/em>108 (2016), 363].<\/p>\n<p><a name=\"_ftn108\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref108\">[108]<\/a> Santa Teresa de Lisieux, <em>Manuscrito C<\/em>, 29v-30r: <em>Opere Complete<\/em> (Roma 1997), 269.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn109\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref109\">[109]<\/a><em> Graus de perfei\u00e7\u00e3o<\/em>, 2: <em>Opere<\/em> (Roma <sup>4<\/sup>1979), 1079.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn110\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref110\">[110]<\/a> Idem, <em>Conselhos para alcan\u00e7ar a perfei\u00e7\u00e3o<\/em>, 9: <em>Opere<\/em> (Roma <sup>4<\/sup>1979), 1078.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn111\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref111\">[111]<\/a><em> Vida aut\u00f3grafa de Santa Teresa<\/em>, 8, 5: <em>Opere<\/em> (Roma 1981), 95.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn112\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref112\">[112]<\/a> S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II, Carta ap. <em><a href=\"https:\/\/w2.vatican.va\/content\/john-paul-ii\/pt\/apost_letters\/1995\/documents\/hf_jp-ii_apl_19950502_orientale-lumen.html\">Orientale lumen<\/a><\/em> (2 de maio de 1995), 16: <em>AAS<\/em>87 (1995), 762.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn113\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref113\">[113]<\/a> Francisco, <em><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2015\/november\/documents\/papa-francesco_20151110_firenze-convegno-chiesa-italiana.html\">Discurso no V Congresso Nacional da Igreja Italiana<\/a><\/em> (Floren\u00e7a 10 de novembro de 2015): <em>AAS<\/em>107 (2015), 1284.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn114\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref114\">[114]<\/a> Cf. S\u00e3o Bernardo, <em>Serm\u00e3o sobre o C\u00e2ntico dos C\u00e2nticos,<\/em> 61, 3-5: <em>PL<\/em> 183, 1071-1073.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn115\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref115\">[115]<\/a> <em>Relatos de um Peregrino Russo<\/em> (Mil\u00e3o <sup>3<\/sup>1979), 41;129.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn116\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref116\">[116]<\/a> Cf. <em>Exerc\u00edcios Espirituais<\/em>, 230-237.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn117\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref117\">[117]<\/a> <em>Carta a Henry de Castries<\/em> (14 de agosto de 1901).<\/p>\n<p><a name=\"_ftn118\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref118\">[118]<\/a> V Confer\u00eancia Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe, <em>Documento de Aparecida<\/em> (29 de junho de 2007), 259.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn119\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref119\">[119]<\/a> Confer\u00eancia dos Bispos Cat\u00f3licos da \u00cdndia, <em>Declara\u00e7\u00e3o final da XXI Assembleia plen\u00e1ria<\/em> (18 de fevereiro de 2009), 3.2.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn120\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref120\">[120]<\/a> Cf. Francisco, <em><a href=\"https:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/cotidie\/2013\/documents\/papa-francesco_20131013_meditazioni-20.html\">Homilia da Missa na Casa de Santa Marta<\/a><\/em> (11 de outubro de 2013): <em>L\u2019Osservatore Romano<\/em> (ed. portuguesa de 13\/X\/2013), 13.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn121\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref121\">[121]<\/a> \u201cUma das maiores necessidades \u00e9 a defesa daquele mal, a que chamamos dem\u00f3nio. (&#8230;) O mal j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 apenas uma defici\u00eancia, mas uma efici\u00eancia, um ser vivo, espiritual, pervertido e perversor. Trata-se de uma realidade terr\u00edvel, misteriosa e medonha. Sai do \u00e2mbito dos ensinamentos b\u00edblicos e eclesi\u00e1sticos quem se recusa a reconhecer a exist\u00eancia desta realidade; ou melhor, quem faz dela um princ\u00edpio em si mesmo, como se n\u00e3o tivesse \u2013 como todas as criaturas \u2013 origem em Deus, ou a explica como uma pseudorrealidade, como uma personifica\u00e7\u00e3o conceitual e fant\u00e1stica das causas desconhecidas das nossas desgra\u00e7as\u201d [Beato Paulo VI, <em>Catequese<\/em> (Audi\u00eancia Geral de 15 de novembro de 1972): <em>Insegnamenti<\/em> X (1972), 1168-1170].<\/p>\n<p><a name=\"_ftn122\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref122\">[122]<\/a> S\u00e3o Jos\u00e9 Gabriel do Ros\u00e1rio Brochero, <em>Serm\u00e3o das Bandeiras<\/em>: Confer\u00eancia Episcopal Argentina, <em>El Cura Brochero. Cartas y sermones<\/em> (Buenos Aires 1999), 71.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn123\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref123\">[123]<\/a> Francisco, Exort. ap. <em><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20131124_evangelii-gaudium.html\">Evangelii gaudium<\/a><\/em> (24 de novembro de 2013), 85: <em>AAS<\/em> 105 (2013), 1056.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn124\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref124\">[124]<\/a> No t\u00famulo de Santo In\u00e1cio de Loyola, l\u00ea-se este s\u00e1bio epit\u00e1fio: \u201c <em>Non coerceri a maximo, contineri tamen a minimo divinum est<\/em> \u2013 \u00e9 divino n\u00e3o se assustar com as coisas maiores e, simultaneamente, cuidar das menores\u201d.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn125\"><\/a><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#_ftnref125\">[125]<\/a><em> Collationes in Hexaemeron<\/em>, 1, 30.<\/p>\n<div id=\"themify_builder_content-87208\" data-postid=\"87208\" class=\"themify_builder_content themify_builder_content-87208 themify_builder themify_builder_front\">\n\t<\/div>\n<!-- \/themify_builder_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00f3s nos tornamos santos vivendo as bem aventuran\u00e7as, indo contra a corrente do mundo atual. 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