“Só um coração”: música de Antonio Cardoso homenageia o Pe. Julio

Pe. Luis Miguel Modino
REPAM – Rede Eclesial Panamazônica

Só um coração, um coração que ajuda a restaurar, a colocar de pé a tantos homens e mulheres que perderam tudo, e tudo é tudo mesmo! Essas palavras nos falam do padre Júlio Lancellotti, alguém a quem Antônio Cardoso quis homenagear com uma canção, uma música que, segundo ele, “foi uma das poucas canções que eu escrevi na minha vida sem mudar uma frase, ela saiu, simplesmente fluiu”.

Cardoso afirma que “as canções, elas são como uma inspiração divina, quando a gente se entrega, quando a gente abre o coração, tudo isso flui na vida do poeta”. Antônio Cardoso, que se define como “missionário, apesar de muitos me chamarem de artista”, destaca que “a gente também tem que se deixar tocar, se sensibilizar pelos acontecimentos”. Segundo ele, “uma das coisas que tem aflorado muito na pandemia são as desigualdades”, algo lembrado constantemente pelo Papa Francisco.

No Brasil, “tem extravasado ainda mais essa desigualdade, o que faz com que algumas pessoas se transformem quase em heróis”. Mesmo que “nós não estejamos precisando de heróis, porque há uma grande diferença entre vocação e profissão”, o padre Júlio Lancellotti, com 72 anos de idade, é alguém que todos os dias “vem falando dessa tragédia humana que São Paulo vem atravessando há muitos anos, há muitos governos, mas que tem sido mais difícil ainda neste tempo de pandemia, e isso tornou este homem um símbolo de um vocacionado”, afirma. Para ele “todos nós somos chamados a viver nossa vocação, mas alguns com um pouco mais de coragem se lançam mais na linha de frente”.

Diante da música, o padre Júlio ficou emocionado, segundo o compositor. A canção foi ilustrada por vídeo com imagens do dia a dia do padre Lancellotti. Para Antônio Cardoso, que já tem uma caminhada de 40 anos no mundo artístico, “Só um coração” é “uma dessa canções que brota e que se transforma numa oração, que nos impele a viver com fidelidade o chamado da construção do Reino”.

Ele repara nas palavras que dizem “quando a gente perde tudo, e tudo é tudo mesmo, aí a gente fica sem chão”. Aí é mostrado que “muita gente já viveu isso no mundo da saúde, no mundo econômico, muitos pais de família que ficaram desempregados e foram para a rua, o mundo das drogas, pais e mães que lutam para restaurar seus filhos e não conseguem”, afirma o compositor baiano afincado em São Paulo. Ele também lembra “daqueles que estão trabalhando com os indígenas, que veem aquela tragédia humana acontecendo, especialmente com as invasões de reservas indígenas”.

Antônio Cardoso reconhece o valor “dessa gente simples, que dialoga de outra maneira, o vocabulário é outro”. Diante disso, ele afirma que “eu sinto que a cada momento a nossa humanidade vem sendo transformada e a gente precisa ter esse espírito ungido, pelo Espírito da Verdade, para que a gente possa verdadeiramente se lançar a essa linha de frente”. Ainda mais, ele diz que “sou muito grato ao Papai do Céu, que está sempre me instigando para que eu possa dar a minha contribuição àqueles que estão muito mais na linha de frente do que eu. Eu só faço traduzir em palavras e em canções o que a maioria já está trabalhando”.

Para o compositor, esse tempo de pandemia está sendo um período difícil. Descobrir como poder satisfazer as necessidades familiares, como “pai de família, eu tenho que arrumar um jeito de sustentar, colocar minha filha na escola, e não é fácil isso em tempos normais, imagine numa pandemia”. Junto com a carga emocional que surge diante da intolerância, das pessoas que não aceitam a vacina, das pessoas negacionistas, mesmo com o povo morrendo, já são mais de 200 mil pessoas, o mundo do trabalho vivendo uma tragédia incrível, reflete alguém que afirma e canta que diante dessa realidade: “Só um coração pode entender o que se passa com você. Pois não há palavras para explicar a solidão de alguém que perdeu tudo”.

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