
{"id":9315,"date":"2019-05-13T00:19:14","date_gmt":"2019-05-13T03:19:14","guid":{"rendered":"http:\/\/www.oarcanjo.net\/site\/?p=9315"},"modified":"2019-02-20T14:35:56","modified_gmt":"2019-02-20T17:35:56","slug":"nossa-senhora-de-fatima","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.oarcanjo.net\/site\/nossa-senhora-de-fatima\/","title":{"rendered":"Nossa Senhora de F\u00e1tima"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-71885\" src=\"http:\/\/www.oarcanjo.net\/site\/wp-content\/uploads\/Nossa-Senhora-de-Fatima-2.jpg\" alt=\"Nossa Senhora de F\u00e1tima\" width=\"373\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/www.oarcanjo.net\/site\/wp-content\/uploads\/Nossa-Senhora-de-Fatima-2.jpg 373w, https:\/\/www.oarcanjo.net\/site\/wp-content\/uploads\/Nossa-Senhora-de-Fatima-2-280x300.jpg 280w\" sizes=\"(max-width: 373px) 100vw, 373px\" \/><\/p>\n<p>13 de Maio<\/p>\n<table border=\"0\" width=\"100%\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><strong><span style=\"color: #5a5a51\">Pedidos de Ora\u00e7\u00e3o<\/span><\/strong><\/td>\n<td width=\"10\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"10\" height=\"5\"><\/td>\n<td height=\"5\"><\/td>\n<td width=\"10\" height=\"5\"><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<table width=\"95%\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<div><span style=\"color: #000000\">Enviar pedidos de ora\u00e7\u00e3o para:<\/span><\/div>\n<p><span style=\"color: #000000\"><a href=\"mailto:pedidos@santuario-fatima.pt\"><span style=\"font-size: x-small;font-family: Arial\">pedidos@fatima.pt<\/span><\/a><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><span style=\"color: #000000\">Feita segundo indica\u00e7\u00f5es da Irm\u00e3 L\u00facia, a primeira Imagem da Virgem Peregrina de F\u00e1tima foi oferecida pelo Sr. Bispo de Leiria e coroada solenemente pelo Sr. Arcebispo de \u00c9vora, a 13 de Maio de 1947. A partir dessa data, a imagem percorreu, por diversas vezes, o mundo inteiro, levando consigo uma mensagem de paz e amor<\/span><\/p>\n<p>No dia 5 de maio de 1917, o mundo ainda vivia os horrores da Primeira Guerra Mundial, ent\u00e3o o papa Bento XV convidou todos os cat\u00f3licos a se unirem em uma corrente de ora\u00e7\u00f5es para obter a paz mundial com a intercess\u00e3o da Virgem Maria. Oito dias depois ela respondeu \u00e0 humanidade atrav\u00e9s das apari\u00e7\u00f5es em F\u00e1tima, Portugal.<\/p>\n<p>Foram tr\u00eas humildes pastores, filhos de fam\u00edlias pobres, simples e profundamente cat\u00f3licas, os mensageiros escolhidos por Nossa Senhora. L\u00facia, a mais velha, tinha dez anos, e os primos, Francisco e Jacinta, nove e sete anos respectivamente. Os tr\u00eas eram analfabetos.<\/p>\n<p>Contam as crian\u00e7as que brincavam enquanto as ovelhas pastavam. Ao meio-dia, rezaram o ter\u00e7o. Por\u00e9m rezaram \u00e0 moda deles, de forma r\u00e1pida, para poder voltar a brincar. Em vez de recitar as ora\u00e7\u00f5es completas, apenas diziam o nome delas: &#8220;ave-maria, santa-maria&#8221; etc. Ao voltar para as brincadeiras, depararam com a Virgem Maria pairando acima de uma \u00e1rvore n\u00e3o muito alta. Assustados, Jacinta e Francisco apenas ouvem Nossa Senhora conversando com L\u00facia. Ela pede que os pequenos rezem o ter\u00e7o inteirinho e que venham \u00e0quele mesmo local todo dia 13 de cada m\u00eas, desaparecendo em seguida. O encontro acontece pelos sete meses seguintes.<\/p>\n<p>As crian\u00e7as mudam radicalmente. Passam a rezar e a fazer sacrif\u00edcios di\u00e1rios. Relatam aos pais e autoridades religiosas o que se passou. Logo, uma multid\u00e3o come\u00e7a a acompanhar o encontro das crian\u00e7as com Nossa Senhora.<\/p>\n<p>Na passagem do segundo para o terceiro mil\u00e9nio, o Papa Jo\u00e3o Paulo II decidiu tornar p\u00fablico o texto da terceira parte do \u00ab segredo de F\u00e1tima \u00bb.<\/p>\n<p>Depois dos acontecimentos dram\u00e1ticos e cru\u00e9is do s\u00e9culo XX, um dos mais tormentosos da hist\u00f3ria do homem, com o ponto culminante no cruento atentado ao \u00ab doce Cristo na terra \u00bb, abre-se assim o v\u00e9u sobre uma realidade que faz hist\u00f3ria e a interpreta na sua profundidade segundo uma dimens\u00e3o espiritual, a que \u00e9 refract\u00e1ria a mentalidade actual, frequentemente eivada de racionalismo.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria est\u00e1 constelada de apari\u00e7\u00f5es e sinais sobrenaturais, que influenciam o desenrolar dos acontecimentos humanos e acompanham o caminho do mundo, surpreendendo crentes e descrentes. Estas manifesta\u00e7\u00f5es, que n\u00e3o podem contradizer o conte\u00fado da f\u00e9, devem convergir para o objecto central do an\u00fancio de Cristo: o amor do Pai que suscita nos homens a convers\u00e3o e d\u00e1 a gra\u00e7a para se abandonarem a Ele com devo\u00e7\u00e3o filial. Tal \u00e9 a mensagem de F\u00e1tima, com o seu veemente apelo \u00e0 convers\u00e3o e \u00e0 penit\u00eancia, que leva realmente ao cora\u00e7\u00e3o do Evangelho.<\/p>\n<p>F\u00e1tima \u00e9, sem d\u00favida, a mais prof\u00e9tica das apari\u00e7\u00f5es modernas. A primeira e a segunda parte do \u00ab segredo \u00bb, que s\u00e3o publicadas em seguida para ficar completa a documenta\u00e7\u00e3o, dizem respeito antes de mais \u00e0 pavorosa vis\u00e3o do inferno, \u00e0 devo\u00e7\u00e3o ao Imaculado Cora\u00e7\u00e3o de Maria, \u00e0 segunda guerra mundial, e depois ao pren\u00fancio dos danos imensos que a R\u00fassia, com a sua defec\u00e7\u00e3o da f\u00e9 crist\u00e3 e ades\u00e3o ao totalitarismo comunista, haveria de causar \u00e0 humanidade.<\/p>\n<p>Em 1917, ningu\u00e9m poderia ter imaginado tudo isto: os tr\u00eas pastorinhos de F\u00e1tima v\u00eaem, ouvem, memorizam, e L\u00facia, a testemunha sobrevivente, quando recebe a ordem do Bispo de Leiria e a autoriza\u00e7\u00e3o de Nossa Senhora, p\u00f5e por escrito.<\/p>\n<p>Para a exposi\u00e7\u00e3o das primeiras duas partes do \u00ab segredo \u00bb, ali\u00e1s j\u00e1 publicadas e conhecidas, foi escolhido o texto escrito pela Irm\u00e3 L\u00facia na terceira mem\u00f3ria, de 31 de Agosto de 1941; na quarta mem\u00f3ria, de 8 de Dezembro de 1941, ela acrescentar\u00e1 qualquer observa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A terceira parte do \u00ab segredo \u00bb foi escrita \u00ab por ordem de Sua Ex.cia Rev.ma o Senhor Bispo de Leiria e da (&#8230;) Sant\u00edssima M\u00e3e \u00bb, no dia 3 de Janeiro de 1944.<\/p>\n<p>Existe apenas um manuscrito, que \u00e9 reproduzido aqui fotostaticamente. O envelope selado foi guardado primeiramente pelo Bispo de Leiria. Para se tutelar melhor o \u00ab segredo \u00bb, no dia 4 de Abril de 1957 o envelope foi entregue ao Arquivo Secreto do Santo Of\u00edcio. Disto mesmo, foi avisada a Irm\u00e3 L\u00facia pelo Bispo de Leiria.<\/p>\n<p>Segundo apontamentos do Arquivo, no dia 17 de Agosto de 1959 e de acordo com Sua Emin\u00eancia o Cardeal Alfredo Ottaviani, o Comiss\u00e1rio do Santo Of\u00edcio, Padre Pierre Paul Philippe OP, levou a Jo\u00e3o XXIII o envelope com a terceira parte do \u00ab segredo de F\u00e1tima \u00bb. Sua Santidade, \u00ab depois de alguma hesita\u00e7\u00e3o \u00bb, disse: \u00ab Aguardemos. Rezarei. Far-lhe-ei saber o que decidi \u00bb.(1)<\/p>\n<p>Na realidade, a decis\u00e3o do Papa Jo\u00e3o XXIII foi enviar de novo o envelope selado para o Santo Of\u00edcio e n\u00e3o revelar a terceira parte do \u00ab segredo \u00bb.<\/p>\n<p>Paulo VI leu o conte\u00fado com o Substituto da Secretaria de Estado, Sua Ex.cia Rev.ma D. \u00c2ngelo Dell&#8217;Acqua, a 27 de Mar\u00e7o de 1965, e mandou novamente o envelope para o Arquivo do Santo Of\u00edcio, com a decis\u00e3o de n\u00e3o publicar o texto.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Paulo II, por sua vez, pediu o envelope com a terceira parte do \u00ab segredo \u00bb, ap\u00f3s o atentado de 13 de Maio de 1981. Sua Emin\u00eancia o Cardeal Franjo Seper, Prefeito da Congrega\u00e7\u00e3o, a 18 de Julho de 1981 entregou a Sua Ex.cia Rev.ma D. Eduardo Mart\u00ednez Somalo, Substituto da Secretaria de Estado, dois envelopes: um branco, com o texto original da Irm\u00e3 L\u00facia em l\u00edngua portuguesa; outro cor-de-laranja, com a tradu\u00e7\u00e3o do \u00ab segredo \u00bb em l\u00edngua italiana. No dia 11 de Agosto seguinte, o Senhor D. Mart\u00ednez Somalo devolveu os dois envelopes ao Arquivo do Santo Of\u00edcio.(2)<\/p>\n<p>Como \u00e9 sabido, o Papa Jo\u00e3o Paulo II pensou imediatamente na consagra\u00e7\u00e3o do mundo ao Imaculado Cora\u00e7\u00e3o de Maria e comp\u00f4s ele mesmo uma ora\u00e7\u00e3o para o designado \u00ab Acto de Entrega \u00bb, que seria celebrado na Bas\u00edlica de Santa Maria Maior a 7 de Junho de 1981, solenidade de Pentecostes, dia escolhido para comemorar os 1600 anos do primeiro Conc\u00edlio Constantinopolitano e os 1550 anos do Conc\u00edlio de \u00c9feso. O Papa, for\u00e7adamente ausente, enviou uma radiomensagem com a sua alocu\u00e7\u00e3o. Transcrevemos a parte do texto, onde se refere exactamente o <strong>acto de entrega<\/strong>:<\/p>\n<p>\u00ab <em>\u00d3 M\u00e3e dos homens e dos povos<\/em>, V\u00f3s conheceis todos os seus sofrimentos e as suas esperan\u00e7as, V\u00f3s sentis maternalmente todas as lutas entre o bem e o mal, entre a luz e as trevas, que abalam o mundo, acolhei o nosso brado, dirigido no Esp\u00edrito Santo directamente ao vosso Cora\u00e7\u00e3o, e <em>abra\u00e7ai com o amor da M\u00e3e e da Serva do Senhor aqueles que mais esperam por este abra\u00e7o<\/em> e, <strong>ao mesmo tempo, aqueles cuja entrega tamb\u00e9m V\u00f3s esperais de maneira particular<\/strong>. Tomai sob a vossa protec\u00e7\u00e3o materna a fam\u00edlia humana inteira, que, com enlevo afectuoso, n\u00f3s Vos confiamos, \u00f3 M\u00e3e. Que se aproxime para todos o tempo da paz e da liberdade, o tempo da verdade, da justi\u00e7a e da esperan\u00e7a \u00bb. (3)<\/p>\n<p>Mas, para responder mais plenamente aos pedidos de Nossa Senhora, o Santo Padre quis, durante o Ano Santo da Reden\u00e7\u00e3o, tornar mais expl\u00edcito o acto de entrega de 7 de Junho de 1981, repetido em F\u00e1tima no dia 13 de Maio de 1982. E, no dia 25 de Mar\u00e7o de 1984, quando se recorda o <em>fiat<\/em> pronunciado por Maria no momento da Anuncia\u00e7\u00e3o, na Pra\u00e7a de S. Pedro, em uni\u00e3o espiritual com todos os Bispos do mundo precedentemente \u00ab convocados \u00bb, o Papa entrega ao Imaculado Cora\u00e7\u00e3o de Maria os homens e os povos, com express\u00f5es que lembram as palavras ardorosas pronunciadas em 1981:<\/p>\n<p>\u00ab E por isso, <em>\u00f3 M\u00e3e dos homens e dos povos<\/em>, V\u00f3s que conheceis todos os seus sofrimentos e as suas esperan\u00e7as, V\u00f3s que sentis maternalmente todas as lutas entre o bem e o mal, entre a luz e as trevas, que abalam o mundo contempor\u00e2neo, acolhei o nosso clamor que, movidos pelo Esp\u00edrito Santo, elevamos directamente ao vosso Cora\u00e7\u00e3o: <em>Abra\u00e7ai<\/em>, com <em>amor<\/em> de M\u00e3e e de Serva do Senhor, este nosso mundo humano, que Vos confiamos e consagramos, cheios de inquietude pela sorte terrena e eterna dos homens e dos povos.<\/p>\n<p>De modo especial Vos entregamos e consagramos aqueles homens e <em>aquelas na\u00e7\u00f5es<\/em> que desta entrega e desta consagra\u00e7\u00e3o t\u00eam particularmente necessidade.<\/p>\n<p>\u201c\u00c0 vossa protec\u00e7\u00e3o nos acolhemos, Santa M\u00e3e de Deus\u201d! <em>N\u00e3o desprezeis as s\u00faplicas que se elevam de n\u00f3s que estamos na prova\u00e7\u00e3o!<\/em> \u00bb.<\/p>\n<p>Depois o Papa continua com maior veem\u00eancia e concretiza\u00e7\u00e3o de refer\u00eancias, quase comentando a Mensagem de F\u00e1tima nas suas predi\u00e7\u00f5es infelizmente cumpridas:<\/p>\n<p>\u00ab Encontrando-nos hoje diante V\u00f3s, M\u00e3e de Cristo, diante do vosso Imaculado Cora\u00e7\u00e3o, desejamos, juntamente com toda a Igreja, unir-nos \u00e0 consagra\u00e7\u00e3o que, por nosso amor, o vosso Filho fez de Si mesmo ao Pai: \u201cEu consagro-Me por eles \u2014 foram as suas palavras \u2014 para eles serem tamb\u00e9m consagrados na verdade\u201d (<em>Jo<\/em> 17, 19). Queremos unir-nos ao nosso Redentor, nesta consagra\u00e7\u00e3o pelo mundo e pelos homens, a qual, no seu Cora\u00e7\u00e3o divino, tem o poder de alcan\u00e7ar o perd\u00e3o e de conseguir a repara\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><em>A for\u00e7a desta consagra\u00e7\u00e3o<\/em>permanece por todos os tempos e abrange todos os homens, os povos e as na\u00e7\u00f5es; e supera todo o mal, que o esp\u00edrito das trevas \u00e9 capaz de despertar no cora\u00e7\u00e3o do homem e na sua hist\u00f3ria e que, de facto, despertou nos nossos tempos.<\/p>\n<p>Oh qu\u00e3o profundamente sentimos a necessidade de consagra\u00e7\u00e3o pela humanidade e pelo mundo: pelo nosso mundo contempor\u00e2neo, em uni\u00e3o com o pr\u00f3prio Cristo! Na realidade, a obra redentora de Cristo deve ser <em>participada pelo mundo por meio da Igreja<\/em>.<\/p>\n<p>Manifesta-o o presente Ano da Reden\u00e7\u00e3o: o Jubileu extraordin\u00e1rio de toda a Igreja.<\/p>\n<p>Neste Ano Santo, bendita sejais <em>acima de todas as criaturas<\/em> V\u00f3s, Serva do Senhor, que obedecestes da maneira mais plena ao chamamento Divino!<\/p>\n<p>Louvada sejais V\u00f3s, que <em>estais inteiramente unida<\/em> \u00e0 consagra\u00e7\u00e3o redentora do vosso Filho!<\/p>\n<p>M\u00e3e da Igreja! Iluminai o Povo de Deus nos caminhos da f\u00e9, da esperan\u00e7a e da caridade! Iluminai de modo especial os povos dos quais V\u00f3s esperais a nossa consagra\u00e7\u00e3o e a nossa entrega. Ajudai-nos a viver na verdade da consagra\u00e7\u00e3o de Cristo por toda a fam\u00edlia humana do mundo contempor\u00e2neo.<\/p>\n<p>Confiando-Vos, \u00f3 M\u00e3e, o mundo, todos os homens e todos os povos, n\u00f3s Vos <em>confiamos<\/em> tamb\u00e9m <em>a pr\u00f3pria consagra\u00e7\u00e3o do mundo<\/em>, depositando-a no vosso Cora\u00e7\u00e3o materno.<\/p>\n<p>Oh Imaculado Cora\u00e7\u00e3o! Ajudai-nos a vencer a amea\u00e7a do mal, que se enra\u00edza t\u00e3o facilmente nos cora\u00e7\u00f5es dos homens de hoje e que, nos seus efeitos incomensur\u00e1veis, pesa j\u00e1 sobre a vida presente e parece fechar os caminhos do futuro!<\/p>\n<p>Da fome e da guerra, <em>livrai-nos<\/em>!<\/p>\n<p>Da guerra nuclear, de uma autodestrui\u00e7\u00e3o incalcul\u00e1vel, e de toda a esp\u00e9cie de guerra, <em>livrai-nos<\/em>!<\/p>\n<p>Dos pecados contra a vida do homem desde os seus primeiros instantes, <em>livrai-nos<\/em>!<\/p>\n<p>Do \u00f3dio e do aviltamento da dignidade dos filhos de Deus, <em>livrai-nos<\/em>!<\/p>\n<p>De todo o g\u00e9nero de injusti\u00e7a na vida social, nacional e internacional, <em>livrai-nos<\/em>!<\/p>\n<p>Da facilidade em calcar aos p\u00e9s os mandamentos de Deus, <em>livrai-nos<\/em>!<\/p>\n<p>Da tentativa de ofuscar nos cora\u00e7\u00f5es humanos a pr\u00f3pria verdade de Deus, <em>livrai-nos<\/em>!<\/p>\n<p>Da perda da consci\u00eancia do bem e do mal, <em>livrai-nos<\/em>!<\/p>\n<p>Dos pecados contra o Esp\u00edrito Santo, <em>livrai-nos, livrai-nos<\/em>!<\/p>\n<p>Acolhei, \u00f3 M\u00e3e de Cristo, este clamor <em>carregado do sofrimento<\/em> de todos os homens! <em>Carregado do sofrimento<\/em> de sociedades inteiras!<\/p>\n<p>Ajudai-nos com a for\u00e7a do Esp\u00edrito Santo a vencer todo o pecado: o pecado do homem e o \u201cpecado do mundo\u201d, enfim o pecado em todas as suas manifesta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Que se revele uma vez mais, na hist\u00f3ria do mundo, a for\u00e7a salv\u00edfica infinita da Reden\u00e7\u00e3o: a for\u00e7a do <em>Amor misericordioso<\/em>! Que ele detenha o mal! Que ele transforme as consci\u00eancias! Que se manifeste para todos, no vosso Imaculado Cora\u00e7\u00e3o, a <em>luz da Esperan\u00e7a<\/em>! \u00bb.(4)<\/p>\n<p>A Irm\u00e3 L\u00facia confirmou pessoalmente que este acto, solene e universal, de consagra\u00e7\u00e3o correspondia \u00e0quilo que Nossa Senhora queria: \u00ab Sim, est\u00e1 feita tal como Nossa Senhora a pediu, desde o dia 25 de Mar\u00e7o de 1984 \u00bb (carta de 8 de Novembro de 1989). Por isso, qualquer discuss\u00e3o e ulterior peti\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem fundamento.<\/p>\n<p>Na documenta\u00e7\u00e3o apresentada, para al\u00e9m das p\u00e1ginas manuscritas da Irm\u00e3 L\u00facia inserem-se mais quatro textos: 1) A carta do Santo Padre \u00e0 Irm\u00e3 L\u00facia, datada de 19 de Abril de 2000; 2) Uma descri\u00e7\u00e3o do col\u00f3quio que houve com a Irm\u00e3 L\u00facia no dia 27 de Abril de 2000; 3) A comunica\u00e7\u00e3o lida, por encargo do Santo Padre, por Sua Emin\u00eancia o Cardeal \u00c2ngelo Sodano, Secret\u00e1rio de Estado, em F\u00e1tima no dia 13 de Maio deste ano; 4) O coment\u00e1rio teol\u00f3gico de Sua Emin\u00eancia o Cardeal Joseph Ratzinger, Prefeito da Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9.<\/p>\n<p>Uma orienta\u00e7\u00e3o para a interpreta\u00e7\u00e3o da terceira parte do \u00ab segredo \u00bb tinha sido j\u00e1 oferecida pela Irm\u00e3 L\u00facia, numa carta dirigida ao Santo Padre a 12 de Maio de 1982, onde dizia:<\/p>\n<p>\u00ab <em>A terceira parte do segredo refere-se \u00e0s palavras de Nossa Senhora: \u201cSe n\u00e3o, [a R\u00fassia] espalhar\u00e1 os seus erros pelo mundo, promovendo guerras e persegui\u00e7\u00f5es \u00e0 Igreja. Os bons ser\u00e3o martirizados, o Santo Padre ter\u00e1 muito que sofrer, v\u00e1rias na\u00e7\u00f5es ser\u00e3o aniquiladas\u201d (13-VII-1917).\u00a0 <\/em><\/p>\n<p><em>A terceira parte do segredo \u00e9 uma revela\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica, que se refere a este trecho da Mensagem, condicionada ao facto de aceitarmos ou n\u00e3o o que a Mensagem nos pede: \u201cSe atenderem a meus pedidos, a R\u00fassia converter-se-\u00e1 e ter\u00e3o paz; se n\u00e3o, espalhar\u00e1 os seus erros pelo mundo, etc\u201d.\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Porque n\u00e3o temos atendido a este apelo da Mensagem, verificamos que ela se tem cumprido, a R\u00fassia foi invadindo o mundo com os seus erros. E se n\u00e3o vemos ainda, como facto consumado, o final desta profecia, vemos que para a\u00ed caminhamos a passos largos. Se n\u00e3o recuarmos no caminho do pecado, do \u00f3dio, da vingan\u00e7a, da injusti\u00e7a atropelando os direitos da pessoa humana, da imoralidade e da viol\u00eancia, etc.\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>E n\u00e3o digamos que \u00e9 Deus que assim nos castiga; mas, sim, que s\u00e3o os homens que para si mesmos se preparam o castigo. Deus apenas nos adverte e chama ao bom caminho, respeitando a liberdade que nos deu; por isso os homens s\u00e3o respons\u00e1veis<\/em>\u00bb.(5)<\/p>\n<p><sup>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/sup><\/p>\n<p>A decis\u00e3o tomada pelo Santo Padre Jo\u00e3o Paulo II de tornar p\u00fablica a terceira parte do \u00ab segredo \u00bb de F\u00e1tima encerra um peda\u00e7o de hist\u00f3ria, marcado por tr\u00e1gicas veleidades humanas de poder e de iniquidade, mas permeada pelo amor misericordioso de Deus e pela vigil\u00e2ncia cuidadosa da M\u00e3e de Jesus e da Igreja.<\/p>\n<p>Ac\u00e7\u00e3o de Deus, Senhor da hist\u00f3ria, e corresponsabilidade do homem, no exerc\u00edcio dram\u00e1tico e fecundo da sua liberdade, s\u00e3o os dois alicerces sobre os quais se constr\u00f3i a hist\u00f3ria da humanidade.<\/p>\n<p>Ao aparecer em F\u00e1tima, Nossa Senhora faz-nos apelo a estes valores esquecidos, a este futuro do homem em Deus, do qual somos parte activa e respons\u00e1vel.<\/p>\n<table border=\"0\" width=\"609\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\">\n<tbody>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"609\"><span style=\"font-size: small;font-family: Times\"><span style=\"font-size: small;font-family: Times\">O \u00ab SEGREDO \u00bb DE F\u00c1TIMA\u00a0PRIMEIRA E SEGUNDA PARTE DO \u00ab SEGREDO \u00bb<br \/>\nSEGUNDO A REDAC\u00c7\u00c3O FEITA PELA IRM\u00c3 L\u00daCIA<br \/>\nNA \u00ab TERCEIRA MEM\u00d3RIA \u00bb, DE 31 DE AGOSTO DE 1941,<br \/>\nDESTINADA AO BISPO DE LEIRIA-F\u00c1TIMA\u00a0(texto original)\u00a0<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.vatican.va\/roman_curia\/congregations\/cfaith\/img\/Fotoc-tr.gif\" alt=\"\" width=\"493\" height=\"600\" border=\"0\" \/><\/span><\/span><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.vatican.va\/roman_curia\/congregations\/cfaith\/img\/Fotod-tr.gif\" alt=\"\" width=\"491\" height=\"724\" border=\"0\" \/><\/p>\n<p>(transcri\u00e7\u00e3o)<\/p>\n<p><span style=\"font-size: small;font-family: Times\">\u00a0\u00a0<\/span>(7)<span style=\"font-size: small;font-family: Times\">\u00a0\u00a0<\/span> (8)<span style=\"font-size: small;font-family: Times\">\u00a0\u00a0<\/span> <span style=\"font-size: small;font-family: Times\">E DO CORA\u00c7\u00c3O IMACULADO\u00a0<\/span>&#8211;<span style=\"font-size: small;font-family: Times\">se de verdadeiros \u00ab objectos \u00bb que tocam a alma, embora n\u00e3o perten\u00e7am ao mundo sens\u00edvel que nos \u00e9 habitual. Por isso, exige-se uma vigil\u00e2ncia interior do cora\u00e7\u00e3o que, na maior parte do tempo, n\u00e3o possu\u00edmos por causa da forte press\u00e3o das realidades externas e das imagens e preocupa\u00e7\u00f5es que enchem a alma. A pessoa \u00e9 levada para al\u00e9m da pura exterioridade, onde \u00e9 tocada por dimens\u00f5es mais profundas da realidade que se lhe tornam vis\u00edveis. Talvez assim se possa compreender por que motivo os destinat\u00e1rios preferidos de tais apari\u00e7\u00f5es sejam precisamente as crian\u00e7as: a sua alma ainda est\u00e1 pouco alterada, e quase intacta a sua capacidade interior de percep\u00e7\u00e3o. \u00ab Da boca dos pequeninos e das crian\u00e7as de peito recebeste louvor \u00bb: esta foi a resposta de Jesus \u2014 servindo-se duma frase do Salmo 8 (v. 3) \u2014 \u00e0 cr\u00edtica dos sumos sacerdotes e anci\u00e3os, que achavam inoportuno o grito <em>hossana<\/em> das crian\u00e7as (<em>Mt<\/em> 21, 16).\u00a0<\/span> <span style=\"font-size: small;font-family: Times\"><em>para a Doutrina da F\u00e9\u00a0<\/em><\/span><\/p>\n<p>Terei para isso que falar algo do segredo e responder ao primeiro ponto de interroga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O que \u00e9 o segredo?<\/p>\n<p>Parece-me que o posso dizer, pois que do C\u00e9u tenho j\u00e1 a licen\u00e7a. Os representantes de Deus na terra, t\u00eam-me autorizado a isso v\u00e1rias vezes, e em v\u00e1rias cartas, uma das quais, julgo que conserva V. Ex.cia Rev.ma do Senhor Padre Jos\u00e9 Bernardo Gon\u00e7alves, na em que me manda escrever ao Santo Padre. Um dos pontos que me indica \u00e9 a revela\u00e7\u00e3o do segredo. Algo disse, mas para n\u00e3o alongar mais esse escrito que devia ser breve, limitei-me ao indispens\u00e1vel, deixando a Deus a oportunidade d&#8217;um momento mais favor\u00e1vel.<\/p>\n<p>Expus j\u00e1 no segundo escrito a d\u00favida que de 13 de Junho a 13 de Julho me atormentou e que n&#8217;essa apari\u00e7\u00e3o tudo se desvaneceu.<\/p>\n<p>Bem o segredo consta de tr\u00eas coisas distintas, duas das quais vou revelar.<\/p>\n<p>A primeira foi pois a vista do inferno!<\/p>\n<p>Nossa Senhora mostrou-nos um grande mar de f\u00f4go que parcia estar debaixo da terra. Mergulhados em \u00easse f\u00f4go os dem\u00f3nios e as almas, como se fossem brasas transparentes e negras, ou bronziadas com forma\u00a0humana, que flutuavam no inc\u00eandio levadas pelas chamas que d&#8217;elas mesmas saiam, juntamente com nuvens de fumo, caindo para todos os lados, semelhante ao cair das faulhas em os grandes inc\u00eandios sem peso nem equil\u00edbrio, entre gritos e gemidos de d\u00f4r e desespero que horrorizava e fazia estremecer de pavor. Os dem\u00f3nios destinguiam-se por formas horr\u00edveis e ascrosas de animais espantosos e desconhecidos, mas transparentes e negros. Esta vista foi um momento, e gra\u00e7as \u00e0 nossa b\u00f4a M\u00e3e do C\u00e9u; que antes nos tinha prevenido com a prome\u00e7a de nos levar para o C\u00e9u (na primeira apari\u00e7\u00e3o) se assim n\u00e3o fosse, creio que ter\u00edamos morrido de susto e pavor.<\/p>\n<p>Em seguida, levant\u00e1mos os olhos para Nossa Senhora que nos disse com bondade e tristeza:<\/p>\n<p>\u2014 Vistes o inferno, para onde v\u00e3o as almas dos pobres pecadores, para as salvar, Deus quer establecer no mundo a devo\u00e7\u00e3o a meu Imaculado Cora\u00e7\u00e3o. Se fizerem o que eu disser salvar-se-\u00e3o muitas almas e ter\u00e3o paz. A guerra vai acabar, mas se n\u00e3o deixarem de ofender a Deus, no reinado de Pio XI come\u00e7ar\u00e1 outra peor. Quando virdes uma noite, alumiada por uma luz desconhecida, sabei que \u00e9 o grande sinal que Deus vos d\u00e1 de que vai a punir o mundo de seus crimes, por meio da guerra, da fome e de persegui\u00e7\u00f5es \u00e0 Igreja e ao Santo Padre. Para a impedir virei pedir a consagra\u00e7\u00e3o da R\u00fassia a meu Imaculado Cora\u00e7\u00e3o e a comunh\u00e3o reparadora nos primeiros s\u00e1bados. Se atenderem a meus pedidos, a R\u00fassia se converter\u00e1 e ter\u00e3o paz, se n\u00e3o, espalhar\u00e1 seus erros pelo mundo, promovendo guerras e persegui\u00e7\u00f5es \u00e0 Igreja, os bons ser\u00e3o martirizados, o Santo Padre ter\u00e1 muito que sufrer, v\u00e1rias na\u00e7\u00f5es ser\u00e3o aniquiladas, por fim o meu Imaculado Cora\u00e7\u00e3o triunfar\u00e1. O Santo Padre consagrar-me-\u00e1 a R\u00fassia, que se converter\u00e1, e ser\u00e1 consedido ao mundo algum tempo de paz.<\/p>\n<p>TERCEIRA PARTE DO \u00ab SEGREDO \u00bb<\/p>\n<p>(texto original)<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.vatican.va\/roman_curia\/congregations\/cfaith\/img\/Fotog-tr.gif\" alt=\"\" width=\"491\" height=\"648\" border=\"0\" \/><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.vatican.va\/roman_curia\/congregations\/cfaith\/img\/Fotoh-tr.gif\" alt=\"\" width=\"492\" height=\"716\" border=\"0\" \/><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.vatican.va\/roman_curia\/congregations\/cfaith\/img\/Fotoi-tr.gif\" alt=\"\" width=\"494\" height=\"728\" border=\"0\" \/><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.vatican.va\/roman_curia\/congregations\/cfaith\/img\/Fotoj-tr.gif\" alt=\"\" width=\"491\" height=\"722\" border=\"0\" \/><\/p>\n<p>(transcri\u00e7\u00e3o)<\/p>\n<p>\u00ab J.M.J.<\/p>\n<p>A terceira parte do segredo revelado a 13 de Julho de 1917 na Cova da Iria-F\u00e1tima.<\/p>\n<p>Escrevo em acto de obedi\u00eancia a V\u00f3s Deus meu, que mo mandais por meio de sua Ex.cia Rev.ma o Senhor Bispo de Leiria e da Vossa e minha Sant\u00edssima M\u00e3e.<\/p>\n<p>Depois das duas partes que j\u00e1 expus, vimos ao lado esquerdo de Nossa Senhora um pouco mais alto um Anjo com uma espada de f\u00f4go em a m\u00e3o esquerda; ao centilar, despedia chamas que parecia iam encendiar o mundo; mas apagavam-se com o contacto do brilho que da m\u00e3o direita expedia Nossa Senhora ao seu encontro: O Anjo apontando com a m\u00e3o direita para a terra, com voz forte disse: <span style=\"text-decoration: underline\">Penit\u00eancia<\/span>, <span style=\"text-decoration: underline\">Penit\u00eancia<\/span>, <span style=\"text-decoration: underline\">Penit\u00eancia<\/span>! E vimos n&#8217;uma luz emensa que \u00e9 Deus: \u201calgo semelhante a como se v\u00eaem as pessoas n&#8217;um espelho quando lhe passam por diante\u201d um Bispo vestido de Branco \u201ctivemos o pressentimento de que era o Santo Padre\u201d. Varios outros Bispos, Sacerdotes, religiosos e religiosas subir uma escabrosa montanha, no cimo da qual estava uma grande Cruz de troncos toscos como se f\u00f4ra de sobreiro com a casca; o Santo Padre, antes de chegar a\u00ed, atravessou uma grande cidade meia em ru\u00ednas, e meio tr\u00e9mulo com andar vacilante, acabrunhado de d\u00f4r e pena, ia orando pelas almas dos cad\u00e1veres que encontrava pelo caminho; chegado ao cimo do monte, prostrado de juelhos aos p\u00e9s da grande Cruz foi morto por um grupo de soldados que lhe dispararam varios tiros e setas, e assim mesmo foram morrendo uns tr\u00e1s outros os Bispos Sacerdotes, religiosos e religiosas e varias pessoas seculares, cavalheiros e senhoras de varias classes e posi\u00e7\u00f5es. Sob os dois bra\u00e7os da Cruz estavam dois Anjos cada um com um regador de cristal em a m\u00e3o, n&#8217;\u00eales recolhiam o sangue dos Martires e com \u00eale regavam as almas que se aproximavam de Deus.<\/p>\n<p>Tuy-3-1-1944 \u00bb.<\/p>\n<p>INTERPRETA\u00c7\u00c3O DO \u00ab SEGREDO \u00bb<\/p>\n<p>CARTA DE JO\u00c3O PAULO II<\/p>\n<p>\u00c0 IRM\u00c3 L\u00daCIA<\/p>\n<p>(texto original)<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.vatican.va\/roman_curia\/congregations\/cfaith\/img\/Fotok-tr.gif\" alt=\"\" width=\"485\" height=\"622\" border=\"0\" \/><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.vatican.va\/roman_curia\/congregations\/cfaith\/img\/Fotol-tr.gif\" alt=\"\" width=\"497\" height=\"734\" border=\"0\" \/><\/p>\n<p>COL\u00d3QUIO<\/p>\n<p>COM A IRM\u00c3 MARIA L\u00daCIA DE JESUS<\/p>\n<p>O encontro da Irm\u00e3 L\u00facia com Sua Ex.cia Rev.ma D. Tarcisio Bertone, Secret\u00e1rio da Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9, por encargo recebido do Santo Padre, e Sua Ex.cia Rev.ma D. Serafim de Sousa Ferreira e Silva, Bispo de Leiria-F\u00e1tima, teve lugar a 27 de Abril passado (uma quinta-feira), no Carmelo de Santa Teresa em Coimbra.<\/p>\n<p>A Irm\u00e3 L\u00facia estava l\u00facida e calma, dizendo-se muito feliz com a ida do Santo Padre a F\u00e1tima para a Beatifica\u00e7\u00e3o de Francisco e Jacinta, h\u00e1 muito desejada por ela.<\/p>\n<p>O Bispo de Leiria-F\u00e1tima leu a carta aut\u00f3grafa do Santo Padre, que explicava os motivos da visita. A Irm\u00e3 L\u00facia disse sentir-se muito honrada, e releu pessoalmente a carta comprazendo-se por v\u00ea-la nas suas pr\u00f3prias m\u00e3os. Declarou-se disposta a responder francamente a todas as perguntas.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, o Senhor D. Tarcisio Bertone apresenta-lhe dois envelopes: um exterior que tinha dentro outro com a carta onde estava a terceira parte do \u00ab segredo \u00bb de F\u00e1tima. Tocando esta segunda com os dedos, logo exclamou: \u00ab \u00c9 a minha carta \u00bb, e, depois de a ler, acrescentou: \u00ab \u00c9 a minha letra \u00bb.<\/p>\n<p>Com o aux\u00edlio do Bispo de Leiria-F\u00e1tima, foi lido e interpretado o texto original, que \u00e9 em l\u00edngua portuguesa. A Irm\u00e3 L\u00facia concorda com a interpreta\u00e7\u00e3o segundo a qual a terceira parte do \u00ab segredo \u00bb consiste numa vis\u00e3o prof\u00e9tica, compar\u00e1vel \u00e0s da hist\u00f3ria sagrada. Ela reafirma a sua convic\u00e7\u00e3o de que a vis\u00e3o de F\u00e1tima se refere sobretudo \u00e0 luta do comunismo ateu contra a Igreja e os crist\u00e3os, e descreve o imane sofrimento das v\u00edtimas da f\u00e9 no s\u00e9culo XX.<\/p>\n<p>\u00c0 pergunta: \u00ab A personagem principal da vis\u00e3o \u00e9 o Papa? \u00bb, a Irm\u00e3 L\u00facia responde imediatamente que sim e recorda como os tr\u00eas pastorinhos sentiam muita pena pelo sofrimento do Papa e Jacinta repetia: \u00ab Coitadinho do Santo Padre. Tenho muita pena dos pecadores! \u00bb A Irm\u00e3 L\u00facia continua: \u00ab N\u00e3o sab\u00edamos o nome do Papa; Nossa Senhora n\u00e3o nos disse o nome do Papa. N\u00e3o sab\u00edamos se era Bento XV, Pio XII, Paulo VI ou Jo\u00e3o Paulo II, mas que era o Papa que sofria e isso fazia-nos sofrer a n\u00f3s tamb\u00e9m \u00bb.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 passagem relativa ao Bispo vestido de branco, isto \u00e9, ao Santo Padre \u2014 como logo perceberam os pastorinhos durante a \u00ab vis\u00e3o \u00bb \u2014 que \u00e9 ferido de morte e cai por terra, a irm\u00e3 L\u00facia concorda plenamente com a afirma\u00e7\u00e3o do Papa: \u00ab Foi uma m\u00e3o materna que guiou a traject\u00f3ria da bala e o Santo Padre agonizante deteve-se no limiar da morte \u00bb (Jo\u00e3o Paulo II, <em>Medita\u00e7\u00e3o com os Bispos Italianos, a partir da Policl\u00ednica Gemelli<\/em>, 13 de Maio de 1994).<\/p>\n<p>Uma vez que a Irm\u00e3 L\u00facia, antes de entregar ao Bispo de Leiria-F\u00e1tima de ent\u00e3o o envelope selado com a terceira parte do \u00ab segredo \u00bb, tinha escrito no envelope exterior que podia ser aberto somente depois de 1960 pelo Patriarca de Lisboa ou pelo Bispo de Leiria, o Senhor D. Bertone pergunta-lhe: \u00ab Porqu\u00ea o limite de 1960? Foi Nossa Senhora que indicou aquela data? \u00bb.Resposta da Irm\u00e3 L\u00facia: \u00ab N\u00e3o foi Nossa Senhora; fui eu que meti a data de 1960 porque, segundo intui\u00e7\u00e3o minha, antes de 1960 n\u00e3o se perceberia, compreender-se-ia somente depois. Agora pode-se compreender melhor. Eu escrevi o que vi; n\u00e3o compete a mim a interpreta\u00e7\u00e3o, mas ao Papa \u00bb.<\/p>\n<p>Por \u00faltimo, alude-se ao manuscrito, n\u00e3o publicado, que a Irm\u00e3 L\u00facia preparou para dar resposta a tantas cartas de devotos e peregrinos de Nossa Senhora. A obra intitula-se \u00ab Os apelos da Mensagem de F\u00e1tima \u00bb, e cont\u00e9m pensamentos e reflex\u00f5es que exprimem, em chave catequ\u00e9tica e paren\u00e9tica, os seus sentimentos e espiritualidade c\u00e2ndida e simples. Perguntou-se-lhe se gostava que fosse publicado, ao que a Irm\u00e3 L\u00facia respondeu: \u00ab Se o Santo Padre estiver de acordo, eu fico contente; caso contr\u00e1rio, obede\u00e7o \u00e0quilo que decidir o Santo Padre \u00bb. A Irm\u00e3 L\u00facia deseja sujeitar o texto \u00e0 aprova\u00e7\u00e3o da Autoridade Eclesi\u00e1stica, esperando que o seu escrito possa contribuir para guiar os homens e mulheres de boa vontade no caminho que conduz a Deus, meta \u00faltima de todo o anseio humano.<\/p>\n<p>O col\u00f3quio termina com uma troca de ter\u00e7os: \u00e0 Irm\u00e3 L\u00facia foi dado o ter\u00e7o oferecido pelo Santo Padre, e ela, por sua vez, entrega alguns ter\u00e7os confeccionados pessoalmente por ela.<\/p>\n<p>A B\u00ean\u00e7\u00e3o, concedida em nome do Santo Padre, concluiu o encontro.<\/p>\n<p>COMUNICA\u00c7\u00c3O DE SUA EMIN\u00caNCIA<br \/>\nO CARD. \u00c2NGELO SODANO<br \/>\nSECRET\u00c1RIO DE ESTADO DE SUA SANTIDADE<\/p>\n<p><em>No final da solene Concelebra\u00e7\u00e3o Eucar\u00edstica presidida por Jo\u00e3o Paulo II em F\u00e1tima, o Cardeal \u00c2ngelo Sodano, Secret\u00e1rio de Estado, pronunciou em portugu\u00eas as palavras seguintes<\/em>:<\/p>\n<p>Irm\u00e3os e irm\u00e3s no Senhor!<\/p>\n<p>No termo desta solene celebra\u00e7\u00e3o, sinto o dever de apresentar ao nosso amado Santo Padre Jo\u00e3o Paulo II os votos mais cordiais de todos os presentes pelo seu pr\u00f3ximo octog\u00e9simo anivers\u00e1rio natal\u00edcio, agradecidos pelo seu precioso minist\u00e9rio pastoral em benef\u00edcio de toda a Santa Igreja de Deus.<\/p>\n<p>Na circunst\u00e2ncia solene da sua vinda a F\u00e1tima, o Sumo Pont\u00edfice incumbiu-me de vos comunicar uma not\u00edcia. Como \u00e9 sabido, a finalidade da vinda do Santo Padre a F\u00e1tima \u00e9 a beatifica\u00e7\u00e3o dos dois Pastorinhos. Contudo Ele quer dar a esta sua peregrina\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m o valor de um renovado preito de gratid\u00e3o a Nossa Senhora pela protec\u00e7\u00e3o que Ela Lhe tem concedido durante estes anos de pontificado. \u00c9 uma protec\u00e7\u00e3o que parece ter a ver tamb\u00e9m com a chamada terceira parte do \u00ab segredo \u00bb de F\u00e1tima.<\/p>\n<p>Tal texto constitui uma vis\u00e3o prof\u00e9tica compar\u00e1vel \u00e0s da Sagrada Escritura, que n\u00e3o descrevem de forma fotogr\u00e1fica os detalhes dos acontecimentos futuros, mas sintetizam e condensam sobre a mesma linha de fundo factos que se prolongam no tempo numa sucess\u00e3o e dura\u00e7\u00e3o n\u00e3o especificadas. Em consequ\u00eancia, a chave de leitura do texto s\u00f3 pode ser <em>de car\u00e1cter simb\u00f3lico<\/em>.<\/p>\n<p>A vis\u00e3o de F\u00e1tima refere-se sobretudo \u00e0 luta dos sistemas ateus contra a Igreja e os crist\u00e3os e descreve o sofrimento imane das testemunhas da f\u00e9 do \u00faltimo s\u00e9culo do segundo mil\u00e9nio. \u00c9 uma <em>Via Sacra<\/em> sem fim, guiada pelos Papas do s\u00e9culo vinte.<\/p>\n<p>Segundo a interpreta\u00e7\u00e3o dos pastorinhos, interpreta\u00e7\u00e3o confirmada ainda recentemente pela Irm\u00e3 L\u00facia, o \u00ab Bispo vestido de branco \u00bb que reza por todos os fi\u00e9is \u00e9 o Papa. Tamb\u00e9m Ele, caminhando penosamente para a Cruz por entre os cad\u00e1veres dos martirizados (bispos, sacerdotes, religiosos, religiosas e v\u00e1rias pessoas seculares), cai por terra como morto sob os tiros de uma arma de fogo.<\/p>\n<p>Depois do atentado de 13 de Maio de 1981, pareceu claramente a Sua Santidade que foi \u00ab uma m\u00e3o materna a guiar a traject\u00f3ria da bala \u00bb, permitindo que o \u00ab Papa agonizante \u00bb se detivesse \u00ab no limiar da morte \u00bb [Jo\u00e3o Paulo II, <em>Medita\u00e7\u00e3o com os Bispos Italianos, a partir da Policl\u00ednica Gemelli<\/em>, em: <em>\u00a0Insegnamenti di Giovanni Paolo II<\/em>, XVII-1 (Citt\u00e0 del Vaticano 1994), 1061]. Certa ocasi\u00e3o em que o Bispo de Leiria-F\u00e1tima de ent\u00e3o passara por Roma, o Papa decidiu entregar-lhe a bala que tinha ficado no <em>jeep<\/em> depois do atentado, para ser guardada no Santu\u00e1rio. Por iniciativa do Bispo, essa bala foi depois encastoada na coroa da imagem de Nossa Senhora de F\u00e1tima.<\/p>\n<p>Depois, os acontecimentos de 1989 levaram, quer na Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica quer em numerosos Pa\u00edses do Leste, \u00e0 queda do regime comunista que propugnava o ate\u00edsmo. O Sumo Pont\u00edfice agradece do fundo do cora\u00e7\u00e3o \u00e0 Virgem Sant\u00edssima tamb\u00e9m por isso. Mas, noutras partes do mundo, os ataques contra a Igreja e os crist\u00e3os, com a carga de sofrimento que eles provocam, infelizmente n\u00e3o cessaram. Embora os acontecimentos a que faz refer\u00eancia a terceira parte do \u00ab segredo \u00bb de F\u00e1tima pare\u00e7am pertencer j\u00e1 ao passado, o apelo \u00e0 convers\u00e3o e \u00e0 penit\u00eancia, manifestado por Nossa Senhora ao in\u00edcio do s\u00e9culo vinte, conserva ainda hoje uma estimulante actualidade. \u00ab A Senhora da Mensagem parece ler com uma perspic\u00e1cia singular os sinais dos tempos, os sinais do nosso tempo. (&#8230;) O convite insistente de Maria Sant\u00edssima \u00e0 penit\u00eancia n\u00e3o \u00e9 sen\u00e3o a manifesta\u00e7\u00e3o da sua solicitude materna pelos destinos da fam\u00edlia humana, necessitada de convers\u00e3o e de perd\u00e3o \u00bb [Jo\u00e3o Paulo II, <em>Mensagem para o Dia Mundial do Doente &#8211; 1997<\/em>, n. 1, em: <em>Insegnamenti di Giovanni Paolo II<\/em>, XIX\u20112 (Citt\u00e0 del Vaticano 1996), 561].<\/p>\n<p>Para consentir que os fi\u00e9is recebam melhor a mensagem da Virgem de F\u00e1tima, o Papa confiou \u00e0 Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9 o encargo de tornar p\u00fablica a terceira parte do \u00ab segredo \u00bb, depois de lhe ter preparado um adequado coment\u00e1rio.<\/p>\n<p>Irm\u00e3os e irm\u00e3s, damos gra\u00e7as a Nossa Senhora de F\u00e1tima pela sua protec\u00e7\u00e3o. Confiamos \u00e0 sua materna intercess\u00e3o a Igreja do Terceiro Mil\u00e9nio.<\/p>\n<p><em>\u00a0\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Sub tuum pr\u00e6sidium confugimus, Sancta Dei Genetrix! Intercede pro Ecclesia. Intercede pro Papa nostro Ioanne Paulo II. Amen.<\/em><\/p>\n<p>F\u00e1tima, 13 de Maio de 2000.<\/p>\n<p>COMENT\u00c1RIO TEOL\u00d3GICO<\/p>\n<p>Quem l\u00ea com aten\u00e7\u00e3o o texto do chamado terceiro \u00ab segredo \u00bb de F\u00e1tima, que depois de longo tempo, por disposi\u00e7\u00e3o do Santo Padre, \u00e9 aqui publicado integralmente, ficar\u00e1 presumivelmente desiludido ou maravilhado depois de todas as especula\u00e7\u00f5es que foram feitas. N\u00e3o \u00e9 revelado nenhum grande mist\u00e9rio; o v\u00e9u do futuro n\u00e3o \u00e9 rasgado. Vemos a Igreja dos m\u00e1rtires deste s\u00e9culo que est\u00e1 para findar, representada atrav\u00e9s duma cena descrita numa linguagem simb\u00f3lica de dif\u00edcil decifra\u00e7\u00e3o. \u00c9 isto o que a M\u00e3e do Senhor queria comunicar \u00e0 cristandade, \u00e0 humanidade num tempo de grandes problemas e ang\u00fastias? Serve-nos de ajuda no in\u00edcio do novo mil\u00e9nio? Ou n\u00e3o ser\u00e3o talvez apenas projec\u00e7\u00f5es do mundo interior de crian\u00e7as, crescidas num ambiente de profunda piedade, mas simultaneamente assustadas pelas tempestades que amea\u00e7avam o seu tempo? Como devemos entender a vis\u00e3o, o que pensar dela?<\/p>\n<p><strong>Revela\u00e7\u00e3o p\u00fablica e revela\u00e7\u00f5es privadas \u2013 o seu lugar teol\u00f3gico\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Antes de encetar uma tentativa de interpreta\u00e7\u00e3o, cujas linhas essenciais podem encontrar-se na comunica\u00e7\u00e3o que o Cardeal Sodano pronunciou, no dia 13 de Maio deste ano, no fim da Celebra\u00e7\u00e3o Eucar\u00edstica presidida pelo Santo Padre em F\u00e1tima, \u00e9 necess\u00e1rio dar alguns esclarecimentos b\u00e1sicos sobre o modo como, segundo a doutrina da Igreja, devem ser compreendidos no \u00e2mbito da vida de f\u00e9 fen\u00f3menos como o de F\u00e1tima. A doutrina da Igreja distingue \u00ab revela\u00e7\u00e3o p\u00fablica \u00bb e \u00ab revela\u00e7\u00f5es privadas \u00bb; entre as duas realidades existe uma diferen\u00e7a essencial, e n\u00e3o apenas de grau. A no\u00e7\u00e3o \u00ab revela\u00e7\u00e3o p\u00fablica \u00bb designa a ac\u00e7\u00e3o reveladora de Deus que se destina \u00e0 humanidade inteira e est\u00e1 expressa literariamente nas duas partes da B\u00edblia: o Antigo e o Novo Testamento. Chama-se \u00ab revela\u00e7\u00e3o \u00bb, porque nela Deus Se foi dando a conhecer progressivamente aos homens, at\u00e9 ao ponto de Ele mesmo Se tornar homem, para atrair e reunir em Si pr\u00f3prio o mundo inteiro por meio do Filho encarnado, Jesus Cristo. N\u00e3o se trata, portanto, de comunica\u00e7\u00f5es intelectuais, mas de um processo vital em que Deus Se aproxima do homem; naturalmente nesse processo, depois aparecem tamb\u00e9m conte\u00fados que t\u00eam a ver com a intelig\u00eancia e a compreens\u00e3o do mist\u00e9rio de Deus. Tal processo envolve o homem inteiro e, por conseguinte, tamb\u00e9m a raz\u00e3o, mas n\u00e3o s\u00f3 ela. Uma vez que Deus \u00e9 um s\u00f3, tamb\u00e9m a hist\u00f3ria que Ele vive com a humanidade \u00e9 \u00fanica, vale para todos os tempos e encontrou a sua plenitude com a vida, morte e ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo. Por outras palavras, em Cristo Deus disse tudo de Si mesmo, e portanto a revela\u00e7\u00e3o ficou conclu\u00edda com a realiza\u00e7\u00e3o do mist\u00e9rio de Cristo, expresso no Novo Testamento. O <em>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/em>, para explicar este car\u00e1cter definitivo e pleno da revela\u00e7\u00e3o, cita o seguinte texto de S. Jo\u00e3o da Cruz: \u00ab Ao dar-nos, como nos deu, o seu Filho, que \u00e9 a sua Palavra \u2014 e n\u00e3o tem outra \u2014, Deus disse-nos tudo ao mesmo tempo e de uma s\u00f3 vez nesta Palavra \u00fanica (&#8230;) porque o que antes disse parcialmente pelos profetas, revelou-o totalmente, dando-nos o Todo que \u00e9 o seu Filho. E por isso, quem agora quisesse consultar a Deus ou pedir-Lhe alguma vis\u00e3o ou revela\u00e7\u00e3o, n\u00e3o s\u00f3 cometeria um disparate, mas faria agravo a Deus, por n\u00e3o p\u00f4r os olhos totalmente em Cristo e buscar fora d&#8217;Ele outra realidade ou novidade \u00bb (<em>CIC<\/em>, n. 65; S. Jo\u00e3o da Cruz, <em>A Subida do Monte Carmelo<\/em>, II, 22).<\/p>\n<p>O facto de a \u00fanica revela\u00e7\u00e3o de Deus destinada a todos os povos ter ficado conclu\u00edda com Cristo e o testemunho que d&#8217;Ele nos d\u00e3o os livros do Novo Testamento vincula a Igreja com o acontecimento \u00fanico que \u00e9 a hist\u00f3ria sagrada e a palavra da B\u00edblia, que garante e interpreta tal acontecimento, mas n\u00e3o significa que agora a Igreja pode apenas olhar para o passado, ficando assim condenada a uma est\u00e9ril repeti\u00e7\u00e3o. Eis o que diz o <em>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/em>: \u00ab No entanto, apesar de a Revela\u00e7\u00e3o ter acabado, n\u00e3o quer dizer que esteja completamente explicitada. E est\u00e1 reservado \u00e0 f\u00e9 crist\u00e3 apreender gradualmente todo o seu alcance no decorrer dos s\u00e9culos \u00bb (n. 66). Estes dois aspectos \u2014 o v\u00ednculo com a unicidade do acontecimento e o progresso na sua compreens\u00e3o \u2014 est\u00e3o optimamente ilustrados nos discursos de despedida do Senhor, quando Ele declara aos disc\u00edpulos: \u00ab Ainda tenho muitas coisas para vos dizer, mas n\u00e3o as podeis suportar agora. Quando vier o Esp\u00edrito da Verdade, Ele guiar-vos-\u00e1 para a verdade total, porque n\u00e3o falar\u00e1 de Si mesmo (&#8230;) Ele glorificar-Me-\u00e1, porque h\u00e1-de receber do que \u00e9 meu, para vo-lo anunciar \u00bb (<em>Jo<\/em> 16, 12-14). Por um lado, o Esp\u00edrito serve de guia, desvendando assim um conhecimento cuja densidade n\u00e3o se podia alcan\u00e7ar antes porque faltava o pressuposto, ou seja, o da amplid\u00e3o e profundidade da f\u00e9 crist\u00e3, e que \u00e9 tal que n\u00e3o estar\u00e1 conclu\u00edda jamais. Por outro lado, esse acto de guiar \u00e9 \u00ab receber \u00bb do tesouro do pr\u00f3prio Jesus Cristo, cuja profundidade inexaur\u00edvel se manifesta nesta condu\u00e7\u00e3o por obra do Esp\u00edrito. A prop\u00f3sito disto, o <em>Catecismo<\/em> cita uma densa frase do Papa Greg\u00f3rio Magno: \u00ab As palavras divinas crescem com quem as l\u00ea \u00bb (<em>CIC<\/em>, n. 94; S. Greg\u00f3rio Magno, <em>Homilia sobre Ezequiel<\/em> 1, 7, 8). O Conc\u00edlio Vaticano II indica tr\u00eas caminhos essenciais, atrav\u00e9s dos quais o Esp\u00edrito Santo efectua a sua guia da Igreja e, consequentemente, o \u00ab crescimento da Palavra \u00bb: realiza\u2011se por meio da medita\u00e7\u00e3o e estudo dos fi\u00e9is, por meio da \u00edntima intelig\u00eancia que experimentam das coisas espirituais, e por meio da prega\u00e7\u00e3o daqueles \u00ab que, com a sucess\u00e3o do episcopado, receberam o carisma da verdade \u00bb (<em>Dei Verbum<\/em>, n. 8).<\/p>\n<p>Neste contexto, torna-se agora poss\u00edvel compreender correctamente o conceito de \u00ab revela\u00e7\u00e3o privada \u00bb, que se aplica a todas as vis\u00f5es e revela\u00e7\u00f5es verificadas depois da conclus\u00e3o do Novo Testamento; nesta categoria, portanto, se deve colocar a mensagem de F\u00e1tima. Ou\u00e7amos o que diz o <em>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/em> sobre isto tamb\u00e9m: \u00ab No decurso dos s\u00e9culos tem havido revela\u00e7\u00f5es ditas \u201cprivadas\u201d, algumas das quais foram reconhecidas pela autoridade da Igreja. (&#8230;) O seu papel n\u00e3o \u00e9 (&#8230;) \u201ccompletar\u201d a Revela\u00e7\u00e3o definitiva de Cristo, mas ajudar a viv\u00ea-la mais plenamente numa determinada \u00e9poca da hist\u00f3ria \u00bb (n. 67). Isto deixa claro duas coisas:<\/p>\n<p>1. A autoridade das revela\u00e7\u00f5es privadas \u00e9 essencialmente diversa da \u00fanica revela\u00e7\u00e3o p\u00fablica: esta exige a nossa f\u00e9; de facto, nela, \u00e9 o pr\u00f3prio Deus que nos fala por meio de palavras humanas e da media\u00e7\u00e3o da comunidade viva da Igreja. A f\u00e9 em Deus e na sua Palavra \u00e9 distinta de qualquer outra f\u00e9, cren\u00e7a, opini\u00e3o humana. A certeza de que \u00e9 Deus que fala, cria em mim a seguran\u00e7a de encontrar a pr\u00f3pria verdade; uma certeza assim n\u00e3o se pode verificar em mais nenhuma forma humana de conhecimento. \u00c9 sobre tal certeza que edifico a minha vida e me entrego ao morrer.<\/p>\n<p>2. A revela\u00e7\u00e3o privada \u00e9 um aux\u00edlio para esta f\u00e9, e manifesta-se cred\u00edvel precisamente porque faz apelo \u00e0 \u00fanica revela\u00e7\u00e3o p\u00fablica. O Cardeal Pr\u00f3spero Lambertini, mais tarde Papa Bento XIV, afirma a tal prop\u00f3sito num tratado cl\u00e1ssico, que se tornou normativo a prop\u00f3sito das beatifica\u00e7\u00f5es e canoniza\u00e7\u00f5es: \u00ab A tais revela\u00e7\u00f5es aprovadas n\u00e3o \u00e9 devida uma ades\u00e3o de f\u00e9 cat\u00f3lica; nem isso \u00e9 poss\u00edvel. Estas revela\u00e7\u00f5es requerem, antes, uma ades\u00e3o de f\u00e9 humana ditada pelas regras da prud\u00eancia, que no-las apresentam como prov\u00e1veis e religiosamente cred\u00edveis \u00bb. O te\u00f3logo flamengo E. Dhanis, eminente conhecedor desta mat\u00e9ria, afirma sinteticamente que a aprova\u00e7\u00e3o eclesial duma revela\u00e7\u00e3o privada cont\u00e9m tr\u00eas elementos: que a respectiva mensagem n\u00e3o cont\u00e9m nada em contraste com a f\u00e9 e os bons costumes, que \u00e9 l\u00edcito torn\u00e1-la p\u00fablica, e que os fi\u00e9is ficam autorizados a prestar-lhe de forma prudente a sua ades\u00e3o [E. Dhanis, <em>Sguardo su Fatima e bilancio di una discussione<\/em>, em: <em>La Civilt\u00e0 Cattolica<\/em>, CIV (1953-II), 392-406, especialmente 397]. Tal mensagem pode ser um v\u00e1lido aux\u00edlio para compreender e viver melhor o Evangelho na hora actual; por isso, n\u00e3o se deve transcurar. \u00c9 uma ajuda que \u00e9 oferecida, mas n\u00e3o \u00e9 obrigat\u00f3rio fazer uso dela.<\/p>\n<p>Assim, o crit\u00e9rio para medir a verdade e o valor duma revela\u00e7\u00e3o privada \u00e9 a sua orienta\u00e7\u00e3o para o pr\u00f3prio Cristo. Quando se afasta d&#8217;Ele, quando se torna aut\u00f3noma ou at\u00e9 se faz passar por outro des\u00edgnio de salva\u00e7\u00e3o, melhor e mais importante que o Evangelho, ent\u00e3o ela certamente n\u00e3o prov\u00e9m do Esp\u00edrito Santo, que nos guia no \u00e2mbito do Evangelho e n\u00e3o fora dele. Isto n\u00e3o exclui que uma revela\u00e7\u00e3o privada realce novos aspectos, fa\u00e7a surgir formas de piedade novas ou aprofunde e divulgue antigas. Mas, em tudo isso, deve tratar-se sempre de um alimento para a f\u00e9, a esperan\u00e7a e a caridade, que s\u00e3o, para todos, o caminho permanente da salva\u00e7\u00e3o. Podemos acrescentar que frequentemente as revela\u00e7\u00f5es privadas prov\u00eam da piedade popular e nela se reflectem, dando-lhe novo impulso e suscitando formas novas. Isto n\u00e3o exclui que aquelas tenham influ\u00eancia tamb\u00e9m na pr\u00f3pria liturgia, como o demonstram por exemplo a festa do Corpo de Deus e a do Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus. Numa determinada perspectiva, pode-se afirmar que, na rela\u00e7\u00e3o entre liturgia e piedade popular, est\u00e1 delineada a rela\u00e7\u00e3o entre revela\u00e7\u00e3o p\u00fablica e revela\u00e7\u00f5es privadas: a liturgia \u00e9 o crit\u00e9rio, a forma vital da Igreja no seu conjunto alimentada directamente pelo Evangelho. A religiosidade popular significa que a f\u00e9 cria ra\u00edzes no cora\u00e7\u00e3o dos diversos povos, entrando a fazer parte do mundo da vida quotidiana. A religiosidade popular \u00e9 a primeira e fundamental forma de \u00ab incultura\u00e7\u00e3o \u00bb da f\u00e9, que deve continuamente deixar-se orientar e guiar pelas indica\u00e7\u00f5es da liturgia, mas que, por sua vez, a fecunda a partir do cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Desta forma, pass\u00e1mos j\u00e1 das especifica\u00e7\u00f5es mais negativas, e que eram primariamente necess\u00e1rias, \u00e0 defini\u00e7\u00e3o positiva das revela\u00e7\u00f5es privadas: Como podem classificar-se de modo correcto a partir da Escritura? Qual \u00e9 a sua categoria teol\u00f3gica? A carta mais antiga de S. Paulo que nos foi conservada e que \u00e9 tamb\u00e9m o mais antigo escrito do Novo Testamento, a primeira Carta aos Tessalonicenses, parece-me oferecer uma indica\u00e7\u00e3o. L\u00e1, diz o Ap\u00f3stolo: \u00ab N\u00e3o extingais o Esp\u00edrito, n\u00e3o desprezeis as profecias. Examinai tudo e retende o que for bom \u00bb (5, 19-21). Em todo o tempo \u00e9 dado \u00e0 Igreja o carisma da profecia, que, embora tenha de ser examinado, n\u00e3o pode ser desprezado. A este prop\u00f3sito, \u00e9 preciso ter presente que a profecia, no sentido da B\u00edblia, n\u00e3o significa predizer o futuro, mas aplicar a vontade de Deus ao tempo presente e consequentemente mostrar o recto caminho do futuro. Aquele que prediz o futuro pretende satisfazer a curiosidade da raz\u00e3o, que deseja rasgar o v\u00e9u que esconde o futuro; o profeta vem em ajuda da cegueira da vontade e do pensamento, ilustrando a vontade de Deus enquanto exig\u00eancia e indica\u00e7\u00e3o para o presente. Neste caso, a predi\u00e7\u00e3o do futuro tem uma import\u00e2ncia secund\u00e1ria; o essencial \u00e9 a actualiza\u00e7\u00e3o da \u00fanica revela\u00e7\u00e3o, que me diz respeito profundamente: a palavra prof\u00e9tica ora \u00e9 advert\u00eancia ora consola\u00e7\u00e3o, ou ent\u00e3o as duas coisas ao mesmo tempo. Neste sentido, pode-se relacionar o carisma da profecia com a no\u00e7\u00e3o \u00ab sinais do tempo \u00bb, redescoberta pelo Vaticano II: \u00ab Sabeis interpretar o aspecto da terra e do c\u00e9u; como \u00e9 que n\u00e3o sabeis interpretar o tempo presente? \u00bb (<em>Lc<\/em> 12, 56). Por \u00ab sinais do tempo \u00bb, nesta palavra de Jesus, deve-se entender o seu pr\u00f3prio caminho, Ele mesmo. Interpretar os sinais do tempo \u00e0 luz da f\u00e9 significa reconhecer a presen\u00e7a de Cristo em cada per\u00edodo de tempo. Nas revela\u00e7\u00f5es privadas reconhecidas pela Igreja \u2014 e portanto na de F\u00e1tima \u2014, trata-se disto mesmo: ajudar-nos a compreender os sinais do tempo e a encontrar na f\u00e9 a justa resposta para os mesmos.<\/p>\n<p><strong>A estrutura antropol\u00f3gica das revela\u00e7\u00f5es privadas\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Tendo n\u00f3s procurado, com estas reflex\u00f5es, determinar o lugar teol\u00f3gico das revela\u00e7\u00f5es privadas, devemos agora, ainda antes de nos lan\u00e7armos numa interpreta\u00e7\u00e3o da mensagem de F\u00e1tima, esclarecer, embora brevemente, o seu car\u00e1cter antropol\u00f3gico (psicol\u00f3gico). A antropologia teol\u00f3gica distingue, neste \u00e2mbito, tr\u00eas formas de percep\u00e7\u00e3o ou \u00ab vis\u00e3o \u00bb: a vis\u00e3o pelos sentidos, ou seja, a percep\u00e7\u00e3o externa corp\u00f3rea; a percep\u00e7\u00e3o interior; e a vis\u00e3o espiritual (<em>visio sensibilis<\/em>, <em>imaginativa<\/em>, <em>intellectualis<\/em>). \u00c9 claro que, nas vis\u00f5es de Lourdes, F\u00e1tima, etc, n\u00e3o se trata da percep\u00e7\u00e3o externa normal dos sentidos: as imagens e as figuras vistas n\u00e3o se encontram fora no espa\u00e7o circundante, como est\u00e1 l\u00e1, por exemplo, uma \u00e1rvore ou uma casa. Isto \u00e9 bem evidente, por exemplo, no caso da vis\u00e3o do inferno (descrita na primeira parte do \u00ab segredo \u00bb de F\u00e1tima) ou ent\u00e3o na vis\u00e3o descrita na terceira parte do \u00ab segredo \u00bb, mas pode-se facilmente comprovar tamb\u00e9m noutras vis\u00f5es, sobretudo porque n\u00e3o eram captadas por todos os presentes, mas apenas pelos \u00ab videntes \u00bb. De igual modo, \u00e9 claro que n\u00e3o se trata duma \u00ab vis\u00e3o \u00bb intelectual sem imagens, como acontece nos altos graus da m\u00edstica. Trata-se, portanto, da categoria interm\u00e9dia, a percep\u00e7\u00e3o interior que, para o vidente, tem uma for\u00e7a de presen\u00e7a tal que equivale \u00e0 manifesta\u00e7\u00e3o externa sens\u00edvel.<\/p>\n<p>Este ver interiormente n\u00e3o significa que se trata de fantasia, que seria apenas uma express\u00e3o da imagina\u00e7\u00e3o subjectiva. Significa, antes, que a alma recebe o toque suave de algo real mas que est\u00e1 para al\u00e9m do sens\u00edvel, tornando-a capaz de ver o n\u00e3o-sens\u00edvel, o n\u00e3o-vis\u00edvel aos sentidos: uma vis\u00e3o atrav\u00e9s dos \u00ab sentidos internos \u00bb. Trata<\/p>\n<p>Como dissemos, a \u00ab vis\u00e3o interior \u00bb n\u00e3o \u00e9 fantasia, mas uma verdadeira e pr\u00f3pria maneira de verifica\u00e7\u00e3o. F\u00e1-lo, por\u00e9m, com as limita\u00e7\u00f5es que lhe s\u00e3o pr\u00f3prias. Se, na vis\u00e3o exterior, j\u00e1 interfere o elemento subjectivo, isto \u00e9, n\u00e3o vemos o objecto puro mas este chega-nos atrav\u00e9s do filtro dos nossos sentidos que t\u00eam de operar um processo de tradu\u00e7\u00e3o; na vis\u00e3o interior, isso \u00e9 ainda mais claro, sobretudo quando se trata de realidades que por si mesmas ultrapassam o nosso horizonte. O sujeito, o vidente, tem uma influ\u00eancia ainda mais forte; v\u00ea segundo as pr\u00f3prias capacidades concretas, com as modalidades de representa\u00e7\u00e3o e conhecimento que lhe s\u00e3o acess\u00edveis. Na vis\u00e3o interior, h\u00e1, de maneira ainda mais acentuada que na exterior, um processo de tradu\u00e7\u00e3o, desempenhando o sujeito uma parte essencial na forma\u00e7\u00e3o da imagem daquilo que aparece. A imagem pode ser captada apenas segundo as suas medidas e possibilidades. Assim, tais vis\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o em caso algum a \u00ab fotografia \u00bb pura e simples do Al\u00e9m, mas trazem consigo tamb\u00e9m as possibilidades e limita\u00e7\u00f5es do sujeito que as apreende.<\/p>\n<p>Isto \u00e9 patente em todas as grandes vis\u00f5es dos Santos; naturalmente vale tamb\u00e9m para as vis\u00f5es dos pastorinhos de F\u00e1tima. As imagens por eles delineadas n\u00e3o s\u00e3o de modo algum mera express\u00e3o da sua fantasia, mas fruto duma percep\u00e7\u00e3o real de origem superior e \u00edntima; nem se h\u00e3o-de imaginar como se por um instante se tivesse erguido a ponta do v\u00e9u do Al\u00e9m, aparecendo o C\u00e9u na sua essencialidade pura, como esperamos v\u00ea-lo na uni\u00e3o definitiva com Deus. Poder-se-ia dizer que as imagens s\u00e3o uma s\u00edntese entre o impulso vindo do Alto e as possibilidades dispon\u00edveis para o efeito por parte do sujeito que as recebe, isto \u00e9, das crian\u00e7as. Por tal motivo, a linguagem feita de imagens destas vis\u00f5es \u00e9 uma linguagem simb\u00f3lica. Sobre isto, diz o Cardeal Sodano: \u00ab N\u00e3o descrevem de forma fotogr\u00e1fica os detalhes dos acontecimentos futuros, mas sintetizam e condensam sobre a mesma linha de fundo factos que se prolongam no tempo numa sucess\u00e3o e dura\u00e7\u00e3o n\u00e3o especificadas \u00bb. Esta sobreposi\u00e7\u00e3o de tempos e espa\u00e7os numa \u00fanica imagem \u00e9 t\u00edpica de tais vis\u00f5es, que, na sua maioria, s\u00f3 podem ser decifradas <em>a posteriori<\/em>. E n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio que cada elemento da vis\u00e3o tenha de possuir uma correspond\u00eancia hist\u00f3rica concreta. O que conta \u00e9 a vis\u00e3o como um todo, e a partir do conjunto das imagens \u00e9 que se devem compreender os detalhes. O que efectivamente constitui o centro duma imagem s\u00f3 pode ser desvendado, em \u00faltima an\u00e1lise, a partir do que \u00e9 o centro absoluto da \u00ab profecia \u00bb crist\u00e3: o centro \u00e9 o ponto onde a vis\u00e3o se torna apelo e indica\u00e7\u00e3o da vontade de Deus.<\/p>\n<p><strong>Uma tentativa de interpreta\u00e7\u00e3o do \u00ab segredo \u00bb de F\u00e1tima\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>A primeira e a segunda parte do \u00ab segredo \u00bb de F\u00e1tima foram j\u00e1 discutidas t\u00e3o amplamente por espec\u00edficas publica\u00e7\u00f5es, que n\u00e3o necessitam de ser ilustradas novamente aqui. Queria apenas chamar brevemente a aten\u00e7\u00e3o para o ponto mais significativo. Os pastorinhos experimentaram, durante um instante terr\u00edvel, uma vis\u00e3o do inferno. Viram a queda das \u00ab almas dos pobres pecadores \u00bb. Em seguida, foi-lhes dito o motivo pelo qual tiveram de passar por esse instante: para \u00ab salv\u00e1-las \u00bb \u2014 para mostrar um caminho de salva\u00e7\u00e3o. Isto faz-nos recordar uma frase da primeira Carta de Pedro que diz: \u00ab Estais certos de obter, como pr\u00e9mio da vossa f\u00e9, a salva\u00e7\u00e3o das almas \u00bb (1, 9). Como caminho para se chegar a tal objectivo, \u00e9 indicado de modo surpreendente para pessoas origin\u00e1rias do ambiente cultural anglo-sax\u00f3nico e germ\u00e2nico &#8211; a devo\u00e7\u00e3o ao Imaculado Cora\u00e7\u00e3o de Maria. Para compreender isto, deveria bastar uma breve explica\u00e7\u00e3o. O termo \u00ab cora\u00e7\u00e3o \u00bb, na linguagem da B\u00edblia, significa o centro da exist\u00eancia humana, uma conflu\u00eancia da raz\u00e3o, vontade, temperamento e sensibilidade, onde a pessoa encontra a sua unidade e orienta\u00e7\u00e3o interior. O \u00ab cora\u00e7\u00e3o imaculado \u00bb \u00e9, segundo o evangelho de Mateus (5, 8), um cora\u00e7\u00e3o que a partir de Deus chegou a uma perfeita unidade interior e, consequentemente, \u00ab v\u00ea a Deus \u00bb. Portanto, \u00ab devo\u00e7\u00e3o \u00bb ao Imaculado Cora\u00e7\u00e3o de Maria \u00e9 aproximar-se desta atitude do cora\u00e7\u00e3o, na qual o <em>fiat<\/em> \u2014 \u00ab seja feita a vossa vontade \u00bb \u2014 se torna o centro conformador de toda a exist\u00eancia. Se porventura algu\u00e9m objectasse que n\u00e3o se deve interpor um ser humano entre n\u00f3s e Cristo, lembre-se de que Paulo n\u00e3o tem medo de dizer \u00e0s suas comunidades: \u00ab Imitai-me \u00bb (cf. <em>1 Cor<\/em> 4, 16; <em>Fil <\/em>3, 17; <em>1 Tes<\/em> 1, 6; <em>2 Tes<\/em> 3, 7.9). No Ap\u00f3stolo, elas podem verificar concretamente o que significa seguir Cristo. Mas, com quem poderemos n\u00f3s aprender sempre melhor do que com a M\u00e3e do Senhor?<\/p>\n<p>Chegamos assim finalmente \u00e0 terceira parte do \u00ab segredo \u00bb de F\u00e1tima, publicado aqui pela primeira vez integralmente. Como resulta da documenta\u00e7\u00e3o anterior, a interpreta\u00e7\u00e3o dada pelo Cardeal Sodano, no seu texto do dia 13 de Maio, tinha antes sido apresentada pessoalmente \u00e0 Irm\u00e3 L\u00facia. A tal prop\u00f3sito, ela come\u00e7ou por observar que lhe foi dada a vis\u00e3o, mas n\u00e3o a sua interpreta\u00e7\u00e3o. A interpreta\u00e7\u00e3o, dizia, n\u00e3o compete ao vidente, mas \u00e0 Igreja. No entanto, depois da leitura do texto, a Irm\u00e3 L\u00facia disse que tal interpreta\u00e7\u00e3o corresponde \u00e0quilo que ela mesma tinha sentido e que, pela sua parte, reconhecia essa interpreta\u00e7\u00e3o como correcta. Sendo assim, limitar-nos-emos, naquilo que vem a seguir, a dar de forma profunda um fundamento \u00e0 referida interpreta\u00e7\u00e3o, partindo dos crit\u00e9rios anteriormente desenvolvidos.<\/p>\n<p>Do mesmo modo que t\u00ednhamos indentificado, como palavra-chave da primeira e segunda parte do \u00ab segredo \u00bb, a frase \u00ab salvar as almas \u00bb, assim agora a palavra-chave desta parte do \u00ab segredo \u00bb \u00e9 o tr\u00edplice grito: \u00ab Penit\u00eancia, Penit\u00eancia, Penit\u00eancia! \u00bb Volta-nos ao pensamento o in\u00edcio do Evangelho: \u00ab <em>P\u00e6nitemini et credite evangelio<\/em> \u00bb (<em>Mc<\/em> 1, 15). Perceber os sinais do tempo significa compreender a urg\u00eancia da penit\u00eancia, da convers\u00e3o, da f\u00e9. Tal \u00e9 a resposta justa a uma \u00e9poca hist\u00f3rica caracterizada por grandes perigos, que ser\u00e3o delineados nas sucessivas imagens. Deixo aqui uma recorda\u00e7\u00e3o pessoal: num col\u00f3quio que a Irm\u00e3 L\u00facia teve comigo, ela disse-me que lhe parecia cada vez mais claramente que o objectivo de todas as apari\u00e7\u00f5es era fazer crescer sempre mais na f\u00e9, na esperan\u00e7a e na caridade; tudo o mais pretendia apenas levar a isso.<\/p>\n<p>Examinemos agora mais de perto as diversas imagens. O anjo com a espada de fogo \u00e0 esquerda da M\u00e3e de Deus lembra imagens an\u00e1logas do Apocalipse: ele representa a amea\u00e7a do ju\u00edzo que pende sobre o mundo. A possibilidade que este acabe reduzido a cinzas num mar de chamas, hoje j\u00e1 n\u00e3o aparece de forma alguma como pura fantasia: o pr\u00f3prio homem preparou, com suas inven\u00e7\u00f5es, a espada de fogo. Em seguida, a vis\u00e3o mostra a for\u00e7a que se contrap\u00f5e ao poder da destrui\u00e7\u00e3o: o brilho da M\u00e3e de Deus e, de algum modo proveniente do mesmo, o apelo \u00e0 penit\u00eancia. Deste modo, \u00e9 sublinhada a import\u00e2ncia da liberdade do homem: o futuro n\u00e3o est\u00e1 de forma alguma determinado imutavelmente, e a imagem vista pelos pastorinhos n\u00e3o \u00e9, absolutamente, um filme antecipado do futuro, do qual j\u00e1 nada se poderia mudar. Na realidade, toda a vis\u00e3o acontece s\u00f3 para chamar em campo a liberdade e orient\u00e1-la numa direc\u00e7\u00e3o positiva. O sentido da vis\u00e3o n\u00e3o \u00e9, portanto, o de mostrar um filme sobre o futuro, j\u00e1 fixo irremediavelmente; mas exactamente o contr\u00e1rio: o seu sentido \u00e9 mobilizar as for\u00e7as da mudan\u00e7a em bem. Por isso, h\u00e1 que considerar completamente extraviadas aquelas explica\u00e7\u00f5es fatalistas do \u00ab segredo \u00bb que dizem, por exemplo, que o autor do atentado de 13 de Maio de 1981 teria sido, em \u00faltima an\u00e1lise, um instrumento do plano divino predisposto pela Provid\u00eancia e, por conseguinte, n\u00e3o poderia ter agido livremente, ou outras ideias semelhantes que por a\u00ed andam. A vis\u00e3o fala sobretudo de perigos e do caminho para salvar-se deles.<\/p>\n<p>As frases seguintes do texto mostram uma vez mais e de forma muito clara o car\u00e1cter simb\u00f3lico da vis\u00e3o: Deus permanece o incomensur\u00e1vel e a luz que est\u00e1 para al\u00e9m de qualquer vis\u00e3o nossa. As pessoas humanas s\u00e3o vistas como que num espelho. Devemos ter continuamente presente esta limita\u00e7\u00e3o inerente \u00e0 vis\u00e3o, cujos confins est\u00e3o aqui visivelmente indicados. O futuro \u00e9 visto apenas \u00ab como que num espelho, de maneira confusa \u00bb (cf. <em>1 Cor<\/em> 13, 12). Consideremos agora as diversas imagens que se sucedem no texto do \u00ab segredo \u00bb. O lugar da ac\u00e7\u00e3o \u00e9 descrito com tr\u00eas s\u00edmbolos: uma montanha \u00edngreme, uma grande cidade meia em ru\u00ednas e finalmente uma grande cruz de troncos toscos. A montanha e a cidade simbolizam o lugar da hist\u00f3ria humana: a hist\u00f3ria como \u00e1rdua subida para o alto, a hist\u00f3ria como lugar da criatividade e conviv\u00eancia humana e simultaneamente de destrui\u00e7\u00f5es pelas quais o homem aniquila a obra do seu pr\u00f3prio trabalho. A cidade pode ser lugar de comunh\u00e3o e progresso, mas tamb\u00e9m lugar do perigo e da amea\u00e7a mais extrema. No cimo da montanha, est\u00e1 a cruz: meta e ponto de orienta\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria. Na cruz, a destrui\u00e7\u00e3o \u00e9 transformada em salva\u00e7\u00e3o; ergue-se como sinal da mis\u00e9ria da hist\u00f3ria e como promessa para a mesma.<\/p>\n<p>Aparecem l\u00e1, depois, pessoas humanas: o Bispo vestido de branco (\u00ab tivemos o pressentimento que era o Santo Padre \u00bb), outros bispos, sacerdotes, religiosos e religiosas e, finalmente, homens e mulheres de todas as classes e posi\u00e7\u00f5es sociais. O Papa parece caminhar \u00e0 frente dos outros, tremendo e sofrendo por todos os horrores que o circundam. E n\u00e3o s\u00e3o apenas as casas da cidade que jazem meio em ru\u00ednas; o seu caminho \u00e9 ladeado pelos cad\u00e1veres dos mortos. Deste modo, o caminho da Igreja \u00e9 descrito como uma <em>Via Sacra<\/em>, como um caminho num tempo de viol\u00eancia, destrui\u00e7\u00f5es e persegui\u00e7\u00f5es. Nesta imagem, pode-se ver representada a hist\u00f3ria dum s\u00e9culo inteiro. Tal como os lugares da terra aparecem sinteticamente representados nas duas imagens da montanha e da cidade e est\u00e3o orientados para a cruz, assim tamb\u00e9m os tempos s\u00e3o apresentados de forma contra\u00edda: na vis\u00e3o, podemos reconhecer o s\u00e9culo vinte como s\u00e9culo dos m\u00e1rtires, como s\u00e9culo dos sofrimentos e persegui\u00e7\u00f5es \u00e0 Igreja, como o s\u00e9culo das guerras mundiais e de muitas guerras locais que ocuparam toda a segunda metade do mesmo, tendo feito experimentar novas formas de crueldade. No \u00ab espelho \u00bb desta vis\u00e3o, vemos passar as testemunhas da f\u00e9 de dec\u00e9nios. A este respeito, \u00e9 oportuno mencionar uma frase da carta que a Irm\u00e3 L\u00facia escreveu ao Santo Padre no dia 12 de Maio de 1982: \u00ab A terceira parte do \u201csegredo\u201d refere-se \u00e0s palavras de Nossa Senhora: \u201cSe n\u00e3o, [a R\u00fassia] espalhar\u00e1 os seus erros pelo mundo, promovendo guerras e persegui\u00e7\u00f5es \u00e0 Igreja. Os bons ser\u00e3o martirizados, o Santo Padre ter\u00e1 muito que sofrer, v\u00e1rias na\u00e7\u00f5es ser\u00e3o aniquiladas\u201d \u00bb.<\/p>\n<p>Na <em>Via Sacra<\/em> deste s\u00e9culo, tem um papel especial a figura do Papa. Na \u00e1rdua subida da montanha, podemos sem d\u00favida ver figurados conjuntamente diversos Papas, come\u00e7ando de Pio X at\u00e9 ao Papa actual, que partilharam os sofrimentos deste s\u00e9culo e se esfor\u00e7aram por avan\u00e7ar, no meio deles, pelo caminho que leva \u00e0 cruz. Na vis\u00e3o, tamb\u00e9m o Papa \u00e9 morto na estrada dos m\u00e1rtires. N\u00e3o era razo\u00e1vel que o Santo Padre, quando, depois do atentado de 13 de Maio de 1981, mandou trazer o texto da terceira parte do \u00ab segredo \u00bb, tivesse l\u00e1 identificado o seu pr\u00f3prio destino? Esteve muito perto da fronteira da morte, tendo ele mesmo explicado a sua salva\u00e7\u00e3o com as palavras seguintes: \u00ab Foi uma m\u00e3o materna que guiou a traject\u00f3ria da bala e o Papa agonizante deteve-se no limiar da morte \u00bb (13 de Maio de 1994). O facto de ter havido l\u00e1 uma \u00ab m\u00e3o materna \u00bb que desviou a bala mort\u00edfera demonstra uma vez mais que n\u00e3o existe um destino imut\u00e1vel, que a f\u00e9 e a ora\u00e7\u00e3o s\u00e3o for\u00e7as que podem influir na hist\u00f3ria e que, em \u00faltima an\u00e1lise, a ora\u00e7\u00e3o \u00e9 mais forte que as balas, a f\u00e9 mais poderosa que os ex\u00e9rcitos.<\/p>\n<p>A conclus\u00e3o do \u00ab segredo \u00bb lembra imagens, que L\u00facia pode ter visto em livros de piedade e cujo conte\u00fado deriva de antigas intui\u00e7\u00f5es de f\u00e9. \u00c9 uma vis\u00e3o consoladora, que quer tornar perme\u00e1vel \u00e0 for\u00e7a sanificante de Deus uma hist\u00f3ria de sangue e de l\u00e1grimas. Anjos recolhem, sob os bra\u00e7os da cruz, o sangue dos m\u00e1rtires e com ele regam as almas que se aproximam de Deus. O sangue de Cristo e o sangue dos m\u00e1rtires s\u00e3o vistos aqui juntos: o sangue dos m\u00e1rtires escorre dos bra\u00e7os da cruz. O seu mart\u00edrio realiza-se solidariamente com a paix\u00e3o de Cristo, identificando-se com ela. Eles completam em favor do corpo de Cristo o que ainda falta aos seus sofrimentos (cf. <em>Col<\/em> 1, 24). A sua pr\u00f3pria vida tornou-se eucaristia, inserindo-se no mist\u00e9rio do gr\u00e3o de trigo que morre e se torna fecundo. O sangue dos m\u00e1rtires \u00e9 semente de crist\u00e3os, disse Tertuliano. Tal como nasceu a Igreja da morte de Cristo, do seu lado aberto, assim tamb\u00e9m a morte das testemunhas \u00e9 fecunda para a vida futura da Igreja. Deste modo, a vis\u00e3o da terceira parte do \u00ab segredo \u00bb, t\u00e3o angustiante ao in\u00edcio, termina numa imagem de esperan\u00e7a: nenhum sofrimento \u00e9 v\u00e3o, e precisamente uma Igreja sofredora, uma Igreja dos m\u00e1rtires torna-se sinal indicador para o homem na sua busca de Deus. N\u00e3o se trata apenas de ver os que sofrem acolhidos na m\u00e3o amorosa de Deus como L\u00e1zaro, que encontrou a grande consola\u00e7\u00e3o e misteriosamente representa Cristo, que por n\u00f3s Se quis fazer o pobre L\u00e1zaro; mas h\u00e1 algo mais: do sofrimento das testemunhas deriva uma for\u00e7a de purifica\u00e7\u00e3o e renovamento, porque \u00e9 a actualiza\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio sofrimento de Cristo e transmite ao tempo presente a sua efic\u00e1cia salv\u00edfica.<\/p>\n<p>Chegamos assim a uma \u00faltima pergunta: O que \u00e9 que significa no seu conjunto (nas suas tr\u00eas partes) o \u00ab segredo \u00bb de F\u00e1tima? O que \u00e9 nos diz a n\u00f3s? Em primeiro lugar, devemos supor, como afirma o Cardeal Sodano, que \u00ab os acontecimentos a que faz refer\u00eancia a terceira parte do \u201csegredo\u201d de F\u00e1tima parecem pertencer j\u00e1 ao passado \u00bb. Os diversos acontecimentos, na medida em que l\u00e1 s\u00e3o representados, pertencem j\u00e1 ao passado. Quem estava \u00e0 espera de impressionantes revela\u00e7\u00f5es apocal\u00edpticas sobre o fim do mundo ou sobre o futuro desenrolar da hist\u00f3ria, deve ficar desiludido. F\u00e1tima n\u00e3o oferece tais satisfa\u00e7\u00f5es \u00e0 nossa curiosidade, como, ali\u00e1s, a f\u00e9 crist\u00e3 em geral que n\u00e3o pretende nem pode ser alimento para a nossa curiosidade. O que permanece \u2014 dissemo-lo logo ao in\u00edcio das nossas reflex\u00f5es sobre o texto do \u00ab segredo \u00bb \u2014 \u00e9 a exorta\u00e7\u00e3o \u00e0 ora\u00e7\u00e3o como caminho para a \u00ab salva\u00e7\u00e3o das almas \u00bb, e no mesmo sentido o apelo \u00e0 penit\u00eancia e \u00e0 convers\u00e3o.<\/p>\n<p>Queria, no fim, tomar uma vez mais outra palavra-chave do \u00ab segredo \u00bb que justamente se tornou famosa: \u00ab O meu Imaculado Cora\u00e7\u00e3o triunfar\u00e1 \u00bb. Que significa isto? Significa que este Cora\u00e7\u00e3o aberto a Deus, purificado pela contempla\u00e7\u00e3o de Deus, \u00e9 mais forte que as pistolas ou outras armas de qualquer esp\u00e9cie. O <em>fiat<\/em> de Maria, a palavra do seu Cora\u00e7\u00e3o, mudou a hist\u00f3ria do mundo, porque introduziu neste mundo o Salvador: gra\u00e7as \u00e0quele \u00ab Sim \u00bb, Deus p\u00f4de fazer-Se homem no nosso meio e tal permanece para sempre. Que o maligno tem poder neste mundo, vemo-lo e experimentamo-lo continuamente; tem poder, porque a nossa liberdade se deixa continuamente desviar de Deus. Mas, desde que Deus passou a ter um cora\u00e7\u00e3o humano e deste modo orientou a liberdade do homem para o bem, para Deus, a liberdade para o mal deixou de ter a \u00faltima palavra. O que vale desde ent\u00e3o, est\u00e1 expresso nesta frase: \u00ab No mundo tereis afli\u00e7\u00f5es, mas tende confian\u00e7a! Eu venci o mundo \u00bb (<em>Jo<\/em> 16, 33). A mensagem de F\u00e1tima convida a confiar nesta promessa.<\/p>\n<p>Joseph Card. Ratzinger<\/p>\n<p><em>Prefeito da Congrega\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0\u00a0<\/em><\/p>\n<hr \/>\n<p>(1) L\u00ea-se no di\u00e1rio de Jo\u00e3o XXIII, a 17 de Agosto de 1959: \u00ab Audi\u00eancias: P. Philippe, Comiss\u00e1rio do S.O., que me traz a carta que cont\u00e9m a terceira parte dos segredos de F\u00e1tima. Reservo-me de a ler com o meu Confessor \u00bb.\u00a0 \u00a0<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.vatican.va\/roman_curia\/congregations\/cfaith\/img\/Fotoa-tr.gif\" alt=\"\" width=\"486\" height=\"231\" border=\"0\" \/>(2) Vale a pena recordar o coment\u00e1rio feito pelo Santo Padre, na Audi\u00eancia Geral de 14 de Outubro de 1981, sobre \u00ab O acontecimento de Maio: grande prova divina \u00bb, em: <em>Insegnamenti di Giovanni Paolo II<\/em>, IV\u20112 (Citt\u00e0 del Vaticano 1981), 409-412; cf. <em>L&#8217;Osservatore Romano<\/em> (ed. portuguesa de 18-X-1981), 484.<\/p>\n<p>(3) Radiomensagem durante o rito, na Bas\u00edlica de Santa Maria Maior, \u00ab Venera\u00e7\u00e3o, agradecimento, entrega \u00e0 Virgem Maria Theotokos \u00bb, em: <em>Insegnamenti di Giovanni Paolo II<\/em>, IV-1 (Citt\u00e0 del Vaticano 1981), 1246; cf. <em>L&#8217;Osservatore Romano<\/em> (ed. portuguesa de 14-VI-1981), 302.<\/p>\n<p>(4) Na Jornada Jubilar das Fam\u00edlias, o Papa entrega a Nossa Senhora os homens e as na\u00e7\u00f5es: <em>Insegnamenti di Giovanni Paolo II<\/em>, VII-1 (Citt\u00e0 del Vaticano 1984), 775-777; cf. <em>L&#8217;Osservatore Romano<\/em> (ed. portuguesa de 1-IV-1984), 157 e 160.<\/p>\n<p>(5) Texto original da carta:<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.vatican.va\/roman_curia\/congregations\/cfaith\/img\/Fotob-tr.gif\" alt=\"\" width=\"501\" height=\"403\" border=\"0\" \/><\/p>\n<p>(6) Na \u00ab quarta mem\u00f3ria \u00bb, de 8 de Dezembro de 1941, a Irm\u00e3 L\u00facia escreve: \u00ab Come\u00e7o pois a minha nova tarefa, e cumprirei as ordens de V. Ex.cia Rev.ma e os desejos do Senhor Dr. Galamba. Excetuando a parte do segredo que por agora n\u00e3o me \u00e9 permitido revelar, direi tudo; advertidamente n\u00e3o deixarei nada. Suponho que poder\u00e3o esquecer-me apenas alguns pequenos detalhes de m\u00ednima import\u00e2ncia \u00bb.<\/p>\n<p>Texto original:<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.vatican.va\/roman_curia\/congregations\/cfaith\/img\/Fotoe-tr.gif\" alt=\"\" width=\"505\" height=\"180\" border=\"0\" \/><\/p>\n<p>(7) Na citada \u00ab quarta mem\u00f3ria \u00bb, a Irm\u00e3 L\u00facia acrescenta: \u00ab Em Portugal se conservar\u00e1 sempre o dogma da f\u00e9 etc. \u00bb.<\/p>\n<p>Texto original:<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.vatican.va\/roman_curia\/congregations\/cfaith\/img\/Fotof-tr.gif\" alt=\"\" width=\"495\" height=\"63\" border=\"0\" \/><\/p>\n<p>(8) Na transcri\u00e7\u00e3o, respeitou-se o texto original mesmo quando havia erros e imprecis\u00f5es de escrita e pontua\u00e7\u00e3o, os quais, ali\u00e1s, n\u00e3o impedem a compreens\u00e3o daquilo que a vidente quis dizer.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td align=\"center\" valign=\"middle\"><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.engeplus.com.br\/fotos\/imagens_conteudo\/20070915_santuario_de_fatima.jpg\" alt=\"\" width=\"289\" height=\"385\" \/><\/p>\n<table border=\"0\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><strong><span style=\"color: #000000\">Capelinha das Apari\u00e7\u00f5es, Muro de Berlim, Pres\u00e9pio, Capela do Lausperene<\/span><\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<div><span style=\"color: #000000\"><strong>CAPELINHA<\/strong><\/span><\/div>\n<p><span style=\"color: #000000\">O pedestal, onde se encontra a Imagem de Nossa Senhora, marca o s\u00edtio exacto onde estava a pequena azinheira (desaparecida devido \u00e0 devo\u00e7\u00e3o dos primeiros peregrinos que a levaram, raminho a raminho), de um metro e pouco de altura, sobre a qual Nossa Senhora apareceu aos pastorinhos em 13 de Maio, Junho, Julho, Setembro e Outubro de 1917.<br \/>\nA constru\u00e7\u00e3o da Capelinha foi a resposta ao pedido de Nossa Senhora &#8220;quero que fa\u00e7am aqui uma capela em minha honra&#8221;.<\/span><\/p>\n<p>Constru\u00edda no local das apari\u00e7\u00f5es em 1919, de 28 de Abril a 15 de Junho. A primeira Missa foi ali celebrada no dia 13 de Outubro de 1921.<img decoding=\"async\" src=\"..\/pic\/_capelinh_4062cb39e4735.jpg\" alt=\"\" align=\"right\" \/><\/p>\n<p>Tendo sido dinamitada em 6 de Mar\u00e7o de 1922, foi reconstruida ainda nesse mesmo ano.<br \/>\nEm 1982 foi constru\u00eddo um vasto alpendre, tendo sido inaugurado aquando da visita do Papa Jo\u00e3o Paulo II em 12 de Maio desse ano.<br \/>\nEm 1988, Ano Mariano, foi forrado com madeira de pinho, proveniente da R\u00fassia, norte da Sib\u00e9ria. Foi escolhida esta madeira pela sua durabilidade e leveza.<br \/>\nA capelinha original, embora sujeita a ligeiras repara\u00e7\u00f5es no decorrer dos anos, mant\u00e9m os tra\u00e7os de uma ermida popular.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>MURO DE BERLIM<\/strong><\/p>\n<p>Na entrada do Santu\u00e1rio, do lado sul, encontra-se um monumento constitu\u00eddo por um m\u00f3dulo de bet\u00e3o do Muro de Berlim (come\u00e7ado a construir na noite de 12 para 13 de Agosto de 1961 e demolido a partir de 9 de Novembro de 1989).<\/p>\n<p>Esse bloco foi oferecido por interm\u00e9dio do emigrante portugu\u00eas na Alemanha, Sr. Virg\u00edlio Casimiro Ferreira, e aqui colocado como grata recorda\u00e7\u00e3o da interven\u00e7\u00e3o de Deus, prometida em F\u00e1tima, na queda do comunismo.<\/p>\n<p>Pesa 2.600 quilos, mede 3,60m de altura e 1,20 metros de largura. O arranjo do monumento \u00e9 do arquitecto J. Carlos Loureiro. Foi inaugurado em 13 de Agosto de 1994.<\/p>\n<p>Novembro de 2009: 20\u00ba anivers\u00e1rio da queda do Muro de Berlim &#8211; Outra informa\u00e7\u00e3o em: <a href=\"..\/portal\/index.php?id=39894\">..\/portal\/index.php?id=39894<\/a><\/p>\n<p>Situa-se junto da Reitoria. Foi Inaugurado em 25 de Dezembro de 1999.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>CAPELA DO SANT\u00cdSSIMO SACRAMENTO<\/strong><\/p>\n<p>Desde 1 de Janeiro de 1960 que o Sant\u00edssimo Sacramento est\u00e1 exposto e \u00e9 adorado no Santu\u00e1rio de F\u00e1tima.<\/p>\n<p>A adora\u00e7\u00e3o \u00e9 assegurada pelas Irm\u00e3s Reparadoras de Nossa Senhora das Dores de F\u00e1tima.<\/p>\n<p>No dia 13 de Julho de 2008, o Lausperene foi transferido para a Capela do Sant\u00edssimo Sacramento, na Igreja da Sant\u00edssima Trindade.<\/p>\n<p>A partir da P\u00e1scoa de 2009 voltou a fazer-se no Santu\u00e1rio de F\u00e1tima 24 horas de Louvor ao Senhor.<\/p>\n<p><a href=\"..\/portal\/index.php?id=27423\">..\/portal\/index.php?id=27423<\/a><\/p>\n<p>A Adora\u00e7\u00e3o ao Sant\u00edssimo no Santu\u00e1rio de F\u00e1tima:<\/p>\n<p><a href=\"..\/portal\/index.php?id=3025\">..\/portal\/index.php?id=3025<\/a><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/3.bp.blogspot.com\/_Tm4prX3VjUo\/R_J71WS9t_I\/AAAAAAAAAQ4\/QBlFWr08TlE\/s400\/Papa+Joao+Paulo+II+com+a+Imagem+de+N.Senhora.jpg\" alt=\"\" border=\"0\" \/><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/1.bp.blogspot.com\/_Tm4prX3VjUo\/R_J7m2S9t-I\/AAAAAAAAAQw\/mOTx-Pe3gh8\/s400\/Papa+Jo%C3%A3o+Paulo+II+em+F%C3%A1tima1.jpg\" alt=\"\" border=\"0\" \/><\/p>\n<p>em 12\/13 , 1982 \u2013 O Papa Jo\u00e3o Paulo II , vem em Peregrina\u00e7\u00e3o a F\u00e1tima agradecer o ter escapado com vida um ano antes na Pra\u00e7a S. Pedro , e de joelhos , consagra a Igreja , os Homens e os Povos , com men\u00e7\u00e3o velada da R\u00fassia , ao Imaculado Cora\u00e7\u00e3o de Maria .<\/p>\n<p>Milagre de Maria.<br \/>\nDurante a visita a vida de Jo\u00e3o Paulo II a F\u00e1tima , na noite do dia 12 de Maio de 1982 , no final da prociss\u00e3o das velas , ao aproximar \u2013 se do altar instalado em frente da Bas\u00edlica , a vida do Papa foi mais uma vez amea\u00e7ada . Juan Fernandez Khron , um padre de 33 anos e com dist\u00farbios psicol\u00f3gicos , avan\u00e7ou contra ele armado com uma faca , mas foi detido a tempo pelos seguran\u00e7as , o Papa o perdoou .<br \/>\nO episodio que deixou mais vis\u00edvel a devo\u00e7\u00e3o Mariana do Papa Jo\u00e3o Paulo II foi ao ser atingido pelo tiro a primeira coisa que disse foi \u201c Maria minha M\u00e3e\u201d. Mais tarde afirmaria que s\u00f3 n\u00e3o morreu por um verdadeiro Milagre , intercedido pela Virgem de F\u00e1tima , cuja a data lit\u00fargica era comemorada exactamente no dia 13 de Maio de 1982 . Um ano depois , o Papa veio ao Santu\u00e1rio de F\u00e1tima em Portugal agradecer .<br \/>\nAo sair , deixou sobre o altar a bala retirada do seu corpo, a bala encontra \u2013 se na coroa de N. S. de F\u00e1tima no Santu\u00e1rio de F\u00e1tima .<\/p>\n<div><span style=\"color: #000000\">\u00a0<\/span><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<table width=\"95%\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><span style=\"color: #000000\">\u00a0\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<div id=\"themify_builder_content-9315\" data-postid=\"9315\" class=\"themify_builder_content themify_builder_content-9315 themify_builder themify_builder_front\">\n\t<\/div>\n<!-- \/themify_builder_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>13 de Maio Pedidos de Ora\u00e7\u00e3o Enviar pedidos de ora\u00e7\u00e3o para: pedidos@fatima.pt &nbsp; Feita segundo indica\u00e7\u00f5es da Irm\u00e3 L\u00facia, a primeira Imagem da Virgem Peregrina de F\u00e1tima foi oferecida pelo Sr. Bispo de Leiria e coroada solenemente pelo Sr. Arcebispo de \u00c9vora, a 13 de Maio de 1947. 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